quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Oklahoma City Thunder

O uniforme mais feio da NBA




Objetivo máximo: Passar da primeira fase dos playoffs e se consolidar como força do Oeste
Não seria estranho: Passar da primeira fase dos playoffs e se consolidar como força do Oeste
Desastre: Dar uma de Hornets e começar a regredir

Forças: Time veloz e liderado pelo jogador mais jovem a ser cestinha de uma temporada da NBA
Fraquezas: O garrafão ainda é movido mais por vontade do que talento

Elenco:








.....
Técnico: Scott Brooks

O Scott Brooks é o atual detentor do troféu de técnico do ano, o que parece ser uma coisa ótima, mas na verdade tem virado uma maldição. Vejam o que aconteceu com os últimos vencedores:

2005-06: Avery Johnson, Dallas Mavericks (mandado embora em 2008)
2006-07: Sam Mitchell, Toronto Raptors (mandado embora em 2008)
2007-08: Byron Scott, New Orleans Hornets (mandado embora em 2009)
2008-09: Mike Brown, Cleveland Cavaliers (mandado embora em 2010)
2009-10: Scott Brooks, OKC Thunder (será?)

E isso já aconteceu outras vezes no final dos anos 80 e começo dos 90, é bem comum. Uma explicação pode ser dada pelos critérios de votação para o prêmio. Muitas vezes quem vota acaba escolhendo o técnico que fez mais coisas com menos material, ao invés de simplesmente votar no melhor treinador. O melhor exemplo é o Byron Scott em 2007-08. Fez um Hornets bem mais ou menos render mais do que o esperado, levou o troféu pra casa e no ano seguinte todo mundo estava esperando pra ver eles brigarem pelo título. Mas ao invés disso o time caiu na realidade do seu elenco limitado e piorou em relação ao ano anterior, aí mandaram o cara embora basicamente baseados nas expectativas que tinham e não em seu trabalho.

Mesma coisa com o Sam Mitchell e bem parecida com a do Avery Johnson. Com o Scott Brooks não sabemos, mas o começo da história é o mesmo. Ele pegou um time bem jovem, que as pessoas achavam que ia começar a render daqui uns três anos, e de repente tudo começou a dar certo. Ele montou uma defesa forte, baseada na velocidade e juventude dos seus jogadores, compensou a falta de altura da equipe desse modo e no ataque contou com a dupla devastadora Russell Westbrook e Kevin Durant. Aí foram 50 vitórias, aperto no Lakers durante os playoffs e hoje está todo mundo acreditando que o time vai ser uma das forças da conferência na próxima década.

Eu também acredito nisso, não vou mentir, mas é uma baita armadilha. É só aparecer uma contusão, alguns times tirando proveito dos defeitos que o time ainda tem e é bem capaz que eles façam uma campanha ou igual ou levemente pior que a do ano passado. E aí vemos se quem vence é a paciência da diretoria do Thunder ou maldição do técnico do ano.

Só para não ficar faltando uma pequena biografia: Scott Brooks é pirralho para um técnico, tem 45 anos, e jogou 9 temporadas na NBA. Como assistente técnico trabalhou com o George Karl no Nuggets e depois foi para o Thunder ajudar PJ Carlesimo. O veterano foi um desastre sem tamanho e resolveram dar uma chance para o assistente, que fez sucesso como interino e assumiu a equipe no meio da temporada 2008-09, sendo efetivado ao fim daquela temporada. No dia seguinte da garantia do emprego, o Thunder conseguiu uma das maiores vitórias da sua história (que, infelizmente, é a mesma do Sonics) ao bater o sempre perdedor Clippers por 126 a 85.

.....

Quando o Thunder deu o maior sufoco no Lakers nos playoffs passados tendo que compensar a falta de tamanho, todo mundo imaginou que eles estivessem a apenas um pivô fodão de distância de alcançar o topo do Oeste. O problema era encontrar ao fim da temporada um pivô relativamente barato que pudesse correr com a pirralhada, fosse bom defensor e não demandasse muito a bola, para manter o estilo de jogo focado na rotação de bola no perímetro. É nessas horas que um time com espaço salarial moderado e que não espera conseguir grandes estrelas pode conseguir as melhores barganhas: se aproveitando da urgência do Hornets por pagar menores salários e manter menos contratos, o Thunder fez uma troca no dia do draft pelo pivô Cole Aldrich - e veio de brinde o Morris Peterson, que não joga nada faz uns 10 anos mas que um dia, um dia, já foi um excelente arremessador de três pontos.

Na temporada passada, o Thunder já tinha usado esse espaço salarial sobrando para conseguir o Eric Maynor do Jazz a troco de nada, simplesmente porque o time de Utah precisava economizar umas verdinhas, e o armador tem tudo para ser muito bom. Daequan Cook, que também é um ótimo arremessador, veio de graça nessa temporada porque o Heat queria se livrar de todo mundo que pudesse para ter espaço para Wade, LeBron e Bosh. Ou seja, os engravatados do Thunder são espertos e oportunistas, mas não ficam adicionando qualquer jogador aleatório que dê sopa por aí. Todas as aquisições foram para tapar buracos que ficaram óbvios quando o Thunder alcançou a pós-temporada. O perímetro da equipe é paciente e sabe rodar a bola, mas faltavam arremessadores na equipe. Kevin Durant não liga de ter que segurar as pontas no ataque, mas a falta de bons arremessadores nos espaços criados por Durant machucam a equipe sempre. Na defesa, o Thunder sabe dobrar com frequência e tem pulmão para cobrir quem ficar livre, mas faltava alguém para segurar as coisas embaixo do aro, já que Nenad Krstic só se vira mesmo é no ataque. Cole Aldrich pode tapar esse buraco, mas acho que não agora. Teve dificuldades na pré-temporada com excesso de faltas, e embora já consiga acompanhar o time na correria e no ritmo de jogo, vai levar muito tempo para conseguir acompanhar os pivôs adversários em peso e força.

Apesar de serem jogadores menos conhecidos e ninguém ter talento para revolucionar a equipe, ao menos todas as limitações foram abordadas. Se não der certo, ou se demorar para funcionar, pelo menos tentaram usando um espaço salarial bastante limitado, realmente tiraram água de pedra. Até porque dava para manter o mesmo time, sem lidar com nenhuma das limitações, e ainda assim esperar uma melhora da equipe. Russell Westbrook, por exemplo, acabou de ser campeão mundial com os Estados Unidos e, como qualquer mamífero bípede que vai jogar nas regras da FIBA, voltou sabendo arremessar. O cara não voltou nenhum Reggie Miller, mas criou um arremesso consistente de média distância sem nunca parar com as infiltrações e as jogadas individuais, e esse simples arremesso vai deixar as defesas da NBA completamente birutas. Se na temporada passada ele lembrava o Rajon Rondo quando as defesas lhe deixavam livre, agora vai ter que ser marcado de perto pelo menos toda vez que der um passo à frente da linha de três. Do mesmo modo, Durant voltou ainda mais completo de sua passagem pela seleção, sabendo jogar mais dentro do garrafão, e sua evolução constante parece coisa de Pokémon. Jeff Green também deu uma passadinha pela seleção, melhorou seus arremessos de três e se mostra cada vez melhor nos rebotes. Nenad Krstic passou pela seleção da Sérvia no Mundial e parece cada vez mais disposto a chamar a responsabilidade ofensiva no garrafão. James Harden agora é um arremessador perigoso, não apenas um defensor esforçado, e Thabo Sefolosha caminha temporada após temporada para ser o melhor defensor da NBA. Ou seja, todo mundo na equipe passou as férias inteiras jogando, são jovens e melhoram constantemente, e o rendimento da equipe deve aumentar por si só.

