sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Miami Heat e o suco de limão

"Hahaha, eles achavam que eu era um ala!"

O Chaves, aquele do SBT, sem querer querendo nos apresenta a uma questão filosófica quando resolve vender refrescos na rua. Oferece aos seus clientes sempre três sucos diferentes: groselha, limão e tamarindo. Mas quando o Seu Madruga escolhe o suco de limão, Chaves faz uma pergunta genial:

"O que parece limão, o que é de limão, ou o que tem sabor de limão?"



A dúvida nos apresenta a diferença entre aparência e essência, e agora você já pode dizer que aprendeu Filosofia com o Chaves. Definimos as coisas pelo que elas parecem ser ou pelo que elas de fato são? E como podemos saber se uma coisa é algo que não parece ser?

Na NBA, isso se aplica bastante às posições dos jogadores. Por exemplo, o Chris Bosh sempre jogou de pivô durante toda sua carreira no Toronto Raptors, então ele sempre pareceu um pivô. No entanto, sempre fomos capazes de olhar para ele e, como se sua essência nos aparecesse revelada, saber claramente que ele não era pivô coisa nenhuma, era apenas um ala de força improvisado.

O Amar'e Stoudemire é um caso mais complicado. Todos sabemos que, em essência, ele é um ala de força. Mas após jogar toda a carreira no Suns como pivô, e ter um sucesso fantástico na posição contra outros pivôs, não deveríamos passar a considerá-lo um pivô legítimo? O próprio Amar'e se desesperava com a possibilidade de ser considerado um pivô e o técnico do Suns, Alvin Gentry, chegava a escalar o Channing Frye como pivô apenas para acalmar os ânimos, porque na prática o Amar'e ficava embaixo da cesta e o Frye nunca se atrevia a pisar no garrafão. E agora que o Amar'e está no Knicks, como devemos considerar sua posição? Pior: qual devemos considerar sua posição natural?

Essas questões me atingiram no exato momento em que LeBron James deu 14 assistências na derrota para o Jazz e a transmissão gringa afirmou que ele havia quebrado o recorde de assistências para um ala jogando pelo Heat. Um ala? Sim, porque todos nós sabemos que o LeBron James é, em sua essência, um ala. E esse conhecimento está impedindo muita gente esperta de perceber que LeBron é, desde que chegou a Miami, o armador principal da equipe.

Não se deixe enganar pelo boxscore, que escala LeBron como ala (SF) e Carlos Arroyo como armador principal (PG). O Arroyo só está lá porque o Heat tem uma falta brutal de bons arremessadores, não é nunca ele o responsável por armar as jogadas. É LeBron quem traz a bola para o ataque, quem chama a jogada e quem a faz acontecer. Quando está no banco, a função passa para Dwyane Wade. Arroyo só é o armador em uma ou outra posse de bola, ou em emergência caso LeBron e Wade não estejam em quadra (embora eu tenha visto até o Eddie House armando mais do que ele). LeBron James joga de armador em tempo integral, mais até do que em seu ano de novato com o Cavs, em que tinha essa função. É uma volta aos seus tempos de colegial, em que atuava como armador.

É estranho ver tanta gente dizer que falta ao Heat um armador, alguém para iniciar as jogadas, porque o Arroyo fede. De fato, o Arroyo fede, quem sou eu para negar. Mas o problema é outro: quando LeBron está armando o jogo e atraindo a marcação, sobra muito espaço no perímetro. Como Wade e LeBron são conhecidos pelas infiltrações e Bosh está mais perto do aro, as defesas estão se focando no garrafão. Wade é então obrigado a usar o espaço livre na linha de três pontos, e quando a marcação adversária corre para ele, é LeBron quem fica livre para o arremesso de três. Para os adversários tá ótimo, porque nenhum dos dois é um grande arremessador - aliás, o Wade não dava um arremesso de três sequer uns dois anos atrás, e o LeBron também começou a explorar mais o arremesso faz pouco tempo, desde que jogou com a seleção americana.

É por isso que o Heat precisa ter na escalação o Eddie House, o Carlos Arroyo, o James Jones. Os arremessadores ficam constantemente livres e a equipe de Miami precisa usar as bolas de três. Mike Miller, que deve ser o melhor arremessador do Heat, só deve voltar no final de dezembro ou começo de janeiro, então até lá o cargo de melhor arremessador vai para um jogador inusitado: Udonis Haslem.

O Haslem não arremessa de três, é verdade, mas seu arremesso da cabeça do garrafão e de dois passos à frente da zona morta é simplesmente mortal. Quando as defesas adversárias estão lá se amontoando no garrafão, o único arremesso confiável do elenco inteiro é do Haslem, e LeBron tem constantemente achado o companheiro livre. Só é uma droga que quando você precisa muito de uma bola de segurança ou arremesso decisivo, tem que passar para o Haslem ou para o Eddie House na linha de três. Bizarramente, é melhor do que deixar Wade ou LeBron arremessarem.

O Heat não precisa de um armador. Apesar de acharmos que LeBron é essencialmente um ala, ele é e sempre foi um armador - mas com tamanho para tapar o buraco na ala, e até no garrafão, de elencos menores. Pode não parecer de limão, e a maioria acha que ele não é de limão, mas basta ver um jogo para perceber que ele tem sabor de limão. O babaca que afirmou que o LeBron bateu o recorde de assistências de um ala tem cocô na cabeça. Por isso, o que o Heat precisa mesmo é de arremessadores que, preferencialmente, não comprometam na defesa como Arroyo, Eddie House e - futuramente - Mike Miller comprometem.

A defesa do Heat é a maior decepção desde a Playboy 3D da Larissa Riquelme (que apenas me lembrou aquelas revistas 3D com dinossauros da minha infância). Quando ela funciona, gera contra-ataques mortais e o Heat parece imbatível, mas a defesa só é realmente sufocante contra os times mais fracos. Contra equipes com garrafões fortes, a defesa do Heat não consegue acompanhar, não sabe quando dobrar, erra as coberturas de marcação, não sabe rodar atrás do arremessador livre e - o que é pior ainda - começa a se desesperar e tentar roubar bolas para iniciar o contra-ataque. Contra o Celtics, a frustração com o garrafão verde era tanta que todo mundo do Heat tentava interceptar os passes, não conseguia, e aí o adversário já estava com o caminho livre para a cesta. É o que os gringos chamam de "gamble", ou "aposta": se você intercepta o passe tem um contra-ataque mortal nas mãos, mas se não intercepta então você está batido na jogada e o cara que você deveria estar marcando é que tem uma cesta fácil. Nenhum time que se presa permite esse tipo de coisa e o Heat faz isso o tempo inteiro porque estão desesperados com a desorganização defensiva e com a falta de tamanho no garrafão. O Celtics, por exemplo, é um time fantástico e o ataque funciona cada vez melhor nas mãos do Rajon Rondo, mas a defesa do Heat fez com que eles parecessem o melhor ataque da NBA, coisa que eles estão longe de ser. Fora que contra o Jazz eles fizeram o limitado Paul Millsap ter uma partida de Karl Malone (tirando as bolas de três pontos, que foram simplesmente uma falha na Matrix). Essa defesa ainda vai se arrumar com o tempo, mas quanto mais tempo levar para isso, mais o time vai ficar com a água batendo na bunda e passará a se desesperar mais e mais, perdendo mais jogos. É capaz que isso vire uma baita bola de neve.

