sábado, 31 de janeiro de 2009
Os jogos que valem
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Denis
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Calderon não sabe arremessar
Ontem no jogo contra o Bucks (primeira vitória do Bucks desde a contusão do Michael Redd) acabou a sequência de lances livres acertados do José Calderon que durava desde o início da temporada. O espanhol acertou 87 em sequência e ficou a dez do recorde da NBA, que é de Michael Williams (menor força nominal da década) em seus tempos de Timberwolves no começo dos anos 90.
Como o nosso leitor Marão Caetano disse nos comentários, se fossemos contar também olimpíada e playoffs do ano passado ele teria já alcançado o recorde, já que tentou 10 lances livres nas duas competições e acertou todos. Em competições oficiais, então, o Calderon está em uma sequência de 97 de 98 arremessos livres. Bem mais ou menos, não?
Na minha vida de jogador ruim em quadras fuleiras desse Brasil de meu deus acho que eu nunca acertei nem 10 em sequência. Uma vez acertei acho que 17 de 20 e me senti um Deus do basquete. Ah, esse mundo romântico dos amadores!
Uma coisa que me lembra o Calderon: vocês lembram na temporada passada quando ele roubou a posição de titular do TJ Ford, que ficou putinho? Ele foi então trocado pelo Jermaine O'Neal e virou titular do Pacers. Até a semana passada. Desde então ele tem vindo do banco para que o Jarret Jack seja titular! De novo, TJ? Que fase!
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Denis
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Todo ano a mesma história
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Denis
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
O basquete como janela
Graças à cotovelada de Andrew Bynum para tentar impedir uma cesta de Gerald Wallace, de que o Denis falou em sua análise do jogo, o pobre ala do Bobcats está sofrendo com pneumotórax e uma costela quebrada, condições um tanto complicadas que afastarão Wallace das quadras por algum tempo.
A notícia cai como uma bomba em cima de um Bobcats empolgado, embalado, com chances de playoffs e que agora se vê obrigado a colocar o Adam Morrison em quadra, provavelmente uma das piores terceiras escolhas de draft de todos os tempos e que, no fundo, só vale pelo bigodinho.
Essa não é, no entanto, a primeira falta dura que Bynum comete defendendo o garrafão. Contra o Cavs, estatelou o LeBron no chão para impedir uma enterrada inevitável e quase começou uma confusão porque o próprio LeBron não gostou tanto da pancada quanto gostaria de, deixe-me ver, sorvete, por exemplo. Já o Bobcats lidou melhor com a atitude de Bynum, Larry Brown e seus jogadores disseram que foi uma falta dura mas sem nenhuma intenção de contundir e que a NBA não deveria tomar medidas legais a respeito. Não que isso vá adiantar, claro, porque por lá qualquer espirro é punido mais tarde com multas milionárias e suspensões, afinal o David Stern é entediado e está se vingando dos coleguinhas esportistas que tacavam ele no lixo quando ele estava no colégio e era um nerd derrotado.
Compreendo que o Bynum não tinha intenção de matar ninguém, de colapsar pulmões, quebrar costelas ou mandar alguém para o hospital. Suas intenções eram, sim, impedir uma cesta a qualquer custo. Mais do que isso, como alegou no caso do LeBron: sua intenção era não permitir que enterrassem na sua cabeça, era manter intacta sua honra, era explicitar seu domínio do garrafão. Aí está a diferença brutal entre um cara como Bynum e alguém como o Yao Ming - que talvez até tentasse um toco, nada mais, e provavelmente tomaria uma cravada na cabeça e correria de volta pro ataque com a cabeça abaixada e aquele ar de "oops" (não o "oops" sexualizado da Britney, está mais para o "oops" do Silvio Santos quando caiu na piscina).
Entendo que a função de um pivô seja proteger o seu garrafão, que é seu trabalho, sua função, o motivo pelo qual ele ganha seu salário. Um advogado processa, um vendedor vende, um pivô às vezes quebra costelas. Mas, em geral, não é possível separar um indivíduo do modo como ele exerce sua função, e no esporte isso fica mais explícito: não apenas porque os jogadores estão fazendo aquilo que amam (um advogado não necessariamente faz o que gosta), mas também porque o esporte permite um nível de expressão que, filosoficamente, não o separa muito da arte.
É por isso que sempre digo que, ao ver basquete, estou na verdade vendo uma janela para o mundo. É um recorte do mundo real, é um modo de assistir a pessoas interagindo num mundo com regras bem definidas (o que pode e não pode ser feito, quais são os objetivos, as funções, as posições, as recompensas) e um local limitado (no caso, a quadra de basquete, ao menos em geral). Na impossibilidade de ver o mundo inteiro ao mesmo tempo, olhamos através da janela de nossas casas e vemos uma parte que, por sua vez, representa o todo em algum grau. Quando vemos basquete, estamos vendo uma parte do todo, estamos vendo o mundo de uma forma limitada e ordenada, embora ainda criativa, espontânea e munida de infinitas possibilidades.
O que isso significa? Na prática, quer dizer que o modo como alguém joga basquete é um espelho de sua relação com o mundo. E que, portanto, não adianta dizer que o Bynum "fez o seu trabalho". Ele agiu de acordo com o modo com que encherga as coisas ao seu redor, dentro ou fora da quadra. Não permitir que LeBron enterre na sua cabeça ou impedir Gerald Wallace a todo custo mostram quem ele é, sua relação com o ego, sua vontade de atingir sucesso não importando as consequências.
