terça-feira, 21 de outubro de 2008

Preview da temporada - Divisão Sudoeste

Um bando de mulher mas a gente com certeza prefere o Chris Paul


Hoje, vamos dar uma olhadinha nos times da Divisão Sudoeste, do meu amado Houston Rockets. E só pra todo mundo perceber como sou um moço direito, não coloquei meu time no topo. Como o Denis explicou no preview de ontem, damos nossos palpites futurológicos sobre cada um dos times colocando, primeiro, aquele que imaginamos vencer sua Divisão e deixando por último o time que deve feder mais. No meu caso, não foi muito difícil dar o palpite do último colocado, aliás.

Definir quem ia ficar em primeiro é muito mais difícil. Trata-se de uma das Divisões mais disputadas de toda a NBA e se qualquer um dos times (menos o Grizzlies) ficasse como líder do Oeste, não seria bizarro. Ou seja, já estou me desculpando em caso de um erro grosseiro. Então vamos lá!


New Orleans Hornets

Motivos para assistir:
Era uma vez um rapaz chamado Chris Paul que, de repente, tornou-se indiscutivelmente o melhor armador da NBA e quase roubou o posto de jogador mais valioso das mãos de Kobe Bryant. Mas a história não termina por aí. Chris Paul treinou exaustivamente para competir nas Olimpíadas e aproveitou a experiência do modo que apenas um nerd de basquete aproveitaria: perguntando e aprendendo coisas com Jason Kidd e o próprio MVP, Kobe Bryant. É sensacional um jogador que acaba de atingir seu auge e humilhar Kidd nos playoffs ser capaz de abordá-lo nas Olimpíadas em busca de conselhos, aprimoramento e truques de profissão. Além disso, para abraçar um papel na seleção diferente do que exercia no Hornets, treinou seus arremessos com técnicos especializados nas curtas férias. Ou seja, ele deve retornar ainda melhor para a próxima temporada. O ex-técnico do Suns, Mike D'Antoni, disse que a temporada passada do Chris Paul foi a melhor temporada que um armador principal teve na história da NBA, inclusive melhor do que qualquer uma que o Nash já teve. Se for verdade e o sujeito retornar ainda mais eficaz e cheio de truques na manga para liderar um time ainda mais profundo com a adição do reserva-de-luxo James Posey, então você é um débil-mental se perder qualquer partida do garoto. Eu não me importo com o resto do elenco, com outros motivos, com a crise global ou com a Alinne Moraes: assista ao Chris Paul. Agradeça depois.

Motivos para não assistir:
Ser cego. Se você enxerga direitinho, não tem razão alguma para não ver esse time jogar. Jogadores interessantes em todas as posições, uma mistura de experiência e juventude, um banco de reservas profundo, um técnico inteligente, esquema tático divertido, um ataque bonito de se ver e Chris Paul, Chris Paul, Chris Paul. Se ele se machucar, bem, aí todo o resto vai para o saco - quem quer ver um esquema tático bacana em que o armador responsável é Mike James, o cara que venderia a alma para o diabo em troca de uma chance de arremessar 500 bolas num jogo? Em caso de contusão, fique longe desse time e do basquete como um todo, como forma de luto. Mate uma cabra em nome do deus do basquete para que Chris Paul volte logo. Assista bocha até lá.


Houston Rockets

Motivos para assistir:
Até a sua mãe deve estar curiosa para saber como será o Houston agora com Ron Artest. São três grandes estrelas, All-Stars, decididas a colocar o coletivo em primeiro lugar e finalmente passar da primeira fase dos playoffs. É uma das maiores concentrações de estrelas por metro quadrado, comparável ao Celtics e ao falecido "Casa dos Artistas" do SBT, que tinha Supla, Bárbara Paz e Alexandre Frota no mesmo cômodo. Para quem busca talento, é um prato cheio.

Além disso, há a dúvida sobre como o Artest vai se encaixar na equipe. Se der tudo certo, ele poderá se focar na defesa e assumir o ataque nos momentos de crise, o que será sensacional de ver e pode levá-lo de volta ao All-Star Game. Se der errado, Artest pode pedir mais arremessos do que recebe, pode forçar umas bolas no final porque gosta de assumir a responsabilidade, e pode brigar com os companheiros de equipe e dar uns tiros para cima. Seja como for, você precisa estar assistindo! Se o time for um caos, aí é que existirão mais motivos para acompanhar a empreitada. A relação de Artest com o técnico Rick Adelman, que era ótima nos tempos de Kings, deve ter tudo a ver com o sucesso ou o fracasso da experiência, e você vai querer estar assistindo se o Artest esganar o pescoço do sujeito.

Sem esquecer também que, quando a tática ofensiva de Rick Adelman finalmente engrenou na temporada passada, o Houston venceu duas milhões de partidas seguidas apenas usando um basquete inteligente e coletivo, sem Yao e dependendo muito pouco de Tracy McGrady. Se beleza ofensiva fosse uma bunda, o Adelman seria a Carla Perez: tem de monte, mas o resto é uma piada. Não dá pra perder esse tchan! Todo mundo no elenco é capaz de jogar muitos minutos e produzir a qualquer momento nesse esquema tático, então também sempre existe o fator surpresa - será que hoje o Carl Landry faz 20 pontos ou será a vez do Aaron Brooks?

Motivos para não assistir:
Ser um idiota é sempre uma boa razão para não assistir ao Rockets, afinal é um time de quem tem bom gosto e um blog bacana, convenhamos. Sempre tem uns manés que acham o Yao Ming a maior farsa desde a virgindade da Britney Spears e não gostam de ver o chinês jogar, claro sinal de falta de bom senso. Bom, se você não tem fetiches por gigantes chineses que não são muito fãs de enterrar a bola, talvez seja mesmo melhor deixar para lá.

Um bom motivo também para não assistir ao meu time é que todo mundo vai se machucar no primeiro jogo e ninguém precisa gastar sua vida vendo o banco de reservas do Houston chutar uns traseiros. Yao Ming não jogou as Olimpíadas em condições ideais e seu físico sofreu com isso, o cansaço se acumula e ele deverá quebrar um osso cedo ou tarde. Sua estrutura óssea não é feita para aguentar um corpo daquele tamanho, com aquele peso, correndo rápido pra burro de um lado para o outro, então contusões sempre serão a regra. Tracy McGrady, por sua vez, não deve jogar nas primeiras partidas do time na temporada porque ainda se recupera de uma cirurgia no joelho e outra no ombro. O joelho, aliás, alegadamente está se recuperando de modo mais lento do que o esperado. Ou seja, a temporada nem começou e já tem gente quebrada, é apenas questão de tempo para que não sobre ninguém na equipe e não haja qualquer razão lógica para acompanhar os jogos.

Segundo uns chatos por aí, também não existe razão de acompanhar um time chutar traseiros na temporada regular se eles vão acabar perdendo na primeira rodada dos playoffs mesmo. Hunf. Pois é, minha vida inteira é um desperdício.


San Antonio Spurs

Motivos para assistir:
Como essa temporada acaba em ano ímpar, o Spurs tem 97% de chances de levar o anel de campeão para casa, é batata, mesmo que eles só fiquem em terceiro lugar na Divisão. Assistir aos jogos do time que será campeão é sempre mais divertido do que assistir aos jogos do que será último colocado, isso é fato. Então, o Spurs pode ficar no topo da lista de favoritos na hora de você escolher qual jogo assistir.

Para quem gosta de basquete sólido, pensado, milimetrado, bem jogado, equilibrado e todas essas coisas de quem coleciona selos, o Spurs é um orgasmo múltiplo. Trata-se de um basquete eficiente que você sabe que será jogado sempre do mesmo jeito. Ou seja, se você se divertia com o Spurs há 3 anos atrás, se divertirá com ele em todos os 82 jogos da próxima temporada, sem tirar nem por (pausa para o bocejo). Ou seja, Duncan, Manu e Parker continuam sendo bons motivos para assistir a NBA do exato mesmo modo que eram há anos atrás, com a adição de que nesse ano ímpar devem estar jogando ainda com mais vontade.

Mas esqueça tudo acima, é apenas encheção de linguiça para que o post fique grande e eu pareça esforçado. Quer um motivo para assistir ao Spurs? A Eva Longoria aparece em todos os jogos. Pronto.

Motivos para não assistir:
Por acaso eu mencionei que estamos falando do Spurs? Então.

Um bom motivo para não ver o Spurs jogar é o horário de verão brasileiro. Com ele, o fuso horário para os Estados Unidos aumenta em uma hora e os jogos da NBA acabam acontecendo bem tarde da noite, começo da madrugada. Ou seja, ver o Spurs jogar numa hora dessas é certeza de que você vai acabar caindo no sono, o que sempre gera umas posições inusitadas e pode te dar um baita torcicolo depois. Cuidado.

Outra coisa importante é que o Manu Ginóbili está contundido e deve demorar um tempo para retornar para o time. Ele pode ser um ator de novela mexicana que dá nos nervos quando finge doze faltas de ataque por minuto, mas é também o jogador mais divertido e criativo do Spurs. Sem ele o time perde muito da graça e também muito do talento. Se ele fizer muita falta e as derrotas começarem a se acumular, é possível que a temporada do Spurs se lasque logo no começo, o que pode tirar um pouco do ânimo de quem queria acompanhar o caminho para o título. Se as vitórias continuarem vindo mesmo assim, como deve ocorrer, o ânimo também deve se perder porque o Spurs não se importa muito com temporada regular e joga sempre mais-ou-menos, nas coxas, empurrando com a barriga para chegar nos playoffs logo. Mas não se enganem, eu sempre assisto aos jogos do Spurs mesmo assim, especialmente quando não está passando nenhum jogo de dominó na ESPN. Coisa de viciado.


