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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Denver Nuggets

"É a TUA mãe, aquela..."


Objetivo máximo: Uma final de Conferência
Não seria estranho: Se classificar no sufoco para os playoffs e rodar na primeira rodada
Desastre: Perder Carmelo Anthony e afundar na tabela

Forças: Um ataque muito forte
Fraquezas: Uma defesa capenga e um banco duvidoso, sem profundidade

Elenco:













.....
Técnico: George Karl

A passagem de Karl pelo Nuggets é cheia de altos e baixos. Sua fama foi sempre de treinar grandes ataques, equilibrados e com muitas armas ofensivas, mas só teve sucesso quando conseguiu montar defesas pelo menos decentes (como o Bucks de Glenn Robinson) e às vezes espetaculares (como o Sonics de Gary Payton). No Nuggets, teve muitos problemas de equilibrar o ataque, que era extremamente individualista (do tipo "quem pegar chuta"), e nunca conseguiu nada que sequer lembrasse uma defesa na equipe. Quando lidou com o Nuggets de Carmelo Anthony e Allen Iverson, a incapacidade de deixar os dois jogadores felizes e equilibrar as movimentações ofensivas fez com que perdesse o controle do time. Dizem que ninguém ouvia mais o técnico, JR Smith estava cansado de ficar no banco e ser mal aproveitado (já que o treinador não suportava seus arremessos sem critério), e o emprego do George Karl ficou por um fio. Apenas com a saída de Iverson e a chegada de Billups os engravatados e os jogadores resolveram dar uma última chance ao Karl, deixar que ele tentasse começar de novo. Com a liderança de Billups em quadra, Karl conseguiu montar um time mais organizado capaz de respeitar seu plano de jogo, JR Smith passou a ser bem utilizado em momentos importantes (e tirado do jogo quando seus erros custavam muito caro) e até a defesa ficou ao menos respeitável.

Quando foi diagnosticado com câncer na garganta, o carinho e a admiração dos jogadores do Nuggets ficaram muito claras em suas homenagens. O Nuggets passou a agir como um grupo que havia resistido às maiores adversidades e agora estava pronto para ser campeão, e grande parte do mérito estava no fato de que George Karl nunca parou de aprender, tanto na parte tática quanto no seu relacionamento com os jogadores. Seu plano de jogo agora é mais maleável, mas ele também é mais respeitado. Seu Nuggets estava em segundo lugar do Oeste quando Karl teve que se auxentar para tratar o câncer, e a pancada no time inteiro foi monumental: despencaram na tabela e foram eliminados dos playoffs. Já não se questiona mais a importância do técnico, que parece cada vez mais atingir com a experiência o equilíbrio ideal entre ataque e defesa, mas tem sempre que se virar com o excesso de contusões de seus jogadores também experientes (que é eufemismo para "velhinhos de joelho frágil").

....
Mais uma vez, recorro a um post bem recente do Denis sobre o Nuggets e a possível saída de Carmelo:

"Enquanto a maioria dos times gastou seu precioso tempo de offseason buscando novas contratações, o Nuggets se preocupou basicamente em segurar Carmelo Anthony. Ao contrário dos seus companheiros de Draft de 2003, Dwyane Wade, Chris Bosh e LeBron James, quando Carmelo fez seu último contrato, fez um maior que o dos amiguinhos. Dá pra entender, enquanto os outros três estavam em franquias que naquela época despertavam dúvidas, o Melo estava muito bem no Nuggets, que é no mínimo um bom time desde sua chegada.

Isso quer dizer que se todos viraram Free Agents agora, Melo será somente daqui a um ano e ver todos esses grandes jogadores mudando de time para ter a chance de ganhar um título deve ter dado um cagaço monstruoso no time de Denver. Já ofereceram mais de uma vez extensões de contrato de mais 3 anos e 65 milhões de dólares.

(...)

Entre os times que devem ir pra cima do Melo com tudo estão o New York Knicks e o New Jersey Nets. O Knicks não gastou tudo o que podia nesse verão americano e para a temporada que vem ainda tem, finalmente, o fim do contrato do Eddy Curry, que só não é maior do que a barriga do pivô. Já o Nets também não gastou tudo o que podia e acabou de trocar por Troy Murphy, cujo contrato também se encerra na próxima temporada. E não é só porque os dois podem pagar que eles são fortes concorrentes, tem também o apelo emocional. Carmelo Anthony nasceu em Nova York, gosta da cidade e até fez universidade em Syracuse, lá pertinho. Ir para qualquer um dos time seria voltar para casa. O Knicks é o time mais famoso, glamuroso e conhecido, e o Nets deve se mudar para o Brooklyn dentro de alguns anos, exata região onde nasceu Melo.

