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domingo, 6 de junho de 2010

Motivação

Doc Rivers está bem animado com o seu time

Sabe quem era a pessoa que mais acreditava no Lakers há 4 meses? Doc Rivers, o técnico do Boston Celtics. Em fevereiro desse ano, ao fim do jogo em que o Celtics enfrentou o Lakers pela temporada regular no STAPLES Center, Rivers pediu a todos os jogadores, assistentes e qualquer um que viajava com o time que desse 100 dólares para ele. Ele juntou 2.600 verdinhas, colocou em um envelope e escondeu no teto do vestiário do time visitante. Aí disse para a equipe: "Vocês podem ter esse dinheiro de volta, é só a gente voltar a jogar nesse ginásio".

A mensagem era clara. O Celtics só enfrenta uma vez por temporada o Lakers em Los Angeles, eles só voltariam para lá se classificassem para a final da NBA. E o Doc Rivers confiava que ela seria contra o Los Angeles Lakers, ou pelo menos não contou dos envelopes de dinheiro que deixou em Phoenix, Dallas ou San Antonio. Depois de algum tempo Rivers disse que fez aquilo só para impressionar e motivar seus jogadores, que passavam por dificuldades durante a temporada regular, mas que não acreditava que o dinheiro estaria lá depois de tanto tempo. "Achei que alguém iria encontrar o envelope quando fosse trocar uma lâmpada ou algo do tipo". Aqui tem o vídeo dele mostrando onde estava a grana.

Óbvio que não foi só isso, mas a motivação deu certo e os jogadores (exceto o pobre Eddie House, que foi trocado para o Knicks depois daquele jogo) receberam seu dinheiro de volta, eles estão na final da NBA. É mais um exemplo do que parece ser o grande talento do Doc Rivers, motivação.

Já discutimos aqui como parece ridículo quando comparam os trechos de áudio do Phil Jackson com o do Doc Rivers. De um lado é um dando instruções técnicas e táticas, do outro é gritaria cheia de "Vamo lá, a gente pode fazer isso". Um parecia um técnico e o outro um palestrante motivacional. Em 2008 já parecia assim e deu certo, mas não deixava de ser ridículo.


Um time não é feito só de motivação, mas o Celtics parece saber disso e não deixa toda a responsabilidade nas mãos do limitado Doc Rivers, é tudo bem dividido. Desde que o Big 3 se juntou é bem comum ver o Kevin Garnett falando sem parar em pedidos de tempo e mais recorrente ainda ver os jogadores mais experientes dando conselhos aos mais novos. Não tenho dúvida de que a evolução do Rondo de 2008 para o de 2010 tenha tido muito a ver com as horas de sermão e conselhos que ele ouviu de Sam Cassell, Paul Pierce, Ray Allen e Kevin Garnett. E é mais claro ainda ver a relação do Garnett com os seus companheiros de garrafão Kendrick Perkins e Glen Davis, os dois estão obedecendo e tomando broncas do KG o tempo todo e ambos evoluíram muito de dois anos pra cá. Tá bom que vez ou outra um deles chora com a gritaria, mas aprendem com isso da mesma forma.

Também existe a ajuda dos assistentes técnicos. Quem ganhou destaque nas últimas semanas foi Tom Thibodeau, que acertou ontem com o Chicago Bulls e irá assumir o time do Derrick Rose assim que a final for encerrada. Como disse bem o Danilo em um post da semana passada, ele foi o grande responsável por montar o sistema defensivo do Celtics que funciona tão bem há tanto tempo.

Com um time experiente, jogadores que se ajudam e bons assistentes, acaba não sendo tão ruim ter um técnico limitado mas que sabe motivar seus jogadores. Quer dizer, não acho que daria certo com qualquer time, mas dá certo com esse elenco que o Doc Rivers tem em mãos. Caras como o Paul Pierce, Kevin Garnett, Nate Robinson e Glen Davis são jogadores muito emotivos, que tem sua qualidade de jogo muito diretamente ligado à situação emocional do jogo, à rivalidade com o adversário, a provocações. O Paul Pierce em especial é aquele típico jogador à lá Dwyane Wade que basta tomar uma falta mais dura para entrar no jogo e começar a fazer a diferença.

O Garnett não é muito diferente e ele acaba de ganhar um combustível extra para o jogo 2. Olha o que o Pau Gasol disse após o primeiro jogo da final onde dominou o Garnett:

"Kevin Garnett perdeu um pouco da sua explosão física desde 2008. Agora ele é mais um arremessador. Antes ele tinha um primeiro passo muito, muito rápido e assim chegava mais na cesta, ele era mais agressivo. O tempo passa e todos nós sofremos com isso de uma maneira ou outra, mas ele ainda é um jogador espetacular, um competidor e vai vir com tudo no próximo jogo, pode contar com isso."

Graças à uma imprensa bem simpática, especialmente a de Boston, o depoimento chegou aos ouvidos do Garnett apenas como "Ele perdeu a explosão, não é mais o mesmo de antes".
O que causou um depoimento do Glen Davis que mostra bem a personalidade do KG:

"Ele não deveria ter dito aquilo. Vamos ver o que acontece, eu conheço o Kevin e estou convivendo com ele há 3 anos. Ele não foge de nenhum confronto, desejo boa sorte para o Pau Gasol".

Ui, que meda! Mas pior que acho que o Big Baby não falou isso pra assustar, acho que falou porque realmente acredita que o Garnett vai vir babando sangue como se tivesse que vingar a morte da família pra cima do Lakers e do Gasol na partida de hoje. É só reler a frase do espanhol para ver que ele não disse nada de mais, elogiou o KG o tempo inteiro, mas a simples constatação de que o estilo de jogo do adversário mudou pode causar uma revolução nessa série. Eu estou curioso e um pouco assustado esperando como será a atuação do ala do Celtics esta noite.

Motivação extra não vai adiantar nada se o domínio do Lakers for tão grande como na última partida, mas o Celtics não é fraco como pareceu no primeiro jogo, aliás ter parecido um time tão inferior será outra motivação para os verdes no fim das contas. Eles são um grupo emocional e irão se aproveitar de qualquer coisa para igualar a série. Sejam essas coisas verdades, mentiras, frases distorcidas, tanto faz, pode mandar que o Doc Rivers, futuro palestrante empresarial, transforma em motivação.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Celtics pagodeiro

Garnett versão Zé do Caixão: "você, você, e toooodos você!"


Assim que LeBron foi eliminado dos playoffs, Garnett não resistiu à oportunidade de lhe dar publicamente um conselho: não gastar toda sua carreira em uma tola lealdade. "Lealdade é algo que te machuca às vezes, porque você não pode ter sua juventude de volta. Posso dizer sinceramente que se eu pudesse voltar atrás e refazer minha situação, sabendo o que sei agora com essa organização, teria vindo para cá um pouco antes."

Kevin Garnett passou os melhores anos de sua carreira no Minnessota Timberwolves. Quando vi Garnett chutar traseiros, ser o melhor jogador da NBA, levantar comparações com Tim Duncan e se tornar meu jogador favorito, era lá que ele estava. Mas as críticas que recebia eram muito duras e cruéis. Como sempre, ninguém queria ouvir sobre o técnico incompetente que lhe treinou durante quase toda a carreira, o elenco limitado, os jogadores fominhas. O peso das derrotas caíam invariavelmente nas costas do Garnett, incapaz de vencer frente às circunstâncias. Mas ele queria vencer com aquela franquia que lhe trouxe à NBA, vencer em nome daqueles torcedores que lhe acompanharam desde que ele era um magrelo sem barba na cara jogando Pokémon, provar para o mundo e para si mesmo que poderia, com aquela estrutura meia-boca, vencer um campeonato. Essa fidelidade consumiu o auge de sua carreira, sempre batendo a cabeça contra a parede. Quando foi trocado para o Celtics, a primeira coisa que ele fez foi ficar puto da vida. Não queria vencer apenas por ter se enfiado num time melhor.

Mas rapidamente o resto do elenco, a comissão técnica e a estrutura do time de Boston mostraram algo para Garnett: é mais fácil vencer quando não se está sozinho. A fidelidade deve vir pela coisa certa. O Celtics rapidamente se tornou uma excelente banda de pagode, ou seja, um monte de gente com dor de corno. Pessoal que colocou a fidelidade no lugar errado, tomou chifre, e agora é fiel apenas aos outros marmanjos que sofreram a mesma coisa na pele. E o mundo nos ensina que poucas coisas são mais unidas do que um grupo de cornos.

Ray Allen teve sucesso moderado no Bucks com ajuda de Glen Robinson, e no Sonics com a ajuda de Rashard Lewis. Paul Pierce teve sucesso moderado no Celtics com a ajuda de Antoine "Cabeça de Lego" Walker. Mas os dois sabem que sucesso moderado e outro bom jogador de apoio não serve para bulhufas. O Ray Allen é um dos melhores arremessadores de três pontos que o planeta já viu, deve bater todos os recordes de bolas de 3 pontos, foi versátil o bastante para produzir mesmo sem seus arremessos, e mesmo assim tem gente constantemente perguntando se ele é bom de verdade, se ele foi importante para a NBA, querendo saber se ele é melhor que o Michael Redd. Kevin Garnett foi um dos jogadores mais espetaculares de todos os tempos, um dos mais eficientes da história, um dos poucos capaz de jogar em todas as posições da quadra, e tem gente o tempo inteiro achando que ele é "bonzinho" (qualidade que, se dita sobre um garoto por uma garota, significa que ela nunca, jamais, nem em um milhão de anos, dará para ele). O próprio Paul Pierce disse se considerar o melhor jogador de sua posição na NBA e a gente riu dele com razão. Os três são apenas espectros do que já foram, fantasmas, fotografia envelhecida. A declaração do Paul Pierce é o melhor exemplo disso, ele simplesmente não percebeu a passagem do tempo, gastando seus melhores anos com um Celtics confuso e desorganizado que não sabia se construia um time em volta do Pierce ou se reconstruia a equipe do nada. É fácil esquecer quão espetaculares foram esses três jogadores quando os vemos em quadra atualmente, um tanto limitados, às vezes se arrastando (principalmente nos poucos jogos em que o Magic conseguiu jogar fisicamente, coisa que o Lakers não fará). Aí está o Celtics, cansado, velho, e em mais uma final de NBA.

É preciso desmistificar um pouco esse time do Celtics, justamente para percebermos quão bom ele é. O trio formado por Pierce, Ray Allen e Garnett não é sombra do que já foi. No ataque, seus talentos nunca foram adequadamente aproveitados porque o Doc Rivers é o pior técnico que esse mundo já viu. As jogadas são quase todas isolações, o Garnett nunca recebe a bola o bastante, e é fácil o time se perder em longos períodos sem pontuar. Na defesa, gostaria de derrubar um pouco um mito: Garnett é essencial para essa defesa, coisa e tal, mas o real responsável por ela é Tom Thibodeau. O assistente técnico do Celtics é o responsável por toda a estratégia defensiva do time, cada mísero detalhe, montou o esquema tático do Houston retranqueiro que eu acompanhei tão de perto com o Jeff Van Gundy, e é de sua mente doentia que surgiu a defesa impecável que parou LeBron James. O Garnett é excelente defensor, sua energia em quadra contagia os jogadores e ele é um líder vocal, sempre berrando com todo mundo. Mas a defesa do Celtics não é criação sua como reza a lenda. Os que sabem da verdade, como o Bulls, o Hornets e o Nets, estão entrevistando o Thibodeau para dar-lhe finalmente um cargo de técnico principal. Ele merece.

O ataque do Celtics é desorganizado, a defesa é fruto de um assistente técnico e os três jogadores principais estão velhos, mais limitados, cansados e são frequentemente mal utilizados em quadra. Eis aí o Celtics desmitificado. Quem fica louvando esse time está assistindo uma equipe diferente daquela que eu vejo tão atentamente. E sabe por que eles são tão bons? Porque sabem das limitações. Garnett, Allen e Pierce sabem dos problemas que seus corpos reumáticos enfrentam e treinaram como loucos para chegar na melhor forma física possível. Garnett saiu do bisturi no joelho temporada passada e foi direto para um regime de treinamento intensivo com um cara famoso por treinar as estrelas que entrarão no draft da NBA. Os três só estão aí correndo nos playoffs porque sabem que não dá pra dar mole para o físico quando se é velhinho. Os três sabem que o ataque é mal feito, então tentam ganhar na defesa. E o principal: os três sabem que não vão ganhar sozinhos, como na época em que eram fiéis às suas equipes horríveis, então eles apostam no elenco. No elenco inteiro. O grande mérito dessa equipe do Celtics é ter três jogadores dentre os melhores de todos os tempos e vê-los confiando, por exemplo, em um pirralho: Rajon Rondo.

Lembra quando o Celtics era uma merda? Paul Pierce era titular junto com Delonte West na armação, Al Jefferson criança como ala e Marc Blount cocô como pivô. Os três foram trocados, então o Celtics viu dois reservas se tornarem titulares para tapar buraco: Rajon Rondo e Kendrick Perkins. Agora, é fácil ver os dois formando a dupla mais importante em quadra, um no ataque e outro na defesa. O trio de estrelas sabe ser coadjuvante. Como bom grupo de pagode, eles sabem como é tomar na orelha e estão dispostos a colocar a lealdade nesse time, seja quem for.

Quando o Lakers formou o lendário Fab Four com Shaq, Kobe, Malone e Gary Payton (e o time é lendário por ter perdido, claro), o Devean George fechava o quinteto titular e disse se contentar em ser apenas "uma pergunta pegadinha" em questionários de basquete no futuro. Se o Celtics é tão bom é porque ninguém faz parte de questionário-pegadinha do Mallandro, o Rajon Rondo é a estrela da equipe e ninguém tem vergonha de admitir. Garnett disse que foi super natural, ainda durante a temporada, aceitar que o ataque era colocar a bola nas mãos do Rondo e deixar que ele decida o que fazer. E na defesa, Perkins faz o trabalho que antes se louvava ser do Garnett - só que faz melhor.