Dallas Mavericks

Motivos para assistir:
O técnico Rick Carlisle. Sua mentalidade defensiva deve transformar o Mavericks como o conhecemos e provavelmente, com isso, criar uma fende irreparável no continuum do espaço-tempo. Pense bem, você quer viver num mundo em que o Dallas saiba defender? Mas é que a presença de Carlisle significa muito mais, no entanto. Quando o jovem promissor Devin Harris foi trocado por Jason Kidd na temporada passada, o que o Mavs basicamente fez foi assinar um atestado de compromisso de que iriam vencer agora, imediatamente (para alguns, o que eles fizeram foi assinar um atestado de que eles não iriam vencer nunca, mas isso é outra história). O que importa é que Carlisle deve ser o responsável por colocar o time nas mãos de Kidd, usá-lo em todo o seu potencial ao invés de apenas colocá-lo na equipe para fazer coisas que não sabe, tipo aquele negócio esquisito chamado "arremesso". O Kidd tem netinhos e um pouco de reumatismo, é hora de ver se o Mavs vai se encaixar e se um dos melhores armadores de todos os tempos vai conseguir jogar um dos últimos anos de sua carreira em grande estilo. O Kidd ganhando jogos enquanto arruma uns triple-doubles de brinde é algo que ninguém quer perder, e depende apenas do Rick Carlisle (e de uma máquina do tempo, dizem alguns) para que isso possa voltar a acontecer.

Além disso, tem também o Josh Howard, que depois de ter férias mais complicadas que a do "Um morto muito louco" e playoffs completamente esquecíveis na temporada passada (tão esquecíveis que nem lembro porque eu costumava criticar suas atuações), precisa mostrar que pode ser uma estrela nesse time. Se ele destruir, será um show à parte, se ele feder será motivo para muitas críticas sobre sua vida fora da quadra. E como fã de "Contigo", você não vai querer perder uma boa fonte de fofocas como essa, né?

Motivos para não assistir:
O Dallas defendendo, esse é um bom motivo para não assistir. É uma violação do processo de normalidade do mundo. Se o Carlisle montar um time defensivo e o Kidd mostrar que a idade está pesando nas costas, incapaz de parar os armadores adversários (todo mundo ainda se lembra de como ele foi vergonhosamente humilhado pelo Chris Paul na temporada passada), é capaz de que tenha minutos mais reduzidos e o Mavs se torne um time terrivelmente chato de se assistir.

A gente torce por um Kidd veloz puxando contra-ataques com Josh Howard, mas podemos nos deparar com uma Britney Spears careca, ou seja, uma surpresa muito desagradável. O Kidd da temporada passada foi tacado no Mavs de qualquer jeito, meio tapa-buraco, com um papel completamente secundário e fora de sua identidade. Se isso continuar, o Dallas vai se manter como um time de passes para o lado, cadenciado e monótono, sem a velocidade que o Devin Harris imprimia no ataque. E time lento, crianças, é pior que assistir a filme mudo.


Memphis Grizzlies

Motivos para assistir:
Pedofilia. Para quem curte ver o amadurecimento de ninfetas, o Grizzlies é o time ideal. A maior parte da equipe é formada por pirralhos e dois dos possíveis titulares, OJ Mayo e Marc Gasol, são novatos e portanto nunca jogaram uma partida sequer na NBA.

Falando sério, será muito divertido acompanhar a evolução de alguns desses jogadores, especialmente OJ Mayo. Ele tem tudo para ser um dos maiores talentos ofensivos da Liga e ainda é um monstro na defesa, especialmente nos roubos de bola, como pudemos ver na pré-temporada. Ao contrário de outros times em que os novatos são colocados em quadra aos poucos, OJ Mayo vai ser tacado no fogo de uma vez só e deve comandar a equipe logo de cara ao lado de Rudy Gay, que tem 12 anos mas é quem manda naquela budega (pense na situação como uma espécia de "Terra do Nunca" do basquete). Assim, será possível ver como OJ Mayo lidará com a responsa desde o primeiro dia de trabalho, o que é sempre divertido de acompanhar e contar para os netos depois, se o cara virar All-Star ou for para o Hall da Fama.

Outro motivo razoável é ver se o técnico Marc Iavaroni fede ou cheira. Para quem tem fetiche por técnicos novatos e desconhecidos, pode ser divertido. Hoje em dia, tem fetiche com tudo, basta perguntar para o Orkut.

Motivos para não assistir:
O fato deles despontarem como favoritos para acabar em último lugar do Oeste é um motivo para ficar muito, muito longe de qualquer partida da criançada. Ficar assistindo a um monte de criança fazer merda é coisa de babá, e mesmo que exista a curiosidade de ver como OJ Mayo está se saindo, sempre haverá um jogo melhor sendo transmitido. Bucks e Bobcats, por exemplo.

Quando a vontade de dar uma espiada no elenco estiver saindo do controle, basta lembrar do garrafão do Grizzlies. O Homo fracassus Darko Milicic é o mais experiente, devendo ser o titular e dividindo minutos com Marc Gasol (o promissor e por enquanto horroroso pivô da seleção espanhola) e Hadaddi, o pivô iraniano que também faz sua estréia na NBA. Ou seja, são dois pivôs novatos e um fracassado. Começar uma temporada com um elenco desses na posição deveria ser proibido por lei, vai ser uma piada e deve induzir muitos vômitos em quem se atrever a testemunhar. Assistir a um jogo desse time merece uma camiseta tipo aquelas "Eu pulei de Skycoaster", com os dizeres "Eu assisti a um jogo do Grizzlies e estou vivo para contar". Considere-se avisado.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Preview da temporada - Divisão Sudeste

Orlando é um time gostoso de ver

Como todo site de basquete que se preza, faremos um preview da temporada da NBA. "Preview" para quem não sabe é uma mistura de recapitulação do que aconteceu nos últimos meses com o que nossas poderosas mentes projetam para o futuro. Ou seja, a soma de coisas que vocês já sabem com coisas que nós aqui achamos que tentamos adivinhar, uma ciência exata.

Foi no preview do ano passado, quando o Bola Presa ainda era algo como um projeto de participante do BBB, que tinha sua beleza mas ainda não os quinze minutos de fama, em que eu disse que o Bulls seria o campeão do Leste. Como o Derrick Rose está aí pra provar, eu errei, mas fui motivo de piada durante toda temporada. Então curta nossos previews como uma piada do futuro, será mais divertido assim.

O formato que escolhemos é o de dar motivos para assistir ou não assistir aos jogos desse time na temporada. Afinal existem mutretas internéticas para acompanhar qualquer jogo que você quiser pela internet, mas assistir quem? O Clippers ou o Pacers? O Lakers ou o Bulls? O Spurs ou... brincadeira, claro que você não vai assistir ao Spurs.

Os previews estão divididos por divisão e colocamos os times na ordem em que acreditamos que será a classificação depois dos 82 jogos.


Orlando Magic

Motivos para assistir:
Se você gosta de bolas de três e de enterradas, esse é o time certo para se assistir. No ano passado, o Orlando Magic foi o segundo time que mais arremessou bolas de 3 em toda a NBA, mais do que o Suns e atrás só do Warriors. Foram 25,3 bolas de 3 tentadas por jogo! Imagina se o Antoine Walker jogasse lá! Também é legal para ver enterradas porque o Dwight Howard foi o líder, disparado, em enterradas na temporada passada. Foram 267 enterradas, mais de 3 por jogo e 59 enterradas a mais do que o segundo colocado, Amaré Stoudemire. Assistir ao Magic é ver um jogo de NBA Live com pessoas de carne e osso.

Como curiosidade, será legal também ver como o Magic lida com o JJ Redick. Ele vive enchendo o saco porque quer dar o fora de lá e ir para um lugar em que tenha minutos de jogo. Não é irônico que o chamado "melhor arremessador do mundo" por muita gente (não o Damon Jones) não tem espaço no time que mais arremessa de 3? De qualquer forma, o Magic não atendeu seu pedido de troca e disse que nesse ano ele terá sua chance de finalmente brilhar na NBA.

Motivos para não assistir: O motivo para não assistir ao Magic é o mesmo motivo de assistir. Eles são aquela mesma coisa sempre! Depois do terceiro jogo assistindo a um festival de bolas de 3, a coisa fica meio cansativa.

Mas a verdade é que tudo depende também do nível de inspiração do Jameer Nelson. Se começar o jogo e ele estiver jogando bem, pode esperar uma atuação divertida do time do Mickey, com ele inspirado o time joga em velocidade e o jogo flui mais fácil. Mas quando o Jameer Nelson joga mal, aí sai de baixo, aí a coisa é menos criativa do que Feira de Ciências de 5° série e as bolas de 3 são quase um estupro de tão forçadas.

Outro lado ruim de ver o Magic é que para impedir o Dwight Howard de enterrar a bola, os times costumam bater nele, ou seja, o jogo fica lento e você perde minutos preciosos da sua vida assistindo a um cara de 2,15m ficar amassando o aro.


Miami Heat

Motivos para assistir:
O Miami vai acabar na frente do Wizards sim, e se der tudo certo é capaz até de ameaçar o Orlando no título do Sudeste. O motivo desse meu otimismo é o principal motivo para se ver o Miami Heat: Dwyane Wade.

Na minha vida de futurólogo da NBA eu aprendi algumas coisas. Uma das mais importantes é: nunca aposte contra LeBron James, Dwyane Wade, Kobe Bryant e Tim Duncan. O LeBron levou aquele Cavs para as finais da NBA, o Kobe fez 81 pontos em um jogo e o Duncan acerta até bola de 3 quando interessa. O Wade, por sua vez, despedaçou o Pistons e depois virou praticamente sozinho uma final contra o Mavs em 2006. Eles não são imbatíveis, mas é melhor não apostar contra.