O ridículo é que todo mundo imaginava um ataque demorando para se encontrar mas uma defesa fantástica, nos moldes do Celtics. Todo o esforço nas férias foi para que a defesa do Heat ganhasse jogos sozinha. Realmente o ataque vai levar um tempo para funcionar e a falta de arremessadores sólidos vai exigir uma ou outra gambiarra, mas a defesa é que tem perdido jogos para eles. Pra mim, é uma decepção tão grande que até esconde um pouco a decepção que é o Chris Bosh.

Voltando ao suco de limão do Chaves, o Bosh é um ala de força em essência que rendia bem como pivô mas que sempre soubemos que estava jogando ali improvisado, contra a própria vontade. Mas a surpresa é que Bosh rende muito mais como pivô do que jamais renderá como ala. Defendendo mais longe da cesta, Bosh não pode utilizar seu bom tempo de bola nos tocos, não usa sua velocidade para cobrir os dois lados do garrafão, e sofre ainda mais com o contato físico dos jogadores que estão infiltrando rumo à cesta. No ataque, seu jogo de pernas perde valor quando ele não está próximo à cesta porque está sendo marcado por jogadores mais leves e rápidos e ele acaba utilizando demais o seu arremesso - pelo qual ele é apaixonado, e que é bem razoável, mas que não se compara com seus movimentos debaixo do aro. Acho que no caso do Bosh, todos nós (e até mesmo ele próprio) confundiram imagem e essência. O Bosh não parece ser pivô, é magro demais, rápido demais. Mas é como pivô que essas características tornam-se qualidades. Bosh não parece ser de limão, mas é de limão. Se o Heat quer estabelecer um jogo legítimo de garrafão, o primeiro passo é cortar o chororô do Bosh e colocá-lo como pivô imediatamente. Udonis Haslem, que merece ser titular, agradece.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Filtro Bola Presa - Um resumo semanal

om nom nom nom


O Filtro Bola Presa é um post semanal que cobre assuntos pequenos que não passaram no nosso filtro para virar posts. Aliás, quase não tivemos posts desde domingo até aqui, mas vocês entenderam!

...
- O Houston Rockets perdeu ontem para o Wizards, com direito a triple-double do John Wall. É oficialmente a hora de começar a se preocupar com o Rockets, até porque o Yao Ming saiu de quadra depois de seis minutos, machucado.

Daria pra fazer um post inteiro sobre isso e acredito que o Danilo, torcedor do Rockets, até vai fazer, mas basicamente o motivo é um só: Defesa. O Rockets tem o oitavo melhor ataque da liga e a 28ª pior defesa.
Sou fanático pelo ataque do Adelman e ele tem funcionado, mas precisam de mais esforço do outro lado da quadra. Para quem quer entender o ataque do Adelman, que já fez sucesso no Kings antes de ir pra Houston, tem esse excelente link.


- Vocês sabiam que O New Yor Knicks é, oficialmente, o pior time dos últimos anos? A Forbes fez uma análise das últimas 9 temporadas e descobriu que o Knicks é o time que mais perdeu jogos nesse período, 459, 62% das partidas disputadas. O segundo pior é o Clippers, com 10 derrotas a menos. Já são 6 temporadas sem playoff, igualando o recorde negativo do Timberwolves. E não foi só basquetebolístico o prejuízo, mas financeiro também. Nesses 9 anos o Knicks gastou mais de um bilhão de dólares em salários, benefícios e multas por estar acima do salary cap. O time que chegou mais perto desses gastos foi o Dallas Mavericks, que gastou 250 milhões a menos mas que, pra compensar, chegou aos playoffs em todos esses 9 anos.

A mesma matéria, porém, afirma que apesar disso o Knicks, junto com o Lakers, são os únicos times que faturam constantemente uma boa grana e estão longe da crise financeira que outras equipes atravessam. Não é à toa que em alguns anos, com a mudança do Nets, Los Angeles e Nova York serão as duas únicas cidades a terem mais de um time.

Alguns bons milhões dessa fortuna gasta pelo Knicks vão para o bolso de Raymond Felton. Mas tem gente por aí achando que ele não é evolução alguma em relação ao Chris Duhon. Polêmica! Crise! Chama a Márcia Goldschimdt pra ler a matéria do KnickBlogger.


- O Utah Jazz conseguiu uma proeza que poucos times na NBA conseguiriam. Foi até a Florida, enfrentaram em dias consecutivos Miami Heat e Orlando Magic e venceram os dois. De virada. Merece o registro em vídeo das duas vitórias. Abaixo na parte das estatísticas tem uns números legais sobre esse jogo.





O engraçado é que no preview do Jazz comentamos como eles conseguiam, na mesma temporada, ser um time ridículo e o melhor de todos, variando de dia pra dia. Agora eles conseguem isso no mesmo jogo! Boa, sempre evoluindo.

- Um time jogou fora uma liderança de 22 pontos em casa e perdeu uma prorrogação para o Jazz-sem-Deron-Williams. O outro acertou 20 dos 21 arremessos que tentou em um quarto e marcou 54 pontos nesses 12 minutos. Um desses time é o Miami Heat, o outro é o Indiana Pacers. Ligue os pontos. Você errou.



- A polêmica da semana que teria sido o assunto de todo o Mesa Redonda de domingo se eles falassem de NBA foi o caso do Kevin Garnett contra o Charlie Villanueva. Logo após uma derrota do Pistons para o Celtics, o Villanueva postou uma mensagem no Twitter dizendo que o Garnett havia ido longe demais e o chamado de "paciente com câncer" durante o jogo.

Para quem não sabe o Charlie Villanueva tem uma doença chamada alopecia universalis que apesar de não ser nada de muito grave, causa a perda de pêlos em todo o corpo. Por ser bem óbvia, Garnett não deve ter sido o primeiro a ter feito essa piada e deve ter feito o jogador do Pistons lembrar dos tempos de adolescente. Lembro do Charlie V dizendo uma vez que na escola ele era muito zoado pela sua doença e que foi uma das coisas que o levou a jogar basquete, por ser bom nas quadras lá ninguém podia falar nada dele.


O Garnett já foi votado pelos próprios jogadores como o maior trash talker da NBA. Ele não cala a boca um segundo e deve encher o saco. E a maior prova de que ele é um cuzão em quadra foi a resposta que ele deu ao público: "Eu não o chamei de paciente com câncer, disse na verdade que ele é um câncer para o seu time e para a NBA". Aaaah bom, agora sim está tudo esclarecido! Que doce de pessoa é você, KG! Alguns dias depois ele mostrou sua simpatia para o pavio curto Andrew Bogut, não acabou bem.

As duas questões que dominaram a mídia americana durante essa semana não tem resposta óbvia:
1- Trash talk tem limite?
2- Villanueva estava certo em divulgar isso no Twitter ou o que acontece em quadra fica dentro de quadra?

O padrão das respostas foi "Sim" para as duas perguntas se o comentarista americano era um jornalista baixinho e branquelo e "Não" para as duas se o comentarista era um ex-jogador.

- Quando eu tiver um filho eu só vou obrigar ele a ser Corinthiano. De resto ele pode ser quem bem entender, gostar do que quiser e eu não ligo. Mas se ele for como o garotinho do vídeo abaixo, admito, ele vai ser o meu favorito e o herdeiro do Bola Presa:




- A pérola da semana veio dos lábios do nosso muso Zach Randolph: "Jogamos duro o jogo inteiro, todos os 42 minutos". Acho que são os 40 minutos do basquete internacional e mais os dois minutinhos de acréscimo que todo árbitro dá.

