quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Resumo da Rodada:
O Magic volta dos mortos, Chris Bosh não fede

Depois de ter uma das piores partidas da história (cujos recordes negativos podem ser vistos em nosso post de ontem), o Magic teve que entrar em quadra na noite seguinte para enfrentar o surpreendente Indiana Pacers. Se não bastasse o Pacers estar arrancando vitórias na marra mesmo nas partidas mais improváveis e ainda por cima estar invicto em casa na temporada, o pivô Roy Hibbert ainda tem um longo histórico de se sair melhor nos confrontos com Dwight Howard. Tem alguma coisa ali (a velocidade, a técnica, sua capacidade de cavar faltas, seu ascendente em Gêmeos) que simplesmente complica a vida do Dwight terrivelmente. Arrasados na noite anterior de um modo vergonhoso, não parecia o melhor confronto possível para a equipe de Orlando sair do buraco.

Tudo ficou ainda pior quando Dwight cometeu sua segunda falta rapidinho no primeiro quarto e foi sentar, e ao voltar no segundo quarto cometeu sua terceira falta mais rápido ainda. Acabou ficando de molho na maior parte do primeiro tempo. Mas o Pacers não sabia que "era uma cilada, Bino!". Com o Dwight fora, a orientação tática foi forçar a bola no garrafão com David West e, principalmente, com Roy Hibbert. O Pacers saiu do seu esquema de jogo, tentou aquilo que não sabe, ficou dando cabeçada e forçando arremessos no garrafão contra uma forte defesa do Magic, e foi errando cada vez mais passes tentando encontrar seus homens de garrafão embaixo da cesta. Verdade seja dita, o Magic entrou em quadra querendo mostrar serviço, forçando um jogo de transição bastante veloz e com uma defesa que deixaria Bruce Bowen orgulhoso, mas os erros constantes do Pacers tentando impor o jogo no garrafão deram ainda mais ânimo para o pessoal do Orlando.

O ataque do Magic melhorou quinhentos por cento ao tentar ser agressivo e terminar no garrafão os contra-ataques, e é natural que a bola gire mais e haja mais trabalho de equipe quando Dwight está no banco de reservas com excesso de faltas. Mas, para a minha surpresa (que tanto critico o papel do pivô nesse Magic), quando Howard voltou no segundo tempo a agressividade do resto do elenco não diminuiu e, pasmem, o pivô jogou menos embaixo do aro e passou a participar dos pick-and-rolls dessa vez recebendo a bola para finalizar. Bizarro. O Magic jogou direitinho, conseguiu erguer a cabeça depois de ser humilhado na noite anterior, e o Pacers caiu numa terrível armadilha: achou que o Magic seria pior sem Dwight, quando na verdade eles podem ser ainda melhores - ainda que isso só dure alguns poucos minutos. Não quero nunca dar a entender que arrancar o Dwight dessa equipe tornaria ela melhor, mas em alguns momentos do jogo as coisas fluem melhor sem ele em quadra. O Pacers mudou seu estilo de jogo e se lascou, mesmo com Roy Hibbert de novo levando a melhor em cima do pivô do Magic. O número de erros que ele cometeu simplesmente não compensou sua produtividade no garrafão, e o Pacers como um todo desperdiçou 19 bolas atrapalhado com a forte defesa do Magic e tentando colocar a bola no meio do garrafão. A equipe de Orlando é surpreendente: conseguem ser humilhados num dia e mostrar que não sabem jogar basquete, e no dia seguinte parecem estar aprendendo e usando um estilo de jogo que lhes cabe melhor. Muito, muito estranho. E no meio da partida Dwight Howard ainda se tornou o jogador com mais pontos da história do Orlando Magic. Imagina se ele fosse bom no ataque, então!

Outro time que melhorou de repente foi o Knicks. Ontem venceram com enorme facilidade o Bobcats, o que nunca é necessariamente um sinal de melhora, mas o modo como jogaram foi um raro momento de alívio para os torcedores de Nova York. Os jogadores souberam soltar mais a bola, jogar com velocidade sem forçar tantos arremessos, e a bola passou mais tempo no garrafão do que na linha de três pontos. O Jazz ensinou para o resto da liga que quando Millsap é agressivo e seus erros viram rebotes de ataque para o Al Jefferson, a vitória acaba vindo. Ontem, com Amar'e recebendo mais a bola (e menos em jogadas idiotas de isolação), houve mais espaço para Tyson Chandler lutar por rebotes e garantir seus pontinhos. Amar'e teve 18 pontos e 8 rebotes e Chandler acabou com 20 pontos e 17 rebotes (8 deles ofensivos!).

Só é uma pena que essa boa noite do Knicks, de jogo mais coletivo e trabalho no garrafão, tenha vindo junto com a pior noite ofensiva da carreira do Carmelo Anthony. Errou os 6 arremessos que tentou no primeiro tempo e aí no segundo tempo só tentou um. O único ponto que ele marcou veio num lance-livre de falta técnica, ou seja, sequer foi ele que sofreu uma falta. No segundo tempo ficou claro que o Carmelo estava fora do ataque, perdeu a confiança e deixou pra lá, mas no primeiro tempo ele até que estava envolvido. Acho um pouco precipitado dizer que a noite terrível do Carmelo é que propiciou mais rotação de bola e trabalho no garrafão para o Knicks, mas fica bem claro que ele ao menos precisa selecionar melhor seus arremessos. Os piores momentos da equipe, por exemplo, vieram quando Iman Shumpert forçou o jogo a todo custo. Eu adoro o novato, ele joga com paixão e defende com todos os seus oito bagos, mas ter jogadores que não usem o esquema do D'Antoni para forçar arremessos estúpidos é essencial para que o garrafão da equipe brilhe mais como ocorreu ontem. Pelo Bobcats, apenas o novato Kemba Walker teve uma grande partida, especialmente dominando o Shumpert na defesa. Olho no moleque.