Os fãs do Bruce Bowen ainda me perseguem nas ruas, mas não tenho como deixar de criticá-lo mais uma vez (de cada cinco palavrões que eu disse em minha vida, três foram para o Bowen e dois foram para o Gilberto Barros). Defender a todo custo, impedir uma cesta dando uma voadora, alcançar a vitória contundindo adversários, tudo isso não é sua profissão, é uma demonstração de suas crenças pessoais. No esporte as pessoas costumam achar legal, "faz parte do jogo, o importante é vencer, tudo que interessa é a vitória" mas na vida real se um cara quebrasse seu pé para pegar a última Playboy da Alinne Moraes nas bancas (não custa nada fazer nossa fezinha) ninguém acharia legal. É engraçado como pessoas competitivas são obrigadas socialmente a manter isso escondido, meio por baixo dos panos, mas quando entram numa quadra para praticar um esporte descem a porrada em todo mundo, passam horas discutindo regras e em alguns casos são recompensadas por isso com "ele dá o sangue" ou similares.
Perdi horas da minha vida sentado numa quadra de basquete, bocejando e pensando no que comeria no jantar, enquanto jogadores competitivos brigavam e se exaltavam para saber de quem seria uma bola que saiu pela lateral. Agora, costumo levar um livro comigo quando jogo basquete (a tentativa inicial de levar travesseiros mostrou-se ineficaz, eu pegava no sono e só percebiam que eu estava ali quando o jogo recomeçava e alguém tropeçava em mim). Fora das quadras, esse comportamento não é aceito, ele é repugnante e detestável. Por que deveria ser aceito num esporte, por mais profissional que fosse?
Na minha carreira escolar, tentava explicar em vão para meu técnico porque eu não conseguia ser físico na defesa, porque eu preferia deixar alguém fazer uma bandeja a tentar um toco numa situação em que claramente farei uma falta. Oras, somos dois jogadores de basquete, compartilhamos a mesma linguagem, não tenho porque descer o sarrafo nele - aliás, eu odiaria que impedissem minha cesta com uma porrada, porque impediria a cesta do outro? Claramente não sou uma pessoa competitiva, não adianta. Eu faria diferente se me pagassem 20 milhões de doletas por ano? Dificilmente. O jeito com que jogo basquete é o jeito que eu sou, todos os dias. O Bruce Bowen pode até ser um cara legal, bem-humorado como muitos dizem que ele é, eu juro que acredito. Mas também posso deduzir que ele faça qualquer coisa para alcançar seus objetivos, não importa as consequências - seria muito ingênuo da minha parte imaginar que ele faça isso apenas em quadra e não atropele outras pessoas constantemente na sua vida aqui, no mundo real.
Não me importo nem um pouco com as ações que a NBA tomará contra o Bynum, na verdade nem acho que algo deveria ser feito. Regras e punições só tornam essas coisas piores, mais camufladas e mais chatas. Ontem, fui assistir à estréia do NBB entre Pinheiros e Flamengo, e fiquei enlouquecido com o fato de que qualquer besteira é marcada como "falta intencional" ou "anti-desportiva" (também fiquei enlouquecido com o relógio de 24 segundos que moscou na jogada final, e com os caras que enxugavam a quadra com um rodo de banheiro, mas disso eu falo mais tarde, com mais calma, provavelmente em um outro espaço que não o Bola Presa exatamente). Não acho que devam existir regras que inibam o jogo, que o amarrem e impeçam os jogadores de se expressarem. Apenas acho que devemos repensar o modo como lidamos com as atitudes de alguns jogadores. O Bynum vai defender o aro como puder, custe a quem custar, mas isso é legal? Deveria ser aplaudido? A maioria das pessoas dirá que isso está na regra, que é permitido e então pode, o que é um argumento surreal (você não mata porque não está na regra?), mas talvez isso já esteja por demais enraízado em nossa cultura esportiva. Mais importante, talvez, seja ver o outro lado: quando um jogador não tacar alguém no chão, quando não quebrar uma costela para vencer um jogo, talvez possamos entender isso apenas como uma faceta de sua personalidade, como o modo com que ele lida com o mundo, e não criticá-lo loucamente por ser frouxo, preguiçoso ou, como muito se diz na gringolândia, "soft".
O Yao Ming toma enterradas na cabeça? Legal. O Rasheed Wallace não quer bater pra dentro e enterrar, preferindo arremessar da linha de três pontos? Bacana. O basquete não é um mundo à parte, uma ilha isolada da vida humana, com regras que não se aplicam a mais nada no Universo. Ao menos um pouco, pensem no basquete como janela, e tenham certeza de que admiramos no mundo real inúmeras pessoas que passaram uma vida arremessando de três quando poderiam estar enterrando. Admiramos, seguimos e idolatrando gente que alcança seus objetivos sem quebrar costelas. Gente que deixa o outro enterrar, simplesmente porque vai ser legal.
