quarta-feira, 28 de julho de 2010
Em busca do pivô perfeito
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terça-feira, 27 de julho de 2010
Novos começos
A saída de LeBron James não significa para o Cavs apenas a perda de sua maior estrela, ela também explicita quão desastrosa foi a montagem desse elenco com o passar dos anos e como todo o time está impossibilitado de fazer qualquer coisa em quadra sem LeBron. Não há como negar que o time funcionava perfeitamente e era um dos mais fortes da NBA, mas sempre foi óbvio que o Cavs conseguia jogadores aleatoriamente apenas para rodear LeBron, sem qualquer critério ou esquema tático em vista. Quando Mo Williams foi contratado, era um jogador fominha que havia levado seus companheiros de Bucks à loucura, não existia motivo algum para que ele se encaixasse no Cavs. Suas limitações na armação sempre forçaram LeBron a iniciar a maior parte das jogadas, seus arremessos precipitados sempre forçaram LeBron a manter a bola pouco em suas mãos. Com essas rédeas Mo Williams rendeu muito bem, enlouqueceu pouca gente, ganhou vários jogos, fez poucas cagadas. Agora, de repente, tornou-se um dos únicos pontuadores da equipe e o único armador capaz de carregar a bola. É como se a Preta Gil fosse a única mulher da Terra e não houvesse outra solução além de casar com ela, mas seus desastres físicos ficassem por isso mesmo mais evidentes. Como dizemos por aqui, em terra de cego quem tem um olho é caolho.
Os engravatados do Cavs sabem da merda que os espera. Depois de chorar muito na cama, tomar sorvete direto no pote, ouvir muita música emo, xingar muito no Twitter e dizer que o Cavs vai ganhar um anel de campeão antes do LeBron, a primeira coisa que fizeram foi ir atrás de um armador puro. Se esse time ficar sob responsabilidade da armação de Mo Williams, será um desastre terrível - apenas ampliado pela falta de qualidade do resto do elenco. O primeiro armador que tentaram contratar foi, acertadamente, Kyle Lowry. Como torcedor do Houston sei muito bem como ele chuta traseiros, defende como poucos na liga, tem uma visão incrível de jogo e toma sempre as decisões mais simples possíveis, sem frescura. Ele é indicado para treinador que não quer ficar de saco cheio e nem derramar uma única gota de suor, Lowry não precisa receber ordens, vai sempre colocar a bola nas mãos do jogador certo, só vai arremessar se fizer sentido, só vai bater pra dentro se houver espaço. Apesar de ser reserva no Houston porque o titular Aaron Brooks é o mais perto que o time tinha de um pontuador, bastou que o Lowry se contundisse para que o Rockets entrasse numa triste sequência de derrotas humilhantes. É simples assim, o time não funciona sem ele. Suei frio com a possibilidade de sua saída, tive pesadelos em que o Ilgauskas vinha em câmera lenta e roubava o Lowry de mim (pensando melhor ele não estava em câmera lenta, o Ilgauskas se move nessa velocidade na vida real), mas o Houston fez a coisa certa e igualou o contrato. Obrigado, time querido!
Não sobraram muitos armadores puros por aí, mas o Wolves está sempre disposto a fazer uma troca bizarra que ninguém entende. Ontem, mandaram Ramon Sessions, Ryan Hollins e uma escolha de segunda rodada do draft em troca de Delonte West e Sebastian Telfair. É até um pouco engraçado: na prática o Cavs mandou dois armadores problemáticos e incapazes de assumir a armação de uma equipe em troca de um armador que, no mínimo, merece uma chance de tentar.