O Wade saudável como estava nas Olimpíadas já é motivo pra ver todos os jogos do Heat, mas além disso tem mais gente por lá que é boa. O Shawn Marion é o faz-tudo que se encaixa em qualquer time e está em ano de contrato, ou seja, ele vai jogar mesmo pra poder continuar ganhando uma fortuna. E ainda tem o Beasley, que é o cara que mais faz parecer fácil o difícil ato de marcar pontos. Ele dá uns arremessos aqui, outros ali, faz umas infiltrações, ganchos, enterradas, ele faz tudo e faz parecer fácil. Mesmo que não seja um jogador completo, já pode beirar os 20 pontos por jogo em sua primeira temporada.

Motivos para não assistir:
O Heat tem um elenco estranho, são três jogadores fora de série (se o Beasley realmente der certo), o Haslem que é um ótimo jogador de apoio e o resto é de talento duvidável. Seja duvidável porque o cara tem cara de uma criança de 10 anos (Chris Quinn) ou porque tem o joelho tão forte quanto o de uma criança de 5 (Shaun Livingston).

Isso pode significar que as jogadas espetaculares do Wade podem ser exceções em um time sem qualquer entrosamento. Vale lembrar que a idéia inicial é usar o Marcus Banks como armador principal, o que pode dar bem errado. O técnico Eric Spoelstra disse que planeja usar um esquema ofensivo parecido com o usado pela seleção americana nas Olimpíadas de Pequim. Pode ser bom, porque era um esquema que usava bastante velocidade e contra-ataques, mas dava certo com o Kobe, Kidd, LeBron e cia. Será que dá certo com o Mark Blount?

Saiba dos riscos quando você for assistir ao Heat. Pode vir show dos Beatles ou show da Rita Lee tocando Beatles, são coisas bem diferentes.


Washington Wizards

Motivos para assistir:
Eu não acredito no Wizards nessa temporada, até pensei duas vezes em colocar eles na frente do Hawks! A que ponto chegamos! Mas vou confiar que quando o Arenas voltar, em dezembro ou janeiro, ele volte de uma vez por todas e o Wizards seja um time decente o bastante para ficar na frente do Atlanta.

Mas mesmo se eles não se recuperarem, é um time até legal de se ver jogar. Além do Caron Butler, que é espetacular, tem o DeShawn Stevenson fazendo suas palhaçadas, o Nick Young tentando ser o Kobe, o Pecherov que parece o Stewie do Família da Pesada e ainda pode ficar tentando descobrir como funciona a porcaria da Princeton Offense. Pura diversão!

Ou você fica vendo seus DVDs da Vivi Fernandes até o Arenas voltar. É mais fácil.

Motivos para não assistir:
Enquanto o Arenas não voltar você nem precisa justificar se não quer ver um jogo do Wizards, a gente entende e deixa quieto. Mas mesmo quando o Arenas voltar a coisa pode ser meio feia.

Nos playoffs do ano passado, quando o Agente Zero voltou, ele estava claramente fora de forma e completamente sem entrosamento com os companheiros. Imagina ele de novo sem passar por uma pré-temporada, sem treinar e junto com o Etan Thomas, que também não joga há mais de uma temporada e irá lutar com um novato pela vaga de titular deixada pelo contundido Brendan Haywood.

Dá pra imaginar o nível de entrosamento que esse time vai ter com os dois em quadra? O negócio pode até dar certo, mas até lá vai ser feio. Recomendo cautela para os menores de 16 anos.


Atlanta Hawks

Motivos para assistir:
Te dou dois motivos para assistir ao Hawks: Josh Smith e Joe Johnson.

Há umas duas temporadas o técnico do Hawks, Mike Woodson, disse que o Joe Johnson era tão bom quanto o Kobe, só não tinha o reconhecimento da imprensa. Acho que ele exagerou um pouco, mas ele vale o ingresso sim, o cara é pura finesse, uma maravilha de ver jogar, um dos jogadores mais completos da NBA.

Já o Josh Smith não é nada de finesse, é muita força. E você tem que concordar que o Josh Smith é especialista nas duas coisas que mais fazem os torcedores pularem da cadeira no meio de um jogo, as enterradas e os tocos. O cara é uma máquina de dar tocos quando alguém acha que vai para uma bandeja sozinha no contra-ataque.

Se você realmente se importa com o Hawks, o que eu duvido, você ainda pode acompanhar a evolução do fenômeno reboteiro Al Horford, do segundo-anista Acie Law e até ver como o Mike Bibby se comporta agora que ele está no último ano do seu contrato. Mas só faça isso se não tiver namorada, um video-game ou uma peteca, senão é perda de tempo.

Motivos para não assistir:
Ué, é o Hawks. Mas tudo bem, dou três motivos para você não ver jogos do Hawks então:

-Você gosta de basquete
-Você tem bom senso
-Você não assiste nada que envolva o Zaza Pachulia

Brincadeiras à parte, quem acompanhou a série contra o Boston nos playoffs do ano passado sabe como o Hawks pode ser em um jogo um time empolgante e no jogo seguinte parecer um time juvenil que te dá desgosto de viver.


Charlotte Bobcats

Motivos para assistir:
Pegue tudo o que eu disse acima do Josh Smith e troque o nome por "Gerald Wallace", é a mesma coisa mas com mais chances de contusão.

Além dele tem o Okafor, que nunca foi tão bom quanto deveria ser mas sempre toma uma enterrada bonita na cabeça. A versão 3.0 do Mbenga é legal de assistir pelo motivo errado, mas é legal.

Além disso, tem a volta do Adam Morrison, que obviamente nunca vai dar certo na NBA mas que tem o bigode mais firmeza da história da liga. Sim, bigodes são motivos pra ver um jogo, assim como eu só vejo o Celtics jogar pra ver que penteado o Scott Pollard está usando.

Motivos para não assistir:
Vai dar errado. Eu não estou torcendo para eles se ferrarem, mas essa experiência com o Larry Brown parece aqueles casamentos de artista que você já começa a contar os dias para o divórcio assim que vê os dois recém-casados na Caras. Outro dia ele já deu uma entrevista dizendo que os armadores DJ Augustin e Ray Felton estão se esforçando muito para respeitar o sistema ofensivo, mas que eles estão se esforçando tanto que não tá dando certo, eles têm que se soltar mais.

Aí quando eles se soltarem mais o cara vai dar um piti e vai brigar com todo mundo. Aí o Gerald Wallace vai ter dor nas costas, o Okafor vai torcer o pé, o Adam Morrison já voltou a sentir dor no joelho, o Sean May está gordo, o Matt Carroll é coleguinha de classe do Chris Quinn e o ginásio vai ser atacado por terroristas que vão acusar o Nazr Mohammed de ter traído o movimento.

Então o Larry Brown vai repetir uma frase que ele já disse antes mesmo da temporada começar: "Eu deveria ter me aposentado", que foi o que ele disse, em tom de brincadeira (ainda), depois daquele jogo em que o Bobcats perdeu o primeiro período por 40 a 9.

sábado, 18 de outubro de 2008

Em busca de um contrato

"Estou rico!"

O Arenas já falou sobre contratos várias vezes no blog dele, principalmente na época do seu mais novo contrato milionário. Com os depoimentos dele e de mais outros jogadores que tenho ouvido com o passar desses anos acompanhando a NBA, deu pra sacar os momentos mais decisivos na parte financeira da vida de um jogador.

No começo todos querem apenas entrar na NBA. Em dia de draft o que não falta é neguinho dizendo que não importa que time o escolha, só quer entrar na liga. Claro que é um discurso político, correto, e que cada um deve ter sua preferência, mas dá pra ver nos olhos dos meninos o medo de ser esquecido, de se tornar o novo Maciej Lampe, Marcus Williams, Darrell Arthur, DeAndre Jordan, ou seja, os caras que todo mundo tem certeza que vão ser escolhas top de linha e acabam sendo esquecidas para o fim do primeiro round e às vezes até para o segundo.

Depois que o cara tem seu contrato garantido na NBA, é um alívio. Principalmente se ele foi drafado na primeira rodada, porque aí tem pelo menos dois anos de contrato garantido para mostrar a que veio. Se der tudo certo o time gosta desses primeiros anos e opta por continuar o contrato, que pode chegar em até 5 anos.

Pode chegar, mas geralmente não chega. Quando o cara é bom mesmo, o time dá um jeito de extender o contrato, com cifras milionárias, antes dele acabar, para não correr o risco do jogador ir embora ou ficar insatisfeito com o time. E é esse o segundo momento decisivo na carreira de um jogador, primeiro ele foi draftado e entrou na NBA, agora é a hora dele conseguir aquele contrato gordinho que vai definir a grana que ele vai ganhar pelo resto da vida. Muitos jogadores não duram na NBA até os 35 anos de idade, muitos não conseguem ou nem querem trabalhar em outra coisa depois do fim de sua carreira, então é esse contrato que define o dinheiro que eles vão levar por boa parte da vida.

Essa offseason teve esse momento decisivo para vários jogadores, a maioria são os draftados em 2005, que tiveram nesses últimos meses a brecha no contrato para assinar uma extensão. Foi então que o Chris Paul, Deron Williams, Monta Ellis e Andrew Bogut conseguiram extensões de contrato por mais 5 anos, todos os três ganhando mais de 10 milhões de verdinhas por temporada. Nada mal.

Mas os três foram as exceções, a regra nesse ano foi o fracasso nas negociações. O que quer dizer que esse será um ano chave para muitos dos jogadores draftados em 2005. Vamos dar uma olhada neles, quer dizer, na situação deles, neles eu não vou olhar nada porque eu não sou o Kassab.