O Celtics é tão ruim, mas tão ruim, que o Glen Davis precisa entrar para segurar o garrafão na defesa e acertar os arremessos que o Garnett muitas vezes nem tenta no ataque. Tony Allen precisa entrar para defender o perímetro quando o Pierce tá com os pulmões pra fora. Nate Robinson precisa entrar e armar o jogo quando o Rondo toma um capote e se arrebenta (e se o Celtics campeão podia jogar fácil sem armador nenhum, já que não tinha jogadas de ataque, dessa vez eles passam para o Rondo e assistem, então não rola ficar sem armador). Esses caras mais-ou-menos terem papéis importantes é o que torna o Celtics incrível. Todo mundo está disposto a receber ajuda seja de onde ela vier, nas condições em que ela vier. Todo mundo dá o máximo, durante os jogos e fora deles, para fugir do risco de não ser lembrado pela história por ter gastado os melhores anos em franquias horríveis.

Se o Celtics enfrentou uma crise no meio da temporada, despencando na tabela e dando fria digna de quinta série do ginásio no Rasheed Wallace, é porque nem todo mundo tem essa sensação de "água batendo na bunda" que assola Garnett, Pierce e Allen. Eles são velhos e se dedicaram, treinaram como loucos, dão espaço para quem quiser se destacar se a vitória vier, e aí o Glen Davis só faz merda e chora, o Rasheed Wallace aparece gordo, destreinado e desinteressado, e o Nate Robinson queima arremessos como se fosse pelada de domingo? Me dói muito dizer, mas o grande trio que entrará no "Hall da Fama" agora é apenas um conjunto de três jogadores normais, nada espetaculares. Mas aquilo que eles representam, aquilo que eles significam, faz Rasheed Wallace ter que entrar em forma, Glen Davis ter que segurar o choro, Nate Robinsonter que jogar como se fosse o Rondo. Ninguém quer estragar a última chance que esses três tem de deixar um legado. Eles exigem isso, obrigam isso, e assim que todo mundo entendeu (ao invés de achar que era implicância, chateação, motivo de choro), a crise do Celtics virou farofa. Os três jogadores "normais" fazem com que todos os outros tenham que ser espetaculares. Nem que seja na base do grito.

Allen Iverson também representa algo enorme, também poderia levar um time ao limite para salvar seu legado. Um reserva qualquer entenderia que precisa jogar demais se for a última chance do Iverson na carreira. Mas Iverson simplesmente não aceitaria a ajuda necessária, não teria a consciência de que está velho, com joelhos frágeis, mira descalibrada, e não teria a humildade de colocar o time nas mãos de Rondo, Perkins e Glen Davis. A grande vantagem do Celtics em cima do Lakers, maior do que qualquer mando de quadra, é o relógio: o tempo está passando e essa pode ser a última chance desse Celtics ganhar outro anel. Todo mundo em Boston está consciente da passagem do tempo. Enquanto o Lakers de Kobe sabe que pode vencer bastante nos próximos anos, para o Celtics a temporada tem gosto de última chance. Por isso, independente de quais jogadores estejam em quadra, qual tipo de defesa e qual a qualidade técnica do confronto, o Celtics é pra mim favorito. Quanto mais velho e acabado Garnett parecer em quadra, melhor e mais motivado essa equipe será. A ajuda virá de todos os lados.

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Só defesa

Kevin Garnett com certeza está falando sobre o Gilbert Arenas


Ao fim do massacre do Celtics em cima do Cavs por mais de 30 pontos, perguntaram para o Garnett qual havia sido o plano ofensivo para aquela noite. O Garnett ficou até surpreso: "Ataque? Nem pensamos no ataque!". Confessou tranquilamente que o único plano desenhado era para a defesa, e que foi ela quem permitiu o bom andamente ofensivo. É por isso que o melhor modo de entender o que está acontecendo nessa série até agora é estudar as diferentes defesas que o Celtics utilizou. Foram diversas variações, todas focadas em apenas uma coisa: parar LeBron James.

...

Jogo 1

Defesa do Celtics: Paul Pierce ficou responsável por marcar LeBron individualmente, com a ajuda chegando apenas nas infiltrações. A ideia foi marcar o Cavs como se eles fossem um time comum e o Paul Pierce fosse um baita defensor. Rá.

Resposta do Cavs: O LeBron chutou o traseiro do Paul Pierce logo no começo do jogo, jogando principalmente dentro do garrafão e de costas para a cesta. Quando infiltrou, a ajuda chegou sempre atrasada e ou cometeu faltas ou deixou os jogadores de garrafão livres para enterradas. Vitória do Cavs.

Jogo 2

Defesa do Celtics: Marcação dupla em LeBron James quando ele ultrapassou a linha de três pontos, forçando que ele passasse a bola. Além disso, o Celtics apertou a saída de bola para tentar evitar que o LeBron saísse armando o jogo, para ter que receber a bola já na quadra de ataque.

Resposta do Cavs: LeBron teve que bater para dentro antes da marcação dupla chegar, o que faz o Cavs jogar num ritmo muito rápido, errar mais e permitir mais contra-ataques. Nos três primeiros quartos, LeBron preferiu passar a bola para alguém livre, sempre no perímetro, e o resultado foi muito ruim porque o Mo Williams fedeu. No final do jogo LeBron tentou ser mais agressivo e o resultado foi melhor. A marcação pesada na saída de bola levou a muitos erros de reposição e a uma tonelada de pontos fáceis para o Celtics, já que o Cavs não soube o que fazer. Apesar de uma recuperação no segundo tempo, o Celtics tinha aberto uma vantagem grande demais a princípio - essencial para vencer um time com LeBron. Além de evitar que a estrela possa decidir o jogo no final, abrir uma vantagem logo de cara permite que o banco do Celtics possa produzir sem muita responsabilidade, porque quando o jogo está apertado ninguém tem coragem de fazer merda e ameaçar tomar surra de chinelo do Garnett no vestiário.

Jogo 3

Defesa do Celtics: Se a marcação dupla deu tão certo e LeBron só teve algum sucesso no final do jogo, quando começou a infiltrar mais rapidamente, então o Celtics imaginou que o ideal seria dobrar no LeBron quando ele se colocasse em movimento rumo à cesta e colapsar toda a defesa para debaixo do aro, evitando a bandeja. Descer a mão tá valendo, LeBron é muito pior cobrando lances livres do que é dando enterradas. Ou seja, o que o Celtics fez foi desafiar o LeBron a arremessar, e puní-lo se ele entrasse no garrafão.

Resposta do Cavs: Incomodado com a defesa que havia recebido no jogo anterior, em que passou a maior parte do tempo passando a bola para os seus companheiros, LeBron entrou em quadra decidido a arremessar. Não enterrar, nem fazer bandeja, nem bater para dentro, nem passar a bola: apenas arremessar. Ficou no perímetro, sem marcação dupla, vendo a defesa do Celtics focada no garrafão, e acertou uma série de arremessos de fora. Enquanto a defesa do Celtics continuou com o plano original, LeBron pontuou sem parar em arremessos de longa distância e encontrando outros companheiros para arremessar de fora também. Quando a defesa adversária já não sabia mais o que fazer e entrou em colapso, LeBron deitou e rolou e o resultado foi a pior derrota da história em playoffs jogando em casa para o Celtics.

Jogo 4

Defesa do Celtics: Ao invés de marcar LeBron James, o plano foi marcar seu caminho. Funciona assim: um carinha qualquer marca o LeBron, não precisa ser o Paul Pierce, mesmo atrás da linha de três pontos. Outros dois jogadores, um de cada lado do LeBron, abandonam os jogadores que estão marcando apenas para dar uns passos para o lado, ocupando os espaços que LeBron usaria para infiltrar tanto à sua direita quanto à sua esquerda. Se ele infiltra, ao invés dos três fecharem em cima dele, apenas vão afunilando o caminho em direção à linha de fundo da quadra. Na prática isso deixou jogadores do Cavs livres, mas nem tanto assim (os marcadores estão próximos) e sem precisar dobrar a marcação a defesa no perímetro foi muito melhor, permitindo menos bolas de três do Cavs. Foi a melhor defesa que eu já vi ser usada contra o LeBron.

Resposta do Cavs: LeBron tentou arremessar, mas estava marcado mais de perto e errou tudo, dia ruim. Quando tentou infiltrar, começou a ver que os espaços estavam ocupados e que tinha que bater para a esquerda, rumo ao fim da quadra. Ficou preso na linha de fundo algumas vezes, onde enfim a marcação dobrava, e perdeu a bola constantemente. Rapidamente LeBron ficou frustrado e começou a passar a bola para os jogadores que ficavam livres com a defesa de espaços do Celtics, em especial Antawn Jamison. Bizarramente o Jamison só sabe cortar para a direita e ninguém no Celtics sabe disso, o técnico Doc Rivers não tem qualquer informação para ajudar a equipe, e então LeBron continuou colocando a bola para o Jamison cortar para dentro e atacar a cesta com facilidade. Mas a defesa mais forte de perímetro do Celtics fez o Cavs errar muitas bolas de três, e o time não soube mudar de estratégia. Bolas erradas de três pontos dão rebotes mais longos, que caíram nas mãos de Rajon Rondo, que assim pode puxar o contra-ataque mais rápido, para assim o Celtics não ter que enfrentar a fortíssima defesa de meia-quadra do Cavs, e assim LeBron e seus amigos não tinham como vencer o jogo. Mas pelo menos foi disputado.

Jogo 5

Defesa do Celtics: Mesma do jogo anterior, mas com alguns ajustes. A escolha foi de novo por marcar o caminho do LeBron, deixando jogadores do Cavs livres no garrafão. O objetivo era impedir os arremessos de três para pegar rebotes e jogar no contra-ataque, e deixar que Shaq recebesse a bola - marcando os espaços, é fácil para os jogadores do Celtics se aproximarem a tempo de fazer uma falta no pivô. Além de contar com o baixo aproveitamento de lances livres do garrafão do Cavs, isso ainda vai cortando o ritmo da equipe até convencer todo mundo a arremessar de três. Dessa vez, até mesmo o Shelden Williams entrou em quadra para o Celtics ter mais faltas para fazer no Shaq. Eu podia ter esse emprego: não jogar nunca, ficar lá apenas existindo, e entrar em quadra uma vez por ano para dar um chute no saco de um pivô velho.

Resposta do Cavs: LeBron não consegue ver essa defesa do Celtics e não enxergar espaços para os companheiros. Começou o jogo passando a bola, distribuindo assistências e principalmente dando a bola para Shaq toda vez que a marcação no LeBron dobrava na linha de fundo, liberando o pivô livre embaixo da cesta. O Shaq foi sofrendo faltas, fazendo seus pontinhos, errando lances livres, e o Celtics com isso acabava saindo no lucro. LeBron de novo não conseguiu acertar os arremessos, e ao infiltrar tomou safanão desde o primeiro passo - o objetivo é fazer falta antes de que LeBron possa cobrar os lances livres para que assim a jogada ofensiva recomece e, dessa vez, ele resolva passar a bola para alguém, de preferência o Shaq mesmo. Durante um tempo o elenco de apoio do Cavs segurou as pontas, com o LeBron só tocando de lado, mas quando o Celtics está tendo um grande jogo - às vezes acontece - é preciso uma atuação dominante para equilibrar a partida. Ela não veio, a defesa não deixou. Novamente, o Celtics jogou muito bem no contra-ataque e, na frente do placar, os reservas entram e jogam com facilidade, pontuam numa boa, bocejando, sem medo do Garnett beber o sangue de seus familiares.

...

A defesa permitiu a vitória, sem dúvidas, mas o Celtics também está ficando mais inteligente no ataque. Garnett, Paul Pierce e Ray Allen finalmente jogaram bem juntos, o que é raro, mas a minha impressão foi de que todos os pontos feitos pelo Celtics no jogo inteiro foram marcados em cima do Antawn Jamison. Sem brincadeira, basta espiar os melhores momentos para vê-lo tomando vários arremessos do Garnett, dribles secos do Paul Pierce, cestas consecutivas do Glen Davis, dentre outros. Finalmente o Celtics entendeu algumas chaves básicas para a vitória: defender como malucos, fazer LeBron James colocar para fora seu lado Madre Teresa e passar a bola, jogar no contra-ataque, e sempre que tiver que atacar em meia quadra, atacar o pobre do Antawn Jamison. Tá bom que o Jamison tem feito um bom trabalho no ataque em cima do Garnett, mas bastou que o Garnett se focasse em pará-lo para não existir mais um motivo sequer para que permanecesse em quadra. Eu teria tirado o Jamison, demitido seu traseiro gordo e proibido sua mãe de pisar em Cleveland nos primeiros 5 minutos de jogo, mas ele jogou mais de 30 - provavelmente para dar tempo do time inteiro do Celtics conseguir fazer uma cesta em sua cabeça. Me inscrevi para tentar pontuar em cima dele também, mas o jogo terminou antes que chamassem a minha senha.

Faz sentido que Garnett tenha ficado surpreso com a pergunta sobre o ataque impecável que o Celtics teve na noite de ontem: ele só se focou na defesa, jogou no contra-ataque, e quando teve que executar jogadas ofensivas foi marcado pelo Antawn Jamison, que é a mesma coisa que jogar sozinho. O ataque foi moleza, difícil foi defender com garra, pular em toda bola, garantir rebotes para o contra-ataque e parar LeBron James.