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Danilo
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quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Lakers freguês
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Denis
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terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Temporada de caça
Quando Ron Artest e Tracy McGrady entraram em quadra juntos contra o Pistons, levando meu Houston à vitória, já imaginei que alguém iria se machucar feio. Trata-se do princípio de equilíbrio que demonstrei recentemente, depois da volta do armador Monta Ellis às quadras. Pois bem, dito e feito: alguém em algum lugar teria que se contundir e, para meu alívio, não foi Yao Ming, que deve voltar a jogar já na próxima partida. O azarado foi Michael Redd, a estrela do Bucks, que está fora da temporada com uma lesão grave no joelho justamente quando estava esquentando. Em janeiro, ou seja, nas últimas 14 partidas, as médias eram de 24 pontos e mais da metade dos arremessos convertidos. Para um arremessador, os números eram incríveis, mas também não fazia muita diferença porque, oras, o Bucks fede. Com o Andrew Bogut sofrendo a temporada inteira com dores nas costas e praticamente não jogando, e o Richard Jefferson mostrando que é mais uma viúva do Kidd (ou seja, um daqueles jogadores que ganham contratos bilionários porque parecem bons pra burro apenas por jogar com o Kidd - Mikki Moore, estou olhando pra você!), não havia nada que o Redd pudesse fazer sozinho. Verdade seja dita, com Bogut saudável, Jefferson bem e o Redd acertando qualquer coisa que tacasse pra cima, também não daria pra concretizar muita coisa, o time fede em essência - é tipo a Roberta Close, pode parecer linda, mas você sabe que tem alguma coisa muito, muito errada.
Ainda assim, a contusão é uma pena. Não apenas pela fase do Redd, que estava chutando traseiros como na sua passagem pela seleção americana e era a única diversão nos jogos do Bucks que eu acabava assistindo (porque os jogos do Leste começam antes e eu assisto a qualquer coisa pra não morrer de tédio), mas também porque, de um modo ou de outro, os veados roxos estavam indo para os playoffs. Agora que três dos quatro melhores times da NBA estão no Leste, muita gente deixa escapulir que é a Conferência mais forte, mas isso só vale para quem não tem paciência de olhar a tabela de classificação até o final. O Heat mequetrefe bem posicionado? Bucks arrumando uma oitava vaga? Pois é, tão forte quanto novela da Bandeirantes, não é porque tem a delícia da Juliana Silveira que dá pra levar a sério.
Enquanto no Oeste algum time considerável deve ficar de fora (Suns, alguém?), no Leste alguma equipe mequetrefe vai ter a honra de ser o capacho em que LeBron James vai limpar os pés na primeira rodada dos playoffs. O Bucks ia capengando mas ia, só que sem o Redd podemos descartar a possibilidade. Ontem, contra o Wolves, a estrela foi Richard Jefferson e seus 3 arremessos certos em 15 tentados. Ele já pode dar as mãos para o Kenyon Martin e pular num abismo, gritando o nome do Kidd, e dar adeus às chances de voltar aos playoffs tão cedo. O engraçado é que, se o Bucks despencar, uma série enorme de times horríveis podem conseguir agarrar essa oitava vaga. Ou seja, no fundo a briga no Leste vai ser muito boa, embora de qualidade questionável. Tipo uma maravilhosa luta no gel entre várias mulheres, mas todas pertencentes à banda Fat Family.
Na prática, todas as equipes (tirando o Wizards, que já desistiu da brincadeira faz tempo e já está muito interessado - talvez até demais - na primeira escolha do próximo draft) têm chances concretas de chegar à pós-temporada. Mas algumas são claras favoritas: o Nets, embora um leitor nosso ache fogo de palha; o Knicks, que ontem venceu o Houston, com o banco marcando mais de 50 pontos pela terceira vez consecutiva; e o Bobcats, que é o favorito do Denis pra conseguir a vaga. Vai ter gente dizendo que o Bulls e o Pacers têm chances reais, e até é verdade, mas fica difícil ver os dois times aguentarem o ritmo dos outros três acima. É uma corrida de cegos ajeijados, mas alguns pelo menos sabem pra que lado estão correndo.
No nosso preview de temporada da Divisão Central, rolou chororô porque colocamos o Bucks na frente do Pacers, lembram? No fundo acertamos em termos, o Bucks tinha mais time até o Redd virar farofa, mas agora é o momento do Pacers escalar a tabela e deixar os viadinhos roxos para trás. O Troy Murphy teve uma conversinha com os Monstars, do Space Jam, e pelo jeito conseguiu recuperar seu talento de jogar basquete, o TJ Ford está saudável de novo e o Mike Dunleavy finalmente retornou ao elenco depois de passar quase toda a primeira metade da temporada de fora. Ou seja, as peças estão aí para uma arrancada rumo aos playoffs, graças principalmente ao nível em que Danny Granger está jogando. Tenho algumas ressalvas aos seus números, porque ele sofre da "Síndrome de Kevin Durant novato", que é poder atacar quando e como quiser porque todo mundo vai passar a mão na cabeça e agradecer. "Senhor Granger, você arremessou do meio da quadra? Muito bem, senhor, faça de novo! Você assaltou três bancos, matou duas mulheres, vestiu sua cueca na cabeça e enfiou moedas nas orelhas? Muito bem, senhor, continue o bom trabalho!" Ainda assim, não dá pra negar que o Granger é agressivo, atlético, inteligente e tem uma mira privilegiada da linha de três pontos. Havia uma dúvida muito grande sobre se Granger seria uma estrela capaz de ter um time construído à sua volta, mas agora creio que nenhum fã razoável se pergunte isso de noite, antes de dormir. O Granger não é mais a estrela do futuro, ele é real e vai carregar esse time porcaria por muitos, muitos anos. Se isso é bom ou ruim, deixo para os torcedores do Pacers decidirem.