- Temporada estranha essa até agora. Tivemos 4 jogadores já passando dos 40 pontos e não foram os que a gente mais esperava: Monta Ellis (tá, não é absurdo), Paul Millsap, Michael Beasley e Luol Deng. Cadê Wade, Kobe, Dirk, LeBron, Durant e Melo? É um mundo estranho em que Drew Gooden faz jogadas de Kobe Bryant:



8 ou 80
o cantinho das estatísticas desnecessárias

- O Spurs venceu o Clippers de novo! São agora 18 vitórias consecutivas do time de San Antonio no confronto, é a freguesia mais longa da atualidade. A mais longa da história é do Celtics, que venceu 22 vezes seguidas o Buffalo Braves de 1970 até 1974.

- O Jazz é o primeiro time da história da NBA a estar perdendo por mais de 10 pontos em três jogos consecutivos e vencer os três. No jogo contra o Heat o Paul Millsap, que só tinhe feito 2 bolas de três pontos em 20 tentativas na carreira, acertou 3 só no último minuto do tempo normal.

- O jogo entre Jazz e Heat foi a primeira vez em que o LeBron James esteve em uma partida em que o seu time abriu 20 pontos de vantagem e perdeu. Nas outras 115 ocasiões ele tinha saído com a vitória.

- Aquele terceiro quarto de 54 pontos do Pacers coleciona recordes: É o quarto colocado em pontos feitos por um time em um período na história da NBA, o máximo feito por um time desde que o Suns fez 57 em 1990! Os 24 pontos do Mike Dunleavy nesse quarto são o máximo feito por um jogador em um período nessa temporada, no ano passado inteiro só dois jogadores fizeram mais, Nowtizki e Brandon Jennings, ambos com 29 pontos.

Dos 396 terceiros períodos jogados na NBA nessa temporada, os times, somando seus pontos, não alcançaram 54 pontos em 273 ocasiões.

- Na vitória contra o Raptors na semana passada foi a décima vez em pouco mais de um ano que Steph Curry e Monta Ellis marcaram mais de 25 pontos no mesmo jogo. A única dupla a ter conseguido mais vezes foi Russell Westbrook e Kevin Durant, 25 vezes. A dupla do Thunder foi a primeira da temporada a conseguir passar dos 30 pontos no mesmo jogo e conseguiu a proeza de ter feito TODOS os 27 pontos do Thunder no terceiro período do jogo contra o Celtics.

- O recorde de mais jogos com 15 assistências ou mais em uma temporada pelo Celtics é do Rajon Rondo, que fez isso 8 vezes na temporada passada. Em menos de um mês de temporada nova ele já conseguiu isso em 5 ocasiões.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A decisão de Richard Jefferson

Spurs e Knicks jogam durante um terremoto


Logo depois da humilhante eliminação do San Antonio Spurs para o Phoenix Suns nos playoffs do ano passado, uma varrida de 4 a 0 que ninguém poderia prever, o técnico Gregg Popovich chegou para o Richard Jefferson e disse "Entre em forma, treine ou vamos trocá-lo na primeira oportunidade". E completou, "Você tem a chance de voltar para a escola e treinar ou só fazer dinheiro nos últimos anos da sua carreira". 

O Richard Jefferson teve uma carreira ótima no New Jersey Nets e um ano discreto, mas bom, no Bucks antes de ir para o Spurs. Era considerado na época por nós e quase todo mundo como a peça que o Spurs precisava para voltar a lutar pelo título. Não era o defensor fora de série para substituir Bruce Bowen, mas tiraria o peso ofensivo do trio Parker, Duncan e Ginobili, especialmente dos últimos dois, que já estão chegando na menopausa, e não faria feio na defesa. No Nets nunca foi de anular uns Kobes da vida, mas não comprometia um time que precisava da defesa para puxar os contra-ataques, marca registrada daquela equipe liderada pelo Jason Kidd.

Mas sabe quando você vê o Big Mac lindo e grande na TV e aí recebe aquele lanche amassado, fino e com alface velha caindo pelos lados? Isso foi o Richard Jefferson no Spurs. Seus arremessos de longe não caíam, ele pouco infiltrava e na defesa parecia bem mais lento do que o normal, denunciando os 30 anos de idade que batem na sua porta. E o mais triste da história inteira foi que o Richard Jefferson ainda tinha mais um ano de contrato em que ganharia mais de 16 milhões de dólares. Não só ele não havia salvado o Spurs como agora impedia que eles tentassem de novo com outro jogador. Lembremos que o Spurs sempre foi um time muito cauteloso com dinheiro e pela primeira vez em anos toparam ultrapassar o luxury tax (entenda mais sobre o o salary cap da NBA nesse post) e pagar multas só pela chance de ter o Richard Jefferson e voltar a lutar por um título.

E voltando à conversa entre técnico e jogador, Richard Jefferson respondeu ao seu técnico: "Eu não quero só fazer dinheiro, quero jogar o melhor que eu puder".  Foi o "The Decision" que não passou na ESPN.

Fizeram treinos físicos que o Richard Jefferson afirmou "que não eram divertidos", pelo menos duas horas de trabalhos todos os dias com toda a equipe de preparadores físicos e técnicos que o Spurs tinha espalhado pelo país. Ele viajou para onde estava cada um deles para aprender tudo de novo. Praticou bastante o seu arremesso, em especial o do canto da quadra, na zona morta, aquele que consagrou o Bruce Bowen e matou Mavs, Suns e cia. tantas vezes nos últimos anos. Também estudou mais os sistemas ofensivos e defensivos do Spurs. Fez treinos específicos sobre as movimentações de quadra pedidas pelo técnico durante a temporada.  Popovich, aliás, participou de algumas etapas dessa volta à escola do RJ.

Jefferson disse que tinha muitas dificuldades na última temporada e que todo mundo respondia dizendo que no primeiro ano é sempre mais difícil pra sacar como funciona o time, mas que no segundo ano, com a experiência do ano anterior, é mais fácil jogar no Spurs. Um dos motivos é que Gregg Popovich não é um técnico que só aparece na hora do jogo e manda fazer uma jogada, que só delega poderes e faz discursos no vestiário, é um dos raros casos na NBA em que um treinador se preocupa em desenvolver o jogador. As escolhas de segundo round de Draft que viram ótimos jogadores são um mérito duplo, primeiro dos scouts, os olheiros bem treinados e pagos que sabem ver um bom talento, e depois dos técnicos, que sabem aperfeiçoar o jogador ao invés de só esperar pelo melhor.

Junto com os treinos houve a preocupação econômica. O jogador tinha um ano de contrato sobrando no valor de 16 milhões e a opção de sair e virar um Free Agent. Richard Jefferson se sentia mais confortável com um contrato mais longo para não correr o risco de estar sem nada no ano que vem quando os salários podem cair drasticamente, mas também não queria simplesmente optar por não ganhar tanto dinheiro e acabar com um contrato mais longo e também mais vagabundo. Chegaram então a um acordo, o Jefferson optou por desistir dos 16 milhões e já que estava treinando conforme o prometido para Popovich, ganhou um contrato novo de 38 milhões por 4 temporadas. Sem dúvida o voto de confiança mais caro e arriscado que eu já vi o Spurs fazer na vida. Se tínhamos dúvidas sobre o porque do Spurs pagar uma nota preta pelo Jefferson ao invés de investir menos em caras como Matt Barnes, a resposta é confiança.

