segunda-feira, 8 de junho de 2009

Por pouco

Uh!

A história agora foi outra. Ao invés de parecer o Orlando que ameaçou perder para o Sixers, o Magic de ontem lembrou mais o Magic que eliminou o Cavs convincentemente. A diferença foi só que contra o Cavs o Orlando estava conseguindo vencer os jogos no final, agora não conseguiu.

A situação para o Magic agora é bem complicada. Além da derrotal moral de não ter conseguido vencer mesmo quando jogaram bem e com o Kobe em noite de atuação abaixo da média (dele), o time pela primeira vez nesses playoffs começa uma série perdendo de 2-0. Eles já saíram de um 3 a 2 contra o Boston, de um 2 a 1 contra o Sixers e tanto na série com Celtics quanto na com o Cavs estava sem mando de quadra, mas nas duas oportunidades tinha voltado pro Magic Kingdom com um empate em 1 a 1.

O jogo de ontem começou feio. Aquele 15 a 15 no primeiro quarto com 8 turnovers do Magic foi patético. O Lakers parecia que estava jogando câmbio, aquele vôlei for dummies que você pega a bola na mão e fica parado até jogar a bola pro outro lado. Nenhum dos times aproveitou o mau momento do outro time pra deslanchar e tomar conta do jogo.

No segundo quarto, com os reservas, os times se soltaram mais. O Farmar entrou bem nos seus primeiros minutos, o Odom estava inspirado e o Lakers abriu alguma vantagem, que logo virou farofa quando o Rashard Lewis incorporou o NBA Jam e seus arremessos começaram a sair pegando fogo. 18 pontos em um período (em um período de um jogo de final fora de casa) é para entrar para a história da NBA e ele é só o Rashard Lewis!

Sem querer tirar os méritos do Rashard em seu quarto histórico, o Lakers vacilou grandão. O ala do Magic estava com duas faltas desde a metade do primeiro quarto e nenhuma alma do Lakers foi capaz de cavar mais uma até a metade do terceiro período.

Bastava uma faltinha no segundo período pra ele ser obrigado a sair de quadra ou pelo menos jogar com muito cuidado. Sei que faltas não se arranjam facilmente mas ontem os juízes estavam marcando falta até quando os jogadores batiam nas mãos uns dos outros para comemorar cesta. Uma infiltração do Odom ou o Gasol mano a mano com o Lewis e uma faltinha providencial poderia ter ocorrido.

Quem tá sofrendo com essas faltas exageradas é o Andrew Bynum. Ele não sabe como marcar o Dwight Howard sem se jogar pra cima dele e acaba tendo os mesmos problemas que teve contra o Yao Ming nos primeiros jogos contra o Rockets. Os juízes estão exagerando nas faltas para os dois lados, parte da culpa é do excesso de zelo deles, mas é para saber lidar com situações desse tipo que os atletas tem algo chamado cérebro. Se marcam falta do jeito que você está marcando, se adapte.

O segundo tempo foi bem amarrado. O Stan Van Gundy disse no intervalo que queria o time correndo mais, saindo pro contra-ataque e o time obedeceu. Durante uma posse de bola. Logo depois do intervalo, o time marcou seus únicos dois pontos de contra-ataque na série. O Efeito Dory então bateu neles e voltaram a jogar só meia-quadra. O Lakers atrapalha a correria deles mas a média de 1 ponto de contra-ataque por jogo na série é patética.

A partir do terceiro quarto o Lakers se preocupou mais em não deixar o Rashard Lewis livre na hora de dobrar a marcação do Dwight Howard (o que aconteceu o tempo inteiro) e com isso ele teve mais participação em passes do que em finalizações, terminou com 7 assistências. Além disso, foi importante para que o Hedo Turkoglu fosse a estrela do terceiro período. Mas que não pareça que o Turkoglu ter jogado bem no terceiro período e o Rashard ter brilhado no segundo tenha feito o jogo algo de maravilhoso, foram atuações individuais impressionantes no meio de um jogo um bocado feio. Emocionante, mas feio.

No quarto período era a hora das estrelas do Lakers aparecerem um pouco. Enquanto o Kobe fazia um mix de belos pontos e alguns turnovers, quem brilhou mesmo foi o Lamar Odom. O Candyman do Lakers resolveu que não era mais amarelão desde o jogo 5 da série contra o Nuggets e está incorporando o herói desde então, jogou demais e foi o líder do Lakers no ataque e nos rebotes. Aliás, tem jogada mais legal do que quando o Odom marca um homem grande, faz ele errar, pega o rebote e sai para o contra-ataque como um armador? Quem vê só uma jogada dessa deve achar o Odom o melhor e mais completo jogador da história.

No fim do jogo, comigo já borrando as calças achando que o Lakers ia entregar o ouro, o Magic não conseguiu mais colocar a bola na mão dos seus jogadores mais importantes. Tirando um fade away do Turkoglu a quarenta segundos do fim, as jogadas mais importantes do time saíram da mão do JJ Redick e do Courtney Lee. O Lee estava na quadra porque o Pietrus saiu com 6 faltas e o Redick porque o Stan Van Gundy mistura momentos de genialidade com outros de completa estupidez.

O momento de genialidade ontem, porém, não deu em resultado. Depois de um toco limpo e espetacular do Turkoglu no Kobe, há 0,6 segundo do fim do jogo, o Van Gundy desenhou uma jogada linda onde parecia que o Lee ia fazer um corta para o Lewis chutar, mas foi o contrário, o Lewis fez o corta e o novato mascarado partiu em direção à cesta, sem marcação, para uma ponte aérea. Um pequeno erro de cálculo ou na hora do salto ou no lançamento do Hedo Turkoglu fez com que a ponte-aérea acabasse em uma bandeja um bocado sem ângulo. Sem o tempo de segurar a bola para arrumar, ele errou. Por muito pouco.



Como torcedor do Lakers, ao ver o jogo empatado no final do tempo normal eu lembrei do toco que o Dwight Howard deu no Gasol por dentro da cesta. Eu não gosto de reclamar de arbitragem aqui no blog e é idiota e exagerado achar que aquela jogada em si decidiu o jogo, mas a jogada mais infantil da história das finais merece um registro. (infelizmente esse vídeo não mostra o replay com close, onde dá pra ver a jogada mais claramente)



Prorrogação, amigos da Rede Globo. Haja coração! De madrugada, ajoelhado, vendo o jogo na casa da minha namorada, finalmente o time do Lakers me ouviu. "Essa prorrogação vocês tem que ganhar na defesa". E foi assim que ganharam mesmo. O Trevor Ariza grudou no Turkoglu e não deixou fazer nada, as bolas para o Dwight resultaram em turnover e o único arremesso do Rashard Lewis foi um de 3, forçado, marcado e no desespero (que não entrou por milagre, puto).

