terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Resumo da Rodada
Rose se vinga do mundo, Griffin serve chá de novo

Depois de errar dois lances livres decisivos contra o Heat (e o arremesso final, forçado porque o Boozer não seguiu a jogada devida), Derrick Rose avisou que iria se redimir com o planeta Terra na partida contra o Wizards. O armador foi o mais agressivo que conseguiu, chutou o traseiro do John Wall, chegou até a levar falta técnica apesar da cara-de-Duncan e acabou o jogo com 35 pontos, 8 assistências e 3 tocos. Lembra quando o Rose era fantástico, maravilhoso, tudo-de-bom?  Pois bem, temos que criar outros adjetivos desde que ele despertou seu Sétimo Sentido e passou a acertar floaters que fariam Tony Parker morrer de inveja. Sem uma defesa coletiva como a do Heat, é impossível parar o Rose com um arsenal tão completo no ataque. O Wizards ainda manteve o jogo respeitável no começo porque John Wall e JaVale McGee seguraram as pontas no ataque, mas não deu pra segurar a represa por muito tempo.

Outro time que manteve o jogo respeitável foi o Magic contra o Sixers, mas quando a represa começa a rachar (e eventualmente racha, em todos os jogos), a equipe de Orlando perde a cabeça e taca o jogo na privada. O jogo estava bem disputado até que o Magic perdesse o 3o período por 21 a 9. Nove! E esse ataque medonho que só faz nove pontos dessa vez esteve nas costas de Dwight Howard.

Nas últimas derrotas, achei que o Magic estivesse passando mais a bola para ele horas em que o time está na merda para ver se  resolve, se ele salva o time de ter que continuar com um ataque em que as bolas não caem. Mas agora estou começando a achar que não é desespero, que é algo deliberado. O Magic parece estar insistindo no Dwight como se fosse alguma espécie de lição para o pivô que insiste em cobrar seus companheiros publicamente, se acha a última bolacha no pacote e não para de pedir para ser trocado. Ontem, contra o Sixers, Howard foi muito acionado e - pasmem! - recebeu a bola em uma infinidade de jogadas de pick-and-roll, coisa que sempre cobramos que acontecesse nessa equipe. Mas eis que o Dwight se mostrou bastante ruim para finalizar essas bolas em movimento, perdeu muitos pontos fáceis e seus companheiros continuaram insistindo. Quer dizer, menos o Turkoglu, que achou mais divertido tentar arremessos impossíveis de longa distância, teve hora em que eu achei que ele ia tentar de costas só pela diversão descompromissada.  O Dwight acertou 6 dos 17 arremessos que tentou, o experimento pick-and-roll é um fracasso, e já não sei mais o que sugerir para essa equipe. O pior de tudo é que o Sixers teve um jogo completamente meia-boca, sem sal, não fizeram nada demais e erraram quinhentos arremessos fáceis também. Imagina se tivessem jogado bem.

Mas a atuação ofensiva do Dwight não foi a pior da noite: na partida entre Grizzlies e Spurs, Rudy Gay conseguiu sair de quadra com um mísero pontinho, errando todos os 7 arremessos que tentou. A equipe de Memphis estava cansada, frustrada e o ataque não tem muitas válvulas de escape sem Zach Randolph para arrumar pontos na marra ou Rudy Gay nas jogadas de isolação. O Spurs, por outro lado, mostrou que tem quinhentas armas e impôs o estilo de jogo que bem quis. O senso comum diria que, com o garrafão do Grizzlies desfalcado do Randolph, o ideal seria abusar do jogo de garrafão do Spurs para vencê-los. Mas o Popovich fez exatamente o contrário: limitou os minutos do Splitter, colocou o pessoal para correr e deixou gente mais baixa em quadra. A ideia foi essa: já que não temos que defender ninguém no garrafão, vamos aproveitar. Deu muito certo, e ao mesmo tempo deu muita raiva do Spurs: tem equipe que se saia melhor no draft do que eles? Chega a ser ridículo. Podendo jogar mais na velocidade e com jogadores mais baixos, o Spurs usou Danny Green (11 pontos, 2 bolas de três pontos, 4 roubos de bola) e Kawhi Leonard (12 pontos, 10 rebotes, 2 roubos) para atropelar o Grizzlies. Os dois juntos somaram 6 roubos de bola, mas como o Denis tão bem mostrou em seu post de ontem sobre como identificar bons defensores (leitura obrigatória, corre lá!), isso não é nem a ponta do iceberg do que foi a defesa impecável dos dois durante a noite. O único jogador do Grizzlies que conseguiu fazer alguma coisa no ataque foi o OJ Mayo, de novo cestinha da equipe com 17 pontos. Se alguém por lá queria mesmo trocar o garoto, com certeza já respirou fundo e tacou a ideia pela janela.

