segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Trocas furadas

Mandar jovens talentos como o Eric Maynor em troca de
nada dá bastante certo, basta perguntar para o Knicks


O Hornets é o pior time do mundo pra fazer trocas. Não é que eles façam trocas idiotas, é que as trocas que eles fazem sequer chegam a se concretizar. Na temporada passada, o time resolveu mandar o Tyson Chandler para o Thunder, mas na hora dos exames médicos o pivô foi diagnosticado com uma lesão grave no pé e não foi liberado para ser trocado. Ou seja, voltou para o Hornets com aquela cara de bunda de quem tomou pé na bunda da namorada mas a namorada voltou porque não arranjou ninguém melhor. Nessa temporada, eles conseguiram mais uma troca que não aconteceu: Devin Brown iria para o Wolves em troca de Jason Hart, o magrelo que quase não entrou em quadra na sua carreira, mas no último segundo, depois da troca já ter sido amplamente anunciada e os jogadores já estarem de malas feitas, o Wolves deu pra trás e preferiu aceitar uma outra troca, dessa vez do Suns.

A troca do Suns mandou Alando Tucker pelo Jason Hart, mas garantiu também que o Suns vai continuar pagando o salário do Tucker nessa temporada. Então, já que o Jason Hart ficou tão concorrido pela primeira vez desde o baile de formatura, lá foi o Devin Brown voltar para o Hornets com cara de bunda, sabendo agora que ele é meio indesejado. O motivo da troca frustrada do Brown é o mesmo que a troca frustrada do Tyson Chandler: economizar umas verdinhas. O Hornets está bastante acima do limite salarial, tendo que pagar multas por isso, e o time fede um bocado. Depois de uma campanha forte nos playoffs e a ideia de que "com apenas mais um grande jogador de banco a gente chega lá", o Hornets percebeu que era apenas um time mequetrefe que, no momento certo, com o ritmo certo e a mentalidade certa, chegou bem mais longe do que devia. Nem em um bilhão de anos aquele time, com aquelas mesmas peças, conseguiria chegar de novo onde chegou. Bastou o Chris Paul estar sentindo mais o físico para o time despencar e perceber que James Posey, nada além de um bom carregador de piano para vir do banco, não iria fazer milagre. Não tem absolutamente ninguém no elenco capaz de pontuar, já que o Stojakovic é do tempo da tevê Manchete e o David West está longe de ser uma máquina de fazer pontos.

O Devin Brown, por isso, quebra um belo de um galho. Sempre foi subestimado, já chutou traseiros com o Spurs quando foi campeão, já ajudou o Cavs chutando traseiro nos playoffs, e portanto tem mais experiência em pós-temporada do que todo mundo no elenco do Hornets. O rapaz é forte, sabe atacar a cesta, é muito bom nos arremessos de três pontos e aprendeu a ser um bom defensor. Não é muito consistente ofensivamente, mas sempre dá um jeito de contribuir e eu fico aqui pensando o porquê dele ter partidas tão boas e ficar migrando de time para time sem uma casa fixa, parece até o Quentin Richardson. Com média de 10 pontos por jogo já dá pra ser escolhido o macho-alfa do Hornets quando o Chris Paul está de férias, mas com a crise econômica acabou sobrando pra ele.

O ridículo é que o Hornets está nessa situação de não ter pontuadores e estar acima do limite salarial porque o Stojakovic ancião ganha 14 milhões esse ano (e 15 milhões no ano que vem), o lixo do Morris Peterson ganha 6 milhões (ele foi contratado como a grande esperança do time nos arremessos de fora, mesmo que na época qualquer um que assistisse aos seus jogos soubesse que ele era o pior titular da NBA), e o James Posey ganha outros 6 milhões (um tanto salgado para um reserva de luxo). Essa receita todo mundo conhece: umas trocas imbecis e uma caralhada de contratos inflados e você tem um delicioso Knicks para viagem, com refrigerante e batatas médias. Pelo menos como o Chris Paul é um jogador espetacular que faz até os piores companheiros de equipe renderem razoavelmente, o Hornets consegue se safar de ser o Knicks e ao menos luta por uma vaga nos playoffs. Há esperança para esse time voltar a fazer barulho nos playoffs, aliás, mas é só quando esses contratos idiotas terminarem e é necessário assinar com moderação os contratos novos. A equipe está longe de um título, não dá pra ir dando bilhões para jogadores que são tratados como "a peça faltante". Quando o Magic exagerou no contrato do Rashard Lewis, não dava pra criticar muito porque eles acreditavam que um grande arremessador de três era o que faltava para que o time fosse campeão. E, bem, eles acertaram em cheio e agora não dá pra criticar o contrato inflado. O Hornets não pode pagar Stojakovic, Posey e Peterson como se eles fossem apenas o arremessador que falta para um título, o time está completamente pelado. Chris Paul e David West são a alma da equipe, um par de jogadores inteligentes e que jogam com habilidade e finesse, mas todo o resto dá pra jogar fora e começar de novo. Em plena crise econômica, com os times desesperados quando ultrapassam o limite salarial, é preciso se livrar dos contratos ruins e ter moderação nos novos. Mas se livrar do contrato de 1 milhão do Devin Brown é exagero, o rapaz não merecia essa humilhação enquanto o Stojakovic enche as orelhas com 14 vezes mais grana. Pra provar o ridículo, Devin Brown voltou a jogar pelo Hornets, fingiu que o namoro não tinha terminado e enfiou 30 pontos no Jazz só pra provar que pode. Ou seja, voltou pra casa corno mas deu um trato na patroa.

O Jazz, aliás, também está nessa onda de economizar dinheiro. O armador draftado nessa temporada, Eric Maynor, que se saiu tão absurdamente bem na ausência do Deron Williams, foi trocado para o Thunder. O Jazz recebe um maluco draftado há muito tempo atrás que nunca vai aparecer pra jogar porque está na Europa comendo umas italianas, enquanto o Thunder consegue finalmente um excelente reserva para Russell Westbrook, ampliando ainda mais o núcleo jovem desse time que vai chutar traseiros num futuro bem próximo. Para completar a troca, o toque mágico, o pó de pirlimpimpim: o Jazz manda Matt Harpring para o Thunder. O vovô tem uma infecção no pé, não deve jogar basquete nunca mais (para nosso azar, porque ele é um dos piores comentaristas de basquete do planeta e vai ficar torrando nosso saco), mas seu salário continuava valendo para o Jazz. Agora, o time paga menos taxas por ultrapassar o limite, embora não esteja nem perto de gastar pouco. Tudo porque nessa temporada resolveram ficar com Paul Millsap e Carlos Boozer, sem no entanto procurar ativamente uma troca pelo Boozer quando ele decidiu não ir embora. Com isso, Millsap tem salário de titular mas minutos de reserva, o time tem uma folha salarial de campeão mas campanha digna de Clippers, e a crise econômica acaba obrigando o time a se livrar de bons jogadores a preço de banana. Essa é uma boa maneira de estragar um time bem rápido: se livrar dos jogadores bons e jovens porque você assinou contratos gigantes para uns jogadores velhinhos. O Suns ficou se livrando das escolhas de draft para não gastar o dinheiro que usava nos veteranos e quase acabou se lascando por isso. Acabou dando sorte com carregadores de piano como o Jared Dudley, mas aprenderam a lição e devem começar a colecionar uns novatos antes que esse time morra e eles tenham que reconstruir tudo do zero.

