segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Os melhores comerciais da NBA - parte 1

Depois de um tempinho sem posts (tá tudo parado na NBA e movimentado na nossa vida!) voltamos com um post que deveria nos render alguns dólares pelo jabá, mas não rende nenhum. Vamos mostrar, de grátis, os melhores comerciais da NBA.

Na verdade o título deveria ser "melhores comerciais envolvendo jogadores da NBA" já que nem todos são feitos pela liga ou para promovê-la, mas acho que vocês sacaram. Aqui temos uma compilação que tem comerciais da TNT, HEB, ESPN, EA Sports, Converse, Nike, Adidas, American Express, tem de tudo.

Dividi em três partes porque achei muita coisa boa. Hoje posto do número 20 até o 11, amanhã posto do 10 até o 1 e depois posto uma terceira parte especial que fica de surpresa.
E também não esqueçam de me xingar na caixa de comentários dizendo que eu esqueci desse ou daquele comercial! Simbora!


20- O bigode de Adam Morrison
Antes de entrar na NBA, quando tinha acabado de ser draftado como a 3ª escolha no draft de 2004, o Adam Morrison fez uma série de comerciais para a EA Sports divulgando o novo NBA Live. Assim como o jogo, o Adam Morrison fede, o que deixa o vídeo mais sem graça do que deveria ser.

Mas ele era uma promessa boa, é simpático e seu bigode é um dos visuais mais engraçados da NBA desde a aposentadoria do Dennis Rodman. Sem esquecer o Scott Pollard, claro.

No comercial o Adam Morrison fala sobre voltar aos grandes tempos do bigode na NBA, os saudosos tempos de Pistol Pete, Kurt Rambis e Clyde Frazier. Depois diz que na offseason vai entrar em um furgão e resolver mistérios. Genial!


Da mesma coleção: Adam Morrison diz que chorou em rede nacional e na NBA irá fazer outros chorarem. Só não disse que era de desgosto.

19- Duncan, Manu e Bowen - Yoga
Só por ser um vídeo com o Ginobili, o Duncan e o Bowen fazendo yoga já merecia entrar em qualquer lista de bons vídeos, nem precisava ser de comerciais.

A propaganda é para a H-E-B, uma empresa de alimentação que opera exclusivamente no Texas e no México, portanto esse comercial é regional. Pelo tamanho da loja imagino que o cachê nem seja tão alto, ainda mais considerando o salário que os três ganham, então não dá pra entender por que diabos eles se sujeitaram a isso, mas agradecemos.


Da mesma coleção: Dessa vez o Duncan lê um poema que é dramaticamente interpretado por Bruce Bowen e Brent Barry, que é a estrela da propaganda.

18- The Run
Comercial bem bacana da Adidas mostrando uma pelada. A pelada, claro, envolve Garnett, Billups, McGrady, Duncan, Josh Smith, Dwight Howard e até o Jordan (Farmar). O comercial é tão bem feito que até dá pra acreditar que eles realmente se encontram durante a offseason para bater uma bolinha descompromissada. Mas o vídeo vale a pena mesmo pelo diálogo entre Garnett e Dwight, onde o KG se recusa a chamar o pivô do Orlando de Superman.


Imagino que vocês tenham percebido que o rachão cheio de enterradas, dribles e jogadores fora de série acabou com o Duncan fazendo o jumper sem graça da vitória. Tem gente que não sabe brincar.

17- LeBron James canta Cindy Lauper
Essa série de comerciais com o ônibus de turistas passeando por dentro da NBA foi uma idéia fantástica mas que rendeu poucos bons comerciais. A maioria é bem sem graça e passou mais do que a propaganda do Pato Purific na AXN ou da Tec Pix no TV Fama.
O que salvou a série foi essa cena do LeBron James cantando "Time after time" com uma empolgação bem sincera.


16- Vince Carter Superstar
Ah, bons tempos em que o Vince Carter recebia até mais atenção que o Kobe. Eram enterradas fantásticas, o Raptors indo longe nos playoffs e todo mundo o colocava lá em cima como o melhor novo-Jordan que nunca será o Jordan da NBA. O tempo passou e tudo isso foi por água abaixo. A imagem de marrento que boicotou a estadia em Toronto ainda prevalece e faz um tempão que não brilha na pós-temporada. Ele só pode se conformar de ainda ter mais moral que o Iverson.

Mas lembrando os tempos do Carter como a maior estrela pop da NBA, um comercial dele salvando o dia. Hoje em dia a cena do ladrão fazendo falta de ataque ficaria boa com o Varejão.


15- Jason Kidd tudo sabe e tudo vê
Todo mundo sabe, ou deveria saber, que a melhor idéia que a American Express poderia ter para promover sua marca sempre será a de juntar o Seinfeld com o Superman. Mas tirando essa sacada fantástica, fazer comerciais com caras da NBA foi o que rendeu as melhores propagandas pra eles até agora. Tem duas na nossa lista, está é a primeira.


14- Cara de Tim Duncan
Esta é a outra. Por que outra empresa não teve a idéia de zoar a cara de bunda do Duncan antes?!?! Ele é bem humorado o bastante (embora sua cara não mostre isso) para topar qualquer coisa. Está na hora de um desses sites de poker parar de pagar o Boris Becker e colocar como garoto propaganda o único ser humano que já nasceu com uma poker face.


13- Kevin Garnett x Tim Duncan
Parece piada, mas realmente tem muitos comerciais bons com o Tim Duncan. Para a super estrela menos carismática da história da NBA ele até que fez umas coisas bem divertidas. A falta de carisma está mesmo no jogo burocrático dele. Aqui, pelo menos, só vemos o Garnett jogando.


12- As crianças podem ser más
A série de propagandas da "School of Truth" é a melhor que a TNT americana já fez. Trata de uma escola onde é dita e vista a mais pura e crua verdade. Então as crianças dão risada porque o Kidd não tem um título, do LeBron por ele não ter ido para os playoffs (a propaganda é de quando o LeBron só tinha 1 ano de carreira) e até do Carmelo não ter sido um All-Star. Além disso tem o Shaq fazendo o que todos já fizemos no banheiro da escola.

