Mostrando postagens com marcador amare. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador amare. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Para falar de Lin, não da Linsanity

Mais famoso que John Lennon, que era mais famoso que Jesus Cristo, que...

A imprensa, ou a mídia em geral, sabe como destruir um assunto interessante. Ela faz isso o tempo inteiro, aliás. Se uma música faz sucesso, tocam até ela se tornar a que você mais odeia na vida. Se alguém faz algo de interessante, tudo o que essa pessoa faz vira notícia, até se cutuca o nariz ou almoça salada com frango. Pensando nisso hesitei muito em começar esse post sobre o Jeremy Lin, que acaba de aparecer pela segunda semana seguida na capa da revista Sports Illustrated, a mais importante sobre esportes nos EUA. Ele também já foi capa da TIME e aqui no Brasil até na Globo já apareceu. Outro dia até vi uma notícia rápida sobre ele naquela TV Minuto que fica passando manchetes dentro do Metrô de São Paulo. Sobre LeBron James ou Kobe Bryant não lembro de ter visto nada.

Essa atenção exagerada quase me fez desistir de falar sobre Linsanity. Ou melhor, me fez desistir sim, ao invés de falar sobre a Linsanity, vou falar apenas sobre Jeremy Lin. Nade de fanatismo, histórias curiosas, o passado diferente da maioria dos jogadores ou tudo o que eu sei que vocês já leram. É hora de uma análise basquetebolística: Por que esse novo armador fez o New York Knicks voltar a vencer? Continuará a dar certo?

Antes vamos entender por que estava dando errado. Para isso ajuda ler esse post que fiz um tempo atrás, falando de Knicks e Lakers. Nele tento deixar claro que por mais que se tente colocar a culpa das falhas do Knicks no técnico Mike D'Antoni, não acho que ele seja de todo mal. É limitado, não sabe se adaptar aos diferentes tipos de elenco, mas o contrataram sabendo disso e não deram pra ele o que precisava. Pelo contrário, parece que deram o oposto. Talvez não haja na NBA jogador que menos combine com D'Antoni do que Carmelo Anthony.

O famoso "7 seconds or less" que D'Antoni usou no Phoenix Suns não existe no Knicks, mas alguns dos princípios são parecidos. Entre eles o de fazer muitos bloqueios para quem controla e bola e o desejo de espaçamento da quadra, evitando aglomeração no garrafão e obrigando a defesa a abrir para cobrir todos os arremessadores do time. Não podemos esquecer do detalhe de que esses arremessadores não podem ficar em qualquer lugar, uma das bolas mais mortais daquele Suns eram as da zona morta. De Joe Johnson até Leandrinho, passando por Raja Bell, muitos se consagraram com o chute lá do cantinho. Ela obriga a defesa a abrir mais que o normal, dando espaço para a infiltração ou liberando o arremesso em caso de ajuda. Isso não é nem exclusividade de D'Antoni, é um princípio básico de qualquer esquema baseado em abrir espaço na quadra. O Spurs usou muito isso com Bruce Bowen, era o cara que sobrava sempre que dobravam a marcação sobre Tim Duncan.

E o que tudo isso tem a ver com Carmelo Anthony? Um olheiro da NBA entrevistado pelo Eye on Basketball lembra bem que o lugar onde Carmelo mais gosta de atuar é o menos indicado para espaçar a quadra. É na diagonal da cesta, não muito perto do garrafão e nem na linha dos 3 pontos, mas no meio termo. Não tem espaço para o pivô receber a bola e embola o arremessador da zona morta. Sem Melo, contra o Mavs, o Knicks acertou 5 bolas de 3 pontos da zona morta e errou 3, contra o Nets, com o time completo, foram 3 erros e só um acerto.

Mas não que Melo seja burro ou se posicione mal, é uma posição mortal e perfeita para as jogadas de isolação. Carmelo pode jogar de costas pra cesta, de frente, driblar, arremessar na cara, infiltrar para os dois lados e até dar um step back e chutar de 3 pontos. Nesse ponto da quadra ele vira imprevisível e perigoso.

O problema é que o Knicks não queria isso, queria outras jogadas, queria os bloqueios para poder envolver Amar'e Stoudemire e Tyson Chandler no jogo. E aí vinham outros problemas: Se Amar'e virar o homem do bloqueio no pick-and-roll, onde fica Chandler? Embolando o garrafão para impedir Stoudemire de infiltrar? Ou longe da cesta, onde é inútil? A solução foi fazer a maior parte dos bloqueios com Chandler e deixar Amar'e no chamado "weak side" da quadra, no lado oposto dos bloqueios, esperando o colapso da defesa para receber a bola. Ou seja: Carmelo e Amar'e faziam coisas que não eram suas melhores armas só para se encaixar no esquema. Lógico que estava dando errado.

Aí chegou Jeremy Lin. Pouco depois Carmelo Anthony se machucou e Amar'e Stoudemire se afastou devido ao falecimento de seu irmão. Isso fez com que D'Antoni pudesse acabar com todas as improvisações, era só seu armador comandar o show, o pivô fazer os bloqueios e os outros jogadores se posicionarem bem abertos na quadra, com eventuais cortes em direção à cesta. Com isso Landry Fields, que tem ótimo senso de posicionamento, começou a pontuar mais, Tyson Chandler passou a receber um bom passe atrás do outro embaixo da cesta e Steve Novak passou a ser arma mortal dos 3 pontos. Até Iman Shumpert se beneficiou mesmo indo para o banco, ao invés de causar impressão ruim por más decisões tomadas com a bola passou a chamar a atenção pela excelente defesa.

Nas palavras do próprio D'Antoni, o segredo do sucesso de Lin no time é simples: "Ele pensa como armador e joga como armador". A defesa do Knicks, por mais estranho que isso seja se levarmos em consideração os últimos anos, já estava bem, bastou o ataque se organizar que tudo passou a fluir com eficiência assustadora. Some isso à confiança absurda de Lin, a forma com que o time abraçou a Linsanity de maneira positiva e temos um caso de sucesso.

Tem outras coisas interessantes nesse êxito do Jeremy Lin. Todo time que tem sucesso nesse tal espaçamento da quadra tem que ter uma ameaça no garrafão. É assim com o Magic e Dwight Howard, era assim com todo time que o Shaquille O'Neal jogou, foram assim os bons times do Spurs com Tim Duncan. Mas o Phoenix Suns que matava todo mundo de 3 pontos não era assim por causa de Amar'e Stoudemire, tanto que manteve sucesso mesmo quando ele se machucou e usaram o Boris Diaw de pivô, a grande ameaça ao garrafão adversário era o Steve Nash. A capacidade do Nash de usar múltiplos bloqueios e manter o drible vivo obrigava os adversários a sempre mandar ajuda para cobri-lo. Ele é bom arremessador, tem boa bandeja com qualquer uma das mãos e forçava o outro time a correr pra cima dele, aí era só distribuir os passes e os arremessos caíam.

Nesse Knicks agora acontece a mesma coisa. Amar'e Stoudemire não era ameaça porque jogava longe da bola, Chandler não é grande jogador ofensivo e Carmelo Anthony tem jogo baseado na meia distância. Nesse novo time Jeremy Lin passou a ser o homem do garrafão, suas impressionantes infiltrações não estão conseguindo ser paradas por ninguém. Por mais que não pareça, ele tem muita força e é capaz de finalizar mesmo sofrendo marcação bem pesada fisicamente. Entre todos os armadores da NBA, ele é o 5º em porcentagem de seus pontos marcados no garrafão. Apenas caras como Derrick Rose e Tony Parker estão à sua frente. Basta ele passar por seu marcador que a defesa tem que se mexer e aí a máquina do D'Antoni funciona do jeito que ele sempre quis.

Agora vamos tentar dar umas respostas menos óbvias do que as lidas por aí para algumas perguntas que estão pipocando pela internet:

- Jeremy Lin vai dar certo por mais tempo ou é fogo de palha?


Tem jogadores que atuam bem por uma temporada inteira antes de cair muito de produção. Lembram do Channing Frye, que era "introcável" no seu primeiro ano no mesmo Knicks? É divertido até ficar brincando de prever o futuro às vezes, eu costumava fazer posts de Mãe Dinah sobre os novatos, mas no fundo não é mais do que uma adivinhação com só um pouquinho de base racional. Não dá pra saber no que vai dar. O próprio Jeremy Lin é uma prova de como coisas improváveis podem acontecer.

O que sabemos é que até agora ele mostrou características de jogadores que costumam dar certo na NBA: Treina bastante, tem cabeça para lidar com pressão e expectativas, boa visão de jogo e capacidade para criar o próprio arremesso. Dá pra dizer com alguma certeza que ele tem lugar na liga por um bom tempo, com que nível e responsabilidade dentro do time é melhor esperar mais tempo antes de responder.

- Não estão exagerando com o Lin? Ele comete muitos turnovers!


Até agora a média de Jeremy Lin é de 3.4 desperdícios de bola por jogo. É bastante? Sim, mas não absurdo. Russell Westbrook lidera a NBA com 4.2 turnovers por jogo, empatado com John Wall e Deron Williams. Pouco abaixo deles aparecem Kobe Bryant, Steve Nash, LeBron James e, empatado com Lin, Ricky Rubio. 

Todos tem em comum o fato de serem jogadores espetaculares. O Russell Westbrook é fora de série, talentosíssimo e é sua função e característica controlar a bola durante boa parte do tempo pelo Thunder, além de tentar costurar a defesa adversária sempre que possível. Ele é ótimo nisso, mas eventualmente erra. Em alguns jogos esses erros custam mais caro, alguns podem ser bobos, mas olhando o geral vale a pena. Não é à toa que o Thunder nem cogita trocar Westbrook, pelo contrário, já ofereceu uma extensão de contrato bem grande e gorda. O mesmo vale para Kobe Bryant, volta e meia ele tem jogos com 7 ou até 10 desperdícios. Acontece. Ele é o começo, meio e fim do ataque do Lakers, tudo passa por ele em todas as situações de jogo, erros vão acontecer.

O estranho nessa história toda é o Lin ser, de repente, tão importante para o ataque do Knicks, não que cometa erros por ser tão importante. Alguns anos atrás, John Hollinger, um dos grandes especialistas em estatísticas na ESPN gringa, escreveu um texto sobre armadores jovens. Ele dizia que apesar de todo o hype em cima do OJ Mayo e de Derrick Rose, ele apostava que Westbrook seria o melhor depois de alguns anos. E dizia, "Ele tem mais turnovers que os outros dois, mas por incrível que pareça jogadores com mais erros como novatos costumam ter evolução maior nos anos seguintes".

Curioso pelo lado estatístico dessa afirmação, o Ian Levy, do Hickory-High, foi fazer uma pesquisa com números sobre o tema. Ele encontrou dificuldades porque é algo difícil de medir. Hoje claramente Kobe protege melhor a bola do que quando era um jovem jogador, mas não necessariamente isso se reflete só no número de turnovers cometidos. De qualquer forma ele fez um levantamento com vários jogadores, comparando seus anos de novato com a média da carreira. Nenhum grande padrão se revelou exatamente como Hollinger afirmou, mas é bem claro que boa parte dos jogadores passaram a ter um número de erro por posse de bola bem menor com o passar dos anos. Em outras palavras, o óbvio: Lin erra bastante, mas não muito mais ou menos que qualquer outro armador jovem na NBA. A afirmação de Hollinger não pode ser totalmente comprovada por números, mas a história mostra que muitos armadores que começaram a carreira cometendo muitos erros não deixaram de ser grandes jogadores por isso.

O que talvez seja mais importante e que Ian também fez em seu post é descobrir que erros ele comete. Ele compara os erros de Jeremy Lin com o de outro novato que perde bastante a bola, Kyrie Irving.



