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domingo, 14 de dezembro de 2008

Mentira tem perna curta

"Como assim vão me demitir porque eu fedo?
Quer dizer que não sabiam?"



Quando, pouco antes da temporada começar, fizemos uma análise de todos os técnicos da NBA, apontamos a Divisão Atlântica como o lar dos incompetentes. Para mim, o técnico Sam Mitchell podia ser apontado como o pior de toda a liga, enquanto Mo Cheeks não se encontrava muito longe, sendo um dos técnicos mais invisíveis quando seu time está em quadra. Os dois levaram suas respectivas equipes para os playoffs e, após serem chamados de burros e incompetentes, foram consagrados "gênios incompreendidos" e receberam total apoio dos dirigentes. Foram extensões contratuais, milhões de dólares indo parar em seus bolsos, discursos de que todos acreditavam em seus trabalhos técnicos que agora estavam dando resultado. Legal, e eu sou a Vovó Mafalda. Um punhado de meses depois, os dois estão no olho da rua.

Eu queria muito compreender o critério por trás das demissões, de verdade. Nenhum dos dois técnicos tinha qualquer talento, isso todo mundo sabe, e a melhor coisa a se fazer era colocar ambos para vender cachorro-quente. Mas frente aos resultados de certo modo positivos, os dirigentes se comprometeram com os trabalhos, assinaram embaixo, deram aquele clássico soquinho no queixo seguido por um "continue assim". Pois bem, "continuar assim" foi justamente o que Sam Mitchell e Mo Cheeks fizeram. Como demitir alguém que está fazendo exatamente a mesma porcaria que fazia antes, e pelo qual foi tão elogiado, aliás? A impressão que dá é de que os responsáveis pelas franquias não fazem a menor idéia do que estão fazendo, apenas acompanham os resultados e julgam baseados inteiramente nos números. E não em números difíceis, como "posses de bola por 48 minutos", mas apenas no número de vitórias e derrotas - talvez no número de torcedores por partida também, vá lá. Isso é até normal, o objetivo das franquias é dar lucro, ninguém é bonzinho e financia uma equipe de basquete porque isso traz alegria para o mundo ou é uma linguagem que permite a ampla expressão de seus membros constituintes. Seria como dizer que o objetivo do McDonald's é alegrar as crianças e espalhar a arte gastronômica como forma de comunicação. Pois é, o Joâo Kléber também só queria tornar o mundo um lugar melhor, pobre gênio imcompreendido.

Mas justamente por visar ao lucro é que mais atenção deveria ser dada ao que diabos os técnicos estão fazendo em quadra. Se colocassem um gorila de circo no Raptors que passasse os jogos comendo bananas e trepando em cima do banco de reservas, e o time chegasse aos playoffs, seria ridículo parabenizar-lhe por isso - pior ainda seria lhe oferecer uma extensão de contrato. O que dizer, então, da demissão do gorila caso o time desse errado na temporada seguinte? Sua ação no time (comer bananas) sempre foi a mesma e provavelmente eu tive mais influência nos resultados da equipe quando tirei meu pijama pela manhã do que ele.

No caso do Mo Cheeks, ainda há o agravante de ninguém ter percebido o desastre óbvio que se aproximava. Nenhuma estrela jamais conseguiu se encaixar em um time seu, de Rasheed Wallace a Allen Iverson, basicamente porque seu estilo de jogo parece ser invariavelmente coletivo para alguns, ridiculamente inexistente para outros. Ele tornou a meia tonelada de jogadores secundários do Sixers um conjunto coeso, mas era óbvio que a chegada de uma estrela obrigaria que ele mudasse sua tática e explorasse as novas possibilidades, coisa que ele nunca seria capaz de fazer. De certo modo, Elton Brand foi o atestado de óbito de Mo Cheeks por vários motivos: a princípio, porque o obrigou a utilizar-se de uma estrela; depois, porque o time deixou de ser uma porcaria que surpreendeu todo mundo para se tornar um time de verdade que supostamente deveria ser capaz de vencer. Convenhamos, vencer sem querer é muito mais fácil do que vencer quando você precisa mostrar resultados. O técnico quebra-galho será Tony DiLeo, que pelo menos não terá muita responsabilidade de vencer porque pegou o bonde andando. Se ele tem chances eu não faço idéia, afinal escrevo sobre NBA mas tenho mais o que fazer na minha vida do que digitar o nome desse pentelho no Google.

