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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Na cagada

Jamal Crawford: cagado


Muita gente apontou entusiasmada, tanto aqui no blog quanto no Twitter, que acertamos em cheio com nossa leitura da série entre Grizzlies e Thunder. Esperávamos que o Grizzlies não usasse nenhuma marcação especial para Durant e Westbrook, neutralizando os passes para o garrafão e o perímetro, e forçando os desperdícios de bola de Westbrook com forte defesa e incentivando um ritmo acelerado de jogo. Para minha surpresa o Grizzlies mudou sim um pouco a defesa contra o Durant, dobrando com Randolph em algumas oportunidades, e usando uma tática defensiva que eu chamo de "enlouqueça o Dirk Nowitzki", que é marcar o Durant no perímetro o mais perto possível, umbigo com umbigo, forçando o jogador a ter que colocar a bola no chão para cortar o defensor. No mais, o Thunder realmente tropeçou na própria velocidade, os turnovers viraram pontos fáceis para o Grizzlies, e a alta pontuação de Westbrook e Durant não foram o bastante. Até os números que indicamos se mantiveram: depois de cometer quase 17 turnovers por jogo contra o Grizzlies na temporada regular, o Thunder cometeu ontem 18 (sendo 7 deles apenas do Westbrook). No duelo de duas fantásticas defesas, o ataque atrapalhado do Grizzlies não é tanto um problema - especialmente porque Randolph continua achando pontos fáceis e o Grizzlies garantiu que ele não será incomodado pelo Perkins no garrafão, colocando nosso gordinho contra o Ibaka ou nos arremessos de média distancia (que o Marc Gasol também acertou, bem longe do titio Perk). Então eu desconfiava que, se a defesa do Grizzlies funcionasse do mesmo modo que conseguiu contra o Spurs, engoliria o Thunder. E tá lá, engoliu.

Essa leitura acertada da série não esconde, no entanto, o fato de que errei miseravelmente na série entre Magic e Hawks - e nem impede legiões de leitores frustrados de me cobrar diariamente uma retratação lá no nosso formspring. Que o Magic iria perder a série quase ninguém imaginava, erro normal, mas eu não tive receio de dizer que a série seria uma vergonha, uma lavada histórica do Magic, e que ninguém deveria sequer se dar ao trabalho de assistir a um jogo dessa palhaçada. Funhé. Disse a mesma coisa nos playoffs passados, quando o Magic eliminou o Hawks pela maior margem média de pontos da história da NBA, mas dessa vez as coisas simplesmente não funcionaram como o esperado. No primeiro jogo, o Magic claramente perdeu por ter acionado demais Dwight Howard, algo que gera turnovers demais e tira completamente os arremessadores do jogo, porque o pivô não consegue passar a bola para o perímetro. O Magic arrumou isso, isolou menos o Dwight nos outros jogos, passou até a fazer mais pick-and-rolls, que estavam faltando, entre Dwight e Jameer Nelson. E, mesmo assim, foi eliminado em 6 jogos. Era de se imaginar então que o Hawks tivesse tido atuações espetaculares, um plano tático fantástico, tivesse tirado o Magic de sua zona de conforto e vencido a série na raça, na unha. Mas não. O Hawks continua uma merda.

A defesa de perímetro da equipe de Atlanta é boa, sem dúvida, mas a rotação defensiva é uma vergonha. Isso quer dizer que eles defendem mal o pick-and-roll e não conseguem parar os arremessos de equipes que giram bem a bola, algo que sempre foi característica dos arremessadores do Magic. O Hawks fez um bom trabalho defensivo, Josh Smith se sacrificou na série saindo do garrafão e marcando arremessadores (o que é certamente seu ponto fraco defensivamente), e mesmo assim o Magic conseguiu um trilhão de arremessos simples de três pontos de jogadores que saíam do corta-luz completamente livres - só que ninguém converteu. É verdade que o Magic insistiu demais em jogadores isolados criando arremessos no perímetro e não rodou a bola como estava acostumado, mas ainda assim é seguro dizer que o Magic não forçou muitos arremessos idiotas. Tentou na maior parte bons arremessos, com distância dos marcadores, de jogadores recebendo livres. Só que nada caiu.

Os números são completamente assustadores: o Magic, como time, acertou apenas 26% dos seus arremessos de 3 pontos. JJ Redick, o especialista da equipe e que em geral só arremessa em jogadas desenhadas para que ele saia livre, acertou 1 dos 15 arremessos de três pontos que tentou. Turkoglu, o jogador que mais arremessou de 3 pelo Magic na série, acertou 7 de suas 30 tentativas. Jameer Nelson acertou 6 em 26 arremessos. Jason Richardson, o jogador que mais converteu bolas de 3 pontos na última temporada, acertou 8 em 25 arremessos (além de estar mal na série, conseguiu a proeza de pisar em vidro em casa e jogar a última partida com trocentos pontos no pé). Sempre dissemos que o Magic vivia e morria nas bolas de 3 pontos, podia abrir uma vantagem repentina de 40 pontos de uma hora para a outra, e perder a mesma vantagem numa fase ruim durante o mesmo período. É um time com muitos altos e baixos, típico de quem aposta nas bolas de fora, mas quando chegaram numa final da NBA ninguém mais questionava a tática. Ficou bem claro que os momentos bons compensavam os ruins e que numa série de 7 jogos é difícil manter a seca nos arremessos por muito tempo. Mas foi o que aconteceu com o Magic, e eu sequer posso dar o mérito para o Hawks por isso. As bolas não caíram mesmo quando eram arremessos simples, bem desenhados. Se existem culpados, além do azar a que times construídos assim se sujeitam a enfrentar, é o psicológico da equipe completamente abalado depois das trocas quando nenhum jogador sabia exatamente qual era seu papel, quando devia arremessar ou passar para o lado, quando dar o passe a mais ou quando forçar o arremesso e assumir a responsabilidade. Ninguém soube definir as funções desse elenco e isso teve os piores resultados possíveis durante essa série.

O mérito do Hawks foi conseguir construir uma boa defesa de garrafão para incomodar o Dwight Howard. Jason Collins mostrou que tem físico e posicionamento para atrapalhar o jogo atlético do pivô, a defesa soube apertar o garrafão para roubar bolas do Dwight constantemente, e souberam jogar com força e intensidade inclusive na hora de cometer faltas e deixar o Howard cobrando lances livres a noite toda (e cortando o ritmo do resto da equipe do Magic). Mas assim que perceberam que o Dwight não iria ganhar sozinho, que o Magic era pior acionando demais o pivô, e que o perímetro do Magic estava catastrófico, o técnico Larry Drew tirou Jason Collins e nada de ruim aconteceu. Não foi punido por isso. Conseguiu usar formações mais baixas, dando mais minutos para Jamal Crawford, Kirk Hinrich e Marvin Williams sem sofrer o peso de não ter um pivô de verdade para defender Dwight. Ou seja, a única cartada do Hawks sequer precisou ser utilizada, porque o Magic não confia no seu pivô, não sabe procurá-lo quando ele conquista posicionamento, e não acertou bulhufas no perímetro. Foi um total e completo desastre. O próprio Dwight deu os parabéns para o Hawks por não ter se desmontado apenas para ir atrás de um pivô para pará-lo, como fez o Cavs (ou o Suns para tentar vencer o Spurs). Mas esses parabéns significam simplesmente que o Hawks não precisa se preocupar com o Dwight se o resto do Magic não fizer o que deveria, o time não fez, e o Hawks vai para a semi-final de conferência. Mesmo sendo o time mais fraco. Mesmo não tendo vencido a série taticamente. Mesmo sendo uma porcaria.

A defesa do Hawks é o ponto positivo, eles conseguem vencer alguns jogos bem feios, mas o ataque se baseia em jogadas de isolação e arremessos forçados. Não há uma presença física no garrafão que atraia a marcação, o Al Horford se sente mais confortável arremessando da cabeça do garrafão. O Jamal Crawford acertou 17 bolas de 3 pontos (quase metade do que o Magic acertou coletivamente) e não consigo lembrar de uma única bola dessas que tenha sido pensada, construída, conquistada. Mesmo o arremesso do Crawford que venceu o jogo 3 foi forçada, ridícula, improvável e bateu na tabela antes de entrar. Enquanto isso, o Magic podia levar o jogo 6 para a prorrogação com um arremesso bem construído de JJ Redick, deixado livre na jogada, mas que não entrou - lembremos de novo, ele só acertou um dos 15 que tentou! Jamal Crawford foi demais para a defesa do Magic, foi a única força no perímetro da equipe e manteve o ataque do Hawks funcionando apesar de não haver nada trabalhado ali. O Hawks é um time muito, muito, muito ruim quando está atrás no placar, algo típico de equipes que não conseguem pontos fáceis, que não possuem um jogador capaz de decidir com facilidade ou uma jogada de segurança. O Magic e suas bolas de 3 pontos aleatórias costumam criar vantagens do nada, e bastaria isso acontecer uma única vez para o Hawks desmontar e não conseguir recuperar o placar. Mas as bolas do Magic nunca caíram, e o Jamal Crawford e suas bolas improváveis mantiveram o Hawks ofensivamente no jogo evitando que ficassem atrás no marcador.

