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quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Blazers, Lakers e TJ Ford

Blá, blá, blá, milhares de Free Agents. Blá, blá, blá análises. Sem enrolação dessa vez, pode ser?

...

Jamal Crawford 
Portland Trail Blazers - 10 milhões por 2 anos

Entendo perfeitamente quem queira argumentar que o Blazers precisava mais de jogadores de garrafão do que de mais um armador. Jamal Crawford não é armador nato, joga mais na posição 2 e quebra um galho como armador principal vindo do banco, duas funções que no Blazers já podem ser ocupadas por Raymond Felton, Armon Johnson, Wesley Matthews, Nicolas Batum e o novato Nolan Smith. Mas, se você pensar mais a fundo, verá que Armon Johnson é só um reserva limitado, Nolan é apenas um novato e que Matthews e Batum vão acabar também jogando muitos minutos na posição 3, seja na reserva de Gerald Wallace ou quando o Crash atuar na posição 4. Há espaço para todos.


E tem mais uma coisa, todos esses jogadores tem suas qualidades, mas nenhum deles é um pontuador nato. Nicolas Batum pode vir a ser no futuro, Matthews e Wallace tem seus dias bons, mas um cara consistente, que cria o seu próprio arremesso e é decisivo não existe no elenco do Blazers. Existia até o ano passado, o nosso querido e amado Brandon Roy, mas como você sabem, ele terá que se aposentar precocemente devido ao seu joelho destruído.

Jamal Crawford chega não para ser titular, mas para terminar os jogos. Para desafogar o ataque quando tudo estiver indo aos trancos e barrancos, comandar um quinteto reserva que é mais focado na defesa e criar, com seus dribles e arremessos de longe, mais espaço para o LaMarcus Aldridge agir. O contrato não é longo, é bem barato para o nível do Crawford e atinge o exato ponto que eles perderam com a saída do Roy. Contratação perfeita.


Greg Oden
Portland Trail Blazers - 8.9 milhões por 1 ano

Kurt Thomas
Portland Trail Blazers - 1.4 milhão por 1 ano

Craig Smith
Portlan Trail Blazers - ?

O Blazers tinha a opção de oferecer uma extensão de contrato a Greg Oden, mas não o fez. Foi o primeiro jogador a ser escolhido na 1ª posição do Draft a não receber uma extensão desde Kwame Brown. O Blazers, porém, não deixou o rapaz simplesmente ir embora, ofereceu um contrato de um ano, a tal Qualifying Offer, quando ele se tornou Free Agent restrito. Agora o pivô fica por mais um ano em Portland e ao fim dessa temporada vira Free Agent irrestrito.

A tal da oferta é enorme e o Greg Oden não sabe quando ou se um dia vai ficar saudável, mas é por apenas um ano. Todo mundo merece uma última chance. E no fim das contas, o Blazers atirou para todos os lados na busca de alguém que renda no garrafão além de LaMarcus Aldrige. Eles já tinham o sênior Marcus Camby, contrataram outro veterano, Kurt Thomas, e um dos meus jogadores-mais-ou-menos favoritos, o ala de força Craig Smith (que não tem o apelido de "Rinoceronte" à toa, é um monstro que sabe muito bem usar sua força), isso além do bichado-promessa Oden. Vão compensando com quantidade os problemas de contusão e idade. Algum tem que dar certo.

Podem argumentar que ao invés de vários jogadores com defeito torcendo para que um ou dois deem certo, poderiam ter apostado todo dinheiro em caras que passem mais segurança, como o ainda Free Agent Samuel Dalembert (enquanto escrevo isso ele parece próximo de fechar com o Rockets). Poderiam, mas eles podem simplesmente achar o Dalembert horrível como eu acho e as outras opções antes dele podem não ter aceitado salários de curta duração, nova obsessão da liga e principalmente do Blazers.

O time não se comprometeu a longo prazo com Oden, com Crawford, com Thomas e os contratos de Felton e Wallace acabam em breve. O time é pra ganhar logo, mas se precisar estão preparados para recomeçar do zero.


