Depois de ter uma das piores partidas da história (cujos recordes negativos podem ser vistos em nosso post de ontem), o Magic teve que entrar em quadra na noite seguinte para enfrentar o surpreendente Indiana Pacers. Se não bastasse o Pacers estar arrancando vitórias na marra mesmo nas partidas mais improváveis e ainda por cima estar invicto em casa na temporada, o pivô Roy Hibbert ainda tem um longo histórico de se sair melhor nos confrontos com Dwight Howard. Tem alguma coisa ali (a velocidade, a técnica, sua capacidade de cavar faltas, seu ascendente em Gêmeos) que simplesmente complica a vida do Dwight terrivelmente. Arrasados na noite anterior de um modo vergonhoso, não parecia o melhor confronto possível para a equipe de Orlando sair do buraco.
Tudo ficou ainda pior quando Dwight cometeu sua segunda falta rapidinho no primeiro quarto e foi sentar, e ao voltar no segundo quarto cometeu sua terceira falta mais rápido ainda. Acabou ficando de molho na maior parte do primeiro tempo. Mas o Pacers não sabia que "era uma cilada, Bino!". Com o Dwight fora, a orientação tática foi forçar a bola no garrafão com David West e, principalmente, com Roy Hibbert. O Pacers saiu do seu esquema de jogo, tentou aquilo que não sabe, ficou dando cabeçada e forçando arremessos no garrafão contra uma forte defesa do Magic, e foi errando cada vez mais passes tentando encontrar seus homens de garrafão embaixo da cesta. Verdade seja dita, o Magic entrou em quadra querendo mostrar serviço, forçando um jogo de transição bastante veloz e com uma defesa que deixaria Bruce Bowen orgulhoso, mas os erros constantes do Pacers tentando impor o jogo no garrafão deram ainda mais ânimo para o pessoal do Orlando.
O ataque do Magic melhorou quinhentos por cento ao tentar ser agressivo e terminar no garrafão os contra-ataques, e é natural que a bola gire mais e haja mais trabalho de equipe quando Dwight está no banco de reservas com excesso de faltas. Mas, para a minha surpresa (que tanto critico o papel do pivô nesse Magic), quando Howard voltou no segundo tempo a agressividade do resto do elenco não diminuiu e, pasmem, o pivô jogou menos embaixo do aro e passou a participar dos pick-and-rolls dessa vez recebendo a bola para finalizar. Bizarro. O Magic jogou direitinho, conseguiu erguer a cabeça depois de ser humilhado na noite anterior, e o Pacers caiu numa terrível armadilha: achou que o Magic seria pior sem Dwight, quando na verdade eles podem ser ainda melhores - ainda que isso só dure alguns poucos minutos. Não quero nunca dar a entender que arrancar o Dwight dessa equipe tornaria ela melhor, mas em alguns momentos do jogo as coisas fluem melhor sem ele em quadra. O Pacers mudou seu estilo de jogo e se lascou, mesmo com Roy Hibbert de novo levando a melhor em cima do pivô do Magic. O número de erros que ele cometeu simplesmente não compensou sua produtividade no garrafão, e o Pacers como um todo desperdiçou 19 bolas atrapalhado com a forte defesa do Magic e tentando colocar a bola no meio do garrafão. A equipe de Orlando é surpreendente: conseguem ser humilhados num dia e mostrar que não sabem jogar basquete, e no dia seguinte parecem estar aprendendo e usando um estilo de jogo que lhes cabe melhor. Muito, muito estranho. E no meio da partida Dwight Howard ainda se tornou o jogador com mais pontos da história do Orlando Magic. Imagina se ele fosse bom no ataque, então!
Outro time que melhorou de repente foi o Knicks. Ontem venceram com enorme facilidade o Bobcats, o que nunca é necessariamente um sinal de melhora, mas o modo como jogaram foi um raro momento de alívio para os torcedores de Nova York. Os jogadores souberam soltar mais a bola, jogar com velocidade sem forçar tantos arremessos, e a bola passou mais tempo no garrafão do que na linha de três pontos. O Jazz ensinou para o resto da liga que quando Millsap é agressivo e seus erros viram rebotes de ataque para o Al Jefferson, a vitória acaba vindo. Ontem, com Amar'e recebendo mais a bola (e menos em jogadas idiotas de isolação), houve mais espaço para Tyson Chandler lutar por rebotes e garantir seus pontinhos. Amar'e teve 18 pontos e 8 rebotes e Chandler acabou com 20 pontos e 17 rebotes (8 deles ofensivos!).
Só é uma pena que essa boa noite do Knicks, de jogo mais coletivo e trabalho no garrafão, tenha vindo junto com a pior noite ofensiva da carreira do Carmelo Anthony. Errou os 6 arremessos que tentou no primeiro tempo e aí no segundo tempo só tentou um. O único ponto que ele marcou veio num lance-livre de falta técnica, ou seja, sequer foi ele que sofreu uma falta. No segundo tempo ficou claro que o Carmelo estava fora do ataque, perdeu a confiança e deixou pra lá, mas no primeiro tempo ele até que estava envolvido. Acho um pouco precipitado dizer que a noite terrível do Carmelo é que propiciou mais rotação de bola e trabalho no garrafão para o Knicks, mas fica bem claro que ele ao menos precisa selecionar melhor seus arremessos. Os piores momentos da equipe, por exemplo, vieram quando Iman Shumpert forçou o jogo a todo custo. Eu adoro o novato, ele joga com paixão e defende com todos os seus oito bagos, mas ter jogadores que não usem o esquema do D'Antoni para forçar arremessos estúpidos é essencial para que o garrafão da equipe brilhe mais como ocorreu ontem. Pelo Bobcats, apenas o novato Kemba Walker teve uma grande partida, especialmente dominando o Shumpert na defesa. Olho no moleque.