Destaque para o Derek Fisher que foi o Ariza do dia com um roubo crucial de bola em um passe do Redick para o Dwight Howard. Depois o Fish, que finalmente calibrou a mão para as finais, ainda cavou uma falta que colocou o Lakers em vantagem antes do time fechar o caixão do Magic com uma cesta-e-falta do Gasol e lances livres do frio Lamar Odom.

Mérito do Fisher nessa jogada e, claro, demérito do JJ Redick, que deu um passe idiota. Mas mais culpado que ele é o Stan Van Gundy, que fez aí seu momento de estupidez. Com o Ariza grudado no Turkoglu como uma namorada apaixonada, o Magic precisava de alguém para bater bola, para driblar, para armar uma jogada. No tempo normal a bola caiu na mão do Lee, que errou uma bandeja a 10 segundos do fim, e na prorrogação caiu nas mãos do Redick, que fez a cagada de errar o passe.

A ironia está no fato de que o time tem armador demais. Com o Nelson de volta, o Tyronn Lue nem está sendo relacionado para os jogos, deixando o Magic com 'apenas' 3 armadores puros no time: Alston, Nelson e Anthony Johnson. Custa colocar um deles no jogo quando o time precisa justamente de alguém pra armar o jogo? A cara de cu do Anthony Johnson vendo o jogo ontem, somada à atuação nula do Nelson, mostram como essa volta do capitão do time mais atrapalhou do que ajudou.

Mas que fique claro que mesmo com esses problemas e com alguns erros do seu técnico, o Orlando Magic esteve a alguns detalhes de distância de empatar a série. Se virar um 2 a 0 é difícil, pelo menos o time já sabe e viu que pode vencer o Lakers se jogar bem. Para o Lakers fica a tranquilidade de ter 3 jogos fora de casa para conseguir apenas uma vitória.

Pode ser precipitação minha, mas essa bandeja errada do Courtney Lee vai ser o novo fantasma de finais do Magic, subsitituindo os 4 lances livres errados do Nick Anderson no minuto final do jogo 1 das finais de 95 contra o Rockets.

sábado, 6 de junho de 2009

O patinho feio

Rafer Alston só quer um pouco de carinho


Todo mundo tem um jogador na NBA só seu apenas para odiar. Afinal, nem só de sentimentos nobres e bacanudos vive o esporte, é preciso xingar às vezes para que possamos nos sentir melhor com nós mesmos, fracassados que não fomos capazes de seguir uma carreira no esporte profissional. É claro que eu sei que o Gustavo Nery é bilhões de vezes melhor do que eu jamais poderia ser (uma vez, até consegui acertar a bola numa tentativa de chute), mas alertar o mundo sobre o quanto ele fede me faz um ser humano mais pleno. Não estou falando de agressões, tentativas de assassinato ou ficar mandando pizza pra casa do sujeito de madrugada, é um ódio puramente esportivo que não apenas é saudável, mas também cômico. É como ter um mascote e, depois de uns anos, você até acaba ganhando um carinho pelo sujeito.

Odiar Kobe Bryant ou LeBron James não se aplica, veja bem. Se você odeia qualquer um deles, está perdendo dois dos melhores jogadores de todos os tempos apenas para fazer birra e dizer para seus amiguinhos que você é "diferente", o equivalente esportivo de se vestir com roupas de emo. Ter um jogador para odiar é uma arte e exige escolhas bem pensadas, tem que ser alguém que feda de verdade, que comprometa seu time, mas não demais porque senão fica muito óbvio. Não dá pra odiar o Mark Madsen, por exemplo. Como ter raiva de um jogador que não sabe sequer amarrar os cadarços sozinho e está nitidamente fazendo tudo o que pode em quadra? É tipo chutar cachorro morto, não tem graça, é meio mórbido e provavelmente proibido em alguns lugares. Na hora de escolher alguém para criticar, tem que ser um jogador que pareça bom, que alguns até acreditem que o cara vale a pena, mas que você, iluminado, enxerga a verdade - afinal, você tem um bom nariz e o sujeito fede de longe. Ou, em alguns casos, o cara não fede, tem talento pra burro, mas simplesmente não é capaz de utilizar: Darius Miles, Tim Thomas, talvez até o Lamar Odom, que é o jogador saco-de-pancadas de um punhado de torcedores frustrados do Lakers por aí.

Se você não entrou no Bola Presa por engano (ainda tem gente que vem parar aqui digitando "fotos da Sandy pelada" no Google), sabe perfeitamente bem que o jogador que eu adoro odiar é o Rafer Alston. A gente até pega no pé do Zach Randolph, o gordinho mais talentoso da NBA em fazer times irem para o buraco, mas o cara que eu tenho prazer em criticar mesmo é o atual armador do Orlando Magic. Em parte pelo que ele fazia no meu Houston Rockets, me tirando do sério, e em parte pelo que sua saída da And1 para a NBA fez no basquete de rua, como escrevi há um bom tempo atrás num post sobre streetball.

Justamente por odiar tanto o pobre do Alston, acabei acompanhando de perto sua carreira na NBA, assistindo a praticamente todos os seus jogos no Rockets e lendo constantemente suas declarações. O resultado é que tenho um carinho todo especial por ele e, em meio ao ódio insano e irracional, não posso deixar de ficar triste com os rumos que sua vida esportiva sempre acabam tomando. É um pouco deprimente que alguém que se esforce tanto para pertencer não seja capaz de pertencer em lugar nenhum, ele é tipo o gordinho expulso do bailinho da escola e também do Clube de Xadrez. Não importa em que time esteja e o que diabos esteja tentando fazer, Rafer Alston sempre consegue ser o patinho feio.

