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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Trocas de último segundo

LeBron comemora a vinda de Ben Wallace ou a ida de Larry Hughes?


Como tornar um post desatualizado em apenas uma lição básica: finalize-o uma hora antes do horário limite para trocas na NBA. Foi ali, na horinha final, que a maior troca da temporada até agora aconteceu. Não maior em importância, veja bem. Maior em quantidade de jogadores: tem mais gente envolvida do que o Pelé tem de filhos.

Pra não tacar os 11 nomes de uma vez e dar a todos nós um tempo pra respirar, vamos comentar a troca por partes, falando de um time de cada vez. A começar, porque eu quero que seja assim, com o Chicago.

O Bulls tem um problema crônico antigo que incomodou um pouco na temporada passada e simplesmente aniquilou o time nessa temporada. Falta à equipe uma força ofensiva no garrafão e todo mundo que veste um uniforme dos tourinhos fica bem longe do aro chutando de 3 pontos o dia inteiro. Ben Wallace é um jogador espetacular, mas só vai ser efetivo na parte ofensiva no dia em que air ball valer 1 ponto no placar (que tal sugerir essa regra para o David Stern?). A aquisição de Joe Smith foi até motivo de piada na época, porque se ele era a solução dos problemas do time, eu seria a solução para o Grizzlies. Mas a verdade é que o Joe Smith se saiu muito melhor do que se esperava e foi, por longos períodos de tempo, o melhor jogador do Bulls. Não que isso queira dizer alguma coisa, claro. Joe Smith faz pontos mas sua praia não é ficar de costas pra cesta.

Com Tyrus Thomas e Joaquim Noah, caras grandes e de mentalidade defensiva, Ben Wallace e seu contrato tão gordo quanto a pança do Eddy Curry eram dispensáveis - desde que em troca do jogador certo. No caso, talento para o garrafão. Então alguém me explica porque o Bulls mandou o Big Ben junto com um dos poucos pontos positivos dessa temporada, Joe Smith, em troca de Larry Hughes, Drew Gooden, Shannon Brown e Cedric Simmons.

Vamos aos poucos. Shannon Brown mostrou que pertence à NBA quando LeBron saiu machucado, mas seu talento é moderado e ele deve morar no banco de reservas. Cedric Simmons é um cara grande que não causa impacto algum, é só um corpo a mais para abrir o pote de picles, alcançar a panela em cima do armário e fazer faltas no Dwight Howard na hora dos playoffs. Larry Hughes até está em alta, mas é que simplesmente conseguir quicar uma bola de basquete já é alta para ele. Se o sujeito não consegue acertar um arremesso sequer no Cavs há anos, como é que vai acertar arremessos num time que está justamente com a menor porcentagem de aproveitamento nos arremessos em toda a Liga?

E então chegamos ao Drew Gooden. Eu gosto do cara, sabe, desde os tempos de Orlando Magic. Mas jura pra mim que o Bulls acha que o Gooden é o que faltava no garrafão? Um cara que fica dando arremessos de meia distância e que não é tão diferente assim do Joe Smith? Bem, assim é a vida. Uns levam Pau Gasol, outros levam Drew Gooden. Uns tem a Preta Gil, outros a Alinne Moraes. O ruim é se contentar com o Gooden e fingir que, agora, está tudo bem.

Para o Cavs, é tudo um paraíso. Se livrar do Hughes é tipo ganhar na loteria e, fora o Gooden, o Cavs mandou apenas peças de segunda linha de quem ninguém vai se lembrar em alguns meses. Com Gooden indo para o Cavs e Donyell Marshall indo para o Sonics, o Cavs fica com duas duplas interessantes no garrafão: Ben Wallace com Ilgauskas e Varejão com Joe Smith. Ou seja, duplas em que sempre um defende e o outro ataca. Acho muito difícil que Varejão e Big Ben estejam juntos em quadra (seriam recordistas em air ball de lances livres!), mas as quatro peças formam boas combinações, bem equilibradas.

Como se não bastasse, o Cavs ainda recebe o Wally Szcscjlshderbiak e o Delonte West. Vai por mim, o West vai ser titular ainda antes da Sabrina Sato tirar a pinta da testa. O Gibson que me perdoe, mas ele tem "reserva" tatuado na testa em Times New Roman tamanho 20. E o Pavlovic, que desde aquela polêmica com a renovação do contrato vem fedendo pra burro, deve perder mais e mais minutos para o Wally. Apesar de ter uns 70 anos, o veterano acerta arremessos de três pontos até dormindo e vai ser útil pacas no Cavs, além de ser legal ter uma camiseta com um sobrenome ilegível e impronunciável. Agora, LeBron, me escuta: o Kidd não veio mas teu elenco agora é mais completo e profundo do que jamais foi. Hora de ganhar um título!