Mas da série toda, o vídeo que ganha o nosso 12º lugar é o Ron Artest mostrando que sabe rir de si mesmo.


11- Ali G x NBA
Hoje existe o Brüno e antes dele o Borat. Mas o primeiro personagem do Sascha Baron Cohen foi o Ali G. Um mano firmeza zona leste que fazia perguntas absurdas ao entrevistar celebridades ou especialistas em qualquer assunto, como o feminismo. Ali G irritou muitos entrevistados que achavam que estavam falando para programas sérios com perguntas preconceituosas e ignorantes.

Nessa série feita pela TNT ele faz a mesma coisa entrevistando caras com o Nash ("eu não entendo nada com você falando canadense"), Wade ("Quem é você? Você se vestiu assim e entrou aqui para aparecer ao lado do Shaq?") e o Richard Jefferson ("Você entrou na NBA por que é parente do Thomas Jefferson?"). A série seria ainda mais legal se tudo isso tivesse sido de verdade, com os jogadores não sabendo que seriam zoados, mas aí é pedir demais.

Abaixo um vídeo de 7 minutos com a série completa, vale a pena.


quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Feitos um para o outro

Iverson, forte como o Grizzlies

Tem coisas que a gente acha que nunca vai ver na vida mas acaba vendo. Ronaldo no Corinthians, Once Caldas campeão da Libertadores, o Dado Dolabella milionário porque o povo escolheu e até o Allen Iverson no Grizzlies.

Está finalmente confirmada a contratação do armador pelo time de Memphis. Contrato de apenas um ano no valor de 3,5 milhões de dólares, 17 milhões a menos do que recebeu no ano passado. Deve ser a única vez que um cara desse nível aceitou tamanho corte de salário para jogar em um time pior do que o que jogava antes! Geralmente as estrelas ganham menos pela chance de ganhar um título.

Há alguns anos o Iverson era jogador garantido no All-Star Game, um dos melhores jogadores do planeta e com vaga assegurada no Hall da Fama quando encerrasse a carreira. Para muitos foi o melhor jogador da história da NBA entre os com estatura comum para um ser humano. Foi o ídolo de uma geração por ser o mais humano entre os gigantes, qualquer um podia se identificar com ele.

Mas em um ano tudo desabou. A simples troca do Iverson de Denver para Detroit colocou em evidência todos os seus defeitos. O time que ele deixou melhorou absurdamente com a sua saída e o que ele chegou, que era sucesso há anos, foi um fracasso. Iverson então era um cara que estragava a química das equipes, era fominha, estava velho, não podia jogar como armador principal e prendia a bola demais para um ala-armador. Convencidos de tudo isso, nenhum time o quis.

Com o risco de ficar sem emprego, o quinto maior cestinha em média da história da NBA aceitou essa proposta mixuruca do pior e mais pobre time da NBA. Esse é o momento em que qualquer um que nunca gostou do Iverson dá aquela olhar de dó pra ele e pensa "Nem eu desejava isso pra você".

Não vou repetir toda minha opinião sobre o Iverson, que já disse aqui. Mas para quem está com preguiça de clicar no link, o resumo é que o A.I. não desaprendeu a jogar, ainda tinha o mesmo talento na temporada passada, mas suas características de jogo são muito específicas, não se encaixam em qualquer time. Mas não importa que eu ache isso, o que importa é que os caras que mandam na NBA acham que ele estraga equipes, simples assim. E importa saber se ele, já com 34 anos, vai conseguir fazer estes caras mudarem de idéia.

Essa é, portanto, uma temporada decisiva para o Iverson.
Podemos compará-la a uma temporada de novato. Quando um jogador entra na NBA ele tem uma imagem que carrega de sua carreira internacional ou de faculdade e ela o faz ser draftado em certa posição do draft. Depois tudo se apaga e começa do zero. O que o cara fizer na sua primeira temporada entre os profissionais é o que vale. Se foi um sucesso mesmo sendo lixo em 4 anos de faculdade, então o cara é um achado de um olheiro genial, se é um fracasso depois de ter sido tetra-campeão universitário, então o cara é um lixo que tinha um bom técnico.

Iverson é o laranja podre da NBA e tem um ano para mudar isso. Se der errado como deu no Pistons, esta pode ser a sua última temporada como jogador da NBA. Se ele tiver sucesso, liderar o jovem Grizzlies a grandes vitórias, aí será um festival de matérias dizendo que Iverson deu uma resposta aos críticos e no ano que vem ele estará em algum time bom, recebendo um salário altíssimo de novo. O desafio até chegar nisso é gigantesco.

Iverson sempre foi criticado por não ser um bom líder e não comandar bem jovens companheiros, e ele agora é o cara mais experiente de um time horrível e cheio de pivetes. O jogador mais experiente depois dele é Zach Randolph, talvez o único cara na NBA com fama de ser mais fominha que o A.I.

Sei que o Iverson já jogou partidas históricas de playoff e até partidas de finais, mas talvez esse seja o maior desafio da sua carreira até agora. É uma luta contra si mesmo para mudar o seu estilo de jogo ou uma luta com os outros para provar que o antigo estilo ainda pode render bons frutos. Não sei o que ele vai escolher mas será dificílimo de qualquer jeito.

Vamos ver pelo outro lado agora, se foi difícil para o Iverson, será que foi também para o Grizzlies tomar essa decisão? Se nenhum time queria o risco de ter o Iverson, por que o Grizzlies topou? Até porque seu melhor jogador na temporada passada foi justamente o OJ Mayo, que joga na posição do A.I.

Ok, mas pensem bem, o que o Grizzlies tem a perder?

