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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Trocas e arrependimentos

Para fugir do Larry Brown, o J-Rich disse que a mãe dele
tava chamando - "logo ali, ó, em Phoenix!"



Que o Suns não estava dando certo, isso todo mundo podia ver. O ataque não resistiu à saída do técnico D'Antoni e a defesa não ficou lá essas coisas com seu substituto, o Terry Porter. Como o Denis bem disse há um tempo, o Suns sentiu uma saudade brutal da correria que era parte da identidade do time. É verdade que o estilo falhava justamente contra os grandes times, contra as grandes defesas, nos momentos mais decisivos. Mas no resto do tempo - e, portanto, na enorme maioria do tempo - o Suns de D'Antoni chutava traseiros, ganhava os jogos com imensa facilidade, abria sorrisos nas crianças e atraiu uma grande massa de gente ao esporte. Com a chegada de Shaq, o objetivo era continuar a correria mas ter uma arma para o basquete de meia quadra, justamente o maior problema nas partidas contra o Spurs. O próprio Shaq disse que poderia correr numa boa, que não seria nenhum problema e que seu jogo lento era, até então, escolha técnica. Mas a empreitada não deu muito certo, optou-se por uma mudança de ares e o D'Antoni foi plantar batata.

A temporada acabou de começar e todo mundo já está visivelmente descontente com o novo técnico Terry Porter. Ter um ataque mais lento e cadenciado depois de passar anos com D'Antoni deve ser intragável, é como beber Fanta Uva depois de anos de vinhos caríssimos. Ao contrário da crença popular, o esquema de D'Antoni não é uma porra-louquisse sem critério, mas sim um detalhado e complexo sistema que cria movimentação de bola, criatividade e liberdade ofensiva. Agora todo mundo se sente preso, num ataque chato e que não é nem de longe tão efetivo quanto era antes. A defesa melhorou com o Terry Porter, isso é fato, mas já se fala em Phoenix sobre a necessidade de voltar a correr, de recuperar a identidade que o time possuia. Nash não rende tanto no novo esquema tático, Boris Diaw era obrigado a jogar como um simples ala, plantado no garrafão, ao invés de poder utilizar a versatilidade que um dia - ah, bons tempos aqueles - lhe deu o prêmio de jogador que mais evolui na temporada, e o Leandrinho, mesmo com todos os problemas psicológicos e familiares pelos quais vem passando e que com certeza influenciam seu jogo, é muito nitidamente o mais incomodado com a nova mentalidade do ataque do Suns.

É muito engraçado, então, que o novo técnico que veio justamente para dar ênfase na defesa tenha que inverter tudo e focar o ataque, que não está funcionando. Com essa mentalidade, o Suns mandou seu melhor defensor de perímetro, Raja Bell, e um jogador versátil e mal utilizado, Boris Diaw, em troca de um jogador puramente ofensivo que foi o líder em bolas de 3 pontos convertidas na temporada passada, Jason Richardson.

Está aí uma troca que deixaria Mike D'Antoni orgulhoso, mandar às favas a defesa e versatilidade (o D'Antoni é famoso por usar o mínimo de jogadores possível) e conseguir um jogador que vai melhorar ainda mais o ataque. Espera, espera, isso não é um tanto absurdo? O ataque estava bom, a defesa fedia, aí vem um cara pra cuidar da defesa, o ataque fica uma porcaria, e aí eles trocam por alguém que faça mais pontos? Sou só eu ou o Suns parece que se arrepende o tempo inteiro, fica abandonando e recuperando suas mentalidades, e não consegue decidir se corre, se fica, se defende, se ataca, se segura o Tchan ou se rala na boquinha da garrafa?

Eu sempre bato na tecla de que todo time precisa ter uma identidade. O jogador precisa entrar em quadra sabendo qual é o maldito plano, o que diabos ele tem que fazer. Se uma hora o plano é correr, na outra é defender, depois fica correr de novo, não tem como haver ritmo ou consistência na produção dos jogadores. Pior ainda é as mensagens contraditórias que a equipe técnica acaba passando para o elenco: "Gente, o negócio agora é esquecer o D'Antoni, vamos aprender a defender porque defesa é que ganha jogos. Aliás, fizemos uma troca pelo Jason Richardson, ele chega amanhã." Hã? É tipo um cara dizer que quer fazer limonadas e ficar comprando laranjas.