Jeremy Lin é bem cuidadoso com as faltas de ataque para alguém que infiltra tanto, também erra até menos em passes que Kyrie Irving. Seu problema mesmo está no controle do drible. As infiltrações em lugares complicados, tentar manter o drible vivo mesmo dentro do garrafão, essas tem sido as maiores fontes de erros para o armador do Knicks. Nada muito preocupante, acho. Fazer isso é difícil para qualquer armador e é bem mais fácil de treinar e ganhar experiência do que o passe, esse um talento mais difícil de aprender. Daqui uns anos Irving e Lin podem muito bem serem provas vivas da teoria de Hollinger.

- Lin é previsível, bate sempre para a direita!


Essa eu ouvi bastante semana passada e acho uma bobagem sem tamanho. Só ver alguns jogos dele, ou até só os melhores momentos, para ver como ele tem capacidade e talento para cortar e infiltrar para os dois lados. Tem apenas uma preferência. Mas até aí o Tim Duncan prefere receber a bola do lado direito do garrafão, o Ginóbili gosta de cortar para a esquerda, o Ricky Rubio prefere receber o bloqueio no seu lado esquerdo, o Paul Pierce gosta de arremessar driblando para a direita, o Tyreke Evans usa e abusa do Euro-Step e por aí vai. Todo mundo tem preferências e a liga inteira sabe quais são, parar elas é que é um trabalho muito mais difícil. E até agora ninguém parou Lin.


- Tá bom, mas ele pode jogar ao lado de Carmelo Anthony?

Eu acho que pode, mas alguns ajustes devem ser feitos. O primeiro deles é que se D'Antoni é o técnico e ele só sabe montar o time de um jeito, que seja esse. O sistema está dando certo para Lin, Novak, Chandler, Jeffries, Fields e Shumpert. Todos melhoraram individualmente com ele e as vitórias apareceram. Cabe a Melo e Stoudemire se adaptarem.

Para Melo é só ele aceitar que não precisa agir como macho alfa para ser a estrela do time. Todo mundo sabe que ele é o jogador com mais talentos e recursos no elenco, mas não é por isso que ele deve controlar a bola o tempo todo e chutar mais que o resto do mundo inteiro. Carmelo é tão completo que eu acho ele um dos poucos jogadores na NBA que podem ser cestinha de um time mesmo arremessando pouco, e deveria usar isso a seu favor. Lembra na seleção americana como várias vezes o jogo acabava com show de Kobe ou LeBron e no fim das contas o cestinha do time tinha sido Carmelo Anthony? Um arremesso de 3 aqui, um contra-ataque ali, uma bola que sobrou ali e ele mata todas, fazia 20 pontos sem ninguém nem citar o nome dele.

Já que comparamos tanto esse Knicks ao velho Suns de D'Antoni, Melo seria o Shawn Marion: Tem pouquíssimas jogadas desenhadas pra ele mas mesmo assim faz 20 pontos por jogo. Melo nem precisa ser tão extremo, já que tem cem vezes mais recursos de ataque que Marion, mas pode usar sua versatilidade ofensiva para se movimentar com liberdade no ataque e fazer pontos de qualquer canto da quadra. Mais produtivo, veloz e eficiente do que ficar isolando ele o tempo todo.

A situação de Amar'e Stoudemire é mais delicada porque não consigo lembrar de uma vez que ele tenha jogado ao lado de um pivô e que tenha dado certo. Lembra quando ele jogou com o Shaq no Suns? Os dois reclamavam de não ter espaço, do garrafão embolado e o time nunca embalou. Amar'e não gosta de jogar de costas para a cesta, prefere se virar e bater pra dentro, para isso precisa de espaço e ninguém na cobertura de seu defensor. Com Chandler lá é o contrário que acontece. A solução de usá-lo do lado oposto do pick-and-roll é até funcional porque ele tem bom arremesso de meia distância, mas isso é função de um Udonis Haslem da vida, não de um cara caro e completo como é Stoudemire. Sei que mesmo quando não está em seus melhores dias e mesmo quando não é tão bem aproveitado, o pivô é bom o bastante para conseguir seus pontos. Acho que é um problema que pode ser resolvido ou contornado sem que o time perca muitos jogos por causa disso. Será que é ousadia demais pensar em usar Amar'e numa espécie de time reserva com Baron Davis e JR Smith, enquanto Chandler passa mais tempo com Carmelo e Lin no time titular?

Não é de surpreender que falem tão pouco do lado do basquete na história de Jeremy Lin. É simples demais. O Mike D'Antoni não sabia como contornar sua necessidade de um armador agressivo que se tornasse a ameaça ao garrafão adversário, achou um jovem que se destacou na Liga de Desenvolvimento da NBA e o contratou. Deu certo. Sem falar de nomes de faculdade ou etnia a história não parece tão boa assim, mas a revolução dentro da quadra é enorme e merece, também, toda atenção do mundo.

8 ou 80
As estatísticas bizarras de Jeremy Lin

- Jeremy Lin é o jogador que mais marcou pontos em seus primeiros 8 jogos como titular na NBA. Apenas Michael Jordan, Bernard King, Shaquille O'Neal e Brandon Jennings marcaram mais que os 200 de Lin. Em assistências, nem Magic Johnson ou Isiah Thomas conseguiram números melhores que os de Lin em seus primeiros 8 jogos como titular.

- Voltando aos turnovers. Lin foi o primeiro jogador da história a ter pelo menos 6 desperdícios de bola em 6 jogos seguidos. Se compensa, seu time venceu 5 dessas partidas.

- O Knicks marca apenas 40% de seus pontos no garrafão quando Jeremy Lin está fora da quadra, o número sobre para 47% quando ele está jogando. Outro número que sobe é o aproveitamento de arremessos: 48% com ele jogando, 41% com Lin fora da quadra.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Lakers e Knicks: Elencos ricos e errados

Aproveitamento de arremesso dessa foto: 8/57


Dois dos times com mais torcida, mais fãs e mais "haters" estão com um começo cambaleante de temporada. São o New York Knicks e o Los Angeles Lakers. Os dois tem diversas coisas em comum: estão rendendo menos do que o esperado, são formados por um trio de grandes jogadores, o ataque não flui em nenhum caso e os dois times tem um All-Star que quer resolver os problemas sozinho arremessando por jogo o que o Ben Wallace arremessa em uma temporada. Ultimamente eles também tem tido em comum o fato de toda culpa cair nas costas de seus técnicos.

Vamos começar com o Lakers. O novo técnico Mike Brown prometeu duas coisas para essa temporada. Uma era um esquema tático que iria misturar algumas jogadas do triângulo ofensivo que levou o time aos dois últimos títulos (não como se usassem em toda jogada também, que fique claro) e algumas jogadas que o próprio Mike Brown viu em execução quando era assistente técnico de Greg Popovich no Spurs. Ele usaria Pau Gasol e Andrew Bynum como Pop usou Tim Duncan e David Robinson. A outra promessa era de melhorar o time defensivamente.

Uma delas ele conseguiu, a segunda. O Lakers, assim como no ano passado, tem a 6ª defesa mais eficiente da NBA. Mas em números gerais melhorou no aproveitamento dos arremessos do adversário (43% para 41%) e em bolas de 3 pontos (33% para 31%). Também permite 6 pontos a menos e força mais turnovers. Mas a melhora não tem dado tanto resultado porque o ataque piorou demais. Sim, às vezes usam os triângulos, mas pouco e sem muita eficiência. Assim como têm dificuldade em usar os dois pivôs o número de vezes que gostariam.

E acho que existe um bom motivo para as duas coisas não estarem dando certo: Tanto o triângulo como o uso da dupla Gasol/Bynum exigem que um dos jogadores do time esteja posicionado no pivô, de costas próximo à cesta. Os outros jogadores devem se movimentar em volta disso ou simplesmente se afastar e dar espaço. É o chamado espaçamento da quadra, posicionamento dos atletas de uma forma que atrapalhe a defesa adversária a fazer seu trabalho. O espaçamento só dá certo se esses jogadores se posicionarem em um local onde são um risco ao adversário, obrigando um marcador a se afastar de quem tem a bola para defender uma possível ameaça. Em outras palavras, se o Metta World Peace continuar com 12% de aproveitamento nas bolas de 3 pontos o seu marcador sempre vai deixá-lo livre para embolar a defesa sobre os pivôs.

E embora o outrora conhecido como Ron Artest seja o pior, o resto do elenco não se salva. O Lakers já não era lá uma maravilha no ano passado, com 35% de acerto nas bolas de 3, mas nesse ano caiu para 25%! O que vemos no ataque do Lakers é um time que não tem velocidade para sair no contra-ataque, que não tem bolas de 3 para espaçar a quadra e nem um armador bom o bastante para ser uma real ameaça no pick-and-roll. E mesmo quando Kobe Bryant tenta ser o homem do pick-and-roll, a defesa tem dobrado nele e ajudado no pivô, deixando alguém livre na linha dos 3 pontos com a certeza do erro. Não jogo a culpa em Pau Gasol ou Andrew Bynum, é simplesmente muito difícil marcar pontos em um ataque devagar e embolado.

O Kobe Bryant tentou fazer o que pode para ajudar. Em alguns jogos tentou ser herói e usou a estratégia Allen Iverson: Vocês defendem tudo e eu ataco sozinho arremessando bolas que se qualquer outro jogador tentar fica no banco pra sempre. Venceu alguns jogos contra times mais fracos, mas contra os fortes não chegou nem perto. Nos últimos dois jogos (contra Heat e Magic) tentou ficar mais sem a bola, se movimentou sem ela e forçou menos o jogo individualmente. Foi mais eficiente, aumentou seu aproveitamento e chutou menos bolas. O Lakers continuou mal da mesma forma, não mudou nada. O buraco é mais embaixo.

Segundo os boatos da imprensa americana o Lakers ainda insiste em querer trocar por Dwight Howard. Certamente não seria ruim ter aquela potência toda ao lado de Kobe, mas não resolveria os problemas que o time tem hoje. A não ser que por um milagre divino o Ryan Anderson viesse junto na troca (um favor improvável do Orlando Magic) o time continuaria sem ameaça de longa distância. Iriam dobrar a marcação no Dwight Howard assim como fazem no Andrew Bynum e a produtividade dele iria cair. Se o Kobe vai mesmo jogar mais tempo sem a bola, deveriam procurar um armador, assim como um ala que chuta de três pontos. O problema? Mandar quem em troca disso tudo? Que time em sã consciência vai querer Steve Blake, Metta World Peace, Troy Murphy ou o assassino Josh McRoberts para mandar alguém de qualidade? Ninguém. Tem outros times por aí precisando das mesmas coisas e com peças de troca mais interessantes.

Restam para o Lakers duas opções: A primeira é trocar Pau Gasol ou Andrew Bynum por alguém numa tática cobertor curto. Resolve-se a armação ou o chute de longa distância piorando o garrafão (era o que a troca Gasol/Odom por Chris Paul pretendia). A segunda é colocar Matt Barnes e outros jogadores para arremessar 900 bolas de 3 pontos por dia e ver se eles aprendem. Com um bom aproveitamento nos tiros de longe o time não vai virar o melhor ataque da liga, mas tudo vai ficar mil vezes mais fácil.

Agora o Knicks. O problema é o mesmo? Pior que é. Vocês devem pensar "Não, imagina. O Knicks tem uma defesa ridícula, Carmelo e Amar'e não marcam ninguém! Como é a mesma coisa que o Lakers?". Pois veja bem, o Knicks tem atualmente a 11ª melhor defesa de toda a NBA. Pois é, eu também não esperava. Volta e meia o Amar'e deixa uns caras passarem batidosou faz várias faltas bobas, o Carmelo não sai na ajuda de ninguém, mas o time tem se adaptado bem e permite apenas 101 pontos a cada 100 posses de bola, 10 a menos que na última temporada.

Não é uma defesa perfeita ou sufocante, isso é óbvio. Vimos ontem como não tiveram resposta pra o Brandon Jennings, mas estão na parte de cima da tabela nesse quesito, beirando o Top 10 da liga. Seria o bastante para eles se o ataque fosse como todos imaginaram que seria. Ano passado eram o 7º melhor ataque da NBA com 110 pontos a cada 100 posses de bola, nesse ano são apenas o 24º time ofensivo da liga, com 98 pontos a cada 100 posses. A queda é absurda.