Bizarramente, no que parece ser uma frase vinda do Universo Bizarro, o ponto fraco de LeBron parece ser justamente sua mania de passar a bola para os jogadores livres durante o jogo. No começo de carreira ele perdeu muitos jogos passando a bola do último arremesso para algum cara aleatório que estava livre e que, por ser zé-ninguém, tremeu e errou. Todo mundo dizia que a verdadeira estrela arremessaria aquela bola não importando se a Alinne Moraes estivesse nua, livre e desempedida pedindo a porcaria da bola da zona morta. Aos poucos o LeBron foi parando de dar esse último passe, aprendeu a resolver finais de jogos sozinho, mas durante uma partida inteira em que três jogadores estão focados em pará-lo e outros companheiros tem espaço para infiltrar, ele não sabe fazer outra coisa além de acioná-los. Parece passivo, desinteressado, mas na verdade está fazendo o mais óbvio. No primeiro tempo do último jogo, quando seus companheiros acertaram arremessos, pareceu ótimo. Mas depois, quando todo mundo começa a ficar frustrado com LeBron por não assumir e com a defesa do Celtics por ser forte (e estar descendo o cacete!), os arremessos param de cair e aí é o LeBron que vai ficando frustrado com o resto do time. O elenco é incrível, muitos jogadores talentosos e capazes, mas ninguém ali além do LeBron tem aquela vontade de dar os últimos arremessos, de decidir sozinho. O único ali que quer fazer isso é o Mo Williams, mas ele não tem cérebro: vai te ganhar um jogo e perder outros três se você continuar lhe dando a bola. No entanto, é nele que resta a última esperança do Cavs. Se no próximo jogo, em Boston, Mo Williams não justificar os passes de LeBron, a série vai acabar. Se ele estiver inspirado e permitir um pouco de espaço para que LeBron faça o que sabe no final do jogo, a coisa complica. O que importa para o Cavs é manter a diferença de pontos sob controle até o quarto período, quando os reservas do Celtics amarelam e o LeBron pode pontuar e cavar faltas à vontade.

Na mesma entrevista, quando perguntado como fazer para vencer a série, Garnett respondeu com sinceridade: é só ganhar o próximo jogo em casa, é o único jeito. Admitiu que o Celtics não tem chances de enfrentar o melhor time da NBA com o melhor jogador da NBA num Jogo 7 sendo disputado em casa. Para o Celtics, a sensação para a próxima partida em Boston também é de tudo ou nada. Será que LeBron mudará sua resposta à defesa? Será que Mo Williams aparecerá para decidir? Porque para o Celtics, não há nada a aprender ou decidir: basta manter a defesa.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

O caminho, não o fim

Da esquerda para a direita: fede, fede, fede,
fede, fede, até que sabe jogar, e o Kobe



Pra mim, ter um anel de campeão não é critério pra porcaria nenhuma. Funciona como dizer que ganhar um Oscar é um modo de definir quem são os melhores atores do planeta, o que é ridículo. Basta forçar um pouco a memória e lembraremos que Darko Milicic foi o primeiro da sua turma (os draftados em 2003, que incluem LeBron, Carmelo e o Wade) a ganhar um anel. Quando a gente pensa que a Reese Witherspoon ganhou um Oscar, dá pra perceber que é mais ou menos a mesma coisa.

Não me entendam errado, não é como se ganhar um campeonato caísse mal para qualquer um, como é o caso do prêmio de melhor técnico do ano, por exemplo - que é praticamente um critério para saber quais são os piores da categoria (nos últimos três anos, o prêmio foi dado para Sam Mitchell e para Mike Brown, facilmente dois dos piores técnicos da atualidade, sem falar que dos últimos seis ganhadores, quatro perderam o emprego e o quinto deve vir em breve, já que o Mike Brown deve ir em breve para o olho da rua). Ser campeão faz bem para o currículo, para o ego e pega bem entre as mulheres, aumenta o salário e por vezes até o tamanho do pênis, mas não dá pra afirmar que é um divisor entre os jogadores grandes e os medianos, um critério para afirmar quem é realmente importante para a história.

Embora tenha uma atitude bastante contraditória a respeito, Kobe Bryant por vezes parece entender isso em algum grau. Para conseguir os seis anéis de campeão que Michael Jordan ostenta, Kobe poderia passar a vida inteira ao lado de Shaquille O'Neal, com quem ganhou três campeonatos. Não seria difícil imaginar um Los Angeles Lakers em que Kobe aceitasse ganhar apenas comida e o dinheiro do busão de modo a manter Shaq, um forte elenco de apoio, e superar o número de anéis de Jordan sem grandes dificuldades. Mas, ao lado do pivô, Kobe sabia que teria seus méritos questionados, sua importância diminuída e sua participação podada. Mais importante do que ganhar o título da NBA ano após ano, para Kobe o essencial era provar até onde ele poderia chegar sozinho, com suas próprias mãos. Sua jornada para tornar-se o melhor de todos os tempos, em sua cabeça, deveria exigir total controle sobre um time limitado e incapaz de dominar o esporte como fazia com Shaquille O'Neal e aquele time com complexo de Schumacher.

Mas sem Shaq aquele time simplesmente fedia. Em 2004, no que podemos dominar o primeiro ano do Kobe em carreira solo (Bochecha sem Claudinho), a equipe sequer foi para os playoffs. Mudanças foram feitas e Caron Butler, que chuta traseiros, foi trocado pelo Kwame Brown, que é uma afronta à raça humana. Andrew Bynum foi draftado sem sequer saber que meninos têm piupiu e meninas têm vagina. E foi então que Kobe Bryant pediu para ser trocado e seu plano de fazer tudo sozinho foi por água abaixo.

Se por um lado há uma intensão clara em tornar-se um jogador melhor, mais completo, mais capaz (algo que só vem com o peso da pressão e a responsabilidade de liderar um time), por outro lado Kobe é um maníaco pela vitória. Sua relação com o esporte parece pautada por esses dois sentimentos e um é obrigado a dar espaço para o outro constantemente, gerando constantes paradoxos. Ser o melhor da história por vezes parece exigir que ele esteja num time ruim, mas por vezes parece exigir anéis que só podem ser alcançados com elencos de primeira. Kobe não jogaria no Celtics ao lado de Garnett e Paul Pierce, por exemplo, sob o risco de diluir demais sua própria importância em quadra e tolher seu amadurecimento pessoal. No entanto, também não toparia jogar pelo Clippers e arrancá-los do fundo do poço com um milagre que dificilmente viria (mesmo com Kobe, o time continuaria em cima de um cemitério indígena).

Esse confronto de necessidades coloca Kobe numa posição extremamente delicada, já que exige um conjunto muito específico de circunstâncias para que o rapaz fique feliz e talhe seu nome na história do jeito que ele quer. Em 2006, ao não ter sido trocado, Kobe deparou-se subitamente com um time que fedia terrivelmente no ano anterior mas que parecia mais maduro, mais competente e finalmente compreendia o que o técnico Phil Jackson estava querendo dizer. Ali estava a combinação perfeita: um time porcaria, quase de dar vergonha, mas que conseguia fazer o trabalho em quadra e ganhar partidas. Cabia ao Kobe apenas definir qual seria o seu papel, como ele queria definir a si mesmo no time e na história: se jogaria para os companheiros, transformando o time cocô em ouro, ou se jogaria em seu máximo para garantir ao time horrível a presença do melhor jogador do planeta. Eliminado nos playoffs contra o Suns em dois anos consecutivos, Kobe e o resto do time foram pouco a pouco tentando encontrar suas identidades, tentando fazer aquele casamento estranho funcionar. Na temporada 2007-08, mesmo antes da troca-comadre por Pau Gasol, o Lakers já estava no topo do Oeste. Kobe havia conseguido.

Grandes jogadores nunca ganharam um anel de campeão. Michael Jordan, por mais que muitos tentem negar, estava numa situação perfeita, com um elenco de apoio fantástico que casava com seu estilo de jogo e as orientações de um dos maiores técnicos de todos os tempos. Kevin Garnett passou a vida com elencos mequetrefes, técnicos picaretas e sem quaisquer oportunidades para sagrar-se vencedor. É necessário, sempre, questionar as condições que cercam um jogador antes de constatar sua importância. O anel de campeão no dedo do Garnett arrepia, coroa uma carreira, e é uma história bonita para contar para os filhos (fica até mais bonita quando a gente pensa que o técnico era o Doc Rivers, que fede muito, e mesmo assim o time conseguia jogar defensivamente). Mas esse campeonato não pode, de modo algum, ofuscar tudo que o Garnett fez antes, sem as condições propícias para chegar no topo.

É por isso que, quando aquele Lakers sem Gasol começou a chutar traseiros, eu já me recostava no sofá e sorria feliz por estar presenciando história sendo feita. Não me importava se o Kobe ganharia anéis de campeão ou não, o fato dele ter construído circunstâncias desfavoráveis propositalmente de modo a superá-las mostrava que o caminho era mais importante do que o objetivo final. É claro que o caminho não faz sentido sem que exista um objetivo final, e o anel de campeão sempre foi claramente o motivo pelo qual o Kobe acorda todas as manhãs e escova os dentes, mas sua preocupação com o modo com que esse objetivo deveria ser alcançado coloca o próprio objetivo em segundo plano. Levar aquele time (que fedia, como fedia) para as Finais seria espetacular de um modo que derrota alguma poderia apagar.

Em geral, torcedores não conseguem compreender isso muito bem. Vivemos numa cultura completamente bitolada nos fins e nunca no meio pelo qual os fins são atingidos (é uma cultura como essa que permite e louva a existência do Bruce Bowen, por exemplo). LeBron James carregou nas costas, de forma inacreditável, um Cavs horripilante rumo a uma Final de NBA. O Spurs chutou o traseiro da equipe e deu vergonha alheia, mas era o modo como LeBron havia chegado ali que importava realmente, o objetivo final de ser campeão era apenas uma desculpa, um motivo para que o caminho ocorresse. A história pode lembrar apenas do Spurs campeão, porque ela é cruel com os perdedores, mas quem ama o basquete sabe o que o LeBron fez contra o Pistons para chegar ali. Sabe que o time era pior do que programa do Gilberto Barros, e que esperar um anel do Cavs seria mais cruel do que o Silvio Santos com a Maísa.

Confesso que a chegada de Pau Gasol tirou um pouco da graça daquele Los Angeles Lakers risível que mesmo assim caminhava sobre as próprias pernas. Mas Gasol não desequilibra jogos, casou-se bem com o Lakers porque é inteligente, e evoluiu seu jogo junto com todos os outros jogadores da equipe. Frágil, limitada (opa, melhor não usar essa palavra, digamos apenas "inconsistente"), a equipe do Lakers mostrou-se capaz de superar os próprios limites quando realmente importava. E Kobe não apenas tem um anel (que poderia não ter vindo e não mudaria nada), tem também uma história de superação e amadurecimento que é apaixonante. Criticado por arremessar demais, por arremessar de menos, por chamar muito a responsabilidade, por fugir da responsabilidade, por desfazer um time bom, por reclamar de um time ruim, Kobe passou por tudo e mostrou sua total capacidade de adaptação.

Evoluir não é apenas fazer melhor, é também descobrir como reagimos em situações que desconhecemos, é saber como somos frente a adversidades que poderíamos ter evitado. Há muito de punição e sofrimento naquilo que compreendemos como jornadas de auto-conhecimento, do jejum cristão no deserto à privação material budista, e Kobe puniu-se com um time ruim e tentou superá-lo (não foi, também, o que Jordan fez ao tentar retornar à NBA pelo Washington Wizards?). Kobe fraquejou ("me troquem!"), errou, criticou e foi totalmente bitolado, mas saiu uma pessoa diferente dentro de quadra e, tenho certeza, fora dela também. O que vemos agora é um Kobe mais espontâneo, seguro de si mesmo, capaz de falar em voz alta, ter amigos, lidar com pessoas, liderar pelo exemplo. Não muitos anos atrás ele era solitário, fechado, antipático e incapaz de trabalhar em equipe. Agora ele consegue agradecer o Odom olhos-nos-olhos, motivar sua equipe, sorrir, ser acessível e até ir na televisão fazer piadinhas sobre a cara-de-Kobe. Consegue fazer o que é necessário para seu time e, quem diria, ganhou seu quarto anel de campeão, dessa vez sem Shaquille O'Neal. Criou suas próprias circunstâncias (fora o Gasol, que caiu do céu) e conseguiu as duas coisas: a jornada de amadurecimento, de evolução, de adversidade; e também o anel para a história, para aqueles que querem compará-lo ao Jordan utilizando números e bijouterias. O paradoxo está calado: Kobe conseguiu tudo. Abraçou o mundo.

Não alcançou isso com um time ruim demais e nem com um time bom demais (é como diz o filósofo, "não precisa ser muito bonita, e nem muito feia"), não foi nas costas do Gasol ou do Bynum ou do Ariza, mas também não foi apesar deles. Conseguiu as circunstâncias ideais para superar-se e alcançar o objetivo ao final. Mas eu realmente não poderia me lascar menos para esse título de campeão (estava muito mais interessado em ver o Magic ganhar porque sem o anel eles vão ser esquecidos em cinco minutos), foi o caminho que o Kobe percorreu desde 2004 que o coloca realmente entre os grandes. Sorte de quem assistiu de perto e consegue se despir de estatísticas e comparações desnecessárias por aí.