Em Miami, o Heat enfrentou o Cavs no famoso "Confronto Comic Sans", em que a equipe de Cleveland ainda tenta ganhar um título antes de LeBron e seus amigos. Ontem o Cavs lutou duro, deu trabalho pra burro para o Heat ainda sem Dwyane Wade, Kyrie Irving teve uma das partidas mais controladas que eu já vi do garoto, e o Varejão continua sendo o sonho de qualquer técnico com um corta-luz perfeito atrás do outro, excelente defesa e conseguindo finalizar com mais segurança no ataque, mais um double-double na conta do brazuca. Até o Samardo Samuels, que já foi motivo de chacota aqui no blog quando começou a ganhar trocentos minutos simplesmente porque o elenco não tinha mais ninguém pra botar em quadra, teve boa partida. Acertou seus primeiros 7 arremessos, acabou com 15 pontos e a maioria dos seus pontos vieram em bobeadas da defesa do Heat que ele soube aproveitar com inteligência. O Cavs não está exalando talento, mas os jogadores sabem cumprir seus papéis e jogar com a inteligência necessária, ou seja, tudo que o técnico Byron Scott precisa da vida. A equipe de Cleveland até flertou com a vitória, deus uns beijinhos, passou uma mão boba, mas o Chris Bosh surtou no quarto período: marcou 17 pontos só no período final, incluindo uma bola de 3 pontos fodona e várias faltas cavadas. Acabou o jogo com 35 pontos, acertando 10 dos 16 arremessos e todos os 14 lances-livres que cobrou. Era para o Bosh ganhar um ou outro jogo eventualmente quando LeBron e Wade não liquidassem a fatura, mas sem Wade em quadra o Bosh assume muito mais responsabilidade e não decepciona. Ele já tem mais jogos de 30 pontos nessa temporada do que em toda a temporada passada, e por favor - por favor! - assistam a esses jogos antes de dizer que o Bosh é um pedaço de carne disforme e imprestável. Combinado?

No resto da mini-rodada, ainda tivemos o Raptors enfrentando o Suns. A equipe de Toronto vinha de 8 derrotas seguidas e 14 seguidas para o Suns, dá pra acreditar? O Raptors, que foi o "Suns cover" por muito tempo, não poderia ser mais freguês. Mas o Bargnani ("Il Mago" para os americanos, "Nowitzki italiano" para os íntimos) voltou de contusão para marcar 36 pontos, meter 4 bolas de 3 pontos, e converter arremessos de longe pra burro toda vez que o Suns parecia que ia conseguir uma reação. O Leandrinho também ajudou com 19 pontos, está se estabelecendo com um bom pontuador do banco outra vez, mas contra a defesa do Suns tudo vale a metade. O Robin Lopez, que poderia dar uma força na marcação, perdeu a cabeça muito cedo no jogo e foi expulso: ele reclamou de uma falta que teria sofrido no ataque, ficou tão puto que revidou a falta na defesa, encarou o árbitro para ganhar uma falta técnica, e depois deu uma trombada no árbitro meio "sem querer querendo" para coroar a expulsão. Patético. Nash e Gortat tiveram double-double gordos, eles não merecem esse tipo de coisa. Expando minha campanha "Libertem Steve Nash" para "e libertem o Martelo Polonês também, coitado". Podem espalhar no facebook.

Na última partida da rodada, o Grizzlies teve uma partida bem fraca e perdeu para o Blazers. Teve uma hora que o Blazers teve quatro posses de bola seguidas na mesma jogada só porque o Marcus Camby pegou 3 rebotes de ataque consecutivos. O Camby não tem mais joelhos, não tem mais pernas, não tem mais idade para andar sozinho por aí, mas pegou 22 rebotes, deu 5 tocos, e nem fingiu querer pontuar (foram 3 pontos, em 2 arremessos). O Greg Oden já está treinando sozinho, mas ainda não foi liberado para treinos com o resto da equipe. Se ele sem joelhos jogasse metade do que o Camby joga, tava ótimo. Pelo Grizzlies, visivelmente exausto, só o OJ Mayo teve boa partida, com 20 pontos vindo do banco. Depois de tantos boatos de troca, o Grizzlies já decidiu que o Mayo fica na equipe, vai liderar o banco, e o próprio jogador já disse que está acostumado com a boataria, com o papel na equipe, e feliz de ficar. Adeus, esperança do Lakers!

...
Fotos da rodada

 Tyrus Thomas tem sua orelha colada no braço do Amar'e


 Trutas


 Nash tenta alcançar uma bola pendurada numa cordinha


 Najera e Amar'e dançam balé


 Bosh: dinossauro


 E depois não entendem quando digo que o Spoelstra é a cara do Nhonho


Gerald Henderson, mais uma vítima de bala perdida


Speights dá um beijinho no LaMarcus Aldridge

2 Jogadores frustrados já comentaram:

Anônimo disse...

Varejão é um cara perfeito pra qualquer time que queira disputar título. Já era pra ter saído do Cavs. Imagina ele nos Spurs, ou no BUlls?

cameranesi disse...

o resumo da muito bom gurizada. o bola é o unico site de basquet q nao ta bloqueado no trampo, entao todo dia um resuminho vai bem... abraço. FICADALE#