No Bucks, em seu começo de carreira, ele era até que bastante agressivo. Tentava um ou outro drible maluco, uns passes ousados e batia com certa frequência para dentro do garrafão. Acontece que o preconceito que ele recebeu por ter saído do basquete de rua foi muito grande e suas jogadas de efeito eram encaradas com desdém e reprovação porque, em geral, elas não eram nem um pouco objetivas (pense no Cristiano Ronaldo dando um drible maluco e desnecessário no meio de campo, como ele sempre fazia, e você vai entender a situação). Também faltava para ele um punhado de coisas que o streetball não lhe ofereceu, como força física e domínio dos fundamentos. De que serve um armador atacando a cesta se ele não é capaz de acertar os lances livres depois de sofrer as faltas inevitáveis? Suas médias de aproveitamento em lances livres sempre flertaram com os 70%, algo inaceitável para sua posição. Para ganhar espaço e agradar seus técnicos, então, Alston começou a deixar as jogadas de efeito de lado e se afastar do garrafão. Sua passagem pelo Heat foi coroada com mais de 400 arremessos de três pontos na temporada e um aproveitamento, temos que confessar, mais do que razoável. Dando passes simples, tocando de lado, fingindo ser um jogador comum, Rafer Alston só podia se destacar nos arremessos e aí é que está o problema. Ele pode até ter uma mira calibrada às vezes, mas sua vontade de fazer a diferença nesse quesito gera 4 centenas de arremessos - dá pra ter certeza, pelo volume, que o sujeito não tem muito critério na hora de arremessar.

De jogador esnobado, criticado e negligenciado pela NBA, Alston tornou-se um jogador sólido, simples, abandonando suas raízes e focando-se nos chutes de fora. No Houston, sempre foi completamente inexpressivo na armação e, no entanto, liderou a NBA em bolas de três pontos feitas e tentadas em 06-07, com mais de 500 arremessos de fora na temporada. Olhando muito de perto, pude testemunhar o fato de que nem o Ray Allen e seu aproveitamento espetacular deveriam ter chutado meio milhar de bolas naquele Houston Rockets. Mas era o modo com que Alston achava ser capaz de contribuir, fazer um nome, salvar algumas partidas.

Desde sua chegada, não se falava em outra coisa em Houston a não ser em conseguir um armador de verdade. Isso sempre ofendeu o Alston bastante, que frequentemente dava declarações de que ele fazia o que o técnico pedia à risca, jogava de forma sólida e consistente, contribuia nos arremessos, se esforçava na defesa e ainda assim as pessoas queriam ele fora dali, achavam que ele não prestava. Era triste, embora nunca tenha me escorrido nenhuma lágrima, confesso. Alston achava sofrer algum tipo de preconceito estranho por ter saído das ruas, nunca capaz de compreender que sua vontade de criar um nome para si dentro da NBA e sua postura de deixar de lado sua criatividade e habilidade das ruas eram simplesmente incompatíveis. No basquete profissional, ele é uma cópia malfeita dele próprio, tentando ao mesmo tempo se negar e se afirmar, aparecer para o mundo e desaparecer de mansinho, definhando na quadra enquanto passa a bola de lado e tenta não cobrar lances livres.

Aaron Brooks não é um jogador particularmente inteligente, também não tem muito critério e, meio descontrolado, jamais vai passar a bola para o lado e dar o passe mais fácil. No entanto, Brooks sabe quem ele é, tenta ser agressivo o tempo inteiro, bate para a cesta e faz coisas acontecerem no meu Rockets. O coitado do Rafer Alston faz tudo aquilo que pode para se encaixar, faz desaparecer até mesmo quem ele é, e talvez justamente por isso nunca esteja encaixado em time algum. Suas limitações ficam claras, seus problemas em lidar com o próprio jogo ficam explícitas na sua confiança. Depois de ser uma lenda no streetball, ganhar tudo o que tinha direito, só tomou bordoada na cabeça na NBA. Ele ainda quer ser um grande nome do esporte, mas fica difícil para sua auto-confiança ser sempre trocado por outros armadores que, de verdade, não são necessariamente mais talentosos do que ele. Ele só quer agradar, só quer fazer o que for necessário, mas nenhum time jamais está satisfeito.

Sua chegada ao Magic parecia o local mais próximo de um encaixe em sua carreira. O Rockets e o Raptors, por exemplo, precisavam de armadores capazes de fazer o time seguir o ritmo necessário. Não era mesmo a praia do Alston, diferente de sua passagem pelo Miami Heat em que lhe foi permitido focar-se apenas nos arremessos. Em Orlando, o Alston está num time que não sabe que existem arremessos de dois pontos e tudo que lhe é pedido é colocar a bola nas mãos de outra pessoa e ficar pronto para o arremesso livre quando a bola rodar pelo perímetro. O plano deu certo, Rafer Alston se deu bem no elenco e o Magic se tornou uma das maiores zebras desde o São Caetano na final do Brasileirão. Esse armador chutado, escarrado, que fedia horrores no meu time, conseguiu levar uma equipe ao título do Leste e agora disputa uma Final de NBA (dá uma certa vontade de rir quando eu digo essa frase em voz alta).

Legal, bom para o Alston, uma hora ele merecia um sossego. Mas até parece que existe sossego na vida do pobre diabo. O Jameer Nelson conseguiu ficar de pé, andar do quarto até o banheiro, e imediatamente não se falou de outra coisa além dele voltar para a Final, jogar imediatamente e tomar minutos do Alston. Ainda completamente fora de forma, Jameer Nelson jogou tantos minutos quanto o Alston no primeiro jogo da Final, foi titular no segundo tempo e deixou mais do que clara qual é a preferência da equipe técnica.

Não é que a situação seja apenas triste, mas ela também é bastante burra. Aqui no Bola Presa, batemos muito na tecla de que o Magic não chegaria a lugar nenhum sem o Jameer Nelson nessa temporada, mas nós não entendemos nada de basquete e o Magic chegou, sim. Então que se lasque o Nelson, deixa ele de molho, dá pra ele uma passagem para o Caribe e fique com o time que acabou de chutar traseiros no Leste, batendo palmas para o trabalho do Rafer Alston e tudo que ele contribuiu para a equipe até agora. Quer colocar o Jameer pra não ficar com peso na consciência, tipo o Ronaldo na final da Copa de 98? Acha que é necessário ele em quadra pra ter quaisquer chances de derrotar o Lakers? Então tá bom, mas tenhamos a decência de compreender que ele deve jogar um par de minutos por jogo, nada mais, apenas para descansar o Alston. Reserva, tapa-buraco, quebra-galho, o que for, mas Jameer Nelson não pode ser prioridade.