O problema é que na temporada passada o time já conseguiu muito mais do que devia, então a melhora dos talentos individuais da equipe não necessariamente irá corresponder a mais vitórias. As falhas da equipe, tão expostas na série contra o Lakers, podem ser melhor exploradas pelos adversários durante a temporada regular. E agora o time conhece, pela primeira vez, o que é a pressão de ter que vencer, de ter que se classificar bem para os playoffs, de ter que vencer uma série na pós-temporada. Como a pirralhada vai lidar com isso, especialmente se passarem a vencer menos partidas apesar de estarem jogando melhor, é o que vai definir o sucesso do time nos próximos anos - e do técnico Scott Brooks. Também estou preocupado com o condicionamento do elenco sendo que tantos jogadores participaram do Mundial desse ano e treinaram sem parar: será que terão o mesmo pique para manter a correria ordenada que fez tanto sucesso na temporada passada? De todo modo, acompanharemos de perto agora que Durant não é apenas um segredo para os felizardos que espiavam no League Pass, todo mundo quer ver o garoto - que merece mesmo toda nossa atenção - e a cobertura em cima dele será brutal. Será que vira estrelinha?

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / Utah Jazz

Se tem o Deron tem que ter o CP3

Objetivo máximo: Vencer o Oeste (e encher o saco de todo mundo durante isso)
Não seria estranho: Perder uma série disputada na primeira rodada ou cair na segunda (e encher o saco depois que perderem)
Desastre: O Al Jefferson não se entender com o Deron Williams (e encher o saco criticando a saída do Boozer)

Forças: Um dos melhores armadores da NBA, time entrosado e ataque poderoso
Fraquezas: Defesa de garrafão ridícula e os torcedores mais malas da liga

Elenco:








.....
Técnico: Jerry Sloan




São benditos 22 anos como técnico do mesmo time! Quando Jerry Sloan entrou no Jazz ainda existia União Soviética, o Brasil ainda não tinha um presidente eleito democraticamente depois da ditadura militar, a Microsoft tinha acabado de anunciar o Windows 2.1, Super Mario 3 era lançamento e ainda estavam para nascer pessoas importantes do mundo contemporâneo como Selena Gomez, Vanessa Hudgens, Rihanna e quase 40% dos nossos leitores!

Não vou me dar ao trabalho de reescrever toda a história dele, então vai um "Ctrl+C - Ctrl+V" no texto da semana dos técnicos:

"Dois times marcam a carreira de Jerry Sloan. O primeiro, claro, é o Utah Jazz. Ele é técnico do Jazz desde a temporada 88-89, ou seja, completará 20 anos como técnico do mesmo time e foram 20 anos brilhantes. Desde 89 até 2003, Sloan não deixou nem por um ano de ir para os playoffs, chegando em 5 finais de conferência e duas finais da NBA.

O time, como todos sabem, era liderado pela dupla John Stockton e Karl Malone, dois dos melhores jogadores de basquete em todos os tempos. O esquema tático do Sloan era conhecido e usava e abusava do talento dos dois craques. O principal artifício era o "pick and roll", jogada que se utilizava do entrosamento dos dois, da visão de jogo do Stockton e da combinação de bom arremesso de meia distância e de infiltração do Malone. Então soma-se a isso bons arremessadores e jogadores sempre usando a força para cortar em direção à cesta para receber os passes de Stockton e você tem um time eternamente competitivo. Todos os anos o Jazz estava lá incomodando todo mundo, não tinha erro, podiam entrar e sair jogadores mas se tinha Malone, Stockton e Jerry Sloan, o Jazz estava na briga. O título só não veio por causa do outro time na vida de Jerry Sloan.

Por dois anos seguidos, o Jazz perdeu a final da NBA para o Chicago Bulls de Michael Jordan. O mesmo Chicago que tem a camiseta número 4 aposentada por causa de Sloan.

Sloan nasceu no estado de Illinois, onde fica Chicago, e jogou apenas uma temporada no Baltimore Bullets antes de se transferir para o Chicago Bulls no ano em que o time nasceu, até por isso o seu apelido era "O Bull original". Lá ele fez fama defendendo como um doido, indo para dois All-Star Games, levando o time para os playoffs e como líder do único título de divisão do Bulls fora da era Jordan.

Em uma história parecida com a do Nate McMillan, Sloan logo que se aposentou (por causa de contusões no joelho) virou olheiro do time e logo depois técnico, treinou por 2 temporadas e meia, depois foi mandado embora. No Jazz, depois de perder os títulos para o Bulls, não conseguiu mais repetir o sucesso de antes e mesmo sem Jordan na liga, o Jazz já não conseguia mais passar pelas novas potências do Oeste, como Spurs e Lakers. Aí foi a hora de Stockton se aposentar e do Malone levar seu pé frio para Los Angeles.

Todo mundo pensava que era a desculpa certa para o Sloan pedir as contas e ir embora, mas não, ele permaneceu fiel ao time e comandando um elenco ridículo não foi para os playoffs pela primeira vez em 2004. Não foi de novo em 2005 e 2006, mas nesse tempo ele não abandonou aquele mesmo velho esquema tático que deu certo durante mais de uma década e aos poucos foi montando o time com as peças necessárias para o esquema dar certo de novo. Veio o armador com visão de jogo (Deron Williams), o ala de força com potência e arremesso (Boozer), os arremessadores (Okur e Korver) e os jogadores de força que estão sempre cortando em direção à cesta (Brewer, Kirilenko, Harpring).

Se fosse pra definir Sloan com uma palavra, seria "estabilidade". Sempre o mesmo esquema, a mesma calma, a mesma cobrança por defesa e jogo físico. O título pode não vir nunca, mas enquanto ele tiver jogadores nas mãos vamos ver ele e seu Jazz nos playoffs. E acho que ele só pára quando morrer."


Para esse ano é mais do mesmo! Raja Bell é o arremessador-defensor-pentelho no lugar de Ronnie Brewer, Paul Millsap é o cara físico e agressivo do banco ao invés de Harpring, Al Jefferson é o jogador de garrafão que brinca com o armador ao invés do Carlos Boozer. E uma coisa nunca mudou no Jerry Sloan, ele tem mãos muito grandes. 