Para ser campeão de novo, o Lakers deveria renovar o contrato de Lamar Odom e Trevor Ariza, fundamentais nos playoffs, mas a tarefa não será nada fácil com o salário monstruoso que o Bynum ganha para cometer faltas a cada três segundos. Kobe pode optar por terminar seu contrato com o Lakers e assinar outro, ganhando menos grana. Não vejo o Kobe saindo da equipe, já que batalhou tanto para construir as condições para fazer as coisas funcionarem - e do seu jeito. Mas não sei até que ponto ele estará disposto a abrir mão de sua grana para manter a equipe intacta. De todo modo, outras dificuldades aparecerão, outros jogadores desaprenderão a jogar basquete (quem será o próximo Sasha Vujacic?), e não posso imaginar algo mais delicioso do que assistir ao Kobe criando modos de passar por cima disso. Mesmo que o resultado final não seja aquilo que as pessoas esperem, esse Lakers frágil escalando a NBA é uma das coisas mais legais que temos no basquete em muito tempo. A hora é de, mais do que de parabenizar, admirar. A cara-de-Kobe mostra foco no objetivo final, dedicação, exagero, cotovelada no Dwight Howard, e toda aquela nerdisse basquetebolística que no Kobe achamos até bonitinho. Mas o sorriso dele, sua relação com o resto da equipe, o amadurecimento do seu jogo, tudo isso mostra o caminho que ele percorreu. E esse Kobe, que vimos caminhar por tanto tempo, está aí para ser mesmo admirado, não importa quão birrento ou fã de LeBron ou Jordan você seja. O Kobe nos deu férias antecipadas da NBA, safado, se negando a perder mais jogos contra o Magic, mas a verdade é que ele merece. E nós, definitivamente, já vimos o suficiente.

domingo, 19 de abril de 2009

Duas zebras e um LeBron

LeBron pensa numa desculpa para não ter
nem que aparecer no próximo jogo



Para resumir os jogos de sábado, quem tinha mando de quadra se lascou: só deu zebra. A não ser o LeBron James, aquele débil mental, que simplesmente não vale. O Cavs nem percebeu que o Pistons entrou em quadra, se deu ao luxo de tirar uns cochilos esporádicos, e mesmo assim venceu quase sem querer. Foi o maior emblema, para mim, da era pós-Billups na equipe de Detroit: lembra quando o Pistons ficava sempre 10 pontos atrás do adversário, parecendo não se importar, com toda a empolgação de um Duncan assistindo "Manhattan Connection", e aí quando o jogo se aproximava do seu final, de repente, o time inteiro acordava e virava a partida como se fosse a coisa mais natural do mundo, entre bocejos e risos debochados? Pois é, ontem foi justamente o contrário: 10 pontos atrás no placar por todo o jogo, quando chegou a hora de uma reação o time ficou mais de 20 pontos atrás. É o Mundo Bizarro, em que o Billups não joga em Detroit, o Pistons perde no final dos jogos e a Maísa tira a peruca do Sílvio na tevê. Cheguei a ficar com vergonha do Pistons em alguns momentos, principalmente ao lembrar do fiasco do Iverson, que poderia ter dado tão certo. Desesperados com a defesa intensa do Cavs, por diversas vezes o Pistons teve que confiar a bola nas mãos de Will Bynum para criar seu próprio arremesso, e não importa quão bom ele possa ser um dia, o cara acabou de vir da Liga de Desenvolvimento e não dá pra achar que um cara que era estrela no Ipatinga pode fazer um trabalho tão bom quanto o Allen Iverson. A diferença? O Iverson é uma estrela e o elenco do Pistons jamais poderia suportar que ele criasse seu próprio arremesso enquanto o resto do time, com dor no cotovelo, assiste impotente. O resultado é que o time inteiro assistiu impotente ao Cavs distribuindo a bola, envolvendo todos os companheiros de equipe, mas confiando em jogadas de isolação de LeBron James toda vez que o esquema ofensivo dava errado. Com 38 pontos em tudo que der pra imaginar, de enterradas, arremessos girando o corpo a bolas de três pontos do meio da quadra, LeBron não apenas cala seus críticos ("ele não sabe arremessar", "ele só se baseia na força física", "ele não achou a cura para o câncer") mas também prova que um basquete coletivo e uma estrela capaz de jogadas individuais podem coexistir. Iverson apenas foi mal recebido e mal utilizado.

O que imediatamente me lembra do Dallas Mavericks. Alguns dias atrás tentei compreender o que diabos acontece com a equipe, que supostamente fede mas mesmo assim acaba vencendo, acabou bem a temporada e garantiu uma boa posição nos playoffs. Ontem, contra o Spurs, pudemos ver mais de perto e confesso que fiquei indignado. Troque o Jason Kidd pela minha avó, ao menos nos dias em que ela se lembra do caminho para o banheiro, e não haverá qualquer diferença tática. Tudo que o Kidd sabe fazer de melhor é ignorado pelo esquema planejado pelo técnico, nem contra-ataque ele consegue puxar: o Dampier e o Nowitzki não acompanham, enquanto Josh Howard, Jason Terry e quem mais estiver em quadra sempre segue a tendência de abrir, rumo à linha de três pontos. Toda vez que o Kidd pega um rebote e corre para o ataque, o garrafão está sempre vazio, com jogadores do Mavs esperando a oportunidade de arremessar de três. Bons tempos em que sempre havia alguém capaz de encerrar seus contra-ataques com uma enterrada, de Kenyon Martin a Mikki Moore, de Kerry Kittles a Richard Jefferson. Nem é questão de talento (vários desses nomes fedem), mas de saber criar um elenco que usa as qualidades de cada um. No Mavs todo mundo tem alergia de garrafão, até o Brandon Bass que supostamente deveria jogar debaixo da cesta se baseia em arremessos de média distância. Parece que todo mundo na equipe acha que está no campeonato de 3 pontos do All-Star Game, só que com um pouco mais de animação. Se o Kidd consegue alguma coisa é porque tira água de pedra, mas passar para o lado para jogadas de isolação de Josh Howard, Nowitzki e Jason Terry não pode fazer bem para o fim de carreira de ninguém. Para piorar, é claro que o Kidd não pode defender Tony Parker (não é demérito nenhum, quase ninguém na NBA pode, mas o Kidd poderia pelo menos tentar cheirar o Parker de vez em quando para ver se tem um resto perfume da Eva Longoria) e por vezes, ao invés de se tornar um trunfo, ele vira um fardo em quadra. Os melhores momentos da equipe foram com o "José João" Barea (já diria alguém no chat do Bola Presa) lá no quinteto titular, não porque ele seja o melhor marcador da raça humana, mas simplesmente porque ele consegue correr atrás do Parker e não dar a impressão de que o Mavs defende com apenas 4 jogadores. Já o Spurs jogou como sempre, o Parker dominou o garrafão, o Duncan acertou suas cestas usando a tabela (tm - "marca registrada, todos os diretos reservados"), e pra mim obviamente ganhou o jogo. A não ser pelo placar, que me desmente. Estou acostumado a ver o Spurs jogar sempre do mesmo jeito, o outro time feder, e a partida acabar com o Spurs muito na frente. Dessa vez foi tudo como de costume mas o Mavs venceu, em San Antonio, com o Kidd mal utilizado, os lapsos defensivos, a fobia de garrafão, uma partida com excesso de faltas do Nowitzki e o Mark Cuban com aquela cara de nerd fracassado na torcida. Não sei se o Spurs não é mais o mesmo ou se, diabos, eu é que não entendo esse Mavs de jeito nenhum!

Mas enquanto Jason Kidd e Iverson são brutalmente mal aproveitados em suas equipes, um armador foi usado à perfeição na maior zebra da noite. Derrick Rose, também conhecido como "o-homem-que-eu-achei-que-não-deveria-ter-sido-escolhido-pelo-Bulls", mostrou que pode simplesmente fazer o que bem entender em quadra e todo mundo deixa. "Dá uma licencinha para eu fazer uma bandeja, por gentileza?", "Pois não, senhor Rose, quer também um suquinho, uns amendoins e dormir com minha mulher?". O abuso foi tão grande que não dava para não lembrar do Dwyane Wade, quando foi campeão da NBA, completamente imparável e cobrando quinhentos lances livres por jogo. Apanhou tanto, culpa do desespero das defesas, que a imagem ficou queimada na retina dos juízes: bastava alguém na torcida espirrar e, por reflexo, marcavam falta no Wade. Com o Derrick Rose foi igual, ele cobrou 12 lances livres e acertou todos, alguns foram pancadas, outros apenas força do hábito, mas mais importante do que isso foi a frieza com que metodicamente dava um drible seco, atacava a cesta e convertia cada um dos seus lances livres. Foi essa frieza que Paul Pierce, depois de ser atropelado pelo grosso do Joaquim Noah, não teve - poderia ter vencido o jogo mas, perdendo um de seus lances livres, levou o jogo para a prorrogação. Meu argumento para que o Bulls tivesse draftado Beasley remete a um problema tão óbvio que está em todos os livros de história ("problemas do século XXI: desigualdade social, AIDS e malária na África, conflitos na Faixa de Gaza, o garrafão ofensivo do Chicago Bulls"), que é a incapacidade da equipe em atacar a cesta, em ter uma força ofensiva debaixo do aro. Dar uma grana maluca para o Luol Deng não ajuda nada quando a gente lembra que ele tem uma paixão por arremessar, e o garrafão continua sendo composto por sutilizas como o Noah e o Tyrus Thomas (tem alguma alma viva, além da mãe dele, que não tenha certeza absoluta de que ele vai fazer merda toda vez que toca na bola?). Mas aí está uma resposta inusitada e que deu mais certo do que eu jamais poderia sonhar: Derrick Rose ataca a cesta, congestiona o garrafão, acerta suas bolas e com isso cria espaços para os seus companheiros que assistem tudo a 30 metros de distância. Além dos 36 pontos no jogo, foram 11 assistências. Vale dizer que o Bulls ainda fede, que o Tyrus Thomas acertou na sorte arremessos que nenhum ser humano deveria ter tentado converter, mas esse Celtics sem Garnett tem um garrafão de mentirinha, uma defesa esburacada e nem um pouco de confiança, principalmente quando as bolas do Ray Allen não estão caindo. Para mim, a ausência de Garnett apenas explicita a incapacidade do Doc Rivers, tão bom técnico quanto o Pedro Bial é poeta. Na verdade, é o Garnett quem coloca ordem na bagaça, tanto na defesa quanto no ataque, e ele deu muito mais intruções para o Allen e o resto do time na partida de ontem, mesmo de terno no banco de reservas, do que o Doc Rivers já falou em toda sua vida ("vamos lá, time!" não vale). Não vamos nos precipitar, o Hawks na temporada passada provou que qualquer um poderia ganhar do Celtics na primeira rodada dos playoffs mas, depois que o Celtics ganhou deles no jogo 7, ninguém nunca mais conseguiu parar os verdinhos. É cedo para achar que essa zebra significa que o Celtics está morto.

O que não é o caso da última zebra da noite, a vitória do Houston em cima do Blazers. Tenho que ser sincero, por um lado estava muito feliz de finalmente não enfrentar o Jazz na primeira rodada dos playoffs, mas por outro lado fiquei desesperado com a idéia de pegar o Blazers. Empolgados, profundos, com mando de quadra e dois pivôs para dar trabalho para Yao: Przybilla, um dos pivôs mais pentelhos do mundo na defesa, e Greg Oden, com seus 62 anos de experiência no garrafão. Estava pessimista, o Blazers é um dos melhores times jogando dentro de casa e, com mando de quadra, apenas um milagre levaria meu time para a próxima rodada. Talvez uma vitória de surpresa, logo no primeiro jogo. Talvez. Camiseta do Yao em mãos, transmissão clandestina na internet, esperei o melhor - e recebi. Apesar do apoio da torcida em Portland, a equipe pareceu nervosa e inexperiente a princípio, e muito desinteressada depois, quando a diferença de pontos subiu demais. Foi um massacre de um time calejado, que aprendeu a jogar de trocentas formas diferentes por sempre sofrer com contusões, e um time novo que nunca esteve naquela situação, medroso e incapaz de barrar algumas armas ofensivas óbvias. Yao Ming sentou todo mundo e brincou de escolinha: "vamos aprender como marcar pontos de tudo quanto é jeito, vamos?" Foram ganchos, enterradas, arremessos de fora, giros em cima dos pivôs adversários. Apesar de não parecer (as rugas enganam), Oden é uma criança sem fundamentos suficientes para segurar a técnica de Yao. Przybilla, por sua vez, é apenas ruim demais para a tarefa. Acertando todos os seus 9 arremessos e todos os 6 lances livres, Yao marcou 24 pontos só no primeiro tempo. E poderia ter sido muito mais, porque apesar de estar dominando o jogo, foi continuamente ignorado pelo resto do elenco em posses de bola seguidas, quando alguém resolvia arremessar de três ou isolar o Artest em alguma jogada tola. Se tivessem apelado, Yao teria feito mais de 30 só para começar. No segundo tempo, chegou a colocar os pés em quadra mas sentou logo, o Houston não precisava dele porque o Blazers queria ir para casa ver o filme do Pelé. Foi um massacre sem T-Mac e sem Rafer Alston (obrigado, obrigado, Deus existe!), a partida mais fácil do Houston em playoffs nessa década. Torcedor maluco ou não, pra mim a série já era para o Blazers. Ficaram óbvias falhas grandes demais que não serão arrumadas a tempo. Quem sabe pelo menos façam uma marcação dupla no Yao Ming no próximo jogo, para dar uma graça.


Não tinha como pedir um primeiro dia de playoffs mais legal do que esse: três zebras, um LeBron James, prorrogação e vitória fácil do Houston. Eu pelo menos estou feliz, e convenhamos que em matéria de playoff, não é muito fácil ver um torcedor do Rockets sorrindo. Hoje tem mais, com Lakers e Jazz às 16h, Sixers e Magic às 18h30, Heat e Hawks às 21h e Hornets e Nuggets às 23h30. Nada de jogo na televisão dessa vez, abandonados que estamos na terra do futebol. Mas a internet está aí para isso, aqui no chat do Bola Presa sempre tem algum link pra assistir na hora do jogo. Não dá pra perder nenhuma partida hoje, será que talvez tenhamos de novo três zebras e um Kobe Bryant?

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Análise dos técnicos - Divisão Atlântica

É uma boa idéia esconder o rosto ao pedir a demissão de alguém: Doc Rivers e Danny Ainge agora são "gênios" após levar o Celtics ao título


Estamos de volta com mais um punhado de técnicos em nossa semana especial para eles, e muito provavelmente trazemos a leva mais polêmica (para não dizer "incompetente") de toda a série. Nos técnicos da vez, todos foram taxados de gênios e então considerados completos imbecis, ou então foram chamados de imbecis e depois sagrados gênios. Se existe uma prova de que a vida é efêmera, que a torcida é volúvel e que nada dura para sempre, essa prova são os técnicos da Divisão Atlântica. Então, vamos a eles!