Só foram cinco jogos pelo Spurs nessa temporada, mas tudo parece ter ido pelo melhor caminho possível. Nesses cinco jogos o Richard Jefferson tem média de 20 pontos por jogo, segundo cestinha do time, meio ponto atrás de Manu Ginóbili, e aproveitamento de arremessos espantoso, de 64%! É o terceiro melhor aproveitamento da liga e o único dos 15 primeiros da lista a não ser um jogador de garrafão. Em bolas de três é atualmente o quinto melhor da liga com insanos 60% de aproveitamento. Em lances livres está cobrando 5,8 lances livres por jogo, mais do que os 3,5 que tinha de média no ano passado. Não só acerta mais de longe como é um jogador mais agressivo ao atacar a cesta. Segundo Manu Ginóbili, RJ também tem jogado com mais confiança sabendo exatamente o que deve fazer em quadra.

O melhor jogo do Jefferson até agora foi contra o Suns, o time que os eliminou no ano passado. Para compensar os 9 pontos de média que teve na série contra eles nos playoffs de 2010, meteu 18 só no quarto período, incluindo quatro bolas de três da zona morta, onde enjoou de treinar na offseason.



Defensivamente o Spurs ainda não alcançou o nível do ano passado, que já não era o ideal, e Richard Jefferson entra no meio do bolo, mas o momento é de otimismo. A aposta do Spurs em renovar com Richard Jefferson e Manu Ginobili rendeu até agora 4 vitórias, só uma derrota, para o impressionante Hornets, e é o sexto melhor ataque da NBA.

Após o jogo contra o Suns todos os repórteres estavam atrás de Richard Jefferson e ele atrás de Manu Ginobili. Quando perguntaram o motivo ele explicou que no ano passado era só fazer um jogo um pouco melhor que todos os jornalistas iam lá perguntar se agora ele iria embalar e o Manu começou a fazer piada com isso, ele estava então esperando o argentino chegar para ele ouvir tudo de novo. Se tudo continuar assim a piada vai se repetir tanto que daqui a pouco o narigudo não vai rir mais, vai virar rotina.

sábado, 6 de novembro de 2010

Pensando alto

Não dá pra questionar o esforço do Ilgauskas na defesa

Ontem estava com a mão coçando para escrever um post sobre o Hornets. Faltava só uma hora pra rodada começar e eu pensei em fazer um  post rápido sobre porque o time era um dos três ainda invictos durante a temporada. Mas aí desisti quando fui dar uma conferida nos jogos da noite e me dei conta que não tinha idéia que em algumas horas depois eles estariam em quadra contra o Miami Heat, a melhor defesa (tanto em pontos totais sofridos como em pontos a cada 100 posses de bola) desses primeiros 5 jogos de temporada. Decidi que era melhor esperar, ver o jogo com calma e escrever no dia seguinte. Começo aqui o post falando do Hornets, que mesmo depois do jogo contra o Heat, é ainda um dos três invictos da temporada.

Dos três que não perderam o Hornets é o que teve calendário mais difícil nesse começo de ano. O Hawks está com 6 vitórias em 6 jogos, mas enfrentou 5 times que não pegaram playoffs no ano passado e mais o Cavs, que nem precisamos explicar como é bem diferente do time do ano passado. Com o Lakers a mesma coisa, 6 jogos, 6 vitórias e só um time que teve playoff no ano passado, o Suns. Em compensação o Hornets tem 5 jogos, 5 vitórias e precisou bater Nuggets, Spurs, Rockets, Bucks e Heat, só pedreira.

Eu tinha minhas restrições em relação ao Hornets antes de começar a temporada. Não conhecíamos o técnico Monty Williams, que é o mais jovem da NBA, e o elenco parecia um cobertor curto. Trevor Ariza e Emeka Okafor são ótimos defensores, mas no ataque são capazes de errar 20 arremessos antes de acertar 5, já caras como Marco Bellinelli, David West e Marcus Thornton podem fazer chover com seus arremessos mas acham que marcar o Yao Ming é muito difícil porque ele corre muito rápido. Misturar os dois grupos no time titular poderia significar equilíbrio ou um time medíocre que não é bom em nada.

Alguém otimista poderia dizer que o time começaria a temporada expondo os seus problemas mas que com o tempo iria pegar o entrosamento necessário, mas não, mais do que isso, os caras estão voando desde o primeiro jogo e parecem que jogam juntos há anos. E pra falar a verdade esse time começou me lembrando o que jogou junto há alguns anos, na temporada 2007-08, quando o Hornets fez uma temporada espetacular e só caiu na semi-final do Oeste para o Spurs. Aquele time também tinha um pivô que não era nada no ataque, Tyson Chandler, o mesmo David West e não um, mas dois arremessadores que defendiam vagabundamente, Morris Peterson e Peja Stojakovic. E mesmo com esses dois fracos marcadores nas alas eles tiveram a sétima melhor defesa da NBA para ir junto com o sexto melhor ataque. Era um timaço!

Mas embora na visão geral o time pareça bastante semelhante, na prática não é tanto assim. Comecemos pela defesa, onde hoje existe muito mais proteção ao garrafão. Naquele ano os adversário do Hornets costumavam finalizar no aro (bandejas, enterradas) 24 vezes por jogo, acertando 62% desses arremessos. Já nesse ano o número caiu para 20 tentativas, com o mesmo aproveitamento. Além disso nos arremessos curtos, a três metros da cesta, o Hornets também se destaca, sendo o terceiro time que menos permite esse tipo de chute, 7 por jogo, com aproveitamento de 47%, um número que não é dos que mais se destacam, está no meio da tabela. Ou seja, o Hornets é um time normal na hora de defender os jogadores que chegam perto da sua cesta, mas é um dos melhores times na hora de impedir que cheguem tão perto. O time de 2008 abria mais espaço no garrafão, confiando nos tocos do Tyson Chandler.

Em compensação aquele time de dois anos atrás deixava os adversários chutarem menos de três, eram 18 bolas por jogo contra 21 do time atual, hoje o Hornets é o terceiro time que mais deixa o adversário arremessar, embora o aproveitamento seja muito baixo. Com três tentativas a mais por jogo eles tomam o mesmo número de cestas do time antigo, 6,5.

A explicação para essa forte defesa está na agressividade na defesa de perímetro e em como os jogadores se entregam na hora de defender. Primeiro eles tem dois ótimos defensores marcando os principais condutores de bola do outro time, Chris Paul pega o armador principal e Trevor Ariza o melhor jogador de perímetro, seja da posição dois ou três. Contra o Rockets pegou Kevin Martin e deixou o inofensivo Shane Battier com Bellinelli, contra o Nuggets marcou Melo e deixou Afflalo para o italiano. Nem sempre dá pra fazer isso, como ontem quando enfrentaram LeBron e Wade ou quando pegaram o Spurs de Richard Jefferson e Manu Ginobili, mas aí é uma questão de escolha. Ariza se foca no mais perigoso, completo ou simplesmente mais alto e o Bellineli (ou Marcus Thronton) no arremessador, que joga sem a bola nas mãos.