Por falar em troca, os dois times que trocaram de treinador um com o outro, Houston e Wolves, se enfrentaram de novo ontem. No primeiro confronto o Rockets ganhou em Minessota, agora foi a vez do  Wolves ganhar em Houston. E tudo porque o Wolves teve um dos períodos mais sensacionais da história da humanidade conhecida! O Houston estava jogando bem e se saiu melhor durante todo o jogo, mas no terceiro período tomou 42 pontos (!!!) e fez "apenas" 25. Foi um quarto impecável para o Wolves, forrado de cestas de 3 pontos, passes perfeitos do Ricky Rubio, bolas absurdas do Kevin Love e movimentação inteligente de bola. Aliás, quem foi o gênio que resolveu unir Ricky Rubio e o técnico Rick Adelman? Prêmio de melhor ser humano para o cara que uniu os dois. Rubio faz com perfeição as infiltrações seguidas de passe para a linha de 3 e agora o Wolves inteiro pegou o jeito da jogada, sabendo dar um passe a mais em busca de uma bola de 3 melhor ou então cortando o defensor para um arremesso de 2 pontos. Essa jogada simples rendeu boa parte dos 34 pontos do Beasley ontem (acertou 10 de 14 arremessos e todos os seus 12 lances-livres), que está conseguindo render sem ter que arremessar todas as bolas - até porque ele não recebe todas quando existem armadores inteligentes e um esquema de jogo consistente. O Rubio, por sua vez, acabou com 18 pontos, 8 rebotes e 11 assistências - uma pena que esses 8 rebotes possam ter sido responsáveis por evitar um double-double do Kevin Love, que dessa vez só pegou 7 rebotes (mas marcou 29 pontos). Nem é questão de quão orgasmático é ver o Rubio jogar, simplesmente não tem equipe na NBA que passe tão bem a bola coletivamente quanto o Wolves. Como diabos isso aconteceu? Por experiência própria, acompanhando de perto meu Houston, sei como as equipes demoram para entender o ataque do Rick Adelman e como costumam fazer muita merda até pegar o jeito. Não é o caso em Minessota.

A parte triste da rodada vem agora, na partida entre Jazz e Blazers. E nem é porque o time-do-qual-não-falamos ganhou, isso está ficando comum e pela milésima vez foi porque o Millsap ficou doido no fim do jogo. O Jazz conseguiu outra vez sua primeira liderança do jogo no quarto período, e dessa vez nem tinha o Al Jefferson lá, contundido, para pegar os rebotes ofensivos do Millsap ou abrir espaço para os rebotes ofensivos do Millsap. O Derrick Favors quebrou o galho com 8 pontos e 6 rebotes (4 ofensivos) e o Blazers não resistiu ao garrafão do Jazz no final. Quer dizer, quase resistiu, e essa é a parte triste. O Batum meteu 3 bolas de três pontos seguidas no quarto período e aí roubou uma bola faltando 35 segundos pra o fim do jogo, com chance de empatar a partida. E aí o que ele fez? Estava com a mão quente, liderando a equipe, e partiu para dentro para tentar uma bandeja. Errou o arremesso? Tentou um passe e falhou? Cometeu falta de ataque? Não. O joelho dele simplesmente torceu quando ele tocou uma perna na outra, ele caiu como cocô e a bola ficou lá no chão para o Jazz recuperar. Esse é o Blazers amaldiçoado que conhecemos, em que as lesões nunca vão deixar o time em paz.