Assim como naqueles grupos de cinco sujeitos coloridos de roupa colada japoneses, tipo os Power Rangers, em toda a troca tem que ter um participante babaca. Nessa troca, o babaca da vez é o Sonics. Receberam do Cavs o Ira Newble e o Marshall, e do Bulls o Adrian Griffin. O Griffin pode contar para os novatos boas histórias sobre os tempos em que os continentes da Terra ainda eram apenas um, porque o sujeito tem uns 60.000 anos. O Ira Newble fede, e do Marshall eu gosto bastante, mas ele precisa de esquemas favoráveis para seu jogo e de uns 5 anos a menos, coisas que só acontecem em filmes ruins da Sessão da Tarde. Essa troca para o Sonics significa apenas uma coisa: estamos nos livrando de quem não quer ficar, de quem é veterano, vamos perder o máximo possível e pegar uns bons novatos na temporada que vem. Bem, é um plano melhor do que trocar pelo Randolph, convenhamos.

Com toda essa bagunça acontecendo em Chicago e Cleveland, é bem fácil se esquecer de que o Raptors também fez algo para ficar melhor. Sem nenhum pivô reserva desde que draftaram o Baby (provavelmente foi um castigo divino, ou uma maldição indígena) o time da terra do hockey vem improvisando o Humphrey no garrafão. Ele até faz um bom trabalho, mas o Brezec veio do Pistons (e acabara de vir do Bobcats, coitado, deve ter cansado de se mudar) e é um pivô de verdade, capaz de acertar seus arremessos quando necessário. Em troca, o Raptors mandou para Detroit o armador Juan Dixon, amigo do Steve Blake, que é um bom reserva e estava descontente no Canadá, provavelmente porque lá só tem guarda florestal e urso. Ótimo, agora todo mundo fica feliz, mas na minha opinião é a equipe de Toronto que saiu ganhando nessa e agora é ainda mais profundo.

Como nota de rodapé, interessando apenas a mim e ao nosso leitor Rena McGrady, que comentou no post anterior, o Houston mandou o Kirk Snyder em troca do Gerald Green. O Snyder não é tão ruim, sabe? Digamos que ele fede moderadamente, sabe infiltrar e defender melhor do que uma chinchila, por exemplo. Não havia lugar para ele no Rockets mas ele pode ser um bom décimo-segundo reserva em algum lugar por aí, possivelmente na Europa. Já Gerald Green ia ser o novo Kobe uns anos atrás, ganhou conselhos do Bryant em pessoa, então acho que ter ele no time não vai fazer mal a ninguém, vai que de repente ele marca 81 pontos. Na pior das hipóteses, o Green pode ficar brincando de enterrar nos treinos e deixar os outros jogadores entretidos. Já é alguma coisa.

Em breve, vamos dar uma olhada mais uma vez em como cada time se sai com suas caras novas. E lembrando, claro, que o Houston ganhou sua décima partida seguida. O que tem isso a ver com o resto do post? Nada, mas deixa eu ser feliz, tá bom? Meu time não conseguiu nem o Kidd e nem o Gasol, poxa.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Mohammed, o próximo Shaq

Apesar de não ter a fama de Curry e Randolph, Mohammed pelo menos conseguia sair do chão


O que não falta na NBA é jogador surgindo e sendo rotulado "o próximo (insira nome de um jogador fodão aqui)". Só com os "próximos Jordans" dava pra juntar todo mundo e montar um grupo de pagode.

Na temporada 2004-05, uma temporada depois do Nazr Mohammed ter chegado em New York, a troca que o havia trazido estava sendo festejada a torto e a direito. O pessoal chegado numa bola de cristal via no Mohammed o próximo pivô dominante da NBA na geração pós-Shaq. Embora razoavelmente baixo (2,08 m para um pivô é complicado se você pensar que ele tem 20 cm a menos que o Yao Ming), sua altura parecia o bastante para uma conferência Leste que não tinha pivô nenhum que prestasse. Ele dominou um belo punhado de jogos, volta e meia conseguia uns números absurdos e parecia ter um futuro promissor trazendo atleticismo para o garrafão do Knicks. Tinha quase uma média de double-double (11 pontos, 8 rebotes) acertando mais da metade de seus arremessos em minutos estranhamente reduzidos (28 por partida). Quem diria, o Isiah parecia ter acertado ao menos uma vez.

Provavelmente temendo que tomar uma decisão certa colocasse em risco todo o continuum do espaço tempo, Isiah resolveu fazer merda para tentar salvar a humanidade.