A teoria ainda é a mesma do ano passado. O Mike D'Antoni manda seu time ser veloz e eles ainda são o 3º com mais posses de bola por jogo, mas a execução está péssima. O culpado é o excesso de jogadas de isolação, ou seja, com os jogadores indo no mano a mano. D'Antoni pede que Carmelo Anthony comande boa parte do ataque, sendo o jogador com a bola em pick-and-rolls. Mas ele faz isso com Tyson Chandler, não com Amar'e Stoudemire, que se posiciona do outro lado da quadra para o arremesso de meia distância. O resultado é que Melo não é um grande passador e dificilmente faz boas jogadas com Chandler (uma ou outra ponte aérea que vai pro Top 10 mas não resolve nada) e Amar'e é pouco usado. Sem confiança para passar, Melo tenta resolver sozinho. Quando passa para Stoudemire, este faz sua jogada mano a mano com quem o marca. É simplesmente o pior jeito de usar essas duas estrelas.

Vejam esses números: O Knicks é o time que mais faz jogadas de isolação na NBA, fazendo em 16% de todas as suas posses de bola. Porém faz apenas 0.67 pontos a cada uma dessas posses, a 3ª pior marca entre todos os times. O aproveitamento dos arremessos nessas situação é de apenas 29.3%, o pior entre as 30 equipes da NBA. Não faz sentido insistir naquilo em que você é o pior.

Outra tentativa foi de deixar a bola na mão dos armadores do time para eles tentarem construir jogadas. Primeiro Toney Douglas e agora o novato Iman Shumpert. Douglas tem tomado decisões horríveis e logo perdeu a vaga para Shumpert, que também não sabe o que faz no ataque, mas compensa com forte defesa e roubos de bola. A dupla Shumpert e Landry Fields tem sido responsável pela melhora defensiva, mas no ataque só atrapalham. O novato não é armador nato e muitas vezes, sem saber para quem passar, tenta resolver sozinho e arremessa demais.

É bem fácil jogar a culpa no técnico Mike D'Antoni, mas a culpa não é só dele, não é como se ele pedisse para forçarem jogadas de isolação, isso é o oposto do que ele gosta, aliás. Pense em um técnico de futebol ofensivo, que gosta de montar times com 3 atacantes e meias que sabem passar a bola e avançar. Aí a diretoria vai lá e contrata o Williams do Flamengo que não sabe dar um passe de 3 metros e chama Souza e Aloísio Chulapa pra fazer a dupla de ataque. Como o cara vai montar o time dele? Das duas uma, ou vai tentar fazer os jogadores se adaptarem ao jeito dele, o que provavelmente não dará certo por falta de talento, ou vai fazer o que não sabe. E como disse o Larry Brown na clínica que deu aqui no Brasil"nunca ensine para seus jogadores algo que você não sabe". Mike D'Antoni não é o Rick Carlisle, ele não é uma enciclopédia de basquete pronto para fazer jogadas de todo o tipo, ele tem um estilo de jogo, uma filosofia e o Knicks sabia disso quando o contratou.

E insisto nessa questão do estilo porque já estão colocando a culpa nele em coisas que não tem nada a ver. Quando eles perderam para o Suns cornetaram o D'Antoni porque ele pediu para o pivô e o armador sempre trocarem no pick-and-roll do Steve Nash com o Marcin Gortat, ou seja, ficou Tyson Chandler marcando Nash e Shumpert ou Fields acompanhavam o pivô polonês. "Um absurdo" que foi justamente a tática usada pelo Spurs em diversos momentos de todas as vezes em que eles eliminaram o Suns nos anos áureos do armador canadense. Com Duncan marcando Nash eles fechavam ângulos para passe e o forçavam a jogar sozinho. Muitas vezes ele arremessava na cara de Duncan e fazia, mas a longo prazo valia a pena. Dava certo também porque Tony Parker não ficava isolado contra Stoudemire, a ajuda vinha de todos os lados. Ou seja, é uma estratégia perfeitamente normal se bem executada. E, como já afirmamos antes, a defesa do Knicks tem melhorado nesse ano desde que o assistente técnico Mike Woodson chegou com essa responsabilidade.

O ponto é que os olhinhos do time brilharam com a chance de contratar Carmelo Anthony e depois com a possibilidade de ter um pivô que já levou um time ao título em Tyson Chandler. São bons jogadores, claro, mas não tem nada a ver com o estilo de jogo de D'Antoni e ainda não se entrosaram entre si. Para o Knicks sair desse marasmo as soluções podem ser duas: Uma é demitir o D'Antoni e achar um técnico que saiba o que fazer com o elenco (Phil Jackson e Larry Brown já são nomes sonhados), a outra é uma troca que traga um armador que saiba conduzir o time. Baron Davis pode ser ele, mas ainda demora para voltar da contusão, e outro ponto é o mesmo do Lakers, trocar quem? Eles não vão trocar seus queridos Melo ou Chandler, e Stoudemire tem uma cláusula de contrato em que pode vetar qualquer troca com o seu nome. O mais provável é que D'Antoni tenha vida curta no banco de Nova York.

Não quero com esse post defender D'Antoni e Mike Brown, que já critiquei durante anos por serem limitados. Têm o defeito de justamente não saber se adaptar ao elenco e precisar das coisas muito certinhas para darem certo. Mas pense bem, se eu que sou um blogueiro idiota sei disso, vai dizer que Knicks e Lakers não sabiam? Apostaram e não deram as peças necessárias. No caso do Lakers é ainda pior, já que tiraram Lamar Odom dizendo que era a primeira parte de uma troca maior que nunca aconteceu, o elenco é pior do que aquele que já ralou um bocado sob o comando de Phil Jackson no último ano, cobrar um time pronto para o título e ainda sem tempo de treino é pedir demais.

Lakers e Knicks, dois times grandes que, ao lado do Boston Celtics, eram exemplos de como equipes de mercado grande conseguiam se fortalecer mais do que os de cidade pequena, mas estão na sombra de Indiana Pacers, Philadelphia 76ers e Denver Nuggets até agora nesse começo de temporada e as perspectivas de melhora não são das mais animadoras.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Mais do que um defensor

Quem sabe defender, dá uma risadinha

Quando Kendrick Perkins foi trocado no meio da temporada passada, tudo levava a crer que o Celtics se sairia normalmente sem ele. Perkins era um bom jogador, pivô titular da equipe, mas não era nenhum gênio - até porque paredes sólidas de tijolos não costumam ser geniais. Havia passado todo o começo da temporada fora, contundido, e o Celtics nem por um segundo pareceu sentir sua ausência. Até, claro, ele ser trocado e a equipe inteira desandar como um bolo tirado do forno antes da hora.

Fizemos trocentos posts analisando aquela troca, as mudanças táticas que a saída do Perkins causou, os remendos que o Celtics fez para tentar tapar o buraco, mas a verdade é que o real estrago não aconteceu no campo tático, mas naquele campo intangível do emocional, do simbólico, do motivacional. A "família Celtics" foi desfeita e tudo aquilo que o Perkins representava, como âncora defensiva de uma equipe que se gabava justamente de sua defesa, virou farofa. Não foi a morte do Celtics, aos poucos a equipe até encontrou outros caminhos para refazer sua identidade, mas até hoje tem torcedor da franquia querendo voltar no tempo e matar  o Danny Ainge antes dele efetuar essa troca.

O Perkins permitia um estilo de jogo, representava um estilo de jogo, que ia muito além do seu simples talento individual. Mesmo no Thunder, equipe para o qual foi trocado, nunca teve grandes atuações e não passou de um jogador discreto em quadra - mas levou uma mentalidade defensiva, uma cara de quem iria proteger seus companheiros frente a qualquer contato mais agressivo do adversário, uma postura de quem vinha de time grande e podia chamar seus companheiros para dar bronca caso perdessem um jogo por bobagem. Repito: ele não é um grande jogador, teve uma temporada bem meia-boca, mas representa bem mais do que o seu talento em quadra deda à primeira vista.

Retomei o "caso Perkins" porque ele explica muito do que está acontecendo com outro jogador: Tyson Chandler escolheu sair do Mavs, onde acabou de ser campeão, para ir jogar com Amar'e e Carmelo em New York, com um contrato de 56 milhões por 4 anos. É tanta grana, mas tanta grana, que a contratação acabou virando uma bagunça só para conseguir fazer com o que valor funcionasse. Como o Knicks não tinha espaço na folha salarial, o Chandler teve que assinar com o Mavs, que podia oferecer esse contrato gigante porque estava reassinando o jogador. Aí o Knicks usou a anistia no Billups (que, até um dia antes, seria o armador titular da equipe) e teve que se livrar do pivô Ronny Turiaf. Mas o Mavs não queria o Turiaf, então entrou em cena um daqueles times oportunistas que estão abaixo do teto salarial - no caso, o Wizards - e aceitou o Turiaf só pra troca poder acontecer, levando como brinde 3 milhões de verdinhas do Knicks além de duas escolhas de segunda rodada do draft. O Mavs, por sua vez, levou de presente uma "trade exception", que é uma espécie de vale-compra que pode ser usado em trocas por jogadores que custam mais caro do que aqueles que você está mandando - e que na prática o Mavs usou para conseguir o Lamar Odom do Lakers, mas dessa troca a gente fala outra hora. Ou seja, Wizards e Mavs se beneficiaram nessa bagunça apenas porque o Knicks fez questão de levar pra casa o Tyson Chandler por uma quantia surreal de verdinhas. Ele deve ser genial, não é mesmo?

Não, não é. Mas o que ele tornou possível em Dallas lembra o que o Perkins simbolizava em Boston. O Mavs da última década foi um time muito focado na parte ofensiva e que sempre teve problemas na defesa, especialmente no garrafão. Quando Avery Johnson assumiu a equipe em 2006 e levou o Mavs a uma Final de NBA, o foco na defesa transformou a equipe e mostrou que, embora faltassem os talentos individuais para formar uma defesa realmente competente, sobrava vontade e dedicação tática ao elenco inteiro. Tyson Chandler foi o talento individual defensivo que tanto faltou à equipe durante anos, mas acima disso ele mostrou que o esforço defensivo coletivo da equipe seria recompensado, que esse esforço teria um motivo para existir com a presença de Chandler embaixo do aro. Aquele esforço que sabíamos que o Mavs poderia efetuar, mas que não deu em nada, parecia mais justificável quando a pressão defensiva acabava afunilando o ataque adversário em direção à envergadura imponente do Chandler no garrafão. O Mavs continuou a ser aquele time de sempre, sem grandes estrelas defensivas no perímetro, com o Jason Kidd ancião quase de cadeira de rodas não conseguindo acompanhar os armadores adversários, mas o esforço e o comprometimento que mostraram culminou em título. Vale lembrar que nos playoffs contra o Mavs, Kobe conseguiu apenas um par de bandejas durante toda a série - o Mavs sabia que a dedicação na defesa resultaria no Tyson Chandler tendo a possibilidade de parar e intimidar qualquer infiltração no garrafão.

Tyson Chandler jogou por outras equipes e mesmo deixando claro suas capacidades, nunca teve um impacto tão grande nas partidas ou no funcionamento de uma equipe. Calhou de cair numa equipe que precisava dele, exatamente daquilo que ele era capaz de entregar, de representar tudo aquilo de que o Mavs precisava, e de mudar a mentalidade defensiva de uma equipe inteira - assim como o Perkins fez no Thunder. Mesmo na parte ofensiva o Mavs era a situação perfeita para o Chandler, que fez a festa nos passes de Jason Kidd assim como fazia nos passes de Chris Paul, só tendo que pular e enterrar sem movimentações complexas de costas para a cesta que ele nunca soube executar.