TJ Ford
San Antonio Spurs - 1.2 milhão por 1 ano

Não sei ainda direito o que achar dessa contratação, pra falar a verdade nunca achei que o Spurs fosse contratar um cara do estilo do TJ Ford. Vou falar de 3 memórias que tenho do armador.

1- Sabe o famoso Draft de 2003 considerado um dos melhores da história? Naquele ano de basquete universitário ele superou Carmelo Anthony, Kirk Hinrich, Chris Bosh e Dwyane Wade e foi eleito o melhor jogador universitário daquele ano. Foi draftado pelo Bucks e impressionou pela velocidade e boas decisões na armação.

2- Foi para o Raptors e lá, não sei se porque não confiava no resto do time, resolveu virar herói. Com pouco tempo de clube virou reserva do Jose Calderon, mesmo o espanhol sendo um dos piores defensores da sua posição na NBA.

3- Na fase do Pacers lembro de um jogo em que ele tentou uma bola de 3 pontos no último segundo para ganhar um jogo e errou. Detalhe, ele já tinha tentado 18 outras bolas de 3 na temporada e não tinha acertado uma sequer.

Mas talvez o que tenha faltado para o TJ Ford fosse um sistema tático mais rígido ou um treinador que soubesse tirar o melhor dele. Talento o cara tem de sobra, mas nos últimos anos, ao invés de melhorar com a experiência, passou a tomar decisões ruins dentro de quadra. Com sua velocidade e facilidade de infiltração pode fazer estrago parecido ao que o Tony Parker faz no próprio Spurs. Se der certo, ótimo, foi uma opção barata. Se der errado é torcer para que o armador novato Cory Joseph corresponda vindo do banco.

Jason Kapono
Los Angeles Lakers - 1.02 milhão por 1 ano


Troy Murphy
Los Angeles Lakers - 1.3 milhão por 1 ano


Josh McRoberts
Los Angeles Lakers - 6.2 milhões por 2 anos

Os dois primeiros dá pra resumir em poucas linhas: O Lakers precisa de jogadores que chutam de três, Kapono e Murphy sabem fazer isso, o segundo com o bônus de pegar rebotes e o lado ruim de ter o nariz mais feio da liga e um nome relacionado a uma lei nada agradável.

O Josh McRoberts, embora seja o nome mais desconhecido dessa lista, é o que mais pode oferecer. Além dos rebotes que o Troy Murphy também pode dar, é um cara que tem velocidade, sabe participar de contra-ataques, ataca a cesta muito bem. Pode dar um dinamismo ao banco de reservas que Luke Walton e Derrick Caracter não tem chance de dar. Ele também é oficialmente o novo responsável por colocar o Lakers no Top 10 de jogadas da semana no lugar do Shannon Brown:




Os três adicionam coisas de que o banco do Lakers, fraco na última temporada, precisava. Pensando nisso as contratações foram boas. Mas compensa a saída do Lamar Odom e recoloca o Lakers em posição de grande favorito? Não.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Bomba! Bomba!

Richard Jefferson vai levar competição para a Eva Longoria em San Antonio


Tá difícil falar de draft hoje mesmo. Estava preparando um post sobre o Ricky Rubio e aí chega a notícia de que o San Antonio Spurs e o Milwaukee Bucks fizeram a primeira grande troca dessa offseason.

O Spurs, em resposta ao primeiro ano ímpar sem título desde 2001, mandou três das suas velharias: Fabrício Oberto, Kurt Thomas e Bruce Bowen em troca do Richard Jefferson.

Acho que o Spurs não poderia ter feito melhor negócio. Primeiro porque isso os tira da briga pelo Trevor Ariza, que o deixem em paz no meu Lakers, e depois que eles se livram de três jogadores que tiveram atuações horríveis na temporada passada e em troca recebem um que não só é muito bom como joga na posição que eles precisam e tem as características que faltam ao Spurs.