O Eric Maynor foi uma grande sacada do Thunder, que já estava de olho nele desde a época do draft. O time está uma vitória atrás do Jazz, mas tem também um jogo a menos, então vai ser divertido se o Jazz tiver ajudado justamente o time que grudar em sua cola. Os dois brigam pelas vagas finais para os playoffs do Oeste, com a diferença de que o time de Utah é um time com sérios problemas, como o Denis tão bem relatou, enquanto o Thunder é um time jovem, animado, veloz, que está nessa só para adquirir experiência. Por lá não existe pressa, o Kevin Durant já teve anos de carta branca para arremessar como quisesse não importavam quais fossem os resultados, e agora o time testa seu entrosamento sem muitos compromissos com a vitória. O fato de que as vitórias estão vindo é simples fruto do talento e amadurecimento dessa garotada, já que a equipe teve os bagos para se livrar dos jogadores mais velhos e experientes, mesmo que talentosos, para dar minutos integrais e irrestritos para os pirralhos. O amadurecimento veio rápido, mas o que mais intriga com relação à essa equipe é o ânimo dos jogadores. Desde a temporada passada, quando eles estavam flertando também com uma das piores campanhas de todos os tempos, a animação dos jogadores teve uma crescida assustadora e incendiou o time inteiro. O Thunder decidiu trocentas partidas nos segundos finais na temporada passada inteira, aprendeu a ganhar no quarto período com intensidade e vontade, conseguiram começar a segunda metade da temporada ganhando mais do que perdendo e salvaram o recorde patético se tornando um time a ser levado a sério. Não imagino o que tenha acontecido, mas muito provavelmente foi aquela água secreta do Jordan que o Pernalonga dá pro seu time no Space Jam (pra evitar a pior campanha de todos os tempos, o Nets não precisa apenas seguir o exemplo do Thunder, precisa também dessa água do Jordan urgentemente). Desde o começo dessa temporada esse ânimo ainda está lá, e quando jogadores tão talentosos, que evoluem com velocidade de pokémon, querem o seu sangue com tanta intensidade, fica bem claro que eles vão te dar dor de cabeça. E agora com um armador reserva jovem e talentoso, para manter o mote do resto da equipe. Contratos idiotas e má administração dos salários não apenas estraga equipes, mas também favorece muito quem sabe o que está fazendo. O Thunder agradece, e num par de anos vai colher os resultados enquanto Hornets e Jazz vão estar começando do zero. Pra ver se aprendem.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Desconhecido do Mês - Sundiata Gaines

-Ele ali deve saber quem eu sou!


Em uma esquina do bairro de Jamaica na cidade de Nova York um garoto esperava o seu irmão mais velho sair de uma loja. Um homem ia saindo do estabelecimento e o garoto abriu a porta para esse homem, um policial, sair. Saía meio afobado, porém, e deixou sua arma, que estava sobre uma pasta que ele carregava, cair no chão. Um disparo veloz então atingiu o pescoço do menino de então 4 anos, Sundiata Gaines.

A bala atravessou seu pescoço de baixo para cima e saiu do outro lado, passando a poucos centímetros de pontos que, se atingidos, teriam matado o garoto. Foram duas semanas no hospital se recuperando do que o pai de Gaines chama de "o pior momento de nossas vidas". O pai ainda elevou o momento a proporções maiores, disse saber que o filho tinha saído dessa situação por algum motivo especial, um motivo que ele percebeu quando Gaines tinha 10 anos de idade. "Pensei, olha o talento desse garoto jogando!". Para seu pai, Sundiata Gaines havia sobrevivido para poder jogar basquete.

Jogando nas ruas de Nova York o menino começou a ganhar reconhecimento e quando chegou ao colegial entrou para o New York Gauchos, um time conhecido da AAU, a União Atlética Amadora, que anualmente reúne times de jogadores de colegial de todo os EUA. Por essa equipe de NY já passaram grandes nomes da NBA, como Stephon Marbury, mas é o time de 2003 de Gaines que é até hoje considerado um dos melhores da união em todos os tempos. Na época o jornal New York Daily News colocou Gaines na lista de "10 jogadores que você precisa assistir". Diz o pai de Sundiata Gaines que naquele tempo o grande armador de Nova York era Sebastian Telfair, que acabou pulando a faculdade para ir para a NBA, e que até ele tinha receio de enfrentar Sundiata no mano a mano. Se é verdade ou papo de pai babão só Telfair sabe.

A Universidade da Georgia começava o período de recrutamento de 2004 com problemas. Uma grande polêmica depois da demissão de Jim Harrick, técnico que se envolveu em polêmicas ao descobrirem que ele deu notas altas para alunos que não foram às suas aulas e que seu filho estava envolvido com desvios de dinheiro, não só manchou a imagem da universidade como causou problemas para a montagem de um bom time. A universidade perdeu uma bolsa de estudos para atletas de basquete e estava sob observação, mais um vacilo e as punições seriam bem mais sérias.

Sem dúvidas não parecia o destino ideal para um jogador, mas Sundiata Gaines negou inúmeras outras propostas como Seton Hall, Pittsburgh e Florida State para ficar com a U. da Georgia. Dizem que a proposta da Georgia seduziu Sundiata porque era a que mais falava em tempo de quadra, enquanto umas falavam em 20 minutos por jogo, Georgia oferecia 35 minutos e a vaga de titular. Ele topou.