Eles são o pior time da NBA, o mais pobre. Não tem audiência na TV, as camisetas não vendem e o ginásio está sempre vazio. Todo ano na época do draft tem um monte de pirralho sem moral dizendo que querem ir pra qualquer lugar menos pro Grizzlies. Já existem boatos desde a apresentação de cada um deles que Marc Gasol, Mayo e Rudy Gay vão dar o fora do time assim que virarem Free Agents, tamanha a falta de atenção e de perspectiva de sucesso no Grizzlies.

Com esse pesadelo todo em vista, onde está o mal negócio em ter um dos maiores ídolos da última década no time? Ele vai fazer os ginásios encherem, vai ser a atração da cidade, vai vender camisetas e pode até atrair um ou outro joguinho na TV. Será até esquisito ver um jogo do Grizzlies no League Pass sem ouvir o eco da bola batendo no chão ou os gritos dos jogadores!

Além disso, tem toda essa situação do Iverson, que é muito delicada. Se ele tem alguma esperança de continuar com uma carreira na NBA não vai faltar dedicação e esforço para que tudo dê certo. Ele até já disse que pretende mostrar para a pirralhada que é importante treinar. Treinar! Practice! Isso não é garantia de resultado nenhum, mas é um bom começo.

Pensando na parte tática, a coisa fica menos bonita. Mike Conley, armador principal do time, finalmente começou a deslanchar na segunda metade da temporada passada e seria terrível interromper esse desenvolvimento jogando o garoto pro banco.

E difícil imaginar Mayo como um reserva depois de ser o melhor jogador do time na temporada passada e mais difícil ainda imaginar o Iverson chegando lá pra ser reserva depois de toda polêmica que o assunto deu na briga dele com o Rip Hamilton pela vaga de titular em Detroit.

Desses três que não vemos como reservas, um terá que ser. Se for o Conley o Iverson vira armador titular, posição onde ele não rendeu nada bem no Sixers e no Nuggets. Se for o Mayo é capaz do pivete começar a pedir pra ser trocado logo de cara. E finalmente tem a última opção que é a que eu faria, Iverson na reserva.

E faria sem pensar duas vezes. Em um texto um tempo atrás, já disse que a característica principal daquele Sixers em que o Iverson brilhou e foi até as finais era a boa defesa, o time equilibrado e o ataque todinho na mão do Iverson. No Grizzlies ele pode vir do banco junto com caras como o Darrell Arthur e o Hasheem Thabeet e concentrar o ataque todo em suas mãos.

Isso deixaria o Grizzlies desenvolver bem os seus jogadores mais jovens e eles ainda não ficariam completamente na mão na hora de usar o banco de reservas. Acho que é uma solução bem básica e que pode ser colocada em prática logo no começo da temporada. Ficaremos atento (olha o que o Iverson faz, nos deixa atentos ao Grizzlies!) em como o técnico Lionel Hollins arma o time desde a pré-temporada.

Com o Iverson por lá, o Grizzlies não fica devendo nada a ninguém no quesito talento. Tem muitos elencos melhores por aí, óbvio, mas olhando friamente são caras bons em todas as posições! Conley, Mayo, Gay, Randolph, Gasol. É talento o bastante pra engrossar contra qualquer equipe. Só que são caras bons que não conseguem transformar esse talento individual em um time e, logo, em vitórias.

É, pensando desse jeito, Iverson e Grizzlies foram feitos um para o outro.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Foi namorar, perdeu o lugar

Ricky Rubio dá em si mesmo um belo de um abraço por trás


Todo mundo sabe dos apuros pelos quais passa um homem apaixonado por uma garota que não lhe dá bola. Por parte do rapaz, há sempre muito esforço, cuidado e uma certa dose de humilhação. O poder está todo nas mãos da garota, que pode fazer o que quiser com a decisão que lhe cabe. Por fim, o homem apaixonado consegue o que queria ou então toma uma porta na cara e segue a vida, como se nada tivesse acontecido.

Não tem como não nos identificarmos com os derrotados que não conseguem as menininhas e que tomam portadas no nariz (até porque eu ainda me lembro da vez em que você bateu a porta na minha cara, garota!), a gente dá aquele sorriso cheio de pena e perdoa todos os erros desses sujeitos, todas as humilhações e a perda de tempo de cada um dos que tentaram e falharam em suas consquistas amorosas.

Na lista de fracassados, podemos acrescentar agora um novo nome: David Kahn, engravatado responsável pelo Wolves. Após três viagens para a Espanha num período de dois meses tentando conquistar o coraçãozinho de Ricky Rubio, Kahn volta para casa como um dos nossos, um fracassado de coração partido e mãos abanando. Essas ninfetas são sempre as mais difíceis mesmo, deveriam ter avisado o pobre do Kahn, que foi pensando ser capaz de conquistar o ingênuo pirralho espanhol. Não deu certo.

Na época do draft, a multa da recisão de contrato do Rubio já era uma preocupação para todas as equipes. Saía por uma bagatela de 8 milhões de dólares, sendo que as equipes da NBA só podem entrar com 500 mil mangos para ajudar nesse valor. Basicamente, o que se pede é que Ricky Rubio tire 7 milhões e meio de dólares das próprias orelhas.

Foi por isso que David Kahn, todo galanteador, foi tentar provar para o menino que esse dinheiro surge fácil quando se está na NBA. O Rubio pensava em ser a primeira escolha do draft, o que aumentaria seu salário e lhe daria um marketing inacreditável. Draftado apenas na quinta escolha por um time horrível, desconhecido, enfiado em Minessota, sem visibilidade, com um salário menor, e pior de tudo, dividindo minutos com outro armador draftado logo depois dele, Jonny Flynn, ficou difícil para o Rubio acreditar que seria capaz de bancar a multa para interromper seu contrato.

