Primeiro eles pegaram o Phoenix Suns. O Suns é um time veloz mas não tão veloz quanto antigamente. É "apenas" o quarto da liga em posses de bola por jogo e o 9º em pontos de contra-ataque. Mas ainda são velozes e se caracterizam pelas decisões rápidas no ataque e por espalhar os jogadores pela quadra. O espaçamento que os arremessadores de três trazem e a velocidade do Nash nos passes são os segredos do Suns.
A quadra do Suns até parece um campo de futebol às vezes de tão grande. É o Leandrinho num canto, Jason Richardson no outro, Nash correndo pra todo lado e os dois caras de garrafão mais estranhos da NBA. O Amar'e Stoudemire, que deve ter comissão por corta-luz feito, e o Channing Frye, que tem desconto no salário se passar da linha dos três, "tem lava lá dentro", disse ele sobre o garrafão outro dia. Para lidar com esse time no mínimo esquisito (embora bem eficiente, bateu Lakers e Celtics nessa semana), o Cavs botou seu time pequeno em quadra: Mo Williams, Delonte West, Anthony Parker, LeBron e Varejão. Assim, venceu por quase 20 pontos de diferença jogando no estilo imposto pelo Suns.
Logo depois veio o jogo contra o Sacramento. O Kings pressiona na defesa, dobra o tempo inteiro e usa muito mais o ataque de meia-quadra, com infiltrações e gente (Donte Greene e Omri Casspi principalmente) cortando pra cesta. Nesse jogo o garrafão veloz de Jason Thompson e Spencer Hawes estava abusando do Shaq, que só queria pegar seu tricô e ir dormir porque já tinha acabado a novela.
O Cavs então respondeu com sua combinação de garrafão com Ilgauskas e Varejão e uma defesa avassaladora. Nos últimos minutos de jogo ninguém infiltrou no garrafão do Cavs e o jogo foi para a prorrogação, em que o Kings não marcou nenhum ponto e o Ilgauskas acertou 3 bolas de três quando a marcação dobrou no LeBron. 13 a 0 no tempo extra e mais uma vitória.
Depois veio o Lakers no jogo que o Danilo comentou com mais detalhes. Garrafão alto com Shaq e Ilgauskas ao mesmo tempo durante boa parte do segundo tempo, linhas de passe para o garrafão cortadas e muito contra-ataque para não precisar enfrentar Artest, Kobe e Bynum o tempo inteiro. Lavada histórica.
Depois veio o Houston Rockets. Enquanto o Lakers tem dois pivôs de 2,13m, o Rockets tem um pivô de 2,06m. Joga de um jeito completamente diferente e destrói o adversário nos rebotes ofensivos. O Cavs resolveu usar sua formação mais alta, deixou o Shaq mais tempo em quadra e assim bateu o Rockets na sua própria área, com um 15 a 5 nos rebotes ofensivos. Venceu por mais de 20 pontos mesmo cobrando apenas 16 lances livres contra 34 do Rockets.
Para terminar a sequência de vitórias veio uma mini-série contra o Hawks. Um jogo em Atlanta na terça e outro ontem em Cleveland, no aniversário do LeBron James. O Hawks é um adversário difícil porque é um time que tem um plano de jogo e o aplica não importa o que está acontecendo, é um time correto e frio (por isso que os chamo de "Novo Spurs" mesmo não os vendo com 4 anéis nos próximos 10 anos).
O primeiro jogo em Atlanta estava do jeito que o Hawks queria. Bom aproveitamento dos seus jogadores, todo mundo envolvido e defesa pressionada no LeBron, que acabou acertando apenas 6 de 20 arremessos na partida. O ataque do Cavs não estava funcionando nem com macumba.
Mas como o saudoso Detroit Pistons nos ensinou, se você só consegue marcar 60 pontos em um jogo, faça o outro time marcar apenas 59.
O Hawks fez uma cesta faltando 32 segundos para o fim do terceiro quarto com o Zaza Pachulia, depois disso foi marcar outro ponto apenas quando faltavam 3 minutos para o fim do QUARTO período numa cesta do Josh Smith. Sim, um time frio, calmo, correto e que tem Jamal Crawford e Joe Johnson no elenco ficou todo esse tempo sem marcar uma cesta sequer! Defesa melhor só se tivesse o Gamarra no lugar do Mo Williams. O pior é que o ataque do Cavs estava tão ruim que mesmo assim o jogo ficou disputado até o final, a vitória só foi garantida como foi naquele jogo contra o Kings, com uma bola de três do Big Z, o Channing Frye lituano.