Também não faço idéia de quem seja o novo técnico do Raptors, o Jay Triano, que era assistente técnico da equipe (e tem nome de boxeador latino). Mas assim é que é bom, a gente julga o trabalho do cara na prática, não graças ao seu nome ou resultados passados, o que também é uma excelente desculpa para esconder a preguiça de ir pesquisar sobre alguém que pode ser mandado embora em 15 minutos. Mas vale dizer que suas poucas alterações no time me pareceram muito bem-vindas. Antes de mais nada, colocar o Jason Kapono pra jogar já é motivo de alegria. Militantes dos Direitos Humanos festejaram a libertação de Kapono do fim do banco do Raptors, onde ele apodrecia vivendo a pão e água. Sua situação não era tão ruim quanto a do Belinelli ou do JJ Redick, que estão escravizados e utilizados como pesos de papel em suas equipes, mas também era bem feia. Sam Mitchell não faz a menor idéia de como utilizar jogadores unidimensionais, especialistas em fazer apenas uma coisa, e os arremessos de fora do Kapono foram abandonados no banco graças à sua dificuldade nas outras funções - ainda que tenha sido peça fundamental naquele Heat que foi campeão da NBA. É verdade que o Anthony Parker está contundido e abriu uma vaga, mas Kapono está tendo minutos que nunca teve em Toronto e nem teria com o Mitchell, sem contar que Jamario Moon retornou à escalação titular. Com isso Bargnani voltou ao banco, o que compromete sua temporada de claros aprendizados, mas o italiano ainda é inconstante demais e seu amadurecimento não pode ser feito às pressas. Na verdade, tem que ser secundário frente ao elenco do Raptors que deveria poder vencer agora, e tem que se preocupar mais em encontrar um equilíbrio entre Bosh e Jermaine O'Neal do que qualquer outra coisa. Ser técnico em Toronto parece fácil porque ninguém dos Estados Unidos presta atenção no Canadá, e os torcedores do Raptors estão mais interessados em hockey e em chegar em casa sem serem atacados por ursos. Mas esse elenco é na verdade uma bomba para o próximo técnico: bom demais para ficar fora dos playoffs, limitado demais para ser campeão do Leste, apesar da obrigação de vencer imediatamente. Essa é uma zona perigosa de mediocriedade que fada times ao fracasso. A intenção declarada alguns anos atrás de se tornarem "o Suns do Leste" pode na verdade ser uma maldição e apontar os problemas presentes e futuros: o eterno "quase-chegamos-lá". Quem pegar os dinossaurinhos roxos vai ter que decidir se esse será o modelo a ser seguido, se eles correrão, se defenderão, se apostarão em Jermaine O'Neal, ou se já é hora de se preocupar com uma possível partida de Chris Bosh e, portanto, começar tudo de novo.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Análise dos técnicos - Divisão Atlântica

É uma boa idéia esconder o rosto ao pedir a demissão de alguém: Doc Rivers e Danny Ainge agora são "gênios" após levar o Celtics ao título


Estamos de volta com mais um punhado de técnicos em nossa semana especial para eles, e muito provavelmente trazemos a leva mais polêmica (para não dizer "incompetente") de toda a série. Nos técnicos da vez, todos foram taxados de gênios e então considerados completos imbecis, ou então foram chamados de imbecis e depois sagrados gênios. Se existe uma prova de que a vida é efêmera, que a torcida é volúvel e que nada dura para sempre, essa prova são os técnicos da Divisão Atlântica. Então, vamos a eles!


Doc Rivers, Boston Celtics

Atual campeão da NBA comandando o Boston Celtics, Rivers é a maior prova de que técnicos acabam sendo julgados pelo talento de seus elencos. Quando o Celtics fedia, com jogadores jovens, semi-amadores e só meia dúzia de vitórias, Doc Rivers era um dos piores técnicos a ter habitado esse planeta. Quando o Celtics ganhou a torto e a direito com Pierce, Ray Allen e Garnett, cotaram o Doc Rivers para o prêmio de melhor técnico do ano. Só pode ser brincadeira.