Quando o Knicks monta o circo para poder oferecer 14 milhões por ano para o Tyson Chandler, não está querendo um jogador cujo talento corresponda a esse valor. Está querendo comprar a mudança de postura, a presença, a justificativa para um esforço defensivo coletivo. O técnico Mike D'Antoni sempre focou exclusivamente no ataque, Amar'e Stoudemire sequer finge tentar defender, e o Carmelo Anthony até se esforçou em alguns momentos no Knicks, mas não consegue esconder que é um defensor medíocre. A esperança é de que Chandler mude tudo isso, que ele seja a presença defensiva que tire o Knicks das 10 piores defesas da liga sem, no entanto, comprometer no ataque porque pode acompanhar o resto do elenco na correria e finalizar em transição.

O único problema é que o Knicks não é o Thunder e nem o Mavs. Tyson Chandler não foi contratado pelo seu talento individual, ele não pode ser uma força defensiva solitária na defesa e com isso ter algum impacto no time. Seria necessário comprometimento de todo o elenco, esforço, obediência tática na defesa - coisas que o Knicks, mesmo se quisesse, não conseguiria ter. Pelo menos não sem comprometer o esquema ofensivo desenhado por D'Antoni. A intenção do Knicks é compreensível, eles precisam defender melhor especialmente no garrafão, mas a situação é muito diversa daquela em que Chandler fez a diferença e em que mereceria, forçando a barra, os 14 milhões por ano. Dificilmente sua presença será tão marcante quanto foi para o Dallas, o investimento foi muito maior do que ele pode oferecer realmente à equipe, mas é uma atitude desesperada de um time consciente de que só vai chegar em algum lugar com um sistema defensivo mais elaborado.

Com a mesma intenção, o Knicks contratou o ex-técnico do Hawks, Mike Woodson, para ser o responsável pelo sistema defensivo. O Hawks de Woodson tinha uma defesa forte e gostava de partir em velocidade para o ataque, então deve casar bem com aquilo que o Knicks pretende fazer. Jared Jeffries também assinou novamente com a equipe para manter seu papel de único defensor consistente do elenco - em muitos momentos, cabia ao Jeffries defender quem fosse, armador ou pivô, e o pior é que ele nem é tão bom defensor assim. O salário é pequeno, num contrato de apenas um ano (ao invés do contrato gigante ridículo que havia assinado com o Knicks na época do Isiah Thomas cuidando das finanças), então o Knicks faz bem de mantê-lo. Woodson e Jeffries são, ao menos, a garantia de que Tyson Chandler não será o único responsável por tornar o Knicks uma equipe defensivamente respeitável.

Para balancear e impedir o Universo de entrar em colapso, o Knicks também contratou um jogador puramente ofensivo, Mike Bibby, que está velho e pedindo arrego e mesmo assim teve uma temporada respeitável no Heat no papel de arremessador ocasional - armava pouco, defendia bulhufas, não forçava nenhum arremesso, mas manteve um aproveitamento bem alto quando acionado. O próprio Bibby disse que sempre sonhou em jogar para o D'Antoni, que seu estilo é perfeito para o treinador, e realmente acho que a união dos dois seria perfeita - uns 5 anos atrás, claro. No estado em que está, Bibby ainda será útil, especialmente agora que o Billups teve que ser jogado fora como modess usado, mas deve render mesmo apenas como arremessador eventual que vem do banco. Deve armar mais o jogo do que armava no Heat, mas nada  digno de nota, até porque o D'Antoni anda comentando que vai tentar usar o Carmelo mais tempo na armação nessa temporada, e Toney Douglas deve ser o armador titular.

Mas um time com Bibby vovô, Carmelo armando e Amar'e no garrafão não tem como ser transformado simplesmente com a chegada de Tyson Chandler. Será preciso um longo trabalho com Woodson e um comprometimento de gente que, em toda carreira, nunca pareceu capaz disso. Defesa não é só vontade, é compreensão, é costume, cacoete. Chandler e Perkins encabeçam uma lista de pivôs que recebem contratos gigantescos porque se imagina que possam mudar toda a mentalidade de suas equipes, transformar todo mundo em um defensor exemplar. Mas há tanta responsabilidade dos outros jogadores, da comissão técnica, da situação, que nem sempre essas apostas bilionárias podem dar certo. Se der, o Knicks dá o passo definitivo rumo à relevância nos playoffs, enfim, após décadas gastando mais do que qualquer outro time e não ganhando necas. Mas se der errado, é só mais um pivô de contrato milionário que ganha uma quantia que não tem nada a ver com os próprios talentos - e vai estar mais relacionada com a esperança de que Carmelo e Amar'e se empenhem em defender como fizeram Jason Kidd e Nowitzki. Não é esperança demais em cima de um simples pivô enquanto o D'Antoni e sua defesa pífia continuam intocáveis? Aos poucos o Knicks tenta mudar velhos hábitos, mas precisa encontrar um modo de conciliar essa vontade de ser defensivamente imponente e a presença de D'Antoni - que, no fundo, é o responsável por Carmelo e Amar'e (e agora Bibby) quererem jogar no Knicks.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Um mês depois

JR Smith não entende esse troço de "coletividade" que comentam agora no vestiário


Muita atenção está sendo dada para o fato do Denver Nuggets estar com uma campanha muito melhor do que a do New York Knicks depois da troca do Carmelo Anthony. Mas eu só não sei se as pessoas estão dizendo isso para zoar com o Knicks, já que todo mundo ultimamente parece ter criado um gostinho especial em odiar equipes que fazem tudo por superestrelas, ou se é porque realmente achavam que o Knicks seria melhor que o Nuggets. Eles não eram antes, não são agora e não dá pra saber se serão no futuro.

O Knicks deixou bem claro nessa troca que o que eles queriam era juntar Carmelo Anthony com Amar'e Stoudemire, o resto do time eles dariam um jeito de conseguir depois. O único jogador além de Amar'e que eles não estavam dispostos a mandar era o Landry Fields, de resto topariam mandar tudo e foi o que fizeram. Danilo Gallinari, Wilson Chandler, Raymond Felton e Timofey Mozgov todos foram titulares no time durante toda ou algum período da temporada em Nova York, não dá pra perder todo um time assim de uma vez no meio do campeonato e esperar que tudo vai ficar bem. O plano deles era para o futuro e só no futuro vamos poder julgar com mais convicção se a decisão foi boa ou ruim, tudo vai depender de novas contratações no próximo ano e de treino, muito treino.

Um dos problemas do Knicks nos últimos jogos tem sido o desempenho no quarto período, e não é por acaso e nem porque seus jogadores são amarelões, muito pelo contrário; Chauncey Billups, Carmelo e Amar'e tem milhares de cestas importantes e decisivas nas suas carreiras para provar que sabem resolver no final. O que acontece é que com poucos treinos nesse primeiro mês de parceria eles só tem as jogadas individuais para apelar e assim fica mais fácil do adversário defender. Temos que lembrar que é no último período em que as defesas costumam ser mais fortes e é quando os times usam as suas jogadas de segurança. Que jogada de segurança tem um time que pouco treinou? Sem contar que existe o problema bem comum de equipes que tem muitos jogadores bons, todos acham que podem resolver no 1-contra-1 e se restringem a isso. Jogadores mais ou menos podem não ter treinado junto com ninguém, mas não acham que vão vencer jogos sozinhos como pensam Billups, Carmelo e Amar'e no Knicks ou LeBron e Wade no Heat, por exemplo.

Por outro lado, o Nuggets tinha tudo para melhorar. Perdeu dois jogadores bons mas ganhou outros quatro bons para as mesmas posições, sem contar que deu mais espaço para outros que já estavam lá só esperando atenção. O Ty Lawson agora pode brilhar com mais minutos e as loucuras individualistas do JR Smith parecem machucar menos o time quando ele é o único maluco individualista no elenco. Na parte tática o técnico George Karl disse que a adaptação dos novos jogadores foi fácil porque eles já conheciam muitas das jogadas e porque ele manda todo mundo sempre correr muito e jogar fácil no contra-ataque, ou seja, sem bíblias de jogadas complexas para eles aprenderem, a transição de equipe é mais tranquila. Alguém poderia argumentar que o Nuggets também deveria ter problema nos finais de partida por ter treinado pouco, mas duas coisas explicam porque isso acontece com o Knicks e não com eles:

1- O Nuggets está vencendo fácil, com diferenças gigantescas de pontos. Alguns quartos períodos eles só tiveram que administrar uma boa vantagem. Poucas vezes tiveram que lidar com jogos duros de meia quadra com adversários fortes.

2- Quando tiveram, como ontem contra o Spurs, realmente tiveram dificuldade no ataque e acabaram chutando bolas forçadas de longe. Mas compensaram defendendo muito bem! Nesse último mês o Nuggets tem números defensivos, como o de pontos sofridos a cada 100 posses de bola, muito parecidos com o Chicago Bulls, que é o Once Caldas da NBA. O Knicks, em compensação, tem uma defesa pior desde que Melo e Billups chegaram.

Números e tática à parte (só por um parágrafo), o fator psicológico tem sido importante nessa embalada que o time de Denver deu. Enquanto muita gente esperava um desmanche, ocorreu o oposto. Nenê afirmou que quer fazer carreira em Denver e negocia uma extensão de contrato, eles não trocaram imediatamente Gallinari e Chandler como especulado na época e disseram aos dois que fazem parte do futuro da equipe, mesma coisa que aconteceu com JR Smith. A saída do Carmelo criou uma sensação de alívio e união. A perda de uma estrela por várias vezes já uniu equipes, isso acontece o tempo todo. Aconteceu ano passado com a contusão do Andrew Bogut no Bucks, acontece agora com o Grizzlies sem Rudy Gay até o fim da temporada, aconteceu quase 10 anos atrás quando Antonio Davis liderou uma sequência impressionante de vitórias que levou o Raptors sem Vince Carter aos playoffs. E, por que não, foi esse sentimento que fez o Cavs sem LeBron James começar a temporada jogando tão bem. Se o elenco não fosse tão ruim e minado por contusões e se aquele jogo contra o Heat tivesse tido um resultado diferente, certamente não seriam a piada que são hoje. Em esportes competitivos e com tantos times com jogadores bons, coisas como motivação podem fazer toda a diferença.

O Dean Oliver, autor do livro Basketball on Paper, importantíssimo para o mundo das estatísticas de basquete, trabalhava com o Denver Nuggets no começo da temporada até sair do emprego semanas antes da troca do Melo para trabalhar na ESPN. Ele lembra em um artigo para o TrueHoop de uma declaração do dono do Nets, Mikhail Prokhorov, dizendo que só tentar trocar pelo Melo já havia custado muitas derrotas a seu time. A insegurança causada por ver tantos nomes diferentes envolvidos em trocas fazia o time não se concentrar e não render. Assim o Nets venceu apenas 10 jogos nas primeiras 12 semanas de temporada, então o russo disse que iria desistir de Carmelo e o time respondeu vencendo 7 das próximas 13 partidas, isso antes de conseguir o Deron Williams.

Já o Nuggets, na análise de Oliver, rendeu bem até o dia 15 de dezembro, como se nada tivesse acontecido. Essa data marcava o dia em que muitos Free Agents do último verão americano, como Raymond Felton, poderiam ser envolvidos em trocas. O Nuggets venceu 15 de 24 jogos até então. Aí os rumores começaram a ficar mais reais e o bicho pegou. Como funcionário do time, Oliver viu tudo de perto e disse que o clima no vestiário era diferente depois que os rumores ficavam mais reais e principalmente quando passaram a envolver o Chauncey Billups, herói da torcida. Nesse período o Nuggets teve 12 vitórias e 10 derrotas, com números defensivos que beiravam os piores da liga. Como já mostramos ontem, eles embalaram de novo depois da troca com 11 vitórias e 4 derrotas desde que Melo saiu.