A troca também mandou para o Suns uma escolha de segundo round no draft e o Jared Dudley. O Dudley estava sendo titular no Bobcats porque o Larry Brown estava tentando até a mãe dele para fazer dupla de garrafão com o Okafor, mas não há ninguém que preste no elenco. No entanto, para jogar apenas no garrafão e ser carregador de piano, obedecer, pegar rebotes e ficar quieto, Dudley vai se encaixar bem melhor do que o Diaw. O francês, por sua vez, é muito mais talentoso e cheio de recursos, mas fica difícil imaginar ele sendo o parceiro de garrafão de que Okafor necessita. Minha suspeita é que o Larry Brown não vai gostar da idéia de usar o Diaw e os problemas debaixo da cesta vão continuar os mesmos. O Raja Bell deve se dar melhor, mas como o Denis bem me disse, com Bell e Gerald Wallace o Bobcats está bem para marcar qualquer time, mas nunca vai fazer mais de 80 pontos num jogo sequer. Aliás, não vejo como o Bobcats vai conseguir marcar 5 pontos sequer, acho que o Larry Brown surtou e quer ver quantos times ele consegue acabar de afundar junto com sua carreira.

O Terry Porter também está afundando no Suns, mas agora ganha uma nova tentativa. Acho que sua presença, pra ser sincero, apenas demonstra como o time de Phoenix era limitado, uma ferida com um curativo bem feito que segurava as coisas nos trinques. Com o cutucão que o Porter deu, a defesa não melhorou (sangramento eterno) e o ataque desmantelou, expondo o ferimento. Olhar o Knicks de agora talvez torne isso ainda mais claro. O time é limitadíssimo, incapaz de jogar na defesa, fadado ao fracasso eterno, mas D'Antoni colocou um curativo e agora a equipe faz mais de 100 pontos por jogo, movimenta a bola, joga coletivamente. Ele é, como diria o Wolverine, o melhor no que faz (SNIKT!), o Mestre dos Magos do ataque, mas não dá pra concertar tudo. Às vezes, querer arrumar todos os aspectos leva o time a desmoronar por completo e perder sua identidade.

Agora temos um Suns que resolveu voltar a correr, com um Jason Richardson que vai atacar a cesta e arremessar milhões de bolas de três. Bem, se essa era a intenção, então por que não manter o D'Antoni? O Suns agora é um time que nem se pauta pelo passado e nem se foca no futuro, completamente perdido no tempo. Resta nossa torcida de que eles encontrem um meio-termo, que Terry Porter encontre uma voz própria, e que o ataque volte, no mínimo, a empolgar. Antigamente o Suns perdia mas levantava a torcida, o que é bem melhor do que perder e ainda parecer o Fábio Puentes, dizendo "Dorme, dorme, dorme, dorme!". Os ânimos por lá andam de fim de feira, todo mundo insatisfeito e a torcida preferindo ir jogar Pokémon. Supostamente, a troca deveria dar um ânimo na equipe, colocar sangue novo e impor um ritmo mais veloz, mas não deu muito certo a princípio: Nash e Raja Bell eram melhores amigos e o canadense está legitimamente desolado, se dizendo incapaz de compreender que isso é "um negócio" como todos os discursos padrão de jogadores trocados. Agora, como se não bastasse, o Suns tem que se preocupar com o descontentamento de Nash, a depressão de dois amigos desfeitos, e todo mundo que se lembra do Mobley e do Steve Francis sabe que, às vezes, um dos lados nunca mais se recupera (Mobley, aliás, que se aposentou com problemas no coração - típico de quem passa uns tempos jogando pelo Clippers).

