quarta-feira, 5 de março de 2008
Asilos de qualidade
Tem uma coisa sobre os times bons de que muita gente se esquece: são os times bons que assinam jogadores livres, free agents, com a maior facilidade. Digo isso olhando para o caso do Boston Celtics nessa temporada, por exemplo. Se não bastasse o elenco que já possuiam com, insisto em dizer, três jogadores que farão parte do Hall da Fama no futuro, ainda me assinam o Sam Cassell pra fazer parte da brincadeira. É tão injusto que deveria haver uma regra que só permitisse ao Celtics assinar o Olowokandi ou o Kwame Brown, nada mais. Onde está David Stern quando se precisa dele?
Existe, correndo pela NBA, essa idéia de que, quando o time está fedendo muito, é hora de se livrar de todo mundo com salários caros e começar de novo. Liberando a folha salarial, o time ruim pra burro terá grana para contratar jogadores que terão o passe livre, se tornando, portanto, um time bom. Mas agora vamos ser sinceros: quantas vezes você já viu esse plano mirabolante dar certo?
A verdade é que os grandes jogadores, em geral, não estão nem um pouco interessados em ir passar vergonha no Bobcats ou no Grizzlies. Não importa quem eles mandem embora, quanta bufunfa tenham no bolso para contratar uma grande estrela. É claro que os jogadores da NBA querem enfiar dinheiro até nas orelhas, mas se eles podem fazer isso num time vencedor, com uma base formada, nunca irão para um time completamente capenga. O exemplo imediato que me vem à cabeça é o Atlanta Hawks de uns anos atrás. Se livraram de toda a galera num processo de reconstrução (chamado popularmente na gringolândia de "rebuild"), se encheram de pivetes, draftaram buscando talento e não posições específicas (tinham tantos alas na equipe que parecia escola de samba) e com a grana queriam uma grande estrela. Ótima idéia. Quem é que aceitou as verdinhas para ir jogar lá? Joe Johnson, na época terceira opção do Suns e com "role player" escrito na testa. Maior caso de "na falta de alguém melhor, vai tu mesmo" só quando o Cavs não conseguiu o Michael Redd e chamou o (irgh!) Larry Hughes no lugar.
Esse troço de rebuild é a maior furada. Achar que milagrosamente o Kobe ou o LeBron vão aceitar jogar no Grizzlies só porque lá eles vão receber oito ziribilhões de dólares é ridículo. Times em rebuild dependem de bons drafts, boas trocas e muita, muita sorte. Trocar o Iverson pelo Andre Miller pode até dar resultado. Trocar o Gasol por um peixe dourado, não. A vida é dura para os times ruins.
Para os times bons, a vida é mais fácil do que dar aquele chutinho da Chun-Li com controle turbo. Você tem Shaq e Wade na equipe? Os jogadores com passe livre vão implorar para jogar ao seu lado. Seja aceitando menos grana, abrindo mão de um ou dois iates, ou até mesmo ganhando a mesma grana que ganharia em outro lugar, mas com as chances de ganhar um título falando mais alto. Karl Malone aceitou jogar no Lakers em troca de um prato de feijão mais a grana do busão, só para ter chances de ser, enfim, campeão. Agora, Sam Cassell chorou e esperneou para ser mandado embora do Clippers para poder levar o que sobrou de pilha para o Celtics. Que não se enganem os que olham a data de nascimento, Cassell ainda é um dos jogadores mais inteligentes (e decisivos nas horas finais) de toda a NBA. E na onda dos velhinhos, até o idoso-porém-bom-em-tocos (não confundam com o Mutombo) Theo Ratliff foi para o Pistons. Legal, como se o Celtics ou o Pistons precisassem de alguma ajuda.
Na temporada que vem, vários grandes jogadores terão passe livre: Arenas, Baron Davis, Iverson, Shawn Marion, Elton Brand. Pense bem: você acha que algum deles vai aceitar jogar no Memphis Grizzlies, que acabou de trocar todo mundo por uns enfeites de mesa e pretende torrar os cofres da franquia na temporada que vem? É muito mais provavél que aceitem jogar no Celtics, no Lakers, ser a peça final no Houston ou no Hornets. Time bom atrai jogador bom. Se teu time é ruim e contratou alguma estrela, pense duas vezes, o cara deve ser bem pior do que você pensava. Ou você daria seu time nas mãos do Joe Johnson por uma fortuna multizilionária?