Consigo imaginar o Rafer Alston, tomando sorvete direto do pote, tentando entender o que diabos ele precisa fazer para ser apreciado pelos coleguinhas. Na imprensa, disse todas as coisas certas, falou que encarou sua redução de minutos com estranhamento mas que entendeu e está aí para obedecer. Mas é claro que, em sua cabeça, a história da sua vida está passando de novo e de novo, tipo Lagoa Azul na Globo. E os resultados disso, de qualquer modo, serão prejudiciais para o Orlando Magic. Se o Alston perder a confiança, vai afundar no seu próprio projeto de desaparecer, de passar a bola pro lado, de ficar invisível em quadra, justamente numa série em que os armadores do Magic precisam ser agressivos e criativos para gerar movimentação de bola. Mas, pior, se o Alston quiser provar seu lugar, provar que merece ser titular, provar que o Jameer Nelson é superestimado e que ele merece mais respeito, aí veremos o mesmo Rafer Alston que tanto atormentou minha vida nas últimas temporadas: tentando ser o herói do jogo com arremessos descabidos, afoito, atrapalhado, de mira descalibrada e incapaz de enxergar os companheiros de equipe. Na primeira partida contra o Lakers, errou todos os seus arremessos de fora. Sinal, desde já, de sua condição psicológica?

Por mais que eu goste do Jameer, tenho a sensação de que seu retorno ao elenco foi a pior coisa que poderia ter acontecido para o Magic. Com um Rafer Alston se achando o patinho feio, seja atirando para todos os lados ou desaparecendo em sua própria miséria, a equipe de Orlando perde muito mais do que pode ganhar com a presença de um Jameer sem ritmo em quadra. Pra mim, sua volta foi apenas um sinal do apocalipse. Para o Magic, esse é o começo do fim.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Lavada

Kobe se autoflagela depois de errar uma cesta


Tem muita coisa pra comentar desse jogo 1 das finais. Mas não importa o que eu fale, ainda vai ficar uma dúvida: É um indicativo para toda a série ou só aconteceu ontem? Isso porque sou um daqueles que não acredita em lavadas. Qualquer sacolada que passa dos 20 pontos de diferença nunca é só mérito de um time e nem só fedor do outro.

Começamos a falar então do perfumado Lakers. O começo do time foi meio nervoso, pouca movimentação de bola e muita preocupação em jogar a bola, a qualquer custo, para o Bynum ou o Gasol no garrafão. Isso resultou em uns ataques forçados mas no fim das contas deu no que o Phil Jackson queria que desse: Bynum envolvido na partida e o Dwight Howard com algumas faltas.

Falando em Dwight Howard, o Phil Jackson mentiu. Mentiu sim, maldito velho safado tarado mentiroso! Garantiu que não ia dobrar a marcação no Dwight Howard porque era suicídio mas não foi bem assim. Toda vez que o D12 pegava a bola longe da cesta o Lakers não dobrava, se de alguma forma ele conseguisse chegar muito próximo da cesta, o Lakers dobrava. Se mesmo com a marcação dobrada ele pensasse em arremessar, davam um safanão no braço dele.

Por isso que ele arremessou apenas 6 bolas e cobrou 16 lances livres. O Lakers não aliviou e desceu a mão sem dó. Ele até que não foi Shaquilionesco e acertou 10 dos 16 lances livres, mas não conseguir arremessar durante o jogo tira o ritmo de qualquer jogador.

No perímetro aconteceu o que estava previsto, o Alston e o Rashard Lewis tiveram sucesso contra Fisher e Gasol quando decidiram driblar ao invés de serem arremessadores, mas nenhum dos dois conseguiu transformar os dribles em cestas. O Gasol, aliás, é a menina feia sem par pra festa de formatura. Ele não é o ideal pra marcar o Dwight e nem o Lewis, mas dada a situação esquisita em que está, ele até que fez um bom jogo.

Outros destaques do Lakers, antes de puxar o saco do Kobe, foram o Odom e o Walton. Os dois abusaram de seus marcadores todas as vezes que se viram contra alguém mais baixo. Sempre que o Odom enfrentou o Turkoglu e o Walton pegou o Courtney Lee, eles partiram pro garrafão e fizeram seu trabalho lá. Não é à toa que o Lakers venceu por 56 a 22 nos pontos no garrafão.

Para falar do melhor jogador da partida dá pra usar outro placar assustador:

Arremessos certos
Kobe 16 x 11 Time titular do Magic

Para empatar o Magic poderia pegar as cinco bolas certeiras do Pietrus. Aí seriam 16 arremessos para cada lado. Com a diferença que o Kobe precisou chutar 34 bolas e os 6 principais jogadores do Magic precisaram de 59.

Dizer que o Kobe chutou 34 bolas mostra o quanto ele chamou o jogo pra ele ontem. Talvez ansioso ou talvez prevendo um nervosismo dos seus companheiros, ele decidiu concentrar o jogo nas suas mãos desde o meio do primeiro quarto, sendo agressivo demais contra a marcação do Courtney Lee.

No primeiro quarto ele foi mal, acertou apenas 3 de 9 arremessos, assim como no quarto período, onde só forçou bolas difíceis com o jogo ganho, acertando apenas 1 de 5 bolas tentadas. No recheio do jogo ele fez incríveis 12 arremessos de 20 tentados. Foi quando o Lakers disparou e bateu o desespero no Magic.

Se na série contra o Cavs o LeBron fazia coisas fora de série apenas para manter o Cavs no jogo, ontem o Kobe começou a fazer arremessos impossíveis quando o Lakers já estava ganhando. O olhar dos jogadores do Magic dizia "Puta merda, já estamos perdendo e ele ainda vem e faz isso?". No vídeo abaixo tem os melhores momentos do Lakers no jogo que são, na verdade, os melhores momentos do jogo.


Mesmo se o vídeo acima não fosse feito para o Lakers e quisesse mostrar os melhores momentos do jogo todo, não teria muito o que passar do Magic. Foi sem dúvida o pior jogo do time nos playoffs inteiros. Sabe aqueles primeiros quartos que eles tomaram sova do Cavs? É só multiplicar por 4 períodos.

Como eu disse, o Lakers não ficou na marcação individual no Dwight o tempo inteiro, isso rendeu alguns arremessos de 3 para o Orlando, mas o aproveitamento foi patético. Alston, Lee, Pietrus e cia. chutaram 23 bolas de 3 e acertaram 8, várias quando o jogo já estava perdido.

As bolas de fora não caíram e como também já mostrei, nem as bolas de dentro do garrafão. Foram só 22 pontos lá dentro, o Rashard Lewis passou o jogo levando vantagem no drible contra o Gasol mas não sabia o que fazer depois de driblar, terrível. O Turkoglu, depois de um bom primeiro quarto, desapareceu do jogo e se me falassem que ele tinha saído e passado os outros três quartos no vestiário lendo gibi, eu acreditava.