Foram quatro temporadas no basquete universitário. Mas ao contrário da estrela que era no mundo do basquete colegial, na NCAA ele nunca conseguiu passar da barreira do bom jogador. Liderava o seu time, é o segundo em assistências e o primeiro em roubos da história da universidade, tinha boas médias (cerca de 12 pontos, 5 rebotes e 4 assistências nesses quatro anos) mas nada que o fizesse saltar os olhos do pessoal da NBA. Suas atuações se destacavam dentro de sua divisão, a SEC, mas não nos rankings nacionais. Nos 4 anos de Gaines por lá, Georgia só alcançou o torneio da NCAA uma vez, no último ano. Não é preciso dizer que depois de tanto tempo o seu ótimo histórico colegial já não chamava a atenção de mais ninguém.

Em 2008 ele participou do Portsmouth Invitational Tournament, um dos vários torneios pré-draft em que jogadores que não estão garantidos no draft se enfrentam para tentar impressionar alguém e ganhar uma vaga no fim do segundo round. Gaines chamou a atenção do Knicks, que o chamou para um treino particular, mas não rendeu uma escolha. Sem ser draftado foi jogar na Itália, no NGC-Cantu, onde teve médias de 13 pontos por jogo. Mais uma vez apenas mais um na multidão, várias propostas de outros times maiores da Itália mas nenhuma de onde ele queria, a NBA.

Ao fim da temporada se arriscou de novo nos EUA. Fez testes para entrar no Atlanta Hawks. Atlanta, no estado da Georgia, era, afinal, um dos lugares onde ele ainda tinha algum reconhecimento e onde, um ano antes, Mario West, outro ilustre desconhecido do mundo do basquete, ganhou sua vaga na NBA depois de ter brilhado um pouco na Universidade da Georgia.

Mais uma vez não deu certo, mas ao invés de voltar para Itália preferiu participar do draft da D-League, a liga de desenvolvimento da NBA. Lá, pelo menos, teria mais visibilidade na liga. Apesar de ter sido considerado o melhor nome do draft pelo site DraftExpress, foi apenas a 15ª escolha e foi parar no Idaho Stampede. Em 14 jogos pela equipe nessa temporada ele foi titular em 8 e chamou muita atenção de todo mundo por ser um dos grandes armadores da liga, com médias de 23 pontos, 4 rebotes e quase 7 assistências.

Nessa mesma época o Utah Jazz fazia uma troca polêmica. Mandava o promissor armador Eric Maynor, junto com o quase aposentado Matt Harpring, para o Oklahoma City Thunder em troca de um jogador alemão que ainda está jogando na Europa. O Jazz explica que mesmo jogando muito bem, Maynor teve que sair porque o time estava com problemas financeiros e precisava economizar. Logo depois Deron Williams sofreu uma leve contusão no pulso esquerdo e virou dúvida para uma das partidas da equipe. Tendo apenas Ronnie Price no elenco para a reserva de Deron, Jerry Sloan foi buscar na D-League um reforço.

Para a sorte do Sundiata Gaines, o escolhido foi ele. E para a nossa sorte, a NBA resolveu filmar o episódio. O vídeo abaixo mostra o momento em que um representante da liga avisa o jogador que ele vai para a NBA e logo depois mostram ele ligando para a sua mãe para contar as boas novas, só dá para ouvir, de longe, um grito pelo telefone e ele dizendo que ela chorou um pouquinho.




Sua estréia no topo do basquete foi contra o Memphis Grizzlies. Uma vitória tranquila do Jazz em que ele jogou 20 minutos e fez três pontos. Pouco participou das outras partidas até que na quinta-feira dessa semana Jerry Sloan precisou dele de novo.

A partida era contra o Cleveland Cavaliers. Os três primeiros quartos foram sofríveis, com todos os times errando tudo até que o quarto período esquentou. O Jazz começou com um ataque furioso e LeBron James respondeu fazendo o que sabe, carregando o time sozinho nas costas e acertando arremessos de todos os cantos da quadra como se fosse um videogame. Fez 20 pontos só no último período e com uma cesta de três depois de um rebote de seu próprio lance livre parecia ter selado a vitória.

Até porque como o Jazz iria responder àquilo? Deron Williams, o homem dos momentos decisivos do time, estava fora. Depois de tomar uma dedada no olho do companheiro Boozer no primeiro quarto e uma trombada que estava mais para atropelamento por trem do LeBron James no segundo quarto, ele machucou de novo aquele mesmo pulso que fez Sloan chamar Gaines da D-League. Mas dessa vez ele estava mais perto e foi direto pra quadra. Nos momentos decisivos do jogo, enquanto o Cavs deixava LeBron James brilhar em rede nacional e o jogo era televisionado com grande audiência para todo os EUA na famosa rodada dupla de quinta-feira da TNT, o Jazz tinha em quadra Ronnie Price, Sundiata Gaines e Kyle Korver.

Este último fez boa parte da mágica da noite ao acertar um arremesso de trás da tabela a poucos segundos do fim do jogo. A diferença então baixou para um ponto e com o erro de um lance livre de Zydrunas Ilgauskas, o Jazz tinha alguns segundos para empatar o jogo com uma bola de 2 ou virar com uma de três. Jerry Sloan desenhou uma jogada para que o então herói da noite, Kyle Korver, que além da bola de trás da tabela já tinha dado um toco em LeBron James, arremessasse de 3. Mas com a marcação dobrada ele tocou para Price que, também sem saída, tocou para Gaines, que com Anthony Parker totalmente em cima dele, arremessou para a vitória.

O ginásio veio abaixo e do chão Gaines viu o momento em que entrou para a história da NBA. Quase não conseguiu levantar com todos os seus companheiros de time o abraçando para comemorar. Um pouco mais calmo deu uma entrevista para a TNT em que disse que "se a bola viesse para a minha mão eu ia para a vitória. Eu tenho muita confiança em mim e no meu jogo". E só com essa confiança para transformar esse desconhecido do mês na história do ano da maior liga do mundo.

No vestiário a estrela do Jazz Carlos Boozer comentou sobre o novato, disse que tinham feito o primeiro treino com ele apenas um dia antes do jogo contra o Cavs, já que antes dos outros 4 jogos que Gaines participou eles não tiveram tempo, e disse que o garoto realmente tinha muita confiança nele mesmo, "mas que agora todo o resto do time também tem".

No vídeo abaixo, tudo desse jogão: LeBron acertando bolas do meio da quadra antes do jogo, o toco do Korver, o Lebron dominando a partida, a contusão do Deron Williams, a bola milagrosa do Korver e o momento em que Sundiata Gaines escreveu seu nome em um cantinho da história da NBA.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Jogadores debaixo do tapete

"Não penso, logo não existo?"