Kahn é um homem apaixonado. Falou em carta aberta aos fãs, explicando que Rubio e Flynn jogariam juntos. Além disso, jurou de pé junto que o armador espanhol seria o titular absoluto da equipe desde o primeiro dia, o que é o equivalente a prometer para uma garota que ela será a titular do harém (irrecusável, vai!). Conseguiu negociar um abatimento na multa pela recisão do contrato, deixando em apenas 5 milhões. Garantiu um amistoso do Wolves contra a equipe que detém o contrato, o Joventut, com toda a renda adquirida indo para financiar a multa. Arrumou uma série de patrocinadores que bancariam o Rubio nos Estados Unidos, através de investimentos e empréstimos, permitindo ao jogador apenas um mínimo de gastos e deixando que ele mantivesse grande parte do seu salário bem gordinho de 15 milhões por 4 anos.

Cada um desses mimos, que foram como versões de Itu de bombons recheados, vieram com muito esforço e negociação. Foi um processo lento e gradual, e só em viagens para a Espanha o David Kahn poderia ter pagado umas trezentas multas contratuais. Quando o Ricky Rubio estava cercado de presentes, segurança e um amor incondicional, foi dormir e acordou no dia seguinte com certeza de que não iria pra NBA. Resolveu dar um pé na bunda do Kahn.

O Barcelona topou pagar a multa reduzida de 5 milhões pelo armador-ninfeta mais cobiçado do planeta, e o guri simplesmente resolveu ficar por lá quando tudo estava pronto para que ele fosse pra NBA. Alegou que sempre quis jogar na NBA, mas que essa mudança nesse momento complicaria demais a sua vida e blá, blá, blá. É a versão esportiva de "o problema não é você, sou eu, acabei de sair de um relacionamento e quero um tempo para mim".

O motivo pode até ter sido financeiro, já que no Barcelona o Ricky Rubio vai poder enfiar seus milhões de euros nas orelhas e comprar seu primeiro carro, casa, piscina e cartucho do Pokémon, enquanto no Wolves receberia um dinheiro mais modesto. No entanto, Rubio seria free agent em 2014, com apenas 23 anos, e estaria apto a assinar um contrato biliardário. Seu primeiro contrato na NBA sempre terá o mesmo valor mais-ou-menos, não importa quanto ele espere, e correr agora para o Wolves apenas encurta sua espera por se tornar realmente endinheirado.

A única explicação que realmente faz sentido para o jovem Rubio ficar na Espanha é medo. Talvez ele ache que não está pronto para a NBA nesse momento, que não tem físico ou maturidade, e que sua imagem ficará arrasada se ele feder no Wolves. Provavelmente ele teme ter uma temporada mais-ou-menos num time que ninguém acompanha, não conseguir assinar um novo contrato bom o bastante e não cair nas graças da mídia. Tudo a maior burrice: o Wolves lhe garantiu a melhor escola que um jogador de basquete pode querer.

O time vai jogar um basquete de pura correria, o que mostraria os talentos do Rubio em seu explendor. Ele seria titular desde o começo, comandado por um técnico que tem ordem para deixar a pirralhada em quadra aprendendo, mesmo que isso custe a eles algumas derrotas a mais. O time tem pouca visibilidade e, portanto, Rubio teria que lidar com pouca pressão - seus acertos apareceriam no Top 10 da NBA.com, mas seus erros estariam meio camuflados. E tudo isso durante quatro anos, tempo o bastante para ele se tornar um jogador melhor e, aí sim, encontrar um time que lhe dê toda a visibilidade que ele quer (Knicks, alguém?).

Dá pra imaginar situação mais perfeita para um pirralho-sensação? Mas não, Rubio preferiu não mudar de ares, ficar num basquete mais fraco, não trabalhar seu físico, não ter minutos garantidos. Pior que isso: Rubio deixou Kahn de coração partido e o engravatado, com a elegância digna dos grandes fracassados, partiu para outra e ameaçou sua ex-paixão com o típico desdém dos rejeitados. Ou seja, Kahn avisou que Jonny Flynn será o titular absoluto e que, quando Rubio decidir ir para a NBA, Flynn já terá a vaga e estará muito adiantado em questão de aprendizado.

O armador espanhol ficará ao menos 2 anos no Barcelona, quando então a multa de recisão cai um pouco e fica mais pagável. Mas pode acabar ficando lá por 3 anos, se quiser, enquanto o Flynn vai certamente consagrar-se como um dos grandes armadores da NBA. Já chutou traseiros nas Ligas de Verão, de que o Rubio já não participou, e só tem a crescer no Wolves, que é a melhor escola de pirralhos atualmente da NBA: conjunto de incentivo, tempo de quadra, e pressão zero.

Mas Kahn não parou por aí em sua esnobada: no maior estilo "você não me quer, mas olha quem tá ligadão na minha!', o Wolves acabou de assinar Ramon Sessions com um contrato de 16 milhões por 4 anos. Sessions saiu de "quem diabos é esse maluco" para tornar-se um dos armadores com mais potencial na NBA, capaz de reger qualquer time, correr como um maluco, e colocar a bola nas mãos de quem precisa. Desde que ele não tenha que arremessar, tudo sempre ficará bem e é uma delícia ver o garoto jogar. Pois bem, depois de ser disputado por Knicks, Heat e outras equipes, tem tudo para ir diretamente para o Wolves. O Bucks ainda pode cobrir a proposta para ficar com o armador, mas levando em conta o fato de que eles draftaram Brandon Jennings (mais um armador-ninfeta-sensação) e já têm no elenco Luke Ridnour e o surpreendentemente bom Roko Ukic, não vejo muito motivo para que eles o façam.

Ramon Sessions tem tudo para brilhar em Minessota. Quando lhe deram minutos e a bola nas mãos no Bucks, fez jogadas incríveis e colecionou alguns recordes de assistências. Com tempo de quadra e carta branca, Sessions e Flynn formarão uma dupla que atormentará a NBA. Se Kahn mantiver seu critério, os dois devem inclusive jogar juntos em quadra, ao mesmo tempo, durante boa parte das partidas. Será maravilhoso de ver e um motivo para, desde já, arrumar um modo de acompanhar alguns jogos do Wolves (alguém aí vu o Wolves jogar desde os tempos do Kevin Garnett?).