Sério, eu não tenho palavras pra descrever como o ataque do Orlando foi patético ontem. Acho que muito veio da frustração de errar alguns arremessos em boas posses de bola, resultado de uma boa defesa do Lakers, mas chegou um ponto em que mesmo arremessos sem marcação não estavam caindo.

Mas uma coisa que eu preciso falar do Magic é sobre a decisão de colocar o Jameer Nelson jogando um milhão de minutos logo de cara. Se não foram um milhão, pareceu. Achei que se (SE!) ele entrasse, jogaria no máximo 10 minutos de jogo. Jogou 12 só no primeiro tempo e acabou com 23. Sério, pra que colocar tanto tempo em uma final de NBA um cara que não joga há praticamente 4 meses?

Ele entrou bem, acertou um jumper, deu 3 bonitas assistências em 3 minutos e nos outros 20 era melhor ter ficado com o Anthony Johnson. Estava sem ritmo, não tinha pernas pra bater pra dentro e o arremesso estava completamente descalibrado. Jogar com o Nelson deixou o Magic, em um momento chave do primeiro tempo, com um arremessador a menos em quadra, o que liberava o Lakers pra dobrar a marcação no Dwight.

A mesma coisa aconteceu quando o Stan Van Gundy Super Mario resolveu colocar o Tony Battie pra jogar ao lado do Dwight no garrafão. Pra marcar o Gasol até pode ajudar, mas no ataque é ridículo. Isso deixou o Lakers dobrar no Dwight e rendeu uns 2 arremessos de longa distância sem marcação pro Battie, que amassou o aro nos 2 antes de voltar para o banco.

Ainda sobre o Vun Gundy, o que vocês acharam da motivação barata dele falando para os jogadores no intervalo que a mídia só fala do Kobe assim como só falava sobre o LeBron na série anterior sem dar importância para eles? Acho isso tão idiota, não cairia nessas motivações baratas se fosse jogador. Fale alguma coisa que ajude dentro da quadra, seu bigodudo!


Visu irado



Acham que só o Kobe tem um visual irado com sua mais nova cara de "Kobe determinado"? O Bola Presa está com um novo layout para a final. Gostaram?

Eu gostei bastante. É obra do nosso designer, o Felipe. Ele que é o autor de tudo o que é bem feito aqui no Bola Presa: os nossos templates, o logo e o logo da liga de fantasy. Se quiser ver mais trabalhos dele, acessem o seu portfolio. E o contratem para alguma coisa, ele já cansou de trabalhar de graça para o Bola Presa.

Se o novo visual do blog não apareceu pra você é só atualizar a página. Uma hora vai e aumenta o nosso número de visitas no Google Analytics também!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Mano a mano

Rir de tudo é desespero

Tem uma frase famosa nos EUA sobre playoffs que diz: It's all about matchups.

Sem querer traduzir ao pé da letra, a frase defende que uma série de playoff é decidida pelos matchups, ou seja, pelos duelos pessoais entre os dois times. É o que falamos várias vezes sobre a série Magic e Cavs. LeBron e as LeBronzetes tinham um time bom, mas era o time errado pra enfrentar o Magic. Será que o Lakers tem o time certo? É hora daquela análise jogador contra jogador que todo site de basquete faz mas nenhum com o charme e a graça do Bola Presa.

Derek Fisher x Rafer Alston

Acho que esse confronto depende muito do Alston que vamos encontrar em quadra. Vai ser a máquina de acertar arremessos do jogo 4 da série com o Cavs ou o lixo do jogo 5? E o Fisher que vai jogar é o que sabe arremessar ou o que é um pedaço de carne desforme e imprestável?

Inconsistências à parte, acho que esse confronto pode ser definido pelo estilo de jogo que cada um definir. O Fisher teve problemas pra marcar o Aaron Brooks na série contra o Rockets porque ele era muito rápido, mas faz um trabalho razoável contra armadores mais burocráticos. Se o Alston incorporar o Skip to my Lou e partir pra cima do Fisher, o Magic pode ter uma boa arma para abrir a defesa do Lakers para o Dwight e os arremessadores. Se ele for burocrático, não deve ser úil pra nada.

No banco fica a dúvida de se o Jameer Nelson vai jogar ou não. Os jogadores estão confiantes que ele vai pelo menos atuar por uns minutos. Será que ele volta bem ou é mais para dar uma de Willis Reed e dar um boost de confiança nos companheiros?

Se o Alston for agressivo e o Fisher não conseguir pará-lo, a resposta californiana deverá estar em Farmar ou Shannon Brown. O último fez um ótimo trabalho marcando o Billups e até sendo útil no ataque, talvez seja melhor opção do que Farmar por atacar mais a cesta.


Kobe Bryant x Courtney Lee/Mickael Pietrus

O Magic perde esse confronto, é óbvio, mas tudo o que eles querem é que os dois encarregados de marcar o Kobe consigam ser úteis nos dois lados da quadra. Courtney Lee, ótimo no ataque, deve conseguir não ser engolido vivo pelo Kobe. Pietrus, o "LeBron Stopper", tem que marcar bem e continuar acertando as bolas de 3 que tanto machucaram o Cavs nas finais do Leste.

Se o Magic conseguir essa união dos seus poderes, eles podem chamar o Capitão Planeta e deixar o machucado causado por enfrentar o Kobe como algo possível de lidar.

Uma curiosidade é que o Mickael Pietrus usa o tênis do Kobe, o Nike Zoom Kobe IV. Para essa série, porém, ele vai abandonar o tênis que estava dando sorte e usará algum outro, um do Jordan, segundo ele. Li por aí que isso aconteceu também na série do Denver, o JR Smith até aquecia usando o seus Kobes mas na hora do jogo mudava para um Hyperdunk.


Trevor Ariza x Hedo Turkoglu


O Lakers já avisou que não pretende dobrar a marcação no Dwight Howard. Isso significa que nem Turkoglu, nem Lewis, nem ninguém, terá arremessos sem marcação, eles terão que bater seus defensores. E somando isso ao fato de que o Turkoglu é o cara que mais fica com a bola na mão nos quartos períodos para o Magic, esse confronto é essencial.

Se Ariza conseguir forçar turnovers e erros de arremesso do Turkoglu, o Lakers está em ótima situação para fechar jogos disputados. Se o Turkoglu conseguir superá-lo, o Lakers deverá ser obrigado a tentar o Kobe em cima do Turko, o que definitivamente não está nos planos.

Também é essencial para o Lakers que o Ariza continue sendo um bom arremessador de 3 pontos como tem sido nos playoffs. Esse time do Lakers precisa desesperadamente de arremessadores e ainda mais quando Fisher e Vujacic estão numa zica como a do último mês.