O Oberto já foi muito bom, o Kurt Thomas também e o Bowen, apesar de todas as reclamações que qualquer um que não gosta do Spurs já fez, era um grande defensor. Mas os três juntos não valiam mais que um Adam Morrison gripado ultimamente. O Richard Jefferson não é gênio, não virou um all-star como alguns (eu!) achavam que ele ia se tornar, mas em um time bem montado ele pode ter média de 20 pontos por jogo e acertar suas bolinhas de 3 numa boa. Além disso, joga de Small Forward, a posição 3, que foi a mais carente do Spurs na temporada passada.

Com isso ele tira muito da responsabilidade do Tony Parker e do Roger Mason na pontuação e deixa o Manu Ginobili como sexto homem, que é o que ele gosta de ser. Como defensor é que ele não é nenhum Bowen, mas não lembro dele ser um fracasso total, ele é competente e irá aprender muito sob a tutela do Gregg Popovich.

Vale destacar também que o Spurs conseguiu isso sem perder suas moedas de troca mais valiosas, o Roger Mason, o George Hill e, claro, o trio Parker, Duncan e Ginobili.

Mas o quê o Bucks ganhou com tudo isso? Bom, o contrato dos três jogadores adquiridos acabam na próxima temporada e somados dão cerca de 10 milhões de doletas. Isso quer dizer que eles terão espaço salarial disponível para investir na enxurrada de Free Agents do ano que vem ou mesmo para manter os talentos do time, como o Charlie Villanueva.

Também é bom ter jogadores com contratos expirantes nesse ano, porque mesmo se não interessar pegar algum Free Agent no ano que vem, muitos times estão interessados nesses contratos porque eles querem alguém. Imagina o que o Knicks ou o Nets não dariam para mandar contratos ruins e receber contratos expirantes em troca.

Em resumo, o Bucks trocou um jogador muito bom por possibilidades futuras de assinar Free Agents, reassinar atuais jogadores ou de fazer trocas. Trocaram uma realidade, que não tinha dado resultados espetaculares, pela possibilidade de um futuro que vá além do time mediano que tinham.

Não fico nem um pouco feliz em dizer isso, mas o Spurs está de volta!

terça-feira, 22 de julho de 2008

As pequenas aquisições

Matt Barnes era bom, então o Don Nelson sentou o traseiro dele no banco de reservas


Como diz o ditado, o diabo mora nos detalhes. Ou seria "como diz o diabo, o ditado mora nos detalhes"? Boa pergunta, deveria perguntar para o Chapolin. Em todo caso, seja como for, são os jogadores secundários, as peças menores, que acabam decidindo quem será o time campeão ao fim da temporada. É normal gente pensar que só existem dois tipos de jogadores: os que chutam traseiros e os que fedem. Mas são justamente os jogadores medianos, aqueles que não-sobem-nem-descem, não-fedem-nem-cheiram, que trazem identidade para os elencos. Os jogadores "especialistas" (ou, se você é mais cruel, "aqueles caras que só conseguem fazer uma coisa em quadra e são uma merda em todo o resto") desempenham papéis que ditam a cara do time, o ritmo de jogo, a importância do banco, a atenção no ataque e na defesa e todas as outras coisas que diferenciam um time do outro, que levam a vitórias e a derrotas.

O Warriors, por exemplo, perdeu o Baron Davis para o Clippers. Com isso, toda a velocidade e o foco ofensivo da equipe sofreram um forte baque. A resposta foi trazer Corey Maggette, que já ouviu falar nesse lance de defesa mas sempre achou algo um tanto exótico, e passar Monta Ellis para o cargo de armador principal. No entanto, não ter um armador nato nem no time titular nem no banco de reservas era exagero demais até para o amalucado técnico Don Nelson. Assim, a solução foi trazer o armador Marcus Williams, do New Jersey Nets.

