domingo, 22 de janeiro de 2012

Resumo da Rodada
Lesionados quase não fazem falta, o Knicks é freguês

Quem diria que Denver Nuggets e New York Knicks se tornaria uma rivalidade tão bacana de acompanhar? Dois times que não poderiam se importar menos um com o outro acabaram enfiando os dois pés numa rivalidade adquirida com a troca de Carmelo Anthony na temporada passada. O Nuggets quer provar que sem o Carmelo fominha é um time melhor, capaz de vencer com seu basquete coletivo e sem estrelas. O Knicks quer provar que fez bem em mandar metade do seu time para o Nuggets em troca de uma estrela, e que com Carmelo tem mais chances de lutar por um título. O resultado é uma porção de jogos brigados, divertidos, e - claro - derrotas para o Knicks.

Desde que a troca aconteceu, o Nuggets venceu 30 partidas e perdeu apenas 12, é uma melhora absurda. Já o Knicks ganhou 20 e perdeu 24, é um fracasso absoluto. É um tanto injusto, no entanto, que esses números sejam colocados unicamente nas costas do Carmelo, não é ele quem torna sozinho um time tão melhor ou tão pior. O Denis analisou ontem a fundo a situação do Knicks (e do Lakers também), e muita coisa precisa ser mudada para que a equipe funciona.

Mas o Carmelo fez aquilo que esperamos nesse Knicks: ficou preso em jogadas de isolação, forçou muitos arremessos, teve péssimo aproveitamento, mas jogou seu melhor basquete nos minutos decisivos. Faltando 7 segundos para terminar o tempo normal, Gallinari errou um lance livre e a vantagem do Nuggets ficou de apenas dois pontos. O técnico Mike D'Antoni desenhou então uma jogada para tentar o empate, e adivinha qual era? Quem chutou "uma isolação do Carmelo" ganha um doce. A jogada foi absurda, forçada, ridícula, é uma ofensa que alguém tenha perdido 5 segundos de sua vida desenhando movimentações para ela, mas o arremesso espírita do Carmelo caiu. Dá pra conferir o arremesso no vídeo abaixo:



Não sei se alguém ainda se lembra, mas na temporada 2008-09 o Denis escreveu uma coluna "8 ou 80" analisando quem melhor finalizava os jogos na NBA, e Carmelo era o que tinha melhor aproveitamento de arremessos nessas situações (enquanto LeBron era o que mais pontuava). Na prorrogação, no entanto, Carmelo errou uma bola de 3 forçada, Nenê sofreu falta lutando pelo rebote, e foi cobrar lances-livres. Tinha errado todos os 4 que tentou no jogo, mas acertou os dois que cobrou na prorrogação para empatar o jogo. Carmelo teve então a chance de vencer o jogo, forçou uma jogada muito parecida com a que levou o jogo para a prorrogação, mas a marcação apertou e ele simplesmente soltou a bola antes de conseguir o arremesso. Funhé. O Nuggets ainda teve 0.3 segundos pra tentar vencer o jogo e quase deu certo, mas a ponte-aérea do Andre Miller para o Corey Brewer acabou batendo no aro no meio do caminho. Na segunda prorrogação foi mais fácil para o Nuggets, a defesa do Knicks amoleceu, ninguém podia cometer mais faltas e a vitória veio finalmente.

Por falar em faltas, o Nuggets jogou a partida inteira com apenas 7 jogadores já que Affalto e Rudy Fernandez estão lesionados e não houve necessidade de chamar o resto do banco porque o elenco não cometeu faltas! O Knicks foi tão pouco agressivo, tão focado em jogadas de isolação, que o único jogador a chegar a cometer 5 faltas pelo Nuggets (num jogo de duas prorrogações!) foi o Al Harrington. Já o Knicks teve Amar'e e Carmelo pendurados com 5 faltas boa parte do jogo e o Tyson Chandler fora com 6 faltas, quando o jogo desandou de vez.

Esse ataque do Knicks (e não a defesa, como o Denis mostrou em seu post sobre o Knicks) é uma vergonha. O Amar'e deu apenas 9 arremessos, menos do que os armadores Toney Douglas, Iman Shumpert e Landry Fields. A bola simplesmente não chega.