Sem Carmelo Anthony para controlar a bola, a mídia, as atenções e os holofotes, os outros jogadores viram isso como a chance deles de brilhar e montar um time vencedor e coletivo. George Karl passou a fazer discursos enfatizando o jogo em equipe e a dedicação que cada um dava dentro de quadra, e o resultado é um time mais focado na defesa, mais esforçado, que batalha mais em quadra e que joga mais do que assiste. Voltando aos números, com Carmelo o Nuggets tinha 54% de suas cestas vindas de assistências, agora esse número subiu para 63%. É mais gente passando a bola e menos gente resolvendo por conta própria.

Também não podemos esquecer da profundidade que esse elenco tem agora. Se pensarmos no que já vimos de todos no elenco do Nuggets nos últimos anos, é bem fácil admitir que Lawson, Afflalo, Gallinari, Kenyon Martin, Nenê, Felton, JR Smith, Al Harrington e Wilson Chandler podem ter, facilmente, pelo menos uns 12 pontos por jogo. Isso dá 108 pontos por partida sem ninguém precisar acordar muito inspirado. Claro que não dá pra dividir assim tão racionalmente, mas o que eu quero dizer é que com esse elenco eles sempre vão ter opções de ataque e podem se adaptar a qualquer estilo de defesa ou sobreviver a alguém em um dia ruim. Eles perderam um cara que resolvia bem no fim dos jogos, mas ganharam muita gente que resolve em muitas outras situações. A teoria de que não dá pra ser campeão sem uma estrela pode ir contra o que eu vou dizer, mas o Nuggets é um time melhor hoje e os jogadores que recebeu foram tão bons que era uma troca que faria sentido mesmo se o risco de perder o Carmelo ao fim da temporada não existisse.

O George Karl já deu muitas entrevistas nos últimos anos e até nas últimas semanas dando a entender que não gostava do desinteresse que o Carmelo mostrava em algumas partidas, principalmente na defesa, e nem de como ele muitas vezes jogava as táticas no lixo para resolver sozinho. Isso influenciava o time de uma maneira negativa. Agora Karl vê ele mesmo como o líder da equipe e as suas atitudes cobrando defesa e coletividade têm dado resultado em quadra.

No fim das contas dá pra dizer que a troca só teve vencedores, quer dizer, pelo menos todo mundo conseguiu o que queria: O Carmelo ir para Nova York, o Knicks uma estrela de nome e o Nuggets um time de basquete melhor.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um turco sem lar

Turkoglugluglu bota um ovo

Quando o Suns, meio desacreditado, venceu 54 jogos na temporada passada e eliminou nos playoffs o Spurs em 4 jogos, chegando à Final do Oeste e dando sufoco no Lakers, era inegável que o maior responsável pelo feito era Amar'e Stoudemire. Seu começo de temporada havia sido discreto, forrado de relatos sobre seu desentendimento com companheiros de equipe e boatos de que seria trocado. Mas depois do All-Star Game, Amar'e deixou tudo para trás e foi, quase de forma unânime, o MVP da segunda metade da temporada. Ou ele ficou mais tranquilo depois de saber que não seria trocado, ou então resolveu jogar pra valer porque seu contrato acabaria ao fim da temporada e ele precisava garantir o interesse dos outros times (a famosa "Síndrome de Jerome James", antiga "Síndrome de Erick Dampier").

Por isso, a reação natural à ida do Amar'e para o Knicks foi de desespero em Phoenix. Quando finalmente deu pra levar o time a sério e eles venceram seus arqui-inimigos, causando uma ruptura no espaço-tempo, o jogador que carregou muitas das partidas nas costas deu o fora. Mas como o Nash continua por lá, nenhum dos engravatados da franquia vai ter coragem de tacar o time na privada e começar do zero, então tentaram tapar o buraco. E a principal aposta para manter o time jogando em alto nível foi o Turkoglu.

Minha opinião sobre o turco depende da fase da lua. Em geral gosto do seu estilo de jogo e admito que ele é um jogador muito talentoso, mas não consigo lidar com a ideia de que times acham que ele seja uma estrela e ofereçam trilhões de dólares pra ele enfiar na orelha. O Turkoglu se encaixava muitíssimo bem no esquema tático do Orlando Magic e mesmo assim o time não sofreu muito com sua saída, é um absurdo achar que ele pode transformar um time e lhe oferecer muitas verdinhas. O Blazers cometeu uma cagada absurda tentando contratar o jogador, e deu a sorte de que o turco preferiu ir jogar em Toronto. Azar do Raptors, que percebeu rapidinho que o Turkoglu é um cara talentoso mas que não vai ganhar jogos sozinhos nunca. Tentaram de tudo pra ele render por lá mas o cobertor era curto demais: se ele segurava demais a bola o ataque do Raptors que é pura velocidade não funcionava, se ele não tinha a bola em mãos desaparecia do jogo e ficava frustrado.

Ou seja, quem viu o turco jogando no Raptors sabia que jogar no Suns não seria tarefa fácil. Os problemas enfrentados para se adequar e render na equipe seriam parecidos, e embora o Suns seja um time mais inteligente e o Nash sempre dê um jeito de deixar todo mundo feliz, não dava pra esperar nenhum milagre. É simples assim: o Turkoglu não pode levar o Suns até onde o Amar'e conseguiu levar nas últimas temporadas. O próprio turco disse que não veio para substituir ninguém, e com razão, mas ele teve que tapar o buraco deixado pelo Amar'e na marra, mesmo que todo mundo saiba que não pode dar muito certo.

O Turkoglu volta e meia jogava como ala de força no Magic, mas os jogadores da posição por lá são Rashard Lewis e Ryan Anderson, dois sujeitos com fobia de garrafão. Faz parte da estratégia do Magic deixar o Dwight embaixo do aro e abrir o ala de força para arremessar de três, então o Turkoglu quebrava bem o galho nessa função. No Suns, ao contrário, o ala de força sempre foi a única posição que jogava embaixo da cesta, já que o pivô costuma ser o Channing Frye. Não é a área do Turkoglu e seria absurdo tentar, então é claro que o turco faz a mesma função que executava no Magic e evita ao máximo o jogo de costas para a cesta. O resultado é bizarro: cheguei a ver um quinteto do Suns em quadra composto por Nash, Josh Childress, Jason Richardon, Turkoglu e Channing Frye. Parecia um time de handball, em que ninguém pode pisar dentro da linha de três pontos.

O Turkoglu funciona muito bem com a bola nas mãos porque ele sabe armar o jogo e usa bem a sua altura para conseguir criar espaço e dar os passes certos. Mas no Suns, a bola sempre vai para o Nash, que sempre cola no cangote do turco e pede a bola imediatamente, não deixa o coitado nem ter o gostinho de levar ela um pouco para o ataque. O que o Turkoglu pode fazer, então, já fica limitado. Ele acaba passando a bola apenas depois de recebê-la, mas em geral ele já recebe em condições de arremesso e acaba desistindo do arremesso livre para acionar outro jogador. O Suns sofre jogo após jogo com a falta de agressividade, porque todo mundo no elenco se acha arremessador, do gigante Channing Frye ao campeão de enterradas Jason Richardson, então quando o Turkoglu deixa de dar arremessos livres ou atacar o aro, o time perde muito. Mas o turco não sabe ser agressivo sem armar o jogo, e costuma ser bonzinho demais ao invés de arremessar sempre que tem oportunidade.

Já que sua passagem pelo Raptors foi desastrosa e resultou em pedido de troca imediata, tem gente achando que o Turkoglu vai pedir para sair do Suns rapidinho, já que as dificuldades são as mesmas e ele não tem rendido bulhufas nos jogos até aqui. Mas Turkoglu abriu mão de 5 milhões de seu salário só pela chance de escapar do Toronto e ir jogar com o Nash. Os dois se admiram, sabem da inteligência um do outro, e estão seguros de que conseguirão jogar muito bem juntos.

A resposta do turco para que isso possa acontecer tem sido treinar, todos os dias, os arremessos de três pontos. Ele tem um regime de treinamentos particular em horários diferentes dos outros jogadores do Suns apenas para calibrar suas bolas de fora. Quando receber a bola para armar poderá atacar mais a cesta, mas esses momentos são muito raros: com Nash no time, é bom que ele se acostume a dar arremessos sozinho o tempo inteiro. É um modo de ajudar a equipe, de render bem, e as bolas de três foram a arma que venceu o Lakers ontem. Mas na defesa o negócio ainda é muito feio e não tem previsão de melhorar. Turkoglu sempre foi um defensor muito fraco e agora só piorou por ter que marcar jogadores bem mais fortes do que ele no garrafão. O turco alegou que nunca teve que fazer isso na vida e está sofrendo para se acostumar, mas a verdade é que ele nunca defendeu ninguém em posição nenhuma, deve ser difícil até se acostumar com levantar os braços.

O técnico Alvin Gentry já avisou que ele não será usado contra os alas mais fortes e pesados do que ele, ou seja, todo mundo na NBA. O Turkoglu já está sendo relegado ao banco de reservas para não comprometer em excesso a defesa, e no ataque já está virando só mais um arremessador de três pontos. É triste ver que um jogador tão competente, que poderia ser a peça final numa série de equipes que brigam por título, não consegue encontrar uma casa que possa usar seus talentos. O Raptors não era o local certo, e o Suns também não é. Com tempo, costume e inteligência, o Turkoglu vai encontrar companheiros livres, atacar mais a cesta, armar o jogo de vez em quando, acertar muitas bolas de três. Vai parar de ter medo de dar arremessos livres, mal que também assolou Channing Frye quando ele chegou no Suns. Mas ainda assim não vai ser natural para o turco, não vai ser tudo aquilo que ele pode fazer, porque jogando de ala de força o seu tamanho não é um bônus, seu peso é um problema, e ele não tem a velocidade necessária para explorar seus marcadores. Ele não tapa os buracos do Suns, e acaba tendo que ser um jogador que ele não é.

Enquanto isso, engole minutos do Hakim Warrick, o único jogador realmente agressivo do elenco. É verdade que o Jason Richardson tem visto a necessidade e cada vez mais ataca a cesta, mas Warrick traz aquela sensação de "puta merda, ele vai enterrar na minha cabeça a qualquer momento" que o Amar'e trazia. Ele nem é forte o bastante, não tem recursos o bastante, mas sabe trabalhar com Steve Nash e finaliza perto do aro. Ele supre as necessidades do Suns muito melhor do que o Turkoglu nesse elenco em que até o faxineiro sabe arremessar de três pontos. É um desperdício deixar o turco no banco, mas também é um desperdício deixá-lo em quadra limitando seu jogo e podar o Warrick, que é verdadeiramente útil em quadra para esse equipe. Por enquanto, eles podem vencer qualquer time em dias felizes da linha de três. Mas nos playoffs, precisarão de jogo fisico e bolas de segurança, coisa que o Turkoglu jamais será capaz de dar.

...
Não deixem de participar de nossa nova promoção! Para isso, basta ler o post abaixo e tentar sua sorte em mais uma parceria nossa com a Adidas! Boa sorte!

sábado, 23 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Phoenix Suns

Você não enxerga na foto, mas Nash foi atingido por uma bolinha de papel

Objetivo máximo: Eles vão dizer que é o título, mas na verdade se darão por satisfeitos em voltar pra final do Oeste
Não seria estranho: Cair na primeira rodada dos playoffs
Desastre: Sentir mais falta do Amar'e Stoudemire do que o Cavs do LeBron James


Forças: Um armador que faz até o Louis Amundson parecer um bom jogador e um elenco faz-tudo
Fraquezas: Tudo o que Amar'e fazia e Turkoglu não vai fazer

Elenco:








.....
Técnico: Alvin Gentry

É engraçado que esse trabalho à frente do Phoenix Suns tenha caído nas mãos do Alvin Gentry. Sua pouca experiência à frente de times chamava a atenção pelo trabalho com jovens e pela assistência a técnicos puramente defensivos. Agora ele está à frente de um time velho que não defende, vai entender!