Num incrível passe de mágica, Gilbert Arenas está desaparecendo. Após ter (se os relatos estão corretos) levado armas sem munição para o vestiário do Wizards, oferecido uma a seu colega Javaris Crittenton como piada, e depois tirado sarro de toda a situação apontando os dedos como se fossem armas para sua equipe numa apresentação do time, qualquer coisa que lembre o Gilbert Arenas está desaparecendo na miúda. Suas fotos sumiram dos produtos do Wizards, um banner com seu rosto desapareceu da entrada do ginásio, sua camiseta não é mais vendida nas lojas e imagens de suas jogadas foram retiradas do vídeo de introdução da equipe. Arenas não teria sido tão eficiente em sumir do mapa nem se tivesse forjado a própria morte (o Elvis está aí pra provar, já que até hoje a gente sabe muito bem que ele não morreu coisa nenhuma e está aproveitando férias no Havaí com o Tupac). Era de se supor que, após a suspensão "por tempo indeterminado" ditada por David Stern, o Wizards brigasse para ter sua estrela de volta às quadras. Pelo contrário, a equipe está feliz da vida de se livrar do armador. Feliz o bastante para apagar quaisquer vestígios de que Gilbert Arenas um dia tenha chegado a acontecer.

O Denis já debateu bem o caso e, realmente, armas são feitas para matar gente e é um tanto imbecil levá-las para o vestiário do seu trabalho, ainda que sob pretexto de tirá-las de casa e de perto dos seu filhos (que tal dar a arma pra polícia e pronto, não ter mais que lidar com isso?). No entanto, é estranho como o caso provocou tanto horror e uma suspensão brutal justamente numa cultura obcecada por armas, em que você pode comprar munição no mercado ali do lado do leite , com grupos de adoradores de armamentos e uma série de leis que favorecem o porte. Armas estão de tal modo dentro da cultura americana que uma longa lista de jogadores estão ou estiveram envolvidos em casos de porte ou utilização de armas de fogo, sem que ninguém sofresse punições muito severas. Escrevi um longo post sobre o Delonte West, que foi parado pela polícia e calhou de estar com duas pistolas no corpo e uma shotgun escondida numa mala para guitarras, não exatamente o tipo de coisa que você leva para tocar no aniversário da sua sobrinha. Não houve qualquer grande medida por parte da NBA, mesmo estando todas as armas repletas de munição, enquanto o Stephen Jackson foi suspenso por 7 jogos depois de ter dado vários disparos depois de uma briga numa boate. O Jamaal Tinlsey também já se meteu em mais tiroteios do que o Charles Bronson, tendo sido suspenso um par de vezes (e dando uns depoimentos engraçados, porque ele realmente acha que é normal pra qualquer cidadão se meter em conflitos armados de duas a três vezes por semana), mas nunca nada grave.

A atitude do Arenas foi uma merda, armas não são bolacha Passatempo ou revistas de mulher pelada pra ficarem no armário do trabalho, e piadas com troços letais sempre dão algum tipo de merda. Mas a mensagem que eu estou recebendo aqui é que você não pode ser burro e fazer uma piada imbecil, sob pena de ser banido da NBA, enquanto está tudo bem dar uns balaços para o alto ou em outras pessoas em confrontos quaisquer mundo afora. David Stern ainda não decidiu nada sobre Javaris Crittenton, que pelo jeito respondeu à piada do Arenas sacando sua própria arma e dando um tiro para cima no ginásio, alegando que aguardará o término das investigações. Mas o Arenas foi suspenso sem espaço para reclamações, simplesmente porque tirou sarro da situação. O Jamaal Tinsley nunca tiraria sarro de um tiroteio, o negócio pra ele é real, sua cabeça parece estar sempre a prêmio e ele vive essa realidade tão barra-pesada e distante que o David Stern quer fingir que não existe. Mas o Arenas não, é apenas um garoto entediado, fazendo piadas no seu blog e no Twitter, tão distante desse lance de armas e balas na periferia que não pode deixar de tirar sarro dessa imagem de bandido maluco favelado que tentaram colocar nele. Se o esteriótipo já é uma besteira para qualquer um, deve ser ainda mais ridículo para um garoto mimado que não fez outra coisa além de jogar videogame enquanto esperava seu joelho se recuperar. A brincadeira com as armas foi idiota, a piada com a imagem que a mídia lhe criou foi ingênua (todo mundo sabia que o também entediado mas poderoso David Stern ia ficar bravinho), mas a punição foi totalmente descabida. Jogadores que usaram suas armas de fogo contra outras pessoas estão jogando por aí. Jogadores acusados e condenados por correr demais, acidentes de carro, dirigir alcoolizado. Li recentemente que, pego em excesso de velocidade, LeBron James disse rindo que estava apenas com sono e queria ir pra casa dormir. É claro que ele nunca seria suspenso, o David Stern é burro mas não é bobo.

Uma cagada não anula a outra. O que o Arenas fez foi uma besteira, mas isso não quer dizer que qualquer ação por parte do David Stern é justificável, a besteira do nosso engravatado favorito não pode passar despercebida apenas porque todo mundo quer tacar cocô no Arenas. Aliás, qualquer medida da sua parte seria uma besteira descabida, o que a NBA tem a ver com a parte legal e judicial de seus jogadores? Deixem Arenas ser acusado, sentenciado e preso por transporte e porte de armas de fogo em Washington como está prestes a acontecer, pronto. Deixe JR Smith passar 60 dias na cadeia por causar, em alta velocidade, o acidente de carro que matou seu melhor amigo. Por que a NBA insiste em se meter nesse tipo de questão? Qual a relação entre basquetebol e o babaca ter dirigido bêbado na noite de ontem? Outros âmbitos são responsáveis por isso, é preciso haver uma separação urgente, antes que David Stern comece a pedir currículos para decidir se um jogador pode participar do draft: só poderão ser escolhidos aqueles que forem brancos, protestantes, não fumarem, não beberem e não saírem de casa depois das 21h (os chineses também podem, eles dão dinheiro).