Enquanto isso, outra troca aconteceu, mas quem repara naquela garota mais-ou-menos que está andando do lado da Alinne Moraes? O Hornets agora tem um armador, o Antonio Daniels, para substituir o Jannero Pargo na temporada passada, que fugiu para a Europa. O Wizards, por sua vez, tem agora um clone ruim-pra-burro do Gilbert Arenas, que é o Mike James, e conseguiu um reserva de verdade para a armação pela primeira vez na última década, que é o Javaris Crittenton. Lembra que o Grizzlies tinha mais armadores puros e jovens do que vitórias (Mike Conley, Kyle Lowry e o Javaris Crittenton) e todo mundo dizia o tempo todo que eles iriam trocar ao menos um deles por um jogador de garrafão? Pois bem, eles trocaram mesmo um deles e mais uma escolha de segundo round no draft, mas apenas para recuperar a escolha de primeiro round que eles tinham mandado para o Wizards pelo Navarro, que depois de uma boa temporada se mandou pra Europa. Ou seja, essa troca com cara de suruba forneceu armadores para o Wizards e para o Hornets, que estavam precisando, e o Grizzlies apenas perdeu um jogador cheio de potencial para tentar concertar a cagada que fizeram ao trocar pelo Navarro, na época apenas para deixar o Pau Gasol feliz - hoje, um foi trocado para o Lakers e o outro escafedeu-se. Pois é, no mundo das trocas, não é só o Suns que se arrepende às vezes.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O Suns não é mais aquele

Shaq segurando o choro (ou então se transformando no Hulk)


Na semana passada, a ESPN mostrou para o mundo todo o Suns ser humilhado pelo Heat. Mas o Nash não jogou aquela partida, então eles tinham uma desculpa.

Pois eis que ontem lá estava o Suns de novo em rede nacional para passar vergonha de novo. E dessa vez com o Nash em quadra! Mas tudo tem seu lado bom, se eles tinham tomado mais de 40 pontos do Wade e depois do Devin Harris, dessa vez seguraram o Nowitzki a apenas 39! Boa, time!

É impossível não lembrar que há 9 meses atrás, um pouco antes da troca do Shaq, o Suns era o líder do Oeste. Eles tinham Shawn Marion, D'Antoni e lideravam a conferência mais disputada da NBA. Uma troca de Shaq depois e eles caíram para a 6° colocação e perderam na primeira rodada dos playoffs.

Uma troca de técnico depois e eles hoje estariam fora dos playoffs. O que aconteceu nesse tempo todo? O que deu errado com o Suns? O que eles tem que fazer para voltar a ser um time forte?

A troca do Shaq foi igual à do Kidd, foi a do estilo "Ou vai ou racha", ou seja, ou a gente é campeão ou estamos fodidos. Com o Dallas ainda deu certo, porque embora eles tenham perdido um armador que está chegando agora no ápice do seu jogo, pegaram em retorno um que já está no fim carreira mas que pelo menos consegue ainda fazer a diferença em um jogo apesar da idade. O Shaq não tem tido o mesmo resultado.

A troca do Shaq fez o Suns perder toda a química que havia entre seus jogadores e perder a temporada passada. Como solução para esse ano, chamaram o Terry Porter para substituir o D'Antoni como técnico e fazer duas coisas: fazer o time ter um melhor ataque de meia quadra e fazer o time defender.

No ranking de ataque e defesa, usando os números de pontos feitos e sofridos a cada 100 posses de bola, o Suns, que sempre foi um dos melhores ataques da NBA desde que o Nash chegou, é hoje apenas o oitavo. Na defesa estão em 24°. E hoje tem 14 times na liga que têm mais posses de bola por jogo do que eles, ou seja, 14 times que jogam em mais velocidade.

Portanto, o Terry Porter conseguiu fazer o time jogar em ataque de meia-quadra, mas não fez esse ataque funcionar e nem conseguiu melhorar a defesa. O primeiro mês de temporada foi um fracasso. E nesse período já tivemos o Nash, que tem suas piores médias em tudo desde que chegou no Suns, reclamando que nada funciona, além do Amaré reclamando que não recebe a bola o bastante. Jogador reclamando para a imprensa nunca é bom sinal.

O que dá pra entender disso tudo é que está faltando sintonia. A grande diferença entre o run and gun do Suns e os utilizados no Nuggets pré-Billups e no Warriors era que o Suns parecia saber o que estava fazendo. Mesmo em velocidade todos sabiam o que fazer, hoje eles não sabem o que fazer, o que deveriam fazer, o que vão fazer amanhã e nem o que a Flora vai fazer com o Gonçalo na novela das 8.