Falamos bastante por aqui do Delonte West, sempre torcendo para que ele conseguisse passar por cima de seus problemas pessoais. Há anos luta contra sua depressão crônica, falou bastante sobre ela - clamando para que as pessoas entendam que depressão não é escolha, é doença - e volta e meia está envolvido com problemas em seu bairro natal, cheio de pobreza, drogas e criminalidade. Foi preso recentemente por portar uma porção de armas enquanto andava de triciclo por aí (caso que abordamos longamente num post da época) e somente agora saiu sua condenação, que envolve prisão domiciliar, horas de serviço comunitário e tratamento psicológico. A NBA deve suspendê-lo por vários jogos, nessa mania imbecil de botar a colher na vida pessoal dos jogadores, mas a prisão comum lhe permitirá participar dos jogos normalmente. O problema é que o Cavs cansou dessa bagunça toda. Deram todo o apoio possível, inclusive financeiro, e arcaram com a encrenca toda vez que o Delonte se auxentava graças à depressão ou algum outro problema pessoal. No fim, entenderam que não dá para vencer a realidade. O jogador é quem ele é, nasceu onde ele nasceu, e não há nada que possa ser feito para arrancá-lo bruscamente da realidade que o sufoca. Muito progresso foi feito, mas muitos passos para trás também ocorreram. Numa NBA cada vez mais aterrorizada com a ideia de mostrar a origem dos jogadores e os problemas reais fora das quadras, Delonte West não tem muitas chances. Comentamos no post do link acima que os problemas de Jamaal Tinsley com armas fizeram com que não arrumasse mais emprego na NBA e torcemos para que o mesmo não ocorresse com o West. Com informações chegando de que o Wolves mandou o armador embora (seu contrato não era inteiramente garantido caso fosse despedido antes de agosto), parece que Delonte West é mais um para as estatísticas de jogadores soterrados por seus problemas pessoais. Uma pena, porque jogava bem, era inteligente, bom arremessador. Vamos torcer para que arrume um time e não tenha que ir vender pipoca.
Sebastian Telfair não fica muito longe disso. Era um gênio nos seus tempos de colegial, um dos melhores armadores que já vi, mas resolveu não ir para a universidade, pulou direto pra NBA, teve problemas de imaturidade e postura em quadra, brigas com companheiros, desentendimentos com técnicos, falta de vontade nos treinos, prisões por armas e por drogas, e no fim nenhum time lhe deu os minutos necessários para que pudesse fazer alguma coisa. Na única temporada em que jogou pra valer estava no Wolves e chutou muitos traseiros, embora tenha mostrado que é incapaz de defender qualquer um. Mereceria uma vaga de reserva em qualquer time da NBA, mas quem está disposto a lhe dar essa chance? Seu tempo no Cavs foi curto e, dizem, cheio de desgosto de ambas as partes. Sua volta ao Minessota também tem planos de ser passageira, com o Wolves querendo mandá-lo embora ou trocá-lo imediatamente. O coitado não vai ter, de novo, a chance de mostrar que joga bem pra burro.
Eu defendi longamente o Kahn dia desses, dizendo que era cedo demais pra chamar o engravatado do Wolves de burro, mas o cara não ajuda. O que ele fez foi basicamente se arrepender de ter assinado um contrato grande com o Ramon Sessions (motivado por aquela vontade doente de usar dois armadores puros em quadra ao mesmo tempo) e então trocá-lo junto com o Ryan Hollins, que é um belo pivô quebra-galho, por dois jogadores que ele só queria mandar embora para liberar mais teto salarial. Uma troca apenas para desfazer sua cagada e começar o Wolves de novo pela milésima vez. Tem até certa razão, esse lance de usar o Flynn e o Sessions juntos nunca funcionou, ele ainda espera que o Ricky Rubio venha jogar na temporada que vem, acabou de contratar o Luke Ridnour, então tinha que se desfazer do contrato que assinou com o Sessions. Mas trocá-lo por coisa nenhuma não vai fazer com que ele ganhe nenhum Nobel da Física, diabos! A política do Wolves continua clara: perder bastante, não ter vergonha disso, e pagar o mínimo possível de salário enquanto isso acontece.