Voltando ao mundo do basquete, o mais curioso nesse lance do Arenas é o Wizards estar desaparecendo com o seu jogador. Pelo jeito, estão apenas aguardando, com água na boca, o David Stern deixar que eles invalidem o contrato do armador. O motivo é simples: ao pagar 111 milhões num contrato de 6 anos, a franquia esperava não apenas um jogador que levasse o Wizards ao topo do Leste, mas também o jogador mais carismático e vendável da NBA. O que acontece é que esse pirralho bocudo perde o amigo mas não perde a piada, o que não é lá muito vendável. Quanto mais declarações bem-humoradas, mais gente passava a ficar ofendida com alguma coisa (a gente aqui no Bola Presa descobriu, desde muito cedo, que o humor sempre está ofendendo alguém que você nem imagina, basta tirar sarro de andorinhas e o Sindicato dos Adoradores de Andorinha entra em contato por e-mail) e aos poucos o Arenas foi deixando de ser unanimidade. Muita gente meteu o pau no Arenas até por falar demais - como se a gente não falasse demais em todos os veículos que nos dão voz, até no "Fala que eu escuto" às 3h na Record - porque seu papel na vida é jogar. Só que jogar com o joelho transformado em poeira fica difícil, então os 111 milhões não serviam nem para ter um garoto-propaganda bacana nem pra ter um jogador em quadra. Talvez quando ele ficar saudável tudo valha a pena, quem sabe? Aí então ele finalmente ficou saudável depois do time feder tanto sem ele e, surpresa: o time continua fedendo. Dar um salário desses para alguém que, mesmo quando joga, não consegue salvar o time lá das piores colocações do Leste? É por isso que o Wizards quer tanto terminar o contrato e se livrar desse fardo, até porque fazer uma troca nesse valor seria quase impossível.

A mesma coisa anda acontecendo em Milwaukee. O Michael Redd vai ganhar 18 milhões na temporada que vem, e para quê? Passou a última temporada inteira contundido, jogou minutos limitados nessa e já foi anunciado que estará fora pelo resto da temporada graças a uma nova cirurgia. Mesmo quando jogava, no entanto, Redd nunca pareceu o tipo de jogador capaz de carregar sozinho uma franquia. Ele teve a chance de assinar um contrato mais modesto com o Cavs e, ao lado de LeBron, já teria atualmente 14 anéis de campeão. Mas não, preferiu ser a estrela de um time, encher as orelhas de dinheiro, e agora dá discursos dizendo que só quer vencer, só quer estar num time com chances de vencer. Burro foi o Bucks, de pagar tanto por um arremessador. Agora, a postura por lá é fingir que nada aconteceu, dar espaço para o Brandon Jennings e torcer para o Redd ir embora. Aliás, torcer para a lesão durar bastante porque aí a NBA devolve uma parte do salário. Mesma coisa com o Tracy McGrady: atualmente tem o maior salário da temporada (são mais de 23 milhões!), não jogou bulhufas contundido nos últimos anos, e o time acabou dando espaço para outros jogadores e outras formas de jogo. O que o técnico queria é que ele desaparecesse, mas se ele não jogar pelo menos uma parte do salário volta. Com certeza se Michael Redd e Tracy McGrady estivessem envolvidos num escândalo com armas, seus times aproveitariam para sumir com as fotos, banners, camisetas e vídeos. É uma chance de desfazer a burrada de dar um salário tão grande para um jogador que só se contunde, e tudo isso às custas do jogador - que não tem culpa nem de ter recebido a oferta contratual dos times, nem de estar contundido o tempo inteiro (aliás, tanto T-Mac quanto Arenas sempre quiserem jogar, mesmo com lesões).

O Arenas está sendo varrido pra baixo do tapete com tanta intensidade que agora quando você vai no site da NBA.com e tenta fazer uma camiseta personalizada com o número "0" e o nome "Arenas" (já que sua camiseta oficial não está mais à venda), o site diz não permitir camisetas com nome ou conteúdo ofensivo. Ou seja, tentar criar uma camiseta com "Caralho, "Puta merda" ou "Arenas" dá na mesma, ele virou um palavrão. Tracy McGrady ainda pode ter suas camisetas compradas, mas está sendo completamente ignorado pelo Houston até que seu contrato termine e ele desapareça. Michael Redd, provavelmente, seguirá o mesmo caminho. Mesmo antes de sua contusão recente, havia um sério questionamento sobre sua liderança na equipe e a comissão técnica decidiu que ele não era mais o jogador principal, cargo dado a Jennings e Bogut.

Frente a tudo isso, dou dois conselhos: o primeiro é que se você encontrar uma camiseta do Arenas em alguma loja da adidas pelo Brasil, compre imediatamente porque ela vai ser raridade (e palavrão). O segundo conselho é que você tente salvar Tracy McGrady de desaparecer por completo no Houston: participe agora mesmo da nossa promoção, monte uma troca para libertar T-Mac e concorra a 5 bonés do Houston Rockets!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ô a maldição voltou...

Blake Griffin é mal educado e sabe aproveitar seu tempo livre


Queria comentar sobre os novatos da temporada há algum tempo mas estava esperando o Blake Griffin voltar a jogar para fazer isso. Afinal de contas ele foi a escolha número 1 do draft, arregaçou com tudo e com todos na summer league e era forte candidato a ser novato do ano, nada mais justo que dar pelo menos algumas semanas de jogo pra ele antes de sair julgando a classe de novatos do draft de 2009.

Mas acontece que ontem saiu uma notícia dizendo que o Blake Griffin passou por outra cirurgia em seu joelho e ficará de fora de toda a temporada. Sim, é o segundo jogador que foi a primeira escolha a perder toda a temporada de novato em três anos, primeiro foi o Greg Oden em 2007.

O esquisito é que a contusão dele não parecia nada séria, vocês lembram da jogada em que ele se machucou? Foi uma jogada bem bonita, inclusive. Não tem jeito, por mais que seja piada velha, temos que falar da maldição do Clippers, é absurdo como tudo dá errado pra eles! Algumas piadas com coisas típicas da liga, como falar que o Pistons é uma máquina que sempre funciona, que o Zach Randolph só afunda os seus times ou que o Kobe é um fominha se perderam com o passar do tempo, times e jogadores mudam e assim mudam suas imagens, mas desde que o mundo é mundo o Clippers é a síntese do azar: Chris Wilcox, Darius Miles, Michael Olowokandi, Shaun Livingston, dentre outros, já foram a salvação da equipe nos últimos 10 anos.

Como é bem fácil ignorar o primo pobre de LA, muita gente não percebeu, mas o Clippers andou roubando vitórias de times grandes por aí. Logo depois do Natal venceu o Celtics e depois da virada do ano embalou 4 vitórias seguidas contra Sixers, Blazers, Lakers e Heat, alcançando até a marca de 50% de aproveitamento na temporada, coisa que acho que não acontecia a essa altura do campeonato desde a época de Sam Cassell na equipe.