.....
Nas duas últimas temporadas o Jazz foi um time estranho. Em alguns momentos eles deram a entender que estavam em plena decadência e em outros foram, sem dúvida alguma, o melhor time da  NBA. É sério, durante pelo menos um mês na temporada passada e duas na retrasada eles foram o time mais empolgante da NBA, tanto no estilo de jogo quanto na qualidade e importância das vitórias. O motivo dessa regularidade digna de humor de mulher na TPM é um mistério.

No ano passado começaram a temporada jogando um basquete sem vergonha. Parecia um time previsível e sem aquela vontade e gana que todo time do Jerry Sloan usa para cobrir eventuais defeitos. Até cheguei a decretar aqui o fim do time. Alguns meses depois eles estavam voando em quadra e assumiram a segunda colocação do Oeste, chegando a ameaçar a liderança do Lakers. Depois perderam alguns jogos importantes e acabaram caindo, na última semana, para o 5º lugar. Hora de enganar todo mundo de novo: Embalaram aquele fim de temporada ridículo com uma série dominante e espetacular sobre o Nuggets, derrotando Carmelo e Billups por 4 a 2. E aí, quando todo mundo voltou a achá-los um dos times mais empolgantes da liga, foram varridos pelo Lakers.

Ou seja, o Jazz é um time tão mala que nem previsão deles dá pra fazer! Mas vou me arriscar: Eu acho o Al Jefferson um baita jogador, um dos que mais tem recursos e jogadas quando joga de costas pra cesta. Ele não tem o arremesso de meia distância como o do Carlos Boozer e isso vai mudar um pouco como funciona o pick-and-roll do time, mas em compensação dá outras opções de jogada. E embora ele não seja um pivô nato (e reclamava de jogar na posição 5 quando estava no Wolves) não deve dar piti se jogar um pouco mais lá dentro se fizer dupla com o Paul Millsap. Entre Boozer, Okur, Millsap e Al Jefferson o meu jogador favorito é o Boozer, mas entendo que o atual trio do Jazz é mais completo sem ele, hoje tem opções mais diferentes de combinação.

Uma coisa ruim desse trio é que eles continuam fracos na defesa. O Danilo acha o Boozer um inútil na defesa, eu não acho tanto assim, ele pelo menos sempre foi esforçado e ajuda sendo um bom reboteiro, mas não o bastante para fazer do Jazz um time forte na defesa do garrafão. Com o Al Jefferson não muda muita coisa. É meio broxante trocar de jogador e ver os mesmos problemas, mas os torcedores do Jazz, que pena, vão ter que lidar com isso.

Outras perda que pode machucar o time está também no Bulls, Kyle Korver. Ele era o arremessador de três que vinha do banco para acabar com o jogo. Poucos jogadores se adaptaram tão bem e tão rápido ao estilo do Jerry Sloan e por ser um branquelo do bem ainda era queridinho da torcida. Outro que vai fazer falta é o Wesley Matthews, o novato apareceu do nada no ano passado para virar titular absoluto que defendia o Kobe Bryant em momentos decisivos! Mas não culpo o Jazz por perdê-lo, eles estavam certos de dar um contrato de só um ano quando ele era só um Zé Ninguém e igualar a oferta descomunal (34 milhões por 5 temporadas, com 9 milhões no primeiro ano!) que o Blazers fez por ele seria burro para um time que já até fez trocas idiotas para economizar alguns trocados.

O responsável por cobrir o espaço que os dois deixaram no time vai ser o Raja Bell. Ao mesmo tempo ele vai ter que ser o defensor que era o Wes Matthews e fazer as bolas de três do Korver. Ele é capaz disso se jogar o que jogava no seu auge no Suns, mas depois de um ano parado por contusão é bom ter um pé atrás. Outro que pode ajudar é o Gordon Hayward, novato que veio da mesma escola Bieber de garotos branquelos do Kyle Korver e teve alguns momentos muito empolgantes na pré-temporada.

O Jazz sempre achou caras para substituir as suas perdas, sempre montou times bons. Sempre deu trabalho pra todo mundo. E sempre chegou perto do título e perdeu. Não deve ser diferente nesse ano. E só porque eu falei pouco de um dos meus jogadores favoritos, um bom mix de jogadas do Deron Williams:

Preview 2010-11 / Detroit Pistons

- Como é que tá aí, Villanueva?
- Tá ruim!


Objetivo máximo: Disputar até o final a oitava vaga para os playoffs
Não seria estranho: Ficar entre os piores do Leste
Desastre: Não trocar nenhum jogador e achar que vai acontecer algum milagre

Forças: Jogadores experientes que sabem o que é preciso para ser campeão da NBA
Fraquezas: Não ter nada do que é preciso para ser campeão da NBA



Elenco:
















.....
Técnico: John Kuester


Quando Michael Curry assumiu o Pistons que precisava de alguma mudança para injetar ânimo nos jogadores e tentar vencer outro anel de campeão, Billups foi trocado para o Nuggets e tudo desandou. Não foi culpa no Curry, coitado, ele era um sujeito bacana que todos os jogadores respeitavam muito, mas tacaram o cara numa situação terrível: se ele colocava o Iverson em quadra, o resto do elenco ficava frustrado e quase boicotava o jogo, e se ele colocava o Iverson no banco então não estava utilizando a esperança de mudança no time e aí a troca do Billups seria em vão. No fundo o Curry não fez nem uma coisa nem outra, foi pro olho da rua, o Iverson deu o fora e o John Kuester assumiu uma equipe oficialmente em processo relâmpago de reconstrução. 


A experiência do Kuester antes do Pistons foi treinando times universitários e 19 anos como assistente técnico ao redor da NBA. Já havia passado pelo Pistons campeão em 2004 com o Larry Brown, como coordenador ofensivo, e também foi o responsável pelo ataque do Cavs de 2009, que era uma merda mas não era tão ruim quanto antes, pelo menos existiam algumas jogadas planejadas nas saídas de bola e o ataque funcionou assustadoramente bem quando LeBron perdeu um par de jogos lesionado. A melhora pequena no ataque do Cavs deu ao time o posto de melhor da NBA na temporada regular e ao técnico Mike Brown, que é um dos piores técnicos que eu já vi na vida, o prêmio de Técnico do Ano (tipo o Doc Rivers, que também fede e ganhou o prêmio graças ao então assistente Tom Thibodeau, atual técnico do Bulls).


O John Kuester volta ao Pistons com um sentimento de nostalgia, aquela saudade do time campeão de 2004, com a esperança de que ele, conhecendo alguns dos jogadores, possa unir um elenco ao redor deles, arrumar o ataque e retomar a defesa da época do Larry Brown que, supostamente, Kuester conhecia tão bem. A situação é terrível para o Kuester porque o elenco é muito diferente agora. Na temporada passada ele teve problemas de relacionamento com o Charlie Villanueva (que ele diz já estarem resolvidos e é todo elogios ao garoto-Espiridão Amim), não conseguiu criar uma rotação na equipe, e sofreu terrivelmente com contusões em todo o elenco. O que se espera do Kuester é que ele possa trabalhar pela primeira vez com esse elenco completo, e é esse justamente o meu medo: assim que não houver a desculpa das lesões, o John Kuester vai rapidamente acabar indo para o olho da rua.


