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segunda-feira, 24 de agosto de 2009
Quem não tem cão
Não faz muito tempo, escrevi um post mais sério sobre a contusão de Yao Ming, que pode deixá-lo fora das quadras definitivamente. Desde então, o chinês passou pela faca numa cirurgia que foi considerada um sucesso. Foi o mesmo procedimento pelo qual o Ilgauskas passou anos atrás, então podemos concluir que Yao Ming deve ser capaz de jogar por mais alguns anos, mas com a velocidade de alguém que se movimenta debaixo d'água. No entanto, a situação de Yao não se modifica: sua missão cultural está encerrada e seu valor para a China e para o Houston Rockets começa a esvair-se. O pivô retornará às quadras com minutos limitados, importância diminuída, e é apenas questão de tempo para que o Houston tenha que começar do zero, montando um novo garrafão para compor um novo elenco. Será, então, um processo de transição em que Yao Ming vai segurando as pontas enquanto arruma-se alguém para ficar com o garrafão da equipe pelos anos seguintes.
Acontece que, para a temporada que vem, não tem transição, não tem ninguém pra ir segurando as pontas e empurrando com a barriga. O Houston precisa de pivôs imediatamente para tapar o buraco vazio e talvez ter esperança (ou fingir ter esperança, ao menos) de que um deles seja o pivô do futuro para a equipe. E tudo isso sem nenhum jogador relevante para ser trocado e nenhum espaço no orçamento para contratar um jogador de uma posição que já é mais escassa na NBA do que risadas no Zorra Total.
Levando isso em conta, devo admitir que o Houston Rockets fez um excelente trabalho. Conseguiu, sem nenhum esforço e a preço de banana, dois pivôs para tapar buraco. Os dois meio zé-ninguém, mequetrefes, mas cheios de potencial e pelo menos capazes de não passar (muita) vergonha. Pra quem achava que o pivô teria que ser o Olajuwon numa cadeira de rodas, estou quase soltando fogos.
A primeira aquisição foi o David Andersen. Ele é um pivô australiano de 2,13m que já jogou no CSKA na Rússia, foi campeão italiano trocentas vezes e acabou de ser campeão espanhol com o Barcelona. É um daqueles caras que nunca vão pra NBA, preferem ficar passeando pelo mundo, jogando pouquíssimos minutos e nunca dá pra saber se são capazes de fazer aquilo que seu potencial parece indicar. Nem na seleção australiana ele teve muitas oportunidades, o que é sempre um péssimo sinal. A NBA costuma ter um pé atrás com jogadores assim, deixando para escolher o Scola e o Ginóbili bem tarde no draft, no receio de que eles não funcionem num basquete mais físico ou, pior, nunca resolvam ir jogar nos Estados Unidos (basta pensar no Splitter, por exemplo, que parece que vai passar as próximas décadas na Europa e o Spurs daqui a pouco até esquece que ele existe). Scola e Ginóbili, no entanto, eram estrelas consagradas no basquete europeu, enquanto o David Andersen ainda é só uma aposta. Foi escolhido no draft pelo Hawks, na segunda rodada, em 2002. Sem contrato garantido, sem segurança, ganhando tufos de dinheiro na Europa, ele nunca viria brincar em Atlanta. Mas o Rockets mandou uma futura escolha de segunda rodada, uma grana, recebeu os direitos ao David Andersen e então foi negociar. Ajudou a pagar a recisão de contrato, garantiu o australiano na equipe por pelo menos dois anos (o terceiro é opcional) e colocou mais de 2 milhões nos bolsos dele por temporada. Pronto, agora o rapaz vai ser bonzinho e vir jogar na NBA.
Se a experiência der certo, Andersen foi uma grande sacada. Pelo seu tamanho, ainda permite que a defesa do Rockets afunile os jogadores adversários em sua direção. No ataque, Andersen gosta de jogar longe da cesta, arremessando de longe (e acertando cerca de 40% dos seus arremessos de três pontos!) e, portanto, não é tão diferente taticamente do que o Yao Ming gosta de fazer. Se ele for uma porcaria, também não ganha tanto dinheiro assim e depois de duas temporadas volta pra Europa continuar com a vida. Posso viver com isso.
