domingo, 19 de fevereiro de 2012

Resumo da Rodada duplo:
Lin perde o Sétimo Sentido, Chris Paul faz cagada

Ah, o Carnaval! Aquela gloriosa época do ano em que todo mundo fica preso no trânsito por dias, reclama da chuva, escuta música em volumes que dedam surdez crônica, bebe cerveja até pelas orelhas e acha super normal as mulheres estarem peladas mas usarem penas coloridas na cabeça. Umas quatro pessoas sensatas até resistem e dedicam seus preciosos dias de feriado à nobre tarefa de assistir a todos os jogos das rodadas da NBA, mas todos os outros do planeta voltarão de viagem cheios de areia entre os dedos e desesperados para saber como andou o mundo do basquete nos últimos dias. Não temam então, ó mortais: o Bola Presa vai manter os resumos da rodada para que todos possam retornar às suas vidas e se interar do que andou acontendo nas quadras da NBA. Mas como não somos de ferro, também fomos viajar: o Denis e eu, cada um para um canto, demos um jeito de fugir para as colinas - literalmente. Então pode ser que não consigamos manter os resumos diários, mas mesmo que tenhamos um ou outro dia de intervalo, cobriremos todos os dias de NBA. Combinado? Para provar que não estamos mentindo, o resumo de hoje abrange dois dias para correr atrás do prejuízo!

Vamos começar com os jogos do dia 17, sexta-feira:

Em Cleveland, o Cavs recebeu seu inimigo público número 1, LeBron James. Como todos sabemos, o LeBron abandonou o Cavs, cuspiu no prato que comeu, empurrou velhinhas escada abaixo, trocou todos os potes de manteiga da região por margarina, e além de tudo isso ainda é o culpado pela fome na África. Com tudo isso, é fácil entender o motivo das visitas do Heat a Cleveland serem tão espetaculares: LeBron é vaiado o tempo todo, do aquecimento ao fim do jogo, com as vaias piorando toda vez em que toca na bola. LeBron disse antes da temporada começar que essas vaias constantes tinham feito com que ele acabasse adotando uma postura de vilão de luta-livre, atiçando a torcida, forçando o jogo e saindo do seu natural, da sua zona de conforto. Seu desejo era deixar isso para trás e não cair mais na provocação, não aceitando essa personalidade que tentam lhe enfiar goela abaixo. Dá pra ver que LeBron, e o Heat como um todo, estão realmente mais tranquilos e simplesmente jogando o jogo deles o tempo todo. Mas em Cleveland não é tão fácil manter essa tranquilidade e, embaixo das vaias, o elenco todo jogou com sangue nos olhos. LeBron começou a partida como se quisesse beber o sangue de seus antigos companheiros e o Heat fez 25 a 5 no placar logo de cara. Massacre absoluto e depois disso nunca mais olharam pra trás. Mas que o LeBron esteja avisado de que só foi fácil assim porque o Varejão não jogou, hein? O brazuca não vai precisar de cirurgia, mas mesmo assim só volta no finalzinho de março, na melhor das hipóteses. Depois disso, LeBron James tremerá!

A rodada do dia 17 também foi o fim do Sétimo Sentido do cavaleiro de bronze Jeremy Lin. O Lin até jogou bem, com 26 pontos, 5 assistências e 4 roubos, mas cometeu 8 desperdícios de bola só no primeiro tempo contra o Hornets. Gerando tantos contra-ataques, não deu para o Knicks segurar a onda. No segundo tempo Lin só cometeu um turnover, mas aí o estrago já estava feito. Nossa amante oriental favorita admitiu que é justo que lhe culpem pela derrota assim como lhe culparam pelas outras 7 vitórias seguidas desde que começou a jogar pela equipe, e que precisará tomar mais cuidado com a bola. A verdade é que Lin continua agressivo, inteligente e se entendendo bem com Amar'e Stoudemire (que fez 26 pontos com 12 rebotes), mas cada vez mais parece empolgado com a própria lenda. Antes ele precisava se firmar no time e era mais cuidadoso, agora está confiante e nem sempre isso dá resultados tão bons. Mas o Lin é inteligente, vai saber encontrar um meio termo e continua sendo um excelente Cavaleiro do Zodíaco. O futuro do Knicks agora é subitamente mais brilhante: JR Smith chega à equipe quando acabar a liga chinesa e tanto Carmelo quanto Baron Davis podem jogar já na segunda-feira. Vai caber ao Lin envolver toda essa galera, mas por outro lado essa gente vai tirar um pouco da pressão das costas do armador e permitir que ele realmente possa se concentrar em tomar mais conta da bola.