...
O Pistons ainda não decidiu se está em reconstrução ou não. Quando trocou Billups, achava que apenas uma mudança simples poderia levar o time mais longe. Como o Iverson não funcionou, o dinheiro que ele liberou ao ir embora deu início ao que Joe Dumars descreveu como "uma rápida reconstrução": contratou dois jogadores (Ben Gordon e Charlie Villanueva), assinou uns novatos, e esperava que em um ou dois anos o time voltasse ao topo. Mas o que vemos é um elenco de veteranos ex-campeões que não estão mais em seus auges e nem interessados nesse time decadente, como Richard Hamilton, Ben Wallace e Tayshaun Prince, e uma série de contratações estabanadas como Villanueva e Chris Wilcox que nada acrescentaram à equipe. Em meio a esses jogadores velhinhos e cansados, há um núcleo jovem bastante interessante formando por Rodney Stuckey, Will Bynum, Austin Daye, Jonas Jerebko e Greg Monroe, mas seus minutos são limitados pela presença dos jogadores mais velhos. Seriam os novos jogadores apenas reservas para um time com chances de título, ou seriam eles o futuro da franquia que precisa, então, se livrar da velharia para dar minutos à molecada? Essa dúvida eternamente evitada por esse Pistons ficou ainda mais clara com a contratação de Tracy McGrady, como comentei no post a respeito:


"(...) Não faz sentido o Pistons - que é um time que deveria estar em reconstrução mas não está - achar que tem algo a ganhar com o McGrady em quadra. Provavelmente ele tem mais habilidade na armação do que jogadores mais pontuadores como Rodney Stuckey e Will Bynum, mas colocar um armador veterano num elenco que já tem armadores e veteranos demais não tem qualquer propósito. Se é para tirar minutos da pirralhada, algum engravatado do Pistons deve realmente acreditar que falta apenas o T-Mac para que eles tenham chances de playoff, o que é ridículo. Ou é ilusão de grandeza ou então é simples desespero, necessidade de vender camisetas, ingressos, aparecer na TV se aproveitando da antiga popularidade do McGrady. Mas sua popularidade foi pelo ralo junto com a fama do Iverson nessa NBA subitamente apaixonada pelo jogo coletivo e pela estrela capaz de fazer de tudo, não apenas pontuar. Não vale mais nada ganhar sozinho. E é assim que toda a mentalidade da liga fecha as portas para Iverson e abre as portas devagarinho para LeBron, Wade e Bosh. Aos poucos eles param de receber ovos na cabeça enquanto assistem ao Iverson e ao T-Mac virarem peças de museu."




O T-Mac é uma peça de museu, infelizmente, e está naquele momento de sua carreira em que deveria jogar para times que estão atrás de um título e precisam apenas de um jogador na reserva para fortalecer o elenco. É o caso de Shaq no Celtics e, recentemente, de Stackhouse no Heat. São jogadores que não vão evoluir, não podem render em alto nível, mas ajudam bastante qualquer time prestes a ser campeão e que precise apenas de um pouquinho mais. Colocar qualquer um deles num time que está nas últimas posições do Leste é loucura, porque rouba minutos da pirralhada e não gera nada com isso. Tracy McGrady já está machucado de novo, deve passar mais um mês fora das quadras, mas quando voltar vai roubar minutos de Stuckey, Bynum e de DaJuan Summers, que deveriam ser o pilar de um time em reconstrução. E quem me disser que o Pistons não está em reconstrução pirou, ou alguém acha que esse time consegue se classificar para os playoffs e vencer séries por lá? 


Estou particularmente curioso para ver como Greg Monroe vai se sair na NBA, gosto do rapaz e acho ele um excelente passador, num ataque veloz com Stuckey pode fazer um belo de um estrago, mas nenhum deles está pronto para vencer agora e o Pistons precisa parar de insistir imediatamente na ideia de ir para os playoffs. Jonas Jerebko rompeu um tendão e deverá ficar fora por toda a temporada, é hora de dar minutos para a pirralhada e conseguir uma boa escolha de draft no ano que vem. Se continuarem insistindo, infelizmente vai sobrar para o técnico John Kuester, que vai ser criticado por não ter tornado esse elenco aleatório num time vencedor. Sinal de que os engravatados do Pistons estão com medo de olhar para os reais culpados.

Preview 2010-11 / Chicago Bulls

O Boozer é muito mal, até tropeçar sozinho em casa e se contundir feio


Objetivo máximo: Semi-final de Conferência, ou seja, se enfiar no meio do grupinho dos fodões com Heat, Celtics e Magic
Não seria estranho: Perder na primeira rodada dos playoffs de lavada
Desastre: Não se classificar para os playoffs mesmo com todo mundo feliz e saudável

Forças: Um garrafão finalmente completo e um armador que saberá acioná-lo
Fraquezas: Um elenco com muitas caras novas e sem reservas na armação

Elenco:













......
Técnico: Tom Thibodeau

O Thibodeau é um dos raros casos de técnico nerd legítimo, daqueles que chegou à posição por ser um gênio, não por ser um ex-jogador. Desde 1989, quando entrou na NBA, Thibodeau já foi olheiro, assistente técnico, treinador de novatos e responsável pelo setor defensivo. Sua fama de gênio da defesa vem desde os tempos de Knicks, como assistente técnico do Jeff Van Gundy, que arrastou o Thibodeau junto quando foi treinar o meu Houston em 2003. Ao todo, Thibodeau passou 11 anos ao lado de Van Gundy aprendendo suas famosas táticas defensivas - ou, dependendo de com quem você conversa, ensinando ao Van Gundy como montar uma boa defesa enquanto o Van Gundy dizia que o trabalho era seu e ficava com o crédito. De um modo ou de outro, o Houston com os dois tinha uma das melhores defesas da NBA e a movimentação defensiva usada pelo time até hoje é aquela que Thibodeau ajudou a implementar. Quando foi para o Celtics ser novamente assistente técnico, a defesa implementada foi um pouco diferente, ainda mais eficiente graças ao material humano, e de novo quem levou o crédito foi o técnico da equipe, Doc Rivers, que ganhou o prêmio de Técnico do Ano apesar de ser um bunda que não saberia cortar as próprias unhas do pé. Apenas depois de ganhar o prêmio é que os vários críticos do Doc Rivers começaram a aparecer e alertar que o real responsável pela defesa da equipe, amplamente dada como a responsável pelo anel de campeão, era na verdade o Tom Thibodeau. Quanto mais famoso o assistente ficava recebendo autoria da defesa fantástica que colocou o Celtics de volta ao mapa, mais assediado por outras equipes ele passava a ser. Não demorou muito para que passasse a receber convites para ser técnico de verdade, não assistente, e por fim resolveu escolher uma equipe já montada, cheia de potencial, ao invés de começar do zero com equipes como o Knicks. Apesar de não ter o mesmo material humano, defensivamente falando, que o Celtics pode se gabar de possuir, vários reforços defensivos chegaram à equipe e é possível imaginar que Thibodeau seja capaz ao menos de montar uma defesa sólida como era a do Houston Rockets, o que já será suficiente para que o Bulls tenha a melhor defesa das últimas décadas. A dúvida permanece é do outro lado da quadra, no que se refere ao ataque, mas como o Bulls tinha um ataque bastante improvisado e estagnado, podemos lembrar do "teorema do Tiririca": pior do que está, não fica. 