Doc Rivers, Boston Celtics

Atual campeão da NBA comandando o Boston Celtics, Rivers é a maior prova de que técnicos acabam sendo julgados pelo talento de seus elencos. Quando o Celtics fedia, com jogadores jovens, semi-amadores e só meia dúzia de vitórias, Doc Rivers era um dos piores técnicos a ter habitado esse planeta. Quando o Celtics ganhou a torto e a direito com Pierce, Ray Allen e Garnett, cotaram o Doc Rivers para o prêmio de melhor técnico do ano. Só pode ser brincadeira.

Quando assumiu seu primeiro time, o Magic, o esperado era que as derrotas fossem o padrão, porque o time fedia. Mas a volta de jogadores contundidos e as novas aquisições levaram o time a surpreender, ficar a apenas uma vitória de alcançar os playoffs e Doc Rivers levou para casa o prêmio de técnico do ano. Culpa clara de um elenco que era melhor do que se esperava e que acabou surpreendendo. Não que o Rivers não tenha sua parcela de culpa, ele é um motivador nato capaz de acabar com a postura derrotista de qualquer equipe, está sempre gritando e incentivando. Durante um pedido de tempo, uma ação clássica do Doc Rivers seria gritar a plenos pulmões: "Gente, o negócio é defender, vamos então impedir eles de fazer pontos, só assim vamos vencer. Ouviram? Vamos defender! É isso aí." Obrigado, senhor técnico genial, se você não tivesse dito isso eu teria continuado achando que ganha quem permite que o adversário marque mais pontos. Dã!

Ao ser perguntado sobre as diferenças entre treinar o Celtics que fedia e o Celtics com três futuros membros do Hall da Fama, Doc Rivers afirmou que era exatamente a mesma coisa. E ele tem razão, é exatamente a mesma coisa se tudo que você sabe fazer é gritar coisas abstratas como "defendam!" ou "vamos lá, vamos fazer essa cesta!". Taticamente, o Rivers é tipo a Vovó Mafalda: uma farsa, até uma criança pode ver aquelas pernas peludas e perceber que a Vovó é homem. Como é que alguém cai na farsa do Doc Rivers a ponto de acreditar que ele faz algo mais em quadra além de berrar e bater palmas?


Lawrence Frank, New Jersey Nets

Depois de utilizar com sucesso a tal da "Princeton offense" no Nets, Byron Scott acabou indo para o olho da rua. Quem assumiu o cargo temporariamente foi seu assistente técnico Lawrence Frank, um nanino, branquelo e nerd estudante de basquete. Provavelmente alérgico a laticínios e incapaz de vestir as meias sem ajuda da mãe mas um gênio quando o assunto é tática e prancheta.

Sua primeira ação no comando do Nets foi modificar a "Princeton offense", adicionando a ela mais recursos e, consequentemente, tornando-a mais complexa. Sem resultado, voltou atrás, retornando o ataque ao modelo original, depois resolveu mudá-lo novamente dando ênfase aos jogadores que estivessem melhor durante a partida, aí depois mudou de idéia outra vez. Com uma personalidade apagada, cara de coitado e histórico de nerd, Lawrence Frank não tem confiança no que está fazendo. Sempre volta atrás, está o tempo inteiro fazendo experimentos malucos e não encontra sua voz, seu modelo de trabalho.

Essa sua falta de padrão vai além da tática, afetando a rotação. Ninguém sabe entender o motivo do então novato Sean Williams ter jogos tão produtivos e de repente ir parar no banco, deixando de ser usado por inúmeras partidas em sequência. Josh Boone praticamente não tinha minutos e de uma hora para outra virou titular, depois voltou pro banco, depois foi titular outra vez. A vida do Nets é como sexo com a Elke Maravilha: você nunca sabe como vai ser, mas tem certeza de que será uma merda.


Não é à toa que seja tão odiado, tendo inclusive um site apenas pedindo sua demissão, algo como DemitaFrank.com. Quando era assistente técnico, achavam ele um gênio. Agora, técnico em tempo integral, trata-se apenas de um estrategista nerd e confuso que, no fim das contas, acaba só colocando a bola nas mãos de Vince Carter, isolando ele num canto e obrigando o coitado a forçar arremessos. Ainda assim, recebeu recentemente uma extensão de contrato para ficar mais alguns anos em New Jersey, deixando muitos torcedores tão felizes quanto ao ter uma apendicite. O pretexto é que Frank é um excelente professor, ideal para instruir os fundamentos do jogo ao jovem elenco do Nets. Só não entendi o que ele ensinou pro Sean Williams trancando o coitado no banco depois de atuações tão promissoras.


Mike D'Antoni, New York Knicks

O bigodinho mais famoso da NBA tornou-se praticamente uma lenda com a filosofia de "7 segundos ou menos", ou seja, a idéia de que as melhores oportunidades para pontuar acontecem nos primeiros 7 segundos de posse de bola. Na prática, isso significa correr como um maluco e arremessar o mais depressa possível. Parece estranho mas é uma tática funcional e responsável por formar um dos times mais velozes e divertidos de se assistir nos últimos anos.

A tática de D'Antoni é especialmente efetiva contra times mais fracos, sem identidade, que acabam sendo pegos na correria e tentam devolver na mesma moeda. Marcando trocentos pontos num ataque balanceado, evita-se que times com menos talento consigam manter o mesmo ritmo, mesmo que não exista esforço na defesa. Com isso, o Suns de D'Antoni chutou centenas de traseiros na NBA, aniquilando com facilidade os adversários mais frágeis mas suando contra adversários de peso. Ao enfrentar equipes equilibradas que joguem de maneira lenta e cadenciada, protegendo a posse de bola, a técnica de correr e arremessar (run 'n gun) de D'Antoni encontra graves problemas para funcionar. A encarnação na Terra da entidade cósmica do basquete lento e cadenciado é o Spurs de Gregg Popovich, que aniquilou ano após ano os "7 segundos ou menos", até que o Suns resolveu seguir em outro caminho.

Ainda assim, gosto de ressaltar a habilidade de Mike D'Antoni em ajustar seu modo de jogo quando Shaquille O'Neal chegou em Phoenix. O bigodinho soube colocar Shaq na movimentação ofensiva, criou uma série de jogadas embaixo do aro e dentro do garrafão, ajustou o ritmo da equipe. Na prática, não deu certo, mas ao menos mostra que D'Antoni é maleável, capaz de adaptar seu estilo de jogo aos jogadores disponíveis. Na verdade, diz a lenda que os "7 segundos ou menos" surgiram porque D'Antoni achava o elenco do Suns muito limitado para outras táticas, tipo aquele troço esquisito que algumas culturas chamam de "defesa". Agora, no Knicks, terá que adaptar sua forma de treinar para encaixar dois jogadores lentos, pesados e que exigem a bola (e a comida) nas mãos o tempo todo: Eddy Curry e Zach Randolph.

É muito comum alegar que o estilo do D'Antoni necessita exclusivamente de Steve Nash e que, sem o armador canadense, acabará se tornando apenas um técnico comum, sem personalidade. O desafio de lidar com o Knicks seria, justamente, lidar com um time limitado, lento, e não poder colocar o time nas costas de Nash - coisa que D'Antoni sempre fez em excesso em Phoenix, minutos demais por partida, no que ocasionava uma exaustão padrão de Nash quando chegava a época dos playoffs.

Outro fato contra D'Antoni é seu foco (ou falta de foco, na verdade) na defesa. Uma coisa é priorizar o ataque, a velocidade, a correria controlada. Na verdade, como assistente técnico da seleção americana nas Olimpíadas, deixou estrelas como Kobe, Wade e Carmelo fascinadas com a carga tática presente na idéia de "7 segundos ou menos", levando-os a afirmar que seria uma delícia jogar para ele. Mas outra coisa é o Amaré dizer, como o fez recentemente, que nunca teve um único treino defensivo em Phoenix e que por isso não dá pra culpá-lo por não saber sequer levantar os braços. Imagina se o Mike D'Antoni nunca der um treino de defesa no Knicks, Curry e Randolph vão até sentar no chão quando o time adversário estiver atacando. Se foi chamado de gênio em sua época no Suns, tem tudo para ser chamado de nomes menos lisongeiros lá em New York, até porque a situação por aquelas bandas continua uma merda: ninguém decide se o Randolph vai ser trocado ou não, se o Marbury vai ser mandado embora ou não, ou se H2OH! é refrigerante ou não.


Mo Cheeks, Philadelphia 76ers

Um dos caras mais tranquilos do planeta na era pós-Gandhi, Mo Cheeks está sempre numa boa, sentadão no banco de reservas sem gritar com seus jogadores, sem se intrometer no que acontece em quadra e sem chamar as jogadas que acha que devem ser feitas. Jogar para o Cheeks é tipo ter um patrão que deixa você passar o dia inteiro fuçando no Orkut.

O único problema é que Cheeks é famoso por não entender muito da parte teórica do jogo. Ou seja, sua abordagem parece ser "vou ficar quietinho aqui no canto para não perceberem que não sei o que estou fazendo." Mas seus méritos estão no que acontece fora da quadra. Com seu jeitão camarada, Mo Cheeks costuma ser adorado pelos torcedores, pelos dirigentes e também pelos jogadores. Sabe lidar com cada membro de seus elencos individualmente, tentando deixar todo mundo contente e chamando para tomar uma cervejinha depois do expediente. No entanto, nem todo mundo consegue ficar feliz jogando para um cara sorridente que não faz nada no plano tático, principalmente as grandes estrelas. Por isso, tanto no Blazers quanto no Sixers, os jogadores mais importantes sempre estiveram descontentes, caso do Iverson, que achava merecer coisa melhor.

Quando Iverson foi trocado, o que restou para o Cheeks foi um elenco fraco, mediano no máximo, com jogadores pouco expressivos, um monte de "carregadores de piano", jogadores dispostos a ajudar mas não liderar a equipe. Os gritos de "demitam Mo Cheeks" eram diários, porque ninguém aguenta um cara simpático que não faz o trabalho que deveria enquanto embolsa milhões de dólares. Mas eis que esses jogadores medianos, felizes com seu técnico sorridente, chegaram longe e se enfiaram nos playoffs. E agora um dos técnicos mais famosamente incompetentes da NBA acabou de receber uma extensão de contrato. Verdade seja dita, talvez seu estilo de pouca interferência e amizade seja o ideal para um time jovem e sem duelo de egos como é o Sixers. Mas às vezes, é apenas questão de sorte.


Sam Mitchell, Toronto Raptors

É difícil entender como Sam Mitchell foi parar no cargo de técnico do Raptors sem ter praticamente nenhuma experiência prévia. Provavelmente, foi o único mamífero bípede que aceitou se mudar para o Canadá para trabalhar ao lado dos ursos e dos guardas florestais.

Pouco depois de assumir o cargo, foi eleito o pior técnico do ano em uma votação que incluiu jogadores de todos os times da NBA, comprovando o que era óbvio: Mitchell não sabe o que está fazendo, montou um esquema defensivo ridículo e as jogadas que ele planejava no ataque, principalmente as no finalzinho do cronômetro, eram piadas de mal gosto. Como se não bastasse, Sam Mitchell chegou arrumando encrenca com vários jogadores, provavelmente mal humorado por estar preso no Canadá. Rafer Alston, que sofreu tanto para conseguir um papel na NBA depois de anos e mais anos de basquete de rua e ligas menores, confessou que pensou em desistir do esporte no seu período com Mitchell. O técnico biruta ia de colocar um jogador como titular a deixá-lo no final do banco, sem jogar, na partida seguinte. Ao ser questionado, arrumava briga imediata, fosse com os jogadores, fosse com os jornalistas. O cara parece uma crise da Bolsa esperando para acontecer.

Diz a lenda que Sam Mitchell é talentoso para criar um conjunto, ter uma visão geral daquilo que ele deseja em quadra, mas que não sabe lidar individualmente com seus jogadores. Não sabe lhes transmitir o que quer, seus planos, seus motivos, e não sabe utilizar as habilidades de cada um. Foi Mitchell o responsável por afogar no banco o armador Rafer Alston, agora uma peça importante do Houston, além de Kapono, que era uma peça importante no Heat. O italiano Bargnani parece ter o mesmo destino. Todos são jogadores com suas capacidades e suas limitações, mas Mitchell não sabe lidar com as limitações, prefere trancafiar todo mundo no banco e pronto.

Em todo caso, não tem como negar que o sujeito melhorou muito nessa última temporada (mesmo que isso não queira dizer muita coisa), chamando jogadas mais eficientes e aprendendo a se relacionar com seus jogadores. Peças importantes continuaram não utilizadas, mofando no banco, e a bagunça de TJ Ford e Calderon revezando a vaga de titular é coisa de técnico sem critério, mas agora seus jogadores dizem ao menos confiar no que ele está fazendo, na visão geral. O responsável por montar o elenco, Bryan Colangelo, ex-dirigente responsável por montar o Suns, aposta todas as suas fichas em Sam Mitchell, alegando que ele aprendeu muito com a prática, com o estudo, e que até os jogadores percebem a diferença. Agora, só falta eu perceber a diferença. Por enquanto, continua sendo pra mim o pior técnico dessa budega - mais um que, após um par de idas para os playoffs, ameaça ser chamado de gênio.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

"Both Teams Played Hard" - 12/01/09

"Ah, minha mãe, minha mãe... é a mulher do meu pai!"


Estamos de volta com mais uma coluna "Both Teams Played Hard"! Dessa vez, menos de um mês depois de nossa última empreitada no mundo das perguntas e respostas, o que deve ser um novo recorde pessoal! Vamos sempre lutar para conseguir bater novos recordes de velocidade nas respostas, mas o mais provável é que nosso recorde vire farofa quenem o recorde de mais vitórias em uma temporada do Boston Celtics, que agora fede.