Deu pra entender porque o Nuggets está desesperado para conseguir essa extensão, né? Faz muito sentido ele sair após a próxima temporada. E ainda tem mais: o Nuggets é um time experiente, com jogadores que ou estão no auge ou já estão passando dele. Nenê ainda está em plena forma com 28, mas Kenyon Martin e Chauncey Billups, dois pilares da equipe, não são garantia de saúde e jogo em alto nível por muito mais tempo. 

Por essas tentações de novos ares é que eu acho que o Carmelo não deve e nem vai assinar essa extensão, criando no Nuggets uma sensação de urgência parecida com a que existiu no Cavs no ano passado. E também, como o time do LeBron no ano passado, existem chances reais de título, embora vá ser bem difícil.

Depois da dificuldade que deram para o Lakers na final do Oeste de 2009, o Nuggets entrou como um dos favoritos na temporada passada. Durante meio ano sustentou esse título por ficar em segundo no Oeste, ganhando de vários outros times grandes da liga, incluindo o próprio Lakers em Los Angeles. Mas no meio da temporada a maionese desandou. Primeiro foi a contusão do Kenyon Martin, o melhor jogador de defesa do time e grande reboteiro. Depois foi a volta do câncer do treinador George Karl, que teve que se ausentar durante muitas partidas, inclusive toda a série de playoffs contra o Jazz, quando tomaram uma surra de 4 a 1.

Os dois estão de volta para essa temporada, por isso não existe razão para não dizer que o time vai continuar sendo um dos melhores, mas a saída deles evidenciou algumas deficiências do time. Chauncey Billups já foi considerado o melhor armador da NBA na sua época de Pistons, mas claramente começa a viver a sua vagarosa decadência. Ele ainda é fora de série, mas no meio do caminho tem jogos discretíssimos, ele não consegue ganhar jogos quando dá na telha como fazia no Pistons, e na defesa, onde sempre foi ótimo, as pernas não acompanham mais. É só ver o baile que ele tomou do Deron Williams na última pós-temporada. Já que os dois são sempre comparados, foi o equivalente do Deron para o que o Chris Paul fez com o pobre vovô do Jason Kidd nos playoffs de 2008. Pois é, uma hora a juventude nos alcança e é hora de virar comentarista de TV, Chris Webber tá na NBA TV todo dia pra comprovar isso.

Em vários jogos em que o Billups não dava conta do recado, o Ty Lawson deu. Quando suas bolas não caíam, o JR Smith dava os arremessos mais imbecis da história do basquete (e eventualmente acertava) para dar a vitória ao Denver. Isso mostra que o time é bom, grande, mas que eventualmente depende de jogadores não muito confiáveis. É um time forte, mas como o Billups de hoje em dia, deixa sempre aquela dúvida no ar.

Outra questão que a contusão do K-Mart deixou clara foi a falta de profundidade do garrafão. Nenê, Chris Andersen e Kenyon Martin são o trio mais físico, tatuado e mal encarado da NBA na atualidade. Fazem uma rotação interessante e todos jogam nas duas posições do garrafão, mas e quando alguém se machuca? Dois são titulares e acabou. Sem banco para cobrir alguém cansado ou com problemas de falta. Isso machucou muito a equipe na temporada passada e para resolver o problema contrataram dois jogadores, o Shelden Williams e o Al Harrington.

Tem gente que até gosta do Shelden Williams, acho que o Danilo é um deles, mas eu acho um cara que não sabe fazer porcaria nenhuma numa quadra de basquete. A intenção de contratar um cara de garrafão foi boa, a escolha péssima. Sem querer pegar no pé do Shelden só porque o formato da sua cabeça me ofende, mas o DJ Mbenga seria mais útil. Já o Al Harrigton foi uma ótima adição. Ele arremessa de três e abre o jogo como o Linas Kleizafez tão bem pelo Nuggets naquela campanha de 2009, sabe jogar de ala de força e quebra um galho nos rebotes. Não sei se gostaria de ver ele de titular em algum time, mas como reserva e em especial nesse time veloz que é o banco do Nuggets, ele é pefeito. Imagina eles correndo com Ty Lawson, JR Smith, Al Harrington e Chris Andersen ao mesmo tempo? Tem tudo para dar dor de cabeça para os bancos das outras equipes.