...

Quando o Bulls contratou Carlos Boozer, o Denis escreveu um longo post sobre a equipe que vale ser relido, e que copiarei longos trechos abaixos:

"A reação natural para os torcedores do Bulls depois da decisão de LeBron James de ir para o Miami Heat só pode ser de decepção. Não só porque ganhou um concorrente fortíssimo no Leste pelos próximos cinco anos, mas porque o time estava confiante de que ele poderia ser a bola da vez. O Bulls foi atrás dos três astros do Heat, Wade, Bosh e LeBron, com a esperança de conseguir pelo menos um. Não deu, perdeu os três, mas também não saiu de mãos abanando, contratou mesmo antes de LeBron anunciar a sua decisão um antigo companheiro de Cavs dele, Carlos Boozer. O contrato é de 75 milhões por 5 temporadas.

A segunda reação dos torcedores do Bulls é decepção. De novo. Pra quem sonhava com LeBron, Wade e/ou Bosh, ganhar Boozer não é lá muito espetacular. Mas pense bem, crianças, não é porque você achou que ia ganhar um carro no aniversário de 18 anos que um Playstation 3 não é legal. Eu não acho que o Carlos Boozer revolucione um time na NBA, que vá ter um jogo de 50 pontos nos playoffs e salvar a pele do Bulls contra um time difícil, mas ele vai dar 20 pontos, 10 rebotes, um ótimo posicionamento de quadra, poucos erros e uma boa defesa todos os dias. Lembra como o Bulls foi bom naquela série contra o Celtics quando o Tyrus Thomas acertou uma meia dúzia de arremessos de meia distância? O Boozer faz isso com a mesma dificuldade de respirar ou preparar um miojo.

Já escrevemos muitas vezes (muitas mesmo, é um tema básico do blog, tipo Artest, Yao Ming e Alinne Moraes) sobre como o Bulls peca por não ter um bom pontuador no garrafão. Falamos isso deles desde que o blog nasceu e o problema é ainda anterior a isso. Pensem bem, puxem da memória, qual é o melhor pontuador de garrafão da história recente do Chicago Bulls? Não estou falando jogador de garrafão, já que o Bulls teve bons defensores como o Tyrus Thomas, Joakim Noah e até um restinho mínimo da boa fase do Ben Wallace. Mas quero saber de ataque: Drew Gooden? Hakim Warrick? Malik Allen? O melhor jogador ofensivo da última década foi o Eddy Curry! Sim, o pivô gordo que demorou para embalar na NBA e embalou por tão pouco tempo que deveria tomar remédios para ejaculação precoce.

Essa peça que faltava comprometeu o Bulls em diversos momentos das últimas tentativas do time em ser grande. É difícil demais ganhar jogos, especialmente séries de playoff, sem alguém para pontuar perto da cesta. É um preceito básico do basquete. Alguém no garrafão tenta arremessos de aproveitamento maior e tira a defesa do perímetro, facilitando a vida dos outros jogadores. Pouquíssimos times na história da NBA tiveram sucesso sem uma boa presença ofensiva na área pintada. Uma exceção, curiosamente, foi o próprio Bulls nos últimos três títulos do Jordan. Mas a falta de um jogador nato para isso era compensado pelo próprio Jordan, que atuava mais perto da cesta, mais ou menos como o Kobe fez no começo do ano passado quando o Gasol estava machucado.

(...)

Ao lado de Boozer o Bulls já tem o Joakim Noah, que tem melhorado ano a ano e na última temporada se mostrou um dos melhores reboteiros e defensores da NBA. Dá pra deixar o Boozer com a finesse e o Noah com o trabalho sujo. E, por fim, ainda há o Luol Deng, que o Bulls tanto tentou trocar para abrir mais espaço salarial para contratações e hoje deve agradecer aos céus por não ter conseguido. Talvez ele receba mais dinheiro do que deveria, mas é um dos melhores (se não O melhor) arremessadores de meia distância na NBA.

É um quarteto muito bom, com características que se encaixam e eles ainda podem ter uma dupla de jogadores All-Star em Rose e Boozer. O time dos sonhos do Bulls era épico, mas o da realidade está longe de ser motivo de lamentações. Eu estaria feliz demais se torcesse para o Chicago! O Bulls já montou bons times várias vezes nos últimos anos e eu me animei mais do que devia com alguns deles, mas nenhum tinha a perspectiva de dois jogadores nível All-Star e nem um jogador forte no garrafão."


Realmente, a animação do Denis é justificada. Já faz muito tempo que o Bulls sofre por não ter uma jogada de segurança, uma bola simples para os momentos mais complicados. Em geral, cabia ao Ben Gordon dar um jeito de pontuar com seu cérebro pouco desenvolvido (e ele em geral conseguia), mas desde que ele deu o fora, cabe ao Derrick Rose forçar uma jogada estabanada. Boozer e Derrick Rose serão muito mais eficientes juntos, e Boozer será o responsável pelas bolas de segurança que Rose deverá colocar em suas mãos. Tenho uma certa birra com o armador (para horror de tantos dos nossos leitores) porque o Derrick Rose nem sempre toma as melhores decisões, força muito o jogo, e é previsível por ter um arremesso muito inconstante. Mas preciso ser justo com ele: seu jogo só fica previsível e só é preciso forçar tanto o jogo porque não havia alguém a que a bola pudesse ser plenamente confiada no ataque. A presença de Boozer camuflará várias das dificuldades de Derrick Rose, inclusive permitindo que ele penetre mais quando o Boozer quiser ficar apenas nos arremessos de média distância.

O único problema do time, segundo o post, era a posição 2, e o Denis aconselhava o Bulls a colocar suas economias no Ronnie Brewer. Batata, o Brewer tem tudo para ser titular em nome da defesa que Thibodeau está tentando implementar e será companheiro de Derrick Rose nos contra-ataques, que são seu ponto forte. Para os arremessos de três, que sofreram tanto com a saída de Ben Gordon, o time adicionou Kyle Korver (que será o Sexto Homem ideal para esse elenco) e CJ Watson, além de Keith Bogans que é excelente arremessador da zona morta e ainda é especialista defensivo. Foram várias contratações acertadas que tornam o banco do Bulls bastante versátil e ajudam em dificuldades que ficaram muito óbvias nesse time durante a temporada passada. Mas ainda há um enorme buraco nesse elenco: a armação. O garrafão tem Taj Gibson para os arremessos, Kurt Thomas para dar cabeçadas, até o turco Omer Asik nos rebotes, e o perímetro tem um belo mix de arremessadores e defensores, mas não há um único armador reserva na equipe. A função de levar a bola pro ataque acaba ficando com Brewer ou CJ Watson, por vezes até com o Kyle Korver, e se você ainda não morreu de dar risada pode esperar que uma hora o óbito virá. Não dá pra levar a sério uma equipe em que, quando sua estrela vai para o banco de reservas, não tem um armador para acalmar o jogo. O desespero por abrir espaço salarial para conseguir LeBron, Wade ou Bosh está cobrando juros agora, já que para isso se livraram do armador Kirk Hinrich que cairia como uma luva para esse time. 