Pelo Hornets continua a surpresa de Gustavo "Olé" Ayon, que vem chutando traseiros e fez mais um double-double, com 13 pontos e 11 rebotes. Nesse time sem Okafor e Carl Landry, lesionados, Ayon tem sido uma ajuda importante. Além dele, o garrafão teve ajuda de Chris Kaman, que está jogando como se sua vida dependesse disso para que possa ser trocado logo e ir jogar num time minimamente decente. Kaman é um dos melhores pivôs da NBA mesmo que a gente não se lembre disso porque ele se machuca cortando as unhas, mas agora que voltou de contusão está jogando pra valer. Contra o Knicks, mesmo sofrendo com a correria da equipe de D'Antoni, foram 12 pontos, 8 rebotes e 6 assistências. Uma hora ele será trocado de uma vez e libertado desse Hornets amaldiçoado. Pra se ter noção, além das contusões de Landry e Okafor, Eric Gordon não tem previsão de volta e sequer existem dados sobre a gravidade da sua lesão. Dizem as más línguas que ele pode até estar com a carreira em risco.

Por falar em lesões, o Nuggets sem Nenê (que deve saber esses dias qual é a gravidade da sua lesão no calcanhar) e sem Gallinari (fora por no mínimo um mês) quase conseguiu uma virada histórica: perdiam por 23 pontos para o Grizzlies mas reagiram e passaram à frente nos segundos finais. Culpa basicamente de Corey Brewer, que parece estar se aproximando do potencial que todo mundo sabia que ele tinha, e que meteu 26 pontos com 5 bolas de três. Mas aí na posse de bola final Rudy Gay foi tentar o seu milésimo arremesso da vitória (ele é um dos melhores finalizadores da NBA), errou e Dante Cunningham estava lá para dar o tapinha no rebote ofensivo para virar o jogo e vencer por um pontinho. Vale ver o lance no vídeo abaixo:



Como diria Ivan Zimmerman em seus gloriosos dias de transmissão de NBA na ESPN, "dói, um tapinha não dói". É duro para o Nuggets, numa fase tão complicada, perder um jogo porque não conseguiu impedir um rebote ofensivo desses. O pirralho Kenneth Faried está quebrando um bom galho no garrafão, acabou o jogo com 18 pontos e 10 rebotes, mas falta força física para lidar com o garrafão do Grizzlies. Mesmo sem Randolph (que deve voltar no começo de março), Marc Gasol teve 16 pontos, 14 rebotes, 8 assistências e 3 tocos. Engoliu o Nuggets vivo, é All-Star e um dos melhores no que faz. Vamos voltar no tempo e tentar não rir na minha cara quando eu disse que ele seria foda?

Ainda no tema de garrafões que engolem times vivos, que tal o Kevin Love e Nikola Pekovic somando 63 pontos e 29 rebotes na vitória do Wolves em cima do meu Houston? Tá bom que o Scola é a maior mãe na defesa, ele serve biscoitinhos e pede para seus adversários vestirem casacos quentinhos, mas Love e Pekovic merecem crédito pelo que estão fazendo. O Wolves sente bastante falta do Darko Milicic na defesa, por mais estranho que essa frase pareça, mas no ataque o Pekovic é genial e abre muito espaço para o Love. Quando o jogo estava apertado, Rick Adelman começou a colocar a bola nas mãos dos dois, às vezes perto da cesta, às vezes longe, e a defesa do Rockets quebrou em mil pedacinhos. Foram 33 pontos (e 17 rebotes) para o Love e 30 pontos (e 12 rebotes) para o Pekovic. Tudo, claro, orquestrado pelo nosso marido Ricky Rubio. Pra ele não ficar com ciúmes da nossa babação no Lin, vamos todos juntos dar as mãos e pagar pau para esse passe do espanhol:



No resto da rodada, o Al Jefferson engoliu o Wizards sozinho com 26 pontos no primeiro tempo e 34 pontos totais na partida. Esse garrafão do Jazz dá trabalho pra qualquer um e é prova de que não importa o seu time, suas deficiências ou suas limitações, ter um garrafão de ponta simplesmente estraçalha outros times menores. Já na partida entre Lakers e Suns, o garrafão de Gasol e Bynum até fez sua parte, mas quem acabou com o jogo foram os 36 pontos do Kobe, que continua sendo o maior inimigo do Suns, e os 17 pontos do Matt Barnes vindo do banco. Isso é oitenta vezes mais do que o banco inteiro do Lakers costumava fazer em 10 partidas! Se o banco engrenar, a equipe de Los Angeles vira outro time.

No duelo "B" entre Raptors e Bobcats, o Leandrinho conseguiu perder a bola duas vezes em bandejas que deveriam ter sido fáceis no final do jogo e, apesar dos 16 pontos, deu a vitória para a equipe de Charlotte - que vinha de 16 derrotas seguidas. O Raptors está sem a Dedé Bargnani, mas nada justifica perder para o Bobcats, mesmo que Reggie Williams esteja voltando aos seus bons tempos de Warriors (foram 22 pontos com 4 bolas de três) e que Bismack Biyombo esteja virando um monstro na defesa (foram 13 rebotes e 7 tocos). O Raptors deveria ficar de castigo e passar uma semana jogando NBB até aprender a fazer melhor.