Para você que é novo aqui, e pra você que tem memória de pianista minimalista, o "Both Teams Played Hard" é seu espaço para fazer qualquer tipo de pergunta e ter suas dúvidas respondidas pelos dois sujeitos que escrevem nesse blog. É um clima bem família, uma vibe bem sussa, então sinta-se em casa, pegue uma xícara de chá e ponha pra fora suas questões mais íntimas - é bem mais barato do que pagar um psicólogo, e quase tão prático quanto procurar no Google, com a vantagem de que, ao contrário do Google, metade dos nossos resultados não são pornografia (a não ser que você pergunte sobre pornografia, claro). Vale perguntar sobre qualquer assunto, de conselhos matrimoniais a dicas de fantasy, só não pode perguntar quando vamos responder. Como diria aquele filósofo famoso, "deixa acontecer naturalmente", até porque dificilmente vai dar tempo de ler essa coluna inteira antes de sair a próxima. Como muitos leitores comentaram que a coluna é enorme mas que não deveria diminuir, o tamanho se manteve o mesmo - embora tenhamos uma proposta para isso, apresentada mais pra frente.

Nessa coluna, temos desenhos animados, jogos antigos de computador, muito Dallas Mavericks, Wilt Chamberlain, a nova liga de basquete no Brasil, mais propostas esdrúxulas de troca e um punhado de estatísticas bizarras, porque o Denis adora.

Como na edição anterior, as perguntas estão escondidinhas para não ficar aquele tijolo de texto atrapalhando o blog. Para ler, basta clicar no link abaixo:

Both Teams Played Hard

Os comentários podem ser feitos tanto nesse post quanto na versão completa, presente no link acima. Divirtam-se, boa viagem, e não se esqueçam de levar um guarda-chuva!

...

mr. Slack:
1- Naruto ou Dragon Ball?
2- Exaltasamba ou Sorriso Maroto?

3- Sharapova ou sua namorada?

4- Greg Oden consegue ser o novo Grant Hill?

5- Será que o Yankees contrata o Manny?
6- CC muda muito o time?

7- Suns tem chances de título? Ou de pelo menos bater o Spurs numa eventual final de conferência? (Talvez quando responderem, já estará valendo pra temporada 2009/2010).

Danilo:
1 - Dragon Ball é mais ou menos da minha época (ao menos a primeira fase, com o Goku criança), então é inevitável que eu tenha um certo carinho pelas esferas do dragão - e uma admiração especial pelo Vegeta. Por Naruto, não sinto absolutamente nada, acho uma bobagem, mas não porque seja de menor qualidade, é apenas porque não fez parte da minha infância. Esses desenhos japoneses sobre crianças normais e desencaixadas deixando sua marca no mundo na base da porrada é importante para crianças de várias idades, mas no fundo são todos iguais e não dá pra engolir por muito tempo. Eu sou um apaixonado pelo desenho Evangelion, por exemplo, mas uma série de coisas não me descem pela garganta. Por que todo desenho japonês tem que ter um animalzinho fofinho? Por que todo mundo tem que cair para trás de indignação? Por que sempre tem que ter robôs gigantes?

Denis:
2- Como representante que gosta de pagode do blog, eu sou obrigado a escolher Exaltasamba. Péricles é o Zach Randolph do pagode nacional.

3- Mancada perguntar isso em um lugar de acesso público à informação. Mas vou responder Sharapova só pra ver se minha namorada lê mesmo o blog como diz que lê.

4- O Grant Hill jogou bem por uns anos antes de virar o Sr. Cirurgia, então acho que o Oden está mais para um Sam Bowie do que para um Grant Hill.

Danilo:
5 - Precisa surgir algum site bem humorado sobre baseball logo para eu poder repassar essas perguntas, porque embora eu entenda as regras, só assistiria a um jogo se ele tivesse três entradas, no máximo. Nove entradas é pedir pra eu pegar no sono.

6 - CC é fedor de suvaco ou Command & Conquer?

Denis:
7- Eu poderia dizer que eles tem um elenco forte para isso, que eles precisam evoluir a cada mês para chegar preparados aos playoffs e que nunca se descarta um time com um garrafão de Shaq e Amaré e que tem 3 troféus de MVP no time titular. Mas a resposta verdadeira é NÃO, eles não vão ser campeões.

...

Marcelo:
Quando comecei acompanhar a NBA, há uns 15 anos, as trocas de jogadores eram raras, salvo engano meu. A maioria dos jogadores construía sua história junto à franquia (as principais estrelas, lógico). Gostaria de saber o que desencadeou toda essa mudança, com tantas mudanças de time que a gente vê hoje em dia.

Denis:
Há uns 5, 10 anos, também não víamos muitas trocas dos chamados "franchise players". Não faz muito tempo que o Reggie Miller se aposentou como um Pacer, por exemplo. Acho que isso começou a mudar um pouco mais em 2004 quando os times que conseguiam juntar vários veteranos em um mesmo elenco foram bem no campeonato. O Pistons levou o Sheed pra fora de Portland e foi campeão, o Lakers juntou Payton e Malone, o Wolves pegou Cassell e Spreewell pra jogar com Garnett e todos foram bem.

Acho que depois disso começou a se respeitar mais o jogador que busca um título a qualquer custo do que um jogador leal a uma franquia. Os próprios jogadores deixaram de ficar calados e começaram a reclamar de seus times que não ganhavam títulos. Antes, ninguém via jogador choramingando pra ir pra um time com chances de título, agora isso é bem comum.

...

André:
Quem vocês queriam ser Marbury ganha 22 milhões de dolares e nao faz porra nenhuma, Belo que é o cara mais feio do mundo mas só pega gostosa ou o Reynaldo Gianechini( acho que é assim o nome do infeliz) que todas as mulheres do Brasil é louca por ele mas pegou a Marilia Gabriela e a Preta Gil?
Nene consegue nessa temporada ficar entre os grandes nomes de pivo essa temporada?

Denis:
1- Eu não queria ser o Marbury. Preferia ganhar "só" 5 milhões e ser um reserva que joga na NBA a ser um ex-jogador em atividade que ganha 22 milhões. O que eu compro com 22 eu compro com 5. E o Belo não pega só gostosa, ele pega mulheres ultra-musculosas que, embora eu não negasse fogo, não fazem meu tipo. Tenho mais inveja do Cauã Reymond que já pegou a Alinne Moraes e agora pega a Grazi. Safado!

Danilo:
1- O cara é ator, poeta e campeão de jiu-jitsu, pegou a Alinne Moraes e a Grazi. O cara é a prova de que, se Deus existe, não é nem um pouco justo.

Denis:
2- O Nenê já é um dos grandes pivôs dessa temporada. Em alguns jogos acho que ele não é tão bom na defesa e em outros deveria passar mais a bola, mas no geral é uma temporada fenomenal.

...

Anônimo:
Acho que voces não tem que diminuir o tamanho da coluna, nao tem que selecionar nada e quanto mais pergunta melhor, eu passo um bom tempo entretido com a coluna principalmente agora que é periodo de férias, selecionar questoes ou fazer uma coluna menor vai contra tudo que a both teams mostrou até hoje ... Go BTPH go !!!!

Denis: Deixar a coluna menor não vamos mesmo. O que pensamos era em selecionar as cinco melhores perguntas/respostas, colocar num post menor e no fim desse post linkar para um lugar onde se possa ler todas as perguntas e respostas. Isso resolveria o problema de quem quer ler tudo, de quem só quer ler um pouco e o problema de ter um post do tamanho do... pé do Yao Ming no topo do blog. Idéia aprovada?

...

joaopedro:
D&D, vcs curtem bater uma pelada ?

Danilo:
Vou resistir à tentação de dizer que gostamos de bater uma vestidos também, rá. Se por pelada você quer dizer basquete, o Denis e eu sempre batemos uma bolinha quando temos tempo. Se você quer dizer futebol, eu não jogo há anos - sempre fui ruim pra burro. Já o Denis é muito melhor (ele joga bem qualquer esporte), mas acho que ele também só joga em ano bissexto.

...

Jônathas Waldhelm:
1- mc donalds ou burguer king?
2- cqc ou panico?

3- quem ganha o campeonato de enterradas no proximo all star game?

4- o que acham do Novo Basquete Brasil?

5- Ronaldão vai conseguir emagrecer os 19 kg q precisa pra ganhar forma?
6- que tal umas promoções e sorteios d brindes no blog? hehee


Junior:
Só respondendo a de cima, a 6 ja aconteceu e eles fazem isso na época do draft/playoffs/all-star game

Denis:
1- Não dá pra passar na frente de um McDonald's e não ter vontade de entrar e devorar uns lanches, mas o Burger King é bem melhor. Stacker triplo (3 hamburgueres, bacon e muito queijo) com coca-cola e onion rings gigante me deixam com um tempo de vida estimado bem menor, uma cintura maior e um sorriso gigante no rosto.

2- CQC é mais divertido. Programas de humor precisam saber se renovar pra dar certo e o Pânico chegou naquele tempo de vida em que já não conseguem mais. Poucos programas de humor conseguem se manter engraçados por muito tempo, não dá pra culpar eles. Hermes e Renato, em compensação, são sempre bons.

3- Ano passado eu apostei no Jamario Moon e errei feio. Mas acho que se o Russell Westbrook entrar nesse ano, ele leva numa boa.

4- Pra falar a verdade estou muito empolgado com o Novo Basquete Brasil. Como deu pra ver na entrevista que o Rodrigo Alves fez com o Kouros, eles vão apanhar muito nos primeiros anos mas a coisa parece estar indo no caminho certo. Entendo quem é cético, tem motivos pra isso, mas dessa vez acho que teremos um campeonato legal de acompanhar embora ainda de nível técnico bem limitado.

5- Eu passei o ano novo com a camiseta "2009 fenomenal" que eu comprei na loja Poderoso Timão, tenho certeza que 2009 é o ano do Fenômeno no Parque São Jorge!!!

6- Como o Junior disse, já fizemos promoções. Fizemos no ano passado no Draft e no All-Star Weekend, e pretendemos fazer de novo, assim como pretendemos fazer outra que não tem nada a ver com basquete mas que vai ser divertida. Aguardem.

...

Junior:
1-Vcs acham q o Dallas finalmente ta se acertando ou ta aproveitando q ta pegando os times lixos da liga e conseguem as vitórias de obrigação?
2-Vcs estão tão animados qnto eu querendo q o Hawks pegue o Celtics nos playoffs? o jogo de ontem q passou na ESPN(por ontem, leia-se dia 17/12, pq sabe-se la qndo vai ser a próxima BTPH) a tensão tava palpavel e a cada jogada no final do jogo o pessoal saia batendo no peito e berrando

3-E a coluna desconhecido do mês? morreu?

4-Falando em desconhecido do mês, o Matt Bonner q ja foi protagonista dessa coluna, hj é titular do Spurs como pivô e vem produzindo muito bem


Danilo:
1 - Sinceramente acho que o Dallas tá pegando adversários mais fáceis e se favoreceu da volta do Josh Howard (que pelo jeito contundiu o pulso e vai ficar de molho outra vez). Ainda assim, houve um pequeno avanço, o Dirk está jogando demais e o JJ Barea encontrou uma função bem definida na equipe. Não acho que vá dar certo, mas eles estão dando um passo de cada vez.

2 - Hawks e Celtics é a mais divertida das novas rivalidades da NBA, os jogos na temporada regular são de vida ou morte, mas não sei se vai ter a mesma graça depois que o Celtics caiu nessa pindaíba. É bem capaz do Boston cair lá do topo da tabela, pegar uma posição mais intermediária, e com isso não cruzar com o Hawks, que deve estar nas últimas posições do Leste e não vai durar muito nos playoffs.

Denis:
3- A coluna "desconhecido do mês" era a que eu mais gostava de fazer. Sempre preferi as colunas que exigem mais pesquisa do que as que são só comentar o dia anterior (como a "8 ou 80", por exemplo). Mas nesse ano, especialmente no começo da temporada, estava sem tempo pra nada e acabei adiando, adiando e não fiz a coluna.
Mas seu pedido me animou para tentar refazê-la a partir desse mês. Não prometo nada, mas a vontade existe.

4- O Bonner é titular, o Antoine Wright foi titular do Dallas um tempo, o Mbenga conseguiu contrato com o Lakers... Desconhecido do mês é trampolim para o sucesso na liga, os scouts da NBA vivem nos lendo.

...

Marcelo:
1-Será q os jogadores brasileiros da Nba vão voltar pra seleção?
2-O Vasco vai subir ano q vem?

3-O Denver tem chances de vencer os Lakers nos playoffs?

4-Nike ou Adidas?

5-Como eu faço pra arruma uma mulher rica?


Danilo:
1 - A curto prazo, creio que não. Me dê uma única razão para o Leandrinho abandonar o trabalho que lhe paga milhões para se cansar e se lesionar aqui no Brasil num trabalho amador, envergonhante, que exige que ele jogue fora de sua posição natural, e depois a mídia e a torcida ficarem pedindo sua cabeça porque ele não rende pela seleção ou "amarela"? Tem mais é que ficar bem longe e só voltar quando existir um trabalho bem sério acontecendo. Talvez em alguns anos, com uma liga brasileira forte e técnicos melhor preparados, os jogadores da NBA fazerem parte da seleção seja uma coisa óbvia, quasa automática.

2 - Vai, sem dúvidas. Além de se livrar do Eurico Miranda e começar uma faxina geral nas finanças da equipe, é óbvio que o financiamento, o elenco e a estrutura do Vasco são grandes demais para a Segunda Divisão. Prevejo uma subida tão fácil quanto a do Corinthians, com direito a jogos na televisão e tudo o mais.

3 - O Nuggets se tornou um time sólido, consistente, com a cabeça no lugar e uma série de armas ofensivas, mas não vejo eles derrotando o Lakers com essa defesa mais-ou-menos que ainda prevalece por lá. Talvez desse uma boa briga, mas não, as chances são pequenas.

4 - Pessoalmente tenho uma queda pelos tênis da Adidas (e um trauma com um "And 1", que me deu uma tendinite no joelho), mas nada que um jabazinho não resolva. Ou seja: financie o Bola Presa, anuncie sua marca de tênis AQUI.