Com os jogadores que controlam a bola incomodados eles são obrigados a apelar mais vezes para o pick-and-roll, fazendo com o que o bloqueio obrigue a troca de marcação, e é justamente na marcação dessa jogada o grande trunfo do Hornets. Assim como o Celtics faz perfeitamente desde quando o Kevin Garnett chegou por lá, o jogador mais alto da defesa não se contenta em assistir o seu marcador fazer o bloqueio e continua a marcação do outro lado, tentando encurralar o jogador que controla a bola. Isso dá espaço para o jogador que fez o bloqueio correr em direção da cesta e receber a bola livre caso o passe consiga ser feito, mas quando tudo é bem feito o armador não tem o ângulo para o passe. Se tem, o Hornets responde com ajuda defensiva, alguém deixa o seu armador para fechar o garrafão. Infinitas jogadas assim fazem todo o arredor do Hornets uma zona proibida e liberam mais arremessos de três. Preferem deixar para o adversário os arremessos de aproveitamento menor do que cestas fáceis em volta da cesta.

Esse esquema tem mostrado uma qualidade do Emeka Okafor que eu nunca tinha percebido, a sua velocidade. Ele se dá muito bem não só correndo atrás dos armadores quando fazem os bloqueios, mas também quando precisa defendê-los em infiltrações. Hoje se destaca mais por isso do que no um contra um contra pivôs mais altos. No jogo de ontem ele defendeu LeBron James muitas vezes e teve sucesso na maioria das ocasiões.

Tem um número muito interessante que mostra o quanto um time é bom em rebotes defensivos. É chamado de Defensive Rebound Rate, ou DRR. Ele multiplica por 100 o número de rebotes de defesa de um time e divide o resultado pela soma de rebotes defensivos do mesmo time contra os ofensivos do adversário. No DRR o Hornets é o terceiro melhor time em rebotes defensivos da liga, atrás apenas do Magic e o Bucks. Isso é importante demais porque é o rebote de defesa que finaliza uma boa posse de bola defensiva, de nada adianta anular o outro time e aí ceder mais uma posse de bola depois. Também são os rebotes de defesa que começam os contra-ataques, arma mortal quando seu time tem o genial Chris Paul levando a bola pro ataque e que ficou mais perigoso com o Ariza correndo ao lado dele. Contra o Heat foi uma arma decisiva no segundo tempo.

Aliás, essa eu acho que essa é até uma falha do Hornets, eles são muito bons quando tentam o contra-ataque, mas não tentam tanto quando deveriam. São só 14 pontos por jogo assim, menos que no ano passado e somente o 17º melhor time no quesito nessa temporada. O Trevor Ariza é limitado no ataque, mas tem duas qualidades incontestáveis: É perfeito para esse jogo em velocidade e é um Robert Horry 2.0, acerta qualquer tipo de cesta, até a mais idiota que ele pode tentar, se é importante para o time. Ontem ele matou o Heat com uma bola de três no minuto final, e daí que ele arremessa mal e tinha acertado só tabela nas últimas quatro tentativas?

Em compensação o time aproveita as qualidades dos outros jogadores. Belinelli não é tudo isso, mas sabe arremessar, assim como Marcus Thornton, então é isso que eles fazem. Você não vê eles nem tentando coisas absurdas que eles não sabem. É um time inteligente, com defeitos que qualquer um consegue ver, mas que com inteligência e um armador que fica com a bola na mão durante 90% do tempo de cada posse de bola, toma as decisões certas em quadra.

Mas como prova de que o Heat é um time muito bom, o Hornets precisou de tudo isso e muito mais para vencer o jogo de ontem. Além da defesa agressiva, dos rebotes, dos contra-ataques e de uma noite inspirada do Chris Paul (19 assistências), eles só sairam com a vitória porque, assim como o Celtics, conseguiram explorar o garrafão fraco do Heat. A dupla Okafor e Jason Smith fez a festa pra cima de Chris Bosh e Joel Anthony, marcaram juntos 38 pontos e pegaram 19 rebotes contra 17 pontos e 6 rebotes da dupla de Miami, o Bosh em especial pegou um rebotezinho de nada, o DJ Mbenga em 8 minutos conseguiu dois. Eu aqui de casa peguei uns três. O difícil é esperar que Smith e Okafor joguem assim toda noite, acho bem difícil, por isso o jogo de ontem não pode ser parâmetro para medir a qualidade ofensiva deles.

No preview do Hornets eu comentei como o Monty Williams era conhecido no Blazers por ser amigo dos jogadores, bem próximo, sabia falar a língua deles. Eu não duvidaria que a sua motivação tem papel fundamental na vontade com que os jogadores estão atuando nesse começo de temporada, pelo menos é o que parece vendo a intensidade com que eles jogam. Não tenho informações para confirmar isso, mas acho bastante realista que ele tenha apelado para o fato de que boa parte do elenco do Hornets é feito de jogadores que não estavam sendo bem vistos ao redor da liga. O Ariza foi uma decepção para boa parte da torcida do Rockets, o Belinelli nunca teve espaço no Warriors ou no Raptors e o Okafor virou piada porque sua rivalidade com o Dwight Howard virou freguesia das mais humilhantes. Agora estão todos juntos com o Chris Paul, que deixou claro pra todo mundo que não está a passeio na temporada e quer vencer tudo o que for possível.

Se eu estivesse no Hornets eu daria minha vida para agradar o Chris Paul e ganhar jogos. Imagina se tudo dá errado e ele muda de time no ano que vem! Seriam facilmente o pior time da liga. Se doar ao máximo na defesa faz o time vencer hoje e coloca uma perspectiva melhor no futuro: CP3 decide ficar no time, os renegados se consolidam na NBA e aí até dá pra começar a atrair bons nomes para jogar com o Paul ao invés do contrário. Foram só alguns jogos, mas vitórias importantes o bastante para fazer o time pensar bem alto.

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O que foi o final do jogo entre Suns e Grizzlies ontem? Que bizarrice! Nunca tantos erros deixaram um jogo tão legal.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Primeiras confusões

UConn + Pistons = Foto brega


A temporada mal tem duas semanas de vida e já temos confusões entre técnico e jogadores e times em crise. Se fosse o Brasileirão já tinha técnico no olho da rua. Felizmente não temos demissões de treinadores após cada rodada na liga como no futebol brazuca, imagina 82 técnicos demitidos por temporada! Daria para um mesmo técnico passar por todos os times mais de uma vez. Só não damos a idéia para os donos de time, porque é bem capaz deles acharem que é uma solução moderna e inovadora. Times estão em crise e perdendo dinheiro, uns podem culpar a economia, outros eles mesmos.

Mas uma coisa o basquete e nosso futebol sagrado de cada dia tem em comum, crises estão sempre relacionadas a derrotas. Só ver o Detroit Pistons, que junto com o Houston Rockets são os únicos times que ainda não venceram na temporada. O Pistons não tem jogado muito mal, mas tem perdido. A dupla de armadores com Rodney Stuckey e Ben Gordon pareceu, durante uns dois ou três jogos, a mais empolgante da NBA. Não a melhor, claro, mas divertia pelos dois serem agressivos e por se completarem com infiltrações e arremessos. Dava pra ver essa dupla ganhando vários jogos por conta própria. Só que não ganharam.

Das cinco derrotas que eles tem na temporada a primeira foi por 3 pontinhos e a segunda por um mísero ponto. A terceira foi por 10, para o Bulls, mas durante 3 períodos eles foram o melhor time disparado e chegaram a liderar por 15. E, por fim, perderam para o poderoso Celtics e para o Hawks, que é o melhor time do Leste nesses primeiros 5 jogos. São derrotas compreensíveis e no meio do caminho o time teve momentos ótimos, mas ainda assim são derrotas e elas irritam a torcida, técnico e jogadores. Como em quase tudo atualmente, não importa se o processo está indo bem se o resultado não é positivo.