Mas como o Sindicato dos Blogueiros de Basquete que Não Ganham um Centavo exige que façamos palpites (e sequer nos dão um plano dentário ou cesta básica!), eu fico com o Knicks e, apoiando a aposta do Denis, tenho uma fé no Bobcats. Simplesmente porque são os dois times com mais identidade, mais conscientes do que estão fazendo, mesmo quando as coisas não dão nem um pouco certo. O Knicks tem a cara do D'Antoni, ataca sempre do mesmo jeito e no mesmo ritmo e, como o antigo Suns, vence os times medianos mesmo que não tenha muita chance contra os times de verdade. O Bobcats tem a cara do Larry Brown, defende cada vez melhor, e embora não tenha o talento ofensivo para derrotar os grandes times, consegue anular alguns ataques e sair vitorioso. Com Nets e Pacers tão inconstantes (eles não tem cara de nada, é tipo a Sandy!), com o Bulls jamais escapando da mesma deficiência (pare uma pessoa alatória na rua, pergunte a ela qual é o problema do Bulls, e se ela não perguntar se o Jordan ainda está jogando, a resposta será "pontos no garrafão") e com o Raptors sequer estando nessa conversa (o que diabos aconteceu com eles?), acho que a luta pela oitava vaga estará nas mãos dos elencos mequetrefes com técnicos experientes.
Os veados roxos estão com uma mira nas costas, e é temporada de caça a esses animais bizarros. Quem passar o Bucks primeiro estará com um pé nos playoffs, e a disputa será muito aberta. O Leste finalmente merece respeito: as equipes boas são boas de verdade, e as equipes ruins vão todas caçar a oitava vaga. No mínimo será divertido - menos pro Michael Redd, claro.
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Vídeo - Trilogia Steve Nash
O Nash chegou a fazer um trailer de filme com o Baron Davis. É um projeto que o Baron Davis estava envolvido em que as pessoas deveriam mandar trailers de filmes que não existem mas que seria legal se existissem. No deles, Baron e Nash são irmãos, andam de bicicleta e até dançam (o Nash é muito bom, diga-se de passagem!). Vale a pena dar uma olhada, é hilário!
Anos depois, nos playoffs de 2006, o Kobe repete a dose com a famosa enterrada que alimentava toda discussão sobre quem deveria ter sido MVP daquela temporada. Quem gostava do Nash dizia que era o canadense, quem gostava do Kobe mandava esse vídeo pra galera.
Por fim, nesse domingo o Josh Smith fechou a trilogia Steve Nash com a melhor enterrada da temporada. Deveriam mandar o Rudy Gay ir passear e levar de novo o J-Smoove para o campeonato de enterradas.
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Denis
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Está chegando a temporada das trocas
Esse ano deve ser diferente em quantidade, não devemos ver tanta gente boa assim mudando de time, mas devemos ver sim algumas trocas. Os times não resistem e ao chegar a data-limite de trocas em fevereiro, alguns times insatisfeitos mexem algumas peças em busca de um elenco melhor para ir aos playoffs ou de espaço salarial nas próximas temporadas.
Boatos e suposições são a base da imprensa esportiva americana, então material pra gente ficar imaginando não falta. Vamos dar uma olhada no que dizem por lá pra ver o que deve acontecer, o que não deve, e o que deve acontecer mas não deveria.
Shawn Marion por Jermaine O'Neal

Como o Suns não deve aceitar o Marion de volta pelo Shaq, uma solução é o outro O'Neal. O time ficaria melhor do que é hoje, sem dúvida, o Danilo já até falou sobre isso aqui no blog, citando o dia em que o Yao arrasou o Heat só porque ele é grande. Com o Jermaine lá o Heat teria alguém pra jogar de pivô. Mas será que o Jermaine ia durar quanto tempo até se machucar? E mesmo se não se machucar, iria jogar bem o bastante pra levar o Heat até onde? Será que faria o Heat ser mais do que é hoje, sexto no Leste? Acho que não.
Com ou sem Jermaine, o Heat é time pra perder na primeira rodada dos playoffs. Melhor seria manter o Marion, deixar ele sair como Free Agent no fim da temporada e usar o espaço salarial pra pegar alguém melhor. Ou ainda arranjar algum outro pivô que esteja dando sopa por aí.
Shawn Marion por Brad Miller ou Chris Kaman
Dizem que o Kings quer se livrar do Brad Miller enquanto ele tem algum valor para conseguir bons jogadores ou salários expirantes em troca. Eles tem o promissor Spencer Hawes no banco que é um clone em desenvolvimento do Brad Miller, então podem se dar ao luxo de trocar um pivô. O único problema é que no ano que vem o Marion dá o fora de lá e ninguém vai pegar o lugar dele no Kings, nem por um salário enorme. Já o Clippers está numa cidade grande, o que atraiu o Baron Davis e pode atrair outros trouxas que não sabem que jogar no Clippers pode causar câncer. Então, para eles, ter o salário expirante do Marion é uma boa, eles podem se livrar dele na temporada que vem e usar o espaço salarial para contratar jogadores para o banco de reservas, já que o time titular com Baron Davis, Eric Gordon, Thornton, Randolph e Camby é bem promissor.