Alvin Gentry já foi assistente técnico de Larry Brown (ao mesmo tempo que Gregg Popovich) e teve seu trabalho de maior destaque como técnico quando treinou o amaldiçoado Clippers de 2000 até 2003. Nos dois primeiros anos o técnico montou um time que parecia muito promissor, liderado por Lamar Odom, Quentin Richardson, Darius Miles e depois por Elton Brand. Todos eram bem jovens, pareciam ter um futuro brilhante pela frente e o time só precisava de um armador. Em 2003 eles contrataram Andre Miller, que havia liderado a NBA em assistências no ano anterior e o time piorou. Por quê? Sei lá, porque é o Clippers. Mas foi o que bastou para toda a animação em relação a Gentry e a pivetada acabar e ele ser mandado embora.

Logo depois ele já foi pro Suns e lá foi assistente de Mike D'Antoni e depois do desastre Terry Porter. A vaga caiu no colo de Gentry depois da demissão do segundo, mas ele ganhou o emprego em definitivo quando as coisas começaram a dar certo. Aos poucos ele conseguiu um bom equilíbrio entre manter o time ofensivo feito por D'Antoni e deixar o garrafão mais forte e mais defensivo como Terry Porter tentou sem sucesso. Não que a defesa seja forte, foi a 7ª pior da NBA no ano passado, mas já foi pior e principalmente a defesa de garrafão melhorou quando Gentry conseguiu juntar Amar'e Stoudemire e Robin Lopez no time titular. Foi a primeira real dupla de garrafão do Suns em uns 7, 8 anos.

Também foi ele o responsável por arriscar montar um time reserva que joga inteiro junto. Todos os titulares, ou pelo menos quatro deles, saem de quadra e um bando de reservas entra com outras características de jogo, outra velocidade. Deu muito certo nos playoffs e não deve ser fácil de fazer, é como treinar dois times diferentes ao mesmo tempo. Por pouco esse time reserva não bateu o Lakers na final do Oeste do ano passado.

Já vi gente dizendo que o Gentry não é um grande líder, mas que o Suns não sente falta disso porque tem o Steve Nash que é uma voz ativa no vestiário. Não sei se é verdade, mas faz sentido. De qualquer forma, se esse é um defeito dele, não tem feito muita diferença. Acredito que ele vai ter muito trabalho nesse ano para ajustar Hedo Turkoglu na rotação, mas entra com moral por tudo que fez no ano passado.

Abaixo o vídeo com o tapinha na bunda que ele recebeu do Kobe Bryant. Méritos por ele ter recebido o tapinha no bom humor, poucos técnicos teriam feito a mesma coisa.



....
Não tenho muito mais do que falar do Suns porque falei deles já nessa offseason. Sério, o post foi em agosto, mas é um preview do Suns mais completo do que eu faria aqui. Falo da contratação do Turkoglu, dos motivos, das consequências, da perda do Amar'e, da perda do Leandrinho, de como podem usar Josh Childress e Grant Hill, tudo. Me sentiria um idiota escrevendo tudo de novo!
Então se você quer saber o que eu acho do Phoenix Suns, leia o post "O time da criatividade".

O que eu posso acrescentar de diferente são comentários sobre a pré-temporada. No último amistoso deles, por exemplo, tomaram 144 pontos do Denver Nuggets, um massacre que não pega bem nem em jogos que não valem nada e que foi o ápice de uma sequência de apresentações defensivas lamentáveis. Tomaram 129 e 121 em dois jogos contra o Raptors, 105 e 108 em dois jogos contra o Jazz e mais 109 do Kings! Bizarramente, só pra mostrar que é pré-temporada, tomaram poucos pontos do Warriors, uma estranhíssima vitória de apenas 92 a 87 entre os dois melhores ataques da liga. Além dessa vitória sobre o Golden State a única outra foi contra o Mavs em um jogo em Indian Wells, tradicional jogo outdoor que a NBA faz todo ano.

Ou seja, 2 vitórias, 6 derrotas esmagadoras e o Turkoglu de titular (a previsão de time com Nash, J-Rich, Hill, Turko e Robin aconteceu em todos os jogos) com patéticas médias de 5 pontos, 4 rebotes e 1 assistência em 20 minutos por jogo. As atuações do Turkoglu foram muito desanimadoras e foi também bem ruim ver que o time não apanhou só de times que tinham força no garrafão. Eles perderam do Jazz mesmo no dia que o Al Jefferson jogou pouco e tomaram dois sacodes do Raptors, que não tem nenhum jogador forte que jogue lá dentro. Nem dá pra jogar a culpa na história do time baixo.

É só pré-temporada, claro, todo mundo ainda pegando o jeito e bem desinteressado, mas não foi uma boa primeira impressão para um time que precisa se reinventar.

.....
Vocês viram ontem como foi decidido o jogo entre Mavs e Rockets pela última rodada da pré-temporada? O Jason Kidd, com nada mais nada menos que o Yao Ming na sua frente, mandou um passe perfeito para o Shawn Marion a 0.4 segundos do fim do jogo. Cesta e vitória! Kidd e Marion fizeram história juntos jogando justamente pelo Suns. Maldade que quem estava marcando o Marion era o Courtney Lee, que errou a bandeja em uma jogada muito parecida na final de 2009.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Um time médio


Pois é, tem gente que fica feliz de ir pro Knicks


Para muita gente o dia da decisão do LeBron James de ir para Heat foi o símbolo do fracasso do Knicks nos últimos anos. Todos sabem que o time de Nova York passou pelo menos as últimas duas ou três temporadas mais preocupado em abrir espaço na folha salarial do que pensando em basquete de verdade, com LeBron sendo o alvo principal do plano. E pior, Wade e Bosh eram as opções seguintes! Depois de tanto tempo, ficar com sua quarta opção é foda. É como passar anos planejando o casamento com a Alinne Moraes e na hora colocar a aliança no dedo da Wanessa Camargo.

No caso do Knicks até que era uma mulher mais gatinha que a Uanessa, o Amar'e Stoudemire é uma mina bem firmeza pra falar a verdade, mas uma que enjoa rápido. Como já dissemos no post em que comentamos a sua contratação, o Knicks fez a sua parte em garantir pelo menos uma grande estrela para não passar em branco. Quem se arriscou mesmo foi o Stoudemire, que corria o risco de não receber ajuda e ficar mais longe de títulos do que estava em Phoenix. E no fim das contas foi o que aconteceu. O Knicks perdeu a maior parte dos seus alvos e teve que se esforçar para colocar pelo menos alguns jogadores decentes em volta da sua nova estrela.

A maior contratação foi o Raymond Felton. O armador fez boas temporadas no Bobcats nos últimos anos, mas eu fui uma das muitas pessoas que esperava muito mais dele depois de vê-lo ter grandes atuações no seu ano de novato em 2005-06. No seu primeiro ano ele teve média de quase 12 pontos por jogo, nada mal, mas nunca conseguiu superar a casa dos 14. Nas assistências subiu variou de 5 a 7. Ele nunca foi ruim, mas também não foi espetacular como parecia que poderia ser. E ainda falhou em ser o líder do Bobcats. Quando o Larry Brown chegou em Charlotte, quis fazer com que Felton fosse o que o Billups foi naquele time do Pistons que ele treinou e foi campeão em 2004, alguém que controlasse a bola, o ritmo de jogo e chamasse o jogo nos momentos decisisvos. Ele até tentou e chegou a ter bons momentos de quarto período, mas o time só deslanchou quando o Stephen Jackson foi contratado e assumiu esse posto. Na defesa o líder sempre foi Gerald Wallace. Ray Felton era, em suma, o terceiro melhor jogador de um time que nunca foi mais do que o sétimo melhor time da conferência mais fraca da NBA.

Outra questão importante sobre o Felton é como ele vai se encaixar no time do técnico Mike D'Antoni. Mas para isso a gente precisa saber qual vai ser o esquema que o D'Antoni planeja usar. No seu primeiro ano de NY ele mandou o time correr como fazia no Phoenix Suns, era o segundo time mais veloz da NBA com 97,6 posses de bola por jogo. Depois de algumas derrotas humilhantes, resolveu se controlar um pouco e na temporada passada o time era outro. Com um pouco mais de jogo de meia quadra e apelando mais para os pick-and-rolls do que para os contra-ataques, foi apenas o oitavo time mais rápido, com 94 posses de bola por jogo. O que ninguém sabe é se o D'Antoni fez essa mudança porque acredita mais nela ou porque não tinha as peças para fazer diferente. E agora com Felton e Amar'e, vai decidir voltar ao plano anterior ou manter um time ainda rápido, mas um pouco mais controlado?

O time mais rápido passa por um armador rápido. Não tenho dúvidas de que um dos motivos (impossível saber todos) que fez o D'Antoni repensar o seu plano tático foi a incapacidade de fazer o Chris Duhon render em alto nível. Jogar na velocidade não é só ser rápido na corrida, é pensar, passar, driblar, infiltrar e tomar decisões inteligentes enquanto se corre. Steve Nash é o melhor da NBA nisso, Duhon era um rapazinho esforçado. O Felton é um meio termo. Ele sabe jogar na transição, fazia muito bem essas jogadas de contra-ataque com o Gerald Wallace no Bobcats, mas não é um jogador veloz. Eu vejo ele agindo bem em situações típicas de contra-ataque, como bolas roubadas ou tocos, mas não acho que ele tem a capacidade de fazer como o Nash de transformar qualquer posse de bola em um contra-ataque só com um pique e alguns passes longos e precisos.

Se você não é de ver jogos do Bobcats, achei um mix legal com os melhores momentos do Felton. Mas cuidado, já fizeram um mix até do Jerome James mostrando que ele era bom. É só um vídeo, não tire todas as suas conclusões dele. É só pra ter uma idéia mesmo.


Se o D'Antoni pensar como eu, o Knicks do ano que vem deve ser mais parecido com o da temporda 2009-10 do que com o de 2008-09, um time mais devagar. Espero que isso tenha sido levado em consideração na hora da contratação do Felton, que é mais um daqueles jogadores que são bons se você souber o que pedir deles.

Mas se a questão do tempo do jogo é um problema, o pick-and-roll não é. Para quem não sabe o que é um pick-and-roll, recomendo o vídeo abaixo, que explica a jogada ao falar de como ela era usada no Phoenix Suns, quase o tempo todo justamente com Amar'e Stoudemire.


Essa é a jogada que fez o Amar'e fazer 80% dos seus pontos na carreira, é onde ele mostra o seu melhor jogo. E nos últimos anos ainda foi capaz de fazer o pick-and-pop, que é quando, ao invés de correr para a cesta, quem faz o corta-luz fica parado para realizar o arremesso. Quando comentamos a sua contratação, pedimos um armador que soubesse fazer bem essa jogada, e Felton sabe. Sendo um bom passador (mas espere passes mais óbvios que os do Nash) e sendo, ao mesmo tempo, uma ameaça na infiltração e no arremesso vindo do drible, ele tem as ferramentas para fazer a jogada mais básica do basquete.

A outra conquista do Knicks nessa offseason foi ter conseguido um sign-and-trade com o David Lee. Um sign-and-trade é quando você assina com um jogador que era seu e virou Free Agent, caso do Lee com o Knicks, e logo depois o troca para o time que o jogador desejava ir. É um jeito do time não perder o seu jogador por nada e do time que recebe o jogador de abrir mais espaço salarial para receber um novo jogador. A troca foi com o Golden State Warriors, que mandou Kelenna Azubuike (eleito por mim no nosso formspring o jogador mais bonito da NBA), Ronny Turiaf (o melhor dançarino) e Anthony Randolph, um ala que já disputou duas temporadas da NBA e nunca foi citado numa frase sem a palavra "potencial" do lado. Típico caso do jogador que mistura partidas ótimas com outras medíocres e deixa todo mundo com um gostinho de que de lá pode sair alguma coisa interessante. Darius Miles está aí para mostrar o perigo de jogadores assim, e Rajon Rondo para mostrar que de vez em quando os caras deslancham mesmo, e vão até mais longe do que se imaginava. Escolha o seu lado.