O Nuggets fez pouco para essa temporada, mas as peças estão lá para irem longe de novo. O armador experiente, o garrafão forte, um bom defensor de perímetro (o ótimo Arron Afflalo), o banco de reservas talentoso, um técnico experiente e que conhece o time e a estrela/cestinha, Carmelo Anthony. Fácil esquecer deles depois dos playoffs ridículos do ano passado, mas vamos dar mais uma chance. Embora seja, provavelmente, a última."


Aproveito a deixa para defender o Shelden Williams, que para mim é um bom reboteiro, se posiciona bem na quadra, e poderia render muito melhor no ataque se tivesse a oportunidade. Na pré-temporada ele rendeu muito bem, e disse que o George Karl lhe incentivou a ser mais agressivo e atacar a cesta, coisa que ele não fazia desde os tempos de faculdade e que por isso seu cérebro tem dificuldade de associar as palavras "bola" e "pontuar". É legal ver o George Karl disposto a dar minutos, oportunidade e confiança até para jogadores mais-ou-menos que são tacados de um lado para o outro por aí. Se o Shelden Williams render um pouco, torna a rotação de garrafão do Nuggets ainda mais forte e versátil. Ele pode jogar de pivô, assim como Al Harrington pode jogar de ala de força, e o Nuggets ganha um time absurdamente veloz e ofensivo para quando a defesa já estiver na merda mesmo. A equipe é inteligente, os jogadores agora sabem que papel desempenham, e há mais espaço para novos jogadores cheguem para tapar os buracos na rotação da equipe assim como o Ty Lawson fez na temporada passada. Dá pra aproveitar a experiência do elenco para chegar a uma Final do Oeste se não houverem contusões ou cânceres à vista, mas a situação do Carmelo pode colocar tudo a perder. 

Como disse antes, deixei o preview do Nuggets por último porque o Carmelo pode ser trocado a qualquer momento agora. Ainda há a esperança de convencer o jogador a ficar, mas tudo isso depende dos resultados no começo da temporada. A chance de que a situação do Carmelo incomode os outros jogadores, fazendo-os pensar que a temporada não vale pra nada porque ele vai dar o fora de lá, é enorme. Se for o caso e o time começar a desandar, aí é que o Carmelo vai querer se pirulitar dali e a temporada vai mesmo pro saco. O ideal seria essa situação ser resolvida logo, mas se não trocarem o Carmelo vão ter que torcer para que vitórias iniciais animem o elenco. Mesmo que convençam Carmelo a ficar, essa pode ser uma das últimas chances de título desse elenco como o conhecemos, então vamos torcer para que dê tudo certo.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Última chance?

Sem saber se o Nuggets continuará um bom time, 
Carmelo faz como no banheiro: senta e espera


Enquanto a maioria dos times gastou seu precioso tempo de offseason buscando novas contratações, o Nuggets se preocupou basicamente em segurar Carmelo Anthony. Ao contrário dos seus companheiros de Draft de 2003, Dwyane Wade, Chris Bosh e LeBron James, quando Carmelo fez seu último contrato, fez um maior que o dos amiguinhos. Dá pra entender, enquanto os outros três estavam em franquias que naquela época despertavam dúvidas, o Melo estava muito bem no Nuggets, que é no mínimo um bom time desde sua chegada.

Isso quer dizer que se todos viraram Free Agents agora, Melo será somente daqui a um ano e ver todos esses grandes jogadores mudando de time para ter a chance de ganhar um título deve ter dado um cagaço monstruoso no time de Denver. Já ofereceram mais de uma vez extensões de contrato de mais 3 anos e 65 milhões de dólares.

O jogador ainda não aceitou e acho que nem deve aceitar. Não sou ninguém pra falar pra alguém recusar tanto dinheiro, mas é que ele não estaria recusando, mas adiando. Se ele acertar essa extensão fica "preso" ao Nuggets por mais três anos, torcendo para que o time volte a evoluir depois da queda de qualidade que teve a partir do meio da temporada passada. Se não aceitar, ganha mais um ano para analisar a situação do Nuggets e dos outros times que possam vir a oferecer outros contratos milionários. A não ser que aconteça um desastre e o joelho do Carmelo esfarele como o do Shaun Livingston, é certeza que ele vai receber ofertas riquíssimas daqui a um ano, não tem porque aceitar agora apenas por medo. E ele nem tem um histórico de contusões para temer alguma coisa mais grave.