A outra aquisição da equipe foi o Pops Mensah-Bonsu. E se você acha que esse é o nome de maior força nominal da última década, é porque não viu seu nome inteiro: Nana Papa Yaw Dwene Mensah-Bonsu. Minha nossa, é o nome mais bacanudo desde Dikembe Mutombo Mpolondo Mukamba Jean-Jacques Wamutombo! Só isso já justificaria sua contratação sem dúvida alguma, vou comprar uma camiseta agora mesmo - especialmente se eles conseguirem enfiar o nome inteiro nela, mesmo que tenha que ser frente e verso.
O Pops (eu prefiro chamar de "Nana Papa", que parece nome de banda ruim) teve uma carreira interessante no basquete universitário, atlético pra burro, cravando na cabeça de todo mundo e fazendo a festa no mundo do YouTube. Acontece que ele se machucou feio e passou um tempão fora das quadras, voltou meia-boca e acabou sequer sendo draftado na NBA (o que é meio bizarro, porque nas últimas escolhas da segunda rodada a força nominal conta muito!). Acabou tendo que se virar na Liga de Desenvolvimento da NBA, onde chutou traseiros, e também na Europa. Ganhou oportunidades com o Mavs e o Spurs, mas sempre jogando mais na D-League do que qualquer outra coisa, onde ele é atlético demais para o resto da criançada. Mas foi o Raptors quem decidiu dar para o Nana Papa uma chance de verdade, com minutos em quadra e um papel na equipe: vir do banco de reservas e trazer energia, enterradas e - por que não? - cabeçadas. Rapidinho virou um dos favoritos da torcida e o Houston percebeu que, em terra de cego, quem tem um olho é caolho. Ou seja, para um time sem pivôs, um cara que vem do banco para incendiar o jogo e dar um par de cravadas já é um baita avanço.
No fundo, o Pops é a reencarnação do Stromile Swift, embora o Swift ainda não tenha morrido (taí um caso para intrigar a mente dos budistas!). Cheio de potencial, vive em Top 10 de melhores enterradas, abarrotado de energia, mas deve morrer aos 80 anos sem ter feito muita coisa, sem evoluir seu jogo e ainda ouvindo papos, no leito de morte, de que tem muito potencial e deveria receber uma chance de algum time da NBA. O engraçado é que o Rockets já foi um dos 482 times do globo a apostarem no Swift e desistirem bem rápido. Se o Pops for minimamente superior, se ele for capaz de trazer qualquer outra faceta ao seu jogo (defesa, visão de jogo, cozinhar mariscos, costurar meias furadas), então a aposta terá dado resultado.
Com tantos times incapazes de acrescentar qualquer jogador (Heat, estou olhando pra você), é surpreendente que o Houston tenha arrumado duas apostas sei lá de onde. Pra mim está ótimo, o time vai feder uns tempos mas pelo menos tenho um par de jogadores para acompanhar de perto (e xingar pra burro, se for o caso) durante minha maratona assistindo aos jogos do Rockets na temporada (o League Pass vem aí, moçada!). Vou deixar todos vocês bem informados com o desempenho da dupla, e podem apostar em pelo menos alguns vídeos de enterradas do Pops aqui e no nosso Tumblr. Aliás, por falar em vídeos do sujeito, a Dime postou há um tempo atrás algo que me deixou um tanto sorridente (a não ser pela música, mas deixa pra lá):
Dá pra se entreter e salivar um pouco antes da Copa América, não dá?
Defenestrado por
Danilo
por volta das
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Labels: david andersen, Houston Rockets, ilgauskas, Luis Scola, mensah-bonsu, stromile swift, yao
quinta-feira, 5 de março de 2009
Fuçando no lixão
Tentando salvar umas verdinhas, essa é a época do ano em que os times mandam um punhado de jogadores para o olho da rua. Equipes em busca das últimas peças para compor seus elencos para os playoffs costumam, então, dar uma olhada no que foi jogado fora, no que não deu para aproveitar, e ver se há algum resto ali que dê para usar de alguma forma. Em geral é um trabalho degradante de revirar o lixo, melecar as mãos, deparar-se com um ou outro Kwame Brown no meio da sujeira e ficar enojado, mas volta e meia tem alguma coisa que vale a pena. Vamos, então, dar uma olhada no lixão e ver o que alguns times optaram recentemente por levar para casa!