Depois da derrota para o Bulls, a da virada, uma série de três declarações mostrou como o clima não foi nada bom no vestiário. Primeiro Ben Gordon, que disse que "Não fizemos os ajustes certos como time (...), precisávamos ter feito algo diferente". Depois o técnico John Kuester, "Precisamos achar uma outra voz de liderança no time além da minha" e, pra fechar com fatality, Tayshaun Prince, "Isso vale para os dois lados. Ele diz que precisamos de mais voz dentro do time e ele precisa fazer algumas coisas melhor também, se não ganhamos até agora não é culpa só do time".

Não dá pra achar que um jogador dizendo em público que o técnico precisa fazer um trabalho melhor é boa coisa. No fundo todos tem razão: o time não se ajustou bem ao segundo tempo forte do Bulls, faltou liderança dentro da quadra para acalmar o time e o técnico é parte do grupo de quem errou. O problema está no fato de que nenhum deles disse exatamente o que deveriam ter feito para mudar, ficaram jogando a culpa uns nos outros e ainda o fizeram em público. É a velha história de que não é o que você fala, mas como você fala.

Os problemas do Pistons são vários e todos juntos os levaram a essa situação de já ter discussão digna de Big Brother na segunda semana da temporada. O primeiro é que o time não ganha nada desde que eles trocaram o Chauncey Billups para o Nuggets em 2008. De lá pra cá o time que tinha ido para a final do Leste em todos os anos desde 2003 virou saco de pancadas. E uma coisa é você jogar no Wolves e achar que perder é normal, outra é disputar playoffs todo ano e de repente tomar de 20 de time mediano. Não ajuda que o técnico não tem muita moral, se fosse com alguém com a fama de Larry Brown ou Phil Jackson nunca que o Tayshaun Prince iria se atrever a dizer algo assim, mas com Kuester, que está no seu primeiro trabalho como treinador principal, é mais fácil.

Além disso ainda tem um fator que é muito comum ao do Rockets, o outro time que perdeu todas, excesso de jogadores. O Rockets tem excesso de bons jogadores em todas as posições e parecem estar tendo dificuldades em achar a rotação certa com espaço pra todo mundo jogar bem, no fim das contas tentam dividir muito os minutos e ninguém pega o embalo durante o jogo. O Pistons não está com tanto luxo assim, mas tem excesso em algumas posições. Tentar dividir os minutos nas posições de armação entre Rodney Stuckey, Ben Gordon, Richard Hamilton, Will Bynum e Tracy McGrady não tem sido fácil. Imagina como ficou a cabeça de todos esses quando Gordon se perdeu na conta e nem arremessou a última bola no jogo que perderam por um ponto para o Thunder.

E como desgraça pouco é bobagem, ontem teve mais problema. No meio do terceiro quarto do jogo contra o Hawks, quando o placar estava bem apertado, o jogo estava parado (por causa de algum lance livre ou algo assim) e Kuester chamou Stuckey para dar instruções, mas o jogador não atendeu. O técnico insistiu, o chamou de novo e nada do armador ir até lá. Imediatamente Kuester chamou DaJuan Summers no banco, fez a alteração e Stuckey, o Nezinho de Auburn Hills, não entrou mais em quadra. Questionado sobre o caso depois do jogo ele só disse que "É o que é". Esclarecedor, Stuckey.

Pelo o que comentam em Detroit, o comportamento do armador tem a ver com o fato de que ele estava negociando uma extensão de contrato e não conseguiu nada, saiu de mãos vazias. Agora, como não obedecer o técnico ajuda ele a conseguir fazer dar certo é um mistério.

O John Kuester, para quem não lembra, foi a única pessoa que conseguiu fazer o Cavs da era LeBron James ter um ataque realmente bom e eficiente. Ele era assistente de Mike Brown e foi o responsável por fazer o time ser mais veloz, aproveitar o Mo Williams no que ele é bom e fazer o time ser mais completo. Claro que quando a água batia na bunda o Mike Brown corria para mandar eles só isolarem o LeBron, mas tudo bem, não era culpa do assistente.

Em Detroit, porém, nada feito. No ano passado eles foram o penúltimo time em pontos por jogo e o 21º em pontos a cada 100 posses de bola. Eles não tem nenhum jogador que seja uma ameaça no garrafão, Richard Hamilton não é sombra do que já foi um dia e até o Ben Gordon, que foi colocado no mundo para fazer pontos, só teve média de 13 no ano passado.

Quer mais desgraça? Então vamos lá. Um repórter de Detroit disse que o clima entre os jogadores também não é dos melhores, que o grupo de jogadores mais velhos como Ben Wallace, Richard Hamilton e Tayshaun Prince não se bica com os mais jovens como Charlie Villanueva e Ben Gordon. O Pistons deu sinais de que poderia não ser o pior time do Leste, mas durou só dois e meio jogos. Com tanta crise já no começo do ano é de se esperar que em breve eles já estejam em busca de algumas trocas. Que o General Manager Joe Dumars tenha mais cabeça do que teve quando trocou Billups e do que quando pagou uma nota preta para Gordon e Villanueva.

Um outro time parecia que iria ter problemas, mas as coisas até que deram certo. E por incrível que pareça esse time é o Clippers! Lembra que no preview deles eu disse que eles dependiam do Baron Davis para ser um time de verdade? Pois o cara nem se esforçou. Apareceu gordo na pré-temporada, jogou partidas ridículas com mais turnovers que assistências e aí o técnico Vinny Del Negro disse que estava decepcionado com o seu jogador fora de forma. Por incrível que pareça, Baron Davis disse que ele tinha toda razão.

Segundo o armador ele nunca fez exercícios nas férias durante toda sua carreira. A temporada acabava, ele esquecia de tudo e só ia se exercitar de novo em agosto. Acontece que agora ele está velho e isso não funciona mais. O Baron Davis pelo menos admitiu e disse que irá fazer diferente daqui pra frente, só não sabemos se em Los Angeles. No jogo de ontem o novato Eric Bledsoe foi titular e jogou muito, botou um ritmo veloz no jogo, se entendeu perfeitamente com o Eric Gordon e eles venceram o Thunder. Menos de um segundo depois do jogo já pipocavam os primeiros rumores de troca do Baron Davis. Tudo boato, claro, mas garanto que lá dentro do Clippers já cogitam a mesma coisa.

Entrando no desnecessário mundo da especulação daria pra pensar em incluir o Chris Kaman com o Baron Davis para fazer um pacote mais atraente ao redor da liga, afinal pivôs são raros. E ele nem faria muita falta ao Clippers, o garrafão com Blake Griffin e Chris Kaman consegue ser um dos melhores da liga no ataque e o mais frágil na defesa. O problema dessa idéia é que os dois juntos recebem 24 milhões de dólares nessa temporada, quem pode arcar com isso? Talvez o próprio Pistons mandando Hamilton e Prince? Joe Dumars foi questionado há alguns parágrafos. Ok, ok, já parei. Muita coisa para pouca temporada.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Filtro Bola Presa - Um resumo semanal

Bango ganhou o prêmio de melhor mascote da temporada passada. Foi merecido!