Era difícil acreditar que algum time da zona de playoff do Oeste fosse cair para que o Clippers entrasse, mas com esse aproveitamento todo sem o Griffin podia-se pelo menos ter esperança. O elenco, que sempre foi bom mas nunca se entendia direito, parecia ter entrado em sintonia. A dupla Camby e Kaman, que sempre pareceu estranha pelos dois serem pivôs, se entendeu. O Camby sabe quando sair do garrafão para deixar o Kaman trabalhar com espaço e sabe quando ficar embaixo da cesta deixando o Kaman usar seu arsenal de arremessos de meia distância. Com os dois entrosados o Camby voltou a ter seus típicos jogos de 0 pontos, 15 rebotes e 4 tocos e o Kaman deve jogar o All-Star Game e é o melhor pivô ofensivo da NBA.

O Eric Gordon tem sido um ótimo marcador de pontos para a equipe, faz pouco além disso mas é confiável e o Baron Davis é o Baron Davis de sempre: quando ele acorda afim é um dos cinco melhores armadores da liga, quando não quer, pelo menos quebra um galho. E quando a fase é boa até outros caras aparecem, naquela vitória sobre o Blazers que eu citei, quem liderou a arrancada do time no fim do terceiro período e no começo do quarto foi o Sebastian Telfair! Contra o Lakers foi a vez do rinoceronte Craig Smith e até o jogador que eu mais desprezo na NBA, o Ricky Davis, teve seus momentos.

Mas quando a coisa parecia estar ficando boa e promissora é que acontece a desgraça. Vocês tem que entender que a maldição do Clippers não é simplesmente fazer com que o time seja ruim, isso não tem graça. É uma maldição sádica, que gosta de dar esperança antes pra fazer sofrer mais. Ao invés de não te dar a Alinne Moraes, o que é algo que todos sabemos como é, essa maldição te faz conhecer ela, faz você se apaixonar por ela e aí ficar com ânsia de vômito e soltar tudo no colo da guria no primeiro encontro.

Ao invés de ser ruim por ser ruim, o Clippers tem um bom elenco que não rende. Ou ter a sorte de ganhar o sorteio do draft só pra aumentar a expectativa e o tombo ser maior depois. Não sei em cima de que cemitério indígena eles fundaram o Clippers mas eram indíos cruéis, muito cruéis.

Quer outro caso da maldição fodendo com o Clippers? Na terça-feira eles estavam jogando contra o Grizzlies, em Memphis. O Baron Davis estava naquele seus dias encapetados em que ele decide que vai ser o melhor jogador do mundo. Fez 17 pontos, 9 rebotes e 9 assistências só no primeiro tempo! Os dois times estavam empatados na tabela e ainda brigam pela vaga de time-que-ninguém-dava-nada-e-que-iria-para-os-playoffs-se-estivesse-no-Leste. O Baron Davis estava jogando tão bem que eles estavam vencendo por 12 pontos mesmo sem ter o Kaman em quadra. Ele, machucado, deu espaço para o promissor DeAndre Jordan, que deu conta do recado com 23 pontos, 7 rebotes e 3 tocos.

Então, quando restavam poucos segundos para o fim do terceiro período, aparece uma mensagem no telão do FedEx Forum em Memphis: Uma emergência nos foi reportada, deixe o ginásio pela saída mais próxima. Não utilize os elevadores.

Chegou a passar pela minha cabeça que um ativista defensor do basquete-arte e dos times de verdade resolveu se manifestar em um jogo entre Grizzlies e Clippers, mas acabou que havia acontecido um vazamento no sistema de água do ginásio. Por mais de 30 minutos alguns corajosos torcedores ficaram do lado de fora, com um frio de matar, esperando para ver o seu time que perdia por mais de 10 pontos para a piada da NBA, mas muitos outros foram embora pra casa.

Quem voltou viu a maldição do LA Clippers em ação. Contando apenas o momento desde a paralisação do jogo até o seu final, cerca de 13 minutos de partida, o Grizzlies venceu por 14 pontos e o Clippers acertou meros 4 arremessos de quadra. No tênis isso até é um pouco mais comum: alguém está perdendo, começa a chover, o jogo para, o perdedor coloca a cabeça no lugar e vira o jogo. Mas jogos de basquete não param! Que time que está perdendo tem a chance de ter meia hora para se reunir com o técnico e colocar a cabeça no lugar? Tem coisa que só acontece com o Clippers...


Histórias de maldição do Clippers nunca vão faltar e sempre vão ser divertidas de contar, faz parte da fantasia que a gente coloca na NBA para ela parecer ainda mais divertida. Sempre transformamos pessoas em personagens e nesse caso transformamos um time em personagem, mais precisamente o Charlie Brown.

E posso parecer ingênuo, mas acredito no futuro do Clippers. O Griffin foi espetacular em todos os momentos em que esteve saudável e o Clippers realmente tem um elenco bom que, pela primeira vez em anos, tem se entendido. Quem sabe em 2011 eles não viram um bom time? Aí em 2012, quando forem um timaço e todos acreditarem que eles lutam pelo título, o mundo acaba só para eles não terem esse gostinho. Seria uma boa explicação para o fim dos tempos.

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Parceria Bola Presa/adidas














O Bola Presa tem o prazer de informar a nossos fiéis, bonitos e inteligentes leitores, além dos torcedores do Jazz, que fechamos ontem uma parceria com a adidas. Infelizmente ela não vai encher nosso rabo de dinheiro, se isso acontecesse a gente iria passar o dia torrando a grana com apostas e mulheres e o blog ia ficar uma droga, mas como não vamos ver verdinhas por enquanto, quem ganha é o blog e os leitores.

E não é propaganda do Carrefour dizendo que o aniversário é nosso mas quem ganha são vocês, os leitores vão ganhar bastante coisa mesmo! A base dessa nossa parceria com a adidas é receber muitos e muitos produtos para distribuir para vocês em diversas promoções ao longo do ano. Então não vai ser só promoção no All-Star Game e no Draft como fazíamos antes, agora serão várias e com prêmios muito mais legais! O prêmio da nossa promoção do All-Star, em especial, vai ser do cacete!

Além disso, a adidas nos ajudará a ter mais conteúdo. Não sei se vocês sabem, mas a empresa é parceira oficial da NBA e a responsável por todos os uniformes de jogo e de treino da liga, além de ser hoje a responsável por trazer muitos dos produtos da NBA para o Brasil. Ou seja, saberemos aqui em primeira mão quais camisetas da NBA vão ser vendidas aqui no país, os tênis mirabolantes que eles vão fazer, e vamos poder compartilhar isso com vocês. Tudo isso além da maior proximidade com a liga e com alguns dos seus jogadores, então entrevistas no Bola Presa estão mais próximas de virarem realidade.