Taí uma aquisição pequena que tem tudo pra ser mais importante do que se imagina. Sei que tem gente que discorda (tem gente que discorda até de que devemos comer, sugerindo alimentação a base de luz) mas o Marcus Williams chuta uns traseiros, no duro. Quando chegou na NBA, tinha tudo para contribuir imediatamente e inclusive teria sido titular em alguns times horrorosos, precisando de alguém urgente para a função. O Williams, no entanto, foi parar justamente no Nets, para ser reserva vitalício do Jason Kidd. Essas situações têm seus aspectos positivos e os negativos: por um lado, você aprende com um dos melhores armadores a terem pisado numa quadra de basquete; por outro, você sabe que só vai ter minutos de jogo quando o titular morrer num acidente de carro. Imagino que o Marcus Williams tenha vibrado durante 3 segundos quando ficou sabendo que o Kidd tinha sido trocado. A alegria durou pouco porque, como sabemos, a troca foi pelo também armador Devin Harris, que tem tudo para ser uma tremenda estrela no futuro e virou titular assim que pisou em New Jersey. Ou seja, lá estava Marcus Williams como reserva de novo. Não é irônico que um cara desses não saia do banco enquanto sujeitos como o Tyronn Lue, que certa vez assumiu que deveria ser um reserva na NBA e odiava a pressão de ser titular, fiquem no elenco inicial de tantos times na Liga mesmo contra suas vontades?

O Nets preferiu arranjar um armador veterano para apoiar Devin Harris - no caso, o vovôzinho Keyon Dooling - e o Marcus Williams se tornou descartável. O Warriors não perdeu a oportunidade e mandou uma futura escolha de draft de primeira rodada em troca do armador. Acho que após anos atrás de Kidd, o Williams deve no mínimo saber correr, ou seja, tem tudo para se dar bem como reserva no Warriors, podendo até um dia, quem sabe, permitir ao Monta Ellis voltar à sua posição original. Nenhum dos dois sabe arremessar e não podem substituir Baron Davis, mas foi um belo tapa-buraco.

Aliás, o que o Warriors não parou de fazer por enquanto foi tapar buracos. Além do Baron Davis, perderam Matt Barnes, Patrick O'Bryant e Kelenna Azubuike. Para remediar, parecem estar prestes a contratar Maurice Evans e já assinaram Ronny Turiaf. O francês pode correr, defender e demonstrar raça, e talvez até dê certo no Warriors, mas ainda assim me nego a considerá-lo uma peça importante em qualquer coisa que não seja fazer biquinho falando francês.

Dentre os jogadores que o Warriors perdeu, destaco arbitrariamente (porque o blog é meu, ué) o Matt Barnes. Realmente gosto de seu jogo e fico muito intrigado com a falta de ofertas para ele. Trata-se de um jogador veloz, bom defensor, capaz de jogar em múltiplas posições e que compensa a falta de altura com muita garra e posicionamento nos rebotes. Fora isso, é um bom arremessador de 3 pontos, enterra pra burro e parece que enfiou o dedo numa tomada o tempo inteiro, tamanha sua intensidade. Ele parecia feito sob medida para o Warriors mas acabou afundando misteriosamente no banco do Don Nelson, provavelmente por não gostar de sorvete de flocos ou algum outro motivo assim, sempre muito pertinente. Sua saída do Warriors era, portanto, muito provável, mas parece que o único time interessado nele foi o Phoenix Suns. Faz muito sentido, ele se encaixa perfeitamente no estilo antigo da equipe - "corra como um maluco e arremesse de três" - e também tem a intensidade defensiva que supostamente deve ser a nova filosofia por aquelas bandas. O que me intriga, no entanto, foi o contrato que assinou: apenas 1 ano, por menos de 1 milhão de doletas, o mínimo para veteranos.