Por mais defeitos que eu encontre nesse Bulls, e por mais problemas que Derrick Rose tenha tipo ao enfrentar um bom defensor como Paul George na série contra o Pacers, creio que o Bulls ainda tem tudo para deixar bem explícito como o Hawks está nas semi-finais por cagada. O Hawks tem problemas em parar armadores rápidos, é o ponto mais fraco da defesa, e a defesa do Kirk Hinrich (que foi tão importante contra Jameer Nelson) não estará presente, porque o Capitão Kirk lesionou a coxa e pode ficar fora a série inteira contra o Bulls. Derrick Rose será contestado apenas no aro, onde poderá acionar seus companheiros e quebrar a defesa do Hawks. O grande jogador de garrafão do Atlanta gosta de ficar nos arremessos de média-distância como o Boozer, então até ele se sentirá mais à vontade na defesa quando voltar de sua lesão num dedo do pé. Jamal Crawford e suas bolas aleatórias agora serão contestadas por uma das melhores defesas de perímetro da NBA, com um jogador designado apenas para ficar no seu cangote. Eu sei que eu já disse isso da série contra o Magic, sei que eu já disse isso ano passado, nos playoffs passados, mas isso aqui vai ser um massacre. Daqueles de desistir da NBA e levar a namorada no cinema. Eu sei, o Crawford pode acertar bolas espíritas, as jogadas individuais do Hawks podem estar num bom dia, Al Horford pode encontrar espaço se o Boozer feder e o Noah não sair de perto do aro, e o Derrick Rose pode comprometer a equipe se forçar demais o ritmo de jogo e cometer muitos turnovers (algo pelo que o Hawks reza, já que eles não sabem pontuar de outro jeito). Mas nada disso deve acontecer se as leis da física estiverem em vigor. Minhas reclamações do Bulls são porque eu sou chato e detalhista, contra o Hawks o Bulls é um time perfeito, uma Alinne Moraes para o Hawks versão Playboy-da-Mara-Maravilha.

Por isso mesmo, o jogo que importa hoje é Lakers e Mavs. Esse sim será disputado - aliás, mais disputado do que muita gente está achando por aí. Fisher está aliviado porque só terá que marcar Jason Kidd, o grande ponto fraco da defesa do Lakers não será explorado, mas o armador vovô do Mavs está com a mão calibrada nos arremessos e isso pode complicar bastante a defesa do Lakers. Aliás, como o Lakers lidará com a marcação do Nowitzki será algo para estudo: ele se incomodaria muito com o Artest marcando colado, mas alguém do garrafão vai ter que sair para contestar os arremessos. Por alguém, quero dizer provavelmente o Gasol, que anda mal defensivamente - e isso tem tudo para abrir espaço para rebotes ofensivos caso os grandões do Mavs, como Tyson Chandler e Brendan Haywood joguem o que sabem. O Lakers mostrou na série contra o Hornets que é muito melhor quando coloca a bola no garrafão, então Chandler e Haywood vão ser os responsáveis por manter a série competitiva. O Mark Cuban não tevo medo de gastar toda sua grana pra trazer alguns pivôs capazes de incomodar o Lakers - sabe, aquilo que o Dwight criticou que algumas equipes fazem e se lascam. Se der certo, teremos uma série bacana. Esqueçam Hawks e Bulls, troço chato, o negócio é ficar de olho nos pivôs do Mavs e o que eles representam: uma possível série competitiva contra os atuais campeões.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Filtro Bola Presa - Um resumo semanal

Bango ganhou o prêmio de melhor mascote da temporada passada. Foi merecido!


O Filtro Bola Presa é uma coluna semanal que eu criei como teste no fim da temporada passada. Achei divertido de fazer e a maioria dos leitores pareceu gostar, então ela está de volta. Mas como ganhamos leitores novos durante os playoffs e a offfseason, é melhor explicar o que ela é: Nós não postamos sobre tudo o que acontece na NBA aqui, algumas coisas não passam pelo nosso filtro e não viram posts grandes e detalhados. Mas isso não quer dizer que as histórias que não viram post não são interessantes, então resolvemos criar um lugar só para comentar essas coisas menores. São alguns casos engraçados, estatísticas, histórias, notícias.  Alguma dúvida? Não importa, vamos começar.

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- Os últimos meses foram cheios de papo de dinheiro, contratos e mais dinheiro. Acha que acabou? Nada disso! Todos os jogadores que tem a chance estão se matando para conseguir uma extensão de contrato antes que apareçam novas regras no acordo entre NBA e jogadores na temporada que vem. A ameaça de greve e cortes de salário está aí, então é melhor não se arriscar. Nos últimos dias alguns jogadores assinaram suas extensões:

Tony Parker, 50 milhões por 4 anos - O Spurs preferiu pagar um pouco mais do que o francês realmente vale para não correr o risco de perdê-lo como Free Agent na próxima temporada. Eles precisam de Parker para aproveitar os últimos anos de Duncan e Ginobili na NBA. Mais um jogador que o Knicks paquera, paquera e toma bota.

Al Horford, 60 milhões por 5 anos - Sim, é muita grana. Por um lado entendo, agora que eles tem o Joe Johnson por lá durante mais 6 anos precisam garantir gente boa do lado dele, mas eles tem como bancar isso? Um dia depois do anúncio da extensão já estão pipocando boatos de que o Josh Smith pode ser trocado. Entre Josh Smith e Horford é difícil escolher, mas acho que o Hawks fez sua decisão. Jamal Crawford é o próximo a encher o saco da diretoria por um contrato novo.

Mike Conley, 45 milhões por 5 anos - Cof, cof!! Desculpa, vomitei no teclado. Sério?! Como disse o melhor comentário que li sobre o tema, "O Conley salvou as filhas do dono do time de um ônibus em chamas ou algo assim?". Tá bom que ele teve uma primeira semana de temporada fantástica, mas até um mês atrás eles estavam no mercado atrás de um armador novo. E eles não sabem que são um time dos que mais passam dificuldades financeiras e que precisam segurar, já no ano que vem, os Free Agents Marc Gasol e Zach Randolph? E o OJ Mayo daqui dois anos? E que acabaram de acertar um contrato Eike Batista com o Rudy Gay? Não se paga tanto dinheiro para o seu quinto melhor jogador.

Jared Dudley, 22 milhões por 5 anos - O Dudley é aquele jogador que consegue ser útil e importante mesmo sem ser espetacular em nada, simplesmente faz as coisas certas na hora certa e não inventa. Importante segurar um jogador assim e nem saiu tão caro para os padrões atuais. Bom negócio para o Suns e para o Dudley.


- O Shaq transformou, em pouquíssimo tempo, o time mais marrento da NBA no mais engraçado e divertido.  Isso mesmo que vocês leram, vou falar de Celtics e diversão na mesma frase. Não defesa, trash talk e faltas técnicas, diversão!

Tudo começou quando ele decidiu ir para a Harvard Square, na famosa faculdade de Harvard em Boston, para brincar de estátua. Shaq chegou lá, sentou num banco e passou uma hora parado, só olhando para frente enquanto uma multidão de pessoas tirava fotos em volta dele. O Shaq disse que fez isso por dois motivos, o primeiro era porque sempre havia admirado os famosos guardas ingleses que não demonstram nenhuma reação e queria testar a sua concentração fazendo o mesmo, e segundo porque queria poder dizer para os amigos que foi para Harvard. Morra de inveja do Jeremy Lin, Shaq.
Aqui tem uma matéria com vídeo sobre o Shaq de estátua.

E não foi só isso. Depois da estátua ele prometeu que no Halloween ele iria se vestir de mulher, uma personagem que ele chamou de Shaquita. E eis Shaquita cantando a segunda melhor música da Beyoncé, 'Sweet Dreams' (só perde pra 'Halo')



O Celtics entrou no clima e fizeram primeiro uma festa no vestiário, que foi gravada pelo Paul Pierce e postada no Twitter. Dá pra ver o vídeo aqui. E depois fizeram uma festa de Halloween que teve algumas fantasias bizarras, como o KG vestido de um troço laranja gigante, o Ray Allen de Michael Jackson, e uma fantasia GENIAL, o Rajon Rondo de Tiger Woods.


Nesse link do excelente Ball Don't Lie você consegue ver a fantasia do Ray Ray na primeira foto e o Marquis Daniels de padre na última. Irônico, eu sei.

- Só pra não dizer que tudo é festa no mundo verde, na semana passada o Delonte West deu um soco no companheiro de time Von Wafer. Pelo jeito algum repórter disse que um jogador, que ele não deu o nome, disse alguma coisa sobre o Delonte e ele diz ter certeza que foi o Wafer. Em um 3-contra-3 no treino o Delonte desceu o braço no Wafer, que, puto, saiu no meio do jogo. O que não adiantou nada, já que West foi atrás dele para brigar no vestiário. Lembra quando eu disse que achava o Delonte West perfeito para o meu Lakers? Deixa pra lá.