Outro dia na nossa liga de fantasy houve uma discussão que durou dias só sobre que tênis de basquete cada um usou ao longo da vida de basqueteiro, qual era bom, qual era ruim e tudo o mais. Eu achava que isso era mais coisa de gringo, mas pelo jeito aqui também se é viciado em tênis de basquete. O pessoal da adidas vai nos ajudar a falar desse tema, nos dando contato de gente que participa da produção dos calçados, além de mostrar aqui em primeira mão os tênis que as estrelas da NBA vão usar. A gente, por exemplo, já viu com exclusividade os tênis que os atletas da adidas vão usar no próximo All-Star Game, e vamos mostrar aqui pra vocês em breve. Alguns desses tênis devem até entrar em algumas de nossas futuras promoções.

É importante ressaltar duas coisas nessa parceria:

A primeira é que continuamos tendo total liberdade editorial. Ou seja, embora o Dwight Howard seja o principal garoto propaganda da adidas atualmente (eles disseram que aos poucos estão deixando os velhos Duncan e Garnett de lado para focar na nova geração), continuaremos com posts como o que o Danilo fez nessa semana, criticando o pivô. Podemos falar mal também do Derrick Rose, do Josh Smith e até dos brazucas Leandrinho e Nenê, também patrocinados pela empresa.

A outra coisa importante é que vocês precisam dizer o que é legal e o que não é. A gente nunca fez uma parceria antes e aposta, por enquanto, só no nosso bom senso. Então se a gente começar a falar de tênis e vocês acharem chato, é só nos dar um toque. Se a gente sortear bonés e vocês odeiam boné, avisem. Se vocês querem saber alguma coisa dos bastidores, por exemplo como a adidas decide que camisetas vão vender aqui no Brasil, mostrem que esse é o foco de interesse.

Mas acho que não teremos grandes problemas, mantendo a cabeça no lugar e não perdendo a liberdade de falar o que a gente quer, o blog só ganha. Para vocês terem uma idéia, ganhamos até o direito de participar de todos os eventos de basquete que a adidas organiza aqui no Brasil. Ou seja, poderemos encontrar Leandrinho e Nenê para uma entrevista na offseason, acompanharemos de perto o Adidas Nations, aquele evento que reúne jovens jogadores de basquete e alguns jogadores da NBA, e até conheceremos as estrelas gringas que volta e meia vem pra cá. Vocês devem lembrar que no ano passado a adidas trouxe para o Brasil o Antawn Jamison e o Raymond Felton e muita gente reclamou aqui no blog que só ficou sabendo disso depois que aconteceu. Com a gente isso não vai acontecer, saberemos antes, avisaremos por aqui, vamos acompanhar a estadia deles e, nas palavras do Bruno Yoshida, responsável pelo basquete na adidas, "vocês até podem ir na churrascaria com os caras". Ele também falou de outro lugar que o Felton gostou de ir, um de entretenimento adulto, mas minha namorada não me deixaria ir junto...

Outras muitas coisas estão sendo discutidas. Encontros para vocês assistirem jogos dos playoffs com a gente, descontos em produtos adidas pra quem participar de eventos do Bola Presa e por aí vai. Mas enquanto nada disso é confirmado, vamos para a nossa primeira promoção!


Promoção "Cai fora, T-Mac!"

Como todo mundo sabe, o Tracy McGrady foi enconstado no Houston Rockets. O Rick Adelman se desentendeu com o atleta e agora nem aqueles 7 minutos por jogo o cara tem mais, ele treina em separado até que o Rockets arranje alguma troca pra ele.

O que vocês devem fazer nessa promoção é arranjar uma troca inteligente para o Sr. Dor nas Costas. Usando esse site da ESPN gringa chamado "Trade Machine"(que não é uma campanha para trocar o Sasha Vujacic, mas uma ferramenta que diz se a troca é economicamente viável segundo as regras de troca da NBA) você deve formar uma troca que envolva o Tracy McGrady e que favoreça tanto o Rockets como o outro time em questão.
As cinco melhores trocas ganham um boné do Houston Rockets (foto acima) e sua troca analisada por nós aqui no Bola Presa, como se fosse uma troca de verdade. Em outras palavras, você vira um General Manager sendo julgado pela imprensa e ao mesmo tempo ganha boné como se fosse um novato em dia de draft.

Se você precisar de ajuda para usar o Trade Machine, é só perguntar. Mas não tem segredo, você escolhe os dois times em questão, escolhe os jogadores para serem trocados e clica em "try this trade". Se a troca for viável, aparecerá uma mensagem de sucesso em verde. Clicando em "save this trade" você até ganha um link para mandar a sua sugestão pra gente. É só mandar esse link ou a proposta escrita para o nosso e-mail bolapresa@gmail.com com "Promoção T-Mac" no assunto.

E vamos torcer para que o boné do Rockets caiba na sua cabeça, sorte que o Yao Ming não teve.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O apressado come cru

Fãs do Pistons, não temam: com Kwame
Brown, como algo pode dar errado?


Às vezes é legal apertar aquele "botão do apocalipse", vermelho e brilhante, e começar um time do zero. Times bons pra burro acabam percebendo, uma hora, que não vão conseguir ser campeões e não vale a pena ficar dando com a cabeça na parede, eternamente se contentando em ser bom-mas-nem-tanto. É preciso coragem para o botão do apocalipse, mas é uma atitude necessária e saudável na vida de qualquer time da NBA. O que se faz depois do apocalipse, no entanto, é o que separa os grandes times dos times meia-boca. Aquele Nets que foi campeão do Leste com Jason Kidd não tinha qualquer chance de derrotar as potências do Oeste, então desmontar e começar de novo era uma boa ideia. Montar o pior time da temporada e flertar com o pior recorde da história da NBA não é uma ideia tão boa, entretanto. Mesma coisa com o Pistons: se livrar do Billups é algo bem idiota, mas pelo menos permitia reconstruir a equipe com a grana que o fim do contrato do Iverson liberaria. Gastar essa grana num par de jogadores aleatórios que não tinham nada a ver com a equipe não é reconstruir, é terminar de se afundar na lama.

Quando o Pistons contratou Ben Gordon e Charlie Villanueva, avisei que a equipe caia no mesmo erro que tinha cometido tentando colocar Iverson no elenco. Vários fãs do Pistons me puxaram a orelha avisando que eu não entendia o que o Joe Dumars, um dos engravatados mais idolatrados-salve-salve da NBA, estava fazendo. Disseram que com sua incrível visão de mercado ele reconstruiria o time em apenas uma temporada, antes da badalada offseason de 2010, e que várias trocas surgiriam se livrando dos velhinhos da equipe. Pelo contrário, os velhinhos ainda estão lá - e ainda receberam Ben Wallace de volta com uma rodada de bingo e um chá de erva cidreira pra comemorar. Ao fim dessa temporada, uma tonelada de grandes estrelas verão o fim de seus contratos e todo time mequetrefe da NBA daria um dedo mindinho por dinheiro o bastante para competir por um desses grandes talentos. Com medo de que a competição ficasse muito acirrada e os salários muito inflados, Joe Dumars preferiu dar 50 milhões de doletas para Ben Gordon, o arremessador maluco, e 35 milhões para o Villanueva, que não consegue se destacar nem quando o time inteiro joga para ele na seleção da República Dominicana.