Espera, deixa eu ver se entendi: o Boston assinou o Patrick O'Bryant, que nunca fez porcaria nenhuma na NBA e admitiu "não ser tão bom assim" na época do draft. O Nets pagou uma grana para o Eduardo Najera, o mexicano rei do "garbage time" (aquele final dos jogos que já estão muito ganhos ou muito perdidos), o Warriors deu um contrato escandaloso para o medíocre Ronny Turiaf, o Nets assinou o Malik Allen (que sempre tem time, mas nunca sequer entra em quadra). Mas o Matt Barnes, melhor do que todos eles, com experiência em playoffs, uma peça que pode ser essencial em toda e qualquer equipe, assina um contrato mínimo de apenas um ano?

Só posso acreditar que alguns times menosprezam a oportunidade de conseguir um jogador desses, considerado de "segundo escalão". Enquanto isso, o reserva-de-luxo James Posey foi disputado a tapa por todos os times que acreditavam estar a apenas uma peça de distância de um anel de campeão. Ele acabou escolhendo ir para o Hornets e agora, vejam só, eles têm um banco de reservas. Enquanto isso, meu Houston Rockets repelava Brent Barry, conseguindo finalmente um especialista nas bolas de 3 pontos, capaz de aproveitar os espaços criados pela constante marcação dupla em Yao Ming, e além de tudo capaz de armar o jogo, coisa que ninguém em Houston é muito chegado. O Spurs, que perdeu o Barry, fez questão de manter Kurt Thomas, provavelmente com medo de que a média de idade da equipe caísse para menos de 62 anos. São todas aquisições importantes, peças finais em grandes elencos, mas em meio a tudo isso, Matt Barnes passou batido e Ronny Turiaf ficou milionário.

Enquanto acompanhamos os grandes times da NBA dando os toques finais em seus elencos, com os espaços nas folhas salariais se tornando cada vez mais escassos, é impossível deixar de tentar adivinhar quem é que está gastando bem suas doletas. Pra mim, por enquanto, o Suns conseguiu uma bela pechincha.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Novas caras

Ninguém usa o dedo mindinho mesmo...


A data limite para trocas nessa temporada está para se concretizar em poucas horas e vários times já mudaram de cara até agora. Continuo aguardando a troca LeBron para o Houston em troca de Steve Francis e 32 escolhas de draft. Enquanto isso não acontece, como se saíram os times que apresentaram suas caras novas?

Ontem, Shaq estreou pelo Suns enfrentando seu antigo coleguinha e rival, Kobe Bryant (parece coisa saída diretamente da novela mexicana Rebeldes, ou ainda da falecida Amigas e Rivais). Para os que aposentaram o Shaq antes da hora, Diesel mostrou que ainda tem fôlego e que não atrapalhou o jogo correria do Suns como se imaginava. O único detalhe, coisinha pouca, é que Shaq não saiu de quadra com a vitória, o que sempre pode atrapalhar as tentativas de deixar uma boa impressão (Nowitzki que o diga). Kobe Bryant jogou pra burro e aquele tal mindinho machucado que podia vir até a precisar de cirurgia parece a maior balela dos últimos tempos. Quem faz 41 pontos com um dedo machucado? Kobe acertou arremessos de todos os lugares e engoliu vivo o time do Suns, não havia muito a se fazer. Shaq demorou um pouco para pegar o jeito mas se saiu assustadoramente bem, correndo bastante, se tacando no chão atrás de bolas perdidas e, curiosamente, começou a se sair realmente bem no jogo só no quarto período, justamente quando seu fôlego deveria estar acabando. "Estou em melhor forma física do que eu imaginava", soltou o pivô. Isso me lembra uma afirmação recente no departamento médico do Suns, dizendo que as lesões do Shaq não eram problemas estruturais das pernas e joelhos, e sim tecido "não exercitado". Ou seja, chamaram na cara dura, ao mesmo tempo, os médicos do Heat de burros, o departamento físico do Heat de incompetente, e o Shaq de gordo preguiçoso! Mas quem se importa, os homens que salvaram o Grant Hill de uma vida de contusões agora fizeram Shaq correr para cima e para baixo na quadra em um quarto período.