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Denis
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sábado, 24 de janeiro de 2009
Uns vão, outros vem
Varejão mantém a fama dos brasileiros deserem um povo caloroso e amigo
(enquanto seu cabelo mantém a fama
de que "o que aqui se planta, tudo dá")
Assim é a vida: enquanto um perde, outro ganha; enquanto um sai da enfermaria, outro se contunde; enquanto um beija a Alinne Moraes, outro dá uns amassos na Preta Gil. É como se o Universo fosse uma equação tentando se balancear. Por isso, quando vi que, repentinamente, Monta Ellis voltaria de sua polêmica contusão para participar da partida de ontem contra o Cavs, fiquei preocupado. Alguém em algum lugar provavelmente iria se machucar feio, e as chances eram boas de que seria no Clippers, no Jazz ou no Houston.
O Clippers, como sabemos, é completamente macumbado e nada lá jamais pode dar certo. Baron Davis, Chris Kaman e Marcus Camby fazem turnos para ver quem fica contundido de cada vez, e se os três ficarem saudáveis ao mesmo tempo o espaço-tempo irá implodir. O Jazz não tem um histórico de contusões mas nessa temporada o negócio está feio, e não há oração mórmon que resolva: Carlos Boozer está de molho, Deron Williams passou um bom tempo fora, o surpreendente Paul Millsap volta e meia se machuca e o Kirilenko vez ou outra não pode sair do banco. Parece que todo mundo no elenco já passou algum momento dessa temporada na lista de contundidos, de verdade - mas dá preguiça de ir checar. Já o Houston não preciso nem falar, McGrady não teve um jogo saudável na temporada e resolveu descansar o joelho de vez, Ron Artest sofre com um tornozelo e Shane Battier com um pé inflamado. Não faz muito tempo em que comentei a fase do Houston como o eterno aguardo da derradeira contusão, a de Yao Ming, que cedo ou tarde teria que acontecer. Ou seja, Monta Ellis voltando para as quadras, meu Rockets enfrentando o Pacers, e tudo na mesma noite. Mal sinal.
Para provar que um raio cai quinze vezes no mesmo lugar, principalmente se esse lugar for um pivô chinês gigante, Yao Ming tomou uma trombada no joelho e, embora tenha tentado voltar pra quadra mesmo assim, nao conseguiu retornar para o segundo tempo. Embora os exames não tenham mostrado complicações, a pancada foi forte e todo mundo sabe que o chinês é feito em Taiwan, então tenho razões para me desesperar. As coisas até que estavam indo bem em Houston apesar das contusões, Yao estava tendo grandes partidas, o time estava usando o gigante como deveria e as vitórias estavam acontecendo. Mas pedir pra vencer o Pacers sem T-Mac, Artest e Yao é chutar o pau da barraca, quero ver o Spurs ganhar qualquer coisa sem Duncan, Parker e Ginóbili!
O causador de tudo isso foi Monta Ellis e sua recuperação alienígena, que obrigou o Universo a se balancear subitamente. De um dia pro outro, Ellis voltou a treinar com o time em jogos leves e, de repente, avisou que estaria em quadra contra o Cavs, foi titular e não sentava para descansar durante o jogo! Muito se falou, quando o Monta se machucou andando de motinho, do Warriors cancelar seu contrato milionário, principalmente porque existiam dúvidas sobre se sua condição física voltaria a ser a mesma. Então o sujeito foi de ter sua saúde em dúvida para jogar 34 minutos no primeiro jogo depois da sua contusão! Não importa quão bem o Monta Ellis esteja, não me interessa que ele esteja enterrando como nos velhos tempos, o Don Nelson deve ser retardado pra colocá-lo para jogar tantos minutos logo de cara. Ah é, tinha me esquecido: o Don Nelson É retardado, e a água é molhada. Continuemos.
O Monta Ellis começou o jogo um tanto enferrujado mas rapidinho voltou a ganhar ritmo e pareceu cada vez mais retomar a confiança no próprio físico, acelerando mais e mais o seu jogo, quase alcançando a velocidade da luz que lhe era tão comum uns tempos atrás. Mas o mais engraçado é que o Warriors fede tanto que, apesar de terem trocado por um armador principal (o Jamal Crawford) de modo que o Ellis não tivesse que ser improvisado na posição, como era a idéia original no começo da temporada, o Crawford se contundiu e a improvisação teve que acontecer mesmo assim. Parece que essa coisa de equilíbrio no Universo acontece lá dentro do próprio Warriors mesmo.