Sem Amar'e Stoudemire, que cedo ou tarde ainda vai ter que usar um olho de vidro, o Suns definitivamente sente falta de uma presença física no garrafão e é obrigado a colocar, ao lado de Shaq, jogadores mais mirrados como Grant Hill ou Matt Barnes. No meio de um monte de papel higiênico usado, então, o Suns encontrou um pouco de estrume descartado pelo Nets: trata-se de Stromile Swift.
Não dá pra acreditar que mais alguém tenha coragem de oferecer um contrato para ele, é assustador. Assim como tem gente que passa a vida inteira ainda acreditando no Kwame Brown, no Isiah Thomas e no Gustavo Nery, parece que nunca se esgota a esperança de que o Swift torne-se finalmente um bom jogador. É sempre aquele velho caso do apreço pelo potencial, e basta dar uma olhada no Stromile para perceber que todas as ferramentes físicas estão lá, de verdade. Toda temporada parecia que ele finalmente deslancharia, e as enterradas violentas e pontes-aéreas sensacionais pareciam apenas uma prévia de algo que se tornaria a norma, não a exceção. Foram anos e anos fedendo no Grizzlies, sempre com enterradas incríveis e partidas medíocres, mas uma hora ele iria jogar pra valer, afinal é muito novo, muito inexperiente. Até que o Grizzlies aparentemente se encheu e o contrato acabou.
Meu Houston Rockets, então, precisava desesperadamente de uma presença física para jogar ao lado de Yao Ming, e adivinha quem estava dando sopa? Confesso que entrei na empolgação, eu era jovem, ingênuo e ainda achava que a Sandy era virgem, então vibrei com a contratação do Stromile Swift na certeza de que ele tinha muito potencial e seria a peça que complementaria perfeitamente o jogo mais técnico e comedido do pivô chinês.
Bem, com o Swift na equipe o Houston começou a aparecer em vários Top 10 de jogadas semanais, com enterradas monstruosas seguidas sempre daquele sinal de "sou da paz" que ficou característico. Quem acompanha pelo YouTube, então, acha que está tudo ótimo, mas quem acompanha de perto nunca viu um jogador tão inútil em quadra. Ele é a versão jogador de basquete da Angela Bismarck cantando, e sempre com esse papo de que "está se aperfeiçoando", de que "está aprendendo". Coisa nenhuma, em matéria de técnica ele é o mesmo jogador desde seu primeiro minuto na NBA.
Meu Rockets se livrou rapidinho dele, junto do novato Rudy Gay, em troca do defensor e pau-pra-toda-obra Shane Battier, e embora eu não queira falar sobre essa troca (imagina só ter o Rudy Gay nesse time ao invés do T-Mac zumbi!) fiquei bem feliz na época por ter me livrado do Swift. Na verdade, ainda fico feliz hoje, talvez até tenha valido a pena. O engraçado é que a troca mandou o coitado justamente de volta para o Grizzlies, o que é engraçado porque supostamente eles deveriam saber a merda que estavam recebendo. Quando a palavra "potencial" está em jogo, parece que os times têm memória curta, mas é claro que não deu certo.
Talvez no Nets, então, com Jason Kidd, ele pudesse se tornar o novo Kenyon Martin, aquele cara que fede mas tem os dotes físicos para pegar ponte-aérea atrás de ponte-aérea e até parecer bom. Até o Mikki Moore fez a carreira dele assim, eu também poderia, mas o Stro não conseguiu. Afundou no banco e deixou até de ser estrela de YouTube (embora seu currículo por lá seja extenso, vale muito a pena conferir). Já faz mais de 8 anos que ele é "jovem e cheio de potencial", acho que chega uma hora em que você olha para a cara do sujeito e percebe que ele tem rugas e uns cabelos brancos, fica meio ridículo. Ainda assim, o Suns deve achar que ainda vale uma tentativa.