O mais importante sobre o Suns é que eles continuam capazes de marcar 124 pontos por jogo, mesmo sem Shawn Marion e com a presença de Shaq em quadra. O problema é ter tomado 130 pontos do Lakers, claro, mas a presença de O'Neil no garrafão deve ajudar na defesa quando todos estiverem entrosados. Além disso, Shaq exige atenção redobrada de seus marcadores, o que libera Amaré para agir. Seus 37 pontos mostram o que ele pode fazer quando não é marcado pelos pivôs adversários.

O início do Shaq em Phoenix foi tão divertido que por uns segundos ele até pareceu aquele dos velhos tempos. Que tal essa bela cravada na cabeça?



O Suns só não saiu vencedor porque o Lakers também resolveu mudar de cara e Pau Gasol parece que joga com Kobe desde os tempos do Rá-tim-bum na TV Cultura. Ele parece dominar o conceito dos triângulos e o maior favorecido é, estranhamente, Lamar Odom. Como terceira opção ofensiva ele parece florescer e agora não creio que ninguém em Los Angeles pense em trocá-lo. Pelo menos não nessa temporada, até porque não dá mais tempo.

Outro time com jogador novo é o Hawks, que já jogou duas partidas com Mike Bibby como armador principal. Contra o Lakers, Bibby jogou pouco graças a vários problemas com faltas, mas sua atuação no primeiro quarto me deixou empolgado. Ele dá passes simples e eficientes e parece que instaura no time uma calma, uma vontade de dar um passe a mais. É uma coisa quase sobrenatural que muita gente vai dizer que andei bebendo, claro. Enfrentando seu ex-time na noite de ontem, Bibby esteve mais preocupado em arremessar e foi mortal, acertando 6 dos 10 arremessos que tentou, incluindo 4 bolas de três pontos. Acho que era bem o que o Hawks esperava, alguém que acertasse seus arremessos de fora e soubesse tranquilizar o time no ataque. Do outro lado, o Kings não pareceu sentir muito a falta do Bibby, afinal eles passaram tanto tempo com o Bibby contundido que não deviam nem mais lembrar da cara do sujeito, e seu armário devia ser usado para guardar as meias sujas do resto da equipe. O esloveno Beno Udrih, que o Spurs trocou por uma bolacha de água e sal, tomou as rédeas do Kings com 18 pontos e 10 assistências. E o Artest, que por alguma razão não acha o Bibby um sujeito muito camarada, está tão feliz que até deve ter esquecido do fracasso de seu CD de rap. Artest tem, nos últimos 5 jogos, médias de 25 pontos, 7 rebotes, 4 assistências e 3 roubos, além de estar aproveitando mais de 50% de seus arremessos de dois e de três pontos. Será mesmo que o Kings pretende trocar alguém que está jogando nesse nível e que, sem o Bibby, parece estar feliz em Sacramento? Aliás, quais as chances de deixar o Artest feliz?! Melhor aproveitar enquanto dura.

Ontem também foi a estréia do Kidd no Mavs. Dirk estava todo contente e disse que, ao jogar com Nash, aprendeu a importância das assistências precisas que trazem a bola no momento certo, e que isso enfim voltaria com Kidd na equipe. O começo foi promissor, com a ponte-aérea de Kidd para Josh Howard logo no primeiro lance do jogo. Mas o Kidd se atrapalhou um bocado na defesa. Não que Devin Harris seja um grande defensor, mas ser jovem e rápido certamente ajudaria a não ser massacrado sem piedade por Chris Paul: foram 31 pontos, 11 assistências e 9 roubos de bola. Kidd teve mais desperdícios de bola (6) do que assistências (5) e colocar Eddie Jones como titular ao lado de Jason Kidd começa a parecer uma boa idéia para ao menos dar uma apertada na defesa. Mas que tal alguém com menos de 82 anos no Mavs capaz de defender um armador adversário? Acho que Kidd, Eddie Jones e Devean George não se encaixam nessa descrição...