Pau Gasol/Lamar Odom x Rashard Lewis

Acho o Odom o cara ideal para marcar o Rashard Lewis. E o Lewis o cara ideal para marcar o Odom. Os dois são jogadores altos demais para serem marcados por defensores de perímetro e ao mesmo tempo um matchup terrível contra jogadores altos. Rashard pelo arremesso e Odom pelo drible e velocidade. Será um duelo de mesmo nível, diferente e legal demais de assistir. Mas a dúvida é quanto tempo esse duelo irá durar.

Não será no começo do jogo, quando o Lakers começa com Gasol, que será o responsável por marcar o Lewis. O ala do Orlando deve tentar punir o espanhol tirando ele do garrafão e metendo arremessos de 3 na sua cara ou partindo para o drible, como fez com Ben Wallace e Varejão. Mas a diferença nessa série é que haverá um contra-ataque. Enquanto os dois do Cavs juntos valiam o mesmo que uma unha encravada no ataque, o Gasol tentará dominar no garrafão ofensivo, conseguindo ou cestas fáceis ou, a situação ideal, deixando o melhor arremessador adversário com problema de faltas.


Andrew Bynum/Pau Gasol x Dwight Howard

Provavelmente será o duelo que definirá a série. Phil Jackson, como dissemos, já afirmou com certeza absoluta que vai mandar marcar o Dwight no mano a mano. Segundo o Zen Master, não dá pra ficar dobrando porque todos os outros jogadores do Magic chutam de três, então não dá pra facilitar pra ninguém.

Mas pra essa tática funcionar é preciso ter alguém bom na defesa pra segurar o Dwight. Até agora o melhor marcador do Dwight que eu vi foi o Kendrick Perkins e o que ele fazia era segurar, com sua força, o Dwight bem longe da cesta e obrigá-lo a jogar apenas com ganchos forçados e quase nunca com enterradas. O Bynum tem o tamanho e a força pra isso, então é possível, mas é difícil prever, Dwight demonstrou um arsenal ofensivo que nunca tinha visto antes na série contra o Cavs.

Mas mesmo com o Bynum marcando bem ou sendo pisoteado pelo Dwight, volta e meia o confronto será entre o Superman e o Pau Gasol. O Phil Jackson não só deve utilizar bastante o confronto Odom-Lewis como em quartos períodos ele costuma deixar o Bynum no banco. Nesse confronto o Dwight leva muito mais vantagem física e para o Lakers o segredo deverá ser trabalhar forte em quem estiver com a bola para que o pivô não receba a bola muito perto da cesta. Para o Magic o segredo é rodar a bola com sua já característica paciência até que o Dwight esteja bem posicionado para quebrar um aro.

A resposta do Gasol pode ser tentar se posicionar à frente do Dwight em algumas ocasiões para usar seus braços de Tayshaun Prince e interceptar passes, além disso ele tem que estar com seu arremesso de meia distância calibrado pra forçar o Dwight a sair do garrafão.

Também seria bom para o Orlando conseguir uns problemas de falta no Lakers, nada mal para o Dwight de repente ser obrigado a enfrentar o DJ Mbenga. Seria o duelo menos equilibrado da história das finais.

Adam Morrison x JJ Redick

"Apenas uma vez em cada geração nós vemos uma situação onde dois extraordinários jogadores se distanciam do resto do basquete universitário e claramente se mostram como os melhores no esporte."

Foi com esse pequeno discurso que o troféu de melhor jogador do país no basquete universitário foi dado a seus dois vencedores. Empatados, em 2006, JJ Redick e Adam Morrison se consagravam como os melhores jogadores, os melhores arremessadores e os cestinhas da temporada 2006 da NCAA.

As duas estrelas maiores do campeonato fizeram história no basquete universitário americano e foram para brilhar na NBA. Adam Morrison na terceira escolha e JJ Redick na décima quarta. Três anos depois, em 2009, Morrison não tem mais o cabelo grande, o bigode é mais discreto e ele só é visto de terno no banco por não ser relacionado para ficar nos reservas do Lakers. JJ Redick até coloca o uniforme, mas jogou apenas um jogo (durante 10 minutos) na final da conferência.

Há três anos todos seriam capazes de prever mais um capítulo do épico duelo Redick-Morrison na NBA. Ninguém imaginaria apenas que a situação seria tão patética para os dois.

Em homenagem ao duelo mais insignificante dessas finais, dois vídeos:

No primeiro, Adam Morrison, jogando por Gonzaga, faz 40 pontos contra USF.



No segundo, JJ Redick marca 38 pontos e é a estrela de um jogo contra Wake Forest, equipe de um bom e ofuscado armador chamado Chris Paul.

terça-feira, 2 de junho de 2009

O futuro dos derrotados

Dois dias antes de todas as atenções se voltarem aos dois grandes times da temporada, vamos dar um pouco de atenção aos derrotados das finais de conferência, Nuggets e Cavs, estes talvez os grandes times da temporada regular e das duas primeiras rodadas dos playoffs.


Cleveland Cavaliers


Foi o melhor time da temporada regular com sobra. O Magic se enfraqueceu depois da contusão do Nelson, o Celtics depois da contusão do Garnett e o Cavs superou as contusões de Delonte West, Ben Wallace e Ilgauskas como se nada tivesse acontecido. Perderam apenas dois jogos em casa e um deles foi usando quase todo o time reserva na última rodada. Impecável.

Aí chegaram os playoffs, varreram Pistons e Hawks sem nenhuma dificuldade e, de repente, o que parecia perfeito virou um time limitado que não merecia ganhar porque só se bastava de um jogador. O que aconteceu com o time balanceado de melhor defesa e um dos melhores ataques da NBA?

Primeiro aconteceu que o Magic, como já comentamos aqui, era o time feito para bater o Cavs. O Cavs não tinha o Kendrick Perkins para conseguir marcar o Dwight Howard 1-contra-1 como o Celtics fez, não tinha ninguém versátil o bastante para marcar o Rashard Lewis e sem defesa eles não emplacaram os seus consagrados contra-ataques. Depois veio a avalanche psicológica por ter ido mal nos primeiros jogos e o resto é história.