Quando assumiu seu primeiro time, o Magic, o esperado era que as derrotas fossem o padrão, porque o time fedia. Mas a volta de jogadores contundidos e as novas aquisições levaram o time a surpreender, ficar a apenas uma vitória de alcançar os playoffs e Doc Rivers levou para casa o prêmio de técnico do ano. Culpa clara de um elenco que era melhor do que se esperava e que acabou surpreendendo. Não que o Rivers não tenha sua parcela de culpa, ele é um motivador nato capaz de acabar com a postura derrotista de qualquer equipe, está sempre gritando e incentivando. Durante um pedido de tempo, uma ação clássica do Doc Rivers seria gritar a plenos pulmões: "Gente, o negócio é defender, vamos então impedir eles de fazer pontos, só assim vamos vencer. Ouviram? Vamos defender! É isso aí." Obrigado, senhor técnico genial, se você não tivesse dito isso eu teria continuado achando que ganha quem permite que o adversário marque mais pontos. Dã!

Ao ser perguntado sobre as diferenças entre treinar o Celtics que fedia e o Celtics com três futuros membros do Hall da Fama, Doc Rivers afirmou que era exatamente a mesma coisa. E ele tem razão, é exatamente a mesma coisa se tudo que você sabe fazer é gritar coisas abstratas como "defendam!" ou "vamos lá, vamos fazer essa cesta!". Taticamente, o Rivers é tipo a Vovó Mafalda: uma farsa, até uma criança pode ver aquelas pernas peludas e perceber que a Vovó é homem. Como é que alguém cai na farsa do Doc Rivers a ponto de acreditar que ele faz algo mais em quadra além de berrar e bater palmas?


Lawrence Frank, New Jersey Nets

Depois de utilizar com sucesso a tal da "Princeton offense" no Nets, Byron Scott acabou indo para o olho da rua. Quem assumiu o cargo temporariamente foi seu assistente técnico Lawrence Frank, um nanino, branquelo e nerd estudante de basquete. Provavelmente alérgico a laticínios e incapaz de vestir as meias sem ajuda da mãe mas um gênio quando o assunto é tática e prancheta.

Sua primeira ação no comando do Nets foi modificar a "Princeton offense", adicionando a ela mais recursos e, consequentemente, tornando-a mais complexa. Sem resultado, voltou atrás, retornando o ataque ao modelo original, depois resolveu mudá-lo novamente dando ênfase aos jogadores que estivessem melhor durante a partida, aí depois mudou de idéia outra vez. Com uma personalidade apagada, cara de coitado e histórico de nerd, Lawrence Frank não tem confiança no que está fazendo. Sempre volta atrás, está o tempo inteiro fazendo experimentos malucos e não encontra sua voz, seu modelo de trabalho.

Essa sua falta de padrão vai além da tática, afetando a rotação. Ninguém sabe entender o motivo do então novato Sean Williams ter jogos tão produtivos e de repente ir parar no banco, deixando de ser usado por inúmeras partidas em sequência. Josh Boone praticamente não tinha minutos e de uma hora para outra virou titular, depois voltou pro banco, depois foi titular outra vez. A vida do Nets é como sexo com a Elke Maravilha: você nunca sabe como vai ser, mas tem certeza de que será uma merda.


Não é à toa que seja tão odiado, tendo inclusive um site apenas pedindo sua demissão, algo como DemitaFrank.com. Quando era assistente técnico, achavam ele um gênio. Agora, técnico em tempo integral, trata-se apenas de um estrategista nerd e confuso que, no fim das contas, acaba só colocando a bola nas mãos de Vince Carter, isolando ele num canto e obrigando o coitado a forçar arremessos. Ainda assim, recebeu recentemente uma extensão de contrato para ficar mais alguns anos em New Jersey, deixando muitos torcedores tão felizes quanto ao ter uma apendicite. O pretexto é que Frank é um excelente professor, ideal para instruir os fundamentos do jogo ao jovem elenco do Nets. Só não entendi o que ele ensinou pro Sean Williams trancando o coitado no banco depois de atuações tão promissoras.


Mike D'Antoni, New York Knicks

O bigodinho mais famoso da NBA tornou-se praticamente uma lenda com a filosofia de "7 segundos ou menos", ou seja, a idéia de que as melhores oportunidades para pontuar acontecem nos primeiros 7 segundos de posse de bola. Na prática, isso significa correr como um maluco e arremessar o mais depressa possível. Parece estranho mas é uma tática funcional e responsável por formar um dos times mais velozes e divertidos de se assistir nos últimos anos.