Isso é culpa do técnico? É. Ainda dá tempo pra arrumar? Dá. Ele vai arrumar? Não apostaria meu pé nisso. Mas é culpa só do técnico? Definitivamente não.
De Bryan Colangelo a Steve Kerr, a direção do Suns tem muita culpa no que está acontecendo com o Phoenix Suns.

Hoje e em todas as temporadas desde que Nash chegou e o Suns virou uma potência da NBA, um dos grandes problemas do Suns foi não ter banco de reservas. Uma contusão e eles estavam ferrados, um time que anulasse uma de suas armas e eles não tinham resposta vinda do banco de reservas. Foi assim quando Amaré Stoudemire se machucou, foi assim no ano passado quando o Grant Hill não jogou nos playoffs, foi assim quando o Joe Johnson se machucou nos playoffs de 2005 e por aí vai.

Hoje o Suns continua com o mesmo problema e tem outro, a idade. Mais do que nunca, Nash, Shaq e Grant Hill precisam de descanso para aguentar a temporada e os playoffs. E o Suns precisa de armas vindas do banco, além do Leandrinho, para mudar a cara do time de vez em quando. E chances para isso não faltaram.

Essa é uma lista com jogadores que o Suns draftou ou trocou nos últimos anos:

Rudy Fernandez e James Jones - Mandados para o Portland em troca de dinheiro no draft de 2007

Sergio Rodriguez - trocado por dinheiro no draft de 2006

Rajon Rondo - Trocado por uma futura escolha de draft do Cavs (que pertencia ao Boston)

Nate Robinson e Quentin Richardson- Trocado por Dijon Thompson e Kurt Thomas

Luol Deng - Trocado por uma futura escolha de draft do Bulls


Claro que não dava pra ter todos, o Deng por exemplo foi o que rendeu a escolha de draft do ano seguinte, a escolha do Nate Robinson, mas o ponto principal é que o Phoenix Suns teve muito cara bom nas mãos em dia de draft e deixou escapar. Assim como deixou escapar dois de seus melhores arremessadores, James Jones e Quentin Richardson, em troca de nada.

Na época o Suns dizia que estava economizando, que não queria gastar com novos contratos de novatos. Mas quer dizer que eles economizam uns 3 milhões com o Luol Deng para pagar 8 para o Boris Diaw? Economizam menos de 2 no Rajon Rondo pra depois reclamar que não têm reserva para o Nash? Eles tiveram Sergio Rodriguez, Rajon Rondo e Nate Robinson nas mãos e hoje estão chorando atrás de um armador para substituir o Nash, é irônico demais.

Vocês conseguem imaginar o estrago que seria um banco de reserva com Luol Deng e a dupla Sergio e Rudy? Seria devastador. E olha que eu nem estou contando com a perda do Joe Johnson, já que o armador do Hawks fez de tudo para sair quando virou Free Agent, não foi o Suns que não quis segurá-lo.

Podemos então culpar o Steve Kerr e o Bryan Colangelo pelas trocas de draft que só prejudicaram o time. Culpar só o Steve Kerr pela troca do Shaq. Podemos culpar o técnico Terry Porter por não arrumar nada que ele se propôs a arrumar e também os jogadores porque são eles que estão lá tomando pau.

Não sei se alguém se sente melhor ao apontar os culpados. Eu não, mas aí estão todos eles. Mais um time que esteve a um passo de um título da NBA que hoje parece tão longe. Mas como não dá pra trazer todo mundo de volta, o que eles devem fazer? Shaq responde:

"Se nós vamos correr, deveríamos parar de só falar sobre isso e realmente correr. Não precisamos da permissão do técnico para pegar um rebote e sair correndo. Eu vou começar o contra-ataque porque eu é que pego a maioria dos rebotes e não importa pra mim. Eu posso jogar em qualquer estilo de jogo."

É isso aí, Shaq! Digam para o Terry Porter se preocupar apenas em treinar a defesa, o ataque é só fazer do jeito que sempre funcionou. O Shaq não precisa correr na velocidade do Nash pra dar certo, quantas vezes não vemos o Lakers jogando na velocidade com o Gasol acompanhando o contra-ataque e o Bynum chegando meia hora depois? O Amaré acompanha o contra-ataque e o Shaq vai depois.