Outro time com dificuldades no ataque foi o Sixers. Sem Spencer Hawes, que continua lesionado mas deve voltar segunda-feira, o ataque de meia-quadra da equipe fica muito comprometido. Contra a defesa forte do Heat, penaram muito e faltou oportunidades de contra-ataque. O Heat continua sentindo pouca falta de Wade, com LeBron liderando a brincadeira e Bosh se sentindo mais à vontade no ataque: ontem foram 30 pontos, 5 assistências e mais uma de suas já costumeiras bolas de três. O ataque do Heat está se entrosando mais e mais nesse esquema tático livre, está rodando bem a bola, e é normal que mais uma estrela como Wade em quadra acabe fazendo a bola rodar menos. Mas Wade é bom o bastante para compensar qualquer bem que ele faça quando não está em quadra. O resto do elenco também está cada vez melhor: Mike Miller agora é aquele jogador que pensávamos que ele seria antes das lesões na temporada passada, acertando suas bolas de 3 pontos e abrindo espaço para a equipe. Ontem foram mais duas bolas de três e vai ganhando consistência.

Outro time que não está sentindo falta de jogador lesionado é o Hawks, que continua vencendo sem Al Horford, provavelmente fora pelo resto da temporada. Ontem deram uma surra de pau mole no Cavs de dar vergonha, com Joe Johnson dominando no ataque. O Hawks já provou que sabe como marcar armadores que seguram demais a bola, sabem forçar erros do Derrick Rose com dobra de marcação e pressão na meia-quadra, e ontem fizeram exatamente a mesma coisa com o Kyrie Irving, coitado. O novato se saiu muito bem com arremessos espíritas mas perdeu muitas bolas, o Hawks destrói nos contra-ataques e o ritmo do ataque do Cavs foi privada abaixo. Mesmo no garrafão o Hawks levou vantagem, tudo porque Zaza Pachulia e Ivan Johnson estão quebrando um ótimo galho por lá.

O Bulls também está jogando sem sua estrela lesionada, Derrick Rose, e também não está sentindo muita falta. Venceram ontem o Bobcats de novo com Mike James e CJ Watson fazendo um excelente trabalho na armação, assim como fez John Lucas em outros jogos. O esquema tático é montado para favorecer o armador, então basta que não sejam completos idiotas para que possam jogar bem. O que chama a atenção, no entanto, é como esse Bulls aprendeu a depender menos de Derrick Rose - e isso, aliás, é mérito do Rose. O armador passou a cada vez mais envolver seus companheiros, tem menos influência no resultado dos jogos, e isso está dando resultado agora que Boozer, Deng e Hamilton podem também ganhar o jogo - ontem foram pelo menos 20 pontos para cada um dos três. Aguardem, logo mais, um post sobre o funcionamento desse Bulls!


No dia mundial do "meu time está sem uma estrela lesionada mas eu não me importo", o Grizzlies aniquilou o Kings e sente cada vez menos falta do Zach Randolph. Lembram como na temporada passada o Grizzlies começou a chutar traseiros sem o Rudy Gay, machucado, e começaram a falar que quando o Gay voltasse ele estragaria a química da equipe? Pois bem, agora Gay está de volta, a química está de volta, mas Randolph está fora e já tem gente dizendo que ele vai atrapalhar tudo quando voltar. O Grizzlies não consegue ter todos os jogadores saudáveis, não é mesmo? Ainda assim, já são 6 vitórias seguidas e o garrafão sem Randolph mutilou e cuspiu no pobre DeMarcus Cousins. Alguém ainda acha absurdo eu ter dito que o Marc Gasol caminha para ser um dos melhores pivôs da NBA?

Outros três times jogaram sem suas estrelas, mas definitivamente sentiram mais falta. O Mavs resolveu descansar o Dirk Nowitzki por 4 jogos para fazer um trabalho especial de condicionamento físico e cuidar de uma pequena lesão no joelho, e a equipe sem ele teve que depender da inconstância do Lamar Odom e dos arremessos aleatórios do Jason Terry. Sofreu um bocado, mas conseguiu vencer o Hornets que apanha sem sua estrela Eric Gordon, que ainda não sabe se consegue voltar nas próximas semanas. O Hornets ainda teve uma chance de empatar o jogo, precisando de uma bola de três mas sem tempo para pedir, com o Jarret Jack correndo como um louco para o ataque. Mas aí o Mavs foi cuzão e cometeu a falta no Jack antes do arremesso para ele cobrar dois lances-livres e não ter como empatar o jogo. Ele acertou o primeiro, errou o segundo lance-livre de propósito e até conseguiu o rebote a tempo, mas errou o arremesso desesperado no estouro do cronômetro.