Por enquanto, o Bulls pareceu um time paciente e disposto a rodar a bola, mas ainda comete enganos muito engraçados na defesa, típicos de jogador que faz merda e já sai correndo para tentar concertar porque sabe exatamente o que deveria estar fazendo. Vai demorar um tempo para essa defesa se entrosar, especialmente sem um líder defensivo no elenco, e o ataque vai continuar sem uma jogada de segurança até o Carlos Boozer voltar de sua contusão só em dezembro - ele tropeçou numa mala em casa e quebrou a mão, típica contusão do Los Angeles Clippers. Dá pra esperar grandes coisas desse Bulls, mas até tudo estar funcionando direitinho, entrosado, pode ser tarde demais para pegar uma vaga no topo do Leste, o que pode ser terrível caso Derrick Rose chegue aos playoffs sem mando de quadra e muito cansado - algo muito provável enquanto ele não tiver um reserva à altura e tenha que voltar à quadra sempre que um armador improvisado fizer merda ou o time desandar.

Preview 2010-11 / New Orleans Hornets

- Ai, olha a roupa dela, que mico!


Objetivo máximo: Tornar disputada uma série de playoff
Não seria estranho: Passar longe de se classificar para os playoffs
Desastre: Mais uma temporada com Chris Paul contundido

Forças: Um carinha lá que dizem que até que é bonzinho armando
Fraquezas: Um elenco sem pontuadores nem jogadores capazes de chamar a responsabilidade

Elenco:








....
Técnico: Monty Williams

Novo técnico do Hornets, Monty Williams não tem qualquer experiência como técnico de basquete. Sequer treinou o time de basquete do filho no colégio. Não deu tempo, já que Monty era jogador da NBA e acabou de se aposentar faz pouco tempo, em 2003. Era um jogador mediano feliz da vida por ter passado 9 anos jogando na NBA após ter sido avisado, ainda no basquete universitário, que um problema cardíaco lhe impedia de praticar qualquer esporte. Foi obrigado a passar dois anos parado até que, segundo ele, Deus fez um milagre e sumiu com qualquer traço da doença cardíaca. O médico responsável pela cura, que não chamava "Deus" mas sim Lameh Fanapazir, usou procedimentos muito arriscados que deram incrivelmente certo e Monty Williams foi capaz de ter uma longa carreira no basquete. Assim que se aposentou, foi chamado para passar uns tempos com o técnico do Spurs Gregg Popovich, acompanhando o time, vendo os treinos, os vídeos, as análises táticas, pra ver se ele gostava da ideia de ser técnico um dia. Acabou ficando por lá, aprendendo as funções básicas dos estagiários, até que lhe chamaram para ser assistente técnico no Blazers. Sua fama é de ser um cara simpático, divertido e educado, completamente focado no desenvolvimento dos jogadores. Dizem que sua casa está sempre aberta caso algum jogador queira descansar, comer ou assistir a algum filme, e nas viagens seu quarto é sempre tomado por jogadores querendo conversar e desabafar um pouco. Nos treinos, Monty Williams foi responsável pela melhora nos arremessos de Travis Outlaw, Martell Webster, e até na melhora nos lances livres do Joel Przybilla. Enquanto o técnico do Blazers, Nate McMillan, não tem saco pra bobagem e está sempre intimidando os jogadores a obedecerem ou darem o fora, Monty Williams é o cara legal que sempre diminui os confrontos.

Sua experiência tática vem apenas da observação de caras com quem trabalhou, como Popovich e McMilan, ou de técnicos para quem jogou, como Larry Brown e Pat Riley. Mas sua compreensão de todos os aspectos de uma equipe técnica, como análise de vídeo, preparo dos jogadores e estudo do adversário permitem que ele faça parte de todo o precesso ao invés de ser apenas o cara que fica na quadra dando ordens. Sua contratação pelo Hornets permite não apenas acalmar e ouvir Chris Paul, mas também trabalhar com cada um dos jogadores individualmente, o que será essencial para o núcleo do time que é muito jovem e ainda cheira a fralda. A princípio, veremos um Chris Paul mais calmo e um time disposto a melhorar, mas o desempenho do Monty Williams com a prancheta é que será decisivo para o sucesso do Hornets. Ao menos no papel, o técnico deverá passar os próximos 3 anos com a equipe - e se o Chris Paul der o fora, Monty Williams vai ter um longo trabalho reconstruindo a equipe e lidando com novatos, que é realmente seu ponto forte.

...

O Hornets gira ao redor do Chris Paul assim como o Universo gira em torno da Alinne Moraes e o mundo da gastronomia gira em torno do bacon. Quando Chris Paul foi obrigado, no começo da temporada passada, a ser um dos cestinhas da NBA porque não tinha ninguém para passar a bola, o time ia mais ou menos mas não passava vergonha. Sem ele, contundido, o time se viu diante de um dos ataques mais estagnados de toda a liga. As coisas só não ficaram piores porque o então novato Darren Collison tinha, assim como Chris Paul, as características perfeitas para render naquele esquema tático, mas ainda assim não tinha como levar o time muito longe.

Desde o começo fui a favor de trocar Chris Paul ou Collison, porque não faz sentido seus dois melhores jogadores terem características parecidas, jogarem na mesma posição e não renderem juntos. Como em filme de Velho Oeste, o Hornets era pequeno demais para eles dois, e o escolhido para ir foi Collison. Em troca dele, Trevor Ariza veio compor um elenco que precisa desesperadamente de ajuda depois do Chris Paul ter passado as férias inteirinhas reclamando que o time fedia e que ele queria ser trocado. Convenceram o rapaz a ficar, trouxeram o Ariza, mas ainda acho o elenco muito limitado.