Ironicamente, se eu tivesse que imaginar ele dando certo num lugar, seria no Suns. O que não quer dizer nada, claro, porque se eu tivesse que imaginando ele dando certo com algum jogador seria com o Kidd, e nós sabemos que não funcionou. Até poderia dizer que o "Stro Show" (apelido cheio de força nominal, aliás) vai ajudar de leve o Suns, enterrar aqui e ali e tapar uns buracos. Mas eu é que não cometo o mesmo erro duas vezes, vai ser um fracasso retumbante assim como o Kwame Brown foi (ou está sendo?) em sua nova chance com o Pistons. Quem fede, fede.
Outro jogador em quem eu botei fé no Rockets foi o Luther Head. Apesar da inconsistência, dá para ver nele o potencial para se tornar um pontuador respeitado e um bom atirador da linha de três pontos. Por alguns minutos, eu até conseguia imaginar meu Houston reconstruindo o elenco em cima dele e do Yao, o que hoje mataria qualquer um de dar risada. Baixo demais, péssimo defensor, incapaz de armar o jogo, não existe posição em que Luther Head se encaixe. Pior ainda é sua mecânica pouco ortodoxa de arremesso, em que ele se taca para frente na hora de arremessar mesmo quando está livre (uma versão inversa do Ben Wallace, que sempre se taca para trás mesmo quando não faz sentido) e parece lhe exigir muito fisicamente. Depois de um punhado de arremessos ele está exausto e pequenas variações na mecânica já causam erros grosseiros. Definitivamente, nem um pouco confiável para alguém que só faria carreira se marcasse uns 20 pontos por jogo. Considere ele uma versão do Ben Gordon mas com as pilhas terminando antes do quarto período. Bem inútil, não é mesmo? Por isso, o Rockets mandou o sujeito embora, economizou uma grana, e agora o Miami Heat acaba de assiná-lo. Os arremessos de três pontos são uma clara deficiência da equipe, que acaba dependendo demais do Daequan Cook, e o Luther Head pode ajudar um pouco. Com o Wade armando o jogo, o Head pode jogar na posição 1 e não comprometer a equipe na armação, o que parece uma boa idéia. No meio do lixo, até que o Heat saiu no lucro. O único problema é que o empresário do Luther Head recusou outras propostas porque procurava garantias de que seu cliente iria ter minutos consideráveis em quadra, o que sempre é uma dor de cabeça: se ele sentar nos playoffs (diabos, o Heat vai pros playoffs!), será que vai arrumar encrenca com a comissão técnica?
Melhor ainda se saiu o Cavs, que recuperou o Joe Smith, mandado embora pelo time-outrora-conhecido-como-Sonics. Há pouco tempo atrás, ainda no Bulls, por diversas vezes ele era o melhor jogador em quadra com seu arremesso de meia distância consistente e bastante técnica no garrafão. Quando foi trocado para Cleveland, trouxe poder ofensivo para o banco de reservas e ganhou seu espaço. Ele é praticamente a antítese do Ben Wallace ou do Anderson Varejão, por ser meio mole mas versátil na parte ofensiva. Sem Ben Wallace e desesperado por alguém de mais de 20 centímetros no garrafão capaz de levantar os braços, o Joe Smith caiu dos céus. Além do mais, já tendo passado um bom tempo com o time, não terá que aprender os esquemas táticos (até porque eles não existem mesmo) e já tem certa química com o resto do elenco, tanto dentro quanto fora das quadras. Parece uma adição pequena, mas o Cavs precisava da possibilidade de ter um reserva capaz de assumir a carga ofensiva do Ilgauskas quando ele vai pro banco, já que Varejão e o novato JJ Hickson acham que "arremesso" é coisa de baseball. O banco passa a ser mais versátil, completo, e o Ben Wallace nem faz tanta falta assim, pra ser bem sincero. Não há nada que ele acrescente à equipe que não esteja lá em outras formas, e por isso acho que o Joe Smith será muito mais importante - e eficiente.