Simples assim. Problema resolvido, vamos pra casa.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Análise dos Técnicos - Divisão do Pacífico

"Então é só ir lá e marcar 81 pontos?"


O Danilo ficou com a parte boa ontem. Ele falou dos técnicos da divisão atlântica e pode falar mal das pessoas, o que é sempre mais legal do que falar bem. Mas tudo bem, tudo bem, eu vou para o outro lado dos Estados Unidos falar da divisão da Califórnia, ou melhor, do Pacífico, que tem 4 times da Califórnia e o intrometido do Suns.


Reggie Theus, Sacramento Kings

Reggie Theus foi um ótimo jogador na NBA. Chegou a ter médias superiores a 20 pontos e 9 assistências e acabou a carreira com médias de 18 e 6. Nada mal. Mas mesmo assim ninguém lembra dele.

Mas o Reggie Theus fez de tudo para não ser esquecido. Depois de se aposentar como jogador da NBA, ele começou uma carreira de ator. Sim, no maior estilo Shaquille O'Neal. Pelo jeito os jogadores antigos queriam ser atores, não são como os de hoje que querem ser rappers. Ele participou de filmes como o "Like Mike", que no Brasil se chama "Pequenos Grandes Astros" e tem participações de jogadores da NBA como Vince Carter, Steve Nash, Jason Kidd e Dirk Nowitzki. Theus fez o papel de um comentarista.

Ele também participou de uma série da NBC chamada "Hang Time", em que tinha um papel importantíssimo, era o técnico de basquete do time da escola. A patética e vergonhosa abertura do programa pode ser vista no vídeo abaixo. Mas assistam até o fim, senão vocês perdem a participação especial do Alonzo Mourning no episódio!



O cara queria porque queria aparecer e se você resgatar do armário o seu NBA Live 2000 ouvirá a voz do técnico do Kings fazendo os comentários, mas chegou uma hora em que ele decidiu usar seu conhecimento sobre basquete para fazer algo mais importante do que comentar a atuação de pixels em uma tela.

Em 2005 ele foi contratado pelos Aggies da Universidade do Novo México e começou sua carreira como técnico. Lá ele começou com um time horrível e uma campanha de apenas 6 vitórias, no ano seguinte foram 16 e depois 25, levando os Aggies para o torneio da NCAA. Lá ele era considerado um ótimo professor, alguém que pegava os jogadores que vinham crus do colegial e os fazia entender melhor o jogo e a melhorar seus fundamentos. Esses técnicos-professores são os que fazem sucesso no basquete universitário, porque lá você não lida com a nata do talento mundial, como na NBA, lá você tem que lidar com branquelos baixinhos que só têm o esforço pra oferecer, não é fácil.

Mas eis que então Theus surpreende todo mundo e vai para a NBA. Na temporada 2007-08 ele começou como técnico do time que defendeu por anos, o Kings. Nesse seu único ano o saldo foi até que positivo, no disputado Oeste acabaram em 11°, mas com um número de vitórias que os colocariam nos playoffs se Sacramento ficasse no Leste americano.

Mas apesar dos números discretos, acho que o Theus fez um bom trabalho. Ele pegou um time que não tinha armadores e fez o Beno Udrih jogar ainda mais do que jogava quando entrava nos jogos já ganhos do Spurs. Também fez o Brad Miller voltar a jogar como não jogava há anos, conseguiu fazer o Mikki Moore jogar bem mesmo sem os passes do Jason Kidd e, na minha opinião, sabe como usar todo o potencial do Kevin Martin. O K-Mart 2 não é um cara que faz tudo sozinho mas ele sabe fazer os seus pontos e o time joga em função disso.

Em todos os jogos que vi do Kings, vi um time organizado e que sabia o que estava fazendo, não é à toa que engrossou para muito time bom, faltava mesmo um pouco de defesa. O Kings foi o oitavo melhor ataque da liga mas também foi a sétima pior defesa.