Para o Cavs, foi um presentão de graça, tipo a Larissa Riquelme no Paparazzo. O Ramon Sessions é aquele armador que era reserva do Mo Williams no Bucks e, quando o Mo se machucou, o Sessions assumiu a vaga de titular e deu 24 assistências num jogo, marcou 44 pontos em outro, fez um triple-double com 16 assistências em outro, e assim por diante. Chutou traseiros pra valer, o elenco do Bucks sentiu o gostinho de finalmente tocar na bola, e aí a situação do Mo Williams fominha ficou insustentável por lá, com ele sendo praticamente expulso do time pelos companheiros. Curiosamente, o Sessions - que assinou com o Wolves pra ser titular mas não teve muitas chances de jogo porque a ordem da casa era deixar o Flynn aprender na marra - vai agora para o Cavs jogar de novo com o Mo Williams. Apenas espero que não seja para ser reserva outra vez! O Sessions não é um arremessador maravilhoso, mas sabe quando arremessar, infiltra bem, é excelente reboteiro, bom nos contra-ataques e tem uma visão de jogo simplesmente espetacular, dá pra confiar as jogadas de um time em suas mãos. Se jogar ao lado do Mo Williams, vai pelo menos limitar um pouco o tempo que o Mo passa com a bola nas mãos e impedir que ele arremesse em exagero. Se for reserva do Mo, então podemos esperar que em breve o Cavs ame o Sessions de paixão e dê uma sova no Mo Williams, expulsando ele do time pra aprender a não ser otário.
Conseguir o Sessions foi enorme para o Cavs, mas também não deve fazer milagre. O time precisa entender que a melhor saída agora é simplesmente feder por uns tempos. Assinar o Varejão por 7 milhões de dólares pareceu uma boa ideia quando significava manter o elenco intacto em volta de LeBron (quer dizer, para alguns foi cagada mesmo na época), mas agora fica evidente o tamanho da merda. Trocar por Jamison foi legal quando era a peça final pra ganhar um título, agora é só um contrato de mais de 13 milhões que vai durar ainda dois anos. Mo Williams rendeu e foi até All-Star quando estava controlado, agora é um fominha que ganha 9 milhões de dólares. É um time muito caro com jogadores limitados, aleatórios, que não combinam, e não adianta gastar qualquer grana que eles tenham tentando contratar mais alguém. Resta dar a armação pro Sessions, estabelecer o estilo de jogo do novo técnico Byron Scott (altamente focado na armação e no cadenciamento do jogo), criar um time organizado, e perder. Imagina que legal se eles conseguem a primeira escolha do draft do próximo ano, o cara se torna uma estrela, e aí encerram-se os contratos de Jamison, Mo Williams e Varejão. Se o time for organizado e Byron Scott tiver feito um bom trabalho, conseguirão contratar um novo elenco em volta de seu novato e terão seu novo LeBron James. Na temporada de 2002, os torcedores do Cavs iam para o ginásio com placas "Percam por LeBron", foi o que o Cavs fez, e deu tudo certo. Agora, começa a tática de novo, mais uma vez. Em uns 10 anos, devem ter que fazer de novo quando o tal novato-estrela for jogar com os amiguinhos em outro time, mas de todo modo é melhor do que ficar tentando remendar o estrago com mais contratos horríveis e apressados. É a lição definitiva, crianças: não sejam o Detroit Pistons.
O plano do Wolves também deve ser perder sem medo por uma boa escolha de draft, mas como tudo dá sempre errado para os lobinhos, a troca idiota já começou mal: ao trocar Sessions, que não ia ser usado mesmo, por dois armadores que devem ser mandados embora para economizar dinheiro, o Jonny Flynn foi pra cirurgia e deve perder vários meses na recuperação. Ou seja, agora o Wolves não tem armador reserva (o Ridnour vai ter que assumir a armação quando a temporada começar) e talvez tenha que manter o Telfair a contragosto. Nem as cagadas que eles fazem dá certo, é incrível. Mas vejam pelo lado positivo: pelo menos o Wolves não paga milhões e milhões por Jamison e Varejão. Às vezes, é melhor economizar.
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segunda-feira, 26 de julho de 2010
Chance perdida

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Denis
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sábado, 24 de julho de 2010
Summer Leagues - O resto

Apesar de estar jogando pelo Mavs, Lin não tinha vínculo nenhum com o time, e ganhou o interesse também do Lakers e do Warriors. Em entrevista ainda na faculdade já havia dito que o seu sonho era de jogar pelo time do coração, o Golden State, e acaba de finalizar um contrato de dois anos com eles. Com contrato assinado, Lin passa a ser o primeiro jogador a sair da Ivy League em 8 anos e segundo jogador da história da NBA a ter saído de Harvard, o último foi Ed Smith em 1953.