O Filtro Bola Presa é uma coluna semanal que eu criei como teste no fim da temporada passada. Achei divertido de fazer e a maioria dos leitores pareceu gostar, então ela está de volta. Mas como ganhamos leitores novos durante os playoffs e a offfseason, é melhor explicar o que ela é: Nós não postamos sobre tudo o que acontece na NBA aqui, algumas coisas não passam pelo nosso filtro e não viram posts grandes e detalhados. Mas isso não quer dizer que as histórias que não viram post não são interessantes, então resolvemos criar um lugar só para comentar essas coisas menores. São alguns casos engraçados, estatísticas, histórias, notícias.  Alguma dúvida? Não importa, vamos começar.

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- Os últimos meses foram cheios de papo de dinheiro, contratos e mais dinheiro. Acha que acabou? Nada disso! Todos os jogadores que tem a chance estão se matando para conseguir uma extensão de contrato antes que apareçam novas regras no acordo entre NBA e jogadores na temporada que vem. A ameaça de greve e cortes de salário está aí, então é melhor não se arriscar. Nos últimos dias alguns jogadores assinaram suas extensões:

Tony Parker, 50 milhões por 4 anos - O Spurs preferiu pagar um pouco mais do que o francês realmente vale para não correr o risco de perdê-lo como Free Agent na próxima temporada. Eles precisam de Parker para aproveitar os últimos anos de Duncan e Ginobili na NBA. Mais um jogador que o Knicks paquera, paquera e toma bota.

Al Horford, 60 milhões por 5 anos - Sim, é muita grana. Por um lado entendo, agora que eles tem o Joe Johnson por lá durante mais 6 anos precisam garantir gente boa do lado dele, mas eles tem como bancar isso? Um dia depois do anúncio da extensão já estão pipocando boatos de que o Josh Smith pode ser trocado. Entre Josh Smith e Horford é difícil escolher, mas acho que o Hawks fez sua decisão. Jamal Crawford é o próximo a encher o saco da diretoria por um contrato novo.

Mike Conley, 45 milhões por 5 anos - Cof, cof!! Desculpa, vomitei no teclado. Sério?! Como disse o melhor comentário que li sobre o tema, "O Conley salvou as filhas do dono do time de um ônibus em chamas ou algo assim?". Tá bom que ele teve uma primeira semana de temporada fantástica, mas até um mês atrás eles estavam no mercado atrás de um armador novo. E eles não sabem que são um time dos que mais passam dificuldades financeiras e que precisam segurar, já no ano que vem, os Free Agents Marc Gasol e Zach Randolph? E o OJ Mayo daqui dois anos? E que acabaram de acertar um contrato Eike Batista com o Rudy Gay? Não se paga tanto dinheiro para o seu quinto melhor jogador.

Jared Dudley, 22 milhões por 5 anos - O Dudley é aquele jogador que consegue ser útil e importante mesmo sem ser espetacular em nada, simplesmente faz as coisas certas na hora certa e não inventa. Importante segurar um jogador assim e nem saiu tão caro para os padrões atuais. Bom negócio para o Suns e para o Dudley.


- O Shaq transformou, em pouquíssimo tempo, o time mais marrento da NBA no mais engraçado e divertido.  Isso mesmo que vocês leram, vou falar de Celtics e diversão na mesma frase. Não defesa, trash talk e faltas técnicas, diversão!

Tudo começou quando ele decidiu ir para a Harvard Square, na famosa faculdade de Harvard em Boston, para brincar de estátua. Shaq chegou lá, sentou num banco e passou uma hora parado, só olhando para frente enquanto uma multidão de pessoas tirava fotos em volta dele. O Shaq disse que fez isso por dois motivos, o primeiro era porque sempre havia admirado os famosos guardas ingleses que não demonstram nenhuma reação e queria testar a sua concentração fazendo o mesmo, e segundo porque queria poder dizer para os amigos que foi para Harvard. Morra de inveja do Jeremy Lin, Shaq.
Aqui tem uma matéria com vídeo sobre o Shaq de estátua.

E não foi só isso. Depois da estátua ele prometeu que no Halloween ele iria se vestir de mulher, uma personagem que ele chamou de Shaquita. E eis Shaquita cantando a segunda melhor música da Beyoncé, 'Sweet Dreams' (só perde pra 'Halo')



O Celtics entrou no clima e fizeram primeiro uma festa no vestiário, que foi gravada pelo Paul Pierce e postada no Twitter. Dá pra ver o vídeo aqui. E depois fizeram uma festa de Halloween que teve algumas fantasias bizarras, como o KG vestido de um troço laranja gigante, o Ray Allen de Michael Jackson, e uma fantasia GENIAL, o Rajon Rondo de Tiger Woods.


Nesse link do excelente Ball Don't Lie você consegue ver a fantasia do Ray Ray na primeira foto e o Marquis Daniels de padre na última. Irônico, eu sei.

- Só pra não dizer que tudo é festa no mundo verde, na semana passada o Delonte West deu um soco no companheiro de time Von Wafer. Pelo jeito algum repórter disse que um jogador, que ele não deu o nome, disse alguma coisa sobre o Delonte e ele diz ter certeza que foi o Wafer. Em um 3-contra-3 no treino o Delonte desceu o braço no Wafer, que, puto, saiu no meio do jogo. O que não adiantou nada, já que West foi atrás dele para brigar no vestiário. Lembra quando eu disse que achava o Delonte West perfeito para o meu Lakers? Deixa pra lá.

- Outro dia o Miami Herald contou com detalhes como aconteceu a renovação de contrato do Udonis Haslem com o Miami Heat. Pra gente, na época, só foi uma coletiva de imprensa anunciando que ele ficaria, nenhuma surpresa, mas por trás foi uma coisa corrida e meio doida.

A coletiva era pra anunciar que o Haslem não ia mais continuar no time, anunciar seu carinho, apoio e amizade ao Pat Riley e ao Dwyane Wade e então provavelmente aceitar uma proposta bem rica do Mavs ou Nuggets, que tinham 34 milhões de doletas na mesa para Haslem, enquanto o Heat não chegava perto disso depois que acertaram as idas de LeBron e Bosh. Haslem até cogitou continuar no time por um contrato mínimo de um ano, mas com muitos familiares para sustentar e em especial sua mãe, que está seriamente doente e vive no hospital há meses, decidiu ir atrás de mais dinheiro. Segundo ele até dava para aceitar menos dinheiro do que nos outros times, tudo para ficar mais perto da sua mãe, do time que o descobriu e de Wade, um de seus melhores amigos, mas negar 30 milhões de dólares era demais.

Então Haslem mandou uma mensagem de texto dizendo para Wade que "você sempre será meu irmão", se despedindo. Foi então que o armador do Heat decidiu fazer alguma coisa, ligou para Bosh e LeBron e perguntou algo que muita gente não imagina perguntar para outra pessoa sem tomar um soco na cara, "Vocês topariam cortar cada um 15 milhões do total dos seus salários para podermos manter o Haslem? Eu cortarei 17 do meu". Segundo o Wade os dois toparam sem questionar e mesmo só conhecendo o Haslem por dar oi e tchau a cada jogo contra o Heat.

Então Wade ligou para o agente de Haslem que interrompeu os preparativos da entrevista para conversar com seu cliente e Pat Riley. Em uma hora tudo mudou e a entrevista para anunciar a despedida de Haslem serviu para anunciar o novo contrato do ala com o Heat. Logo após a entrevista Haslem ligou para Bosh e LeBron para dizer que "vocês não vão se arrepender", e para Wade para dizer "I love you, Bro". Bromance total em Miami!