Para o ano que vem, o Kings perdeu o Artest (que muitas vezes ignorava o Theus e queria fazer tudo sozinho no ataque) e ganhou o promissor pivete Donte Greene. Com isso o Kings tem um elenco bem novo, com Udrih, Kevin Martin, Donte Greene e os homens de garrafão Jason Thompson, Spencer Hawes e Shelden Williams. Para um monte de pivete, nada melhor do que um professor como Theus. Depois dessa temporada, assistindo a evolução do Kings, será mais fácil de julgá-lo.


Terry Porter, Phoenix Suns

O começo da carreira do Terry Porter como técnico foi promissor. O antigo armador do Blazers e do Spurs (campeão com o Duncan e cia em 99) começou como técnico do Bucks na temporada 2003-04, lá ele pegou um time que tinha o recém-promovido a estrela Michael Redd e um bando de talento bem mediano, como o Tintim Van Horn, o Joe Smith, a eterna promessa Desmond Mason e o novato e ainda cru armador TJ Ford.

O time acabou a temporada com 41 vitórias, 41 derrotas e se classificou em sexto para os playoffs. Um feito espetacular! Pensa bem, você coloca toda a responsa do time nas mãos do TJ Ford, um recém-draftado, ele só joga 55 dos 82 jogos e no resto a armação é feita pela farsa do Damon Jones. Esse armador está preparando jogadas para caras como o Tim Thomas e o Desmond Mason e mesmo assim você vai em sexto para os playoffs com um técnico novato! E no Bucks! As coisas não costumam dar certo por lá.

O segredo foi um ataque fulminante. Ford e Damon Jones botavam a meninada pra correr e aproveitavam a velocidade do Desmond Mason e as bolas de três do Tim Thomas e do Redd para ter o quarto melhor ataque da NBA naquela temporada.

Mas no ano seguinte o TJ Ford não jogou porque estava com seus problemas nas costas e a armação ficou na mão de Mike James e Mo Williams (pausa para gargalhada). Você consegue imaginar uma dupla de armadores mais fominha e que mais estraga os companheiros de time? Imagina a situação do Porter ao ver o Mike James fazendo tudo errado no ataque e tendo só o Mo Williams como opção de troca. Não foi à toa que o time virou apenas o 15° melhor ataque da NBA, não foi para os playoffs e Porter foi mandado embora.

Nos dois anos o Bucks ficou entre as 10 piores defesas da NBA.

Resumo da matéria: Porter montou um time veloz, bom ofensivamente, que dependia de armadores rápidos e não conseguiu montar uma defesa boa.

Ele é a cara do Suns, o time ainda vai ser bonito de ver e os torcedores do time de Phoenix podem esperar mais do mesmo. Talvez um pouco mais de jogo de meia quadra, umas jogadas diferentes, mas no geral vai ser o mesmo show de antes com a mesma merda de resultado de antes. Só precisamos ver como ele lida com as potências de Shaq e Amaré no garrafão, porque no Bucks ele treinou um time que tinha Marcus Fizer e Zaza Pachulia. Eca.


Mike Dunleavy, Los Angeles Clippers

O Junior está jogando no Pacers, o papai é técnico do Clippers. Vitórias e sucesso não devem ser assunto na mesa no dia de ação de graças.

Mas Mike Dunleavy é um cara bacana, em sua carreira ele conseguiu bons resultados. No time bom de Los Angeles, o Lakers, ele começou sua jornada como técnico e logo no primeiro ano foi para a final da NBA, quando perdeu para o Bulls do Jordan.

Depois do Lakers ele foi para o Bucks, onde não conseguiu nada, afinal era o Bucks. De lá foi para o Portland, onde comandou um timaço. Lembram de Damon Stoudamire, Derek Anderson, Steve Smith, Scottie Pippen, Rasheed Wallace e Arvydas Sabonis? Eram comandados por Dunleavy. O time jogava muito bem mas amarelava, foi bi-vice do Oeste, perdendo para o Spurs em 99 e para o Lakers em 2000, naquele jogo 7 inacreditável em que eles estavam ganhando por uns 20 pontos de vantagem no terceiro período, quando começaram a mijar nas calças.

Depois de perder um jogo daquele, o Dunleavy saiu do Portland, era melhor perder o emprego do que ser assassinado pelo Rasheed Wallace.