No resto da rodada, o Mavs foi liderado por Vince Carter e Delonte West e venceu um Suns sem Steve Nash (fuja, Nash, corra enquanto é tempo), sinal de que as novas contratações do Mavs podem estar pegando o jeito da coisa. Em Milwaukee, o Buchs venceu o saco-de-pancada Pistons usando o que é agora, de repente, um baita ataque de respeito com Brandon Jennings e Mike Dunleavy, que estão se entendendo desde que o armador começou a ser mais agressivo como queria seu técnico. Em Miami, o LeBron James também se vingou dos lances-livres que errou contra o Bulls ajudando a vencer fácil o Hornets, mas como é o Hornets simplesmente não vale.

Para acabar, mas com chave de ouro, o Clippers venceu o Thunder após 4 bolas de três pontos seguidas para encerrar o segundo quarto, num 12 a 0 que simplesmente acabou com o jogo ali. Mas o melhor de tudo foi a enterrada espetacular do Blake Griffin em cima do muro-de-tijolos Kendrick Perkins. Lembra daquela enterrada do Griffin em cima do Mozgov em que ele, hã, despejou seu "saquinho de chá" na "xícara" que era a cara do pivô? Pois bem, digamos que o Griffin serviu chá de novo, agora numa xícara de tijolos. Absurdo.



...
Fotos da rodada

 Stuckey dá uma bitoca em Delfino


 - Supimpa!


 Dança contemporânea


 LeBron James senta na torcida após ser atingido por Gyoday


 Foto de fim de festa


 Blake Griffin é a primeira vítima de um vírus zumbi


 Brandan Wright dá o toco e ainda puxa a orelha do Frye pra ensinar uma lição


Sam Young dá um abraço em sem amigo imaginário

11 Jogadores frustrados já comentaram:

Diogo disse...

O Griffin é que nem o Garrincha, não importa quem vem pela frente, Mozgov, Perkins, etc. no final são tudo "João".

leoaugusto disse...

Alguma chance de Rubio e Love atingirem o patamar de Malone e Stockton?

Gabriel Fernandes disse...

O time do Clippers está muito bom, principalmente no ataque, são muitas opções boas, e o CP3 está jogando muito.

Anônimo disse...

A enterrada do Griffin parace uma martelada. Insano.

Heverton Elias

Jonas disse...

Não gosto mto do Rose. Ele tem melhorado o passe e o chute de 3, mas ainda é um armador fominha que abaixa a cabeça e infiltra o jogo todo. No inicio é bonito de ver, mas depois de um tempo cansa...

Pode ser efetivo, mas com toda midia que tem (mvp, candidato de novo) poderia ter um repertorio maior de jogadas, não?

Lucas Ottoni disse...

Pessoal do Bola Presa, o que vocês acham do armador Greivis Vasquez, do Hornets? Ele tem algum futuro?

A camiseta Mardi Gras, do James Posey... quem no mundo tem uma coisa dessas?... rsrsrs... só doido!: http://brazilianhornet.wordpress.com/2012/01/31/colecao-camiseta-mardi-gras/

A de Anônimo disse...

"Quer dizer, menos o Turkoglu, que achou mais divertido tentar arremessos impossíveis de longa distância, teve hora em que eu achei que ele ia tentar de costas só pela diversão descompromissada. "

Eu ri.

Gabriel disse...

"Quer dizer, menos o Turkoglu, que achou mais divertido tentar arremessos impossíveis de longa distância, teve hora em que eu achei que ele ia tentar de costas só pela diversão descompromissada. "

Eu chorei.

Albert de Paula disse...

to gostando de ver os clippers e os blazers eu já esperava...

ARROZ_ disse...

Clippers entrosado e embalado nos playoffs ninguem segura!! Isso se não aparecerem contusões claro...

A enterrada do Grifin merece um premio! Sério, oq foi aquilo??

Anônimo disse...

essa enterrada no Kendick Jerkings parece aquela vez que eu enterrei minha piroca no rabo de uma japa de 1.50m. Na hora ela tentou reagir, mas foi arrombada.