Outro jogador que o Cavs tentou contratar foi o Drew Gooden. Ele também já passou um bom tempo no Cavs e se encaixaria muito bem naquilo de que o time precisa: rebotes e arremessos de meia distância. Não conte com o Gooden para trabalhar ofensivamente dentro do garrafão, mas para efetuar o papel do Ilgauskas, ou seja, corta-luz na cabeça do garrafão, uma ameaça constante nos arremessos se deixado livre e rebotes ofensivos, o ala seria perfeito. Aliás, ele é inclusive bom demais para estar aí no meio de tanto lixo, sem emprego, bebendo nos bares e dizendo pra mulher que estava procurando trabalho. Acontece que o Kings, como deu a entender nas últimas trocas, parece cada vez mais interessado em deixar a pirralhada, especialmente o surpreendente Jason Thompson e o pivô-que-chuta-de-três Spencer Hawes, suar as pitangas. Seria bastante razoável deixar o Gooden no time até o final da temporada e tentar assiná-lo por menos grana então, quando o contrato acabar, mas acho que o Kings pensou duas coisas: primeiro, que o Gooden iria querer dar o fora dali bem rapidinho; segundo, que o Gooden tem mais de 12 anos. É uma abordagem audaciosa mas respeitável: "já que a gente está fedendo, então vamos feder de verdade e ter só meninada por aqui". Admiro o núcleo jovem do Kings, a limpeza que eles estão fazendo nas finanças é incrível, e agora um time que parecia fadado a ser mediano pela próxima década tem espaço para nascer de novo. É triste ver o Kings, que foi um dos times mais legais dos últimos tempos, lascado e nas últimas colocações? É claro que é, mas dá para ver alguma esperança. Assim, lá se foi o Gooden para a sarjeta.
Acontece que o Drew Gooden, por ser bom demais para o resto do estrume, está sendo abordado por muitas e muitas equipes. Além do Cavs, estão na briga o Mavs (que precisa de toda ajuda que puder arrumar para se fincar à oitava vaga para os playoffs) e o Spurs, que parece ser o favorito. Vários lugares, inclusive, dão como certa a ida de Gooden para San Antonio, e faz bastante sentido. O Spurs sempre faz estragos com uma dupla de garrafão composta por Duncan e mais algum bípede, basta haver algum pouco talento. Nessa temporada, com a contusão do Frabricio Oberto, o outro bípede ao lado de Duncan é o Matt Bonner, obviamente a maior mudança no Spurs desde que o Tim Duncan esboçou um sorriso uns 4 anos atrás. Em geral, o complemento no garrafão deles é sempre alguém para pegar rebotes, marcar duro e abusar no corta-luz, coisas em que Matt Bonner deixa muito a desejar. Ao invés disso, cria um perigo na linha de três pontos, alarga a defesa retirando marcadores do garrafão e converte seus arremessos quando livre. Parece ótimo, tem funcionado bem, mas é obviamente um desvio perigoso da tática que o Spurs emprega de modo tão eficaz na última década. Seria legal ter o Matt Bonner no banco para utilizar essa formação nos jogos em que for necessária, mas é preciso alguém capaz de dar umas cotoveladas e pegar uns rebotes embaixo da cesta. O Drew Gooden parece se encaixar muito bem dentro dessa necessidade e, quando fecho meus olhos, consigo vê-lo nitidamente acostumado com a parte tática da equipe e recebendo um anel de campeão no uniforme do Spurs. Também consigo ver a Mara Maravilha pelada puxando meu pé de noite, e não consigo saber o que me assusta mais; provavelmente o Gooden campeão. Malditos anos ímpares em que o Spurs sempre ganha tudo!
Faz sentido para ambas as partes e é bem possível que o Gooden, se ganhar um anel e tiver minutos consideráveis, continue sua carreira no Spurs pelas próximas temporadas. Pior do que ver o San Antonio ainda mais forte, no entanto, seria a situação ainda mais complicada para o nosso Tiago Splitter conseguir um espaço na NBA. É culpa do Kings, custava segurar o Gooden um pouco mais? Por que todo mundo demite jogadores-lixo mas deixa os melhores, de graça, para o Spurs e para o Celtics? É nessa hora em que aparecem os times grandes de verdade, em que todos os jogadores querem estar, e os times mequetrefes, dos quais todos os jogadores querem fugir. O Clippers, por exemplo, deve acorrentar seus jogadores nas camas para que não escapem durante a noite, enquanto o Spurs sempre consegue melhorar o elenco enquanto boceja, sem que nenhuma gota de suor tenha que cair para isso. Mundo injusto.
Defenestrado por
Danilo
por volta das
11:33
21
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