Em 2003 ele chegou no Clippers e das 5 temporadas que fez com o time, 4 foram um fracasso, mas uma foi espetacular. Ele comandou o Clippers a seu primeiro playoff desde 97 e ganhou (em cima do Nuggets amarelão do Carmelo, por 4 a 1) a sua primeira série de playoff desde 1977! Dá pra imaginar um time mais derrotado do que o Clippers? Na semi-final do Oeste levaram o Suns a 7 jogos em uma série espetacular.

Foi o ápice do Clippers na NBA. Mas não sei o quanto disso era mérito de Dunleavy. No ano anterior o Clippers já era um time bom, mas perdia sempre no final dos jogos, não tinha calma pra decidir, um número que eu não consigo mais achar mostrava como o Clippers era um dos times que mais perdia jogos por diferença menor de 5 pontos. Então eles conseguiram os experientes Cassell e Mobley e com eles ficou tudo mais fácil. Será que não é papel do técnico fazer os jogadores terem tranquilidade para fechar os jogos? Ou ele desenhava as jogadas certas e os caras que não colocavam a bola dentro da cesta?

Não sei, teria que acompanhar o time mais de perto para julgar essas coisas. E acompanhei o Clippers bem de perto apenas nos playoffs daquele ano e Dunleavy foi perfeito na série contra o Suns. O time de Phoenix estava sem o Amaré e usando o Boris Diaw de pivô, pensando nisso o Dunleavy fez de tudo para usar o Elton Brand e o Chris Kaman até não poder mais, abusando do coitado do francês, que não tinha o que fazer. Dado curioso é que o Boris Diaw liderou a NBA em cometer faltas seguidas de cesta naquele ano, coitado, vendo ele tentando de tudo pra parar o Kaman deu pra entender o motivo.

Depois desse ano tudo voltou ao normal e nada funciona no Clippers. Falar se o Dunleavy é bom ou não vendo ele no Clippers não é justo, é como tentar dizer se um piloto de Fórmula 1 é bom colocando o cara para pilotar um Fusca. Um fusca amaldiçoado, porque essa zica do Clippers é maldição.


Don Nelson, Golden State Warriors

Vou ter o bom senso de não falar muito da carreira do Don Nelson, daria pra fazer um livro pra falar de seus 2234 jogos como técnico em 29 temporadas. Engraçado que os primeiros anos dele foram no Bucks! Dos 5 técnicos que estão na Divisão do Pacífico, 3 já treinaram o Bucks. Coincidência?

Então ao invés de falar de números e conquistas, vou falar de todas as inovações que o Don Nelson, o primeiro e único técnico-arte, levou para a NBA.

Point-Forward: É algo como um armador-ala. É um jogador alto, ala por natureza, mas que faz todas as funções de um armador principal, algo que o Lamar Odom fez muitas vezes no Heat e volta e meia faz no Lakers, como o Kirilenko fez naquele famoso jogo do Jazz em que o Fisher chegou atrasado contra o Warriors e o Jazz não tinha armador.

Don Nelson criou esse conceito nos anos 80 quando treinava o Bucks. Ele mandava o ala Paul Pressey, de 2,02 metros de altura, para armar o time, enquanto os armadores Sidney Moncrief e Ricky Pierce podiam ficar livres da obrigação e só marcarem seus pontos. Lembro vagamente dele tentar a mesma coisa com o Antoine Walker no Mavs durante alguns momentos de alguns jogos.

Run-and-gun: A técnica de correria que o Suns deixou famosa pra quem acompanha a NBA hoje em dia foi criada pela mente doentia do Don Nelson quando ele treinava o Warriors nos anos 90. Era o chamado Run TMC, uma brincadeira com o nome do grupo de rap Run DMC mas usando as iniciais dos três caras principais do esquema, o Tim Hardaway, Mitch Hitchmond e o Chris Mullin.

Small Ball: É o termo usado quando falamos de times que usam equipes baixas. Às vezes usamos esse termo quando um técnico coloca um ala de força, da posição 4, como pivô. Mas o Don Nelson levava esse conceito ao extremo. Esse Warriors dos anos 90 tinha tinha três armadores e dois alas apenas, sendo que o Rod Higgins, de 2,03, era o chamado pivô. Hoje ele faz algo parecido quando o Al Harrington joga na posição 5. Mas às vezes ele colocava 5 armadores ao mesmo tempo. No Dallas de 2002, ele costumava usar um quinteto com Nash, Van Exel, Finley, Tim Hardaway e Nowitzki. Com o alemão fora do garrafão, claro.

