sexta-feira, 18 de julho de 2008

Melhora ainda que tardia

Tática para vencer a Alemanha: agarrar as bolas do Nowitzki


A essa altura, todo mundo já sabe que a seleção brasileira tomou um pau da Grécia e que, portanto, deve agora vencer a seleção da Alemanha para ter chances de se classificar para as Olimpíadas. Nem comentamos nada porque com trocas, Summer League e as bilhões de vezes em que o Denis e eu ficamos vendo esse trailer aqui, ficar falando de sovas da seleção pareceu desnecessário. Não é como se tivesse sido algo inesperado e, definitivamente, não tem ninguém aqui que não esteja acostumado com derrotas verde-e-amarelas no esporte-da-bola-laranja.

Como notamos na vitória em cima do Líbano, a história na seleção agora é outra, com nova mentalidade, esquema tático e política de trabalho. Por mais estranho que pareça, agora temos jogadas planejadas, um técnico que assistiu basquete nos últimos 30 anos e não arremessamos mais quatrocentas bolas de 3 pontos por partida. Tudo isso é necessário, importante e deve ser assimilado pelos técnicos brasileiros, pelos times nacionais, pelos clubes, pelo seu time de basquete de rua. Ainda há a chance de termos um basquete tático, trabalho coletivo e consciência em quadra aqui na terra do futebol. A gente estava precisando dessa nova atitude, comparável a enfiar o nosso basquetebol na UTI para parar o sangramento.

Mas vejam bem: uma coisa é entubar o esporte, injetar ânimo, visão tática e esperança. Outra coisa completamente diferente é querer vencer seleções consagradas que respiram há décadas aquilo que estamos conhecendo apenas agora. Perder para a Grécia é natural, assim como seria perder para a Alemanha. É claro que temos esperanças de vencer Nowitzki e Chris Kaman, mas não passa disso: um sonho longínquo para coroar a recuperação de nosso basquete. No caso da impossibilidade, resta outro sonho, o de que essa retomada do caminho certo não seja apagada pelo fracasso da seleção.

Sair do pré-olímpico tendo vencido apenas um jogo, do Líbano (pior do que o Knicks), pode enterrar por completo a iniciativa do técnico Moncho. Muita gente vai dizer que não deu certo e que, portanto, foi uma perda de tempo. É isso que preocupa, é justamente pela manutenção da recuperação que nós temos que torcer. Como diria Nietzsche (hoje estamos cultos por aqui), "não é porque deu errado que você, necessariamente, fez algo errado." A classificação para as Olimpíadas pode dar errado, mas a tentativa foi corretíssima, a evolução foi mais do que palpável.

Chega de válvulas de escape, de dizer que o Brasil perde porque os caras da NBA não são patriotas. Esse negócio de patriotismo só não é mais idiota do que "Pegadinha do Mallandro". Neguinho te paga 20 milhões para você lavar pratos em Phoenix. Aí te convidam para lavar pratos no Brasil, te criticam o tempo INTEIRO dizendo que você lava pratos mal pra burro - sendo que a cozinha é toda arrebentada e o chefe é incompetente - e você ainda é obrigado a voltar pra Phoenix cansado, lesionado, xingado e correndo o risco de perder o emprego de quem realmente te valoriza (e te paga!). A culpa das condições do basquete brasileiro não é deles, muito pelo contrário. Muita gente nem saberia o que é basquete sem o Nenê na NBA, por exemplo. O buraco é mais embaixo.

A gente aqui do Bola Presa fica na torcida para que uma provável derrota para a Alemanha não enfie a gente num buraco ainda mais embaixo, ainda mais fundo. Se perdermos, que fique a lição de que é possível competir com as seleção de alto nível. Se ganharmos, então que fique a lição de que eu queimei a língua e que a gente se vê em Pequim, Yao Ming!

O jogo com a Alemanha é daqui a pouquinho, às 13h30. Se você não tem televisão e mora numa caixa de papelão com internet, basta dar uma passada no nosso chat e conferir nossos links para a transmissão.

7 comentários:

Bruno disse...

MUITO BOM ESSE POST!

Tudo que eu sempre venho tentando dizer para outras pessoas, vc disse no 5º paragrafo.

cARLOS disse...

O Tavernari é um monstrinho, virei fâ do menino apenas com esse jogo. Que venha o Mundial ou algum similar que visto que o Marelinho vai sair, essa seleção tem futuro.

mr. Slack disse...

"um técnico que assistiu basquete nos últimos 30 anos e não arremessamos mais quatrocentas bolas de 3 pontos por partida."

Infelizmente hoje não deu certo :/

Mas.... Concordo plenamente, é uma conversa de fracassado ficar pondo a culpa nos caras da NBA, sendo que a verdadeira culpada no geral é a CBB.

Marcelo disse...

o cara da Esporte Interativo falou no ar essa mesma frase do Nietzsche...deve ser leitor do Bola Presa

Danilo disse...

Marcelo, ou ele é leitor do Bola Presa ou é leitor de Nietzsche... no quesito probabilidade, acho que fico com a primeira opção, hahaha!

Abraços!

Furlan disse...

O pior de tudo é que eu sempre livrei os caras da NBA, nunca coloquei a culpa nos caras, tanto porque eles estão mais do que certos em ficar por lá. Mas na hora da revolta eu acabei soltando essa história de patriotismo lá no chat, hUAhUHauHAU

Que merda!

thales disse...

triste é ver que esperaram o brasil quase nao ter mais chances, disputando o preolimpico mundial, pra mudarem as coisas

o Moncho tá de parabens pelo trabalho que fez. Transformou uma horda num time. Um time nao muito bom, mas um time