quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Dwight Howard e eu: um caso de amor

Dwight é pego pelos bagos

Já faz muito tempo que não tenho medo de descer a lenha no Dwight Howard. Seus movimentos perto do aro são estabanados, lhe falta uma jogada de segurança, é completamente ineficaz fora do garrafão, incapaz de passar a bola para companheiros livres, tem dificuldade em se desmarcar, é um defensor muito fraco no mano-a-mano e tem escolhas bastante questionáveis de posicionamento nos rebotes defensivos. Mas o que mais incomoda não são todas as limitações, naturais para um jogador que chegou à NBA completamente cru, pirralho de tudo, mas sim sua incapacidade de evoluir. Durante as férias sempre surge um ou outro vídeo do Dwight treinando com alguém, de Patrick Ewing a Hakeem Olajuwon, mas é sempre algo curto, raro, e os movimentos que Dwight aprende nunca são utilizados durante as partidas de verdade. Vez ou outra ele dá um arremesso usando a tabela e todo mundo molha as calças de alegria de ver como ele evoluiu e se tornará o novo Tim Duncan, mas então ele passa o jogo inteiro sem tentar de novo. Sua cota de arremessos usando a tabela foi cumprida, aí ele pode voltar a ser o jogador sem habilidade que conhecemos até que volte a dar esse arremesso mais uma vez no ano seguinte.

Agora, finalmente, sou obrigado a mudar de ideia. Dwight voltou bastante diferente para essa temporada depois de uma série intensiva de treinamentos com o Olajuwon. Os arremessos usando a tabela são mais frequentes, os ganchos mais eficientes, e embora todos os times da NBA ainda tentem empurrá-lo para fora do garrafão, Dwight já consegue render nessas situações. Está conseguindo receber mais a bola e agora não é completamente ignorado no quarto período, quando o Magic inteiro se borrava de medo de entregar a bola em suas mãos e ver ele perdendo a bola de forma idiota vez após vez. Os problemas nos rebotes defensivos e sua dificuldade em passar a bola ainda estão lá, mas ver que Dwight evoluiu seu jogo me enche de alegria. Não tem nada mais ridículo do que um jogador que pode ser espetacular mas se considera "trabalho terminado" e quer dominar a NBA do jeito que está. Saber que ele, enfim, está treinando é o bastante para que eu lhe trate com um pouco mais de carinho.

Ontem, contra o Heat, pude comprovar a evolução no jogo do Howard, como se movimenta mais no ataque, recebe mais a bola e tem uma maior gama de possibilidades com a bola em mãos. Sorri de orgulho do meninão, até que o jogo se encaminhava para o final e desceram a porrada nele uma vez. Duas vezes. Três vezes. E o Dwight errou lance livre atrás de lance livre, enquanto a cada posse de bola o Heat chegava um pouco mais perto no placar. O que fazer, se você é um jogador do Magic? Dwight está chutando traseiros, destruindo o garrafão do Heat, e está completamente livre embaixo do aro. Mas se você passar a bola para ele, algum jogador do Miami vai pular no seu pescoço e o pivô do Magic vai cobrar mais lances livres, provavelmente errando as duas tentativas ou no máximo acertando uma delas. Se o Heat for para o ataque e converter, a diferença cairá novamente em pelo menos 1 ponto. E agora?

Quando a água começou a bater na bunda, o Magic simplesmente passou a fingir que o Dwight Howard não estava em quadra. Nada de lhe passar a bola no fim do jogo! Antes era porque ele fazia merda com a bola em mãos, agora é porque lhe enchem de porrada, ele não consegue finalizar com o contato e vai errar todos os lances livres. Sério, parece que um time com o Dwight sempre será punido por colocar a bola em suas mãos. A vitória em cima do Heat veio quando o Jameer Nelson resolveu colocar a bola no bolso, ignorar o pivô, e infiltrar naquele garrafão de manteiga do adversário.