Marvin Williams - Atlanta Hawks

Ele é um coitado. Pra sempre será "o cara que foi escolhido antes do Deron Williams e do Chris Paul". O Bogut também foi e é pior que os dois armadores, mas pelo menos ele é um pivô bom (o que é raro) e dá conta do recado. O Marvin Williams, em compensação, sofreu pra ganhar a vaga de titular no Hawks e tem gente que acha que se o Childress continuasse por lá ele não merecia nem isso.
E estamos falando do Hawks, não do Corinthians, onde tem que ser muito bom pra ser titular, né, Carlos Alberto?

Mas o fato é que esse ano, mesmo que seja por falta de concorrência, ele é titular no Hawks e tem que mostrar a que veio. Ele tem vivência de NBA e tem os minutos em quadra, não tem mais desculpa pra dar. A qualidade da sua temporada é que vai decidir se ele ganha uma extensão de contrato à la Bogut, Deron e Paul, se ele ganha uma extensão de jogador mais ou menos ou se eles só deixam quieto e ano que vem o Marvin Williams está em outro time.


Raymond Felton - Charlotte Bobcats

Este está em uma situação complicadíssima. O time não extendeu seu contrato, draftou um cara da mesma posição que ele e ainda por cima contratou o técnico que mais implica com armadores! Como ele vai sair dessa?

Eu acho o Felton muito bom, o cara tem talento pra caramba e pode ter médias de uns 16 pontos e 8 assistências em qualquer lugar, mas será que isso basta para o Larry Brown? Não duvido nada que até o fim da temporada ele possa dar o fora e seja outro time que esteja pensando se deve ou não dar grana pro Felton quando o contrato acabar.


David Lee - New York Knicks

Ainda tem tempo para assinar essas extensões antes de começar a temporada. Ontem mesmo o New York Times fez uma matéria falando da extensão do David Lee e do Nate Robinson, ambos draftados em 2005, dizendo que pelo jeito o Knicks ainda vai dar um tempo e esperar essa temporada passar.

Primeiro eu pensei que era uma burrada. Os dois jogadores estão jogando bem na pré-temporada, parecem ser dois dos que mais vão se destacar com o D'Antoni e daqui uma temporada vão ter um preço bem mais salgado do que têm agora. Em época de crise financeira eles deveriam saber que você compra quando o preço das ações está em baixa, quando sobe fica mais difícil.

Mas pensando por outro lado, acho que consigo farejar o sentido disso tudo. Assinar uma extensão, mesmo que mais barata, significa ter contratos em 2010, o fatídico ano do LeBron como Free Agent que o Knicks tanto quer. Então acho que o Knicks quer ter certeza do que está fazendo; se é pra ter um contrato em 2010, que seja de um jogador realmente bom. Então é melhor ter o David Lee ganhando mais mas com certeza de que ele será muito bom do que ter o David Lee por menos mas com medo de que ele vire só mais um bom jogador de banco como foi até hoje na carreira.

Em resumo. Se é pra gastar, que seja com jogadores que impressionam o LeBron.


Channing Frye - Portland Trail Blazers

É a primeira metade do problema do Portland. A gente aqui no Bola Presa adora o Portland e já falamos bastante deles e como deu pra perceber, o que não falta por lá é jogador bom, a maioria jovens e esperando o seu momento de ganhar a extensão de contrato. Mas a verdade é que tirando o Roy, Oden e Aldridge, ninguém tem contrato garantido, estão todos lutando entre si pra ver quem fica com contrato gordo, quem fica com contrato de pedreiro e quem vai jogar no Thunder e nunca vai ganhar um título.

O Frye é um dos que menos impressionou no ano passado embora não seja ruim. Ele é mediano, tem um bom arremesso e quebra um galhão, mas sem dúvida o Rudy, o Bayless e o Outlaw chamam mais a atenção. Mas a diferença é que o Frye pode jogar de pivô, enquanto todos os outros jogam nas posições dos baixinhos. O Portland, então, gasta boa parte de seu valioso espaço na folha salarial com o Frye só porque é mais difícil achar um pivô? E corre o risco de ficar sem espaço de assinar o Outlaw, por exemplo? Ou deixa o Frye ir embora e se vira com os Pryzbillas da vida?

O Frye pode acabar com essas dúvidas se feder ou se chutar traseiros nessa temporada. Se for mediano mais uma vez, aí fica com o Portland a decisão.


Martell Webster - Portland Trail Blazers

A sexta escolha do draft de 2005 é a outra metade do problema. Ele finalmente saiu do banco de reservas na temporada passada e fez bons jogos, depois começou a pré-temporada com uma partida sensacional e aí se machucou e vai perder o começo da temporada.

Ele deve se dar bem na NBA, não sei se a ponto de ser um fora de série, mas vai ser bom. O problema é que será que ele quer ser bom no banco do Portland? O Travis Outlaw já disse que se for para não ter minutos no Blazers, ele vai jogar em outro lugar. Como os dois disputam a vaga de Small Forward no time, talvez tenha espaço para um só. Assinar o Webster com um bom contrato poderia significar, nas entrelinhas, dizer para o Outlaw que ele pode sair.

Claro que isso é só um ponto de vista, com muita conversa e negociação talvez até dê pra manter todo mundo ou nenhum dos dois, não é uma ciência exata. Mas a extensão do Webster é um capítulo importante nessa novela sem Flora e Donatela mas com alguns favoritos e nenhum Zé Bob pra contar a história.


Jason Maxiell - Detroit Pistons

Esse é o caso mais diferente de todos. O Pistons não tem nenhuma dúvida de que quer extender o contrato do Maxiell e não quer dar mais um ano para ele mostrar a que veio. Eles sabem que o Maxiell veio para enterrar na cabeça das pessoas e ter músculos do tamanho do fracasso do Kwame Brown.

O problema é que o Maxiell se acha melhor do que o Pistons acha. O Pistons ofereceu uma extensão de três anos no valor de 15 milhões de doletas, segundo minha professora de matemática isso daria mais ou menos uns 5 milhões de dinheiros por ano. Não é nada mal mas o Maxiell, vendo caras como o Turiaf receberem contratos parecidos, sabe que pode ganhar mais.

Se ele não tiver contrato extendido agora, na próxima temporada ele será um Free Agent restrito, ou seja, se o Pistons quiser ficar com ele, tem que oferecer o que o Maxiell pede ou correr o risco de ver outro time oferecer mais grana ainda e aí só poder igualar a oferta, pagando mais do que pretendia. O legal pro Pistons é o fenômeno do "ano de contrato". Todo ano tem jogador em ano de renovar contrato e aí treina mais, joga mais, fica mais competitivo, tudo isso que o Maxiell já faz e poderia fazer em dobro! Isso já aconteceu com o Darius Miles, com o Erick Dampier e um monte de gente que depois dos milhões nunca mais voltou a jogar bem, mas por um ano pelo menos, é uma maravilha.


Andrew Bynum - LA Lakers

Chegamos na décima escolha daquele ano, o Bynum. O empresário dele já disse que queria ter fechado um contrato antes dessa temporada e que queria um contrato máximo. Mas veja bem, se você pensar direito, perceberá que em 2005-06 o Bynum quase não entrou em quadra, em 2006-07 jogou mais tempo, mas sem grande destaque e nesses seus dois anos o seu grande feito tinha sido apenas ter brigado com o Shaq.

Então no ano passado, na sua terceira temporada, ele jogou demais, teve média de double-double e arrasou com muitos jogos. Até ter uma contusão grave no joelho. Então em três temporadas na NBA ele jogou bem durante meia temporada e teve uma contusão de risco. Convenhamos, não é à toa que o Lakers quer esperar um pouco mais antes de assinar um contrato longo e gordo com o pivô.

Imagino que a idéia do Lakers é ver como o Bynum se sai nessa temporada e como o Odom se sai também, porque o Odom também é Free Agent na próxima temporada. De acordo com o desempenho dos dois, o Lakers pode tentar trocar o Odom no meio da temporada, pode deixar o Odom ir embora e dar um contrato máximo para o Bynum, pode tentar um contrato mediano com os dois, sei lá. Mas acho correto o Lakers esperar para ver o que o Bynum realmente pode fazer em quadra em uma temporada que ele entra como estrela, com responsabilidade nas costas e com um joelho operado.


Danny Granger - Indiana Pacers

Um dos apelidos mais legais da NBA (Granny Danger) e junto com o TJ Ford é, de longe, o melhor jogador do Pacers, o que deixa o caso dele ainda mais legal de se acompanhar.

Ninguém duvida da importância do Bynum pro Lakers, do Felton para o Bobcats e do Lee para o Knicks, mas nenhum deles é reconhecidamente e explicitamente o líder da equipe em quadra como o Granger é. Ele foi o melhor jogador do Pacers na temporada passada e na teoria é em volta dele que o Pacers deveria construir o seu time, mas parece que eles ainda têm algumas dúvidas.

Como estou bem humorado hoje, mais uma vez eu concordo com a escolha do time em adiar a decisão. O Granger tem jogado bem e tem muito talento, mas ele também está em um time horrível, onde não é muito difícil ser o melhor jogador. Então será que o Pacers pode realmente ir longe sendo liderados pelo Danny Granger? Tem gente que diz que não importa, que é melhor ele do que nada, mas eu discordo. Acho melhor ter um time horrível e conseguir uma boa escolha de draft do que ficar dando contratos gigantescos para jogadores medianos só com medo de passar vergonha.

Nada é mais broxante para um torcedor do que ter um time mediano com jogadores medianos. Você fica sem esperança de título, sem esperança no draft do ano seguinte, não tem de quem ser fã no time e às vezes o time é tão mediano que não tem nem quem odiar. Um saco.