Num espaço de tempo de 24 horas, Isiah Thomas trocou pelo contrato milionário do Maurice Taylor (algo tão festejado pelos fãs do Houston quanto a troca do Cook foi festejada pelos fãs do Lakers ou a ida do Gustavo Nery foi festejada pelos fãs do São Paulo) e, como se não bastasse tamanha cagada, mandou o Mohammed para o Spurs em troca do Malik Rose e duas escolhas de draft (que vieram a ser Mardy Collins, o pequeno imprestável, e David Lee, que é bom pra burro mas isso foi só sorte).

Em entrevista a respeito, o biruta do Isiah disse que como a maioria dos times não tinha pivôs no Leste e estavam usando alas improvisados, ele achou melhor trocar o Mohammed por "jogadores de mais talento" e improvisar um ala como pivô. Muito mais talento mesmo, parabéns para ele. Malik Rose e Maurice Taylor foram facilmente esquecidos embora mamem loucamente nos cofres do Knicks e somam juntos meia dúzia de minutos jogados nesses últimos anos. Tudo para deixar os fãs do Knicks bem felizes. Aliás, vale a pena dar uma olhada na reação dos torcedores de New York em fóruns na época dessas trocas. Como é que o Isiah durou até hoje?

O Mohammed mostrava sinais de dominar no Leste, atraiu a atenção do Spurs e foi ganhar anéis em San Antonio. Acontece que não existe nada mais secundário no Spurs do que pivô, são sempre uns jogadores bucha-de-canhão, em geral dois, que fazem apenas o trabalho sujo. Na época, a dupla era Nesterovic e Nazr Mohammed. Atualmente, é Oberto é Francisco Elson.

O Spurs gostou do trabalho de Mohammed, tentou reassiná-lo por uma bagatela mas ele foi tentado a assinar com o Pistons que havia acabado de perder o Big Ben. Se o Mohammed deixasse o afro crescer e parasse de acertar arremessos, poderia ser um bom imitador do Ben Wallace em concursos de talento. Para mim e para outros manés sem nada pra fazer da vida além de comentar NBA, o Pistons parecia ter assinado um substituto razoável que poderia, quem sabe, voltar a dominar alguns jogos pelo Leste.

Mas tem umas coisas que a gente nunca entende, tipo o Udrih ser reserva a vida toda no Spurs e depois ser um excelente titular no Kings, e o Mohammed por algum motivo foi fadado a ser reserva no Pistons. O Chris Webber foi pra lá, os minutos foram ficando escassos e aí ninguém mais nem se lembra do Nazr, até porque isso não é um nome, é um barulho.

Ontem eu me lembrei do Nazr Mohammed de novo mas foi à força, não foi espontâneamente enquanto eu andava na rua mascando chiclete. O motivo foi a troca entre Pistons e Bobcats. O time de Detroit mandou o Mohammed em troca de Walter Herrmann e Primoz Brezec.

O Bobcats estava desesperado por um cara grande. Eles querem poder usar o Okafor como ala ao invés de pivô e tentaram assinar até o Varejão. No desespero, estavam usando um tal de Ryan Hollins, um pivô novato grande e tão talentoso quanto a cadeira na qual estou sentado agora. E o Brezec, que já foi titular em anos passados, foi perdendo a vaga aos poucos por falta de produção mesmo. Ou seja, pra quem está desesperado por um pivô, o Mohammed pode bem ser uma boa e vem para ser titular imediatamente. Só tem que dar uma limpadinha nele primeiro que deve estar cheio de poeira e se bobear tem também um pouco de mofo.

Pro Pistons a troca é basicamente econômica: eles pagavam uma grana gorda prum cara que eles não gostavam de usar, mesmo com ele pegando 14 rebotes em apenas 17 minutos num jogo umas semanas atrás. Então pronto, agora eles liberaram espaço na folha de pagamento e podem até assinar um jogador veterano (Chris Webber, alguém?) sem ultrapassar o limite dessa vez. Fora isso, o que vem de brinde é lucro. Herrmann é talentoso e teve atuações impressionantes pelo Bobcats no fim da temporada passada. Mas aí foi perdendo minutos aos poucos até ser esquecido no banco. Alguma coisa de muito errado aconteceu, mas vamos deixar o Pistons descobrir sozinho o que é. Já o Brezec é um pivô branco e grande que tem seus momentos mas em geral fede e pode ser muito bem aproveitado para pegar potes no alto do armário ou limpar em cima da geladeira.

Mais uma troca de uns jogadores fuleiros que deixa todos os envolvidos felizes. Mas o Mohammed merece uma fezinha, vai. Será titular e pelo menos pode ajudar o seu time de fantasy se você precisa muito de rebotes. E, quem sabe, ele não vira afinal um pivô dominante no Leste até ser mastigado, engolido, digerido e excretado pelo Dwight Howard? Para os fãs do Bobcats, não custa nada sonhar.