Entre os times que devem ir pra cima do Melo com tudo estão o New York Knicks e o New Jersey Nets. O Knicks não gastou tudo o que podia nesse verão americano e para a temporada que vem ainda tem, finalmente, o fim do contrato do Eddy Curry, que só não é maior do que a barriga do pivô. Já o Nets também não gastou tudo o que podia e acabou de trocar por Troy Murphy, cujo contrato também se encerra na próxima temporada. E não é só porque os dois podem pagar que eles são fortes concorrentes, tem também o apelo emocional. Carmelo Anthony nasceu em Nova York, gosta da cidade e até fez universidade em Syracuse, lá pertinho. Ir para qualquer um dos time seria voltar para casa. O Knicks é o time mais famoso, glamuroso e conhecido, e o Nets deve se mudar para o Brooklyn dentro de alguns anos, exata região onde nasceu Melo.

Deu pra entender porque o Nuggets está desesperado para conseguir essa extensão, né? Faz muito sentido ele sair após a próxima temporada. E ainda tem mais: o Nuggets é um time experiente, com jogadores que ou estão no auge ou já estão passando dele. Nenê ainda está em plena forma com 28, mas Kenyon Martin e Chauncey Billups, dois pilares da equipe, não são garantia de saúde e jogo em alto nível por muito mais tempo. Difícil concorrer por exemplo com o Nets de Derrick Favors e Brook Lopez ou o Knicks de Amar'e Stoudemire e Danilo Gallinari. Por fim, mais um ingrediente que deve ter mexido com a cabeça do jogador do Nuggets são os boatos dizendo que apesar da contratação de Raymond Felton, o Knicks planeja um novo armador para a próxima temporada. Chris Paul é o primeiro e principal alvo (já contamos como ele está doido para ganhar um título e mantém uma relação estremecida com o Hornets) e Tony Parker é o segundo, até a Eva Longoria, deliciosa mulher do francês, já está alimentando os rumores dizendo que adoraria o marido jogando em Nova York. Só espero que decidam logo pra eu saber se troco ou não o George Hill no meu time de fantasy!

Por essas tentações de novos ares é que eu acho que o Carmelo não deve e nem vai assinar essa extensão, criando no Nuggets uma sensação de urgência parecida com a que existiu no Cavs no ano passado. E também, como o time do LeBron no ano passado, existem chances reais de título, embora vá ser bem difícil.

Depois da dificuldade que deram para o Lakers na final do Oeste de 2009, o Nuggets entrou como um dos favoritos na temporada passada. Durante meio ano sustentou esse título por ficar em segundo no Oeste, ganhando de vários outros times grandes da liga, incluindo o próprio Lakers em Los Angeles. Mas no meio da temporada a maionese desandou. Primeiro foi a contusão do Kenyon Martin, o melhor jogador de defesa do time e grande reboteiro. Depois foi a volta do câncer do treinador George Karl, que teve que se ausentar durante muitas partidas, inclusive toda a série de playoffs contra o Jazz, quando tomaram uma surra de 4 a 1.

Os dois estão de volta para essa temporada, por isso não existe razão para não dizer que o time vai continuar sendo um dos melhores, mas a saída deles evidenciou algumas deficiências do time. Chauncey Billups já foi considerado o melhor armador da NBA na sua época de Pistons, mas claramente começa a viver a sua vagarosa decadência. Ele ainda é fora de série, mas no meio do caminho tem jogos discretíssimos, ele não consegue ganhar jogos quando dá na telha como fazia no Pistons, e na defesa, onde sempre foi ótimo, as pernas não acompanham mais. É só ver o baile que ele tomou do Deron Williams na última pós-temporada. Já que os dois são sempre comparados, foi o equivalente do Deron para o que o Chris Paul fez com o pobre vovô do Jason Kidd nos playoffs de 2008. Pois é, uma hora a juventude nos alcança e é hora de virar comentarista de TV, Chris Webber tá na NBA TV todo dia pra comprovar isso.

Em vários jogos em que o Billups não dava conta do recado, o Ty Lawson deu. Quando suas bolas não caíam, o JR Smith dava os arremessos mais imbecis da história do basquete (e eventualmente acertava) para dar a vitória ao Denver. Isso mostra que o time é bom, grande, mas que eventualmente depende de jogadores não muito confiáveis. É um time forte, mas como o Billups de hoje em dia, deixa sempre aquela dúvida no ar.

Outra questão que a contusão do K-Mart deixou clara foi a falta de profundidade do garrafão. Nenê, Chris Andersen e Kenyon Martin são o trio mais físico, tatuado e mal encarado da NBA na atualidade. Fazem uma rotação interessante e todos jogam nas duas posições do garrafão, mas e quando alguém se machuca? Dois são titulares e acabou. Sem banco para cobrir alguém cansado ou com problemas de falta. Isso machucou muito a equipe na temporada passada e para resolver o problema contrataram dois jogadores, o Shelden Williams e o Al Harrington.