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sexta-feira, 23 de julho de 2010
Summer Leagues - Os veteranos
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Denis
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quinta-feira, 22 de julho de 2010
Aceitando feder
Quando o Wolves resolveu finalmente trocar o Kevin Garnett, parabenizei a franquia. Não tem nada mais horrível para um time da NBA do que ser exageradamente mediano, ter um elenco grotesco, uma baita estrela que consegue segurar as pontas, brigar desesperado por uma classificação para os playoffs e perder sem chances na pós-temporada. O formato da NBA é brutal com os medianos, com os times que não estão brigando por título e nem são ruins o bastante para conseguir bons jogadores no draft. Basta uma ou duas cagadas com contratações desesperadas para sair desse limbo e uma equipe pode ficar trancada por anos a fio nesse grupo intermediário que não fede nem cheira. É preciso muito culhão para desmontar um time desses, no entanto. Uma equipe que vai aos playoffs todo ano, mesmo sem chances de fazer estragos por lá, tem dificuldades em explicar para os torcedores que o time vai feder de vez por uns tempos. Pior ainda é quando a equipe quase vai para os playoffs mas não consegue por uma ou duas posições, e fica aquela impressão de que só falta um jogador para que eles cheguem lá. Mas se chegarem finalmente aos playoffs, vão conseguir ganhar por lá? Essas equipes ficam condenadas à uma esperança que não se transforma em nada até que alguém jogue tudo fora e resolva começar de novo.
Se o David Stern tem razão e nenhuma equipe da NBA conseguiu ter lucro nos últimos tempos, não faz sentido manter uma equipe que não vencerá títulos, te dá prejuízo e não tem esperanças de melhora. A melhor saída é feder bastante para conseguir boas escolhas de draft, encerrar todos os contratos longos e imbecis que foram assinados, esperar a pirralhada amadurecer, e então assinar grandes estrelas para formar um elenco decente. Trocentas equipes da NBA seguiram esse plano especialmente esse ano, com vários times liberando muito espaço salarial para assinar grandes estrelas em elencos formados por novatos e outros jogadores baratinhos, como o Heat ou o Knicks. Algumas outras franquias apostam nos novatos para formar um elenco jovem e forte, até que possam contratar alguma estrela consagrada para levar o time ao campeonato, como é o caso do Bulls e do Nets, por exemplo. Outras apostam inteiramente no draft e em trocas por jogadores inexperientes e montam um time do nada, como o Blazers e o Thunder, fazendo contratações maiores e trocas por jogadores caros apenas para dar uma arrumadinha no elenco bem depois. Imaginei que o Wolves, ao trocar o Garnett, conseguiria um núcleo bastante jovem com uma futura estrela em Al Jefferson, e que a reconstrução duraria pouco tempo. Era só esperar a pirralhada pegar o jeito e depois conseguir um ou outro jogador para fechar algumas posições. Mas não funcionou.
Por um lado, promessas como Corey Brewer demoraram demais para se firmarem na NBA. Por outro, Al Jefferson tornou-se uma estrela rápido demais, num elenco incapaz de acompanhá-lo. Como todo time apostando em novatos, algumas escolhas não deram muito certo, alguns jogadores não souberam jogar juntos. Foi então que o engravatado David Kahn apareceu para pisar no freio e fazer todo mundo entender que reconstruções não podem ser feitas às pressas. Basta ver o Pistons: ao demolir acertadamente um time em declínio que não ganharia mais nada, assinou correndo dois jogadores disponíveis na hora para não ficar com um elenco furado e deu no que deu, o time fede, não tem flexibilidade para assinar outros jogadores porque torrou tudo em dois meia-bocas, e está fadado a ficar entre os medianos por muito, muito tempo. Falha épica, já diriam os gringos. É melhor assumir a bosta, no famoso "pisou na merda abre os dedos", e deixar o time fedendo com calma do que correr e assinar qualquer um.