O Kings também merecia alguma punição por perder para o Pistons. Foram 23 pontos e 10 assistências do novato Brandon Knight e 36 pontos do Rodney Stuckey, ou seja, o Kings oficialmente não defende nem ponto de vista. DeMarcus Cousins continua um monstro que come ônibus escolares no café da manhã, foram 26 pontos e 15 reboets, mas o Kings precisa respirar fundo e pensar em mudanças táticas rápido. Tomar duas bolas de três seguidas nos segundos finais (uma de Knight, outra de Stuckey) para perder o jogo é falta de qualquer esquema defensivo.

Pra fechar a rodada, o Thunder venceu o Warriors no jogo da porra-louquice mesmo sem o Westbrook, com Durant (23 pontos, 10 rebotes) e James Harden (25 pontos) dando conta sozinhos de todo o ataque da equipe. O Magic venceu o Bucks marcando 17 pontos seguidos sem tomar nenhum para terminar o jogo, com 26 pontos e 20 rebotes do Dwight Howard, mas só venceram mesmo porque o ataque do Bucks - que passou a ser genial nos últimos tempos - não sobrevive a um dia em que o Jennings só acerta 4 de 20 arremessos tentados. E pra terminar, o Mavs venceu o Sixers após estar perdendo por 14 no intervalo mas só tomar 8 pontos no 3o quarto e 16 pontos no último período. Dirk está voltando à forma, foram 28 pontos e 12 rebotes, mas o que está fazendo a diferença é a defesa do Mavs que volta a funcionar aos poucos depois de ter sido aniquilada pela saída de Tyson Chandler.



Agora a micro-rodada do dia 18. Vamos começar com o Spurs, que vem de uma fase fantástica analisada no post do Denis, fase tão boa, mas tão boa, que até vence quando não deveria. Com a vitória em cima do Clippers são agora 10 vitórias seguidas, mas essa vitória simplesmente não fez nenhum sentido! O Clippers vencia por 3 pontos faltando 9 segundos para o fim do jogo, e ainda por cima tinha a posse de bola, repondo um lateral. Bastava que Chris Paul recebesse a bola para sofrer uma falta e cobrar os lances-livres, ou então que ele recebesse a bola na quadra de defesa para sair driblando um pouco e queimar segundos do cronômetro. Mas na prática deu tudo errado: Chris Paul passou correndo para receber o passe do Ryan Gomes na quadra de defesa para queimar uns segundos, mas Ryan Gomes passou a bola cedo demais, quando Paul ainda estava na quadra de ataque. No embalo da corrida, Chris Paul percebeu que iria acabar indo parar na quadra de defesa e seria uma violação, então ele soltou a bola como um idiota nas mãos de Gary Neal, do Spurs, que meteu uma bola fácil - e livre - de três pontos. Funhé. Nas palavras do Chris Paul, a pior jogada de sua vida, prorrogação para a partida e derrota vinda na prorrogação para - adivinhem! - outra bola de 3 pontos do Gary Neal.



Chris Paul é um dos jogadores mais decisivos da NBA, Randy Foye está - como previu o Denis - tapando muito bem o buraco do Billups (ontem foram 21 pontos para ele), Blake Griffin teve o primeiro vinte-vinte da sua carreira (foram 22 pontos e 20 rebotes), Tiago Splitter jogou 2 minutos e logo machucou o calcanhar, Ginóbili também saiu contundido apenas 4 jogos depois de voltar da fratura na sua mão, Duncan foi dominado na defesa por Kenyon Martin, mas nada disso foi o bastante para dar a vitória para o Clippers. A fase do Spurs é absurdamente boa, a cagada na cobrança de lateral deu uma chance para o Gary Neal (que agora é a mistura do Bruce Bowen com o Robert Horry), e não tem ninguém na NBA jogando melhor do que o Tony Parker nesse momento. Foram 30 pontos e 10 assistências para ele, que voltou a jogar como se nenhuma defesa existisse. Gênio.