Tem gente que até gosta do Shelden Williams, acho que o Danilo é um deles, mas eu acho um cara que não sabe fazer porcaria nenhuma numa quadra de basquete. A intenção de contratar um cara de garrafão foi boa, a escolha péssima. Sem querer pegar no pé do Shelden só porque o formato da sua cabeça me ofende, mas o DJ Mbenga seria mais útil. Já o Al Harrigton foi uma ótima adição. Ele arremessa de três e abre o jogo como o Linas Kleiza fez tão bem pelo Nuggets naquela campanha de 2009, sabe jogar de ala de força e quebra um galho nos rebotes. Não sei se gostaria de ver ele de titular em algum time, mas como reserva e em especial nesse time veloz que é o banco do Nuggets, ele é pefeito. Imagina eles correndo com Ty Lawson, JR Smith, Al Harrington e Chris Andersen ao mesmo tempo? Tem tudo para dar dor de cabeça para os bancos das outras equipes.

O Nuggets fez pouco para essa temporada, mas as peças estão lá para irem longe de novo. O armador experiente, o garrafão forte, um bom defensor de perímetro (o ótimo Arron Afflalo), o banco de reservas talentoso, um técnico experiente e que conhece o time e a estrela/cestinha, Carmelo Anthony. Fácil esquecer deles depois dos playoffs ridículos do ano passado, mas vamos dar mais uma chance. Embora seja, provavelmente, a última.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Weak weak East

Quando a briga para os playoffs é entre Sixers e Hawks, o melhor é ir ver o filme do Pelé


Comecei esse post inúmeras vezes, mas sempre era interrompido. Seja pra trabalhar, pra sair, pra resolver alguma coisa e até porque a internet foi pro espaço. Mas não desisti, estou aqui numa lan house só para dizer o quanto o Leste é ruim!

No começo do ano eu me diverti com o Pistons sendo o Pistons de sempre, com o Boston jogando bem demais e com o surgimento do Orlando como força, juntamente com o Raptors. Também conhecemos e gostamos de ver a força do LeBron, digo, do Cavs.
Mas, tirando esses cinco times, o que estamos vendo é um monte de merda, um punhado de times disformes lutando pra ver quem consegue ficar de fora dos playoffs.

Começamos com o Wizards, que é um time bom desde seus tempos de Larry Hughes, mas sem Arenas quase a temporada toda e uns 20 jogos sem Caron Butler, está se arrastando mas mesmo assim é o sexto colocado na briga do Leste, com 30 vitórias e 32 derrotas. Isso mesmo, o sexto colocado tem mais derrotas que vitórias! Não quero meter o pau no Wizards, eles merecem parabéns por chegar tão longe com tantas dificuldades, mas temos que ver também que essa vaga nos playoffs, além de mérito deles, tem muito da falta de mérito de seus concorrentes.

Como por exemplo o sétimo colocado, o time quente do momento, o Philadelphia 76ers. Eles perderam o último jogo para o Boston mas antes disso tinham cinco vitórias seguidas e venceram sete dos últimos dez jogos. No Leste é assim, são cinco vitórias seguidas e você já é um fenômeno e ultrapassa todo mundo na sua frente, basta ver o Bobcats, que estavam praticamente fora da briga por vaga e foi só vencer cinco jogos seguidos (pela primeira vez na história da franquia) e eles já estão há apenas duas vitórias do oitavo colocado.

Oitavo colocado que é o glorioso Atlanta Hawks! Eles tem um bom time, bons jogadores, mas não querem jogar fora a fama de perdedores. Perderam 7 das últimas dez partidas, chegaram a perder jogos e mais jogos em sequência nas últimas semanas, mas a coisa no Leste é difícil, todo mundo quer porque quer ficar de fora. O Nets, nono colocado, está numa sequência de 6 derrotas, incluindo uma para o Memphis Grizzlies (que não ganhava um jogo há 9 jogos) só para ficar de fora dos playoffs. Será vontade de participar do sorteio do draft ou só medo de pegar o Boston?

Mas vamos parar de zoar os times, na verdade não é culpa deles, a culpa é da conferência que é fraca. Todos esses times, aliás, estão muito certos em perceber que suas equipes estão longe de serem as ideais e por isso estão em processo de reconstrução. O Sixers ainda está vendo o que seus pivetes, como Thaddeus Young, Rodney Carney e Jason Smith, podem fazer, ao mesmo tempo em que tentam descobrir o que fazer com Andre Miller e planejam reassinar o Andre Iguodala na próxima temporada. É claramente um time ainda em busca de uma identidade. O Hawks finalmente fez o que todo mundo sabia que eles tinham que fazer, trocaram um de seus mil alas novos (Shelden Williams, no caso) por um cara experiente, Mike Bibby, mas mesmo assim o time ainda se adapta. O Nets claramente mostrou que busca outro rumo ao trocar Jason Kidd pelo jovem Devin Harris, assim como o Charlotte que, de escolha de draft em escolha de draft, ainda está montando seu elenco. A exceção do grupo é o Wizards, que já tem grupo montado, só não consegue ficar longe do hospital.

O que leva esse monte de time em construção para os playoffs é a falta de concorrência. Com apenas cinco times bons na conferência inteira, algumas equipes que não estão em nível de playoff vão acabar indo pra lá de qualquer jeito. O engraçado é ver isso acontecer logo no mesmo ano em que o Oeste é o mais forte em muito tempo, um dos mais disputados de toda a história. O que nos leva a uma discussão que já acontece há alguns anos: o sistema de classificação da NBA é o melhor? É o mais justo?

Muita gente sugere que deveriam acabar as divisões e as conferências e simplesmente classificar os 16 melhores times. Eu até concordo com isso, mas desde que outras coisas mudem também.

Eu ficaria um pouco triste com o fim das conferências, estamos acostumados com elas, elas são legais, têm suas rivalidades históricas e já estão assimiladas pelos torcedores, seria uma perda difícil mas que também poderia ser facilmente superada caso os playoffs ficassem mais emocionantes. Acabando com as conferências acabaríamos também com as divisões, e isso acho que não faria falta mesmo. As divisões servem só para confundir todo mundo na hora em que vêem o Jazz em quarto mesmo com pior recorde que o quinto colocado porque é o campeão da divisão noroeste. Servem também para dirigentes contarem vantagem no fim da temporada: "Meu time ganhou a divisão do Atlântico!"e depois perder na primeira rodada dos playoffs.

Mas uma coisa que se esquece é que as divisões e conferências servem também para definir quantas vezes os times se enfrentam durante a temporada. Então o Lakers pega o Spurs quatro vezes e o Celtics só duas, enquanto o Celitcs pega o Spurs duas vezes e o Bobcats quatro. Também tem os times de mesma conferência que se pegam só três vezes. É confuso, mas em geral um time pega duas vezes um time da conferência oposta e quatro da mesma. Em um sistema geral, em que se classificariam os 16 melhores, os times do atual Leste se dariam melhor, já que cada um deles pegaria as mamatas dos times em reconstrução 4 vezes e os timaços do Oeste somente duas. Com o passar dos anos, a força poderia mudar de conferência e aí seriam outros beneficiados, ou seja, ia ser sempre uma merda.

A solução para isso é usar o exemplo do futebol. Turno e returno, todos jogam contra todos uma vez em casa e uma vez fora. Simples assim. Ao invés dos 82 jogos que temos hoje, teríamos 58. Alguém vê algum problema? Eu acho uma maravilha. Agora, por exemplo, já estou cansado da temporada regular, já conhecemos todos os times e a única coisa que eu quero mesmo é ver o circo pegar fogo, o bicho pegar, quero ver os playoffs! Mas ao invés disso precisamos esperar 82 longos jogos só pra ver caras como o Yao Ming terem uma fratura por stress no pé. A fratura dele não foi por pancada, foi por desgaste, foi por jogar umas três vezes por semana uns 40 minutos. Além dele, a lista de machucados é imensa, afinal são 82 jogos, muitas vezes quatro em uma semana, dois em dias seguidos, 48 minutos de jogo, jogo corrido, jogo físico. E pra quê? Pra ter mando de quadra nos playoffs, só? Pra ganhar a divisão? Não, é claro, é só pra ganhar mais dinheiro com direitos de TV e ingressos.

Seria muito melhor para os jogadores se fossem só 58 jogos, seriam menos contusões, os jogos seriam mais valorizados (na quarta vez em que o Lakers pega o Suns já não tem taaanta graça assim) e os jogadores mais descansados poderiam até render melhor. É só ver na página pessoal de cada jogador na NBA.com, lá tem as estatísticas de cada atleta nos jogos em dias seguidos, com um, dois, três, ou mais de três dias de descanso entre os jogos. A enorme maioria tem um desempenho muito superior quando tem tempo para descansar o corpo.

E não me venham dizer que o Yao se machucou por causa dos jogos da seleção chinesa! Isso é ridículo! Ele pode até sentir falta das férias, mas jogar 10 jogos em um mês pela seleção não se compara a jogar aqueles jogos em dias seguidos, viajando pelos EUA e jogando muito mais minutos por partida. Isso é desculpa de quem tem medo de mudar as coisas na NBA.

Mas isso tudo é um sonho só, ninguém planeja mudar nada no calendário da NBA. Eles ganham muito dinheiro assim e os times e a liga seriam capazes de cobrar uma diminuição dos salários dos jogadores causada pela diminuição de renda graças ao número menor de jogos. Aí nem os jogadores mais bichados iam aceitar, acreditem, eles são gananciosos mesmo depois de ter 50 milhões de dólares na conta.

Como curiosidade, os playoffs com 16 times seriam, se acabasse a temporada agora, assim:

Boston Celtics(1) x Washington Wizards (16)
Detroit Pistons (2) x Portland Trail Blazers (15)
San Antonio Spurs (3) x Toronto Raptors (14)
Los Angeles Lakers (4) x Cleveland Cavaliers (13)
Houston Rockets (5) x Denver Nuggets (12)
New Orleans Hornets (6) x Golden State Warriors (11)
Phoenix Suns (7) x Dallas Mavericks (10)
Utah Jazz (8) x Orlando Magic (9)

Eu não reclamaria de um playoff que começa com Kobe enfrentando o LeBron e o Mavs pegando o Suns. E vocês, gostariam de ver os playoffs assim?


Notas:

- Vocês viram o cara que entrou na quadra pra falar com o LeBron no jogo do Cavs contra o Knicks no Madison Square Garden? Ele foi preso, acusaram ele de ter ido atacar o LeBron, mas na verdade o cara era só um fã, ele até estava com a camiseta do LeBron!
No dia seguinte ele disse que não se arrependeu, que faria de novo e que na verdade ele foi lá só pra dizer que era fã dele e que sempre quis ser como seu ídolo. Segundo o fã, o LeBron respondeu "Ok, legal! Valeu por ter vindo!"

Aqui tem o vídeo:

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Preço de banana

Mike Bibby agradece por ter sido trocado por um pacote de Trakinas


Algumas trocas na NBA já são mais manjadas do que engravidar do Mick Jagger. O Bibby está para ser trocado do Kings desde que o ICQ ainda era moda. E foi bem no meio do fim de semana do All-Star que, na miúda, ele foi parar no Atlanta Hawks. Coisas de time que tem vergonha do que está fazendo e quer passar despercebido.

No meio da nossa cobertura do All-Star não havia tempo para criticar o Kings, mas em plena segunda-feira, com aquele mal-humor desgraçado de quem foi dormir tarde pra burro vendo o LeBron ser coroado MVP, me sinto no direito de soltar alguns impropérios. Ou seja, mas que troca de merda! Acho que eu não via uma troca tão estapafúrdia desde quando o Nets mandou Kerry Kittles para o Clippers em troca de dinheiro e nada mais. Pô, não tinha nenhum novato pé-de-chinelo que podia ser mandando em troca? Ser trocado por dinheiro é uma baita ofensa, é tipo ser chamado de pé de alface.

Não me importa se o Bibby está em decadência, fora de ritmo, acabando de voltar de contusão. Mike Bibby teve uma péssima temporada passada, desmotivado, sentindo que o time pelo qual tanto lutara havia sido completamente desmontado. Não me importa se ele tinha problemas de relacionamento com o Artest, se ia dar o fora dali quando o contrato acabasse. Só o que me importa é que Bibby é um baita de um armador e, se trocá-lo era tão essencial assim, o Kings deveria tirar algum proveito disso.

Para quem ainda não viu, a troca foi Mike Bibby para o Hawks e Shelden Williams, Lorenzen Wright, Anthony Johnson, Tyronn Lue e uma escolha de draft de segundo round para o Kings. Ou seja, um jogador jovem e grande que só sabe pegar rebotes em Shelden Williams, um contrato que vai expirar esse ano em Wright, e dois armadores com "reserva" escrito na testa em Johnson e Lue. O Kings, então, vai ter dois armadores reservas novos e vai dar o barco para o Beno Udrih comandar. Pelo jeito, eles devem ter gostado mesmo do esloveno esnobado pelo Spurs.

Fora isso, a equipe tem um reserva para o garrafão que não deve acrescentar muito e, principalmente, espaço pra burro no limite salarial. Pra mim, isso significa que eles devem querer manter o Ron Artest, que aliás já disse que agora pretende mesmo ficar em Sacramento. Parece que ele odiava mais o Bibby do que se imaginava.

Minha tristeza é que esse Kings não teve tempo para funcionar com todas as peças saudáveis. Quando um estava saudável, o outro estava morrendo de dengue. Quando um finalmente lembrou como é que se joga basquete, o outro foi trocado. Era muito difícil deixar o elenco junto, sem contusões, pelo menos mais esse fim de temporada? A pressa não permitiu. Mas agora me diz uma coisa: será que nenhum outro time ofereceu algo melhorzinho do que Shelden e Tyronn Lue? Nenhum time ofereceu sequer um Big Mac caprichado?

Para o Hawks, a troca parece um assalto a mão armada de tão sacana. O time cansou de ficar sofrendo com a pirralhada e, ao menor sinal de que eles finalmente poderiam ir para os playoffs, arranjou um armador experiente, pontuador e que sabe botar ordem na casa. Taí, o Hawks que já era uma surpresa passa a ser uma certeza para os playoffs no Leste. Não que isso signifique alguma coisa, claro. Hoje em dia, estar nos playoffs do Leste é mais fácil do que não estar. Para ficar de fora da disputa, só fazendo pior do que propaganda do Guaraná Dolly.

Enquanto isso, a troca do Kidd continua sendo mais confusa do que a última temporada do Lost. Parece que vai rolar mesmo, mas o Stackhouse (que na troca original iria para o Nets mas seria mandado embora para voltar ao Mavs após o prazo obrigatório de 30 dias) vai ficar no Mavs mesmo e em seu lugar vai o defensor-e-nada-mais Trenton Hassel. Como o Devean George vetou a troca, arranjaram outro mané em seu lugar. Trata-se de Keith Van Horn, aquele cara que tinha um topete engraçado, meias até os joelhos e era tão amarelão que fazia o Nowitzki parecer o Reggie Miller. Além disso, o cara é tão preguiçoso que abandonou a NBA faz um tempo enorme mas não se deu ao trabalho de assinar os papéis de aposentadoria. Levantar uma caneta é tã-a-ao desgastante...

Portanto, Van Horn ainda não está oficialmente aposentado e deve ser reassinado pelo Dallas só para que o valor dos contratos sejam equilibrados na hora da troca. O único problema é que a NBA não quer que esse bando de cara semi-morto fique sendo envolvido em trocas, então obriga que os jogadores envolvidos pelo menos compareçam aos times para os quais foram trocados, tipo o Aaron McKie que tem 420 anos, tem os pés fossilizados, mas teve que aparecer lá em Memphis na troca do Pau Gasol.

A dúvida agora é a seguinte: o sujeito que nem se deu ao trabalho de se aposentar vai conseguir levantar do sofá, vestir suas pantufas e comparecer a New Jersey? Acho que vai depender da graninha que rolar por fora. Se ele também não topar, a troca não rola.


Para o Nets, é bom que a troca aconteça mesmo. Faz muito tempo que todos nós samemos que o Nets atingiu um máximo e que dali não passa. Foram algumas finais da NBA mas ainda faltava algo para o anel chegar. Lapidaram aqui, rebocaram ali, mas o negócio é que o Nets sempre foi piorando aos poucos apesar de ser sempre bom. Esse time não ia ser campeão nunca e era óbvio que tava na hora de parar de ficar concertando, tem que tacar tudo fora e começar de novo. É melhor feder por uns tempos e ter chances de crescer do que ficar para sempre sendo meia-boca sem conseguir novatos decentes no draft, como aquele Wolves que tinha o Garnett.

Em breve o Carter não vai conseguir mais nem ir ao banheiro e o Nets será de Devin Harris e Richard Jefferson, com um banco razoável. Pelo menos muda um pouco os ares e o pessoal pára de bocejar em New Jersey. Lembrando sempre que pior do que o vizinho New York não tem como ficar.

Para o Mavs, eu sei que o preço pode ser um pouco alto mas eu nunca negaria o Kidd no meu time. Ele não sabe arremessar, não vai pontuar loucamente, mas não tem problema. Coloca ele em qualquer time e assista o experimento dar certo, não tem como ficar pior do que estava. Coloque ele numa jaula com gorilas e todos trabalharão em equipe e terão a mesma quantidade de bananas. Se o Dallas com ele vai ganhar um título, aí é outra história. Mas depois do fracasso em Golden State na temporada passada, tentar uma coisa nova não faz mal a ninguém.

E se nenhum desses motivos convencer os torcedores do Mavs, basta lembrar que agora está na moda no Oeste fazer trocas por jogadores all-star, deixando a conferência tão forte que o Leste inteiro deveria se mudar para a liga de basquete do Canadá. Pensando assim, levar o Kidd para casa pega bem. E deixa o All-Star Game da temporada que vem ainda mais disputado.