A história é meio piegas, eu sei, mas achei interessante para mostrar como o Miami Heat está lidando com o fato de ser o time mais odiado dos Estados Unidos. Já que todos odeiam eles, se apoiam um nos outros.


- Querem outra história bonita de amor? A população de Cleveland está se unindo para conseguir roupas para moradores de rua. Ou, para ser mais específico, está coletando camisetas do LeBron James e querendo mandar elas para os moradores de rua de Miami.

Um morador de Cleveland chamado Chris Jungjohan criou uma fundação chamada "Break up with LeBron", algo como "Terminando com o LeBron", num sentido de relacionamento amoroso mesmo. No site, poucas linhas que explicam o sentimento de boa parte da torcida:

"Querida Cleveland e região nordeste de Ohio, sentimos sua dor.
Entendemos o seu coração partido. E dessa vez foi diferente, foi um dos nossos nos dispensando em rede nacional. Nós merecemos mais do que isso. LeBron, o problema não é com a gente, é com você. Obrigado por ótimos sete anos. Mas acabou e estamos aqui para devolver suas coisas."


Em semanas o grupo conseguiu pelo menos 400 itens entre camisetas, tênis e outras roupas, e tentou mandar para Miami, mas o governo da cidade recusou o presente/piada. Dá pra entender, os moradores de rua precisam de toda ajuda que as pessoas puderem dar, mas serem usados para uma piada dessas já é demais. Li num lugar que o grupo agora estaria tentando vender as camisetas para então doar para os moradores de rua de Miami, mas não consegui confirmar ser era mesmo verdade.

- Viram as duas enterradas do Eric Gordon contra o Spurs ontem? Espetaculares! Splitter teve estréia discreta, Blake Griffin não estava inspirado, jogo fácil. Só as duas jogadas que valeram muito a pena. São as número 3 e 1 do Top 5 abaixo.




- Nunca apareceu nenhum boato que dissesse que o Marcin Gortat pudesse ir jogar no New York Knicks, mas na minha cabeça ociosa que pensa em NBA mais do que deveria, sempre achei que seria o lugar perfeito para ele jogar. Sairia da sombra do Dwight Howard, seria um bom parceiro para o Amar'e Stoudemire, é ótimo no pick-and-roll que o D'Antoni tanto ama. Como ele chegaria lá eu não sei, mas é um cara que o Knicks deveria correr atrás.

Até ontem. O glorioso Polish Hammer deu uma entrevista dizendo que Nova York "é uma cidade suja, horrivelmente suja". Tá, depois disso ele desembestou de elogios à Big Apple, mas o estrago estava feito. Agora é notícia em todo lugar e provavelmente ele é odiado por todo mundo que mora em NY. Os nova-iorquinos não só amam sua cidade como são motivos de piada nos EUA por acharem que não precisam viajar para outros lugares do mundo porque tudo acontece em Nova York. Boa, Gortat, sempre bom arruinar suas chances com outras equipes. Próximo passo é imitar o Bola Presa e fazer piada com os mórmons e Salt Lake City!

- Top 10 da primeira semana. O número 9 do Rudy Gay já vale por toda a lista.




8 ou 80
O cantinho das estatísticas desnecessárias

- O Raptors tem oficialmente o garrafão que mais se completa na NBA. O arroz e o feijão, Romário e Bebeto, Lindomar e Romerito, unha e carne, bacon e meu estômago. Depois de uma semana de NBA o Reggie Evans, o cara que não sabe jogar basquete, tem médias de 2,7 pontos e 16,3 rebotes. A Dedé Bargnani tem médias de 23,3 pontos por jogo e 3 rebotes. Se a ciência conseguisse juntar os dois em uma só pessoa seria alguém bem feio e um ótimo pivô negro de sotaque italiano.

- O blog Round Ball Mining Company, que trata só do Denver Nuggets, fez uma excelente análise estatística comparando Carmelo Anthony com Kobe, LeBron, Wade, Durant e Kevin Martin para saber porque o Melo não tem reconhecimento do mundo das estatísticas como um jogador tão eficiente como esses citados. O resultado ficou ótimo, vale uma lida. 

- Com os 40 pontos de ontem sobre o Blazers, o Luol Deng se tornou o quinto jogador de Duke da era Coach K a conseguir pelo menos 40 pontos em um jogo da NBA. Os outros foram Grant Hill, Elton Brand, Carlos Boozer e Gene Banks.

- Com os 30 pontos e 16 rebotes contra o Thunder no domingo, Paul Millsap se tornou o quarto jogador da história do Jazz a conseguir pelo menos 30 pontos e 15 rebotes num jogo. Karl Malone fez isso 69 vezes, Carlos Boozer 11 e Mehmet Okur uma vez.

- Com o triple-double que fez no dia de seu aniversário, Brandon Jennings se juntou a Elgin Baylor como os únicos jogadores da história a conseguirem um jogo de 50 pontos e um triple-double dentro dos seus primeiros 100 jogos de NBA.

- O Cavs desperdiçou uma liderança de 16 pontos no último período para perder para o Kings na última semana. Nas últimas duas temporadas completas o Cavs só havia perdido um jogo onde haviam liderado por mais de 15 pontos no quarto período, foi um jogo contra o Magic no qual o LeBron James não jogou.

- Mas nem tudo são más notícias numéricas para o Cavs. O Basketball-Reference, o site mais fodido em termos de números de basquete, fez previsões otimistas para o time do Varejão. Todos os anos eles fazem uma tonelada de previsões de números individuais para todos os jogadores. Aí eles juntam esses números e simulam num programa de computador toda a temporada. Mas não fazem isso uma vez, fazem 2.500 vezes! São diversas simulações usando essa previsões citadas, outras de plus/minus e outras contas mais complexas como o Win Shares.

O resultado final com a média de todas as simulações foi postado aqui. Pela previsão estatística deles, usando o complexo Win Shares (tem uma explicação sobre o termo aqui) o Heat vence o Leste e depois a final da NBA contra o Lakers. Mas para chegar até lá eles precisam vencer na segunda rodada dos playoffs o quarto melhor time do Leste, o Cavs! Bizarro, essa foi só pra perder a credibilidade. No Oeste o Lakers bate o Blazers na final de conferência.

- A combinação de pelo menos 11 assistências, 7 rebotes e 7 roubos de bola de Mike Conley no último jogo contra o Wolves só foi alcançada uma vez nas últimas duas temporadas, no ano passado pelo então novato Stephen Curry.

- Na surra que o Magic tomou do Heat na última sexta-feira eles conseguiram apenas 5 assistências no total! Nas últimas 30 temporadas de NBA só dois times conseguiram igualar um número tão baixo, o Clippers (claro!) contra o Bulls em 1999 e o Hawks contra o Knicks também em 1999.

- Na estréia de Kings e Wolves na temporada o time de Sacramento venceu por 1 ponto de diferença. Foi só a segunda vez na história da liga que houve uma vitória de apenas um ponto em um jogo onde os dois times faziam seu primeiro jogo na temporada.

- Na estréia de LeBron James como jogador do Heat ele deu 12 arremessos, enquanto seu companheiro Wade deu 20. Foi só o segundo jogo da carreira de LeBron em que um jogador do seu time deu pelo menos 8 arremessos a mais do que ele, o outro jogo foi o segundo da carreira de LeBron em 2003, quando ele arremessou 17 bolas e o Ricky Davis (irgh!) tentou 25.