Com a volta do jogador que deveria ser sua estrela, o Warriors deu sinais de ânimo e teve uma boa partida contra um dos melhores times da NBA. Mas, quanto mais o jogo parecia destinado a um placar apertado, maiores eram as chances de derrota no quesito probabilidade: o Warriors vinha de derrota no último segundo para o Thunder num arremesso espírita do Jeff Green, e antes havia perdido também num arremesso de último segundo para o Kings, graças ao John Salmons, num jogo de três prorrogações. Como diria minha mãe depois de ler O Segredo, "a gente atrai aquilo de que a gente tem medo", e eis que o Warriors se viu ganhando por um ponto mas com a última posse de bola nas mãos do Cavs. Parece até piada. Bola para LeBron, e o resultado vocês podem ver no vídeo abaixo:
Fora o arremesso, o vídeo tem tantos momentos bons que vou até dividir em ítens:
- o Turiaf marcando o LeBron, provavelmente porque ele é o único na equipe que sabe soletrar "defesa" e é capaz de levantar os braços
- o Varejão correndo pra cima do LeBron para comemorar e quase atropelando o Turiaf no processo
- a garota vestida de havaiana (não o chinelo, por favor!) empurrando os jogadores do Cavs e depois mandando eles embora, e tudo rindo
- o Maggette em sua pose "O Pensador"
- o Andris Biedrins com sua moda "Jade"
- o Monta Ellis e sua cara de "pra quê que eu fui voltar pra essa budega?" enquanto aguarda o replay
Ou seja, a volta do Monta Ellis foi ótima, seus 20 pontos foram impressionantes e ele mostrou ter um fator de cura mutante que ajudará a fazer valer o contrato estratosférico que ele assinou antes da temporada começar (se for demitido, pode tentar uma vaga nos X-Men). Mas ainda falta muita coisa para o Warriors ser um time e não um circo - quem sabe um pouco de consistência e menos narizes de palhaço?
Mas o Ellis não é o único que veio, e o Yao não é o único que foi. O técnico Marc Iavaroni, que estava apenas em sua segunda temporada no Grizzlies segurando um punhado de cocô na mão e tendo que fazer um bolo de chocolate, foi - pro saco. Eu até tinha uma certa vontade de conhecer o sujeito mas não deu tempo, alertamos sobre o potencial do Grizzlies e talvez por isso fosse importante passar a mensagem de que perder o tempo todo não será algo tolerado. Era inevitável, um técnico inexperiente guiando um time porcaria só poderia ser prejudicial para o próprio técnico, era uma situação em que ele só tinha como sair perdendo. Pro time, não fazia muita diferença mesmo quem estivesse no comando.
Já pelo lado dos que estão vindo - no caso, para os playoffs - acrescente o Bobcats. O Denis acabou de falar sobre a equipe e o impacto que tiveram nela Raja Bell e Boris Diaw. Ironicamente eu acabei de falar sobre o Suns e como eles viraram farofa recentemente, e aí está: um sobe, o outro desce. O Bobcats de Boris Diaw engoliu o Suns vivo, quer dizer, se você considerar que o Suns estava vivo depois de perder para o Knicks. O Shaq teve mais uma boa partida e ainda assim conseguiu ser pessimamente utilizado, o time tem menos identidade do que figurante da Malhação e até o Nash deu uma air ball que ficou mais perto de acertar a cabeça de um mesário do que de bater no aro, o que é sinal do fim dos tempos. Para o Universo se equilibrar, para um time lendariamente horrível como o Bobcats chegar aos playoffs, um time sensacional precisa ir para o lixo. Pois então chamem a vigilância sanitária, alguém precisa enterrar o Suns porque o corpo já tá fedendo. Nem meu Houston, que é amaldiçoado, passa tanta vergonha assim.
Mas, como sempre, vale finalizar relembrando que a maldição do Houston cada vez mais parece fichinha perto da maldição dos ladrões de franquia, o time outrora-conhecido-como-Sonics! Lembram como eles perderam trocentos jogos no último segundo como punição por terem se transformado no Thunder? Pois essa maldição vingativa consegue ser mais forte até do que a maldição do Clippers!
O primo amaldiçoado do Lakers jogou sem Zach Randolph, Baron Davis, Marcus Camby e Chris Kaman, todos machucados. Jogadores que estavam tapando buraco também se lascaram, como Brian Skinner, Mike Taylor e até o Mardy Collins, que saiu ainda no primeiro quarto contundido. Como ganhar um jogo assim? Pra piorar, Ricky Davis teve que ser o armador principal titular, e todo mundo sabe que sua simples presença em quadra significa milhões de arremessos sem sentido, nenhum passe para companheiros e uma derrota garantida no currículo. Some isso à melhor partida da carreira do Kevin Durant, com 46 pontos, 15 rebotes e 24 lances livres certos em 26 tentados, e teríamos uma vitória fácil para o Oklahoma! Não foi o bastante: o Ricky Davis causou fissuras no Universo errando todos os seus 6 arremessos mas dando 11 assistências (sem nenhum desperdício de bola!) e o novato Eric Gordon fez 41 pontos, acertando 12 de 19 arremessos. Não adianta, esse tal de Thunder não pode vencer. Mas é bom que o Eric Gordon saia do Clippers o mais rápido possível, ele é bom demais e, assim que um jogador voltar de contusão, é bem possível que o Eric Gordon acabe se lesionando. Isso ou o Shane Battier vai quebrar o cotovelo num acidente jogando peteca em Houston. Torcedor de time amaldiçoado sofre!
BolaPresa.com
Nosso endereço, bolapresa.com, voltou a funcionar normalmente! Matamos dois burocratas, três telefonistas, três cabras e dois coelhos, mas tudo agora já está de volta ao que era antes. Não precisa mais ficar procurando no Google, tentando lembrar como se digita "blogspot" e nem procurando a gente no Orkut pra saber o que aconteceu! Aproveite a deixa e bata na porta da sua vizinha gostosa, diga que nosso endereço está funcionando outra vez, e quando ela te olhar com aquela cara de "que diabos esse fedelho está falando", lasque um beijo na garota. Se der certo, o primeiro filho terá que chamar Yao Ming, combinado?