A tática de D'Antoni é especialmente efetiva contra times mais fracos, sem identidade, que acabam sendo pegos na correria e tentam devolver na mesma moeda. Marcando trocentos pontos num ataque balanceado, evita-se que times com menos talento consigam manter o mesmo ritmo, mesmo que não exista esforço na defesa. Com isso, o Suns de D'Antoni chutou centenas de traseiros na NBA, aniquilando com facilidade os adversários mais frágeis mas suando contra adversários de peso. Ao enfrentar equipes equilibradas que joguem de maneira lenta e cadenciada, protegendo a posse de bola, a técnica de correr e arremessar (run 'n gun) de D'Antoni encontra graves problemas para funcionar. A encarnação na Terra da entidade cósmica do basquete lento e cadenciado é o Spurs de Gregg Popovich, que aniquilou ano após ano os "7 segundos ou menos", até que o Suns resolveu seguir em outro caminho.

Ainda assim, gosto de ressaltar a habilidade de Mike D'Antoni em ajustar seu modo de jogo quando Shaquille O'Neal chegou em Phoenix. O bigodinho soube colocar Shaq na movimentação ofensiva, criou uma série de jogadas embaixo do aro e dentro do garrafão, ajustou o ritmo da equipe. Na prática, não deu certo, mas ao menos mostra que D'Antoni é maleável, capaz de adaptar seu estilo de jogo aos jogadores disponíveis. Na verdade, diz a lenda que os "7 segundos ou menos" surgiram porque D'Antoni achava o elenco do Suns muito limitado para outras táticas, tipo aquele troço esquisito que algumas culturas chamam de "defesa". Agora, no Knicks, terá que adaptar sua forma de treinar para encaixar dois jogadores lentos, pesados e que exigem a bola (e a comida) nas mãos o tempo todo: Eddy Curry e Zach Randolph.

É muito comum alegar que o estilo do D'Antoni necessita exclusivamente de Steve Nash e que, sem o armador canadense, acabará se tornando apenas um técnico comum, sem personalidade. O desafio de lidar com o Knicks seria, justamente, lidar com um time limitado, lento, e não poder colocar o time nas costas de Nash - coisa que D'Antoni sempre fez em excesso em Phoenix, minutos demais por partida, no que ocasionava uma exaustão padrão de Nash quando chegava a época dos playoffs.

Outro fato contra D'Antoni é seu foco (ou falta de foco, na verdade) na defesa. Uma coisa é priorizar o ataque, a velocidade, a correria controlada. Na verdade, como assistente técnico da seleção americana nas Olimpíadas, deixou estrelas como Kobe, Wade e Carmelo fascinadas com a carga tática presente na idéia de "7 segundos ou menos", levando-os a afirmar que seria uma delícia jogar para ele. Mas outra coisa é o Amaré dizer, como o fez recentemente, que nunca teve um único treino defensivo em Phoenix e que por isso não dá pra culpá-lo por não saber sequer levantar os braços. Imagina se o Mike D'Antoni nunca der um treino de defesa no Knicks, Curry e Randolph vão até sentar no chão quando o time adversário estiver atacando. Se foi chamado de gênio em sua época no Suns, tem tudo para ser chamado de nomes menos lisongeiros lá em New York, até porque a situação por aquelas bandas continua uma merda: ninguém decide se o Randolph vai ser trocado ou não, se o Marbury vai ser mandado embora ou não, ou se H2OH! é refrigerante ou não.


Mo Cheeks, Philadelphia 76ers

Um dos caras mais tranquilos do planeta na era pós-Gandhi, Mo Cheeks está sempre numa boa, sentadão no banco de reservas sem gritar com seus jogadores, sem se intrometer no que acontece em quadra e sem chamar as jogadas que acha que devem ser feitas. Jogar para o Cheeks é tipo ter um patrão que deixa você passar o dia inteiro fuçando no Orkut.