Para o Knicks, de novo, foi só uma saída para não sair com nada. Eles tiveram a chance de manter o Lee desde o ano passado, mas sempre se recusaram a oferecer uma extensão de contrato decente para que isso não prejudicasse o espaço salarial do time, agora pagam por isso. Perderam seu melhor jogador nos últimos anos, alguém que poderia jogar ao lado do Amar'e Stoudemire e que já se sabia que se dava bem em qualquer esquema do D'Antoni, para ganhar um monte de resto do Warriors. Azubuike, além de gatinho, sabe fazer seus pontos. Acho bem possível que ele acabe até virando titular nesse time, por falta de opções na posição 2, mas não deve estar para os planos em longo prazo do time.

O Turiaf pode dar certo demais no time. Basta uma de suas danças típicas depois de uma enterrada do Amar'e, para que ele vire um favorito da torcida e alguns tocos e rebotes ofensivos para que se torne a primeira opção do banco de reservas entre os jogadores de garrafão. Já o Anthony Randolph pode dar muito certo se conseguir ser mais regular nos seus melhores dias. Ele é bem alto, tem 2,10m, mas uma mobilidade e velocidade absurda. Para ele, sem dúvida alguma, seria melhor que o time fosse o mais veloz possível, pouquíssimos jogadores da sua altura conseguem acompanhá-lo na transição, e ele ainda é muito fraco tecnicamente para criar jogadas próprias no 1 contra 1 no jogo de meia quadra.

Outro problema é que ele joga na posição 4 e não tem chance alguma de ser pivô por ser muito magrelo. Se ele for ser titular, força Amar'e a jogar de pivô, coisa que ele já fez mas que reclamou de fazer a vida inteira, não seria surpresa se tivesse uma cláusula no contrato dele exigindo que ele fosse um ala de força. Isso sem contar a total incapacidade do Stoudemire de marcar jogadores mais altos que ele. Minhas dúvidas sobre como os dois podem funcionar juntos me fazem achar que Randolph vai vir do banco e que esse banco, se achar o armador certo, pode ser um time mais rápido que a equipe titular.

Talvez já pensando em um pivô que não seja o Eddy Curry para atuar ao lado de Amar'e, eles contrataram o russo Timofey Mozgov, que jogava no Khimki Moscou e na seleção russa. Eu não conhecia nada do jogador, mas pesquisando eu vi vários vídeos dele e recomendo esse que mostra os melhores momentos dele pela seleção russa enfrentando a Grécia. Acho que esse vídeo resume bem que é o Mozgov, um jogador que consegue ser ágil para o seu tamanho, 2.16m, tem um bom tempo para o toco, mas que dificilmente fará pontos na NBA que não sejam de rebotes ofensivos. Talvez o Knicks só queira ele para isso mesmo, um parceiro defensivo para o Amar'e, alguém para jogar 20 minutos por jogo. Se o plano foi esse, parece que foi uma boa contratação, mas melhor esperar para ver uns jogos dele antes.

Depois de analisar prós e contras de cada contratação, temos atualmente esse elenco do Knicks:

PG: Raymond Felton / Toney Douglas
SG: Kelenna Azubuike / Bill Walker
SF: Danilo Gallinari / Wilson Chandler
PF: Amar'e Stoudemire / Anthony Randolph / Ronny Turiaf
C: Timofey Mozgov / Eddy Curry

É um time melhor que o do ano passado, disparado. Também com ótimas opções na posição de ala de força, obrigando alguns deles a atuarem como pivôs durante um tempo do jogo, o que pediria um time mais veloz, o que, por sua vez, não é o que pede ter Raymond Felton no time. Confuso? Um pouco, mas só pro Knicks não perder sua identidade.

Mas apesar do time estar melhor, é longe do time dos sonhos que eles planejaram montar. Com esse elenco e com todos se acertando aos poucos em um esquema tático e uma rotação certa, dá pra imaginar eles indo para os playoffs, mas não passando da primeira rodada.

Antes que isso pareça decepcionante demais, o torcedor pode continuar sua brincadeira eterna de pensar no futuro. Afinal a offseason ainda não acabou mas o Knicks certamente está pensando na do ano que vem. Para a próxima temporada eles tem a liberação dos 11 milhões do contrato do Curry, quase 4 milhões do Azubuike, e Turiaf tem a opção de sair do seu contrato e virar Free Agent. Eles obviamente pensaram nisso na hora de aceitar os dois na troca do David Lee e já miram no ano que vem a tentação de levar para lá Carmelo Anthony. Basta que Melo não acerte uma extensão de contrato com o Nuggets e que tope ir para perto de onde foi campeão universitário. É um plano ainda distante, mas realista. E se nesse ano eles atrairam pouca gente de nome, talvez Felton, Amar'e, Gallinari e uma campanha regular nesse ano seja o bastante para levar Carmelo pra casa.

Depois de tudo isso você pode escolher como avaliar a offseason do Knicks e a nota final vai depender de quanto você é ambicioso. Se você esperava um time fora de série feito do nada como o Miami, a nota é baixíssima. Se você esperava uma evolução em comparação com o time do ano passado, a nota é boa. Se você ainda for um otimista e perceber que já no próximo ano existe uma janela para mais contratações boas, o cenário é ainda melhor. Eu acho que foi um ótimo primeiro passo para colocar o Knicks de volta entre os bons times e fora do grupo das piadas da NBA, mas ainda faltam grandes jogadores para fazer o difícil salto do grupo mediano para a elite.

Golden State Warriors
Uma rápida análise do time que foi citado aqui nesse post, o Warriors. Eles perderam Azubuike, Turiaf e Randolph e ainda podem perder Anthony Morrow, mas ganharam David Lee, o que pode ser mais valioso que todos os outros juntos. São poucos os jogadores de garrafão que dão conta de jogar em alto nível mesmo no ritmo alucinado imposto pelo técnico Don Nelson, mas o Warriors tem dois deles no elenco: Lee e Andris Biendris. Deve ser a primeira vez que o Warrios pode colocar dois jogadores altos em quadra, dois reboteiros natos e ainda assim continuar um bom time na velocidade. Sem contar que Lee ainda sabe arremessar de meia distância e fazer boas jogadas de dupla com Monta Ellis ou Stephen Curry.

Esse garrafão mais forte pode ser o que faltava para o time ser mais regular. Ninguém duvida que o Warriors pode vencer qualquer time da NBA, mas eles também podem perder de todos por 30 pontos de diferença. Mais rebotes e mais jogadores altos podem significar também mais regularidade. Mas para fechar o time seria importante manter Morrow, um dos melhores arremessadores de três pontos da NBA.

Outro contratado foi Dorrell Wright, ex-Heat. Muito irregular, é a cara do seu novo time. Com muita explosão física pode ser bom nem que seja para vir do banco de reservas, onde irá concorrer por minutos com aquele monte de jogador não draftado que o Don Nelson acha pela vida. Vai ser, de novo, um time divertido de acompanhar. Deveria ter um anel de entretenimento na NBA, seria do Warriors todo ano.

...
As Summer Leagues terminaram e faremos um apanhado geral delas ainda essa semana. Até lá!

sábado, 17 de julho de 2010

Os reis - Parte 3: Chris Bosh

Encerramos hoje (para alegria de alguns, que não aguentam mais ver a gente falando nisso) uma série de 3 artigos sobre o novo Miami Heat. Cada um deles foca um dos três jogadores que acabam de assinar com a equipe (LeBron James, Dwyane Wade e Chris Bosh), analisando o que essa superequipe significa para cada um, para suas carreiras, e como decidiram tornar essa união possível. O primeiro artigo foi sobre Dwyane Wade e seu posto soberano no Heat. O segundo foi sobre LeBron James, seus tempos de colegial e como isso pode ter influenciado sua escolha. Para finalizar, o terceiro artigo abaixo aborda Chris Bosh, sua maldição por ter que jogar de pivô e sua invisibilidade em Toronto que tenta, agora, ser deixada para trás.

Bosh parece um dinossauro, tem pescoço de brontossauro, e por isso não deveria sair do Raptors

No ano em que o Chris Bosh entrou na NBA, era uma droga conseguir acompanhar jogos do Raptors. As transmissões na internet eram escassas e a TV religiosamente ignorava a franquia fracassada do Canadá, que nem é país de verdade, para transmitir jogos do LeBron James novato e do Denver Nuggets com Nenê e Carmelo Anthony (especialmente a TV brasileira, que tem um patriotismo bizarro e nos forçou a assistir por muito tempo um dos piores quintetos da história da NBA, que era aquele Nuggets com o brasileiro ainda novato, irch). A maioria das coisas que sabíamos de Bosh era de "ouvir dizer", até ele jogar o All-Star Game com os outros novatos. A primeira vez que ele tocou na bola fora do garrafão e bateu para dentro com uma série de dribles secos, rápidos e bem executados, fui à loucura. Seu físico lembrava o de Kevin Garnett nos primeiros anos na liga, ou seja, um magrelo anoréxico de braços gigantescos, mas com mãos é pés rápidos, talento para sair driblando, arremesso consistente e muito confortável de frente para a cesta, como se fosse um armador que comeu muito Neston quando era criança e cresceu demais. Fiquei imaginando que colocar aquele sujeito dentro de um garrafão deveria ser um crime punido com cadeira elétrica. Se não fosse pelos seus 2,08m de altura, ninguém jamais teria considerado tal heresia. Mas num time sem tamanho, Bosh não apenas foi colocado perto do aro - ele virou o pivô da equipe.

Para se ter uma ideia, é o equivalente a colocar uma garotinha de 4 anos no seu vestidinho de aniversário para enfrentar, várias vezes por semana, escoceses gordos que arremessam toras de madeira e comem carne crua. Os primeiros anos de Bosh foram cruéis, com as dificuldades de adaptar-se à liga - que afligem a todos os pirralhos - somadas às dificuldades de jogar fora de sua posição natural, ganhar físico rapidamente e apanhar mais do que a Rihanna dos brutamontes no garrafão. Mesmo que a NBA tenha sofrido nos últimos anos com uma imensa falta de pivôs, Bosh sempre teve que jogar contra jogadores muito mais fortes, mais físicos e na maioria das vezes mais altos do que ele. Conforme se distanciava do aro para poupar o físico e usar melhor seus recursos ofensivos, como arremessos e infiltrações, mais o Raptors sofria com a falta de uma presença física lá dentro, especialmente para os rebotes ofensivos.

A situação era tão ruim para o Bosh que o Raptors, em desespero, escolheu um pivô no draft muito antes do que ele merecia, apenas para suprir a necessidade. Era o brasileiro Baby, um dos piores pivôs a ter pisado numa quadra da NBA, e ali se dava o primeiro passo da maldição de Chris Bosh. Seu desenvolvimento dependia de que pudesse jogar em sua posição natural como ala de força, e o Raptors destruiu-se como franquia apenas para tentar reparar essa impossibilidade: com contratações, trocas ou mudando o estilo do time para jogar com o Bosh no garrafão sem prejudicá-lo tanto, o time foi pelo ralo junto com o físico, a felicidade e o rendimento do pivô improvisado.