O que esses times feitos para bater um outro time fazem é expor, em jogos seguidos, todos os defeitos de um time. Isso quer dizer que tal time não é horrível, não é um lixo, mas que tem defeitos que podem ser explorados. O Spurs mostrava a incapacidade do Suns de atacar em meia-quadra, o Jazz mostrava como o Rockets não sabia lidar com um time agressivo nos rebotes ofensivos, o Warriors mostrou como o Dallas não tinha time pra lidar com aquela velocidade toda, o Celtics mostrou como o Lakers era um time com garrafão fisicamente fraco e por aí vai. Todos estes derrotados eram ótimos times que enfrentaram o adversário errado na hora errada.

O que o Cavs precisa fazer primeiro é não se desesperar. Deixar esfriar a cabeça pra perceber que o time é bom sim, mas que, como todos na liga, precisa de mudanças para poder vencer o campeonato. Mudanças de elenco e pessoais.

Como mudança pessoal dou o exemplo do Gasol, que no passado sofreu um bocado nas finais e percebeu que se não aprendesse a lidar com essa defesa mais física, ele não iria a lugar nenhum. Pois nessa temporada ele decidiu o jogo do Natal contra o Celtics sofrendo a mesma defesa e superou nos playoffs três times extremamente físicos, chegando ao ápice que foi enfrentar, jogar bem e vencer um garrafão com Nenê, Kenyon Martin e Birdman.

Que sirva de lição para o Mo Williams. Se ele quer ser o Robin do LeBron James, ele tem que expandir seu jogo para além de ser apenas um arremessador, precisa ser mais do que um cara que puxa a bola em contra-ataque. Ele precisa de ferramentas que o façam mais útil no ataque de meia quadra e precisa colocar a cabeça no lugar, porque depois daqueles dois primeiros jogos a confiança dele estava no ralo.

No elenco, a principal mudança tem que ser no garrafão. Ben Wallace anunciou que deve se aposentar, Ilgauskas não dá conta do Dwight Howard e o Varejão, segundo notícias da gringolândia, deve decidir virar Free Agent e talvez saia do Cavs.

Então, talvez o garrafão sofra uma reestruturação total e nessa reconstrução eles devem não só procurar alguém que continue dando uma identidade defensiva para o time, mas também alguém que possa ser capaz de marcar alguns pontinhos lá dentro do garrafão. Jogar com o Varejão ou o Ben Wallace é praticamente jogar com só 4 jogadores no ataque, o que facilita muita a dobra de marcação dos adversários.

Achar alguém que saiba pelo menos finalizar um pick-and-roll em direção à cesta, fazer uns 12 pontos por jogo já tá mais que bom. Difícil tirar ele do Knicks, mas o David Lee, Free Agent restrito, cairia como uma luva para o Cavs.


Denver Nuggets

Não foi o melhor time do Oeste na temporada regular mas foi a maior surpresa e a grande história da conferência.

Começou a temporada sendo aquele time de elenco bom e atuação medíocre do ano anterior mas dessa vez sem o Marcus Camby. Um desastre anunciado. Depois da miraculosa chegada do Billups, então, o time dá uma guinada completa e a loucura do JR Smith é entendida pelo George Karl, o Carmelo vira um jogador de equipe, o K-Mart não se machuca, o Nenê vira um dos melhores pivôs do Oeste, o Chris Andersen sai das drogas, alguém anda sobre a água e transformam Gatorade em vinho.

O time santo que não perdia em casa desde o meio da temporada regular atropelara o Hornets e Mavs0 mas, quando mais interessa, perde 2 de 3 jogos em casa para o Lakers e dá adeus.

"Fizemos todos pensar, pelo menos por uns 10 dias, que eramos o melhor time do Oeste"

O autor da frase, nosso frasista da semana George Karl, tem toda razão. Depois das primeiras rodadas avassaladoras com o Lakers capengando contra o Rockets, todos achavam, com bons argumentos, que o Nuggets era mais time. O K-Mart foi além e disse que ainda acha o Nuggets melhor que o Lakers, "só não conseguimos mostrar isso na quadra", completou.

Embora soe estranha a declaração, entendo o Grand Kenyon. O Nuggets tem um elenco que, no papel, parece no mínimo do mesmo nível do Lakers e durante os últimos meses e os playoffs pareceu bem mais regular que o time do Kobe. Apenas na hora de fechar a série contra o Lakers é que o time se perdeu.

Se fosse o Nuggets do ano passado eu diria que foi falta de liderança e que o Billups resolveria isso em minutos. Mas mesmo com o Mr Big Shot lá eu digo a mesma coisa, faltou o Billups. Ele foi medíocre nos jogos 5 e 6, os dois que o Nuggets precisava para vencer a conferência. Se ele joga bem nas duas partidas, a história era outra.

Espero que essa derrota não mexa em nada com o Nuggets, que não precisa mudar o elenco para conseguir um título. Basta assinar seu único importante Free Agent, o Chris Andersen, e no máximo pegar uns caras para completar elenco. O time está aí, o talento está aí, o técnico está aí, é só voltar e não jogar sua pior partida nos playoffs no momento mais importante.

Escrever é mais fácil que fazer, não é fácil voltar depois de uma derrota e sair jogando bem. Não precisa ir muito longe para buscar, curiosamente em um mesmo time, um exemplo que mostra como é possível e como pode ser difícil se recuperar de derrotas nos playoffs.

O Dallas Mavericks estava a duas vitórias de ser campeão da NBA em 2006 quando sofreu uma virada histórica e perdeu para o Heat. Parecia ser uma derrota traumática mas o time voltou mordido na temporada seguinte e cravou 67 vitórias na temporada regular, melhor time com sobras. Usaram a derrota do ano anterior como incentivo para a busca do anel.

Mas nos playoffs sofreram outra derrota traumatizante e aí o time nunca mais se recuperou. Com o mesmo elenco vencedor do ano anterior, não chegaram nem perto de repetir as boas atuações.

Derrotas em momentos decisivos dos playoffs podem servir como incentivo, lição ou para acabar com a moral de um time. Veremos como Nuggets e Cavs se comportam no ano que vem. Agora pé na bunda deles que eu não vou mais falar de fracassado no meu blog, nele já basta eu.

Quer dizer, vou falar de fracassados um pouco mais, pode ser?
É que esse fim de semana eu descobri o que é Slamball. Assistindo a BandSports na casa da minha namorada (que eu não tenho em casa, por isso não sei se é velho ou novo), vi esse bizarro esporte que é basquete só que com cama elástica para enterradas. Cama elástica!

É ou não é, ao mesmo tempo, um esporte de fracassados que não sabem jogar basquete e a melhor idéia que alguém poderia ter?

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Título não comemorado

Uma bela foto para um belo jogo

Como o Danilo disse no post anterior, nos demos uma folga no final de semana já que as finais começam só na quinta-feira, e com isso falo da classificação do meu Lakers somente agora. Mas como na frase que acabei de cunhar depois de muito estudar, antes tarde do que nunca.