- Outro dia o Miami Herald contou com detalhes como aconteceu a renovação de contrato do Udonis Haslem com o Miami Heat. Pra gente, na época, só foi uma coletiva de imprensa anunciando que ele ficaria, nenhuma surpresa, mas por trás foi uma coisa corrida e meio doida.

A coletiva era pra anunciar que o Haslem não ia mais continuar no time, anunciar seu carinho, apoio e amizade ao Pat Riley e ao Dwyane Wade e então provavelmente aceitar uma proposta bem rica do Mavs ou Nuggets, que tinham 34 milhões de doletas na mesa para Haslem, enquanto o Heat não chegava perto disso depois que acertaram as idas de LeBron e Bosh. Haslem até cogitou continuar no time por um contrato mínimo de um ano, mas com muitos familiares para sustentar e em especial sua mãe, que está seriamente doente e vive no hospital há meses, decidiu ir atrás de mais dinheiro. Segundo ele até dava para aceitar menos dinheiro do que nos outros times, tudo para ficar mais perto da sua mãe, do time que o descobriu e de Wade, um de seus melhores amigos, mas negar 30 milhões de dólares era demais.

Então Haslem mandou uma mensagem de texto dizendo para Wade que "você sempre será meu irmão", se despedindo. Foi então que o armador do Heat decidiu fazer alguma coisa, ligou para Bosh e LeBron e perguntou algo que muita gente não imagina perguntar para outra pessoa sem tomar um soco na cara, "Vocês topariam cortar cada um 15 milhões do total dos seus salários para podermos manter o Haslem? Eu cortarei 17 do meu". Segundo o Wade os dois toparam sem questionar e mesmo só conhecendo o Haslem por dar oi e tchau a cada jogo contra o Heat.

Então Wade ligou para o agente de Haslem que interrompeu os preparativos da entrevista para conversar com seu cliente e Pat Riley. Em uma hora tudo mudou e a entrevista para anunciar a despedida de Haslem serviu para anunciar o novo contrato do ala com o Heat. Logo após a entrevista Haslem ligou para Bosh e LeBron para dizer que "vocês não vão se arrepender", e para Wade para dizer "I love you, Bro". Bromance total em Miami!

A história é meio piegas, eu sei, mas achei interessante para mostrar como o Miami Heat está lidando com o fato de ser o time mais odiado dos Estados Unidos. Já que todos odeiam eles, se apoiam um nos outros.


- Querem outra história bonita de amor? A população de Cleveland está se unindo para conseguir roupas para moradores de rua. Ou, para ser mais específico, está coletando camisetas do LeBron James e querendo mandar elas para os moradores de rua de Miami.

Um morador de Cleveland chamado Chris Jungjohan criou uma fundação chamada "Break up with LeBron", algo como "Terminando com o LeBron", num sentido de relacionamento amoroso mesmo. No site, poucas linhas que explicam o sentimento de boa parte da torcida:

"Querida Cleveland e região nordeste de Ohio, sentimos sua dor.
Entendemos o seu coração partido. E dessa vez foi diferente, foi um dos nossos nos dispensando em rede nacional. Nós merecemos mais do que isso. LeBron, o problema não é com a gente, é com você. Obrigado por ótimos sete anos. Mas acabou e estamos aqui para devolver suas coisas."


Em semanas o grupo conseguiu pelo menos 400 itens entre camisetas, tênis e outras roupas, e tentou mandar para Miami, mas o governo da cidade recusou o presente/piada. Dá pra entender, os moradores de rua precisam de toda ajuda que as pessoas puderem dar, mas serem usados para uma piada dessas já é demais. Li num lugar que o grupo agora estaria tentando vender as camisetas para então doar para os moradores de rua de Miami, mas não consegui confirmar ser era mesmo verdade.

- Viram as duas enterradas do Eric Gordon contra o Spurs ontem? Espetaculares! Splitter teve estréia discreta, Blake Griffin não estava inspirado, jogo fácil. Só as duas jogadas que valeram muito a pena. São as número 3 e 1 do Top 5 abaixo.




- Nunca apareceu nenhum boato que dissesse que o Marcin Gortat pudesse ir jogar no New York Knicks, mas na minha cabeça ociosa que pensa em NBA mais do que deveria, sempre achei que seria o lugar perfeito para ele jogar. Sairia da sombra do Dwight Howard, seria um bom parceiro para o Amar'e Stoudemire, é ótimo no pick-and-roll que o D'Antoni tanto ama. Como ele chegaria lá eu não sei, mas é um cara que o Knicks deveria correr atrás.

Até ontem. O glorioso Polish Hammer deu uma entrevista dizendo que Nova York "é uma cidade suja, horrivelmente suja". Tá, depois disso ele desembestou de elogios à Big Apple, mas o estrago estava feito. Agora é notícia em todo lugar e provavelmente ele é odiado por todo mundo que mora em NY. Os nova-iorquinos não só amam sua cidade como são motivos de piada nos EUA por acharem que não precisam viajar para outros lugares do mundo porque tudo acontece em Nova York. Boa, Gortat, sempre bom arruinar suas chances com outras equipes. Próximo passo é imitar o Bola Presa e fazer piada com os mórmons e Salt Lake City!

- Top 10 da primeira semana. O número 9 do Rudy Gay já vale por toda a lista.




8 ou 80
O cantinho das estatísticas desnecessárias

- O Raptors tem oficialmente o garrafão que mais se completa na NBA. O arroz e o feijão, Romário e Bebeto, Lindomar e Romerito, unha e carne, bacon e meu estômago. Depois de uma semana de NBA o Reggie Evans, o cara que não sabe jogar basquete, tem médias de 2,7 pontos e 16,3 rebotes. A Dedé Bargnani tem médias de 23,3 pontos por jogo e 3 rebotes. Se a ciência conseguisse juntar os dois em uma só pessoa seria alguém bem feio e um ótimo pivô negro de sotaque italiano.

- O blog Round Ball Mining Company, que trata só do Denver Nuggets, fez uma excelente análise estatística comparando Carmelo Anthony com Kobe, LeBron, Wade, Durant e Kevin Martin para saber porque o Melo não tem reconhecimento do mundo das estatísticas como um jogador tão eficiente como esses citados. O resultado ficou ótimo, vale uma lida. 

- Com os 40 pontos de ontem sobre o Blazers, o Luol Deng se tornou o quinto jogador de Duke da era Coach K a conseguir pelo menos 40 pontos em um jogo da NBA. Os outros foram Grant Hill, Elton Brand, Carlos Boozer e Gene Banks.

- Com os 30 pontos e 16 rebotes contra o Thunder no domingo, Paul Millsap se tornou o quarto jogador da história do Jazz a conseguir pelo menos 30 pontos e 15 rebotes num jogo. Karl Malone fez isso 69 vezes, Carlos Boozer 11 e Mehmet Okur uma vez.

- Com o triple-double que fez no dia de seu aniversário, Brandon Jennings se juntou a Elgin Baylor como os únicos jogadores da história a conseguirem um jogo de 50 pontos e um triple-double dentro dos seus primeiros 100 jogos de NBA.

- O Cavs desperdiçou uma liderança de 16 pontos no último período para perder para o Kings na última semana. Nas últimas duas temporadas completas o Cavs só havia perdido um jogo onde haviam liderado por mais de 15 pontos no quarto período, foi um jogo contra o Magic no qual o LeBron James não jogou.

- Mas nem tudo são más notícias numéricas para o Cavs. O Basketball-Reference, o site mais fodido em termos de números de basquete, fez previsões otimistas para o time do Varejão. Todos os anos eles fazem uma tonelada de previsões de números individuais para todos os jogadores. Aí eles juntam esses números e simulam num programa de computador toda a temporada. Mas não fazem isso uma vez, fazem 2.500 vezes! São diversas simulações usando essa previsões citadas, outras de plus/minus e outras contas mais complexas como o Win Shares.

O resultado final com a média de todas as simulações foi postado aqui. Pela previsão estatística deles, usando o complexo Win Shares (tem uma explicação sobre o termo aqui) o Heat vence o Leste e depois a final da NBA contra o Lakers. Mas para chegar até lá eles precisam vencer na segunda rodada dos playoffs o quarto melhor time do Leste, o Cavs! Bizarro, essa foi só pra perder a credibilidade. No Oeste o Lakers bate o Blazers na final de conferência.

- A combinação de pelo menos 11 assistências, 7 rebotes e 7 roubos de bola de Mike Conley no último jogo contra o Wolves só foi alcançada uma vez nas últimas duas temporadas, no ano passado pelo então novato Stephen Curry.

- Na surra que o Magic tomou do Heat na última sexta-feira eles conseguiram apenas 5 assistências no total! Nas últimas 30 temporadas de NBA só dois times conseguiram igualar um número tão baixo, o Clippers (claro!) contra o Bulls em 1999 e o Hawks contra o Knicks também em 1999.