5 - Sendo rico.

...

Heverton Elias:
Não gosto de fazer comparações entre jogadores que estiveram em atividade em períodos diferentes da história. Acho injusto. mas ja que todo mundo tem uma pergunta idiota dessas pra fazer, então vou fazer a minha. O Jordan é considerado o melhor jogador de todos os tempos. eu vi ele jogando e na minha opinião é o melhor que eu vi jogar. Porém eu vejo os números de Wilt Chamberlain (que eu não vi jogar), e o cara tem números assustadores, alguns deles bem maiores que Jordan e bem mais impressionantes. Claro que número não é tudo, mas quais os argumentos a favir de Jordan ao comparálo com Wilt?

Ah! Já que vcs falaram no Rorschach.. vcs têm algum personagem favorito em Watchmen?
Ou em outra HQ?

Danilo:
1 - Pra mim fica bem difícil dizer, porque não acompanhei a carreira do Chamberlain, então tudo que eu disser é simplesmente de ouvir dizer. Talvez ele tenha sido o jogador mais completo a já pisar numa quadra, era um monstro tanto no ataque quanto na defesa, e o mundo do basquete não estava pronto para uma presença tão dominante no garrafão naquela época - seus recordes em rebotes, em especial, são assustadores. Além disso, era excelente em passar a bola e insistia em colocar a bola nas mãos dos companheiros - às vezes, dizem, insistia demais. Os argumentos para considerar Jordan melhor que o Chamberlain são simples: Jordan jogou numa época supostamente mais recheada de estrelas e ganhou muito mais. Enquanto Wilt fedia nos playoffs, não conseguia render como rendia na temporada regular, e passava a bola para seus parceiros livres quando recebia marcação dupla, tripla, quádrupla, quíntupla (existem registros dele sendo marcado por 5 jogadores), Jordan fez fama ganhando 4 títulos a mais que Chamberlain e tendo atuações monstruosas nos playoffs, lances memoráveis e arremessos inesquecíveis na hora em que mais valia. Jordan recebe o posto por ter sido mais decisivo, imparável nos momentos finais de um jogo, e ter vencido muito mais. Sinceramente, acho injusto: outros jogadores (incluindo o LeBron em começo de carreira, como escrevi aqui) são punidos por, ao invés de adotar o estilo de Jordan, passarem a bola para quem está em melhores condições. Essa é uma liga que prefere amar Robert Horry do que Karl Malone, por exemplo. É bizarro. Mas eu sou suspeito porque, no fundo, não acho a vitória um troço tão importante pro esporte.

2 - Todos os personagens do Watchmen já foram meus personagens favoritos, depende da época. Tive minha fase Rorschach, quando li pela primeira vez, mas depois preferi o Adrian Veidt e seu fardo terrível. Numa fase mais fria, preferia o Dr. Manhattan e sua visão distante do mundo, numa fase mais humana preferia o Daniel e seu fracasso fetichista. Mas em geral acho que não tem como não preferir o Comediante, ele é o personagem mais humano e ao mesmo tempo o mais distorcido, pra mim o melhor construído por Alan Moore.

...

Silvano Vianna:
Peguei o 2k09 e to jogando ele. Mas tem algumas coisa que eu acho horrível no jogo. To jogando no Hall Of Fame e bascimante a IA do jogo é muito burra e não tem mais graça jogar contra o PC eu venço todos os jogos, além do que no de Franquia sempre o Lebron é o MVP o que fica uma merda depois de um tempo, porra eu sei que ele é bom mas cansa se ele não é de seu time. [Resumindo - Porque os jogos de PC de esporte só prestam para se jogar contra amigos, e porque nas similações não acontecem surpresas?!]

Ta ai um cara que eu não espera o nível de basquete que ele ta apresentando é o Rose, mas o que vocês fariam pra melhor o time do Bulls que trocas poderíamos fazer, fora o Kaman?!


Danilo:
1 - Bem, se o jogo está muito fácil eu te aconselho a mudar os slides. Torne mais difícil roubar bolas, diminua o nível das enterradas, o das bolas de 3 pontos, aumente o número de faltas, diminua a eficiência do pick and roll. O legal é que o jogo te permite transformá-lo por completo, e você pode criar uma experiência mais realista e mais difícil. No entanto, creio que você está jogando no PS2, né? Acho que você se assustaria em ver a inteligência do 2K9 nos videogames da nova geração, que podem se dar ao luxo de gastar muito mais memória com isso. Sobre o LeBron ganhar todo ano, o Wade foi MVP na minha - mas acho que o LeBron ganhar seria mais realista!

2 - O Rose é um dos novatos que têm a sorte de poderem fazer o que bem entenderem em quadra de modo a evoluir e aprender com os próprios erros. O Beasley, por sua vez, tem os minutos mais limitados e vai pro banco toda vez que faz alguma besteira (e não é pouco). Mas pro Bulls ainda falta o que sempre faltou, um pontuador no garrafão, e não imagino um que esteja disponível para trocas. Talvez eles pudessem conseguir o Boozer, embora ele muito provavelmente vá para o Miami Heat mesmo.

...

Marcelo Urbano:
1 - Vocês assistiam a vaca e o frango ? Po, era engraçado.hahahahaha
2 - Já ouviram falar de American Chopper ?

3 - LeBron já pode ser considerado para um all defensiva team da NBA ?


Denis:
1- Hahahahaha! Genial a sua pergunta! O que te inspirou a falar sobre a vaca e o frango? Mas tem razão, era engraçado e eu assistia. Mas hoje em dia o melhor desenho é "Os Padrinhos Mágicos", recomendo bastante. Não dou um mês para vocês ficarem imitando o Cosmo como eu.

2- Já ouvi falar, é aquele programa das motos, né? Eita coisa chata. Não gosto nem um pouco de motos, gosto razoavelmente de carros. Entre os meios de transporte eu só me fascino mesmo com aviões, infelizmente só tenho um jatinho particular, não um boeing como eu queria. Droga!

3- Considerando a decadência do Bruce Bowen, a posição 3 do time defensivo tem um lugar vago que o LeBron poderia ocupar sim, ele está com uma boa temporada defensiva. Mas eu acho que a defesa boa do Cavs é em equipe, o LeBron melhorou, deve ganhar votos de defensor, mas eu não colocaria ele como melhor defensor na posição 3, ainda sou mais o James Posey.

...

cha de bagomeu:
aos 2:42, oq o narrador diz exatamente? ja ouvi em mtos e mtos jogos isso..

Danilo:
O narrador diz "and puts it in", que quer dizer "e coloca lá dentro" (sou só eu ou é meio pornográfico?). É engraçado quando ouvimos uma mesma frase sendo dita em vários jogos e não sabemos o que quer dizer. Em jogadas bonitas, eu sempre escuto os narradores chineses dizendo algo como "piao liao", que eu queria demais saber o que significa. Algum leitor aqui fala chinês? Imagino que seja algo como "que bonito", "boa jogada", ou "o comentário que eu iria fazer foi censurado pelo governo".

...

Leonardo:
1- Se o dallas subir bastante o dirk terá chance de ser mvp novamente?
2- o dalllas ainda tem alguma chance de titulo na era nowitzki?

3- quem voces tao achando o melhor reserva? acho que é o terry..

4- porque green é tao subestimado assim? em todos os times que ele joga sempre é reserva q nunca entra..

5- algum time se interessaria por um pacote com dampier, diop, devean george?

6- voces acham que agora o cuban ta focalizado apenas em titulo, ou ele quer mais é recuperar toda a grana que ele investiu?

7- o que voces pensam do rick carlise?

8- voces tao achando o dallas mais "defensivo"?

9- poruqe voces nunca fizeram um post sobre o dallas? :D


Danilo:
1 - Números de MVP o Dirk até poderia ter, mas o Mavs teria que subir demais de produção e o LeBron teria que morrer num acidente aéreo.

2 - Como escrevi num post recente, acho que a era Nowitzki não é muito promissora, não vejo esse Mavs sendo campeão sem uma completa reforma que incluiria deixar o alemão de lado.

3 - O Jason Terry está sendo um dos melhores reservas, ele voltou no tempo e está jogando como há uns anos atrás, mas é difícil ignorar o impacto que o Trevor Ariza tem nos jogos do Lakers. O Artest também está vindo do banco (quando saudável) e tendo grandes partidas, e o Paul Millsap está tendo uma temporada de All-Star e pode contar como reserva se o Carlos Boozer voltar bem de sua cirurgia no joelho.

4 - O Gerald Green é um mistério, ele foi de "o próximo Kobe Bryant" para "o cara boaindo num pote de formol no banco do Mavs". Por causa do potencial, da capacidade atlética e dos arremessos de fora, muitos times lhe deram várias chances, mas parece que ele não tem cabeça, não consegue tomar boas decisões em quadra. Convenhamos, perder a vaga para o JJ Barea significa que ele tem que feder bastante.

5 - Se você disser o nome "Devean George" para algum time da NBA, provavelmente te apedregem. Lembra que ele vetou ser trocado para o Nets e deu a maior confusão?

6 - O Cuban é um apaixonado pelo Mavs, um nerd milionário do Vale do Silício. Ele não precisa de grana, tá pouco se lixando para o dinheiro que ele investiu, tudo que ele quer é ser campeão com o Nowitzki MVP, porque ele ama o alemão acima de tudo.

7 - Ele entende o jogo como ninguém, mas não sabe se expressar ou lidar com jogadores. Eu acho ele um ótimo técnico, mas alguns jogadores do Dallas já andaram reclamando de seu estilo exageradamente defensivo.

8 - Na teoria sim, porque é o estilo do Carlisle, mas os jogadores não estão acostumados e na prática não senti tanta diferença assim.

9 - Nada pessoal, só acho que nunca houve um motivo! Mas recentemente fiz esse post aqui.

...

Henrique:
1-O Ray Allen vai conseguir quebrar o recorde do reggie miller com maior nº de bolas de três??
2-Vcs não axam o papaloukas do olympiakos igual ao tcheco do grêmio??

3-Quem tem o cabelo mais engraçado: Josh childress ou varejão?
4- quais os ginásios com maiores forças nominais??

5- oq vcs axam (axaram pq até responderem)da rodada do natal?

6-quem é o jogador mais mala da nba?


Danilo:
1 - Acho que não, no Celtics ele não pode mais arremessar como um retardado. Se ele tivesse continuado em Seattle (assim como o Sonics devia ter continuado!), quebraria o recorde com uma mão nas costas.

2 - É, o nariz ajuda. Dá pra colocar lá no Separados no Nascimento, a gente enfia lá.

3 - O do Varejão é mais engraçado, fica chacoalhando e parece que tem uma família de anões morando dentro. O do Josh Childress eu acho mais estiloso.

4 - Engraçado, tantos anos acompanhando NBA e eu não lembro o nome da maior parte dos ginásios. Acho que simplesmente não tenho saco de lembrar esses nomes que são na verdade propagandas, como nunca lembrava aqueles times de vôlei feminino que se chamavam "Leite Moça" ou "Sempre Livre com abas". É triste.

5 - A rodada de Natal foi épica, tem um post a respeito e é bom que você tenha lido, porque não foi nada fácil convencer a namorada de que eu tinha que parar minha vida pra escrever aqui. Sorte minha que ela é muito, muito compreensiva (ao menos quando eu não falo da Alinne Moraes).

6 - Depende, o que você quer dizer com mala? Se for aquele cara que fica se achando e age como malandro, fico com o JR Smith. Se for o cara mais insuportável mesmo, eu fico com o Ginóbili. Nada contra argentinos, não sou patriota e acho a rivalidade Brasil-Argentina idiota, acho que o Ginóbili joga demais e é melhor do que todos os brasileiros da NBA somados, mas a linguagem corporal dele é insuportável! Ele está sempre choramingando, reclama de um jeito muito exaltado, cava faltas, e surta quando fazem o mesmo com ele. Mala sem alça.

...

joao_mavs:
oq vcs axam da possivel troca de josh howard + Diop + wright = Bargnani + Anthony Parker + Kapono? quem saira mais beneficiado?

Denis: Talento por talento, o trio que o Dallas recebe é melhor. Os três jogadores são bons, mas o Dallas não precisa de nenhum deles! Com Terry, Howard, Barea e Dirk em quadra, pra que eles vão querer o Bargnani e o Kapono que são só arremessadores? O que o Dallas tem hoje são arremessadores que ainda fazem mais coisas pelo time.

Para o Toronto seria ótimo, eles ganhariam um pivô defensivo bem forte no Diop, e o Josh Howard, que ao mesmo tempo em que daria mais defesa pro Raptors seria uma ótima segunda opção ofensiva depois do Bosh.

...

Felipe:
1 - Vcs jogam jogos Adventure? (Full Throttle, Grim Fandango, Monkey Island)
2 - Ou acham que isso é coisa de nerd?

3 - Se o Garnett gritar com o Rasheed será que o Sheed chora?

4 - O que vcs acharam da campanha do Vitória no Campeonato Brasileiro?

5 - Por que os kamikazes usavam capacete?


Danilo:
1 - Esses "adventures" (o termo técnico seria "point and click", algo como "apontar e clicar") saíram muito de moda, mas eu jogava bastante na época áurea da Sierra e da Lucasarts (lembra quando eles não faziam só jogos de Star Wars?). Full Throttle, The Dig, Day of the Tentacle, e meu favorito de todos, The curse of the Monkey Island. O gênero praticamente não existe mais, mas existe um sucessor em algum grau, um jogo de PS2 chamado "Farenheit" (chamado de "Indigo Prophecy" na Europa). Outro jogo do mesmo diretor, seguindo o mesmo estilo, sairá para o PS3 com o nome "Heavy Rain" e está sendo muito aguardado. Não é um "point click", mas a interação com o cenário e a ênfase em decidir as falas dos personagens vão te trazer várias boas memórias.

2 - É muito coisa de nerd, mas isso é bom, porque ser nerd está na moda. Só as garotas é que não foram avisadas.