Então deixa o cara jogar. Ele vai ter um bom armador do seu lado nesse ano, o TJ Ford, e é a chance pra ele mostrar se pode ser um líder. Se puder, ótimo, grana pra ele, se não puder, ofereça menos, se ele não aceitar, que vá para o Clippers.

Detalhe: Tente procurar por fotos do "Granger" no Google e você só vai achar aquela bruxinha firmeza. Harry Potter faz mais sucesso que o Pacers.


Coloquei aqui os casos que acho que vão ser mais legais de acompanhar, mas o draft de 2005 tem outros casos de jogadores que estão em busca da sua chance de continuar na NBA, como Linas Kleiza, Hakim Warrick, Johan Petro e o Tony Ramos do mundo bizarro, o Charlie Villanueva.
Bufunfa neles!


Vocês já viram o Barack Obama batendo uma bola? O Wizards poderia aproveitar que ele vai estar lá em Washington todo dia.


sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Das coisas que aprendi com a pré-temporada

"Não tá valendo nada? Então eu enterro a bola!"


Estava eu, criança, numa aula entediante de soma ou subtração, essas coisas de primeira série. A monotonia me consumia, não havia nada a fazer, nada com o que se divertir. Foi então que, do mais puro e simples tédio, puxei a trancinha da garota da minha frente, que gritou de dor - e passou a saber quem eu era. Foi assim que descobri o sexo, as garotas e como fazer para que notem que nós, homens, existimos. E tudo isso sem ter um carro, veja bem.

O aprendizado mais profundo, no entanto, era que havia a possibilidade de descobrir algo, de compreender algo, mesmo na mais completa e absoluta chatisse. O que isso tem a ver com basquete? Simples: a pré-temporada é simplesmente uma das coisas mais chatas que existem no mundo e, portanto, o lugar ideal para colocar em prática minha teoria. O que somos capazes de aprender apesar do tédio desses jogos que não valem nada?

Bem, a primeira coisa que todos os que assistem à pré-temporada compreendem é que seus vícios foram longe demais. Ser maluco por NBA é compreensível, mas tente manter sua paixão pelo esporte no instante em que LeBron James senta no banco de reservas ainda no primeiro quarto, a quadra fica tomada por anônimos sem talento, e você sabe que LeBron não voltará mais porque tem coisas mais importantes para fazer, tipo cutucar o nariz ou aparar os pêlos do suvaco. Continuar acompanhando o jogo de seu time favorito quando todos os jogadores de verdade sentam é prova de que você está exagerando um pouco. Assistir a Bucks e Wizards sem torcer para nenhum dos dois é uma lição importante de que você foi completamente consumido por seu vício. Ou que precisa urgentemente de uma namorada ou de um peixinho dourado, o que estiver mais à mão.

Outra coisa que aprendemos com a pré-temporada é não confiar na pré-temporada. Os minutos são fajutos, as rotações absurdas e as atuações não valem coisa alguma. Ainda assim, alguns números revelam detalhes interessantes e é necessário saber filtrá-los. Se um jogador faz 40 pontos em um jogo de pré-temporada, o que isso significa? É preciso muita calma, tato, talento e vontade de chutar usando pouco fundamento para saber ler nas entrelinhas o que está acontecendo. Por isso, usarei minha experiência de muitos anos assistindo a esses jogos insuportáveis que não valem nada para separar os jogadores em alguns tipos mais comuns e, aproveitando, dar uma olhada em como estão se saindo alguns jogadores nessa pré-temporada que está rolando agora.


O jogador-máquina

Alguns jogadores são máquinas de precisões matemáticas: possuem a mesma produção não importa o que aconteça, pode ser na pré-temporada, na temporada regular, nos playoffs, nas férias, na festa de aniversário do sobrinho. Exemplos não faltam, mas são em geral jogadores de garrafão que vêm do banco de reservas mas quando são titulares na pré-temporada mantém os mesmos números. Ou seja, são eternos reservas mesmo quando são titulares.

Como exemplo, podemos citar o Brandon Bass, do Mavs, com seus 12 pontos e 5 rebotes por jogo, o Carl Landry, do Houston, com 12 pontos e 6 rebotes, o Paul Millsap, do Jazz, com 8 pontos e 6 rebotes, e o Leon Powe, do Celtics, com 11 pontos e 3 rebotes mas salvando o Celtics em praticamente todos os jogos até agora com cestas decisivas e lances livres nos segundos finais. Ou seja, igualzinho na temporada regular.


O astro de pré-temporada


Alguns jogadores só gostam de jogar pra valer quando não está valendo nada, o que é uma inversão bizarra de valores. É como se eles fossem muito tímidos e só pudessem mostrar o real talento quando ninguém está olhando (todos eles deveriam, então, ir jogar no Grizzlies - ninguém assiste uma partida sequer deles). Esses jogadores já são figurinhas carimbadas, todo mundo sabe com antecedência que eles vão destruir quando não servir pra nada.

Os mais clássicos membros dessa categoria são o Louis Williams, do Sixers, que está com 16 pontos por jogo, o Belinelli, do Warriors, com 11 pontos por jogo, o Aaron Brooks, do Rockets, com 12 pontos e 4 assistências, e o Tony Allen, cestinha do Celtics com 15 pontos por jogo. Quando o negócio esquenta eles vão sempre esquentar o banco, mas na pré-temporada chutam traseiros. Aí fica todo mundo comentando como dessa vez eles vão explodir pra valer, fazer estrago, ganhar minutos. Rá, tem gente que não aprende, é tipo os manés que acham que o Gugu ainda vai roubar minutos do Silvio Santos.


O "Agora vai"

A diferença entre o "Astro de pré-temporada" e o "Agora vai" é uma questão de fé e de experiência. Da primeira vez que o Aaron Brooks destruiu, eu (como bom torcedor do Houston) gritei "aê, agora vai!", só que não vou cair no mesmo truque duas vezes. Todo jogador com potencial e que mostre sinais de que pode ser bom mas nunca tenha feito nada se encaixa nessa categoria quando vai bem na pré-temporada.

O chinês Yi Jianlian, agora no Nets, está com média de 16 pontos por jogo, por exemplo. Além dele, David Lee está com absurdos 20 pontos e 12 rebotes por jogo no Knicks, o Mike Conley está finalmente armando alguma coisa no Grizzlies com 11 pontos, 5 rebotes e 4 assistências de média, e o Bargnani está com 14 pontos e 5 rebotes por jogo pelo Raptors. Até o Zach Randolph se encaixa aqui, mas não pelos 18 pontos e 11 rebotes por jogo, coisa que ele sempre fez. O nosso gordinho favorito cabe aqui porque está se saindo muito bem em quadra, correndo pra burro e se diz apaixonado pelo esquema de jogo do D'Antoni. Acho que agora vai!

Alguns parecem que finalmente vão mas não convencem tanto assim, tipo o Nenê com 10 pontos e 7 rebotes de média, o Sergio Rodriguez no Blazers com 9 pontos e 8 assistências por jogo e o Stuckey no Pistons com 11 pontos e quase 5 assistências de média. Os números são bons, o Nenê vai ser titular e o Stuckey deve ter minutos de titular, então parece que a coisa vai engrenar para os dois. O Rodriguez até pode se tornar o armador reserva, veja que honra. Mas o Nenê nunca ficou saudável, o Pistons fica completamente perdido com o Stuckey armando o jogo e o Blazers tem quinhentos jogadores por posição, fica difícil botar muita fé nos três.


O "Quem diabos é você?"

Na pré-temporada sempre surge uns carinhas aleatórios com atuações épicas, andando sobre a água, multiplicando pães, com números absurdos, mas você nunca ouviu falar nos sujeitos. Alguns têm nomes feitos para te enganar, tipo "B. Wallace", e você só percebe que o "B" é de "Bruno" e não de "Ben" ao notar que o cara acertou vinte bolas de 3 pontos ao invés de dar 20 tocos. O mais engraçado sobre esses caras é que, não importa quão bem eles joguem, não vão arrumar espaço num time nunca. Acho que todo mundo pensa "se eu não conheço o cara, ele não deve ser bom o bastante" e então ficam todos desempregados, desmoralizados e indo de um lado para o outro em busca de gana - tipo a bunda da Gretchen.

Os casos mais recentes são o Von Wafer, com média de 12 pontos por jogo e que dia desses acertou meio milhão de bolas de 3 pontos num jogo, o Bobby Brown, com 15 pontos e 3 assistências por jogo mas que não foi nem draftado em 2007, e o Mike Taylor, a quinquagésima quinta escolha do draft desse ano, que está com incríveis 18 pontos e 5 assistências por jogo. O Mike Taylor foi assinado pelo Clippers e vai ter um emprego nessa temporada, mas como ninguém tinha ouvido falar dele até ontem, a lógica de pré-temporada é que ele desapareça em breve, talvez engolido por leões.


O "Eu fedo até na pré-temporada"

Alguns jogadores mostram a verdadeira face na pré-temporada. Na temporada regular o cara parece bom e você acha que ele pode até ser genial um dia, mas aí quando enfrenta um monte de adversários meia-boca na pré-temporada, fede. Isso significa que o cara não consegue ser genial nem contra os melhores jogadores nem contra os piores, e aí a coisa começa a ficar feia.

Apesar de adorar o Luol Deng e dele ter chutado traseiros jogando pela Inglaterra nas férias, seus 11 pontos e 5 rebotes de média em exorbitantes 33 minutos por jogo (deve ser recorde de pré-temporada) mostram que ele não será um jogador dominante e que o contrato do Bulls foi, no mínimo, exagerado (evitei usar uma palavra escatológica aqui). Além dele, tem o Mo Williams mostrando que ele arremessa como um débil mental não importa quem sejam os adversários, e seu aproveitamento está em 30%. Ou seja, não dou nem 5 jogos quando estiver valendo para o LeBron dar umas porradas nelel. E tem também o Granny Danger (muito mais legal do que Danny Granger e algo que o Chapolim "não priemos cânico" adoraria dizer) acertando 15% dos seus arremessos, mostrando que o futuro do Pacers está em boas mãos mas em péssima mira. Mesmo caso do Ramon Sessions, que fez tanto sucesso no final da temporada passada dando milhares de assistências pelo Bucks, mas que na pré-temporada está acertando 21% dos arremessos e vai perder a vaga para o Ridnour, que fede mas que está com 9 pontos e 8 assistências de média, uma boa enganada.