Aproveitem a volta do endereço, visitem diariamente e espalhem para os amiguinhos!
Defenestrado por
Danilo
por volta das
19:21
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Esses novatos nunca aprendem
Mas não, o novato não cumpriu sua obrigação e pagou o preço.
Teve seu carro inundado com... pipocas.
Defenestrado por
Denis
por volta das
14:49
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Labels: jason thompson
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
O feitiço contra o feiticeiro
É oficial: o Suns acabou. Está morto, terminado, podre e enterrado, embora ainda esteja passeando por aí, tipo o Silvio Santos. Um elenco cheio de estrelas, de possibilidades, de potencial, mas pode pegar tudo fora e tacar na privada. Se alguém ainda tinha qualquer resto de esperança de que esse Suns poderia dar certo, a derrota para o Knicks destruiu.
Na pré-temporada, escrevi como o Knicks não passava de uma cópia paraguaia do antigo Suns. Agora, as coisas mudaram. O Knicks ainda fede, porque algumas coisas são sempre as mesmas, mas todo o elenco absorveu bem o esquema tático do técnico D'Antoni e, mais assustador ainda, parece se sentir inteiramente à vontade na correria. Não existe mais afobação, embora os jogadores ainda não sejam gênios da física e o Quentin Richardson não saiba diferenciar uma bola de uma batata, e dá pra ver o time jogando com inteligência apesar de todas as evidentes limitações.
Lembro-me bem de que, quando o Mike D'Antoni foi contratado pelo Knicks, se apaixonou perdidamente pelo Jered Jeffries, que quinze minutos depois se contundiu sério e ficou meses de fora. O Jeffries era um ala que jogava na posição 3 no Wizards, ou seja, um "ala pequeno", capaz de fazer um pouco de tudo - o que também significa que ele não sabe fazer nada realmente direito. A campanha em Washington até que tinha sido promissora, ele tinha tamanho (2,11m) e volta e meia mostrava sinais de talento. Poderia ser um bom reserva em alguma equipe, quem sabe, mas o débil mental do Isiah Thomas foi lá e ofereceu um contrato de 6 gordos milhões para o rapaz, que deve ter pensado que era véspera de Natal. Desde então o Jeffries não tinha jogado nada, sempre contundido ou fedendo, e me assustei um pouco com o D'Antoni se impressionando com ele. Agora que ele está saudável, tudo faz um pouco mais de sentido: Jared Jeffries está jogando de pivô, apesar de ter o físico da Olivia Palito, correndo como um retardado em quadra, e marcando os armadores adversários na defesa.
Na partida contra o Suns, o pivô Jeffries era o responsável por marcar justamente o Steve Nash. Foi aí que eu percebi que o D'Antoni é completamente maluco e, talvez por isso, completamente genial. Ele está disposto a qualquer coisa para aproveitar da melhor forma possível a porcaria do elenco que tem em mãos, abraça uma filosofia de jogo e vai com ela até o final, custe o que custar. Mesmo não dando muitos resultados, o Knicks sabe qual é a proposta, quais são as regras da brincadeira, e leva isso a sério. Todo mundo no elenco sabe o seu papel, sabe como deve correr e em que situações deve arremessar. As loucuras, como colocar o Jeffries no Nash, são consistentes e fazem parte da imagem que o time tenta abraçar para si. Ou seja, fedendo ou vencendo, o time tem uma identidade e acredita nela - o elenco parece confiar no plano e no D'Antoni, que é seu mentor. Quando está dando tudo errado e as bolas não caem, o Knicks continua jogando da mesma maneira, numa estranha confiança de que, cedo ou tarde, as bolas vão cair, tudo vai dar certo e a Alinne Moraes vai chover dos céus em seus colos. Em geral sequer dá certo, mas eles continuam, assim com o Suns mantinha o estilo de jogo e atropelava todos os times mais-ou-menos, que não sabiam exatamente o que estavam fazendo em quadra.
Pois bem, na noite de ontem o Knicks manteve o estilo e o Suns foi o time mais-ou-menos que não sabia exatamente o que estava fazendo em quadra. Foi até vergonhoso ver como Duhon e David Lee fizeram à exaustão a mesma jogada que Nash e Amaré tanto aperfeiçoaram nos últimos anos, como se fosse algo simples que qualquer um pode fazer se tiver o esquema tático certo. Creio que a derrota para o Knicks deve ter abalado o ego de todos os jogadores do Suns, porque foi como demonstrar que seus feitos não eram méritos pessoais, mas sim ação de D'Antoni. Sabe aquele pick-and-roll, aquela ponte-aérea, a corrida por baixo da cesta, os arremessos livres de três pontos, as enterradas na cabeça? Deixam de ser mérito de Nash e Amaré se um zé ninguém como o Duhon consegue simulá-las com perfeição. Como será que o Amaré se sentiu vendo David Lee exercer perfeitamente a função que o próprio Amaré deveria estar exercendo? Foram 25 pontos e 16 rebotes para o Lee, o suficiente para que o Stoudemire sentisse que não é nem um pouco especial, que era apenas uma parte de uma engrenagem. Atores diferentes na mesma peça, e talvez o sucesso de todos fosse culpa apenas da peça, afinal de contas.