É legal ver que o Dwight andou aprendendo e é um melhor jogador do que era na temporada passada, mas insisto: o Magic é muito melhor quando não passa a bola para ele. Deixem que ele se foque na defesa, nos rebotes ofensivos, no corta-luz para outros jogadores, em congestionar o garrafão. Quanto mais ele toca na bola, menos ela roda para os arremessadores do Magic e maior a chance de que ou cometa um desperdício ou sofra a falta. Talvez contra alguns times seja até legal que o Dwight sofra faltas para que o garrafão adversário tenha que se poupar no banco (como aconteceu com o Pacers, que estava se segurando na atuação fantástica do Roy Hibbert até que ele cometeu a quarta falta e teve que sentar), mas contra o Heat não adianta. Como todo o garrafão da equipe de Miami fede, tanto faz se estão em quadra Joel Anthony, Ilgauskas, Magloire ou Juwan Howard, então todo mundo ficou livre para dar uns pontapés no Dwight. Todo time que for esperto fará o mesmo, e o Heat só não empatou o jogo nos minutos finais porque se negou algumas vezes a fazer falta intencional toda vez que o Dwight tocasse na bola em qualquer lugar da quadra.

O pivô do Magic ainda é um grande jogador, mas nos jogos importantes e nos momentos decisivos ele torna seu time pior quando não se limita às coisas mais básicas. O Heat deveria ter explorado isso ainda mais, mas no momento estão preocupados demais em jogar algo que lembre minimamente basquete. Arrisco dizer que eles tem a pior defesa de pick-and-rolls de toda a NBA na atualidade, e se o Dwight tivesse ficado em quadra apenas fazendo o "pick" com o Jameer Nelson, o jogo teria sido muito mais fácil. Como aprendizado para o Magic, ao menos, tivemos Brandon Bass. Seus arremessos de média distância e seu ataque a cesta tornam o time mais versátil. Não importa se o Dwight é estrela ou não, simpático ou não,aprendendo ou não: seu papel precisa ser limitado, especialmente nos fins de jogos, e o Brandon Bass precisa ganhar mais espaço e mais minutos. A não ser, é claro, que o Dwight apareça na temporada que vem acertando tudo quanto é lance livre. Apenas me garanto o direito de não acreditar em contos-de-fada.

21 comentários:

Farid Tranjan disse...

Após o Hack-a-Shaq, temos o Fight-a-Dwight.
Na moral, eu fico revoltado com essa galera errando lance-livre!!!! É uma das coisas mais fáceis do basquete. É só treinar!!!! Principalmente os pivôs, que recebem faltas embaixo do aro, deveriam se dedicar a esse fundamento. Um amigo uma vez me disse que o problema era que os pivôs tem mãos grandes pra bola e fica difícil fazer a mecânica. Ridículo isso, pois pra refutar, eu peguei uma mini-bola de basquete, e após uns arremessos pra calibrar foi relativamente fácil acertar lance-livre.
Esses caras ficam mais preocupados em treinar monster-dunks pra sair na foto e esquecem a eficiência... O Shaq quando treinou lance livre com o pica das galáxias lá (teve até matéria aqui) melhorou muito, imagina se treinasse MAIS e por mais tempo...

Arthur Malaspina disse...

A diferença é que o Lakers da época do Shaq vencia mesmo sem os lances livres dele, isso pq ele era tão foda (e não, o Howard jamais jogará nesse nível) que desequilibrava tudo e compensava os lances livres errados.

Unknown disse...

Faltou tambem dizer no post que o Dwight nao e dos jogadores mais inteligentes. Teve uma hora no 4º periodo que ele recebeu a bola do lado esquerdo e deu um hop step bem pra o meio do garrafao. Nem precisa dizer que o time inteiro do heat fechou em cima dele e roubaram a bola.

E essa historia das maos grandes dificultarem o arremesso e uma das desculpas que inventaram pra defender a falta de vontade em melhorar de shaq, dwight e rondo. Exemplos nao faltam, yao ming, dr. j, hakeem olajuwon.