Quando o Ricky Rubio chegar na NBA, em dois ou três anos, encontrará um time jovem com dois excelentes armadores, padrão de jogo, time entrosado, e um Kahn puto da vida e ressentido que simplesmente continuou a vida, ao invés de chorar pelos cantos. É isso aí, Kahn, mostra pra essas ninfetas metidas à besta do que você é capaz. Esse namorinho do Rubio com o Barcelona pode sair caro demais para sua carreira. Talvez sua grande chance tenha sido jogada fora e não haja mais espaço quando ele quiser entrar na brincadeira. Torço pelo garoto, de verdade, mas vejo suas chances de dar certo na NBA seriamente comprometidas. O Kahn fez o que deu, e com a consciência limpa pode um dia cantar o sucesso da Kelly Key, "isso é para você aprender a nunca mais me esnobar, baba baby, baby baba", ou algo assim. Filosofia pura, a Kelly Chave manja das coisas.

Tá ruim mas tá bom

O técnico Moncho ameaça um golpe de caratê


Nível mequetrefe na Copa América, feriadão, offseason na NBA, gripe suína, sensação de missão cumprida quando a Alinne Moraes deixou mensagem pra gente no Twitter, preguiça e até um troço chamado "vida" acabaram deixando a gente um bocado longe do blog nos últimos tempos. Agora estamos de volta pra valer, com uma série de posts e novidades engatilhadas, tudo saindo do forno. E é com gosto que, ao voltar ao Bola Presa, posso dizer que o Brasil foi campeão da Copa América.

Vamos admitir que a qualidade técnica do torneio não foi lá essas coisas, mas de qualquer modo a importância da vitória para o Brasil era enorme. Para o time desfalcadíssimo e capengando da Argentina, conseguir a vaga para o Mundial do ano que vem já estava de bom tamanho, bastava a sensação de alívio, de não passar vergonha, e de poder concertar o erro mais tarde. Para a seleção brasileira, simplesmente conseguir a vaga não bastaria. Quando as coisas começam a ser colocadas na direção certa, qualquer tipo de resultado negativo pode servir para abortar o processo. Nem sempre resultados ruins são causados por uma preparação ruim, e dessa vez que a preparação foi a contento só podíamos torcer para os resultados também serem, sob o risco de qualquer deslize virar desculpa para jogar fora os pequenos avanços que conseguimos.

A seleção brasileira jogou um basquete mais coletivo, focado na defesa e ao menos tentando - lutando contra velhos vícios como o Bozo luta contra a cocaína - depender menos das bolas de três pontos e jogar mais no garrafão. Meu pânico era justamente perder de Porto Rico na final e começar a ouvir uns birutas dizendo que, se eles ganharam seus jogos apenas chutando bolas de três, nós deveríamos voltar à nossa política de só arremessar de fora também. Pior ainda seria ter que aguentar gente criticando a vinda do técnico estrangeiro, pedindo a volta de gente como o Lula ou o Hélio Rubens, por exemplo.

Além disso, a modalidade precisava do pequeno barulho que surge com a conquista. Com nova admnistração na CBB, um campeonato nacional minimamente organizado (que até chegou ao final, quem diria, e com ginásios lotados!) e exposição na televisão, nosso basquete não poderia se dar ao luxo de perder a Copa América e deixar o público achar que essas alterações não serviram pra nada. É preciso que exista essa sensação de que as coisas estão melhorando para que um mamífero bípede qualquer seja capaz de se interessar pelo esporte. Estamos dando passos pequenos na direção certa, e é muito importante que os resultados tenham vindo porque não acho que, frágil como o basquete anda por essas bandas, seríamos capazes de lidar com mais um fracasso.

Dito isso, devo permitir que aquele técnico de futebol frustrado que mora dentro de cada um dos brasileiros venha à tona agora. O técnico frustrado que vive dentro de mim desde os tempos da Copa de 94 ("Muda, Parreira!") está louco para sair e criticar um pouco nossa seleção - mesmo que seja de basquete. Ganhamos a Copa América e isso é enorme e essencial para o novo basquete brasileiro, para coroar a mudança de direção na nossa modalidade e garantir que os avanços continuarão sendo feitos ao invés de abandonados porque "não deram certo". Mas a verdade é que ganhamos a Copa América graças a um bocado de sorte e apesar de uma série de problemas e limitações que ainda afligem nossa seleção.

Acho que o Huertas é subestimado. O rapaz sabe correr, bater para dentro como um maluco e dar arremessos ridículos, mas ficou até com cãimbra na mão de tanto pedir calma para os companheiros. É ele quem controla o ritmo do jogo, quem decide a velocidade do ataque e quem arma todas as jogadas. Com ele em quadra, Leandrinho recebe bolas em velocidade apenas para finalizar em movimento. Quando o Huertas senta, o time desanda mais do que o nariz do Michael Jackson, não dá nem coragem de olhar. A bola fica parada nas mãos do Leandrinho, que perde seu poder ofensivo e tem dificuldades terríveis de infiltrar, ou então vai parar nas mãos do Marcelinho Machado, que seria um excelente jogador se tivesse qualquer traço de cérebro na caixa craniana. Do mesmo modo, quando o Varejão vai para o banco de reservas, o Brasil não tem um defensor no garrafão e passa a ser comido vivo, cedendo lances livres e infiltrações fáceis. Quando o Tiago Splitter senta, o Brasil não consegue colocar a bola perto da cesta e acaba dando arremessos forçados e voltando aos tempos dos arremessos de três. Isso porque o reserva tanto do Varejão quanto do Splitter costuma ser o Guilherme, que não defende nem ponto de vista e só deixa de feder um pouco quando joga atrás da linha dos três pontos, esvaziando o garrafão tipo o Rashard Lewis (mas sem um Dwight Howard lá no meio).