Na troca do Darren Collison, o Hornets fez questão de se livrar do James Posey, que é um jogador espetacular para times que já estão formados mas que não faz nada de mais em times que estão apenas brigando para ir aos playoffs. Quando Posey foi contratado, o Hornets tinha acabado de fazer uma campanha completamente atípica e acharam, depois de uma boa dose de cachaça, que faltava apenas um bom reserva para serem campeões. Agora que caíram na real, pagar 13 milhões para um cara que deveria ser apenas uma peça final num elenco vencedor é a maior burrada. O que o Hornets não sabe, no entanto, é que ao adquirir o Trevor Ariza está pegando praticamente a mesma coisa. Pelo menos ele ganha apenas 7 milhões, mas ele também só rende de verdade num time que já lute pelo anel de campeão. No tempo em que esteve no meu Houston, foi muito eficiente e versátil em quadra, mas fugiu de toda e qualquer responsabilidade e mostrou todas as suas limitações em quadra, como a dificuldade de criar o próprio arremesso ou de bater bola. Ao lado de Chris Paul, vai render milhões de vezes mais do que rendia no meu Houston, mas não deve chegar a fazer uma diferença muito grande em quadra - especialmente se levarmos em conta que o Chris Paul disse, ao receber o Ariza em New Orleans, que "chegar aos playoffs não será o bastante", que ele quer "vencer tudo".

Com David West cada vez mais limitado conforme as defesas foram se acostumando com ele, não resta nenhum outro pontuador sólido na equipe. West está em seu auge quando as defesas estão olhando para o outro lado ou para outro jogador e ele pode aproveitar os espaços vazios da quadra, o que não é mais o caso desde que Stojakovic só falta andar de cadeira de rodas. As aquisições do Hornets tentam, mas não devem ajudar muito: Belinelli é um bom arremessador mas carece de fundamentos em todo o resto, Willie Green não tem critério e mais prejudica do que auxilia quando se mete a arremessar, Joe Alexander só sabe enterrar e não consegue nem escovar os próprios dentes. A grande esperança do time na parte ofensiva é Marcus Thornton, que teve uma excelente temporada de novato durante a ausência de Chris Paul. O pirralho é bom arremessador e sabe colocar a bola no chão, com infiltrações eficientes. Se ele puder se tornar um pontuador consistente, David West vai ter mais espaço em quadra, vai parar de bater cabeça com o Okafor, e Trevor Ariza poderá render melhor sendo apenas aquele jogador faz-tudo que garantirá as vitórias. No entanto, sem um pontuador constante, o Hornets se torna um time limitado, exposto, e nem Ariza nem David West são capazes de colocar um time nas costas. Caberá ao Chris Paul, pra variar, salvar o dia, mas ele pode encher o saco logo e retomar os papos de troca assim que o negócio não dar certo.

Há uma nova esperança na área, contudo. Temos o costume por aqui no Bola Presa de ter um post para cada uma das trocas que acontecem, mas na correria de tentar publicar todos os previews antes da temporada começar deixei para falar de uma delas aqui: o Blazers mandou Jerryd Bayless para o Hornets em troca de uma escolha de primeira rodada. O Blazers há uns dois anos já sofre com o excesso de jogadores bons nas posições de armação, e Bayless é um excelente pontuador que gosta de ter a bola nas mãos enquanto Brandon Roy exige a bola nas próprias mãos na maior parte do jogo e o resto da armação cabe ao Andre Miller. Bayless simplesmente não tinha espaço, e agora o Blazers ganhou mais uma escolha de draft - plano fantástico que gerou todo o talento jovem que forma a equipe incrível e divertida que vemos hoje em dia. Para o Hornets, foi uma maravilha porque Chris Paul precisa ver sinais de esperança agora, não num draft futuro. Bayless é um pontuador nato que poderá armar o jogo quando Chris Paul sentar (já que o armador reserva, Darren Collison, agora arma o jogo do Pacers) e quando jogarem juntos o fardo ofensivo deverá recair no Bayless, liberando Chris Paul para a armação pura e simples. O problema nessas horas será a defesa, mas o cobertor é mesmo curto demais mesm e depois é hora de ver isso. No momento, o Hornets está colocando em vigor a "tática Cavs": traga quaisquer jogadores que tenham duas pernas e pareçam poder ajudar, porque precisamos enganar, digo, ajudar, o Chris Paul para convencê-lo a ficar.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Preview 2010-11 / San Antonio Spurs

 Ele é como qualquer um de nós


Objetivo máximo: Mais um título. O ano é ímpar, afinal.
Não seria estranho: Chegar longe mas perder para Lakers ou Mavs
Desastre: Cair na primeira rodada e ver os cabelos brancos nascerem na cabeça do Duncan

Forças: Time entrosado, técnico espetacular, defesa bem montada e Tim Duncan
Fraquezas: Parte do time está ficando velha demais e a outra parte ainda parece muito inexperiente

Elenco:








.....
Técnico: Gregg Popovich


Eu sempre entro na nossa página da semana dos técnicos para ver o que podemos aproveitar de novo aqui. E o texto do Popovich feito pelo Danilo está perfeito! Como a gente tinha bem menos leitores naquela época e já faz dois anos, acho que vale a pena a reciclagem completa:


"O técnico que todos amam odiar, o técnico que não cansa de ganhar, que faz os nerds das pranchetas terem orgasmos múltiplos e coloca para dormir todo o resto da civilização ocidental contemporânea. Tudo porque Popovich foca seus esforços na defesa enquanto tem fama de ser um dos técnicos mais severos e controladores no ataque (ele é tipo mulher ciumenta). Tente dar um arremesso que Popovich não planejou com antecedência de 48 horas e você será colocado no banco. Para conseguir arremessar uma simples bola, Tony Parker precisa preencher um formulário e autenticar em três vias - seja lá o que isso significar. Mas a verdade é que os jogadores no Spurs apenas obedecem o que está instituído, colocando em prática um ataque maquinal e absurdamente funcional. Duncan estará sempre em posição para seu clássico arremesso usando a tabela, Tony Parker sempre poderá infiltrar e passar a bola para a zona morta e Bruce Bowen sempre estará livre por aquelas bandas, pronto para arremessar de três e ser um bundão. Apenas Ginóbili é inesperado porque ele faz as mesmas coisas de modos extraordinários, com aquelas passadas malucas e destrambelhadas que, segundo o próprio Popovich, matam ele do coração.

Quando falo do Popovich, sempre uso como exemplo sua relação com Tony Parker. O francês tinha uma cota máxima de arremessos que podia dar de trás da linha de 3 pontos (sem brincadeiras!) e, quando começou sua sua carreira no Spurs, era obrigado a passar a bola para fora do garrafão ao invés de fazer as bandejas que hoje lhe são marca registrada. Com o tempo, foi ganhando mais liberdade com o técnico - o que equivaleria a uma mãe dizer que a filha não pode ir para a balada, mas que agora pode passar maquiagem dentro de casa. Para nós, fracassados que perdemos para o Spurs a torto e a direito, sua relação ditatorial com o time, respostas mal humoradas e cara de quem está com uma eterna apendicite nos fazem odiar Gregg Popovich como poucos no mundo. Mas tem mais: "Pop" (como alguém tão mal encarado pode ter um apelido tão fofucho?) era dirigente do Spurs, demitiu injustamente o técnico do time e se auto-proclamou o novo treinador, cargo que exerce desde então. Se ele não fosse um branquelo em um time texano, provavelmente o presidente Bush iria colocar o exército para intervir na questão. E o mais engraçado é que Popovich disse que deve se aposentar assim que acabar o contrato de Tim Duncan, ou seja, provavelmente não quer testar como seriam seus resultados sem um dos melhores jogadores de todos os tempos ao seu lado. Bem, se pudesse escolher, eu também não testaria.