Defenestrado por
Danilo
por volta das
19:59
Labels: cassell, cavs, Celtics, Hawks, joe johnson, kobe, lakers, larry hughes, malone, Memphis, michael redd, shaq
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10 comentários:
O Cassel ir pro Celtics foi apelação.
Os caras ja tem Pierce,Garnett e Allen e ainda pegam o Cassel que eh um dos armadores com o melhor arremesso da NBA.
Eu acho que vai ser dificil bater o Celtics esse ano.Muito dificil.
Se mutombo conseguisse jogar 35minutos pror partida, seria mmto melhor que wallace, e ganhando bem menos xD
"Sam Cassel toca a si mesmo..." HAHAHAHAHAHAHA
No começo da temporada, Danny Ainge e Doc Rivers foram bastante criticados por muita gente devido ao fato de que o elenco do Celtics estava enxugadíssimo, apesar do ululante salto de qualidade proporcionado pela chegada de Ray Allen, KG e alguns bons reservas, somados à permanência de Pierce e à evolução de Rondo.
Ou seja: havia qualidade, faltava quantidade.
Rivers respondia pacientemente aos mais afoitos que o momento era de buscar entrosamento, e que - para isso - inicialmente o ideal seria restringir o roster ao máximo possível. No ensejo oportuno, os reforços seriam buscados.
Parece que o plano de Doc deu certo.
O time respondeu às expectativas, assumiu a liderança desde o início da temporada com autoridade, já existe uma evidente evolução do conjunto e alguns garotos tiveram boas chances de mostrar valor e ganhar experiência.
O próprio Doc teve tempo para, digamos, "aprender" a manejar essa "Ferrari" que caiu em suas mãos.
Faltam ainda alguns jogos para os playoffs.
A vaga está garantida, o time está funcionando... pronto! É hora de trazer bons veteranos para engrossar o caldo e partir com força total para sair da pindaíba de títulos.
Se ganharão o campeonato, muito difícil afirmar. Como diria o intrépido Peter Parker, "grandes poderes trazem grandes responsabilidades". Um início vacilante nos playoffs pode ser a senha para uma enorme pressão em cima da equipe, e será aí o grande momento para que os jogadores mais experientes (em especial os do Big 3) façam valer a união e a falta de vaidade tão louvadas durante a temporada regular.
Por outro lado, é inegável que o Celtics se credencia cada vez mais para o título, e a chegada de PJ Brown e Sam Cassell decerto somarão ainda muito mais ao já formidável conjunto de Beantown.
Muita gente já se arrepia com a concreta possibilidade de termos
Lakers vs. Celtics na grande final.
Eu também!
Portanto, a "tese" defendida no artigo foi perfeitamente aplicada pelo Celtics na atual temporada.
Ainge e Rivers apostaram na formação de uma base inicial já contando com o evidente poder de atração que o novo time naturalmente exerceria sobre bons free agents, que chegam quando a equipe está formada, funcionando bem, restando ainda alguns bons jogos na temporada regular para que busquem se encaixar a suas específicas funções na rotação.
De quebra, com a chegada de Cassell, o excelente Rondo ganha uma "sombra" de inegável qualidade e o time fica precavido para um eventual "efeito Dirk" (que maldade...) que eventualmente possa recair sobre o bom garoto nos playoffs.
Hahahaha!! Adorei o "Efeito Dirk". Sou fã do alemão mas não tem como não rir...
E aí Denis, Danilo.
Bom blog o de vocês, caramba! Os dois respiram a NBA! É por isso que rachar lá no CEPEUSP é sempre aquela tragédia de "Kevin Garnett arremessa assim", "Pau Gasol bate punheta assado"...
Abraços,
Kei
Diga-se de passagem: também sempre achei Devin Brown um bom jogador, mas nunca concordaram comigo: "Você está louco!" diziam!
Ainda bem que eu não sou o único! hahahaha
Pois é... também gosto do Dirk, por isso inclui o parênteses "(que maldade...)"
Acho injusta a pecha, mas que é engraçado cutucar, isso é ... rs
Thales, o Mutombo foi MUITO MELHOR que o Ben Wallace... e como se não bastasse o Cassel, veio o PJ Brown, só pra defender as vezes...
PS.: o Kei é meio baitola né? ah não, ele só arremessa estranho... hehehe Abraços!
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