Mas também não pode haver exagero, claro, não há nem dúvidas de que o Nash é bilhões de vezes melhor do que o Duhon. Todo o elenco do Suns é superior em todos os aspectos que você quiser encontrar, a não ser no aspecto "peso corporal" porque o Eddy Curry e o Jerome James elevam demais a média da equipe e a tornam a de um planeta pequeno do Sistema Solar. Mas nem sempre o talento pode impor-se em quadra de modo a causar uma diferença. O que prevaleceu foi o elenco pior, utilizado de forma mais inteligente. Com o Jeffries marcando o Nash (que, portanto, não seria capaz de acertar um arremesso sequer) todo os jogadores do Knicks tiveram que "subir uma casa" na hora de defender. Ou seja, o Duhon marcava o Jason Richardson, e na outra ponta o David Lee marcava o Shaq. Bastaria saber utilizar essa desvantagem física e o Suns teria deitado e rolado, mas não foi o caso. O time pior impôs seu estilo de jogo, suas regras, e venceu.
Para ser justo com o Suns, confesso que eles pareciam mais confiantes nas propostas do Terry Porter do que de costume. No começo do jogo, em especial, tentaram um basquete mais focado no garrafão, deixando a bola nas mãos do Shaq - que é o velhinho mais ativo desde que o Hugh Hefner descobriu o Viagra. Quando abriram 13 pontos de vantagem, achei que finalmente aquele papo de jogo cadenciado e defesa tinha entrado na cabeça do pessoal de Phoenix. Mas rapidamente as bolas do Knicks começaram a cair, a defesa do Suns se desmantelou e dava para sentir o quanto eles desconfiam de que o Porter é um cego no meio de um tiroteio. O ritmo do jogo subiu demais, todo mundo no Suns começou a arremessar pra burro, e colocar a bola nas mãos do Shaq se tornou, repentinamente, uma tarefa mecânica, artificial. É como se tivesse dado saudade dos tempos de D'Antoni, como se eles achassem que era daquele jeito que iriam vencer o jogo.
Foi um duelo de confiança nos técnicos, e pelo jeito as duas equipes confiavam plenamente no D'Antoni, que acabou saindo como o grande vencedor da noite. O Suns tomou goela abaixo tudo aquilo que costumava fazer tão bem, e se negou a jogar pacientemente, com confiança, no estilo novo que deveria estar consolidado na equipe à essa altura do campeonato. O time de Phoenix é como uma adolescente em crise de identidade, não sabe se vira punk ou emo, se come soja ou bife, se beija meninos ou meninas. Ainda mantenho a opinião de que esse Knicks fede, de que o elenco é um circo de pulgas, e de que eles vão perder muito ainda nessa temporada. Mas temos que reconhecer não apenas o talento do D'Antoni, que agora surge cada vez mais como a alma daquilo que chamávamos de Phoenix Suns, mas também o comprometimento desse Knicks com sua filosofia. É com isso que eles vão ganhar de muitos times mais-ou-menos, e perder de muito time bom que conseguir impor seu próprio ritmo. Mas quem quiser correr contra a equipe de New York tem tudo para se dar muito mal, o que na prática significa a) vitórias contra os times que não interessam; b) derrotas para o Spurs, sempre, não importa o que aconteça.
O Suns tem um elenco incrível, o Shaq na melhor forma desde que foi campeão com o Heat, jogadores de perímetro e de garrafão, jovens e experientes. Mas pelo jeito não vai conseguir sequer ir para os playoffs se não aprender a utilizar todas as peças e dar qualquer tipo de identidade pra essa equipe. Se o Leandrinho jogar dois minutos num dia, vinte no outro, vai continuar sendo terrivelmente inconsistente e sem saber o que fazer em quadra. Afinal, ele deve armar e colocar a bola no garrafão, penetrar como um maluco ou arremessar de três pontos? Qual é, afinal, sua função? O Leandrinho deve sentir muita falta dos tempos de D'Antoni, em que antes de cada jogo ganhava uma série de anotações, em papel, delimitando apenas seu papel em quadra. Bons tempos aqueles, do basquete criativo, espontâneo, dava pra brincar de pião na rua e o Suns ia para os playoffs perder para o Spurs. Agora, Nash não será MVP e o Leandrinho não será o melhor Sexto Homem - afinal, não se premia equipes que acabem em nono lugar no Oeste.
O D'Antoni, por sua vez, também não levará o Knicks a lugar algum e não será Técnico do Ano. Mas sua visão ofensiva é poderosa, o time acredita nela, e talvez falte apenas uma grande estrela (não vai ser o LeBron, crianças, desculpe) para que o time deslanche de vez. Ainda quero, contra a lógica, acreditar que a loucura do Knicks pode chegar a algum lugar sem se preocupar com defesa e essas coisas de maricas. Talvez minha esperança seja simplesmente o fato de que o Spurs está na outra conferência - motivo mais do que suficiente para o D'Antoni respirar aliviado.
Defenestrado por
Danilo
por volta das
21:07
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Labels: david lee, duhon, jeffries, nash, New York Knicks, quentin richardson, shaq, Suns