- Na estréia de Kings e Wolves na temporada o time de Sacramento venceu por 1 ponto de diferença. Foi só a segunda vez na história da liga que houve uma vitória de apenas um ponto em um jogo onde os dois times faziam seu primeiro jogo na temporada.

- Na estréia de LeBron James como jogador do Heat ele deu 12 arremessos, enquanto seu companheiro Wade deu 20. Foi só o segundo jogo da carreira de LeBron em que um jogador do seu time deu pelo menos 8 arremessos a mais do que ele, o outro jogo foi o segundo da carreira de LeBron em 2003, quando ele arremessou 17 bolas e o Ricky Davis (irgh!) tentou 25.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Finalmente pivôs

"Sei que sou feio, mas pelo menos sou pivô, pessoal!"


Quando saiu a lista com os reservas para o All-Star Game, o nome de Al Horford como pivô do Leste foi o que causou mais indignação ao redor do mundo, incluindo greves de fome em todos os continentes, revoluções armadas, indícios de guerra nuclear e até uma ameaça da Tessália, do Big Brother, de não sair pelada na Playboy caso os técnicos da NBA não revejam a escolha. É claro que existem outras escolhas polêmicas na lista, jogadores que mereciam muito ter aparecido, e concordo plenamente com as escolhas e os comentários do Denis em sua análise dos reservas. Mas não consigo digerir o Al Horford indo para o jogo das estrelas quando, pela primeira vez em tanto tempo, temos pivôs de verdade disponíveis para a brincadeira.

Na última década, ainda antes do declínio do Shaquille O'Neal, vivemos uma época muito escassa em termos de pivô. Ter um jogador decente nessa posição era algo raro e que garantia enorme vantagem sobre os outros times. No entanto, como pouquíssimas equipes tinham qualquer pivô que prestasse, não ter ninguém na posição também não prejudicava muito ninguém. Foi assim que uma série de alas de força começaram a ser improvisados dentro do garrafão, numa reação em cadeia: se quase todos os times estão fazendo, e meu pivô é um bobão que não sabe nem amarrar os próprios cadarços, por que não faço também? Justamente por isso, todos os grandes pivôs que podemos citar nos últimos anos não são pivôs porcaria nenhuma, como o Duncan improvisado na posição até o Spurs desistir de procurar um pivô, o Amar'e Stoudemire dominando o garrafão do jogo de anões velozes do técnico Mike D'Antoni, ou o Chris Bosh rezando todos os dias para poder voltar a ser ala em algum dia de sua vida. É tanto improviso que até esquecemos como são os pivôs de verdade, o que eles fazem debaixo da cesta, como se alimentam e como procriam. O cara-de-nada conhecido como Tim Duncan é um dos melhores alas de força de todos os tempos (e ele nem sorri frente a essa constatação), mas colocá-lo na lista dos melhores pivôs da história é apenas um problema dos nosso tempos. Pergunte ao Duncan e ele vai te dizer que não é nem nunca foi um pivô de verdade, e depois disso vai dar um bocejo e ir tirar um cochilo.

Por causa da falta de jogadores na posição, o draft dos últimos 10 anos tem sido uma corrida desesperada para conseguir o carinha mais alto que não seja um monte de carne desforme e imprestável. Em 2001, as quatro primeiras escolhas foram Kwame Brown, Tyson Chandler, Pau Gasol e Eddy Curry (com o Desagana Diop não muito depois, em oitavo). Yao Ming foi a fácil primeira escolha em 2000, Darko Milicic foi escolhido na segunda posição antes de Carmelo Anthony (todo mundo sabe quão imbecil foi essa escolha) e seguido por Bosh e Chris Kaman em 2003, Dwight Howard e Okafor foram as primeiras escolhas de 2004 (e a porcaria do nosso brazuca Baby foi a oitava escolha, pra gente ver como qualquer merda comprida estava valendo), Andrew Bogut foi a primeira escolha de 2005, o lixo do Patrick O'Bryant (que nunca chegou a ter minutos de quadra na NBA) foi escolhido entre os dez primeiros em 2006, Greg Oden foi o primeiro draftado de 2007 (imagina só se o Blazers tivesse o Durant, que já é All-Star, ao invés do gigante de vidro), Brook Lopez estava entre os dez primeiros em 2008 e em 2009 tivemos a porcaria do Hasheem Thabeet sendo draftado com a segunda escolha. Isso sem falar na quantidade absurda de gigantes de todas as partes do mundo que foram draftados mas nunca chegaram a jogar na NBA ou simplesmente desapareceram antes de conseguir colecionar dez minutos de jogo na carreira.

A falta de pivôs fez com que o All-Star game tivesse umas aberrações, tipo o Brad Miller reserva em uma temporada medíocre ou o Ilgauskas ir duas vezes para o All-Star Game porque não tem ninguém melhorzinho. Era sempre um monte de estrelas e um pivô mais ou menos para dar número, tipo aquele moleque gordo que só é escolhido no futebol porque precisa ter um segundo goleiro. A solução para essa situação constrangedora foi ir aos poucos liberando alas de força para sempre escolhidos como pivôs, permitindo que Duncan e Amaré, por exemplo, pudessem fazer carreira nessa posição em All-Stars. Mas cedo ou tarde aquela caralhada de pivôs draftados na última década ia acabar rendendo alguém decente. Yao Ming é titular todo ano mesmo se não jogar, Dwight Howard ganhou seus votos na força e no carisma, mesmo que eu bata bastante na tecla de que ele nunca evolui seu jogo, mas o resto dos gigantes não poderia ser de todo ruim. Pivô é uma baita posição ingrata, não apenas porque é mais física e portanto está sempre sofrendo nas mãos da arbitragem inconsistente e das constantes alterações de leitura das regras que abrem o garrafão, mas também porque leva um tempão para se acostumar com os rigores da NBA e as mudanças táticas necessárias. Armadores costumam demorar para pegar o jeito, mas pivôs tendem a demorar ainda mais (em geral, a maioria leva a vida inteira pra pegar o jeito e mesmo assim não consegue bulhufas).

Nesse ano finalmente vemos os pivôs maduros de verdade. Muitos davam sinais de talento, dava pra ter esperança, mas foi só nessa temporada que pudemos ter certeza de que vários deles são pra valer. Chris Kaman está conseguindo aos poucos manter sua saúde afastada da maldição do Clippers e está ganhando jogos sozinho com médias 2o pontos, 9 rebotes, 2 assistências e 1 toco por jogo. Andrew Bogut mostrou que é o novo pilar da equipe, que segura as pontas até o Brendon Jennings dominar a armação e ganhar uns pelos na cara, e está com médias de 16 pontos, 10 rebotes, 2 assistências e mais de 2 tocos por partida. Brook Lopez é o grande ponto positivo da campanha terrível do Nets, provando que ele pode dominar jogos no garrafão, com médias de 19 pontos, 9 rebotes, 2 assistências, 2 tocos e acertando quase 83% dos seus lances livres, digno de Yao Ming. Andrew Bynum mostra cada vez mais consistência no Lakers, com médias de quase 16 pontos, 8 rebotes e 1 toco e meio por partida, segurando as pontas na contusão do Gasol. E até o irmão gêmeo do Brook Lopez, o cabeludo Robin Lopez (que, insisto, é secundário até no nome de ajudante!), está se saindo melhor do que a encomenda, defende melhor do que o irmão, tem um talento ofensivo escondido na manga (ou no cabelo), e na miúda roubou a vaga de pivô titular do Suns, tendo desde então médias de 13 pontos, 6 rebotes, 1 toco, e tudo em minutos limitados por partida.

E como é que a NBA premia essa safra de pivôs que finalmente apareceu depois de uma década esperando esses draftados mostrarem talento? Fácil: mantendo alas de força elegíveis como pivôs. É por isso que todos os pivôs citados acima ficarão de fora do All-Star Game enquanto alas de força improvisados, como Al Horford e Pau Gasol, estarão na partida. Seria legal ver o David Lee na partida? Seria, ele tá tendo uma temporada absurda, mas ele é mais um ala improvisado (oitocentas vezes melhor do que o Al Horford, pelo menos). O caso do Gasol é ainda pior porque faz um bom tempo que ele não joga de pivô improvisado no Lakers, mais motivo ainda para até o Bynum ter mais direito de comparecer do que ele. O que me tranquiliza nessa bagunça toda é que será difícil manter essa safra de pivôs fora do All-Star Game por muito tempo. Esqueçam Dwight Howard, pra mim Brook Lopez é fácil o melhor pivô da NBA no momento, e olha que eu assisti mais jogos do Nets na temporada do que qualquer ser humano com bom senso deveria experimentar. Ele tem velocidade, recursos, repertório, arremesso, lance livre, sangue frio e é um excelente defensor homem-a-homem. No Oeste, o cargo de melhor pivô é do Kaman, que é inclusive melhor e mais versátil do que o Amar'e (que anda se negando a pegar rebotes, vai entender) mesmo pra quem considera o jogador do Suns um pivô de verdade. Sem esquecer do Bogut, que rapidinho vai ser estrela conforme mais e mais gente assistir a jogos do Bucks querendo espiar o Jennings. O talento deles é grande demais e os times não devem feder por muito tempo, o Nets tem um núcleo jovem que vai fazer barulho se eles não caírem em depressão nessa temporada e não vai dar mais pra usar a desculpa de que "o time fede então o cara não pode ser All-Star". Ou seja, em um ou dois anos vamos ver um monte de pivôs de verdade sentados no banco de reservas do All-Star Game. E continuando sentados lá durante o jogo porque ninguém quer ver esses grandalhões sem graça numa partida que deveria ser divertida. Ué, do que é que eu estava reclamando mesmo?