O projeto de reconstrução do Wolves começou do zero. Primeiro um técnico novo, o Kurt Rambis, para usar o sistema de triângulos do Lakers. Depois, escolhas de draft com o sistema em vista. O problema é que vai levar anos para os pirralhos entenderem o sistema, criarem consistência, amadurecerem ao lado do técnico - que também é meio iniciante. A suposta estrela do time, Ricky Rubio, só deve vir na próxima temporada porque preferiu ficar na Europa do que jogar num time lixo. O processo é lento, o Wolves tem que ir com calma testando todos os jogadores, dando minutos para os novatos apanharem e aprenderem, aguardar o Rubio, consolidar o sistema de jogo. Mas enquanto isso lá está o Al Jefferson, estrela consolidada, querendo vencer agora, querendo um time de verdade. Foi trocado mais rápido do que o SBT cancela seus telejornais.
Pelas escolhas duvidosas no draft, em que pega vários jogadores de uma mesma posição, David Kahn está ganhando fama de ser uma anta, quase um Isiah Thomas que pelo menos sabe contar usando os dedos. A troca do Al Jefferson não ajudou muito sua causa. Mas a lógica está bem clara: ele não tem pressa nenhuma. Se o time vai perder, feder, ser uma droga, tudo enquanto espera a pirralhada ganhar uns pelos no saco, por que ficar pagando o contrato monstruoso do Al Jefferson? Quando o Wolves se tornar um time decente, o Al Jefferson já teria dado o fora por conta própria mesmo. O melhor a se fazer é economizar umas verdinhas até lá.
O plano lembra um pouco o Grizzlies, que ia para os playoffs todos os anos mas nunca ganhou uma partida sequer de pós-temporada. Ao trocar o Pau Gasol por escolhas futuras e feder pra burro, criou um time muito jovem, cheio de novatos, levou uns anos para que começassem a render juntos, e aí contratou um ou outro veterano para ajudar. Sem estourar o teto salarial, economizando uma grana, o Grizzlies tem grandes chances de ir para os playoffs na próxima temporada apesar de todo mundo ter chamado a troca de burrada. Ter mantido o Gasol seria cagada, o salário era grande demais e ele queria vencer imediatamente enquanto o time precisava feder um pouco durante uns anos para se reconstruir. E não dá pra feder muito se você tem o Gasol, claro.
Como sabemos, a troca do Gasol para o Lakers desequilibrou a liga. A troca do Al Jefferson, que vai permitir que o Wolves feda de verdade enquanto espera seus pirralhos virarem estrelas, não deve desequilibrar tanto. Mas com certeza tornou o Jazz um time muito melhor que vai fazer mais estrago do que nunca nos playoffs. Ou seja, podem esperar uma legião de torcedores do Jazz fazendo muito barulho por aqui, torrando nosso saco e eventualmente descobrindo onde eu moro e queimando minha família na fogueira, amém.
Eu adoro o Carlos Boozer, acho seu arremesso espetacular e ele funciona perfeitamente bem com Deron Williams. Mas como maluco que sou por perder vários dias da minha vida acompanhando os jogos do Wolves, posso afirmar que o Al Jefferson vai ser ainda mais útil para o Jazz. O cara é um monstro embaixo da cesta, justamente onde o Boozer era menos efetivo. Seu arremesso é consistente, vai funcionar perfeitamente bem nas jogadas com o Deron Williams, mas seu trabalho de pernas e pés muito rápidos vai simplesmente dominar o garrafão ofensivo. Ele é um monstro refinadíssimo, do tipo que bebe sangue mas arrota em francês, e vai pontuar horrores com muitos movimentos diferentes no esquema tático rígido e cadenciado do Jazz. Quando o Wolves corria demais, o Al Jefferson ainda rendia bem, mas é de costas para a cesta num jogo lento que ele mostra que pode vencer jogos sozinho. Na defesa também é muito inteligente, tem bom tempo de bola, distribui seus tocos e não compromete muito - algo que já é um avanço frente ao Boozer, que é um dos piores defensores da NBA, disparado.