Ou seja, a seleção finalmente joga como um conjunto, mas não tem elenco. São sete jogadores e dois deles fedem, fica difícil competir assim em alto nível principalmente numa competição com jogos em dias seguidos, que exige tanto do físico de todos os jogadores. O técnico Moncho até levou outros jogadores, dos quais uns torcedores gostam mais e outros gostam menos, mas a verdade é que todos nós sabemos que eles não têm nível pra participar da brincadeira. Talvez com o tempo, se abraçarem perfeitamente bem a mentalidade coletiva instaurada na equipe, possam entrar sem comprometer muito.

Mas é preciso aproveitar para reclamar também de um velho problema da seleção que permanece intocado (e nem é os lances livres, em que a gente fede e nem tenho mais esperanças de melhora): são os momentos decisivos dos jogos. Há muito tempo não temos uma estrela capaz de colocar o time nas costas e o jogo no bolso, simplesmente porque o Leandrinho não é assim. Contra uma defesa montada, as infiltrações do Barbosa são muito ineficientes, motivo pelo qual ele sempre rendeu melhor quando joga um basquete de contra-ataque e velocidade. O resultado é que, na hora de acalmar o jogo e colocar a bola nas mãos de quem resolve a parada, não existe ninguém capaz de cumprir a função. Na final contra Porto Rico, dominamos o jogo. Mas aí o Huertas foi sentar e a diferença de pontos começou a diminuir. Nos dois minutos finais, quando Porto Rico apertava e a seleção só precisava deixar o cronômetro rodar e deixar a bola com quem entende, o escolhido foi o Leandrinho. Arremessos forçados, desperdícios de bola e passes para o lado: com isso, Porto Rico ficou a um ponto de nós e só perdeu porque o Arroyo errou a bola decisiva (destaque para a excelente marcação do Alex nesse arremesso final).

Eu ficava torcendo para a bola ficar nas mãos do Huertas, mas não, sempre deixam o Leandrinho decidir o que fazer no final do jogo. Pra mim o negócio é simples: ou o Leandrinho decide mesmo o jogo e passa a incorporar isso em seu estilo, ou escolhemos outra estrela para finalizar jogadas (Splitter, Huertas, minha mãe), ou então deixamos essa besteira de jogador para decidir de lado e mantemos o basquete coletivo. Sei que o psicológico atrapalha no final, mas se a seleção brasileira tivesse tentado manter o mesmo padrão de jogo, ainda que fazendo xixi nas calças, o resultado teria sido melhor.

Cabe ao Moncho resolver o que o Brasil fará na hora da pressão, em especial porque os adversários no Mundial vão ser infinitamente superiores e a gente não estará com 30 pontos de vantagem no último período. Cabe a ele ampliar a rotação de jogadores na equipe e garantir que o nível não caia tanto com as substituições. E, o mais importante, cabe aos responsáveis na CBB manter o Moncho na seleção. As desculpas que poderiam ser dadas foram pro lixo, porque o Brasil venceu, mostrou outra postura, outro estilo de jogo, jogou um basquete moderno e deixou os jogadores importantes (Leandrinho, Varejão, Splitter) felizes da vida, satisfeitos, confiantes. O Nenê vai ouvir isso, vai saber que agora há um trabalho sério, com resultado e visibilidade. Assim, fica difícil não aparecer para jogar. Quando o trabalho é uma merda e ninguém fica nem sabendo, pra quê o jogador vai se dar ao trabalho de jogar de graça e arriscar seu ganha-pão na NBA? Não rola. Mas com o trabalho desempenhado agora, o Nenê deve aparecer, todos os outros jogadores devem voltar, e portanto não negociar o retorno do Moncho seria uma vergonha. Agora, queridos engravatados-que-assinam-cheques, a torcida brasileira está assistindo. Não tão de perto quanto seria o ideal, mas perto o suficiente para fazer barulho e reclamar de qualquer tropeço, o que é um baita avanço se comparado com o basquete invisível de um par de anos atrás.

Ganhamos no sufoco, na sorte, graças a um erro no último arremesso de Porto Rico. Mas os acertos na seleção são evidentes e levantam um basquete que precisava agora justamente desse apoio, desse carinho. Para o Mundial, no entanto, tudo muda de figura: precisamos nos preocupar em não passar vergonha. Seria lucro simplesmente manter o belo trabalho, a evolução gradual. Ficamos como sempre aguardando, torcendo pela permanência do Moncho, e molhando nossas calças de preocupação: por favor, por favor não estrague tudo de novo, senhora CBB - e senhor Carlos Nunes, claro, que já avisou que, se o Moncho não continuar, vai dar as rédeas para um treinador brasileiro. Legal, nem estamos tecnicamente defasados mesmo, não é?

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

O meu personagem favorito

Piada pronta

- Com licença, senhorita, eu poderia falar com o John, por favor?
- Quem é?
- Ron.
- Que Ron?
- Ron Artest.
- Não pode ser verdade...

Respondendo ao ala do Lakers estava no telefone uma mulher que vive com John Green, um morador de Detroit que ficou famoso internacionalmente por ter sido o cara que atirou um copo de cerveja no próprio Artest na maior briga da história da NBA, entre Pistons e Pacers em dezembro de 2004. Começava mais uma história surpreendente para o folclore de Ron Artest.

Artest disse que a idéia de entrar em contato com John Green já havia surgido há algum tempo, mas que todos à sua volta achavam que essa seria uma péssima idéia, uma polêmica desnecessária para um cara que já tem uma imagem manchada por polêmicas.

Mais alguns anos passaram e Artest resolveu colocar seu plano em prática. Ignorou os conselhos e postou no seu Twitter um pedido de ajuda. Gostaria de saber onde vivia John Green e qual era o seu número de telefone.

"Não será uma loucura, será histórico, será algo para as pessoas verem que você pode brigar com uma pessoa e pode se tornar amiga dela depois, não precisa carregar o rancor para o resto da vida."