Outro time sem sua estrela é o Spurs, que resolveu descansar o Duncan e enfrentou o meu Houston usando o Tiago Splitter no garrafão a maior parte do jogo. O Splitter foi ótimo, mostrou como seu jogo é técnico, abusou dos ganchos, giros, passou por baixo dos defensores e acabou com a raça do Scola. Foram 25 pontos, 10 rebotes e 4 assistências para o brasileiro, acertando 11 dos 13 arremessos que tentou. O único problema, como comentei em nosso Twitter, é que como foi contra o Scola os pontos do Splitter só valem a metade. Na defesa o Splitter continua bastante atrapalhado, mas não comprometeu porque marcou na maior parte do tempo o Dalembert, que não é muito habilidoso nem muito físico. Se tiver minutos, o Splitter sempre vai mostrar sua técnica fantástica no garrafão, o problema é como ele se complica nas movimentações e na parte tática. Ontem, mais envolvido e com papel mais ativo nos pick-and-rolls, pareceu bem mais à vontade. Talvez ele apenas não esteja acostumado a ser o jogador de garrafão que fica do outro lado, que não participa do ataque. O grande jogo do Splitter só não serviu pra garantir a vitória, já que o Kevin Martin está se entendendo com o técnico Kevin McHale e desafogando o confuso ataque do Houston.

No restante da rodada, o Pistons venceu o antigo "melhor time do Oeste", o Blazers, num jogo medonho de tão feio. O final foi forrado de erros, o Blazers só não ganhou porque Batum, Aldridge e Felton erraram arremessos fáceis, e pra finalizar o Felton tentando meter a bola de 3 para empatar o jogo nos segundos finais acabou quicando a bola no pé do Tayshaun Prince. Show dos horrores. Em New Jersey, o Nets pelo menos tem o Deron Williams de volta, mas sem o Brook Lopez a coisa tá feia. Lembram quando o Okur era um bom jogador? Agora ele é um pedaço de carne disforme e imprestável, e o garrafão do Nets foi engolido pelo Thunder.

Pra fechar a rodada, nossa dose diária de Ricky Rubio. Abaixo, uma ponte-aérea do garoto para o novato Derrick Williams, que aparece todo dia no Top 10 graças aos passes do armador:



Mas, pra mim, esse nem foi o melhor passe do Rubio na partida! Vale a pena ver o resumo inteiro do jogo apenas pra ver um passe que ele dá para um lado enquanto olha para o outro puxando o contra-ataque, é uma coisa de doido! Foram 17 pontos, 11 assistências e 4 roubos para o moleque. Só não foi o bastante para levar o Wolves à vitória por dois motivos: o primeiro é que, como está virando padrão, o garrafão daquele time do qual não falamos dominou o quarto período! O Paul Millsap está se tornando o melhor da NBA em fim de jogos, colocou o jogo disputado embaixo do braço e foi pra casa, não deu nem chance. E o outro motivo é que o Kevin Love arremessou muito mal, claramente cansado do ato heróico da noite anterior, e pra piorar não conseguiu um double-double! Que absurdo! Foram 15 pontos e 8 rebotes, oito, oito, só oito. Foi a primeira vez desde o começo da temporada que ele não consegue um double-double. Se a gente contar também as partidas de temporada, ele estava com 16 jogos seguidos de double-double, lá se foi o sonho de que ele conseguisse manter a marca durante a temporada inteira. Todos chora.

...

Fotos da rodada

 Varejão assalta Kyrie Irving


 Olhando de relance, parece que Joe Johnson tem um galo gigante na cabeça


 O Incrível Hulk ®


 Jordan Hill não tem braços, Courtney Lee pesca com vara invisível


 Diaw e Boozer morrem de medo da bola


 Odom: tímida


 Cruzamento na área


 - Mentira!


Elton Brand brinca de planking

6 Jogadores frustrados já comentaram:

Guilherme disse...

No lugar do video do Carmelo da o do Kevin Love

Dashnn disse...

Jazz tem a torcida mais vibrante da nba, por isso mesmo não torcendo pra eles fico feliz pela campanha até agora. Obrigado, resenha sensacional como sempre.

assis disse...

O rubio é o ronaldinho da nba

Robson disse...

Show de bola a coluna diária de vcs!!!

André disse...

Vc acha que o Memphis pode ser campeão nas próximas temporadas ao estilo Detroit Pistons, sem nenhuma graaande estrela da NBA, mas com Conley, Rudy Gay, Zach Randolph e Marc Gasol que são excelentes?

R. Moss disse...

Millsap All-Star.

Tava torcendo pro Jazz ir mal pra pegar uma pepita de ouro no próximo draft, mas com o time jogando bem assim (mesmo com o Hayward sendo improdutivo), dá pra ir longe.

Só queria que aproveitassem mais o Tinsley.