O Nets sem Jason Kidd botou o barco nas mãos do Marcus Williams, que teve 25 pontos, 4 rebotes e 4 assistências. O garoto sempre chutou uns traseiros e muita gente dizia que ele seria titular ainda como novato em qualquer time que não contasse com Kidd ou Nash no quinteto titular. É hora do fedelho passar Hipoglós e provar que só jogou 2 minutos nos últimos anos porque Jason Kidd é um alienígena. Eu aqui, pessoalmente, torço para que Marcus Williams e Devin Harris joguem juntos, sem um ser o reserva do outro. Devin Harris talvez seja o jogador mais veloz de toda a NBA, bate para dentro como um débil mental, mas ao ouvir a frase "passe a bola" seu cérebro compreende "esconda a bola dentro da camiseta e corra para a cesta". Com os dois armadores juntos, acredito que o Nets ficaria mais balanceado. O problema é que colocar Carter e Jefferson junto com eles em quadra tornaria o time muito baixo. Talvez seja uma idéia para o futuro, quando o Carter estiver vendendo churros na rua, aposentado (diz a lenda que mais da metade dos jogadores da NBA que se aposentam vão à falência).

Com tantas caras novas que mudaram consideravelmente times importantes, o Warriors certamente vai ganhar o prêmio de aquisição mais inútil da temporada. Que diabos de diferença Chris Webber está fazendo para o time de Golden State? Quando ele está em quadra, o time piora significativamente. Quando ele vai para o banco, o time subitamente melhora. Pra mim, isso é um clássico caso clínico conhecido como Complexo de Marbury e Webber deveria ser afundado no banco antes que o pior aconteça. Sorte do Warriors que todo o resto parece funcionar perfeitamente. Baron Davis meteu a cesta da vitória contra o Celtics e Monta Ellis continua a ser um monstro. Ele tem médias de 26 pontos por jogo nesse mês de fevereiro e o mais absurdo: sem acertar uma única bola de 3 pontos. Existe algum armador na Liga capaz de fazer tantos pontos sem nunca sequer arremessar de fora do arco?

Outras trocas aconteceram agora há pouco. O Spurs mandou Brent Barry e Francisco Elson, além de uma escolha de draft, em troca do Kurt Thomas do Sonics. Desde que o Damon Stoudemire chegou, Brent Barry havia se tornado dispensável. Kurt vem para fazer parte do sensacional Clube de Pivôs Veteranos Role-Players do Spurs, um clube cheio de jogadores mais-ou-menos que se saem muito bem e acabam sendo campeões. Kurt Thomas defende, faz o trabalho sujo, pega rebotes e acerta cirurgicamente os arremessos de meia distância depois de fazer o corta-luz. Para o Sonics também é uma boa porque o time é novo e o Thomas é velho, o que não dá muito certo. Se você já teve que dançar com uma velha num baile de terceira idade, sabe do que eu estou falando. Além disso, nessa semana a diretoria do Sonics anunciou que Robert Swift iria ganhar progressivamente mais e mais minutos, rumo à vaga de titular. Loucura ou não, Kurt Thomas estava no caminho do pirralho mais estiloso da NBA.

Para finalizar, meu Houston acabou de se livrar do Mike James! Está ouvindo esses fogos de artifício? Está ouvindo esses gritos de felicidade? Está ouvindo essa rolha voando? Sou eu. Mike James e Bonzi Wells vão para o Hornets em troca de Bobby Jackson, um reserva mais do que decente para a armação do meu Rockets. Mas, como fã, dessa troca eu comento mais depois.

A festa de trocas é sempre divertida e o LeBron não está contente de estar de fora dessa. Depois de alegadamente ter cravado na cara do Dirk como punição por terem levado o Kidd para Dallas, LeBron fez triple-doubles em 100% dos jogos pós-All-Star. Foram dois triples seguidos até agora. Se eu fosse o Cavs, não trocava ninguém não. É melhor um LeBron puto da vida que faça triple-doubles todos os dias do que um reforço meia-boca, tipo o Larry Hughes.