Um conhecido de Green leu o tweet e ajudou a juntar os dois. Artest disse que assim que John pegou o telefone houve uma sintonia imediata. Ambos perguntaram como iam as coisas, deram umas risadas e Artest logo o convidou para participar de um programa de rádio onde eles iriam conversar publicamente sobre tudo o que aconteceu e, provavelmente, fazer as pazes. Possivelmente a maneira mais bizarra de se fazer uma amizade, mas ainda uma amizade.

Claro que o fato do Artest querer levar o cara num programa de rádio mostra que ele tem uma preocupação em fazer com que os outros saibam o que ele está fazendo. Ele quer mostrar que aquele episódio ficou pra trás. Mas pela sua entrevista na rádio é possível ver que ele quer mais do que limpar sua imagem publicamente (até porque isso é uma tarefa quase impossível).

Ron Ron fez isso para ele mesmo. Se aquele episódio está fresco na nossa memória, imagina para ele. Aquilo foi exibido no mundo todo e até quem não acompanha o basquete assistiu. Rendeu uma suspensão de 73 jogos e o fez sair do Pacers, onde teve sua melhor fase na NBA. Difícil tentar entender o que se passa na mente pouco comum do Artest, mas imagino que para ele esse encontro seja bastante simbólico e importante também.

Você pode discordar das coisas que ele faz ou de como ele faz, mas ele é tão original, tão diferente de todo o resto que você tem que dar algum crédito pro rapaz. Um jogador comum no máximo teria dado uma coletiva pedindo desculpas, não iria ligar na casa do cara. Artest é um personagem fascinante por isso, não cai no lugar comum. E outras histórias dele confirmam isso.

Também via Twitter, o Artest fez uma promoção onde uma família ganharia uma noite com ele em casa, um jantar com Ron Artest.

Uma idéia insana que teve como vencedora uma família de origem filipina. Artest foi até a casa da família, comeu comida típica filipina e passou a noite com eles, brincando no karaokê. O resultado foi desastroso: o jantar rendeu, segundo o próprio Artest, muitos gases, barulhentos e fedidos, e o karaokê, paixão da família que o acolheu, rendeu uma versão horripilante de "My heart will go on" da Celine Dion


Outra história: esse eu demorei mais de um ano para acreditar, tive que ler em dezenas de lugares confiáveis até me sentir à vontade o bastante para postar aqui.

No dia do jogo 6 das finais da NBA de 2008 entre Lakers e Celtics, o Artest estava lá em Boston assistindo a partida. Como vocês se lembram bem o Celtics venceu por 39 pontos de vantagem e levou o caneco. O Kobe, emputecido com a chance desperdiçada, foi para o vestiário tomar seu último banho da temporada e lá, pelado, se ensaboando, encontrou Ron Artest.

O ala que então ainda estava no Sacramento Kings tinha invadido o vestiário do Lakers para encontrar o Kobe. Olhou-o nos olhos e disse: "Eu quero te ajudar. Se eu puder vou dar um jeito de ir para Los Angeles e te dar a ajuda necessária para um título". Primeiro Artest passou uma temporada no Rockets, mas agora, como Free Agent, foi lá cumprir o que tinha prometido a um Kobe nu e perplexo.

Alguns devem estar confusos por lembrarem dos confrontos entre Kobe e Artest na temporada passada, recheados de provocações, empurrões e faltas técnicas. Mas acreditem, o Artest estava só se divertindo, já falamos sobre isso nesse post aqui, ele gosta do desafio de enfrentar o Kobe, de provocá-lo, de tentar levá-lo ao limite. Aqui tem um relato de um jogo entre Kings e Jazz feito pelo Danilo que o fará entender completamente como o Artest se relaciona com o basquete e com esses desafios dentro da quadra: sua paixão pelo basquete e sua diversão ao jogar são mascaradas como loucura, como falta de educação. Na verdade ele só não é comum.

Mais coisas que o tornam único? Ao invés de posts clichês no Twitter ou aparições em shownerais, quando o Michael Jackson morreu o Ron Ron resolveu homenageá-lo com um rap que foi terrivelmente criticado e para alguns "a pior música já feita". E ainda usará número 37 no Lakers, o número de semanas que a música "Thriller" ficou no topo das paradas norte-americanas.


E isso não é de agora, suas histórias são desde o seus tempos de Indiana. Uma vez ele apareceu só de roupão num treino do Pacers só para mostrar que estava pegando leve nos treinos ao voltar de uma contusão. E ainda já chegou a pedir um mês de férias, no meio da temporada, para sair em turnê para promover seu disco de rap. Sua justificativa é que o time era bom, poderia ir aos playoffs sem ele e que para o mata-mata, que era o que realmente interessava, ele estaria pronto.

E vocês já viram ele cantando? Sente o drama:


Até um tempo atrás eu só tinha visto o Artest cantar uma vez, quando fez um pedido de desculpas em forma de música após ter abaixado as calças do Paul Pierce no meio de um jogo. Segundo o Artest, o Pierce estava acabando com ele e então tinha que fazer alguma coisa para pará-lo. Simples assim.




Um personagem é uma representação de um ser humano numa obra de arte, num livro por exemplo. Para nós que acompanhamos a NBA de longe, sem ter contato com ninguém de lá, ela se torna uma obra de arte, um produto com preocupações estéticas e que conta uma história.

Essa história tem vários tipos de personagens que a própria NBA, a mídia e nós mesmos vamos moldando para que eles pareçam mais caricatos e menos humanos. O Kobe não tem a mesma graça se parecer menos obstinado a vencer, o Arenas não tem a mesma graça se aparece um dia mal humorado.

Na distribuição de papéis coube ao Ron Artest ser o outsider, o que não se encaixa. O cara excêntrico de temperamento imprevisível que pode estragar a química de um time.

Mas olhe de novo todas essas histórias singulares que acabei de contar e perceba que, na verdade, ele é só um cara real. Alguém que briga num momento tenso, que se diverte quando faz o que gosta, que se motiva dentro de uma competição e que tenta se divertir. Falando assim dá até pra se identificar, não é?