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Os meus reservas

- oi eu sou um allstar....rs

Na última quinta-feira à noite finalmente foram divulgados os reservas para o All-Star Game. E se ontem pitacamos (existe o verbo pitacar, do latim, pitacus?) sobre as escolhas para o jogo dos novatos, hoje é dia de comentar os escolhidos para o principal evento do fim de semana, o jogo das estrelas no domingo à noite.

Os escolhidos oficiais foram:
Leste: Derrick Rose (Bulls), Rajon Rondo (Celtics), Paul Pierce (Celtics), Joe Johnson (Hawks), Gerald Wallace (Bobcats), Chris Bosh (Raptors) e Al Horford (Hawks)

Oeste: Chris Paul (Hornets), Deron Williams (Jazz), Brandon Roy (Blazers), Kevin Durant (Thunder), Dirk Nowitzki (Mavericks), Zach Randolph (Grizzlies) e Pau Gasol (Lakers)

A coisa mais difícil na hora de escolher os reservas é que cada um usa um critério diferente. Tem gente que acha que não se deve escolher jogador de time que está perdendo, outros acham que deve-se votar em quem dá show, outros que deve-se levar em consideração também a história do jogador e não só essa primeira metade da temporada. Se com critérios iguais já teríamos horas e horas de discussões, imagina quando não se concorda nem no que levar em consideração antes dos votos!

Pra mim a coisa é bem simples. Os titulares premiam o gosto (duvidoso) dos torcedores. Cada um vota em quem dá na telha, com os seus critérios, e eles vão lá jogar. Até por isso o Iverson, mesmo não sendo nem o terceiro melhor jogador do seu time, deveria ir jogar sem pedir desculpa pra ninguém. O público quer ver ele jogar, gastou tempo da sua vida indo lá votar pra ele ir, então que ele jogue e pronto.

Já os reservas são votos dos técnicos e aqui me coloco no lugar deles pra escolher os meus. Meus critérios são os seguintes: sendo um evento que acontece uma vez por temporada, deve premiar os melhores da temporada, ignorando a história que cada um tem dentro da NBA. A vaga no jogo das estrelas é um prêmio individual que premia a atuação de um jogador, não do seu time, para isso já existe aquela coisa chamada "playoff", então não acho certo tirar caras como o Brook Lopez ou o Monta Ellis da discussão só porque seus times fedem bem fedido. Considero, porém, o resultado do time, o fato do cara jogar bonito e até a história do jogador critérios justos de desempate, quando você fica preso entre dois jogadores e uma vaga.

Sendo assim e lembrando que deve-se escolher dois armadores, dois alas, um pivô e dois jogadores de qualquer posição, esses são meus votos:

Leste
Armadores: Rajon Rondo e Joe Johnson
Deixa eu aproveitar esse espaço pra babar ovo no Rondo. Ele é o melhor armador do Leste, o cara que está carregando o Celtics nas costas até agora na temporada, tem meu voto para entrar no time de defesa da NBA, é o melhor armador em rebotes desde os tempos áureos do Jason Kidd e vai ser um dos grandes armadores da próxima década. Ele também é bonito, sarado e cheira melhor do que pizza.

Pelo Joe Johnson eu não estou tão apaixonado assim, mas discreto como sempre, tem sido um dos melhores jogadores do Leste. Ele sempre joga mal no All-Star Game mas a vaga é dele, nem precisa pensar duas vezes.

Alas: Gerald Wallace e Chris Bosh
O Gerald Wallace está jogando demais nessa temporada, não fosse aquele número 23 do Cavs que eu esqueci o nome ele poderia até ser titular. Com seu jeito insano de pular com tudo a 100 por hora para um toco quando o seu time já está vencendo por 20, ele é o cara ideal para jogar para o Larry Brown e, assim como o Rondo, tem o meu voto para a seleção de defesa da temporada. Também será legal vê-lo pelas suas enterradas e pelo fator histórico, ele é o único Bobcat remanescente da primeira temporada da equipe e ontem se tornou o primeiro All-Star da história da franquia.

O Chris Bosh deveria estar no time titular ao invés do Garnett, que perdeu grande parte da temporada machucado. Mas tudo bem, fica na reserva mesmo. Ele tem seus defeitos, não acho que ele nunca vai ser tão bom quanto o KG era em seus melhores dias, mas isso não faz dele um jogador ruim, longe disso. Com aquela velocidade toda ele é um dos alas de força mais difíceis de parar no 1-contra-1.

Pivô: David Lee
Aqui é um voto difícil. Brook Lopez e Andrew Bogut são pivôs muito bons e até mereciam votos, mas eu acho que os dois são ainda muito irregulares, o que me faz pensar duas vezes. E aí tem o David Lee, que tem na regularidade seu maior trunfo nos últimos 3 anos, além de sempre melhorar alguns aspectos do seu jogo. O Lee não é um pivô nato mas joga assim no Knicks e joga bem mesmo quando enfrenta caras muito mais fortes do que ele. Entre Lopez, Bogut e Lee, apenas uma certeza absoluta: não votaria no Al Horford.

Os outros 2: Josh Smith e Derrick Rose
O Josh Smith foi uma escolha fácil. Amadureceu seu jogo em relação às temporadas passadas e hoje consegue ser um bom defensor, atlético, mestre em tocos e sem estragar tudo forçando arremessos de longa distância no ataque. Assumiu seu papel na equipe e tem sido bastante regular, escolha fácil. Quero ver como o Al Horford vai ter coragem de olhar pra cara do J-Smoove depois dessa inversão de valores no Hawks, se o time tem dois all-stars eles são Joe Johnson e Josh Smith. Só.

Os técnicos escolheram o Paul Pierce, eu quase escolhi o Andre Iguodala mas acho que a melhor escolha é mesmo o Derrick Rose. Tanto ele quando Iggy já tiveram momentos bons e outros nem tanto na temporada mas o bom momento do Rose impressionou mais. Aos poucos ele tem achado a medida certa entre armar para os outros jogadores da equipe e saber quando ele mesmo deve chamar o jogo para marcar seus pontos.



Oeste
Armadores: Chris Paul e Deron Williams
Precisa realmente explicar a escolha do Chris Paul? Já não basta ele estar mantendo os números e a qualidade das duas últimas temporadas, quando ele foi candidato sério ao prêmio de MVP? Pra completar ele ainda finalmente conseguiu colocar o Hornets na zona de playoff mesmo com o resto do time sendo um lixo e a diretoria tentando trocar todo mundo por escolhas de draft de 2020 para economizar uns trocados. Votar no Chris Paul para o All-Star é tão óbvio quanto votar na Alinne Moraes para as 100+ da VIP.

Dá pra acreditar que o Chris Paul vai para o seu terceiro All-Star e o Deron Williams ainda não tinha ido pra nenhum? Muito esquisito, mas erro corrigido. Deron foi o único ponto positivo do Jazz durante um grande período de tempo em que o Jazz era um time apático e lento, e agora que eles resolveram acordar e estão jogando o melhor basquete do Oeste ao lado do Nuggets ele continua sendo o melhor da equipe. Em uma entrevista divulgada hoje pela revista Dime, o novato Jonny Flynn elegeu o Deron Williams como o armador mais difícil de se marcar na NBA. "Ele é muito alto, é forte, dribla e sabe arremessar de longe". Bem-vindo à NBA, Jonny.

Alas: Kevin Durant e Dirk Nowitzki
Pra falar a verdade esses foram os meus votos no site para os titulares. Se meus votos tivessem feito a diferença eu estaria aqui votando em Duncan e Carmelo como reservas, então tá tudo certo.

O Durant tá jogando tão bem, mas tão bem, que ele foi a escolha de All-Star mais mal colocada na tabela que eu já vi nos últimos anos. Os técnicos levam bem a sério essa história de chamar caras de times vencedores e mesmo assim escolheram o Durant com o seu Oklahoma City Thunder em 11º no Oeste. Claro que deve ter ajudado o fato do Oeste ser tão difícil que o Thunder, apesar da colocação, está com 53% de aproveitamento, mas mesmo assim é uma baita conquista do KD. E bastante merecida. Ele tá jogando muito, fazendo muitos pontos e ainda é um pirralho, o puto nasceu em 88!