3 - Acho que o Rasheed palita os dentes com o Garnett. Mas talvez eles entrem num combate que dure 1000 dias e 1000 noites, tipo luta entre Cavaleiros de Ouro (embora na prática às vezes dure apenas alguns segundos).

4 - A campanha foi até boa, mas achar que o Nadgol vai resolver todos os problemas é piada.

5 - Pra não dar uma pancada na lateral da aeronave e acabar morrendo antes de se tacar em alguma coisa, ué. Nunca entendi a suposta ironia dessa pergunta!

...

Anônimo:
1-Manos, o que aconteceu exatamente com T-Mac, ou seja, apenas 16 pts por partida?
2-Pra q times do Brasil vc torcem?

3-Vcs axam q meu Galo vai falir, ou ser campeão Sul-Americano?


Danilo:
1 - O McGrady começou a temporada jogando em cima de uma contusão no joelho, depois nas costas, e alegou que em nenhum momento se sentiu fisicamente confortável em quadra. Atualmente está jogando volta e meia, sendo poupado na segundo partida quando o time joga em dias seguidos, no mesmo esquema que o Shaq também seria supostamente poupado em Phoenix. É normal que a produção do T-Mac tenha caído tanto, até porque ele tem se focado mais em passar a bola quando os arremesso não caem, mas recentemente ele tem tido umas partidas muito boas. O problema é que ele, Artest e Battier nunca estão saudáveis ao mesmo tempo, quando entrarem juntos em quadra o Universo vai implodir!

2 - Eu sou São Paulino e o Denis é ladrão, digo, Corinthiano. Se você queria saber pra que times torcemos no Brasil de basquete, não torcemos pra nenhum. Numa pergunta mais abaixo, o Denis explica o porquê.

3 - Com o Leão lá as coisas são diferentes, dá até pra montar um elenco, mas ele mesmo disse que milagre é outro departamento.

...

Marcelo:
pergunta q se fizeram no Orkut: o Lebron James já tomou toco, que vcs se lembram? Se sim, quem foi o felizardo q deu um toco nele?

Denis:
Todo mundo na NBA já tomou toco. É que alguns jogadores têm mais percepção para fugirem de situações em que tomam tocos humilhantes, mas mesmo assim achei esse do Wade sobre o LeBron. E tem esse do Rasheed também. E o meu favorito, esse toco do Vince Carter.

E como eu sou fascinado por estatísticas bizarras, aqui estão todos os que deram os tocos que o LeBron tomou na temporada:

Em arremessos:
Sam Dalembert
Antawn Jamison
Shawn Marion

Em bandejas:
Sam Dalembert
Yao Ming
Dwyane Wade
Tyrus Thomas
Luol Deng
Joakim Noah
Thabo Sefolosha (duas vezes!)

Engraçado que esses cinco tocos para jogadores do Bulls foram todos no mesmo jogo!

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Tomas Turbando:
olá amigos! sou o tomas turbando, e acho que conheço vcs miguxos!!! queria saber porque a frase da semana não muda cada semana.

Denis:
Olá, miguxo! Já imaginou como seria ter na barra lateral uma seção chamada "Frase"? Ia ser patético. E preferimos ser mentirosos do que patéticos.

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Bruno Roger:
Como funciona o Slam Dunk Contest Eu pensei q o maximo de participações que um jogador poderia fazer eram 3. Porem estava lendo q um jogador das antigas jah fez 5, E agora o Howard vai defender o titulo E outros jogadores como O Nate R. vao participar. Como Sao definidos os participantes do Slam Dunk, Antes e Agora? A regra antes era a participação até o terceiro ano de NBA De um Jogador?

Danilo:
Queria conseguir te dar uma resposta exata mas não consegui. Essas regras de participação parecem lenda urbana, tipo a Loira do Banheiro, todo mundo já ouviu falar mas ninguém nunca viu. Que eu saiba, existia uma regra que exigia que os participantes estivessem no máximo em sua terceira temporada, mas nunca vi essa regra escrita num lugar oficial, e se ela existia foi abandonada logo em nome de maior audiência. Basicamente um conselho se reúne para escolher os participantes, que então recebem um convite e podem aceitá-lo ou não, com exceção do campeão que deve voltar para defender seu título. Se um cara como o Carter quisesse participar 15 vezes, mesmo se houvesse uma regra ninguém iria se importar, no entanto.

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joaopedro:
como faço para convencer minha mae a colocar uma internet mais potente para assistir os jogos da nba ?

Denis:
Manda ela assistir àquelas propagandas da Speedy que dizem que a internet ajuda o seu filho a estudar e ir bem na escola. Engana muita gente embora outras tantas saibam que a internet só serve pra se ter fácil acesso à pornografia.

Danilo:
Diga também que o basquete é apenas uma janela, um modo de vislumbrar o mundo, a ética e a moral através de um microcosmos moderadamente controlado que permite que uma linguagem compartilhada entre indivíduos abra espaço para a expressão criativa e ao mesmo compreensiva, ou seja, diga que você assiste basquete com objetivos filosóficos e antropológicos. Ou diga que é por causa das cheerleaders, tem mãe liberal com isso.

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JG:
1- O que vocês acham da criação da Liga Nacional?
2- Vocês acompanham o basquete nacional? (se é que ele existe)

3- Torcem para algum clube daqui (de basquete) ou simpatizam com algum?

4- E a sessão do desconhecido do mês? Era tão boa, vocês não vão mais fazer?


Danilo:
1 - Como o Denis respondeu antes, parece ser um passo no caminho certo. Até porque simplesmente dar um passo qualquer, na situação em que estávamos, já é um avanço.

2 - Não acompanhamos, quando assistimos é por acaso, mas estamos com muita vontade de assistir mais de perto o tal do Novo Basquete Brasil, talvez até com algum projeto a respeito.

Denis:
3- Eu não torço pra ninguém e nem simpatizo com ninguém. Implico com Franca que é uma Duke do basquete nacional, mas é difícil torcer para alguém por vários motivos:

a- Não existe uma relação familiar e cotidiana como no futebol para criar afetividade.
b- Não existem ídolos para cativarem o público.
c- Difícil torcer para time que tem um nome gigante de 3 patrocinadores, uma faculdade e uma cidade. Se eu não sei nem como chamar ele, como vou torcer?
d- Os times morrem. Não torcia mas gostava de assistir o COC Ribeirão Preto jogar, aí de um dia para o outro o time não existe mais, se eu torcesse pra eles estaria perdido.

4- Respondi acima a questão do Desconhecido do Mês. Eu gosto por ser a parte do blog que mais exigia pesquisa mas não tive tempo e acabei deixando pra trás. Com esses pedido acalorados e apaixonados (eu prefiro ler assim), estou disposto a retomar mas não prometo nada porque sempre que prometo não cumpro.

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Genaro:
Eu estava pensando agora que o contrato do Kidd expira não seria melhor pra le e pro Dallas ele sair? Pq veja bem o Barea não vai ser muito pior do que o Kidd fazendo pontos e vai dar algumas assistencias.Então é melhor(e mais barato) pro Dallas. E o Kidd podia assinar pelo minimo por uns 2 anos com um time que tenha cahnces de titulo como o Celtics,o Cavs ou o Lakers. Quer dizer ele ganha 21 milhões essa temporada dinheiro não falta então ele devia tentar ganhar um titulo que ele não tem. Então o que vcs acham?

Denis:
O melhor para qualquer jogador, se ele quer um título, é ir para um time quase pronto. Mas se eu fosse um jogador da NBA eu iria buscar um desafio. Pra que me submeter a ganhar um mínimo e ser reserva do Rondo em um time já feito se eu posso ser titular em um time que realmente precisa de mim? Eu prefiro jogar e ser útil ao time do que ser só campeão, vamos ver como o Kidd vai pensar.

E ele pode juntar as duas coisas, tem muita equipe no quase que está a um Kidd de ser um time com chance de campeonato. O Kidd também pode optar por ganhar menos (como o Dirk disse que topa também) para dar chance para o Dallas contratar mais gente de qualidade.

...

Anônimo:
1) Dos antagonistas dos Bulls nas finais da Era Jordan, qual era o melhor time ? E qual foi o playoff mais emocionante ?
2) Por que o Chris Mullin foi integrante do Dream Team ?
3) Um jogador como o Charles Barkley conseguiria se destacar jogando atualmente ? E o Shaw Kemp ?

4) Vocês acreditam que o Oscar, se fosse draftado por algum time da NBA, conseguiria se destacar na Liga ?

5) Vocês acham mesmo que o Ricky Rubio é um fenômeno, apesar do físico ?

6) e tirando o Rubio, vocês sabem de mais algum fenômeno nas Universidades, Colegiais ou na Europa ?

7) Finalmente, vocês acham que o Splitter não foi para o Spurs só por causa de dinheiro ? Ou acham que ele não vai conseguir se destacar na NBA ?


Denis:
O que você tem contra o tempo presente? Só perguntas sobre o passado e o futuro! Mas tudo bem, aqui respondemos tudo.

1- Eu não gosto de falar muito da Era Bulls porque não acompanhava de perto como acompanho agora e vejo que é bem diferente quando você acompanha jogo por jogo e tem à disposição mais informações como tem hoje pela internet. Mas talvez por gostar do Malone e do Stockton, acho que foram os adversários mais legais do Bulls.

2- Porque ele arremessava bem pra diabo e porque, diz a lenda, o Jordan fez de tudo para não levarem o Isiah Thomas.

3- E por que eles não dariam certo hoje em dia? Tem muita gente que acha que o jogo de hoje é muito pouco físico e que faltam jogadores como eles, se for verdade os dois iam dar um pau em caras como Dirk, Gasol, Randolph, David West e afins.

4- Outro que arremessava bem pra diabo, no time certo, que soubesse usar a força ofensiva do Oscar, ele ia ser dar bem sim.

Danilo:
4- Ou ia ficar no banco quenem o JJ Redick porque não sabia defender.

Denis:
5- Um moleque que com 16 anos jogava como se fosse um veterano de 20 anos de profissional é um fenômeno. Até onde ele vai ninguém sabe, mas a visão de jogo, o controle de bola e a calma que ele tem para um armador da idade dele é muito fora do comum. Troféu Maísa pro rapaz.

6- Eu não sou muito antenado nos fenômenos, então posso estar perdendo alguém muito bom. Mas li por aí para ficarem de olho em um armador chamado John Wall.

Danilo:
7- Sem dúvidas o Splitter ficou na Europa por causa da grana, mas talvez não pudesse recusar a chance de enfim ter minutos de verdade e ser importante de um time, ao invés de mofar no banco do Spurs. Acho que ele terá um papel relativamente importante, é um dos jogadores mais técnicos que eu já vi jogar, e sempre se sai bem em nível internacional. Mas temo que ele lide mal com o jogo mais físico da NBA e tenha pra sempre um papel secundário. Se bem que o Nenê, da primeira pra segunda temporada, ganhou tanta massa que parecia uma Lua pequena - e perdeu sua capacidade de sair do chão. O Splitter talvez ganhe mais físico, mas vai saber como ele vai lidar com isso.

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luisfinotti:
1)to olhando aki os ultimos capeoes da NBA e seus SG Boston-Ray Allen Spurs-Ginobili(convenhamos q ele é o melhor dessa posição por lá) Heat-D-Wade Detroit-Rip Hamilton lakers-Kobe e já basta, eu vejo essa posição como a mais importante para decidir jogos pois sa scorers, o q vcs acham disso, coincidencioa ou tem algo a ver?
2)esto montando um album parra postar no orkut e atualizar sempre q possivel, q chamará, caras e bocas, com fotos lindas de jogadores fazendo belas caretas durante os jogos, estou pegando fotos no site da NBA.

-vcs podem dizer se sabem outro lugar q eu vou achar mais fotos?

-vcs querem ajudar?

-melhor, vcs querem compartilhar?
-podem ser sinceros, entenderei se nao quiserem nada
3)pq sempre o sheed?


Danilo:
1 - Tem algo a ver sim, mas você poderia dizer a mesma coisa sobre ter um homem forte de garrafão, seja na posição 4 ou 5 (ala de força ou pivô). Shaq, Duncan, Rasheed, Garnett, todos os times campeões também se destacam nessa posição. É por isso que o Houston ainda vai ser campeão com Tracy McGrady e Yao Ming, porque eles se encaixam nessa lista. Mas infelizmente, como eu já disse antes, eles não são o melhor complemento um do outro.

2 - Adoraríamos ajudar, mas a gente acha foto digitando coisas aleatórias no Google. Temos uma pequena coleção por aqui e se acharmos algo que se encaixa, mandamos pra você. Mas mande o link do álbum pra gente que teremos muito prazer em reciclar umas fotos aqui pro Bola Presa!

3 - E por que não?

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Felipe:
1-Quem arremessa melhor, Rondo ou Varejão?
2- Estamos tendo uma crise em boston? Doc Rivers fede?


Danilo:
1 - Assustador eu responder isso, mas o Varejão. Não sei quando foi, mas o desgraçado desenvolveu um arremesso feio porém consistente de média distância. O Nenê também ganhou um arremesso bacana nas primeiras temporadas de NBA, e agora até aprendeu a bater lance livre! Mas o Rondo está treinando, um dia ele não vai feder tanto assim e talvez seja a estrela de algum time. Eu vejo ele mais ou menos como um Prince da vida, o cara secundário no meio de estrelas que um dia vai levar um time nas costas, mesmo que o time acabe fedendo por causa disso.

2 - Eu sempre disse que o Doc Rivers fede, ele é um dos piores técnicos que o planeta já viu. Mas o time sempre jogou bem, por mérito próprio, e aí ninguém percebe. Agora que o negócio está feio, e o time está oficialmente em crise, o pessoal começa a olhar para o técnico e ver que ele fede, e fede muito. Se a temporada do Celtics der errado, ou seja, uma classificação intermediária seguida por um fracasso nos playoffs (entenda como fracasso não ser campeão do Leste), o Doc Rivers vai virar farofa.