Primeiro temos que dimensionar o fato de o Lakers ter ganhado o Oeste por dois anos seguidos. Ninguém ganhava o Oeste em anos consecutivos desde o tri-campeonato do próprio Lakers de 2000 até 2002. Pelo Leste isso aconteceu pela última vez quando o Pistons venceu em 2004 e 2005. Ser bi-campeão de conferência e ainda mais de uma conferência tão disputada como o Oeste hoje em dia é um fato gigantesco que parece que passou despercebido pra muita gente.

Difícil culpar as pessoas que não viram a dimensão do fato se o próprio Lakers fez parecer que é pouca coisa. Ao sair da quadra contra o Nuggets no jogo 6, depois de uma vitória incontestável, o time parecia que tinha acabado de sair da primeira rodada. Cumprimentou os adversários (né, LeBron?) e foi para os vestiários. Lá, com uma cerimônia simples e sem muito alarde, receberam o troféu de campeões da conferência.


Nas entrevistas o mesmo discurso de todos, só as palavras mudavam um pouco: Aprendemos muito nessas três séries de playoff, aprendemos muito na final do ano passado e finalmente estamos de volta para dessa vez fazer bem feito.

A sensação que eles passaram me fez voltar à minha infância. Jogando videogame eu passava uma fase dificílima para só então chegar no chefão e morrer, sendo obrigado a voltar desde o começo daquela fase enorme. Jogava de novo, puto, e só queria saber de chegar no chefão, não vibrava ao passar de nenhum trecho mais difícil, tudo o que eu queria era ir lá e chegar naquele final de novo mas dessa vez ao invés de morrer, o que me obrigaria a começar do zero pela enésima vez, queria matar o diabo do chefe e ir pro abraço.

O Lakers não está feliz de estar na Final de novo, está aliviado. É a sensação de ter uma nova chance, de serem consagrados, de tirar qualquer rótulo de "soft", amarelão e tudo aquilo que cansamos de ouvir no ano passado. Por isso que a ansiedade pela final e o alívio de estar nela são maiores do que a excitação de serem bi-campeões do Oeste.

Voltando ao jogo 6, o do título, devo dizer que fazia muito tempo que eu não ficava tão impressionado com o Lakers, acho que foi o melhor jogo do time desde os tempos de Shaq. É sério, não me lembro de ver, no mesmo jogo, tudo o que Lakers pode oferecer de bom ao mesmo tempo: 57% de aproveitamento dos arremessos, 56% das bolas de 3, 20 pontos e 8 rebotes do Odom vindo do banco, 20 pontos e 12 rebotes pro Gasol, 17 pontos em 22 minutos pro Ariza e 35 pontos e 10 assistências para o Kobe. Tudo isso já aconteceu várias vezes, mas tudo em um mesmo jogo e em um jogo fora de casa com uma puta pressão nas costas? Assustador.

Isso só foi possível porque o Lakers jogou com cabeça de Spurs. O time foi frio na hora de atacar, sempre explorando todas as opções possíveis no ataque e não arremessando logo na primeira chance que aparecia. Nem sempre o Lakers tem saco pra tanto. Também foi possível porque o Nuggets, ao ver o Lakers tomando conta do jogo, tentou resolver ao estilo do Denver do ano passado, com bola de 3 atrás de bola de 3. O Nuggets virou a potência que virou porque nesse ano aprenderam a complementar seu jogo com defesa e variação de ataque. Mas na hora do desespero fizeram tudo errado, nem o Billups salvou.

E se erramos muito ao insistir na nossa previsão que o Magic não ia chegar a lugar nenhum (devo um pé pro Danilo), acertamos quando falamos que o Lakers passou a temporada inteira sendo irregular mas vencendo quando mais precisava. Perdeu jogos idiotas na temporada regular (alô, Bobgatos!), mas teve aproveitamento espetacular contra seus adversários do Oeste (venceu a série da temporada regular contra todos), além das varridas sobre Celtics e Cavs.

Nos playoffs venceu a partida 4 em Salt Lake contra o Jazz antes que a série complicasse, contra o Rockets, a pior série do Lakers, conseguiu vencer a primeira partida em Houston para recuperar o mando de quadra e dominou o jogo 7. Contra o Nuggets pegou um time que não perdia em casa desde meados da temporada regular e lá venceu 2 das 3 partidas disputadas, uma para recuperar o mando de quadra e a outra para fechar a série.

Ou seja, por mais defeitos que o Lakers tenha, e tem vários, o time até agora conseguiu minimizar esses defeitos nas partidas mais importantes.

E pode-se dizer que essa pode ser a grande diferença desses playoffs. Como já dissemos e parece que muita gente concordou, esses playoffs não são os playoffs de um time dominante, de times inquestionáveis, muito pelo contrário, a final será entre dois times que ganharam, com toda razão, o rótulo de inconsistentes.

Tanto Lakers quanto Magic foram inconsistentes, o Magic até dentro dos jogos é inconsistente, mas na hora que mais importava, jogaram bem. O Magic jogou bem nos jogos 6 e 7 contra o Celtics, o último fora de casa, jogou muito bem ao eliminar o Sixers na Philadelphia sem Dwight Howard e foi bem de novo contra o Cavs, bem nos jogos fora de casa e fatal, com instinto assassino, no jogo para fechar a série.

Inconsistência por inconsistência acho que o Lakers sai na frente por ter um elenco mais forte e porque não perde uma série em que tem mando de quadra desde 2004. Mas é só um palpite. Até quinta-feira faremos uma análise mais profunda dessa Final de NBA. Vamos analisar os confrontos individuais, os confrontos da temporada regular, um possível retorno do Jameer Nelson, a parte tática e até vamos dar um tempinho, amanhã talvez, para falar um pouco dos derrotados. Afinal, o que a Mãe Dinah prevê para o futuro de Cavs e Nuggets, os Barriquelos de suas conferências?

E tem mais um comercial da Nike com o LeBron e o Kobe em bonequinhos. A campanha mais legal dos últimos tempos. Esse vídeo abaixo é em referência a esse vídeo do Kobe.


Vocês imaginam se o Lakers não passa para a final, como esses comerciais iam ficar patéticos? Afinal, eles foram feitos com a esperança de uma final Kobe x LeBron. Não duvide que na Adidas já tinha gente fazendo as versões puppets de Chauncey Billups e Dwight Howard pra tirar sarro da concorrente.