O Nowitzki é o Nowitzki. Sempre bom, sempre fazendo muitos pontos, sempre abusando de qualquer marcador, alto ou baixo, que tente marcá-lo, e sempre acertando aqueles arremessos impossíveis. Só precisa tomar cuidado para o arco do seu arremesso não bater no telão do estádio do Dallas Cowboys onde será feito o All-Star Game.

Pivô: Chris Kaman
A NBA sacaneou todos os pivôs do Oeste nessa temporada. Antes de começar a temporada todo mundo queria saber quem ia herdar a vaga deixada por Shaq e Yao, cogitou-se Al Jefferson, Chris Kaman e Andrew Bynum. Aí vão lá e colocam o ala Amar'e Stoudemire na lista de votos como pivô e ele ganha fácil. Aí na hora dos técnicos votarem eles liberam o Pau Gasol, que é ala de força no Lakers, para ser votado como pivô. Ganhou também.

Entre Gasol e Kaman eu acho o espanhol muito mais jogador, mas o fato é que nessa temporada ele não tem jogado nessa posição. O David Lee não é um pivô nato mas pelo menos joga por lá, o Gasol poderia jogar, mas não joga. Pela sacanagem e pelo talento incrível do Kaman, meu voto é nele.

Os outros 2: Zach Randolph e Tyreke Evans
Fiquei numa dúvida cruel entre Pau Gasol e Zach Randolph, é difícil apontar qualquer defeito na temporada dos dois, mas acho que o gordinho merece mais. Se na qualidade ficou difícil de escolher, tinha que apelar para outros motivos. O Gasol já jogou outros jogos das estrelas, já é campeão e vai disputar outro título nesse ano, é um cara consagrado. O Randolph conseguiu finalmente sair, com méritos, da sua fama de gordo preguiçoso, de talento desperdiçado, para ser o principal motivo do Grizzlies estar indo para os playoffs. Quem diria que o Grizzlies poderia estar na frente de Suns, Hornets, Rockets e Thunder?

Randolph é o líder da NBA em rebotes ofensivos e joga com uma vontade e determinação que eu nunca tinha visto antes nele. Outro dia o Grizzlies venceu um jogo apertado porque o Randolph defendeu bem, depois pegou um rebote ofensivo na raça e deu um passe picado lindo para o Rudy Gay. Defesa, vontade e toque de bola em menos de 2 minutos, esse é o novo Zach Randolph com seus Monstars Reverso. Merece muito uma vaga!

Por fim minha última escolha é o novato Tyreke Evans. Não seria nenhum crime ou injustiça tirar ele e no lugar colocar Brandon Roy, Monta Ellis ou Chauncey Billups, mas são poucas vagas pra muito jogador bom e de todos quem tem feito a melhor temporada é o novato. Quer dizer, será que ele é um novato mesmo? O cara sabe perfeitamente quando deve chamar o jogo pra ele, quando deve passar para os companheiros, ele é um líder dentro de quadra e todo mundo o respeita, ele sabe infiltrar, arremessar de meia distância e de longe, nunca se afoba, joga bem na posição 1 com o Kevin Martin do lado (esse tem jogado mal!) ou na posição 2 com o Beno Udrih armando. Acerta arremessos em momentos decisivos dos jogos e o Paul Westphal, técnico do Kings, disse que acha seu pupilo desde já um dos melhores marcadores de perímetro da NBA.

Como é possível um moleque fazer tudo isso nos seus primeiros meses de NBA? Deve ser gato! Tem alguma maracutaia que a gente ainda não percebeu! Ele é o time sub-20 com 30 anos de Gana.

Um exemplo claro de novato é o Jonny Flynn. Talentoso pra caramba mas tem dias que faz 20 e outros que faz 5 pontos. Parece às vezes muito confiante e depois bastante inseguro. Confessou na entrevista que eu citei antes para a Dime que ficou meio nervoso quando viu pela primeira vez seu ídolo Allen Iverson e contou em outra ocasião que quando enfrentava o Lakers tentou dar um passe picado e o Artest roubou a bola só esticando a mão. Flynn saiu rindo da jogada e disse depois para seus companheiros que nunca na vida dele imaginou que alguém seria capaz de alcançar aquela bola, muito menos de agarrar ela e sair com a redonda dominada. Esse é o tipo de aprendizado básico de um novato que o Tyreke Evans parece ter pulado como se fosse aquela baba de primeira fase do Super Mario do SNES.

Esses foram os meus votos, se o Danilo tiver um tempo aparece por aqui colocando as escolhas dele. Pitaquem (o verbo tem que existir!) na caixa de comentários!

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Tente outra vez

Greg Oden mostra sua famosa técnica de se contundir no joelho


Quando vimos Greg Oden ser draftado aos 19 anos, sabíamos pelas rugas em seu rosto que ele na verdade tinha uns 82 anos e iria se aposentar em breve. Se ele durasse alguns anos, seria o bastante para o time forrado de pirralhos do Blazers amadurecer um pouco e tentar ganhar um ou dois anéis de campeão. Nem seria necessário ele ser um grande jogador, bastaria que ele quebrasse um bom galho, principalmente defensivamente, e ele já seria capaz de se aposentar tendo feito parte de um time memorável, de garotos que se tornaram homens, um processo de renovação que levou o Blazers do fedor completo à real disputa por um título.

O que ninguém esperava é que, na verdade, o Oden fosse o "Jimmy Bolha". O mundo aqui fora é muito perigoso para ele, que precisa permanecer toda sua vida fechado dentro de uma bolha para tentar se manter saudável. No mundo exterior ele tem poucas chances de sobreviver, só se ferra - e atravessa o país causando um monte de confusões.

O histórico de lesões do Oden comprova essa teoria. No seu único ano de basquete universitário, jogou o tempo inteiro com uma lesão na mão direita que o obrigava a arremessar lances livres com a canhota. Muita gente achou que isso foi benéfico para o próprio Oden, porque mostrou como ele era capaz de jogar muitíssimo bem ainda que lesionado, além de fazer propaganda do seu talento com as duas mãos. Mas após ser draftado com a primeira escolha do draft, Greg Oden contundiu o joelho ao tentar (olha que bizarro!) levantar do seu sofá, ainda em casa. Tem gente que jura de pé junto que ele na verdade se machucou dançando "Dance Dance Revolution" num daqueles tapetes de dança, o que eu prefiro acreditar porque é menos ridículo do que se arrebentar saindo do sofá, parece coisa do Eddy Curry, que corre o risco de romper um tendão tentando ir ao banheiro depois de tantos anos comendo lasanha na cama.

A cirurgia para reparar o joelho tirou o Oden de toda a sua temporada de novato, mas muita gente também achou que no fundo foi uma coisa boa: o time aprendeu a jogar sem ele, amadureceu bastante, conseguiu ser levado a sério, e passou a esperar o Oden numa boa, que assim conseguiu voltar com menos pressão e tendo que jogar menos minutos. A situação também mostrou o caráter do jovem pivô, que pediu desculpas às lagrimas para seu técnico e para o dono do Blazers por deixar o time na mão antes sequer de poder entrar em quadra. Satisfeitos com a mostra de dedicação do rapaz, confiaram plenamente que ele voltaria com toda vontade possível.

E voltou. Mas perdeu 20 jogos na sua temporada de estreia com mais uma lesão no joelho. Ao invés de questionarem se o produto era paraguaio, no entanto, passaram a se preocupar com o excesso de faltas cometidas quando ele de fato estava em quadra. Toda vez que um chinês vota no Yao Ming para o All-Star, o Greg Oden comete uma falta - o que significa que ele acaba passando a maior parte do seu tempo no banco de reservas. Se analizássemos a carreira do Oden num daqueles gráficos pizza, O Eddy Curry comeria esse gráfico, mas antes disso perceberíamos que o Oden passou a maior parte do tempo contundido e a outra maior parte no banco por excesso de faltas. A menor fatia da pizza, que não daria nem pra encher o buraquinho do dente, representaria o tempo que ele jogou basquete pra valer - minutos raros mas que mostram, realmente, que o talento do Oden é real. Quando está em jogo e não acerta ninguém com uma cotovelada acidental, desiquilibra o jogo defensivamente. No ataque, é habilidoso com as duas mãos e finaliza com força no garrafão.

Foi assim que, para a temporada de agora, todo mundo ficou esperando que ele aprendesse a cometer menos faltas, não que fosse mais saudável. A lesão na mão ajudou sua ambidestria, a lesão no joelho ajudou o time a amadurecer, a segunda lesão no joelho lhe deu tempo para se acostumar melhor com os critérios de falta da NBA. Quando se trata do Greg Oden, parece que se cair um piano na cabeça dele vão dizer que foi bom para melhorar seu ouvido musical. Uma hora alguém vai acabar percebendo que ele não precisa de um bom treinador, precisa é de um bom plano de saúde (e de um creminho anti-rugas, vai).