É cedo demais para chamar o Kahn de burro. Ao menos ele tem os bagos de deixar o time fedendo sem ficar pagando salários absurdos desnecessariamente. Vai se focar na pirralhada, ir com calma, esperar o Rubio e não vai deixar ninguém descontente por lá. Veteranos que querem vencer só devem chegar muito depois, quando o elenco já estiver maduro o bastante. E o Jazz aproveitou essa barbada para conseguir um assalto a mão armada nos moldes do Gasol-para-o-Lakers, capaz de fazer muito estrago se o resto do time jogar bem. Levante a mão quem é o doido que viu o Al Jefferson jogar nas temporadas passadas. Se você não levantou, pode ter certeza de que ele é um dos melhores jogadores de garrafão da NBA, muito mais versátil do que o Boozer, muito mais físico embaixo da cesta, e vai chutar muitos traseiros. Se você levantou a mão, então já sabe o tamanho da encrenca que o Jazz vai causar na liga. Os mórmons foram abençoados, vai ver rezar dá resultado.
No Wolves, o garrafão agora tem Kevin Love e Darko Milicic - por mais bizarro que seja, é um dos garrafões que mais valerá a pena acompanhar na temporada que vem. O Love é um dos jogadores mais inteligentes da NBA, faz cruzadinhas no nível "Putaquemepariu", passa a bola como poucos armadores e é famoso por dar assistências de um lado da quadra para o outro, é espetacular. Arremessa também de todos os cantos, inclusive da linha de três (e até da quadra de defesa).
Além disso, sempre toma a decisão certa, é até chato. Vai ser uma estrela na liga, sem dúvidas, e tendo muito mais minutos em quadra sem Al Jefferson, nos dará mais chances de vê-lo atuando. Seu parceiro de garrafão será o Darko, também conhecido como "um dos maiores fracassos da história do draft". Desde que foi escolhido com a segunda escolha do melhor draft de todos os tempos, passou de um time para o outro sem nunca render grandes coisas. Mas isso depende do que se espera dele, claro. Todo time que contrata o Darko espera um jogador que domine o garrafão e mostre o potencial que justificou sua segunda escolha no draft, mas o que todo time encontra é um jogador de apenas 25 anos, excelente defensor, com problemas para manter a calma dentro de quadra. A maior dificuldade do Darko sempre foi sua cabeça, ele precisava ouvir o pagodinho "deixa acontecer naturalmente", porque desde que entrou na NBA - novo demais para conseguir sequer cortar as próprias unhas - queria mostrar que merecia ter sido escolhido tão cedo no draft no lugar do Carmelo Anthony. Dê a bola para Darko e ele vai tentar fazer milagre, errar uma bola, ficar puto da vida, forçar uma outra bola para compensar, errar de novo porque está nervoso e forçando o jogo, se desesperar porque esperam mais dele, forçar de novo, e assim por diante. Ele fica tão puto consigo mesmo que chegou até a rasgar a própria camiseta:
Também deu aquela clássica entrevista jogando pela sua seleção nacional, em que afirma que vai foder as mães dos três juízes que "lhe roubaram o jogo" (e foder a filha deles se tiverem também). Mesmo tão descontrolado, nas poucas vezes em que ganhou minutos e conseguiu manter a calma em quadra mostrou seu talento defensivo e seu jogo refinado perto da cesta. Se tivesse sido escolhido na segunda rodada, teria jogado a vida toda, nunca teria sido trocado e seria tido com uma baita sorte do time que o pegou. Para ele, assim como para Kwame Brown, a merda é o medo da expectativa dos outros. O David Kahn disse recentemente que convenceu Darko a ficar na NBA ao invés de voltar para a Europa, como pretendia, dando-lhe estabilidade, segurança, um papel limitado em quadra (puramente defensivo) e muita confiança. Deu uma longa entrevista apenas falando sobre o que ele vê no Darko que os outros não percebem. É difícil imaginar que aquele jogador afoito e nervoso pra burro renderá no Wolves com carinho e paciência, mas é nisso que o Kahn aposta e é mais um motivo para acompanharmos esse garrafão. Love e sua genialidade nos passes, Darko e sua cabeça-de-bagre tentando não arrancar sua própria cabeça. Não vai ser tão legal quanto o Al Jefferson destruindo com o Deron Williams, mas é um dos poucos motivos para acompanhar a pirralhada do Wolves na temporada que vem. E se der certo, pelo menos vão parar de xingar tanto o Kahn. Ele, ainda, não merece.
Defenestrado por
Danilo
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quarta-feira, 21 de julho de 2010
NBA Cares no Brasil
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Denis
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terça-feira, 20 de julho de 2010
Summer Leagues - Os novatos
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