As histórias pouco convencionais do Artest são divertidíssimas e animam o folclore da NBA, alimentam o personagem exótico que querem que ele seja e que abraçamos pela necessidade que temos de ver a NBA como algo mágico, inalcansável. Mas ele se torna meu personagem favorito porque parece estranhamente real. No fim das contas nós, pessoas comuns, nos vemos em Ron Artest. E isso também fascina.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Conquistas e defeitos

Faz carinha de quem tá gostando

Nem deu tempo de respirar. Ontem à noite o Brasil enfrentou o México na estréia da segunda fase da Copa América e hoje de tarde já estava em quadra de novo contra o Canadá. E talvez os dois jogos em sequência, com pouco tempo de descanso, pode ser a justificativa do pior jogo da seleção até agora ter sido contra os canadenses. Um jogo ruim mas que nos rendeu a vitória que faltava para nos garantir no mundial de 2010.

A partida de ontem contra o México não deu nem pro cheiro, foi bem sem graça. O Brasil dominou o jogo de tal forma que se tivesse com instinto assassino e sem vontade de poupar jogadores poderia ter vencido por mais de 50 pontos de diferença. Parecia Jogos Escolares de São Bernardo.

O quarto período da partida serviu para descansar os titulares mas eles não pareciam tão descansados assim hoje. Desde o início da partida o time não parecia concentrado, errando passes, demorando para tomar decisões e com algumas falhas defensivas que não tinhamos visto até agora. O que nos salvou foi que o time do Canadá, formado por ursos, lenhadores, guardas florestais e a Celine Dion, não soube aproveitar os momentos mais fracos da seleção.

O primeiro quarto teria sido um desastre ainda maior se não fosse o Leandrinho, autor de 15 dos 18 pontos do time no período e de 31 no jogo todo. Hoje foi tranquilamente o melhor jogo do Barbosa na competição. Ele chamou a responsa quando viu que tava todo mundo em dia de Kwame Brown e livrou nossa cara. Ter um dia ruim e ser salvo por sua estrela é coisa normal pra qualquer time, depender todos os dias do Leandrinho é que não pode. Como o time está com crédito, vamos deixar passar.

Na transmissão da ESPN Brasil, o Wlamir Marques chamou a atenção para o fato do Brasil ser um time tão certinho e que obedece tanto ao Moncho que começou a ficar previsível e que por isso seria uma presa mais fácil daqui pra frente. Não estou convencido disso ainda, acho que o que aconteceu é que ficamos limitados devido ao mal desempenho individual da maioria dos atletas. Quando ninguém acerta as bolas que deveriam acertar, o time fica parecendo limitado, quando na verdade está apenas em um dia ruim. Vamos tirar a prova disso nos próximos jogos.

De todas as atuações individuais bem fracas eu destaco a do Marcelinho Huertas, o único, além do Leandrinho, a chegar nos 10 pontos. Hoje, mais do que nos outros jogos, a bola voltou pra mão dele depois da jogada ter sido iniciada. Dribles mal feitos, jogadores de garrafão embananados, não importa o motivo, as jogadas estavam falhando e recomeçavam na mão do nosso armador principal. E muitas vezes, pressionado pelo relógio, ele teve que partir para a decisão em infiltrações ou arremessos de longa distância. No total ele acertou 3 das 10 tentativas de arremesso, errando todos os 3 da linha dos 3 pontos.

É normal o armador ser uma espécie de desafogo das equipes já que a bola sempre volta pra eles quando a jogada não dá certo. Na NBA vemos bastante a bola acabar na mão do melhor jogador quando alguma jogada desenhada não funciona, seja lá qual for a posição desse melhor jogador, faz parte da cultura de super-valorização dos grandes jogadores e do jogo de 1-contra-1 que eles tem por lá. Porém, em outros lugares como a seleção, a bola volta pro cara da posição 1 e o Brasil tem sofrido com isso.

O Huertas é nosso melhor armador, titular absoluto e um dos grandes responsáveis por ditar nosso ritmo de jogo. Ele sabe quando correr no contra-ataque e quando parar e fazer o jogo de meia-quadra, méritos totais pra ele por isso, mas ele precisa, pelamordedeus, aprender a pontuar. Aquelas bandejas "jornada nas estrelas" como se ele fosse um Tony Parker de Itu não são confiáveis e as bolas de 3 são tão certeiras quanto as arremessadas pelo Varejão.

A maior prova de que um Huertas que sabe pontuar deixa o Brasil em outro nível foram os jogos contra Panamá e Argentina ainda na primeira fase. Foram 15 pontos contra os Panamenhos e 18 contra os Argentinos, na melhor partida do Huertas até agora. Nesse jogo o Brasil tinha dificuldades para usar o garrafão, já que o Splitter é tão amigo quanto freguês do Scola, e foi com as infiltrações do Huertas que conseguimos abrir a defesa argentina e fazer o nosso jogo funcionar.

Na nossa enquete de quem é o jogador mais importante da seleção o Huertas foi muito bem votado e com razão. Ele é nosso único armador e muita coisa depende dele, aliás muita coisa tem dado muito certo por causa dele. Mas se temos a ambição de ir mais longe, como uma semi-final de mundial por exemplo, precisamos que o Huertas não fique refugando quando a bola sobrar na mão dele para decidir.

Pior jogo da competição e falhas individuais à parte, o Brasil ainda tem o melhor time do torneio e a vaga garantida no mundial. A primeira parte da missão está concluída. Falta agora o título. Parte importante da campanha para a vitória está em observar a seleção de Porto Rico em seu primeiro grande desafio, a partida contra a República Dominicana nesta noite. Jogão!

Momento nostalgia
Como parte das homenagens ao Michael Jordan, que está na classe de 2009 do Hall da Fama do Basquete, a NBA.com fez um Top 10 com suas melhores jogadas em finais. É impressionante porque tem jogadores que não tem um Top 10 desses na carreira, o cara conseguiu isso só em finais. Assombroso!