Em Miami, o Heat enfrentou o Cavs no famoso "Confronto Comic Sans", em que a equipe de Cleveland ainda tenta ganhar um título antes de LeBron e seus amigos. Ontem o Cavs lutou duro, deu trabalho pra burro para o Heat ainda sem Dwyane Wade, Kyrie Irving teve uma das partidas mais controladas que eu já vi do garoto, e o Varejão continua sendo o sonho de qualquer técnico com um corta-luz perfeito atrás do outro, excelente defesa e conseguindo finalizar com mais segurança no ataque, mais um double-double na conta do brazuca. Até o Samardo Samuels, que já foi motivo de chacota aqui no blog quando começou a ganhar trocentos minutos simplesmente porque o elenco não tinha mais ninguém pra botar em quadra, teve boa partida. Acertou seus primeiros 7 arremessos, acabou com 15 pontos e a maioria dos seus pontos vieram em bobeadas da defesa do Heat que ele soube aproveitar com inteligência. O Cavs não está exalando talento, mas os jogadores sabem cumprir seus papéis e jogar com a inteligência necessária, ou seja, tudo que o técnico Byron Scott precisa da vida. A equipe de Cleveland até flertou com a vitória, deus uns beijinhos, passou uma mão boba, mas o Chris Bosh surtou no quarto período: marcou 17 pontos só no período final, incluindo uma bola de 3 pontos fodona e várias faltas cavadas. Acabou o jogo com 35 pontos, acertando 10 dos 16 arremessos e todos os 14 lances-livres que cobrou. Era para o Bosh ganhar um ou outro jogo eventualmente quando LeBron e Wade não liquidassem a fatura, mas sem Wade em quadra o Bosh assume muito mais responsabilidade e não decepciona. Ele já tem mais jogos de 30 pontos nessa temporada do que em toda a temporada passada, e por favor - por favor! - assistam a esses jogos antes de dizer que o Bosh é um pedaço de carne disforme e imprestável. Combinado?
No resto da mini-rodada, ainda tivemos o Raptors enfrentando o Suns. A equipe de Toronto vinha de 8 derrotas seguidas e 14 seguidas para o Suns, dá pra acreditar? O Raptors, que foi o "Suns cover" por muito tempo, não poderia ser mais freguês. Mas o Bargnani ("Il Mago" para os americanos, "Nowitzki italiano" para os íntimos) voltou de contusão para marcar 36 pontos, meter 4 bolas de 3 pontos, e converter arremessos de longe pra burro toda vez que o Suns parecia que ia conseguir uma reação. O Leandrinho também ajudou com 19 pontos, está se estabelecendo com um bom pontuador do banco outra vez, mas contra a defesa do Suns tudo vale a metade. O Robin Lopez, que poderia dar uma força na marcação, perdeu a cabeça muito cedo no jogo e foi expulso: ele reclamou de uma falta que teria sofrido no ataque, ficou tão puto que revidou a falta na defesa, encarou o árbitro para ganhar uma falta técnica, e depois deu uma trombada no árbitro meio "sem querer querendo" para coroar a expulsão. Patético. Nash e Gortat tiveram double-double gordos, eles não merecem esse tipo de coisa. Expando minha campanha "Libertem Steve Nash" para "e libertem o Martelo Polonês também, coitado". Podem espalhar no facebook.
Na última partida da rodada, o Grizzlies teve uma partida bem fraca e perdeu para o Blazers. Teve uma hora que o Blazers teve quatro posses de bola seguidas na mesma jogada só porque o Marcus Camby pegou 3 rebotes de ataque consecutivos. O Camby não tem mais joelhos, não tem mais pernas, não tem mais idade para andar sozinho por aí, mas pegou 22 rebotes, deu 5 tocos, e nem fingiu querer pontuar (foram 3 pontos, em 2 arremessos). O Greg Oden já está treinando sozinho, mas ainda não foi liberado para treinos com o resto da equipe. Se ele sem joelhos jogasse metade do que o Camby joga, tava ótimo. Pelo Grizzlies, visivelmente exausto, só o OJ Mayo teve boa partida, com 20 pontos vindo do banco. Depois de tantos boatos de troca, o Grizzlies já decidiu que o Mayo fica na equipe, vai liderar o banco, e o próprio jogador já disse que está acostumado com a boataria, com o papel na equipe, e feliz de ficar. Adeus, esperança do Lakers!
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Fotos da rodada
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Resumo da Rodada:
O Magic volta dos mortos, Chris Bosh não fede
Tyrus Thomas tem sua orelha colada no braço do Amar'e
Trutas
Nash tenta alcançar uma bola pendurada numa cordinha
Najera e Amar'e dançam balé
Bosh: dinossauro
E depois não entendem quando digo que o Spoelstra é a cara do Nhonho
Gerald Henderson, mais uma vítima de bala perdida
Speights dá um beijinho no LaMarcus Aldridge
Defenestrado por
Danilo
por volta das
13:52
Labels: resumo da rodada
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2 Jogadores frustrados já comentaram:
Varejão é um cara perfeito pra qualquer time que queira disputar título. Já era pra ter saído do Cavs. Imagina ele nos Spurs, ou no BUlls?
o resumo da muito bom gurizada. o bola é o unico site de basquet q nao ta bloqueado no trampo, entao todo dia um resuminho vai bem... abraço. FICADALE#
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