Nessa temporada, fiquei bem confuso a respeito de seu amadurecimento defensivo. Em algumas partidas, mostrou ter sacado direitinho que na NBA é mais importante atrapalhar o arremesso do que gerar contato de verdade, principalmente quando se é um novato e todos os juízes do planeta vão preferir marcar uma falta em você quando o Kobe se aproxima de um raio de dois quilômetros de uma cesta. Contra o Houston, por exemplo, vi o Oden dominar o garrafão defensivo e obrigar a equipe inteira a ficar arremessando de três, como se todo mundo do Rockets fosse o Rasheed Wallace e tivesse fobia de chegar perto do aro. Mas em outros jogos, vi o Oden parecer o mesmo fedelho afoito de sempre, indo atrás do toco, do contato, todo estabanado e ingênuo, com cara de quem acreditaria que o filho da Mari Alexandre é dele mesmo. As atuações foram bem mistas, sem um critério que pudesse indicar evolução. Ofensivamente, no entanto, pude notar uma melhora constante, uma noção cada vez melhor de posicionamento. O problema é que, como qualquer ser humano mamífero e bípede, ele depende um tanto de ritmo: quando consegue passar vários minutos em quadra, vai participando do ataque e produz mais e mais, mas quando sai de quadra rapidamente por cometer faltas em excesso, não consegue acertar arremessos nem que a vaca tussa.

Mas não deu pra acompanhar essa saga do Greg Oden aprendendo a não matar os jogadores adversários de porrada por muito tempo, afinal ele está fora de sua bolha e portanto fadado a virar farofa. Contra o Houston (parece que eles já se enfrentaram umas oito vezes nessa temporada, já enjoei de ver o Blazers jogar), o Oden se contundiu mais uma vez. Em notícia igualmente chocante, a Vivi Fernandes não é virgem.



Como dá pra ver no vídeo, o contato com o Aaron Brooks foi mínimo. Já vi mais contato físico do que isso em partida de tênis, quando duas tenistas trocam beijinhos depois da partida. Mas a queda desiquilibrada do Oden foi o bastante para o joelho virar poeira outra vez, ele ter que apelar para a faca de novo, e perder essa temporada inteira. É a terceira lesão nos joelhos em três anos, e a segunda vez que ele perde a temporada toda. No maior esquema "tente outra vez", é bem claro que ele vai tentar dar uma de Ronaldo e voltar mais uma vez, e mais uma vez, e mais uma vez, até que perceba que não precisa se esforçar tanto e se contente em jogar bem gordo. Novamente chorando, Greg Oden pediu perdão para seu técnico e até para Brandon Roy, quando foi visitado pela estrela do Blazers. A reação de todo mundo é a mesma: essas coisas acontecem, não tem como prever, e portanto não faz sentido se desculpar. O Oden é um cara legal, preocupado, esforçado, suou as pitangas para recuperar a forma física nas últimas férias, e vai fazer tudo de novo. A torcida reconhece o esforço e sabe que essas coisas são aleatórias, simples acaso. Com ele ainda no chão, esperando a chegada da maca, os torcedores que lotavam o ginásio de Portland começaram a gritar seu nome.

É bom saber que os engravatados, os jogadores, os torcedores, seus técnicos, todo mundo apoia o garoto, admira sua dedicação e esforço, sua vontade de estar saudável, e entende que basta estar vivo para que merdas aconteçam. Mas quanto tempo mais esse Blazers pode se dar ao luxo de ficar dependendo de sorte ou azar? O elenco montado é simplesmente profundo e talentoso demais, e nessa temporada já foi bastante complicado tentar arrumar minutos - e dinheiro - para todo mundo. O jovem Jarryd Bayless, por exemplo, acabou perdendo na disputa do palitinho e terminou no final do banco da equipe, jogando apenas os minutos finais dos jogos já decididos. Rudy Fernandez já reclamou de seu papel na equipe publicamente, assim como o Travis Outlaw, que sempre quer arremessar mais. Martell Webster acabou de voltar de contusão e recuperou seu espaço no time. Andre Miller veio do Sixers querendo ser titular, e de tanto chorar até conseguiu a vaga e um pirulito de groselha, mas a alegria não durou muito e ele já voltou pro banco. O que veremos, em breve, é essa quantidade surreal de talento exigindo mais tempo de quadra, mais arremessos, vaga de titular, e contratos maiores e mais gordos. A reconstrução do Blazers foi excelente, exemplo pra qualquer time do planeta, mas o número de anos que dá pra segurar todo mundo junto é limitado. Quando a equipe dá sinais de que vai crescer e brigar com os grandes, é preciso uma subida vertiginosa que prove para todos que se trata de um projeto de verdade, com chances de título, e que merece que todo mundo se mantenha modesto com relação a minutos e a dinheiro, senão todo mundo foge achando que vai ser valorizado e receber a atenção que merece num time "de verdade". Ou seja, basta as coisas darem errado um par de vezes e os descontentes vão debandar em busca de contratos melhores em outros lugares. Não dá pra segurar muita gente muito barata por muito tempo.

Essa temporada já foi pelo ralo. A não ser que o pó de pirlimpimpim do Houston Rockets seja emprestado para o Blazers, a equipe de Portland não vai conseguir sobreviver sem o Greg Oden, sem o Nick Batum (que fez uma cirurgia no ombro no começo da temporada) e sem o Travis Outlaw (que acabou de quebrar o pé), todos peças fundamentais da equipe. O negócio por lá anda tão ruim que até o técnico Nate McMillan rompeu um tendão num treino e vai pra mesa de cirurgia, tudo enquanto o dono da equipe luta contra o câncer. Novela mexicana das boas.

O Blazers virou rapidamente o segundo time de todo mundo, a pirralhada que qualquer um gosta de acompanhar ganhando barba na cara e chutando os traseiros dos times grandes. Mas é possível que, em breve, eles passem do ponto e comecem a desmanchar se não houver uma evolução clara no elenco e as peças fundamentais não ficarem saudáveis. O Greg Oden é um cara bacana, seria legal de ir tomar um café, ele se esforça pra burro e quando está em quadra é exatamente do que o time precisa, mas já estamos chegando no momento de olhar arrependido para o draft e pensar que, com outro jogador escolhido em seu lugar, esse Blazers já estaria chegando mais longe e aproveitando, enquanto é tempo, essa quantidade enorme de jogadores jovens e baratos. Imaginem só como seria esse time com o Brandon Roy armando para o Kevin Durant, por exemplo. Mas se o negócio for continuar apostando no garrafão, até uns jogadores mais secundários estariam fazendo um belo de um estrago: que tal Al Horford garantindo os rebotes, ou Joakim Noah dando uma força na defesa? Todos eles seriam melhores do que ver o Greg Oden fazendo um estrago no próprio joelho, né?

O Blazers começa a entrar numa corrida contra o tempo, e talvez não valha a pena contar com o Oden. Será que dá pra ganhar qualquer coisa com o Przybilla no garrafão? Em algum lugar, o Greg Oden deve estar nesse momento pedindo desculpas, que são inteiramente aceitas. Mas e daqui há 10 anos, será ele o novo Sam Bowie (o cara draftado antes do Jordan que sumiu pelo excesso de lesões)? Ou o novo Yao Ming (que dominou enquanto os osso deixaram)? Infelizmente, parece que suas lesões não permitirão que ele dure muito tempo - exatamente como a idade no seu rosto indicava. Uma carreira curta, como a vida útil desse Blazers que vemos hoje.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Bola Presa: quem deve ser o Calouro do Ano?

Na coluna Bola Presa, cada um puxa prum lado!

Magricela e o jogador com mais cara de bebê desde o Jermaine O'Neal


Com o final da temporada regular se aproximando mais e mais, é hora da gente aqui dar nosso palpite sobre os ganhadores dos tradicionais prêmios da NBA. Como nossas opiniões nem sempre batem, é a ocasião perfeita de apresentarmos nossos favoritos para levar os prêmios aqui na coluna Bola Presa, em que cada um argumenta tentando vender seu peixe. Para começar, vamos responder à pergunta: quem será o Calouro do Ano dessa vez? E você também pode puxar para qualquer lado, basta deixar o seu comentário. Nos próximos dias, palpitaremos sobre os demais prêmios, como Melhor Jogador de Defesa, Sexto Homem, Jogador que Mais Evoluiu e então, para finalizar, o polêmico prêmio de MVP. Afinal, palpite é de graça!

Como diria aquele famoso filósofo, "tem dia que dá tudo errado", e o Bola Presa tem ficado sem posts alguns dias. Para compensar, preparem-se para uma infinidade de colunas Bola Presa, novidades no visual e a melhor cobertura dos playoffs de todo o Universo conhecido, com dúzias de posts diários e comentários ao vivo. Preparem-se! Enquanto isso, vamos adoçando a boca com os novatos. Divirtam-se!