A lista de fracassos do Raptors nas tentativas de acomodar Bosh é imensa. Além de Baby, no mesmo ano contrataram Aaron Williams, que vinha de uma boa temporada alimentado pelos passes de Jason Kidd, e é claro que ele não deu certo sem o armador que faz a carreira (e o salário) de tantos jogadores por aí. Com a chegada de Bryan Colangelo, engravatado que administrava o Suns e resolveu ir brincar no Canadá, Baby foi imediatamente trocado pelo Kris Humphries, um pivô que nunca deu certo mas ao menos quebra um galho na defesa. Colangelo trouxe também Nesterovic, o pivô de ombros largos e cabeça minúscula, com cérebro de estegossauro, que foi campeão no Spurs mas só faz o trabalho sujo, não sabe sequer amarrar os cadarços. O pirralho Charlie Villanueva, que estava chutando traseiros e na briga por ser novato do ano, ganhava cada vez mais minutos em quadra e forçava, com isso, Bosh a jogar de pivô. Após muitas reclamações, embasadas nas lesões cada vez mais frequentes que assolavam o corpo combalido do pivô improvisado, Villanueva foi trocado pelo armador TJ Ford apenas para que Bosh ficasse contentinho. Mas o armador não apenas era feito de vidro e sofreu sérias lesões durante sua estadia em Toronto (uma delas, na coluna, com risco de lhe encerrar a carreira) como também, mesmo saudável, nunca deve ter passado a bola uma vez sequer para o Chris Bosh porque é um fominha safado. Depois da ida de Villanueva, veio o pivô Jake Voskhul, que me obrigou até a ver como escreve o nome dele no Google, vinha de uma temporada razoável no Suns e foi uma das aquisições mais risíveis na história da franquia. Quando Jermaine O'Neal foi trazido ao elenco, a única ajuda legítima que Bosh recebeu no garrafão em toda sua carreira, contusões tiraram o vovô das quadras por muito tempo e Jermaine foi rapidamente trocado para liberar espaço salarial em uma temporada que já estava completamente perdida mesmo.

Não faltou esforço em Toronto por parte de Bryan Colangelo. Por vezes, fez o possível para trazer ao menos algum pivô para a equipe e colocar Bosh na ala. Por outras, frente ao fracasso absoluto dos pivôs que frequentaram o elenco (era tanto cara ruim que seria melhor usar o Rajon Rondo de pivô), tentou tornar o Raptors uma cópia paraguaia do Suns, com o Bosh jogando de pivô num sistema de jogo veloz, de correria, que permitisse aos jogadores de garrafão atacar o aro ao invés de ter que jogar de costas para ele, enfrentando marcadores maiores e mais pesados, como fazia Amar'e Stoudemire em Phoenix. Nunca deu muito certo em parte porque sempre faltou ao time um armador que pudesse impor esse estilo de jogo (TJ Ford sabe correr, mas só para a frente e alguém tem que ficar perto de sua orelha para avisar que a quadra acabou), mas também porque Bosh continuava sofrendo com o abuso físico de ter que defender pivôs maiores e ser recebido com pouca delicadeza no garrafão pelos defensores adversários. Desde sua segunda temporada na NBA, nunca chegou nem perto de jogar todas as partidas graças a lesões físicas, com exceção da temporada em que jogou ao lado de Jermaine O'Neal, em que conseguiu resistir a 77 jogos.

É por isso que as reclamações constantes de Bosh nunca foram tidas como "estrelismo": elas sempre foram justificadas. Chris Bosh é um jogador auto-centrado, de vida pública bastante restrita, longe de quaisquer polêmicas ou debates. Sempre se deu bem com a vida no Canadá, longe dos grandes centros comerciais, da falação da mídia e da badalação dos fãs americanos. Declarou seu amor ao estilo de vida canadense um sem número de vezes, dando todas as indicações de que se manteria no Toronto Raptors assim que surgisse a oportunidade. Mas nunca parou de avisar, em tom de reclamação, que só teria como ficar no time se montassem ao seu redor uma franquia vencedora - em que ele pudesse jogar de ala, não de pivô. Chororô que lhe virou marca registrada.

O ego de Bosh sempre foi uma coisa bastante confusa. Sua postura tranquila e humilde de morador canadense que não se importa de morar longe da atenção da mídia convive com uma postura de estrela que constantemente afirma não ser um jogador para "fechar um elenco", mas sim uma estrela em volta de quem franquias deveriam ser construídas. É possível entender um pouco isso. Quando ele era novato ninguém tinha como acompanhar seus jogos, longe das grandes televisões, mas agora é fácil pela internet e nosso amado League Pass. Só que para o público em geral, mesmo nos Estados Unidos, que depende em grande parte da televisão para acompanhar a liga, Bosh ainda é um desconhecido. Tratam-no como um jogador secundário, um cara "bonzinho" no garrafão, e não lhe ajuda a imagem em nada o fato de que continua, ano após ano, jogando fora de sua posição de origem. Bosh ganha mais peso, mais músculos, mais massa, aprende a dar e receber porrada, mas não dá pra esconder a verdade: ele é magro, fraco e desconfortável frente ao impacto, para força física não existe silicone ou batonzinho que possa dar uma disfarçada. Nas raríssimas ocasiões em que podemos ver - pela internet - o Bosh jogando como ala durante frações de uma partida, é como se o céu abrisse e os anjos tocassem vuvezelas: ele é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores jogadores da NBA. Mesmo tranquilo, humilde, brincando no Canadá com os ursos e os guardas florestais, deve ser bastante chato não ser reconhecido como merece graças a simples ignorância. Um jogador de seu calibre deveria, ao menos, estar nos playoffs constantemente para ter o mínimo de exposição na mídia e mostrar seu lugar. Mas em 2006-07, depois das trocentas alterações que o Bryan Colangelo fez ao elenco, o Raptors acabou em terceiro no Leste e foi facilmente eliminado pelo Nets em decadência. No ano seguinte, acabaram em sexto e foram eliminados pelo Magic, que começava a se tornar uma potência. Depois, nunca mais. Assim como aconteceu com o Cavs de LeBron, que fez as trocas mais estapafúrdias do mundo para mostrar serviço e nunca adiantou, o Raptors trouxe bons jogadores mas nunca sanou a principal deficiência, alguém no garrafão para ajudar Bosh. E, assim como Dwyane Wade, Bosh sabe como é estar num time fracassado, com apenas uma estrela, que sofre miseravelmente apenas para conseguir alcançar os playoffs.

A amizade com Wade vem desde que se reuniram pela primeira vez para jogar pela seleção americana. Sempre saíram juntos no Canadá, nas visitas do Heat a Toronto, e decidiram assinar contratos menores de extensão com suas equipes por partilharem do medo de ficar em times que fediam. Haviam se divertido tanto jogando juntos na seleção que não queriam mais ficar em times derrotados segurando o peso sozinhos. Dizem que, durante anos, Bosh alimentou a certeza de que iria jogar com Wade caso o Raptors não se transformasse. Quando a última temporada terminou, toda a esperança do Toronto Raptors de ter Bosh de volta não era nada além de aparência, aquela fé obrigatória que deve-se ter frente aos fãs para aparentar que, no mínimo, "a gente fez o que podia para manter o jogador". Era muito óbvio que ele sairia, e todos os amigos da dupla Bosh e Wade - LeBron James e Amar'e inclusos - sabiam que os dois jogariam juntos em algum lugar. Flertaram bastante com o Chicago Bulls apenas porque lá o Bosh sabia que não teria nunca mais que jogar de pivô, deixando a função para o Joaquim Noah. Por fim, preferiram ficar no Miami Heat apenas pela possibilidade de que o LeBron se juntasse a eles.

A decisão beneficiou Wade por lhe manter a casa, a praia, a camiseta, o título de prata da casa, maior estrela, queridinho da torcida. Para o LeBron, foram prometidas vagas de emprego para amigos, privilégios no ginásio para familiares, e uma franquia vencedora com planejamento e que há pouco ganhou um título de NBA mesmo com um elenco mequetrefe. Para o Bosh não poderia ser diferente e promessas também foram feitas: só assinou com a equipe quando Pat Riley lhe prometeu, pessoalmente, que ele não teria que jogar de pivô nunca mais.

A promessa de posição basta. Aquele papinho de que "sou bom o bastante para que times sejam construídos ao meu redor" é coisa de quem quer atenção, provar que é bom, não é um ego absurdamente gigante que vai devorar o Heat - embora seja um pouco perigoso. Deve ser suficiente que ele possa jogar na posição em que ele domina, como ala-pivô, constantemente em rede nacional, em televisões de todo o mundo, e possa mostrar para o público que pode ganhar alguns jogos por conta própria. Não tenho dúvidas de que vai surpreender muita gente, eventualmente sendo realmente melhor que Wade ou LeBron, e é apenas disso que ele precisa para reforçar sua auto-estima e colocar-se entre os grandes depois de tanto tempo exilado no Canadá. Ao contrário do que se imagina, ajuda muito o fato de que Miami não é um grande centro basquetebolístico e que Bosh terá mais chances de poder ir ao mercado comprar papel-higiênico - no Canadá ele podia andar de um lado para o outro sem problemas, ir ao shopping, ter uma vida comum (lembro até que o Matt Bonner, em seus tempos de Raptors, ia para o ginásio de trem). Fazer isso em New York seria impossível, em Chicago seria muito difícil, e tornou Miami ainda mais atraente.

Muito se fala sobre os três egos eventualmente acabarem implodindo Miami. Curiosamente, acho que o maior perigo está justamente no Bosh, que ainda sente que precisa se afirmar como jogador, provar quem ele é e o que sabe fazer. LeBron e Wade já são consagrados, amados-idolatrados-salve-salve, só lhes falta vencer (ou voltar a vencer). Quem pode exagerar a mão e exigir mais a bola, ou entrar em crise caso tenha que jogar de pivô, é o Bosh. Por sorte, seu comportamento em quadra sempre foi exemplar e silencioso. Não é um líder vocal, não fala com os companheiros, não dá ordens, não dá broncas, não pede a bola. Joga com uma seriedade que aprendeu com Kevin Garnett, joga cada vez mais defensivamente como seu grande ídolo do Celtics, e vai ser uma múmia em quadra enquanto LeBron grita e dança e Wade comanda o time no gogó. Os problemas podem aparecer apenas nos vestiários, e com o tempo. O essencial para evitar um desastre será um elenco que coloque um pivô ao lado de Bosh e um técnico que saiba colocar a bola em suas mãos, porque dificilmente ele irá pedir por ela sozinho.

Vamos falar mais sobre ele mais tarde, mas Erik Spoelstra é um excelente técnico, novo, descolado, disponibilizando os esquemas táticos do Heat para serem vistos em seus iPhones. Arma bem seus times, é excelente desenhando jogadas, sabe se comunicar bem especialmente com as novas gerações de jogadores (tem apenas 39 anos, é uma ninfeta), e saberá dividir bem a quantidade de tempo que a bola passará nas mãos de cada jogador. O curioso é que LeBron e Bosh tiveram dois dos piores técnicos da história da NBA: Sam Mitchell em Toronto e Mike Brown em Cleveland, então a dupla vai ter orgasmos múltiplos por ser treinada por um técnico de verdade. Pode até ser que o Pat Riley, um dos melhores técnicos de todos os tempos e atual engravatado-mór do Heat, assuma esse time. Mas a verdade é que sequer será necessário, e vai ser muito mais divertido ver essa molecada sendo treinada por um técnico moleque como eles. A felicidade de Bosh e sua participação nas jogadas de ataque está em boas mãos. Só falta agora ao Pat Riley arrumar um ou dois pivôs para quebrar um galho.

Seus tempos no Raptors lhe fizeram invisível para a maior parte dos torcedores, o que pode ser uma maravilha para caras como Kwame Brown e Darko Milicic (que não conseguem jogar sob pressão), mas foram prejudiciais para um jogador tão bom quanto Bosh. Sinceramente, acho ele o ponto mais importante desse novo Miami Heat e muita gente sequer percebe. Seu talento é absurdo, ele é de fato um dos melhores jogadores da NBA, se jogar fora do garrafão vai provar que chuta traseiros e deve ganhar muitos, muitos jogos dominando sozinho. Por outro lado, é nele que encontramos as maiores chances de descontentamento, seja por jogar de pivô (por enquanto o elenco não tem outro pivô), seja por não tocar na bola o bastante, já que ele sente ter muito a provar. Além disso, suas contusões são excessivamente constantes, uma fascite plantar adquirida com o excesso de tempo como pivô no Raptors deve perseguir-lhe por toda a carreira, e as maiores chances de contusão são suas. Aí está o ponte forte e o ponto fraco desse Miami: Chris Bosh é bom o bastante para deixar de ser invisível e se tornar um dos três reis, tão soberano quanto os outros, mas suas contusões e sua situação nos bastidores vão decidir se esse império cairá ou não.