Ontem era a revanche do Hawks. O time estava mordido e foi pra vencer. Fez um jogo impecável, com uma partidaça do Mike Bibby, que tinha fedido no dia anterior. A cada cesta do Cavs a torcida ia ao delírio, o time vibrava e o Hawks respondia com um arremesso sem graça de meia distância pra cortar a diferença. Estilão Spurs mesmo! Teve uma hora que o Cavs cortou a diferença de 10 para 1 e o ginásio veio abaixo, uma barulheira só. O técnico Mike Woodson pediu tempo, o time voltou, fez 9 pontos seguidos e o silêncio voltou.
Parecia uma vitória merecida para esse timaço do Hawks que é uma das grandes surpresas da temporada (não surpresa por ser bom, mas por estar pau a pau com o Top 3 do Leste), mas o Cavs está preparado pra tudo. Se usar garrafão alto, baixo, com arremessadores ou o time de defesa não funcionou, que seja então a técnica Fresh Prince of Bel-Air que comandou o time nos últimos anos. O quarto período foi só com a bola na mão do LeBron e o time abrindo pra ele. Deu no que deu, 48 pontos para o King James e o jogo empatado em 101 a menos de um minuto do fim.
O Hawks decidiu dobrar a marcação no LeBron se ele movesse um músculo e fez uma ótima cobertura quando ele tocou a bola. As trocas de passe e de marcação resultaram numa situação ideal para o Hawks: bola na mão do Anderson Varejão na linha dos três com o cronômetro de 24 segundos estourando. E não é que ele acertou sua primeira cesta de três em sua carreira na NBA? Pela milésima vez a torcida foi à loucura e o Hawks teve 17 segundos para tentar uma bola de 3 pontos. O Bibby arriscou mas, bem marcado, errou. O Hawks merecia a vitória, jogou melhor e perdeu.
Essa sequência de vitórias não definiu o campeonato, é óbvio, mas impressionou. Dos 6 jogos, apenas dois (Hawks e Rockets) foram em casa e nenhum foi contra um time ruim, todos contra boas equipes e, mais importante, equipes com características completamente diferentes. E sempre o Cavs teve uma resposta para cada uma delas, sempre explorando a versatilidade dos seus jogadores.
Desde um time bem baixo com o LeBron na posição 4, passando por uma formação com dois jogadores de pelo menos 2,16m no garrafão ao mesmo tempo até apelar para o talento puro do LeBron James, tudo deu certo. Com essas vitórias e as três derrotas seguidas do Celtics, o Cavs está de novo em primeiro do Leste e parece que não vai largar essa vaga tão cedo.
...
Abaixo duas jogadas que chamaram a atenção nesses jogos contra o Hawks. Primeiro a enterrada MONSTRUOSA do Delonte West pra cima do Josh Smith e depois a histórica bola de 3 do Varejão. É engraçado perceber como o Jamal Crawford passa reto pelo Varejão, sem preocupação alguma com ele que está com a bola, só para não deixar o Boobie Gibson livre para o arremesso.

4 comentários:
engraçado de mais os dois videos..principalmente do delont west, os narradores indo a loucura com ele enterrando na cara do josh smith...uauhauhahhauhaa
Ehhh você vê que os narradores são totalmente parciais....hehe as risadinhas uhuuu... que comédia...rsrsrs
Uma tradução legal seria "Chupa Josh Smith"....haha
Imagina os torcedores do Atlanta ouvindo uma narração como esta.
O varejão foi sortudo mesmo acertando essa cesta. foi uma jogada parecida com o Tim Duncan fazendo uma cesta de 3 em cima dos Suns, se não me engano foi nos play offs de 2008.
Novo Slogan - NBA "Where Bizarre treys happens".
Fabantas, a narração é assim pq é da tv local de Cleveland. É assim em toda NBA, existem as TVs locais, e eles são sabidamente pelo publico torcedores da franquia que estão narrando, do local. Esses dois são de Cleveland.
^^ exato, os mais loucos são os de Toronto rsrs
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