O que o Pistons tem em mãos é uma série de jogadores que se anulam e não fazem um puto de um sentido juntos. Enquanto Gordon precisa da bola nas mãos o tempo todo para arremessar como louco, Stuckey precisa da bola nas mãos o tempo todo para penetrar no garrafão. Richard Hamilton precisa de um esquema de jogo feito para ele, que consista de passes e corta-luzes, não de gente segurando a bola. Will Bynum é figurinha repetida, faz aquilo que Stuckey já faz, enquanto faltam jogadores com outras funções específicas. Enquanto a identidade do time já foi a defesa, e Ben Wallace e Tayshaun Prince ainda tentam segurar essa imagem, outros jogadores - em especial as novas aquisições como Gordon e Villanueva - não defendem nem filhotes de gatinhos sendo chutados na rua. Ainda tenho uma teoria de que o Jerebko, o Daye e o Prince são a mesma pessoa, mas com maquiagens diferentes, o que só dá ao time mais do mesmo. Há uma necessidade brutal de identidade para a equipe, uma rotação específica, um modo de jogo, algo que una esses jogadores. Vamos focar na defesa? Vamos só arremessar de três? Vamos jogar na correria, na porra-louquice? Vamos jogar de quatro, tentando fazer cestas com o nariz como o "Bud, o cão amigo"? Qualquer coisa serve, desde que esse monte de gente se transforme em algo que lembre, mesmo que de longe no escuro e na neblina, um time.

Para piorar as coisas, não deu nem pra brincar de pensar numa rotação para essa equipe porque todo mundo vive contundido. Villanueva quebrou o nariz, pegou uma gripe violenta e agora tem uma lesão terrível no pé, Will Bynum torceu o pé, Rodney Stuckey torceu o tornozelo (incluindo duas torções, uma em cada pé, num mesmo jogo contra o Bulls), Hamilton tem uma lesão grave no pulso, Ben Gordon lesionou o tornozelo e Prince tem uma lesão preocupante nas costas. Ou seja, só sobraram os novatos, o que é bacana porque times em reconstrução tem mais é que dar minutos para a pirralhada mesmo. Austin Daye e Jonas Jerebko são bons o bastante para dar uma alegria aos fãs do Pistons, o único problema é que eles precisam do espaço que supostamente pertence ao Prince. As lesões complicam qualquer equipe, não importa quão forte e profundo seja o elenco, mas a verdade é que no Pistons as lesões apenas camuflaram o problema maior: o que diabos fazer quando todo mundo estiver saudável? Não há espaço para Prince e Hamilton se o foco da equipe por reconstruir e dar minutos para os novatos, mas haverá coragem de colocar os dois no banco de um time perdedor e ter paciência para ver os frutos surgirem daqui a dois, três anos? Acreditem ou não, as lesões tornaram a vida do técnico John Kuester mais fácil, porque ele não teve ainda que fazer nenhuma decisão mais polêmica ou complicada. Além disso, dá pra colocar a culpa pela segunda pior campanha do Leste nas contusões, sem ter que encarar o fato de que esse time, do jeito que está, sequer é melhor do que o Nets e sua famigerada briga pela pior campanha de todos os tempos. Sério, alguém já viu o garrafão do Pistons? É facilmente o pior de toda a NBA: Ben Wallace aposentado, Kwame Brown e suas mãos minúsculas (sem falar no cérebro de ostra), Chris Wilcox e sua força bruta sem tutano, e por fim Jason Maxiell, excelente para vir do banco mas misteriosamente colocado de castigo pelo técnico (provavelmente um daqueles casos de jogadores que só funcionam ajudando um time bom, como carregadores de piano, e que não seguram a responsabilidade de lidar com um garrafão sozinhos). Quando seu garrafão tem Ben Wallace e Kwame Brown, é seguro dizer que seus pontos só virão de trás da linha de três...

O medo de feder fez Joe Dumars optar por uma reconstrução rápida e indolor. Com sorte ninguém perceberia, o time conseguiria uma oitava vaga para os playoffs, e na temporada que vem tudo voltaria ao normal. A pressa, no entanto, resultou em contratações equivocadas, falta de identidade para o time, dúvidas sobre colocar a pirralhada para jogar ou não (o Wolves pediu um técnico que colocasse os novos talentos para jogar mesmo que isso custasse vitórias, e o Pistons, tem essa abordagem?), e o pior: derrotas a dar com pau. Com a derrota para o Bulls na noite de ontem, são agora 13 derrotas seguidas. Mais do que um número simbólico de azar, perder para o Bulls mostrou a cagada de contratar o Ben Gordon: o Bulls teve uma excelente partida de John Salmons, que substituiu Gordon no elenco e é um arremessador capaz de pegar rebotes e defender, e o Pistons não tinha como usar o Gordon para defender nem Derrick Rose e nem o Kirk Hinrich, que foram titulares juntos e engoliram a equipe de Detroit viva. O resultado foi o Ben Gordon mofando no banco, ao ponto do Kuester achar melhor descansar a lesão do rapaz do que colocar seu cestinha em quadra. Gastar 50 milhões por um arremessador que só faz uma coisa? Numa liga tão repleta de gente capaz de oferecer coisas parecidas? Talvez o Joe Dumars erre às vezes, criançada. Talvez ele tente correr demais volta e meia, com medo de admitir uma reconstrução, de carregar nas costas o peso de ter desmontado uma das equipes mais bacanudas e vitoriosas dos últimos anos. Mas agora vai ter que arcar com a responsabilidade de uma das piores campanhas da temporada, uma das piores sequências de derrotas, e um time sem perspectiva de melhora. Quando as lesões acabarem, o time pode até melhorar em campanha, mas é aí que os problemas vão começar de verdade: o que diabos o Pistons quer fazer da vida? Será hora de decidir. O problema vai ser perceber que Hamilton e Prince precisam sair, porque não é fácil imaginar um time que aceite os dois, tão dependentes de esquemas táticos específicos. Provavelmente alguém deveria ter pensado nisso antes...