E não adianta me dizer que estou com dor de cotovelo porque sim, estou com dor de cotovelo. O Gregg Popovich ganhou demais na vida, deixa pelo menos um blog na internet dar a entender que o cara é fracassado, tá legal?"


O que eu posso acrescentar é que nos últimos dois anos anos o Popovich ganhou um desafio novo. Ele teve que lidar com jogadores muito jovens que, por serem jovens, oras, não tinham a disciplina e inteligência tática que todos os comandados do Spurs nos últimos 10 anos tiveram. Ele precisou de paciência extra e voltou aos seus tempos de professor para conseguir lidar com DeJuan Blair, George Hill e Roger Mason, que de uma hora para outra viraram peças fundamentais em um time sem a profundidade que já tivera no passado. Mas ele fez um bom trabalho e a pivetada está dando resultado, é de se esperar que ele também tenha paciência e sucesso com o Tiago Splitter, que não é pirralho mas precisa de tempo para se adaptar ao jogo americano.

......
O sucesso na evolução dos pivetes que eu citei acima e o fato do Splitter ser um jogador já bem rodado são os motivos que me fazem pensar que essa temporada é a que o Spurs tem mais chance de voltar ao título desde que disputaram a final do Oeste contra o Lakers em 2008. As últimas duas temporadas serviram apenas para o Duncan parecer mais velho, para o Ginobili e o Parker se machucarem várias vezes e para a pivetada errar bastante e deixar o Pop louco da vida vendo o Roger Mason forçar bolas de três.

Mas depois de dois anos parece que está tudo certo. O Tony Parker chegou a ser envolvido em boatos de troca e falaram por aí que ele estava interessado em ir para o Knicks, mas ele sempre foi bem fiel ao Spurs e acredito que não tenha nenhum problema em ficar lá. Sem contar que pode ir para o Knicks quando for Free Agent e quando o time de NY estiver um pouco melhor, melhor jogar ao lado de Duncan e Manu enquanto ainda pode. O argentino já havia melhorado muito na segunda metade da temporada passada e depois de descansar durante toda a offseason ele deve estar inteiro fisicamente, é o que basta pra ele ser o homem do quarto período no time.

Já Duncan recebeu muitos elogios de Gregg Popovich. "Ele está mais magro e mais bem condicionado. Mais magro do que estava no meio da temporada passada". E completou com as razões para esse esforço extra, "Ele está levando tudo isso muito a sério. Ele quer voltar a vencer". Por mais cara de bundão que o Duncan tenha, ele não é bundão. Ele até foi legal e sincero o bastante para dizer que essa nova regra sobre as faltas técnicas é um exagero e um erro da NBA. A derrota para o Suns no ano passado marcou apenas a segunda vez na carreira que Duncan passou três temporadas em sequência sem título! E caras acostumados a ganhar não encaram muito bem derrotas, muito menos depois de tomar uma varrida de um time que até pouco tempo atrás era seu maior freguês. Vamos ver o Duncan a fim de jogar como há tempos não vemos.

Com o trio em forma e motivado o Spurs vai longe, não há dúvida em relação a isso. Mas até aí nada de mais, o Lakers tem seu trio, o Mavs tem elenco forte, assim como Blazers, Nuggets (pelo menos até o Carmelo parar de dar piti) e pelo menos três ou quatro times do Leste. A diferença vai ser nos detalhes: entrosamento, preparo físico e principalmente o elenco de apoio.

Eu fiquei bem encafifado quando o Spurs pagou uma boa grana para reassinar o Richard Jefferson mesmo depois dele milagrosamente ter optado por sair do seu contrato milionário. Talvez tenha sido um pensamento de "ruim com ele, pior sem ele" ou talvez um voto (caro) de confiança. Quando o Richard Jefferson jogou bem no ano passado o Spurs era um time difícil de parar, como foi na série contra o Mavs, mas muitas vezes ele era um Bruce Bowen que não defendia e nem acertava bolas de três, ou seja, um pedaço de carne que se movia. Qual será o que vai entrar em quadra nesse ano? Não sei, mas na pré-temporada ele tem jogado muito bem, inclusive acertando 50% das suas bolas de 3! Se ele for um arremessador de três confiável o Spurs já pode comemorar por ter feito a decisão certa em mantê-lo. Outro que pode ajudar nesse quesito que fez falta no ano passado é o novato James Anderson, embora também não seja nenhum especialista.

No garrafão o Duncan vai contar com a ajuda de Tiago Splitter e DeJuan Blair. O brazuca, em teoria, deixaria o TD jogar mais fora do garrafão, onde eu acho que ele é melhor e daria mais altura para o time, valorizando o lado defensivo. Já o DeJuan Blair deixa o time mais veloz, muito mais forte no rebote ofensivo (o cara nasceu pra fazer isso), mas obriga o Duncan a jogar na posição 5 e às vezes compromete na defesa. Na pré-temporada o Splitter não jogou e o Blair empolgou com médias de 13 pontos e quase 9 rebotes em míseros 25 minutos por jogo. Por isso acho que o brasileiro começa a temporada no banco, mas isso vai ser irrelevante ao longo da temporada, os dois devem revezar nas duas posições do garrafão junto com Duncan e Antonio McDyess e eventualmente até jogar juntos. Tudo depende de treino, de entrosamento e do adversário que vão enfrentar.

Richard Jefferson e James Anderson podem ser a resposta para os problemas de arremesso de três da equipe, Blair e Splitter para o garrafão, mas o Spurs não arranjou ninguém para atuar como defensor de perímetro. Alguns especialista em basquete universitário até apontaram o James Anderson como alguém que pode virar um grande defensor em nível profissional, é esperar para ver. No ano passado eles às vezes colocavam o baixo George Hill para marcar jogadores da posição 2 e 3 só porque ele é o melhor defensor de perímetro do elenco. Era melhor que nada, mas não é solução de problema. Se cruzarem nos playoffs com pontuadores mais altos como Kobe Bryant e Kevin Durant, a coisa pode engrossar pra eles.

No ano passado o Spurs pagou toda aquela grana para o Richard Jefferson e passaram pela primeira vez em muito tempo do limite salarial. Como justificativa disseram que queriam usar os últimos anos de carreira do Duncan e do Ginobili para ir com força total atrás de outro título. Estão certos. Com os dois em forma e com a ajuda do resto do time, que tem chance de ser o melhor elenco de apoio nas últimas 3 temporadas, as chances de voltarem a ser o time chato, pentelho, sonolento e vencedor que a gente conhece são bem grandes. Como disse nessa análise bem mais detalhada sobre o Spurs há uns dois meses, o Spurs ainda não voltou, mas pode voltar.

E pra quem acha que o Spurs não é empolgante, saca só que show é o Duncan!!! Showtime, baby!