O único problema é que Cheeks é famoso por não entender muito da parte teórica do jogo. Ou seja, sua abordagem parece ser "vou ficar quietinho aqui no canto para não perceberem que não sei o que estou fazendo." Mas seus méritos estão no que acontece fora da quadra. Com seu jeitão camarada, Mo Cheeks costuma ser adorado pelos torcedores, pelos dirigentes e também pelos jogadores. Sabe lidar com cada membro de seus elencos individualmente, tentando deixar todo mundo contente e chamando para tomar uma cervejinha depois do expediente. No entanto, nem todo mundo consegue ficar feliz jogando para um cara sorridente que não faz nada no plano tático, principalmente as grandes estrelas. Por isso, tanto no Blazers quanto no Sixers, os jogadores mais importantes sempre estiveram descontentes, caso do Iverson, que achava merecer coisa melhor.

Quando Iverson foi trocado, o que restou para o Cheeks foi um elenco fraco, mediano no máximo, com jogadores pouco expressivos, um monte de "carregadores de piano", jogadores dispostos a ajudar mas não liderar a equipe. Os gritos de "demitam Mo Cheeks" eram diários, porque ninguém aguenta um cara simpático que não faz o trabalho que deveria enquanto embolsa milhões de dólares. Mas eis que esses jogadores medianos, felizes com seu técnico sorridente, chegaram longe e se enfiaram nos playoffs. E agora um dos técnicos mais famosamente incompetentes da NBA acabou de receber uma extensão de contrato. Verdade seja dita, talvez seu estilo de pouca interferência e amizade seja o ideal para um time jovem e sem duelo de egos como é o Sixers. Mas às vezes, é apenas questão de sorte.


Sam Mitchell, Toronto Raptors

É difícil entender como Sam Mitchell foi parar no cargo de técnico do Raptors sem ter praticamente nenhuma experiência prévia. Provavelmente, foi o único mamífero bípede que aceitou se mudar para o Canadá para trabalhar ao lado dos ursos e dos guardas florestais.

Pouco depois de assumir o cargo, foi eleito o pior técnico do ano em uma votação que incluiu jogadores de todos os times da NBA, comprovando o que era óbvio: Mitchell não sabe o que está fazendo, montou um esquema defensivo ridículo e as jogadas que ele planejava no ataque, principalmente as no finalzinho do cronômetro, eram piadas de mal gosto. Como se não bastasse, Sam Mitchell chegou arrumando encrenca com vários jogadores, provavelmente mal humorado por estar preso no Canadá. Rafer Alston, que sofreu tanto para conseguir um papel na NBA depois de anos e mais anos de basquete de rua e ligas menores, confessou que pensou em desistir do esporte no seu período com Mitchell. O técnico biruta ia de colocar um jogador como titular a deixá-lo no final do banco, sem jogar, na partida seguinte. Ao ser questionado, arrumava briga imediata, fosse com os jogadores, fosse com os jornalistas. O cara parece uma crise da Bolsa esperando para acontecer.

Diz a lenda que Sam Mitchell é talentoso para criar um conjunto, ter uma visão geral daquilo que ele deseja em quadra, mas que não sabe lidar individualmente com seus jogadores. Não sabe lhes transmitir o que quer, seus planos, seus motivos, e não sabe utilizar as habilidades de cada um. Foi Mitchell o responsável por afogar no banco o armador Rafer Alston, agora uma peça importante do Houston, além de Kapono, que era uma peça importante no Heat. O italiano Bargnani parece ter o mesmo destino. Todos são jogadores com suas capacidades e suas limitações, mas Mitchell não sabe lidar com as limitações, prefere trancafiar todo mundo no banco e pronto.

Em todo caso, não tem como negar que o sujeito melhorou muito nessa última temporada (mesmo que isso não queira dizer muita coisa), chamando jogadas mais eficientes e aprendendo a se relacionar com seus jogadores. Peças importantes continuaram não utilizadas, mofando no banco, e a bagunça de TJ Ford e Calderon revezando a vaga de titular é coisa de técnico sem critério, mas agora seus jogadores dizem ao menos confiar no que ele está fazendo, na visão geral. O responsável por montar o elenco, Bryan Colangelo, ex-dirigente responsável por montar o Suns, aposta todas as suas fichas em Sam Mitchell, alegando que ele aprendeu muito com a prática, com o estudo, e que até os jogadores percebem a diferença. Agora, só falta eu perceber a diferença. Por enquanto, continua sendo pra mim o pior técnico dessa budega - mais um que, após um par de idas para os playoffs, ameaça ser chamado de gênio.