Hack-a-Shaq: Fazer faltas propositais no Shaq para ele errar os lances livres. Aqui está sua obra-prima. Como todo artista, ele é um incompreendido. Ninguém viu a beleza da sua criação. Ele quebrou todas as regras ao encontrar a única brecha nas regras e no talento do Shaq para pará-lo! Lindo! Depois ele ainda evoluiu a técnica para o Hack-a-Bowen nas séries entre Dallas e Spurs. Espírito esportivo pode faltar, mas criatividade é o que não falta para Don Nelson.

Engraçado que o Don Nelson na verdade gosta muito do Shaq. Na meia temporada que ele passou no Knicks, fez de tudo para que o time de Nova York trocasse o Patrick Ewing para abrir lugar para o Shaq, que estaria livre no ano seguinte. Isso causou tantas brigas que ele deu o fora de lá.


Phil Jackson, Los Angeles Lakers

O sistema de triângulos, que deixou o Phil Jackson tão famoso, não é criação dele. É de um antigo técnico da USC e que depois foi aperfeiçoado pelo assistente do Phil Jackson, o Tex Winter.

Mas mesmo assim, é o sistema que mostra tudo no que o Phil Jackson acredita e o que o fez ser talvez o melhor técnico da história da NBA.

O sistema de triângulos não é fácil de entender, ele é complexo, para isso o time precisa de jogadores inteligentes. Não espere ver o Lakers mandando o Lamar Odom pelo Kenyon Martin num futuro próximo, entender o jogo é parte fundamental do jogo e o Phil Jackson não só preza isso como também ensina aos jogadores. Ele entende os triângulos e faz os jogadores entenderem também (tá, o Kwame Brown e o Gary Payton não contam!).

O sistema de triângulos não funciona se não for em equipe. Todos tem que estar se entendendo e têm que jogar juntos, como vimos na era Kobe-Shaq, os caras não precisam se amar, mas tem que saber jogar como equipe e nisso o Phil Jackson pega no pé mesmo, nada o deixa mais irritado do que jogadas individuais preciptadas, é só ver ele espumando no banco quando o Kobe quer inventar muito.

O Phil Jackson não tem o apelido de "Zen Master" à toa, o trabalho psicológico dele com os jogadores é pesado. Passam por entrevistas públicas criticando ou elogiando o jogador, longas conversas, sessões de meditação e até recomendação de livros. O Phil (não o Big Phil, esse está no Chelsea) recomenda um livro diferente para cada um, de acordo com o que ele acha que cada um deve aprender naquele momento.

O sistema de triângulos tem poucas jogadas desenhadas, não é um sistema de jogo fechado, é uma variação de movimentos onde o ataque reage às decisões da defesa, então o time tem que estar mentalmente preparado para qualquer coisa que aconteça na quadra. O técnico tem que confiar no seu time. Podem reparar, o Phil Jackson é o único técnico que não pede tempo naquelas situações óbvias. O Lakers toma bola de três, enterrada e faz turnover e lá está o Zen sendo Zen e só olhando o jogo. Nas palavras do Steve Kerr, que jogou para o Phil Jackson no Bulls:

"Ele é um dos poucos técnicos que não pede tempo quando o time adversário está numa sequência de pontos. Ele diz que o time tem que achar uma maneira de resolver seus problemas sozinhos, que eles não podem depender dele o tempo todo."

E muitas vezes os times saem desses buracos sozinhos, e não dá pra medir o tamanho do crescimento da confiança e da maturidade dos jogadores depois de uma situação dessa. Acompanhando o meu Lakers de perto dá pra ver como essa pivetada de Farmar, Vujacic, Walton e Bynum cresceu nesses últimos anos com o Phil Jackson. Esse time não seria nada sem ele e talvez levar o Lakers ao título seja o que falta para a consagração final do Zen Master, afinal falta apenas mais um anel de campeão para ele se tornar o técnico com mais títulos na história da NBA.

E ele sabe ser engraçado também: