domingo, 14 de novembro de 2010

Respostas e Promoção

Dwight pagando de gatinho

Lembram desse post falando sobre os novos uniformes? A gente comentou dos novos materiais e modelos que são feitos pela adidas e usados nessa temporada. Nesse mesmo post deixamos um espaço para vocês mandarem questões para o Bruno, nosso parceiro lá na adidas, responder e vamos colocar a resposta nesse post. Demoramos porque depois daquele post tivemos que apressar os previews e na primeira semana da temporada tinham coisas demais para serem comentadas. Mas antes tarde do que nunca.

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Celsinhu: bem que a adidas poderia fazer uma loja virtual pra venda de uniformes da NBA...pq as lojas aqui só vendem os padrões...nem a outlet da adidas na oscar freire escapa...e pedir no mercado livre é caro pra kct, pq eles metem a faca nos juros...=.=

adidas: Celso, hoje a adidas traz para o mercado brasileiro diversas opções de produtos. Sei que ainda estamos longe de possuir uma oferta parecida ao mercado americano, mas a cada temporada nós estamos oferecendo novos produtos e mais opções para o público brasileiro. Hoje em dia são mais de 70 produtos entre camisetas, mochilas, regatas e bonés. A minha dica é você pedir nos sites da Centauro ou Netshoes esses produtos, pois somente com a ajuda dos consumidores é que a linha NBA crescerá mais e mais aqui no Brasil.

Bola Presa: Experiência própria. Depois de pedir por guias de turismo do Chipre três vezes na Livraria Cultura eles compraram dois. Se ninguém nunca tivesse ido lá pentelhar eles não saberiam que a gente quer. Se 10 pessoas aparecerem na mesma loja pedindo camisetas do John Wall eles vão cobrar a adidas e dizer que a camiseta do Wall está sendo muito requisitada. E se você quer uma do Troy Murphy como eu, aí não tem jeito, vai ficar sem.

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Farinha: Aquele negócio que vende nas lojas como "protetor de dedo" é eficaz? Cansei de quebrar, luxar ou deslocar dedo jogando basquete....

adidas: Farinha, eu honestamente não tenho conhecimento técnico sobre esse protetor de dedo.

Bola Presa: Já conheci gente que usou e parece que é bom para evitar machucados, mas ao mesmo tempo você perde muito da sensibilidade com a bola. Parece desconfortável.

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Anônimo: A Adidas podia dar mais atenção ao Brasil, quase não encontra camisa de basquete, e no máximo swingman, authentic não acha, tênis de basquete só acho até tamanho 44 nas lojas, eu que calço 47 fico apenas desejando ter os tênis que algum jogador da NBA usa, até por que a NBA shop no site não enviam nada para cá, tive que gastar uma nota preta no tênis do Melo M6, então a Adidas deviam pensar melhor nos consumidores brasileiros e fazer ou uma loja virtual ou alguma física com bastantes artigos de basquete.

adidas: Anômino, a adidas traz apenas os modelos réplica e swingman, pois os preços de um modelo Authentic são completamente fora dos padrões (por volta de R$ 500,00) e isso impossibilita vender esse produto para os fãs de NBA. Em relação aos calçados, todos os modelos vão até o tamanho 48. Por isso peço para que você comente esse caso na loja que você frequentemente compra, pois disponibilidade de tamanhos existe.

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Thiago Escobar: Uma das melhores coisas do encontro bola presa foi poder comparar os uniformes antigos com os que serão usados, é realmente MUITO diferente! Valeu Bruno!!

adidas: Valeu, Thiago!

Bola Presa: O encontro em questão foi no ano passado, contado nesse post. 

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Fábio Carvalho: Gostaria de poder comprar as camisas usadas nos treinos. Até na NBA Store é meio difícil achar. Além disso, já cheguei a ver na Europa alguns coletes reversíveis, tipo Celtics com lado preto e outro verde. Bem da hora, mas bem caro. Seria legal popularizar esse tipo de material que, teoricamente, seria mais barato e que, pelo menos no meu caso,seria usada com bem mais freqüencia do que uma réplica, por exemplo.

adidas: Fábio, teremos essa linha regata reversível a partir de fevereiro nas lojas Centauro. Essa linha é a mesma que é usada na liga Summer Run.

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Marcelo: aproveitando o espaço, vou precisar de um favor: tomei uma baita pancada no nariz hj, jogando futebol americano, e queria saber como chama aquela máscara protetora, que jogadores como o Rip Hamilton e o Ilyasova usam, pra proteger o nariz.

Bola Presa: Eu acho que chama "máscara protetora" e não tenho idéia de como conseguir. Peça para o seu médico!

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Gustavo: essa do Clippers nova ta linda! Queria perguntar pro bruno pq eles ainda insistem em SÓ colocar nas lojas as malditas replicas?!?!?! Aquele troço e horrivel!!!! a mais bonitinha e a do heat preta msm assim acho feio,e as swingmans e dificil de achar.... e otra coisa, parem de vender só as camisas das estrelas... vendam camisas de outros jogadores pela internet,como vou fazer pra comprar minha camisa do Nate Robinson?? Impossivel!

adidas: Gustavo, as replicas são os modelos mais comerciais e com preço mais acessível.
As novas replicas tem novos materiais que mudarão bastante a sua percepção em relação a elas. Além disso, temos alguns modelos Swingman à venda. Conforme comentei acima, as authentics são completamente fora de cogitação, pois o preço seria o mais elevado de todos. Fique tranqüilo, pois aos poucos estamos trazendo camisas de jogadores mais diferentes.

Bola Presa: Quanto mais a gente conhece de NBA mais jogadores diferentes queremos ver nas camisetas, eu entendo. Mas pensando no negócio acho difícil mesmo trazer de muita gente, simplesmente não teriam compradores o bastante. O ideal é ter como opção tipo o site da NBA Store (que não manda para o Brasil) onde você escolhe o nome e número que vão nas costas. Quem sabe um dia!

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R. Moss: Não sei se já temos por aqui, mas e aquelas faixinhas de cabeça?
Quando eu jogava basquete eu usava uma faixa da minha irmã. Nunca achei uma dessas de basquete mesmo. Se tivesse uma oficial eu iria trabalhar toda segunda-feira com uma delas.
Claro que não poderia custar mais de R$ 25.

adidas: Vocês são consumidores e amam o esporte. Somente com a ajuda de vocês pedindo aos lojistas, enviando email para essas lojas com as necessidades de vocês é que será possível aumentarmos a cada dia as opções de produtos de NBA no Brasil.

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Pedro Julio: akele protetor de tornozelo do derrick rose, a adidas faz mo propaganda dele!!!
queria saber em que ele ajuda sei la, e akela camiseta q o dwight usa por baixo
do uniforme.

adidas: Pedro, aquela tornozeleira que o Derrick Rose usa ajuda bastante a evitar aquelas torções “bestas” quando algum atleta faz infiltrações no garrafão e cai (quase) sempre de maneira esquisita. Além das torções, minimiza também lesões e rupturas do ligamento do tornozelo que são bastante comuns nos jogadores de basquete. Sobre a camiseta que o Dwight Howard usa, o Bola Presa fez um texto mais extenso explicando como funciona:

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Essa camiseta bem apertada que os jogadores usam embaixo do uniforme é uma das maiores provas de como o esporte profissional se tornou algo absurdo de tão grande e competitivo. No começo cada um usava a roupa e o tênis que tinha, depois os tecidos foram se aperfeiçoando, depois os tênis ficaram melhores e hoje o que a gente vê é uma busca quase insana por qualquer tipo de melhora. Só lembrar do Gilbert Arenas treinando em um quarto que simulava altitude para ver o quanto fomos longe.

No basquete não há mudanças tão drásticas como novas raquetes no tênis ou dos super maiôs na natação que revolucionaram esses dois esportes, mas teve muita coisa importante. O mais próximo de parecer uma revolução foi um tênis da Athletic Labs que a NBA proibiu nessa temporada, que prometia fazer os jogadores pularem mais alto. Segundo a liga, está nas regras que nenhum jogador é autorizado a usar um tênis que dê uma vantagem competitiva durante o jogo.

O engraçado é que essas camisetas da adidas prometem uma melhora na performance, mas não são proibidas. Dá pra entender? Stern não explica.

Voltando à evolução dos materiais esportivos, a partir dos anos 90 os atletas começaram a perceber a necessidade de utilizar uma espécie de segunda pele embaixo do uniforme para manter a temperatura corporal e evitar lesões por estiramento muscular, mas isso era feito sem grandes estudos fisiológicos. Aí no começo da última década, diversos estudos mais aprofundados começaram a ser feitos pela adidas e pela under armour e a partir disso desenvolveram uma tecnologia de compressão chamada TECHFIT que é usada em diversos esportes desde bobsled até futebol e basquete. No basquete a maioria já deve ter visto, se não viram, tem uma foto do Dwight aí embaixo:


Existem 3 níveis de TECHFIT que são disponibilizados para os atletas: Um para preparação que é usada antes dos jogos e em treinos, que não tem nenhuma das faixas prateadas e compressão média. Um para ser usada durante os jogos, que tem compressão alta e as faixas; e uma de recuperação, que não tem as faixas e também é de alta compressão.

A compressão alta aumenta a circulação sanguínea do corpo, diminui a vibração muscular e, essa é a parte mais maluca, aumenta a conscientização corporal, dando maior equlíbrio. Pra mim isso soa meio como aquela pulseira mágica, mas com apoio real da ciência.

As faixas prateadas servem para aprimorar a postura, já que puxam de leve o ombro pra trás e contraem o abdômen. Também dão maios força e flexibilidade por melhorar a estabilidade muscular na parte inferior das costas, do tronco e do abdômen.

E qual é o resultado disso tudo em números? Os testes feitos pela adidas com o Departamento de Pesquisa da Universidade de Calgary indicam melhoras de 1,1% na velocidade, 5,3% na potência, 4% na impulsão e em 0,8% na resistência. Parece muito pouco, não parece? E na verdade é mesmo. Mas é o que eu estava dizendo antes, vivemos uma era em que o esporte virou um negócio (no sentido business) tão importante e grande que qualquer evolução mínima é celebrada e necessária. Coisa de doido que eu não sei se apoio, mas que impressiona.

Funciona, é legal pra cacete e parece coisa de filme futurista ruim, mas se é assim mesmo por que os malditos tênis que aumentam a impulsão não foram aprovados? A regra se aplica para tênis e não para o resto da aparelhagem? Acho isso muito estranho, mas acho que a marca dos tênis saltadores nem liga, ser proibida pela NBA acabou sendo a melhor ação de marketing que eles poderiam ter.

Eu, geek que sou, adoro essas coisas tecnológicas que melhoram o desempenho, mas será que ajuda tanto assim mesmo? Só usando. E um de nossos leitores irá descobrir, já que vamos fazer uma promoção para sortear o modelo TECHFIT All-Star Game igual ao da foto abaixo:



Para participar é só colocar seu nome e e-mail aí embaixo, o resultado sai no dia 28 de novembro!

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Miami Heat e o suco de limão

"Hahaha, eles achavam que eu era um ala!"

O Chaves, aquele do SBT, sem querer querendo nos apresenta a uma questão filosófica quando resolve vender refrescos na rua. Oferece aos seus clientes sempre três sucos diferentes: groselha, limão e tamarindo. Mas quando o Seu Madruga escolhe o suco de limão, Chaves faz uma pergunta genial:

"O que parece limão, o que é de limão, ou o que tem sabor de limão?"



A dúvida nos apresenta a diferença entre aparência e essência, e agora você já pode dizer que aprendeu Filosofia com o Chaves. Definimos as coisas pelo que elas parecem ser ou pelo que elas de fato são? E como podemos saber se uma coisa é algo que não parece ser?

Na NBA, isso se aplica bastante às posições dos jogadores. Por exemplo, o Chris Bosh sempre jogou de pivô durante toda sua carreira no Toronto Raptors, então ele sempre pareceu um pivô. No entanto, sempre fomos capazes de olhar para ele e, como se sua essência nos aparecesse revelada, saber claramente que ele não era pivô coisa nenhuma, era apenas um ala de força improvisado.

O Amar'e Stoudemire é um caso mais complicado. Todos sabemos que, em essência, ele é um ala de força. Mas após jogar toda a carreira no Suns como pivô, e ter um sucesso fantástico na posição contra outros pivôs, não deveríamos passar a considerá-lo um pivô legítimo? O próprio Amar'e se desesperava com a possibilidade de ser considerado um pivô e o técnico do Suns, Alvin Gentry, chegava a escalar o Channing Frye como pivô apenas para acalmar os ânimos, porque na prática o Amar'e ficava embaixo da cesta e o Frye nunca se atrevia a pisar no garrafão. E agora que o Amar'e está no Knicks, como devemos considerar sua posição? Pior: qual devemos considerar sua posição natural?

Essas questões me atingiram no exato momento em que LeBron James deu 14 assistências na derrota para o Jazz e a transmissão gringa afirmou que ele havia quebrado o recorde de assistências para um ala jogando pelo Heat. Um ala? Sim, porque todos nós sabemos que o LeBron James é, em sua essência, um ala. E esse conhecimento está impedindo muita gente esperta de perceber que LeBron é, desde que chegou a Miami, o armador principal da equipe.

Não se deixe enganar pelo boxscore, que escala LeBron como ala (SF) e Carlos Arroyo como armador principal (PG). O Arroyo só está lá porque o Heat tem uma falta brutal de bons arremessadores, não é nunca ele o responsável por armar as jogadas. É LeBron quem traz a bola para o ataque, quem chama a jogada e quem a faz acontecer. Quando está no banco, a função passa para Dwyane Wade. Arroyo só é o armador em uma ou outra posse de bola, ou em emergência caso LeBron e Wade não estejam em quadra (embora eu tenha visto até o Eddie House armando mais do que ele). LeBron James joga de armador em tempo integral, mais até do que em seu ano de novato com o Cavs, em que tinha essa função. É uma volta aos seus tempos de colegial, em que atuava como armador.

É estranho ver tanta gente dizer que falta ao Heat um armador, alguém para iniciar as jogadas, porque o Arroyo fede. De fato, o Arroyo fede, quem sou eu para negar. Mas o problema é outro: quando LeBron está armando o jogo e atraindo a marcação, sobra muito espaço no perímetro. Como Wade e LeBron são conhecidos pelas infiltrações e Bosh está mais perto do aro, as defesas estão se focando no garrafão. Wade é então obrigado a usar o espaço livre na linha de três pontos, e quando a marcação adversária corre para ele, é LeBron quem fica livre para o arremesso de três. Para os adversários tá ótimo, porque nenhum dos dois é um grande arremessador - aliás, o Wade não dava um arremesso de três sequer uns dois anos atrás, e o LeBron também começou a explorar mais o arremesso faz pouco tempo, desde que jogou com a seleção americana.

É por isso que o Heat precisa ter na escalação o Eddie House, o Carlos Arroyo, o James Jones. Os arremessadores ficam constantemente livres e a equipe de Miami precisa usar as bolas de três. Mike Miller, que deve ser o melhor arremessador do Heat, só deve voltar no final de dezembro ou começo de janeiro, então até lá o cargo de melhor arremessador vai para um jogador inusitado: Udonis Haslem.

O Haslem não arremessa de três, é verdade, mas seu arremesso da cabeça do garrafão e de dois passos à frente da zona morta é simplesmente mortal. Quando as defesas adversárias estão lá se amontoando no garrafão, o único arremesso confiável do elenco inteiro é do Haslem, e LeBron tem constantemente achado o companheiro livre. Só é uma droga que quando você precisa muito de uma bola de segurança ou arremesso decisivo, tem que passar para o Haslem ou para o Eddie House na linha de três. Bizarramente, é melhor do que deixar Wade ou LeBron arremessarem.

O Heat não precisa de um armador. Apesar de acharmos que LeBron é essencialmente um ala, ele é e sempre foi um armador - mas com tamanho para tapar o buraco na ala, e até no garrafão, de elencos menores. Pode não parecer de limão, e a maioria acha que ele não é de limão, mas basta ver um jogo para perceber que ele tem sabor de limão. O babaca que afirmou que o LeBron bateu o recorde de assistências de um ala tem cocô na cabeça. Por isso, o que o Heat precisa mesmo é de arremessadores que, preferencialmente, não comprometam na defesa como Arroyo, Eddie House e - futuramente - Mike Miller comprometem.

A defesa do Heat é a maior decepção desde a Playboy 3D da Larissa Riquelme (que apenas me lembrou aquelas revistas 3D com dinossauros da minha infância). Quando ela funciona, gera contra-ataques mortais e o Heat parece imbatível, mas a defesa só é realmente sufocante contra os times mais fracos. Contra equipes com garrafões fortes, a defesa do Heat não consegue acompanhar, não sabe quando dobrar, erra as coberturas de marcação, não sabe rodar atrás do arremessador livre e - o que é pior ainda - começa a se desesperar e tentar roubar bolas para iniciar o contra-ataque. Contra o Celtics, a frustração com o garrafão verde era tanta que todo mundo do Heat tentava interceptar os passes, não conseguia, e aí o adversário já estava com o caminho livre para a cesta. É o que os gringos chamam de "gamble", ou "aposta": se você intercepta o passe tem um contra-ataque mortal nas mãos, mas se não intercepta então você está batido na jogada e o cara que você deveria estar marcando é que tem uma cesta fácil. Nenhum time que se presa permite esse tipo de coisa e o Heat faz isso o tempo inteiro porque estão desesperados com a desorganização defensiva e com a falta de tamanho no garrafão. O Celtics, por exemplo, é um time fantástico e o ataque funciona cada vez melhor nas mãos do Rajon Rondo, mas a defesa do Heat fez com que eles parecessem o melhor ataque da NBA, coisa que eles estão longe de ser. Fora que contra o Jazz eles fizeram o limitado Paul Millsap ter uma partida de Karl Malone (tirando as bolas de três pontos, que foram simplesmente uma falha na Matrix). Essa defesa ainda vai se arrumar com o tempo, mas quanto mais tempo levar para isso, mais o time vai ficar com a água batendo na bunda e passará a se desesperar mais e mais, perdendo mais jogos. É capaz que isso vire uma baita bola de neve.

O ridículo é que todo mundo imaginava um ataque demorando para se encontrar mas uma defesa fantástica, nos moldes do Celtics. Todo o esforço nas férias foi para que a defesa do Heat ganhasse jogos sozinha. Realmente o ataque vai levar um tempo para funcionar e a falta de arremessadores sólidos vai exigir uma ou outra gambiarra, mas a defesa é que tem perdido jogos para eles. Pra mim, é uma decepção tão grande que até esconde um pouco a decepção que é o Chris Bosh.

Voltando ao suco de limão do Chaves, o Bosh é um ala de força em essência que rendia bem como pivô mas que sempre soubemos que estava jogando ali improvisado, contra a própria vontade. Mas a surpresa é que Bosh rende muito mais como pivô do que jamais renderá como ala. Defendendo mais longe da cesta, Bosh não pode utilizar seu bom tempo de bola nos tocos, não usa sua velocidade para cobrir os dois lados do garrafão, e sofre ainda mais com o contato físico dos jogadores que estão infiltrando rumo à cesta. No ataque, seu jogo de pernas perde valor quando ele não está próximo à cesta porque está sendo marcado por jogadores mais leves e rápidos e ele acaba utilizando demais o seu arremesso - pelo qual ele é apaixonado, e que é bem razoável, mas que não se compara com seus movimentos debaixo do aro. Acho que no caso do Bosh, todos nós (e até mesmo ele próprio) confundiram imagem e essência. O Bosh não parece ser pivô, é magro demais, rápido demais. Mas é como pivô que essas características tornam-se qualidades. Bosh não parece ser de limão, mas é de limão. Se o Heat quer estabelecer um jogo legítimo de garrafão, o primeiro passo é cortar o chororô do Bosh e colocá-lo como pivô imediatamente. Udonis Haslem, que merece ser titular, agradece.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Filtro Bola Presa - Um resumo semanal

om nom nom nom


O Filtro Bola Presa é um post semanal que cobre assuntos pequenos que não passaram no nosso filtro para virar posts. Aliás, quase não tivemos posts desde domingo até aqui, mas vocês entenderam!

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- O Houston Rockets perdeu ontem para o Wizards, com direito a triple-double do John Wall. É oficialmente a hora de começar a se preocupar com o Rockets, até porque o Yao Ming saiu de quadra depois de seis minutos, machucado.

Daria pra fazer um post inteiro sobre isso e acredito que o Danilo, torcedor do Rockets, até vai fazer, mas basicamente o motivo é um só: Defesa. O Rockets tem o oitavo melhor ataque da liga e a 28ª pior defesa.
Sou fanático pelo ataque do Adelman e ele tem funcionado, mas precisam de mais esforço do outro lado da quadra. Para quem quer entender o ataque do Adelman, que já fez sucesso no Kings antes de ir pra Houston, tem esse excelente link.


- Vocês sabiam que O New Yor Knicks é, oficialmente, o pior time dos últimos anos? A Forbes fez uma análise das últimas 9 temporadas e descobriu que o Knicks é o time que mais perdeu jogos nesse período, 459, 62% das partidas disputadas. O segundo pior é o Clippers, com 10 derrotas a menos. Já são 6 temporadas sem playoff, igualando o recorde negativo do Timberwolves. E não foi só basquetebolístico o prejuízo, mas financeiro também. Nesses 9 anos o Knicks gastou mais de um bilhão de dólares em salários, benefícios e multas por estar acima do salary cap. O time que chegou mais perto desses gastos foi o Dallas Mavericks, que gastou 250 milhões a menos mas que, pra compensar, chegou aos playoffs em todos esses 9 anos.

A mesma matéria, porém, afirma que apesar disso o Knicks, junto com o Lakers, são os únicos times que faturam constantemente uma boa grana e estão longe da crise financeira que outras equipes atravessam. Não é à toa que em alguns anos, com a mudança do Nets, Los Angeles e Nova York serão as duas únicas cidades a terem mais de um time.

Alguns bons milhões dessa fortuna gasta pelo Knicks vão para o bolso de Raymond Felton. Mas tem gente por aí achando que ele não é evolução alguma em relação ao Chris Duhon. Polêmica! Crise! Chama a Márcia Goldschimdt pra ler a matéria do KnickBlogger.


- O Utah Jazz conseguiu uma proeza que poucos times na NBA conseguiriam. Foi até a Florida, enfrentaram em dias consecutivos Miami Heat e Orlando Magic e venceram os dois. De virada. Merece o registro em vídeo das duas vitórias. Abaixo na parte das estatísticas tem uns números legais sobre esse jogo.





O engraçado é que no preview do Jazz comentamos como eles conseguiam, na mesma temporada, ser um time ridículo e o melhor de todos, variando de dia pra dia. Agora eles conseguem isso no mesmo jogo! Boa, sempre evoluindo.

- Um time jogou fora uma liderança de 22 pontos em casa e perdeu uma prorrogação para o Jazz-sem-Deron-Williams. O outro acertou 20 dos 21 arremessos que tentou em um quarto e marcou 54 pontos nesses 12 minutos. Um desses time é o Miami Heat, o outro é o Indiana Pacers. Ligue os pontos. Você errou.



- A polêmica da semana que teria sido o assunto de todo o Mesa Redonda de domingo se eles falassem de NBA foi o caso do Kevin Garnett contra o Charlie Villanueva. Logo após uma derrota do Pistons para o Celtics, o Villanueva postou uma mensagem no Twitter dizendo que o Garnett havia ido longe demais e o chamado de "paciente com câncer" durante o jogo.

Para quem não sabe o Charlie Villanueva tem uma doença chamada alopecia universalis que apesar de não ser nada de muito grave, causa a perda de pêlos em todo o corpo. Por ser bem óbvia, Garnett não deve ter sido o primeiro a ter feito essa piada e deve ter feito o jogador do Pistons lembrar dos tempos de adolescente. Lembro do Charlie V dizendo uma vez que na escola ele era muito zoado pela sua doença e que foi uma das coisas que o levou a jogar basquete, por ser bom nas quadras lá ninguém podia falar nada dele.


O Garnett já foi votado pelos próprios jogadores como o maior trash talker da NBA. Ele não cala a boca um segundo e deve encher o saco. E a maior prova de que ele é um cuzão em quadra foi a resposta que ele deu ao público: "Eu não o chamei de paciente com câncer, disse na verdade que ele é um câncer para o seu time e para a NBA". Aaaah bom, agora sim está tudo esclarecido! Que doce de pessoa é você, KG! Alguns dias depois ele mostrou sua simpatia para o pavio curto Andrew Bogut, não acabou bem.

As duas questões que dominaram a mídia americana durante essa semana não tem resposta óbvia:
1- Trash talk tem limite?
2- Villanueva estava certo em divulgar isso no Twitter ou o que acontece em quadra fica dentro de quadra?

O padrão das respostas foi "Sim" para as duas perguntas se o comentarista americano era um jornalista baixinho e branquelo e "Não" para as duas se o comentarista era um ex-jogador.

- Quando eu tiver um filho eu só vou obrigar ele a ser Corinthiano. De resto ele pode ser quem bem entender, gostar do que quiser e eu não ligo. Mas se ele for como o garotinho do vídeo abaixo, admito, ele vai ser o meu favorito e o herdeiro do Bola Presa:




- A pérola da semana veio dos lábios do nosso muso Zach Randolph: "Jogamos duro o jogo inteiro, todos os 42 minutos". Acho que são os 40 minutos do basquete internacional e mais os dois minutinhos de acréscimo que todo árbitro dá.

- Temporada estranha essa até agora. Tivemos 4 jogadores já passando dos 40 pontos e não foram os que a gente mais esperava: Monta Ellis (tá, não é absurdo), Paul Millsap, Michael Beasley e Luol Deng. Cadê Wade, Kobe, Dirk, LeBron, Durant e Melo? É um mundo estranho em que Drew Gooden faz jogadas de Kobe Bryant:



8 ou 80
o cantinho das estatísticas desnecessárias

- O Spurs venceu o Clippers de novo! São agora 18 vitórias consecutivas do time de San Antonio no confronto, é a freguesia mais longa da atualidade. A mais longa da história é do Celtics, que venceu 22 vezes seguidas o Buffalo Braves de 1970 até 1974.

- O Jazz é o primeiro time da história da NBA a estar perdendo por mais de 10 pontos em três jogos consecutivos e vencer os três. No jogo contra o Heat o Paul Millsap, que só tinhe feito 2 bolas de três pontos em 20 tentativas na carreira, acertou 3 só no último minuto do tempo normal.

- O jogo entre Jazz e Heat foi a primeira vez em que o LeBron James esteve em uma partida em que o seu time abriu 20 pontos de vantagem e perdeu. Nas outras 115 ocasiões ele tinha saído com a vitória.

- Aquele terceiro quarto de 54 pontos do Pacers coleciona recordes: É o quarto colocado em pontos feitos por um time em um período na história da NBA, o máximo feito por um time desde que o Suns fez 57 em 1990! Os 24 pontos do Mike Dunleavy nesse quarto são o máximo feito por um jogador em um período nessa temporada, no ano passado inteiro só dois jogadores fizeram mais, Nowtizki e Brandon Jennings, ambos com 29 pontos.

Dos 396 terceiros períodos jogados na NBA nessa temporada, os times, somando seus pontos, não alcançaram 54 pontos em 273 ocasiões.

- Na vitória contra o Raptors na semana passada foi a décima vez em pouco mais de um ano que Steph Curry e Monta Ellis marcaram mais de 25 pontos no mesmo jogo. A única dupla a ter conseguido mais vezes foi Russell Westbrook e Kevin Durant, 25 vezes. A dupla do Thunder foi a primeira da temporada a conseguir passar dos 30 pontos no mesmo jogo e conseguiu a proeza de ter feito TODOS os 27 pontos do Thunder no terceiro período do jogo contra o Celtics.

- O recorde de mais jogos com 15 assistências ou mais em uma temporada pelo Celtics é do Rajon Rondo, que fez isso 8 vezes na temporada passada. Em menos de um mês de temporada nova ele já conseguiu isso em 5 ocasiões.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A decisão de Richard Jefferson

Spurs e Knicks jogam durante um terremoto


Logo depois da humilhante eliminação do San Antonio Spurs para o Phoenix Suns nos playoffs do ano passado, uma varrida de 4 a 0 que ninguém poderia prever, o técnico Gregg Popovich chegou para o Richard Jefferson e disse "Entre em forma, treine ou vamos trocá-lo na primeira oportunidade". E completou, "Você tem a chance de voltar para a escola e treinar ou só fazer dinheiro nos últimos anos da sua carreira". 

O Richard Jefferson teve uma carreira ótima no New Jersey Nets e um ano discreto, mas bom, no Bucks antes de ir para o Spurs. Era considerado na época por nós e quase todo mundo como a peça que o Spurs precisava para voltar a lutar pelo título. Não era o defensor fora de série para substituir Bruce Bowen, mas tiraria o peso ofensivo do trio Parker, Duncan e Ginobili, especialmente dos últimos dois, que já estão chegando na menopausa, e não faria feio na defesa. No Nets nunca foi de anular uns Kobes da vida, mas não comprometia um time que precisava da defesa para puxar os contra-ataques, marca registrada daquela equipe liderada pelo Jason Kidd.

Mas sabe quando você vê o Big Mac lindo e grande na TV e aí recebe aquele lanche amassado, fino e com alface velha caindo pelos lados? Isso foi o Richard Jefferson no Spurs. Seus arremessos de longe não caíam, ele pouco infiltrava e na defesa parecia bem mais lento do que o normal, denunciando os 30 anos de idade que batem na sua porta. E o mais triste da história inteira foi que o Richard Jefferson ainda tinha mais um ano de contrato em que ganharia mais de 16 milhões de dólares. Não só ele não havia salvado o Spurs como agora impedia que eles tentassem de novo com outro jogador. Lembremos que o Spurs sempre foi um time muito cauteloso com dinheiro e pela primeira vez em anos toparam ultrapassar o luxury tax (entenda mais sobre o o salary cap da NBA nesse post) e pagar multas só pela chance de ter o Richard Jefferson e voltar a lutar por um título.

E voltando à conversa entre técnico e jogador, Richard Jefferson respondeu ao seu técnico: "Eu não quero só fazer dinheiro, quero jogar o melhor que eu puder".  Foi o "The Decision" que não passou na ESPN.

Fizeram treinos físicos que o Richard Jefferson afirmou "que não eram divertidos", pelo menos duas horas de trabalhos todos os dias com toda a equipe de preparadores físicos e técnicos que o Spurs tinha espalhado pelo país. Ele viajou para onde estava cada um deles para aprender tudo de novo. Praticou bastante o seu arremesso, em especial o do canto da quadra, na zona morta, aquele que consagrou o Bruce Bowen e matou Mavs, Suns e cia. tantas vezes nos últimos anos. Também estudou mais os sistemas ofensivos e defensivos do Spurs. Fez treinos específicos sobre as movimentações de quadra pedidas pelo técnico durante a temporada.  Popovich, aliás, participou de algumas etapas dessa volta à escola do RJ.

Jefferson disse que tinha muitas dificuldades na última temporada e que todo mundo respondia dizendo que no primeiro ano é sempre mais difícil pra sacar como funciona o time, mas que no segundo ano, com a experiência do ano anterior, é mais fácil jogar no Spurs. Um dos motivos é que Gregg Popovich não é um técnico que só aparece na hora do jogo e manda fazer uma jogada, que só delega poderes e faz discursos no vestiário, é um dos raros casos na NBA em que um treinador se preocupa em desenvolver o jogador. As escolhas de segundo round de Draft que viram ótimos jogadores são um mérito duplo, primeiro dos scouts, os olheiros bem treinados e pagos que sabem ver um bom talento, e depois dos técnicos, que sabem aperfeiçoar o jogador ao invés de só esperar pelo melhor.

Junto com os treinos houve a preocupação econômica. O jogador tinha um ano de contrato sobrando no valor de 16 milhões e a opção de sair e virar um Free Agent. Richard Jefferson se sentia mais confortável com um contrato mais longo para não correr o risco de estar sem nada no ano que vem quando os salários podem cair drasticamente, mas também não queria simplesmente optar por não ganhar tanto dinheiro e acabar com um contrato mais longo e também mais vagabundo. Chegaram então a um acordo, o Jefferson optou por desistir dos 16 milhões e já que estava treinando conforme o prometido para Popovich, ganhou um contrato novo de 38 milhões por 4 temporadas. Sem dúvida o voto de confiança mais caro e arriscado que eu já vi o Spurs fazer na vida. Se tínhamos dúvidas sobre o porque do Spurs pagar uma nota preta pelo Jefferson ao invés de investir menos em caras como Matt Barnes, a resposta é confiança.

Só foram cinco jogos pelo Spurs nessa temporada, mas tudo parece ter ido pelo melhor caminho possível. Nesses cinco jogos o Richard Jefferson tem média de 20 pontos por jogo, segundo cestinha do time, meio ponto atrás de Manu Ginóbili, e aproveitamento de arremessos espantoso, de 64%! É o terceiro melhor aproveitamento da liga e o único dos 15 primeiros da lista a não ser um jogador de garrafão. Em bolas de três é atualmente o quinto melhor da liga com insanos 60% de aproveitamento. Em lances livres está cobrando 5,8 lances livres por jogo, mais do que os 3,5 que tinha de média no ano passado. Não só acerta mais de longe como é um jogador mais agressivo ao atacar a cesta. Segundo Manu Ginóbili, RJ também tem jogado com mais confiança sabendo exatamente o que deve fazer em quadra.

O melhor jogo do Jefferson até agora foi contra o Suns, o time que os eliminou no ano passado. Para compensar os 9 pontos de média que teve na série contra eles nos playoffs de 2010, meteu 18 só no quarto período, incluindo quatro bolas de três da zona morta, onde enjoou de treinar na offseason.



Defensivamente o Spurs ainda não alcançou o nível do ano passado, que já não era o ideal, e Richard Jefferson entra no meio do bolo, mas o momento é de otimismo. A aposta do Spurs em renovar com Richard Jefferson e Manu Ginobili rendeu até agora 4 vitórias, só uma derrota, para o impressionante Hornets, e é o sexto melhor ataque da NBA.

Após o jogo contra o Suns todos os repórteres estavam atrás de Richard Jefferson e ele atrás de Manu Ginobili. Quando perguntaram o motivo ele explicou que no ano passado era só fazer um jogo um pouco melhor que todos os jornalistas iam lá perguntar se agora ele iria embalar e o Manu começou a fazer piada com isso, ele estava então esperando o argentino chegar para ele ouvir tudo de novo. Se tudo continuar assim a piada vai se repetir tanto que daqui a pouco o narigudo não vai rir mais, vai virar rotina.

sábado, 6 de novembro de 2010

Pensando alto

Não dá pra questionar o esforço do Ilgauskas na defesa

Ontem estava com a mão coçando para escrever um post sobre o Hornets. Faltava só uma hora pra rodada começar e eu pensei em fazer um  post rápido sobre porque o time era um dos três ainda invictos durante a temporada. Mas aí desisti quando fui dar uma conferida nos jogos da noite e me dei conta que não tinha idéia que em algumas horas depois eles estariam em quadra contra o Miami Heat, a melhor defesa (tanto em pontos totais sofridos como em pontos a cada 100 posses de bola) desses primeiros 5 jogos de temporada. Decidi que era melhor esperar, ver o jogo com calma e escrever no dia seguinte. Começo aqui o post falando do Hornets, que mesmo depois do jogo contra o Heat, é ainda um dos três invictos da temporada.

Dos três que não perderam o Hornets é o que teve calendário mais difícil nesse começo de ano. O Hawks está com 6 vitórias em 6 jogos, mas enfrentou 5 times que não pegaram playoffs no ano passado e mais o Cavs, que nem precisamos explicar como é bem diferente do time do ano passado. Com o Lakers a mesma coisa, 6 jogos, 6 vitórias e só um time que teve playoff no ano passado, o Suns. Em compensação o Hornets tem 5 jogos, 5 vitórias e precisou bater Nuggets, Spurs, Rockets, Bucks e Heat, só pedreira.

Eu tinha minhas restrições em relação ao Hornets antes de começar a temporada. Não conhecíamos o técnico Monty Williams, que é o mais jovem da NBA, e o elenco parecia um cobertor curto. Trevor Ariza e Emeka Okafor são ótimos defensores, mas no ataque são capazes de errar 20 arremessos antes de acertar 5, já caras como Marco Bellinelli, David West e Marcus Thornton podem fazer chover com seus arremessos mas acham que marcar o Yao Ming é muito difícil porque ele corre muito rápido. Misturar os dois grupos no time titular poderia significar equilíbrio ou um time medíocre que não é bom em nada.

Alguém otimista poderia dizer que o time começaria a temporada expondo os seus problemas mas que com o tempo iria pegar o entrosamento necessário, mas não, mais do que isso, os caras estão voando desde o primeiro jogo e parecem que jogam juntos há anos. E pra falar a verdade esse time começou me lembrando o que jogou junto há alguns anos, na temporada 2007-08, quando o Hornets fez uma temporada espetacular e só caiu na semi-final do Oeste para o Spurs. Aquele time também tinha um pivô que não era nada no ataque, Tyson Chandler, o mesmo David West e não um, mas dois arremessadores que defendiam vagabundamente, Morris Peterson e Peja Stojakovic. E mesmo com esses dois fracos marcadores nas alas eles tiveram a sétima melhor defesa da NBA para ir junto com o sexto melhor ataque. Era um timaço!

Mas embora na visão geral o time pareça bastante semelhante, na prática não é tanto assim. Comecemos pela defesa, onde hoje existe muito mais proteção ao garrafão. Naquele ano os adversário do Hornets costumavam finalizar no aro (bandejas, enterradas) 24 vezes por jogo, acertando 62% desses arremessos. Já nesse ano o número caiu para 20 tentativas, com o mesmo aproveitamento. Além disso nos arremessos curtos, a três metros da cesta, o Hornets também se destaca, sendo o terceiro time que menos permite esse tipo de chute, 7 por jogo, com aproveitamento de 47%, um número que não é dos que mais se destacam, está no meio da tabela. Ou seja, o Hornets é um time normal na hora de defender os jogadores que chegam perto da sua cesta, mas é um dos melhores times na hora de impedir que cheguem tão perto. O time de 2008 abria mais espaço no garrafão, confiando nos tocos do Tyson Chandler.

Em compensação aquele time de dois anos atrás deixava os adversários chutarem menos de três, eram 18 bolas por jogo contra 21 do time atual, hoje o Hornets é o terceiro time que mais deixa o adversário arremessar, embora o aproveitamento seja muito baixo. Com três tentativas a mais por jogo eles tomam o mesmo número de cestas do time antigo, 6,5.

A explicação para essa forte defesa está na agressividade na defesa de perímetro e em como os jogadores se entregam na hora de defender. Primeiro eles tem dois ótimos defensores marcando os principais condutores de bola do outro time, Chris Paul pega o armador principal e Trevor Ariza o melhor jogador de perímetro, seja da posição dois ou três. Contra o Rockets pegou Kevin Martin e deixou o inofensivo Shane Battier com Bellinelli, contra o Nuggets marcou Melo e deixou Afflalo para o italiano. Nem sempre dá pra fazer isso, como ontem quando enfrentaram LeBron e Wade ou quando pegaram o Spurs de Richard Jefferson e Manu Ginobili, mas aí é uma questão de escolha. Ariza se foca no mais perigoso, completo ou simplesmente mais alto e o Bellineli (ou Marcus Thronton) no arremessador, que joga sem a bola nas mãos.

Com os jogadores que controlam a bola incomodados eles são obrigados a apelar mais vezes para o pick-and-roll, fazendo com o que o bloqueio obrigue a troca de marcação, e é justamente na marcação dessa jogada o grande trunfo do Hornets. Assim como o Celtics faz perfeitamente desde quando o Kevin Garnett chegou por lá, o jogador mais alto da defesa não se contenta em assistir o seu marcador fazer o bloqueio e continua a marcação do outro lado, tentando encurralar o jogador que controla a bola. Isso dá espaço para o jogador que fez o bloqueio correr em direção da cesta e receber a bola livre caso o passe consiga ser feito, mas quando tudo é bem feito o armador não tem o ângulo para o passe. Se tem, o Hornets responde com ajuda defensiva, alguém deixa o seu armador para fechar o garrafão. Infinitas jogadas assim fazem todo o arredor do Hornets uma zona proibida e liberam mais arremessos de três. Preferem deixar para o adversário os arremessos de aproveitamento menor do que cestas fáceis em volta da cesta.

Esse esquema tem mostrado uma qualidade do Emeka Okafor que eu nunca tinha percebido, a sua velocidade. Ele se dá muito bem não só correndo atrás dos armadores quando fazem os bloqueios, mas também quando precisa defendê-los em infiltrações. Hoje se destaca mais por isso do que no um contra um contra pivôs mais altos. No jogo de ontem ele defendeu LeBron James muitas vezes e teve sucesso na maioria das ocasiões.

Tem um número muito interessante que mostra o quanto um time é bom em rebotes defensivos. É chamado de Defensive Rebound Rate, ou DRR. Ele multiplica por 100 o número de rebotes de defesa de um time e divide o resultado pela soma de rebotes defensivos do mesmo time contra os ofensivos do adversário. No DRR o Hornets é o terceiro melhor time em rebotes defensivos da liga, atrás apenas do Magic e o Bucks. Isso é importante demais porque é o rebote de defesa que finaliza uma boa posse de bola defensiva, de nada adianta anular o outro time e aí ceder mais uma posse de bola depois. Também são os rebotes de defesa que começam os contra-ataques, arma mortal quando seu time tem o genial Chris Paul levando a bola pro ataque e que ficou mais perigoso com o Ariza correndo ao lado dele. Contra o Heat foi uma arma decisiva no segundo tempo.

Aliás, essa eu acho que essa é até uma falha do Hornets, eles são muito bons quando tentam o contra-ataque, mas não tentam tanto quando deveriam. São só 14 pontos por jogo assim, menos que no ano passado e somente o 17º melhor time no quesito nessa temporada. O Trevor Ariza é limitado no ataque, mas tem duas qualidades incontestáveis: É perfeito para esse jogo em velocidade e é um Robert Horry 2.0, acerta qualquer tipo de cesta, até a mais idiota que ele pode tentar, se é importante para o time. Ontem ele matou o Heat com uma bola de três no minuto final, e daí que ele arremessa mal e tinha acertado só tabela nas últimas quatro tentativas?

Em compensação o time aproveita as qualidades dos outros jogadores. Belinelli não é tudo isso, mas sabe arremessar, assim como Marcus Thornton, então é isso que eles fazem. Você não vê eles nem tentando coisas absurdas que eles não sabem. É um time inteligente, com defeitos que qualquer um consegue ver, mas que com inteligência e um armador que fica com a bola na mão durante 90% do tempo de cada posse de bola, toma as decisões certas em quadra.

Mas como prova de que o Heat é um time muito bom, o Hornets precisou de tudo isso e muito mais para vencer o jogo de ontem. Além da defesa agressiva, dos rebotes, dos contra-ataques e de uma noite inspirada do Chris Paul (19 assistências), eles só sairam com a vitória porque, assim como o Celtics, conseguiram explorar o garrafão fraco do Heat. A dupla Okafor e Jason Smith fez a festa pra cima de Chris Bosh e Joel Anthony, marcaram juntos 38 pontos e pegaram 19 rebotes contra 17 pontos e 6 rebotes da dupla de Miami, o Bosh em especial pegou um rebotezinho de nada, o DJ Mbenga em 8 minutos conseguiu dois. Eu aqui de casa peguei uns três. O difícil é esperar que Smith e Okafor joguem assim toda noite, acho bem difícil, por isso o jogo de ontem não pode ser parâmetro para medir a qualidade ofensiva deles.

No preview do Hornets eu comentei como o Monty Williams era conhecido no Blazers por ser amigo dos jogadores, bem próximo, sabia falar a língua deles. Eu não duvidaria que a sua motivação tem papel fundamental na vontade com que os jogadores estão atuando nesse começo de temporada, pelo menos é o que parece vendo a intensidade com que eles jogam. Não tenho informações para confirmar isso, mas acho bastante realista que ele tenha apelado para o fato de que boa parte do elenco do Hornets é feito de jogadores que não estavam sendo bem vistos ao redor da liga. O Ariza foi uma decepção para boa parte da torcida do Rockets, o Belinelli nunca teve espaço no Warriors ou no Raptors e o Okafor virou piada porque sua rivalidade com o Dwight Howard virou freguesia das mais humilhantes. Agora estão todos juntos com o Chris Paul, que deixou claro pra todo mundo que não está a passeio na temporada e quer vencer tudo o que for possível.

Se eu estivesse no Hornets eu daria minha vida para agradar o Chris Paul e ganhar jogos. Imagina se tudo dá errado e ele muda de time no ano que vem! Seriam facilmente o pior time da liga. Se doar ao máximo na defesa faz o time vencer hoje e coloca uma perspectiva melhor no futuro: CP3 decide ficar no time, os renegados se consolidam na NBA e aí até dá pra começar a atrair bons nomes para jogar com o Paul ao invés do contrário. Foram só alguns jogos, mas vitórias importantes o bastante para fazer o time pensar bem alto.

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O que foi o final do jogo entre Suns e Grizzlies ontem? Que bizarrice! Nunca tantos erros deixaram um jogo tão legal.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Primeiras confusões

UConn + Pistons = Foto brega


A temporada mal tem duas semanas de vida e já temos confusões entre técnico e jogadores e times em crise. Se fosse o Brasileirão já tinha técnico no olho da rua. Felizmente não temos demissões de treinadores após cada rodada na liga como no futebol brazuca, imagina 82 técnicos demitidos por temporada! Daria para um mesmo técnico passar por todos os times mais de uma vez. Só não damos a idéia para os donos de time, porque é bem capaz deles acharem que é uma solução moderna e inovadora. Times estão em crise e perdendo dinheiro, uns podem culpar a economia, outros eles mesmos.

Mas uma coisa o basquete e nosso futebol sagrado de cada dia tem em comum, crises estão sempre relacionadas a derrotas. Só ver o Detroit Pistons, que junto com o Houston Rockets são os únicos times que ainda não venceram na temporada. O Pistons não tem jogado muito mal, mas tem perdido. A dupla de armadores com Rodney Stuckey e Ben Gordon pareceu, durante uns dois ou três jogos, a mais empolgante da NBA. Não a melhor, claro, mas divertia pelos dois serem agressivos e por se completarem com infiltrações e arremessos. Dava pra ver essa dupla ganhando vários jogos por conta própria. Só que não ganharam.

Das cinco derrotas que eles tem na temporada a primeira foi por 3 pontinhos e a segunda por um mísero ponto. A terceira foi por 10, para o Bulls, mas durante 3 períodos eles foram o melhor time disparado e chegaram a liderar por 15. E, por fim, perderam para o poderoso Celtics e para o Hawks, que é o melhor time do Leste nesses primeiros 5 jogos. São derrotas compreensíveis e no meio do caminho o time teve momentos ótimos, mas ainda assim são derrotas e elas irritam a torcida, técnico e jogadores. Como em quase tudo atualmente, não importa se o processo está indo bem se o resultado não é positivo.

Depois da derrota para o Bulls, a da virada, uma série de três declarações mostrou como o clima não foi nada bom no vestiário. Primeiro Ben Gordon, que disse que "Não fizemos os ajustes certos como time (...), precisávamos ter feito algo diferente". Depois o técnico John Kuester, "Precisamos achar uma outra voz de liderança no time além da minha" e, pra fechar com fatality, Tayshaun Prince, "Isso vale para os dois lados. Ele diz que precisamos de mais voz dentro do time e ele precisa fazer algumas coisas melhor também, se não ganhamos até agora não é culpa só do time".

Não dá pra achar que um jogador dizendo em público que o técnico precisa fazer um trabalho melhor é boa coisa. No fundo todos tem razão: o time não se ajustou bem ao segundo tempo forte do Bulls, faltou liderança dentro da quadra para acalmar o time e o técnico é parte do grupo de quem errou. O problema está no fato de que nenhum deles disse exatamente o que deveriam ter feito para mudar, ficaram jogando a culpa uns nos outros e ainda o fizeram em público. É a velha história de que não é o que você fala, mas como você fala.

Os problemas do Pistons são vários e todos juntos os levaram a essa situação de já ter discussão digna de Big Brother na segunda semana da temporada. O primeiro é que o time não ganha nada desde que eles trocaram o Chauncey Billups para o Nuggets em 2008. De lá pra cá o time que tinha ido para a final do Leste em todos os anos desde 2003 virou saco de pancadas. E uma coisa é você jogar no Wolves e achar que perder é normal, outra é disputar playoffs todo ano e de repente tomar de 20 de time mediano. Não ajuda que o técnico não tem muita moral, se fosse com alguém com a fama de Larry Brown ou Phil Jackson nunca que o Tayshaun Prince iria se atrever a dizer algo assim, mas com Kuester, que está no seu primeiro trabalho como treinador principal, é mais fácil.

Além disso ainda tem um fator que é muito comum ao do Rockets, o outro time que perdeu todas, excesso de jogadores. O Rockets tem excesso de bons jogadores em todas as posições e parecem estar tendo dificuldades em achar a rotação certa com espaço pra todo mundo jogar bem, no fim das contas tentam dividir muito os minutos e ninguém pega o embalo durante o jogo. O Pistons não está com tanto luxo assim, mas tem excesso em algumas posições. Tentar dividir os minutos nas posições de armação entre Rodney Stuckey, Ben Gordon, Richard Hamilton, Will Bynum e Tracy McGrady não tem sido fácil. Imagina como ficou a cabeça de todos esses quando Gordon se perdeu na conta e nem arremessou a última bola no jogo que perderam por um ponto para o Thunder.

E como desgraça pouco é bobagem, ontem teve mais problema. No meio do terceiro quarto do jogo contra o Hawks, quando o placar estava bem apertado, o jogo estava parado (por causa de algum lance livre ou algo assim) e Kuester chamou Stuckey para dar instruções, mas o jogador não atendeu. O técnico insistiu, o chamou de novo e nada do armador ir até lá. Imediatamente Kuester chamou DaJuan Summers no banco, fez a alteração e Stuckey, o Nezinho de Auburn Hills, não entrou mais em quadra. Questionado sobre o caso depois do jogo ele só disse que "É o que é". Esclarecedor, Stuckey.

Pelo o que comentam em Detroit, o comportamento do armador tem a ver com o fato de que ele estava negociando uma extensão de contrato e não conseguiu nada, saiu de mãos vazias. Agora, como não obedecer o técnico ajuda ele a conseguir fazer dar certo é um mistério.

O John Kuester, para quem não lembra, foi a única pessoa que conseguiu fazer o Cavs da era LeBron James ter um ataque realmente bom e eficiente. Ele era assistente de Mike Brown e foi o responsável por fazer o time ser mais veloz, aproveitar o Mo Williams no que ele é bom e fazer o time ser mais completo. Claro que quando a água batia na bunda o Mike Brown corria para mandar eles só isolarem o LeBron, mas tudo bem, não era culpa do assistente.

Em Detroit, porém, nada feito. No ano passado eles foram o penúltimo time em pontos por jogo e o 21º em pontos a cada 100 posses de bola. Eles não tem nenhum jogador que seja uma ameaça no garrafão, Richard Hamilton não é sombra do que já foi um dia e até o Ben Gordon, que foi colocado no mundo para fazer pontos, só teve média de 13 no ano passado.

Quer mais desgraça? Então vamos lá. Um repórter de Detroit disse que o clima entre os jogadores também não é dos melhores, que o grupo de jogadores mais velhos como Ben Wallace, Richard Hamilton e Tayshaun Prince não se bica com os mais jovens como Charlie Villanueva e Ben Gordon. O Pistons deu sinais de que poderia não ser o pior time do Leste, mas durou só dois e meio jogos. Com tanta crise já no começo do ano é de se esperar que em breve eles já estejam em busca de algumas trocas. Que o General Manager Joe Dumars tenha mais cabeça do que teve quando trocou Billups e do que quando pagou uma nota preta para Gordon e Villanueva.

Um outro time parecia que iria ter problemas, mas as coisas até que deram certo. E por incrível que pareça esse time é o Clippers! Lembra que no preview deles eu disse que eles dependiam do Baron Davis para ser um time de verdade? Pois o cara nem se esforçou. Apareceu gordo na pré-temporada, jogou partidas ridículas com mais turnovers que assistências e aí o técnico Vinny Del Negro disse que estava decepcionado com o seu jogador fora de forma. Por incrível que pareça, Baron Davis disse que ele tinha toda razão.

Segundo o armador ele nunca fez exercícios nas férias durante toda sua carreira. A temporada acabava, ele esquecia de tudo e só ia se exercitar de novo em agosto. Acontece que agora ele está velho e isso não funciona mais. O Baron Davis pelo menos admitiu e disse que irá fazer diferente daqui pra frente, só não sabemos se em Los Angeles. No jogo de ontem o novato Eric Bledsoe foi titular e jogou muito, botou um ritmo veloz no jogo, se entendeu perfeitamente com o Eric Gordon e eles venceram o Thunder. Menos de um segundo depois do jogo já pipocavam os primeiros rumores de troca do Baron Davis. Tudo boato, claro, mas garanto que lá dentro do Clippers já cogitam a mesma coisa.

Entrando no desnecessário mundo da especulação daria pra pensar em incluir o Chris Kaman com o Baron Davis para fazer um pacote mais atraente ao redor da liga, afinal pivôs são raros. E ele nem faria muita falta ao Clippers, o garrafão com Blake Griffin e Chris Kaman consegue ser um dos melhores da liga no ataque e o mais frágil na defesa. O problema dessa idéia é que os dois juntos recebem 24 milhões de dólares nessa temporada, quem pode arcar com isso? Talvez o próprio Pistons mandando Hamilton e Prince? Joe Dumars foi questionado há alguns parágrafos. Ok, ok, já parei. Muita coisa para pouca temporada.