ROY - Kevin Durant
por Denis

Por boa parte da temporada, eu fiquei com um pé atrás sobre Kevin Durant. Assistia jogos e mais jogos dele e nada daquela atuação impressionante, sempre bom mas nunca fora do normal. A primeira vez em que ele jogou muito mesmo foi contra o Altanta Hawks, quando fez um dificílimo arremesso de 3 no último segundo da segunda prorrogação.

Depois disso achei que o garoto ia deslanchar, que ia ter atuações monstruosas e que não ia ter pra ninguém na disputa de novato do ano. Mas não foi bem assim. Enjoamos de ver, durante toda a temporada, o novato do Sonics fazendo seus 20 pontos de média com horrível aproveitamento de arremessos, com fraca defesa, bem menos rebotes do que vimos ele fazer na NCAA e sem mostrar grande habilidade com os passes.

Eu tinha na minha cabeça então que o novato do ano deveria ser Al Horford. O garoto do Atlanta era um monstro nos rebotes, mostrava bons fundamentos na defesa e, no ataque, se virava mesmo quando começou a jogar de pivô. Mas o que me fez mudar de idéia e dar o voto a Kevin Durant, então?

Foram três coisas. A primeira foi entender o lado de Kevin Durant. Ele foi colocado para jogar na posição dois com a desculpa de que seria um "mismatch" contra defensores mais baixos, mas no fim isso não fez diferença alguma. Na posição dois ele acabava sempre muito longe da cesta e a única coisa que ele podia fazer para tirar vantagem de sua altura era arremessar por cima do defensor, o que ele fazia, mas eram arremessos de aproveitamento baixo. Ele tinha mais sucesso quando atacava a cesta, mas isso não ocorria porque ele não era especialista em levar a marcação pelo drible, ainda mais quando seus marcadores eram em geral mais baixos e rápidos que ele. Além disso, a teórica vantagem que ele teria sobre outros novatos por ser o líder dos rookies em minutos por jogo, já que é a estrela do Sonics, é irreal, ele é a estrela de um time medíocre, um time sem esquema ofensivo e muito previsível. Marcar Kevin Durant não era desafio nenhum porque você podia fazer marcação tripla que o máximo que iria acontecer seria o Johan Petro ficar livre, isso sem contar a falta de um armador que o deixasse em boas condições de marcar pontos, que é o que ele sabe.

Entendida a situação horrível de Durant, a segunda coisa que me fez mudar de idéia foram as suas atuações desde a parada do All-Star Weekend. O maior exemplo disso foi o mês de março que acabou de acabar. Nesse período, Durant jogou 16 jogos e neles teve média de 22 pontos, maior média por mês na temporada e ao invés de ter os tradicionais 40% ou 41% de aproveitamento dos arremessos, teve 52% e com 90% nos lances livres. E isso quando ele se tornou mesmo a única opção ofensiva do Sonics, já que Delonte West e Wally Szczerbiak foram trocados e Chris Wilcox tem jogado pouco. E é só ver partidas que você percebe que a evolução nos números não é apenas um mês em que ele está com a mão boa ou que pegou adversários fracos, ele realmente mudou a forma de jogar. Está muito mais seletivo na hora de arremessar as bolas de longa distância e está atacando mais a cesta (cobrou 23 lances livres a mais do que no mês de dezembro, quando jogou o mesmo número de jogos).

A terceira e última coisa é bem simples e não dá pra ser medida: é o talento. Al Horford é muito, muito bom, Luis Scola, Al Thornton e Carl Landry, outros que receberiam votos meus se eu escolhesse os vencedores, também são ótimos, mas Durant mostra ser o com mais potencial. E em um ano em que nenhum dos novatos chegou perto de tudo o que pode fazer na liga ainda, fico com o cara que com o passar dos meses de sua primeira temporada tem mostrado os ajustes necessários para se tornar a estrela que prometia ser. Com pouquíssima vantagem sobre Al Horford, o meu novato do ano é Kevin Durant.

...

ROY - Al Horford

por Danilo

O negócio é o seguinte: quando Greg Oden se contundiu ainda na pré-temporada e anunciou-se que ele não participaria de nenhum jogo dessa temporada, Kevin Durant automaticamente teve o prêmio de novato do ano enviado para sua casa por Sedex. A safra de calouros não era das melhores, os talentos eram muito crus, Durant chutava uns traseiros cheios de espinha na universidade, e então assumiu-se que só um milagre tiraria dele o prêmio de melhor novato. Por milagre, entenda atuações monstruosas de algum outro primeiro-anista, números incríveis, arremessos de último segundo decidindo partidas. No entanto, todos nós sabemos que, nessa temporada, não tivemos nada disso por parte dos novatos. A grande maioria das atuações realmente dignas de nota começou a acontecer agora no final, quando não dá mais tempo de ter chances de prêmio. O Al Thornton começou a ter uns números monstruosos mas só porque o Clippers fede, não tem mais chance de nada, então resolveram usar o calouro que até então estava com a bunda bem aconchegada no banco de reservas. Nick Young, o próximo Kobe Bryant segundo o Arenas, só começou a ser realmente importante em Washington há umas semanas, e olha que o time passou a maior parte da temporada com a enfermaria lotada. Thaddeous Young, a grande surpresa do Sixers, só começou a ser percebido quando o Sixers também passou a ser percebido, ou seja, ontem, afinal eles deveriam estar fedendo. Não dá mais tempo. O Navarro, que agora pelo menos não é "o outro espanhol do Grizzlies" (por não ter sido trocado por um pacote de Cream Crackers), teve algumas atuações impressionantes mas é difícil manter a animação quando no jogo seguinte ele não acerta sequer as pernas dentro das calças.

Enquanto isso, Kevin Durant se divertia em sua vida de "pistoleiro solitário". Sua vida no Sonics foi como um bom rodízio de carne com uma plaquinha sempre no "verde": tudo que ele puder comer, tudo que ele puder beber, todos os arremessos que ele puder dar. Os resultados às vezes eram positivos, às vezes muito negativos, mas como o Sonics não tinha nada a perder, o importante era dar carta branca ao jovem Durant. Obviamente que enquanto o Durant fazia assim seus 20 pontinhos por jogo, os outros novatos não tinham atuações impressionantes o bastante para ameaçá-lo. Então o Durant é o calouro do ano?

Não. Porque no que faltou de espetacular, de números altíssimos, de 20 pontos por jogo, sobrou em regularidade em dois outros casos. Estou falando de Luis Scola e Al Horford. O Scola eu acompanhei de muito perto, como torcedor do Houston, e desde o começo era evidente a melhora que ele trazia ao Houston quando entrava em quadra. Ainda assim, teve que batalhar duramente por seus minutos, ganhar na unha a posição de titular, e nunca poderia se dar ao luxo de arremessar 500 bolas por partida e nem de ter uma má atuação sequer. Na inteligência, esforço e nas atuações consistentemente boas, Scola se colocou, para mim, no mesmo nível de Durant. Mas nenhum dos dois é meu calouro do ano. Porque no Atlanta, um ala de força de 2,08m de altura ganhou espaço na rotação e virou titular mais rápido do que o Pelé tem filhos, se tornando um dos melhores pivôs da NBA. Estamos falando aqui de um modelo exemplar de consistência, alguém que sempre tem atuações sólidas, que nunca força arremessos, e que tem um talento natural para pegar rebotes que parece bug de videogame, quando a bola vai como que por mágica para as mãos do jogador que está mais perto. As médias de Al Horford dizem tudo: são próximas de 10 pontos, 1o rebotes, 1 roubo e 1 toco por partida. E por mais brucutu que ele tenha parecido quando deu aquela marretada de troglodita meio sem querer no TJ Ford, tem bastante visão de jogo e sabe sempre como contribuir quando as coisas não estão dando certo.

Se o Durant resolveu, no último mês, medir melhor seus arremessos e finalmente obteve um aproveitamento digno de uma futura estrela, Scola e Al Horford não deixaram barato. Scola se tornou titular e fundamental no Houston-sem-Yao, carregando o fardo ofensivo. Já Al Horford começou a se sentir mais livre no ataque, arremessando mais (sempre com bom aproveitamento) e dando cada vez mais assistências. Quando teve uma atuação incrível com 12 pontos, 15 rebotes, 6 assistências e 2 tocos, alguns cogitaram tratar-se de sorte. A resposta veio no jogo seguinte, em que Al Horford terminou com 20 pontos, 15 rebotes, 6 assistências e 1 toco. Sólido, meus amigos. Sólido como uma rocha. Nosso ala improvisado de pivô evoluiu como Durant, mas manteve-se constantemente bem durante toda a temporada, sem jamais forçar e feder como acontecia às vezes com o cara-de-bebê de Seattle. No futuro, o Durant vai ter seus recordes de pontos, vai ser capa de NBA Live e jogar All-Star Games todo ano até enjoar. Mas agora, a consistência de Al Horford leva o prêmio de novato pra casa. E também deve levar, quem diria, uma passagem de ida para os playoffs. O que, mesmo sendo no Leste, até conta uns pontinhos, vai.