R. Moss disse...

Saudades de um pivô dominante ofensivamente.

Até simpatizo com o Howard, mas queria ver ele pontuar mais sem ser com enterradas.

Lucas disse...

Dwight Howard é um monstro!... é o pivô dos sonhos de qualquer equipe na atualidade.

sem mais

Felipe Noronha disse...

Tá longe de ser o do sonho de qualquer equipe, oferece lá do Dwight no Bulls e vê se se livram do Noah :D

Mas então, sempre que vejo jogo do Orlando eu fico com raiva. É muita burrice. É que os caras são bons mesmo, porque QI de basquete é raro ali, viu. O Dwight me dá ânsia de Vômito no ataque, até hoje. Na 1° partida contra o Heat (que eu assisti mais do que essa dessa semana) foi uma tristeza.

Unknown disse...

Eu concordo que, com o treino dele e o gabarito do cara não desenvolveu como esperava, ele nunca vai ser ooo cara dominante como foi o shaq, os super pivos estão esquecidos ehehe, estamos na era dos armadores :P, muitos caras novos e talentosos por ai, por ex o Deron Willians teve algumas aulas somente com o stockton eu acho que resolveu muito bem euheuhue.

Anônimo disse...

Pela primeira vez discordo completamente de um tópico do Bola Presa. Quem assistiu aos jogos do Orlando percebeu uma imensa e evidente evolução do D12. Diferente de outra temporadas, quando o Nelson está apagado ou bem marcado (algo até bem frequente), a melhor opção do Orlando no ataque é deixa a bola nas mãos do D12; ao menos ele vai fazer um ponto. Diferente do resto do time que mal tá fazendo uma cesta de 3. Contra o Spurs, no final do jogo em duas oportunidades ele livrou-se da marcação, mas numa Nelson partiu para a individualidade e na outra arremessaram de 3. Resultado, erraram as duas. Além disso, apesar de algumas falhas, ele compensa muito na defesa; no jogo contra o Indiana, no final da partida deu dois tocos decisivos que permitiram a virada e no ataque fez 5 pontos seguidos. Acho que é mais uma implicação pessoal do que uma análise técnica. Agora é evidente que por melhor que D12 seja, está abaixo de ser um pivô lendário.

Denis disse...

Anônimo, se você acha que nessa temporada ele evoluiu o seu jogo ofensivamente você concorda com pelo menos um pouco do que o Danilo disse.

Releia e veja como ele disse que o Dwight evoluiu muito nos seus movimentos de ataque. O ponto é que não foi o bastante para o Magic ser um time melhor com ele sendo a primeira opção ofensiva.

Abraços!

Anônimo disse...

Denis, a questão é que ele não apenas evoluiu; mas sim evoluiu drasticamente. Sendo capaz de torna o time do Orlando muito melhor quando o jogo é centrado nele. O grande problema é que nenhum time pode se basear em apenas uma jogada. Tire o individual do Nelson e o D12, não sobra nada no ataque do Orlando. Falta jogadas ensaiadas, maior rotação ofensiva. Para mim o time seria muito mais interessante se jogassem: Nelson, Carter, Pietrus, Bass e D12.

Unknown disse...

Os times que conseguiram manter o Howard longe do garrafão e fizeram uma marcação boa de perímetro anularam totalmente o magic, das derrotas do magic que eu vi, é um time bem previsível se souber como defender eles direitinho. E digo estou extremamente decepcionado com o R. Lewis, teve uma epoca que ele sabia jogar um pouco pelo menos :P.

Anônimo disse...

Ué? Só seis parágrafos?

Benito disse...

Cadê o resto do Post?
Alguém falou aí na "era dos armadores". Por que você não faz um post sobre isso? Há + ou - 10 anos (quando eu acompanhava a NBA) tinha inúmeros bons jogadores que decidiam perto do aro: o'neal, mourning, malone, duncan, robinson, webber, divac, ... Inclusive existia uma supremacia do oeste por ter os grandes pivôs da liga. Agora parece que os que decidem jogam longe dele.

Denis disse...

Anônimo, então a gente concorda que o Dwight melhorou e discorda em muita coisa mesmo.

Eu acho que o ataque do Orlando tem que ir naturalmente para as mãos do Dwight e ele nunca deve segurar demais a bola. Quando o jogo centraliza nele parece que tem uma jogada só, ele tem que ser acionado quando a rotação ofensiva favorecer.

Eles funcionam melhor quando a bola roda bem no ataque e para isso eu não acho que a presença do Pietrus e do Carter ajudem o time.

O Pietrus é um spot-up shooter, não se mexe muito e nem toca bem a bola. O Carter é muito centralizador, como o Nelson. Para que o time tenha mais jogadas e melhor movimentação sem a bola eu prefiro a presença do Rashard Lewis e do JJ Redick.

O Bass está jogando bem e gosto dele em quadra, mas às vezes parece que ele embola muito com o Dwight lá e ajuda a marcação a dobrar no pivô. Eles precisam dar um jeito de resolver isso.

Abraços!

R. Moss disse...

O Orlando vai classificar bem, isso é certo.

O negócio é fazer o Howard passar vergonha. Como? Em jogos difíceis e contra times fodões, deixem ele TENTAR decidir.

Tudo bem que eles podem vir a perder um grande jogo, mas se isso mexer positivamente com o Howard, a ponto de ele se esforçar de verdade para treinar a ponto de dar resultado, então vai valer a pena.

Bola do jogo nas mãos dele contra o Jazz, Lakers, Celtics...

Danilo disse...

Moss, isso já aconteceu na temporada passada. O Dwight reclamou na imprensa que não recebia a bola o suficiente e passou uns 3 jogos seguidos recebendo 10 vezes mais bola embaixo da cesta, até que o Van Gundy disse para ele que não estava funcionando. Desde então, o pivô amansou. Agora está recebendo mais bolas porque está bem mais habilidoso no ataque, evoluiu muito, mas não acho que o time melhore por isso.

Abraços!

eZ disse...

Cara, eu concordo com você em tudo. Sempre tomei porrada dos meus amigos por achar o D-12 absurdamente crú e fraco no ataque, com movimentos bizarros e pouco técnicos, que fazem com que consiga fazer cestas apenas baseado na força e no atleticismo.

O cara vê Ewing TODOS os dias e não é o primeiro ano. Era no mínimo para já ter um jogo melhor, mais versátil.

eZ disse...

o d12 só é tão overrated pq as regras e a 'geração mj' praticamente estinguiram os pivôs ... não há mais pivô, o centerzão pontuador estilo ewing, hakeen, robinson, kareen ...

O d12 no máximo é um ben wallace maior e mais atlético que pontua graças a isso ...

qq pivô bom jogando hj em dia, praticamente se transforma em máquina de fazer faltas, vide os últimos anos do shaq, o último dos moicanos ...

Quando shaq parar, a raça dos pivôs estará estinta, o postup, a dominância, a arrogância no garrafão, jogo de costas, tudo estará estinto ... os homens de garrafão, nesse 'basquete moderno' se resumem a pontuar em corridas nos picks ...

R. Moss disse...

Nossa, Danilo, então o negócio não funcionou. XD

Uma pena. Será que ele não se esforça o bastante? Ele tem um baita física e joga praticamente todos os jogos.

É um baita desperdício ele não aprimorar seu ataque e viver basicamente de enterradas e tocos.

Danilo disse...

A raça de pivôs está extinta. Mas falta avisar isso pro Brook Lopez, Roy Hibbert, Kaman, Bogut...

Felipe disse...

Danilo,
Você prefer Lopez, Hibbert, Kaman e Bogut a Howard?