O "Eu engano bem"

Pré-temporada é o momento em que uns malucos recebem carta branca para fazer o que quiser. O Mike James, por exemplo, está chutando o quanto quer e anda com 15 pontos de média. O JR Smith, por sua vez, é o cestinha do Nuggets com 18 pontos por jogo. Quem não conhece os dois acha até que eles são sujeitos bacanas e quer chamar os dois para uma cerveja, sem saber que assim que chegarem no bar eles vão tentar arremessar você dentro dos copos. Quando são as estrelas do time, se saem muito bem, mas na hora de jogar num time de verdade, ainda acham que são as estrelas - é um tipo de altismo. Para eles, a vida é uma eterna pré-temporada, hora de chutar muito e pensar pouco. O JR está acertando 21% de seus arremessos de 3 pontos, justo algo que deveria ser sua especialidade.


A cobaia

Alguns jogadores são colocados no meio de uma experiência bizarra e precisam usar a pré-temporada para se acostumarem com seus papéis. Não dá pra saber se o cara vai ser um bom jogador ou não através desses jogos, mas dá pra ter uma idéia se o cara está se acostumando com sua função.

O Devin Harris, por exemplo, está tendo que manter a bola nas mãos como um armador de verdade no Nets, o que não anda dando muito certo - são 4 desperdícios de bola por jogo. O Duhon está sendo obrigado a tornar-se o novo Nash, e apesar dos 12 pontos e quase 6 assistências, está perdendo a bola quase 5 vezes por jogo, inaceitável. O Bynum teve que tentar jogar ao lado de Gasol, e depois jogar vindo no banco, e depois sozinho, e depois com um anão de biquini, e com 10 pontos, 7 rebotes e 1 toco de média, parece que está tudo bem. Matt Barnes, que pra mim foi uma bela sacada do Suns, se encaixou muito bem no estilo do time e tem 11 pontos, 7 rebotes e 3 assistências por jogo. Outro que se deu bem é o Turiaf tendo que correr a quadra toda, até assistências o francês começou a dar. O único problema é que, com 3.3 assistências por jogo, ele é o líder da equipe no quesito. Ou seja, o negócio tá ruim.


O novato

Vamos ser sinceros, a gente aguenta os jogos chatos de pré-temporada porque fica morrendo de vontade de ver os novatos jogarem um pouquinho e ter alguma noção de como serão quando a coisa estiver valendo. Alguns novatos chutam traseiros mas nunca mais vão entrar em quadra porque não terão espaço, jogarão poucos minutos ou simplesmente vão desaprender a jogar. É difícil encaixar novatos nos outros grupos anteriores, então é melhor falar deles aqui, vendo cada caso.

O pivô Brook Lopes, do Nets, está com médias de 8 pontos, 11 rebotes, 2 roubos e 2 tocos. Os roubos são surpreendentes, o resto é mais do que sólido, e se ele não for titular é porque o técnico Lawrence Frank come meleca. Seu irmão, o Robin Lopez, está mostrando a veia defensiva com quase 3 tocos por jogo, mas está se mostrando um estabanado em quadra e comprometendo um pouco o Suns no ataque. Já o OJ Mayo, do Grizzlies, está com 14 pontos por jogo, o que era esperado, mas os dois roubos de bola por partida são um brinde extra. Seu companheiro de equipe, o Marc Gasol (também conhecido como "o Gasol que comeu demais"), até que não está fedendo tanto quanto eu imaginava, com 9 pontos e 5 rebotes. Já o Derrick Rose está fedendo como eu imaginava, embora mesmo assim seja espetacular: são 10 pontos e 6 assistências por jogo, mas quase 5 desperdícios de bola também. O Chalmers também tá fedendo um pouco, são apenas 3 assistências por jogo e a vaga de titular já era, deve ficar nas mãos do Marcus Banks. Com 10 pontos e 4 assistências, o Banks é candidato a "agora vai" mas está mais para "eu engano bem". Ele deve armar para o Beasley, que vai vir do banco porque não sabe defender mas que deve manter uma produção alta como na pré-temporada, em que tem 16 pontos e 8 rebotes de média, tudo enquanto boceja e coça as costas.

Dos que realmente surpreenderam tem o Roy Hibbert, pivô do Pacers com 12 pontos e 2 tocos de média, algo que ele deve ser capaz de manter porque em Indiana ninguém levanta os braços, a não ser em assalto. Outro pivô, o JaVale McGee, também deve ter muitos minutos porque o titular do Wizards, o Brendon Haywood, deve ficar de fora da temporada com uma contusão (sim, eles são mesmo o novo Clippers). Por enquanto ele foi muito bem, com 12 pontos e 6 rebotes por jogo.

E por falar em contusões, o Nicolas Batum, um dos cem alas disputando minutos no Blazers, deve ser o titular depois de atuações sólidas na pré-temporada e uma ajudinha do destino, que contundiu o Martell Webster. Quando eu analisei as possíveis escalações do Blazers, nem sonhei com o Batum, que supostamente deveria estar cru demais. Mas com 8 pontos por jogo, acertando mais da metade de seus arremessos, além de 1 roubo e quase 2 tocos por jogo, ele tem tudo para ser o ala defensivo que começa o jogo e senta logo para o Rudy Fernandez entrar.

...

Dá pra acreditar nos números? Não. Dá pra acreditar na virgindade da Sandy? Não. Mas dá pra ter uma noção de quem pode produzir, quais serão os papéis, quem deve se tornar titular e quem arrumará um lugar na rotação, mesmo que vindo do banco de reservas. Dá pra ver quem não consegue dominar nem quando a competição é fraca, quem tenta mostrar serviço, quem preferia ir ver o filme do Pelé. Dá pra ver que se você assiste demais essas partidas com gosto de chuchu, tem problemas. E se você vai atrás dos números dos jogadores da pré-temporada para fazer um post para o seu blog, precisa de ajuda médica. Urgente.

Mas, em breve, começa a temporada de verdade. Dê uma olhada nos jogadores acima e desista de assistir esses jogos porcarias, leve a namorada para sair, assista a uma peça de teatro, solte pipa e estude grego, porque em breve a coisa começa de verdade e você não terá tempo para essas coisas de gente normal. Arrume desde já um jeito de ler o Bola Presa até mesmo no banheiro. Eu avisei.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Um Top 5 para ajudar Larry Brown

Marbury com cara de quem preferia uma lavagem intestinal


O Larry Brown é um dos técnicos mais vitoriosos da história da NBA, o que é digno de consideração. Além disso, para os que acreditam que é necessário respeitar os mais velhos, o Larry Brown merece todo o respeito do mundo por ter sobrevivido ao dilúvio da época de Noé. Ainda assim, não tem como negar que sua passagem pelo Knicks, com uma temporada de 59 derrotas, foi um dos maiores fracassos da história da humanidade, comparável apenas à carreira solo da Carla Perez.

Agora, Larry Brown tenta esquecer seu passado e colocar o Bobcats para funcionar, o que aparentemente não está funcionando. O time teve atuações deprimentes na pré-temporada e, pior, o técnico fodão parece estar cometendo os mesmos erros que cometeu no Knicks uns anos atrás. Para ajudar o bom velhinho que não tem lá muito tato com esses tais seres humanos, resolvi fazer um Top 5 com os principais erros que ele cometeu com o Knicks e que não devem se repetir se ele deseja montar um time vencedor.


1 - Enlouquecer seu PG titular

É como se a Super Nanny, a babá-maravilha que ensina os pais a cuidarem de seus filhos na televisão, entrasse na casa de uma família e, para começar, aloprasse a mãe. "Os filhos a gente vê depois, primeiro precisamos nos livrar dessa baranguinha, conseguir uma mulher de verdade." Nos mesmos moldes, Larry Brown é famoso por mostrar sua insatisfação com qualquer PG assim que assume qualquer time. E se você acha que PG é "Progressão Geométrica", você é um nerd, deveria parar de estudar um pouco e baixar pornografia no computador. Por "PG" eu me refiro ao armador principal, o responsável por chamar e conduzir as jogadas ofensivas.

O Larry Brown não admite nada além de perfeição quando se trata da armação e não tem vergonha de dizer isso. Quando estava no Sixers, levou o Iverson à loucura com críticas pessoais e cobranças insuportáveis, não tolerando o estilo individualista do armador. No Pistons, exigiu que o Billups alcançasse outro nível antes de deixá-lo em paz. No Knicks, criticou o Marbury sem descanso até que sua frágil mente quebrou e ele nunca mais foi o mesmo sujeito. Essa tática pirou por completo o Iverson mas, de fato, transformou seu modo de jogar para melhor. Allen Iverson foi MVP e atingiu uma Final de NBA, coisa que não deve repetir antes do fim do mundo. Billups se tornou um All-Star e agora é considerado um dos melhores armadores do jogo sendo que, antes, era um simples desconhecido. Marbury surtou e ano passado chegou até a abandonar o time.

Ou seja, as brigas e as ofensas funcionam de modo diferente para cada jogador, mas posso falar sem medo de errar quando afirmo que criam um clima ruim e cheio de conflito entre o técnico e o cérebro do time em quadra. Pode até dar certo a longo prazo, mas não é possível que não exista um modo de lidar com armadores sem que eles corram o risco de tentar suicídio. Depois do fracasso do Marbury, que pensou sinceramente em desistir do basquete depois de ter que lidar com o Larry Brown, era uma boa o velhinho pensar duas vezes antes de usar a tática novamente. Infelizmente, não foi o caso. A primeira coisa que fez ao assumir o Bobcats foi expressar sua incerteza quanto à armação da equipe e draftar um armador com a escolha de primeira rodada do time, apesar do Raymond Felton ser talentoso e titular.

Ótima mensagem o Felton deve ter recebido. Não basta ele ser o cara ignorado do trio de armadores do draft de 2005, enquanto todo mundo reza para Chris Paul e Deron Williams todas as noites como se fossem os deuses do basquete. Ray poderia receber tanta atenção quanto qualquer um dos dois se estivesse num time de verdade. (E com isso quero dizer que o Bobcats não é um time de verdade, é apenas uma ilusão de óptica. ) E para completar o Larry Brown chega para finalmente transformar esse time numa equipe competitiva e imediatamente drafta o armador DJ Augustin. Larry Brown, meu amigo, vamos tentar não mandar o Raymond Felton para um hospício, ok? Tente tratá-lo com carinho, ele pode ser o seu Deron Williams se você tiver um pouco de paciência e for gentil no comecinho.


2 - Humilhar seus jogadores na frente da imprensa

Quando o Marbury reclamou que queria arremessar mais no Knicks, o Larry Brown não foi conversar com o jogador. Ao invés disso, respondeu numa coletiva de imprensa. Quando Marbury foi reclamar que o "espírito de equipe" instituído por Larry Brown não estava gerando vitórias, o técnico foi responder para a imprensa. Quando o time, em coro, disse não compreender inteiramente seu papel em quadra, Larry Brown respondeu através da imprensa. As coisas chegaram a um ponto surreal: quando alguém do Knicks queria falar com o Larry Brown, era instruído pelos próprios responsáveis do Knicks a se dirigir para o departamento de Relações Públicas. Qualquer afirmação tinha que passar pela imprensa.

Para compreender essa bizarrisse, só usando muita imaginação e um pouco de efeito nuvem ("olha, parece um coelho; não, parece um ursinho; não, parece a Mallu Magalhães"). Dá pra imaginar que o Larry Brown queria que todas as afirmações tivessem uma repercussão na mídia de modo que todo jogador sentisse o peso sobre elas. Com a pressão e a crítica da mídia e dos torcedores, a tendência era de que os jogadores fossem abaixando a cabeça e parando de falar, aceitando mais as idéias do treinador. Era isso ou eles se sentiriam acuados e ofendidos e prefeririam jogar para Adolf Hitler. Em pouco tempo, o elenco abandonou Larry Brown e ele estava num barco vazio, dando ordens para o vento. Acabou demitido.

O técnico Phil Jackson adora dar umas duras em jogadores através da mídia. A bola da vez é o Lamar Odom, que é humilhado na frente dos jornalistas diariamente. A intenção do Phil é criar alguma espécia de ânimo no Lamar Odom que, de outro modo, é capaz de deitar no meio da quadra e tirar um cochilho - os playoffs passados estão aí para provar. Mas acontece que o Phil Jackson sabe lidar com as pessoas, ele conhece seus jogadores individualmente, entende como motivar cada um em particular. Larry Brown, por sua vez, sabe como pirar cada jogador em particular, fazendo-os preferir a morte. Deveria existir uma lei que o obrigasse a ficar afastado da imprensa, simplesmente para evitar a depressão clínica de seus jogadores.

Nas últimas semanas, com o Bobcats perdendo partidas horrorosas na pré-temporada, li trocentas declarações do Larry Brown aloprando seu próprio time. Algumas dizendo que eles não entravam no garrafão e que perdiam tempo arremessando de fora porque eram burros, outras dizendo que vencer ou perder não interessava, se o time jogasse com vontade já seria algo maior do que ele podia esperar. Minha nossa, ele é tão delicado quando a Edinanci Silva. Por favor, Larry Brown, se você não quer seu time envolvido num ritual de suicídio coletivo, fique longe dos microfones.


3 - Aloprar a rotação da equipe

Se a pergunta decisiva do Show do Milhão fosse quantas escalações diferentes o Larry Brown tentou com o Knicks durante a temporada, eu duvido que você acertaria. Foram mais de quarenta, acredite ou não. Sou péssimo em matemática mas ele deve ter tentado praticamente todas as possibilidades possíveis com todos os jogadores que tinha à disposição e ainda mais, deve ter colocado os sobrinhos para jogar e colocado o Marbury de pivô só para aumentar o número de tentativas.

Em nenhum momento o Knicks adquiriu uma identidade porque ninguém sabia seu papel, sua função, os minutos que teria em quadra. Nessas circunstâncias, todo mundo fica descontente: o cara que joga 20 minutos acha que iria jogar 40, o cara que nem entra em quadra não compreende porque não está jogando se foi até titular no jogo passado. Essa é uma boa tática se você está querendo arrumar um clima ruim no Big Brother, mas é uma maluquisse num time de basquete. É preciso escolher uma escalação e dar tempo para que seja testada, mudando-a com cuidado, aos poucos. Transformar a escalação de um jogo para o outro não só deixa todo mundo inseguro como também dá a impressão de que o técnico não faz a menor idéia do que está fazendo. O Larry Brown não sabia mesmo, mas é sempre melhor fingir que você sabe e que feder e ser humilhado está completamente dentro dos planos.

O Bobcats sofre justamente de uma falta de identidade. O time não sabe no que é realmente bom e os jogadores não sabem que papel deveriam ter. Jogadores como Matt Carroll e Nazr Mohammed ficam pulando do banco de reservas para o time titular o tempo inteiro. Gerald Wallace cada hora joga numa posição, até que finalmente deu um ultimato dizendo que nunca mais será ala de força, para o bem de sua saúde. O que o Bobcats precisa, então, é de uma escalação fixa por uns tempos, para ser alterada aos poucos. Mohammed ou Sean May devem ser titulares, mas nada de ficar mudando de um para o outro o tempo inteiro. Dê um pouco de estabilidade para as crianças, Larry Brown. Principalmente porque o Mohammed só precisa de alguém que acredite nele para que possa chutar uns traseiros, sério mesmo.


4 - Ter medo de mandar para o banco de reservas

Mesmo aloprando as escalações o tempo inteiro, Larry Brown teve problemas lidando com as estrelas mais bem pagas do time. Resolveu que não iria colocar o Marbury mais em quadra, mas ele ganhava demais para isso e eventualmente mudou de idéia. Curry deveria vir do banco mas foi titular a maior parte do tempo porque deveria ser estrela. O que faltou foi delimitar os papéis e saber colocar estrelas no banco de reservas se isso for o melhor para o time. Manu Ginóbili vem do banco e o mesmo pode acontecer com Lamar Odom na temporada que vem. Isso não é problema com técnicos que sabem lidar com o lado psicológico desses jogadores.

O Bobcats é um time profundo e jogadores talentosos terão que ficar no banco de reservas. É essencial que o Larry Brown saiba lidar com eles, deixá-los no banco, e não ficar recompensando boas atuações com vagas no time titular. É preciso ter bons reservas capazes de mudar o jogo. Se Gerald Wallace vier do banco, pode ser ainda mais útil para o time. Sem criar uma guerra na imprensa e informando os jogadores sobre seus papéis, o problema do banco pode até se resolver, mas ainda exige uma boa dose de tato e bom senso.


5 - Tentar ganhar agora

O Larry Brown assinou um contrato de 5 anos com o Knicks, o mais caro contrato da história dos técnicos. No entanto, quando a temporada estava indo para o saco, Larry Brown começou a se preocupar com seu pescoço e voltou atrás em um punhado de decisões sobre o Marbury, elenco titular e estilo de jogo. Não tenho dúvidas de que seu plano original era experimentar muito e feder por uns tempos até encontrar a fórmula certa para o futuro. Mas quando o time começou a feder demais, os bagos diminuíram e a necessidade de vencer imediatamente acabou falando mais alto. Foi justamente tentando ganhar na hora que o Knicks acabou se saindo ainda pior, estragando a base que estava sendo criada para o futuro.

A pressão para vitórias imediatas é parecida em Charlotte. O Bobcats é o time que deve surpreender já faz uns anos, mas a única surpresa é que eles nunca surpreendem. Fedem sempre, não se aproximam dos playoffs e também não ficam na última posição. Todo ano, a desculpa da pouca idade e experiência é utilizada, mas agora os jogadores já estão mais calejados e um técnico de elite está na brincadeira. A cobrança para que vençam imediatamente é enorme. O que o Larry Brown precisa fazer é ignorar isso e trabalhar a longo prazo. Basta assistir a um jogo deles da pré-temporada ou até dar uma espiada no elenco, não há meios desse time ser uma força real e concreta na NBA. O único modo é pensar no amanhã, criar um núcleo sólido, instaurar um clima diferente na equipe. Eles estão acostumados a perder, é completamente natural para eles, alguns acham que ganhar é sair de quadra sem ter quebrado os dois pés. Então Larry Brown deve se focar numa mudança de atitude aos poucos, não com vitórias acima de tudo. Resta saber se ele terá 5 anos para formar essa equipe da base, ou se dormirá na praça outra vez se o time feder demais de uma hora para outra.

Se feder demais, poderemos ver se Larry Brown estará repetindo os mesmos erros de antes, ou se seguiu uns conselhos e as derrotas são porque o time é uma porcaria. Em todo caso, a evolução desse Bobcats tem tudo para ser uma das coisas mais divertidas das próximas temporadas. Principalmente, claro, quando o Raymond Felton for visto com uma cueca na cabeça tentando pular de uma ponte. DJ Augustin provavelmente será o próximo.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

O quinteto

O verdadeiro triângulo do Lakers
(sugestão de legenda do nosso leitor 'Mancha')


O Lakers tem sido alvo de muita discussão nessa pré-temporada. Motivos não faltam, afinal o Lakers é o queridinho ou o odiado de todo mundo, ninguém é indiferente ao Lakers, então eles sempre são notícia.

O time não fez mudanças no elenco, só perdeu o Barishnikov do banco de reservas, Ronny Turiaf. Geralmente times que não tem muitas mudanças não geram tanta discussão em pré-temporada, em que o assunto é quem deve ser titular, reserva ou trocado. Para completar, o Lakers é o atual campeão do Oeste e em time que tá ganhando não se mexe, já diria o velho deitado.

Porém tudo muda quando lembramos que o Andrew Bynum está de volta e que ele nunca jogou uma partidinha oficial sequer ao lado do Pau Gasol. Quando o Bynum se machucou ele tinha média de double-double (13 pontos, 10 rebotes, além de 2 tocos) e o Lakers era líder do Oeste. Com o Gasol o Lakers ganhou o Oeste. A lógica era que com os dois juntos o Lakers ia bombar.

Mas aí entrava a questão: o Odom jogará na posição 3 mesmo tendo rendido tão bem na 4? E o Gasol, que jogou muito bem na 5, iria se virar na 4? E se somarmos 4 + 5 e multiplicarmos pela soma do quadrado dos catetos? É por essas dúvidas que o Phil Jackson está testando várias formações diferentes nessa pré-temporada e eu, como especialista em ficar vendo jogos chatos de pré-temporada do Lakers, vou dar meus palpites sobre essas formações.

Já deixo claro que não se questiona a dupla Fisher e Kobe na armação. O Kobe é um jogador mediano mas ainda tem vaga garantida no time, a discussão está para as duas alas e a para a posição de pivô.


1. Odom - Gasol - Bynum

Essa seria a formação ideal, pelo menos no papel. São os três mais talentosos em cada posição e daria um ranking melhor para o Lakers no video game. Mas nos primeiros treinos o Phil Jackson viu todos em ação e não gostou. Nos jogos da pré-temporada a coisa não tem fluído bem também.

O Gasol para jogar na posição 4, com o Bynum de 5, precisa acertar constantemente seus arremessos de média distância, o que ele tem feito. Mas mesmo assim ele ainda se posiciona muito próximo à cesta, embolando o jogo com o Bynum e um dos princípios básicos dos triângulos é o espaçamento entre os jogadores. Com todo mundo embolado fica parecendo o meio-campo da seleção, não o Lakers.

O Odom na posição 3 também perde um pouco do seu valor. Quando joga contra caras mais altos na posição 4, ele os vence pela velocidade e pelos passes dignos de armador. Na posição 3 ele enfrenta adversários mais acostumados a esse tipo de jogador. A solução seria ele usar então o seu tamanho e jogar de costas pra cesta, como fez muitas vezes no ano passado, mas com o Gasol e o Bynum já em quadra ele nem vai caber dentro do garrafão.

Pra mim essa é a pior formação possível do Lakers no momento. Mas não me incomodaria de vê-la em funcionamento mais vezes, nada impede que seja apenas uma questão de entrosamento, mas um dos três vindo do banco até deixaria o banco do Lakers mais forte.


2. Ariza - Gasol - Bynum

Eu gosto bastante dessa formação. Acho que a dupla Gasol e Bynum tem problemas, como já disse, mas acredito que seja mais questão de entrosamento, o Bynum pode aprender a se utilizar da visão de jogo do Gasol muito bem.

Mas não gosto do Odom na posição 3 e acho que o ideal seria ele vir do banco para jogar na posição 4, onde causa mais problemas para a marcação. Além disso ele pode servir como um líder vindo do banco de reservas. O Odom tem muito talento e visão de jogo, então ele rende bem mesmo quando tem a bola nas mãos (não me entendam mal) e no time titular, com Gasol, Bynum e Kobe, ficaria muito a segundo plano. Jogando ao lado de Sasha "The Machine", Jordan Farmar e Luke Walton ele teria que jogar mais na armação das jogadas, que é o que ele manja.

No time titular o Ariza funcionaria perfeitamente. A bola não precisa passar pelas suas mãos para ele jogar bem, já que o que ele sabe fazer mesmo é defender, coisa que não é a praia do Odom, além da movimentação no ataque. Ele é mestre em cortar para a cesta fugindo do seu marcador e entende perfeitamente as movimentações do triângulo. Entende muito mais do que o Kwame e Gary Payton juntos jamais entenderam.

O problema de ter o Ariza em quadra é que seu arremesso é realmente problemático, ainda pior que o do Odom.


3- Radmanovic - Gasol - Bynum

Para resolver o problema dos arremessos a solução é colocar um especialista neles, o Radmanovic. Essa formação parece ser a favorita no momento pelo Phil Jackson, segundo quem acompanha os treinos do Lakers.

A solução do Radmanovic é boa por dois motivos. O primeiro é óbvio, todo time precisa de arremessadores de 3 para ganhar um jogo hoje em dia. Falando nisso, já estou vendo o Memphis se ferrar (ainda mais) nesse ano sem o Mike Miller, para eles só vai dar alguma coisa certo se o OJ Mayo acertar 6 bolas de 3 por jogo como ontem, ou vão ser um time previsível e fácil de ser marcado.

O outro motivo que faz a solução do Radmanovic ser atraente é justamente a dupla Gasol e Bynum. Como todo mundo que já viu o Duncan jogar sabe, bons jogadores como ameaça no garrafão servem para abrir espaço para arremessos de longa distância.

O problema de deixar o Radmanovic com os titulares é que além de arremessar ele não faz mais nada direito. Não é bom passador, não tem controle de bola, não defende nada e não sabe fazer crochê, passar roupa e fazer um bom feijão com caldo grosso.


4 - Ariza - Odom - Gasol

Eu também gosto dessa opção. É a opção do ano passado antes do Ariza se machucar. O time com essa formação fica leve, rápido, com ótimos passadores e com 5 jogadores que fazem tudo o que precisa o triângulo. Talvez seja a formação com a qual o Lakers jogue um basquete mais bonito.

Além disso, o Bynum faria o trabalho que fazia no início da temporada passada, que é ser a referência ofensiva do time reserva. Kobe é a referência entre os titulares e quando entravam os reservas o Bynum fazia a festa, até porque obriga o time adversário a manter um garrafão bom ao invés de colocar seus Melvin Elys que tem no banco.

Mas se a formação é igual à do ano passado, quer dizer que os problemas devem ser os mesmos também. Esse time é fraco na defesa do garrafão, apanha de times que jogam mais fisicamente e não domina os rebotes. Talvez fosse um bom time para começar o jogo, mas não o ideal para terminá-lo.


5- Radmanovic - Odom - Gasol

A pior opção possível. Se é pra usar o Radmanovic, que seja para aproveitar o garrafão crowdeado (essa foi pro pessoal do surf! uhu!) e meter bolas de 3. Com Odom e Gasol no time, o Radmanovic será um zero à esquerda como foi em tantos jogos do playoff do ano passado.


6- Walton - Gasol - Bynum

Essa opção na verdade nem foi discutida por ninguém. Pelo jeito o Phil Jackson nem a cogita, mas eu gostaria de vê-la em ação. O motivo é simples: ele pega um pouco do que faz cada um dos outros jogadores que disputam essa posição.

Em termos de passe e visão de jogo ele quase não fica devendo nada ao Odom, o Walton foi feito para jogar ao lado de grandes jogadores, ele tem "role player" tatuado na testa e funciona melhor abastacendo os finalizadores com seus bons passes. Certa vez, em 2004, o Shaq disse que Walton era o cara que melhor dava passes para ele no Lakers. E se o Diesel falou, tá falado.

Nos arremessos ele não é tão bom quanto o Radmanovic, mas é melhor que o Odom e que o Ariza. Há dois anos, quando teve aquela polêmica da NBA abandonar as bolas de couro, o Walton era o jogador com melhor aproveitamento de bolas de 3 em toda liga. Ele disse que se perdesse o posto, iria culpar a volta das bolas de couro. Bom, ele perdeu o posto e no ano passado foi um arremessador apenas mediano. Mas poderia ser útil nessa função.

Ele não defende bem como o Ariza, mas também não passa vergonha. Posso ser o único a achar isso, mas pra mim o Walton não compromete em nada na defesa e é tão útil quanto o Ariza no ataque. O Walton sabe cortar em direção à cesta e, como vimos nos playoffs contra o Denver, é só dar uma defesa fraca que ele até sabe fazer muitos pontos.

Mas tem aquela história. O Walton faz tudo mas não faz nada direito. É Pato e não é Alexandre.


Não sei qual das formações o Lakers vai usar, se duvidar pode não ser nenhuma dessas. Ou pode ser uma dessas para começar o jogo e outra para terminar. As possibilidades são infinitas e o que importa é que o Lakers consiga conciliar o tempo de testar todas as combinações possíveis com vitórias. Porque eles tem 82 jogos para achar as combinações certas, mas precisam acabar esses 82 jogos em uma posição decente na briga do Oeste, já que vantagem de jogar em casa nos playoffs é essencial.


Para terminar, dois vídeos sobre o Lakers. Um é vergonhoso para um torcedor do Lakers, é o Beno Udrih deixando o Kobe no chão com um drible lindo. Aconteceu outro dia num jogo de pré-temporada.



O outro deve ser o vídeo mais idiota que eu já vi na minha vida. Parafraseando o sábio papagaio Iago, do Alladin, que uma espécie Louro José do deserto: Numa escala de zero a dez, esse vídeo é onze. Em questão de ridículo, claro.