Se o Clippers não vai engolir essa derrota tão cedo, o que dizer então do Bulls, que perdeu ontem para o - irgh! - Nets? Foi a primeira vitória da equipe de New Jersey nesse mês. Deron Williams marcou 29 pontos, Kris Humphries continua chutando traseiros mesmo sem ser notado com 23 pontos, 18 rebotes e 5 assistências, e até o Shelden Williams (dono da menor cabeça da NBA desde Nesterovic) pegou 14 rebotes. Eu até gosto do Shelden, acho ele bom reboteiro e defensor, mas se um zé ninguém desses pega 14 rebotes contra o Bulls é porque o troço tá feio. É claro que o Bulls ainda sente falta de Derrick Rose, lesionado, mas no começo é mais fácil suprir a falta de uma estrela. Armadores genéricos taparam bem o buraco, Luol Deng cumpre oito papéis ao mesmo tempo, mas quanto mais tempo passa mais os jogadores vão sentindo a pressão e sentindo falta do Rose. Aliás, curiosidade aleatória do dia: na lista de armadores genéricos o Bulls já usou John Lucas III e agora acabou de chamar Mike James, ou seja, estão colecionando ex-armadores do Houston Rockets. Será que o próximo será meu "queridinho" Rafer Alston?

No jogo entre Grizzlies e Warriors, tivemos repeteco do jogo anterior do Grizzlies, pode ir lá ler o resumo no começo do post. Rudy Gay errou de novo o arremesso da vitória mas tinha um jogador do Grizzlies lá para um tapinha no rebote para virar o jogo - dessa vez foi o Tony Allen! (Allen é raça!) Dá pra ver o lance nas melhores jogadas da rodada de ontem. O garrafão do Grizzlies de novo vai ganhando jogos e OJ Mayo está voltando a liderar o banco de reservas, o que faz muita diferença para eles. Foi o bastante para vencer o Warriors apesar de ser um jogo em que tanto Ellis quanto Curry ganharam no palitinho: foram 36 pontos e 6 assistências para Stephen Curry e 33 pontos e 6 assistências para Monta Ellis, somando 10 bolas de três pontos com os dois. Sem garrafão não dá.

No último jogo da rodada, o Blazers saiu da pindaíba vencendo fácil o Hawks. Batum marcou 22 pontos, comandando de vez o ataque do Blazers, e LaMarcus Aldridge, que deveria ficar um tempo fora lesionado, voltou pra quadra e mandou 19 pontos e 10 rebotes. Será que ele é tão bom que ficou imune à maldição de jogadores de garrafão lesionados do Blazers? Com ele de volta, Camby saudável e Batum de titular, o Blazers é não apenas um time super versátil, mas também um time enooorme, alto pra valer. Josh Smith jogou bem pelo Hawks, foi um quase-triple-double com 14 pontos, 10 rebotes e 9 assistências, mas ele tentou duas bolas de 3 pontos ridículas (duas focas foram mortas em represália) e não conseguiu lidar com o tamanho do Blazers.

Ufa, foi isso. Voltamos nos próximos dias com o resumo das próximas rodadas! Usem camisinha!

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Fotos da(s) rodada(s):

 É só comparar, Shelden Williams tem a menor cabeça do planeta

 Nem interessa se jogam bem, Yao e Lin são importantes 
para trazer à NBA a torcida mais biruta do universo

 É fácil confundir a cabeça do Taj Gibson com a bola, mas a cabeça 
minúscula do Shelden Williams no fundo é inconfundível 

 Deron Williams: fotogênico

 Todo homem só quer colo de mãe

 Agradeço a deus a graça alcançada

Lionel Hollins, técnico do Grizzlies, quebra um dedo sozinho no banco 

Flopar, verbo intransitivo: agir como Manu Ginóbili 

Jogo de vôlei: um dá de manchete, o outro tenta um bloqueio

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Spurs retocado

Splitter não se assusta com as enormes narinas de JJ Hickson

Podemos ficar oficialmente com medo do San Antonio Spurs? Desde sempre eles são aquele time que você pensa mil vezes antes de deixar fora da briga pelo título, e quando você toma coragem e afirma "é um bando de velho" eles aparecem lá para encher o saco. Ano passado o time surpreendeu acabando a temporada regular em 1º lugar no Oeste, mas caíram logo de cara nos playoffs. O que esperar da versão 2012 do Spurs que atualmente está em 2º na conferência, vêm de 9 vitórias seguidas e perdeu apenas 1 jogo em casa?

No ano passado os números de ataque eram absurdos, o segundo mais eficiente de toda a NBA. Mas ver o time correndo tanto e mandando bolas de 3 na cabeça de todo mundo era não só esquisito demais como também falhou na hora H, nos playoffs. Nessa temporada algumas coisas parecem diferentes, estão com um jogo mais consistente e vencendo com coisas mais confiáveis e resistentes que bolas de 3 de Matt Bonner. Ao invés disso eles tem Tim Duncan em boa forma, Tony Parker imparável nas infiltrações e, isso é bem importante, Tiago Splitter envolvido no ataque.

Quem nos lê há algum tempo sabe que não somos nem um pouco patriotas. Tipo, nem um pouco mesmo. Não gosto mais ou menos do Leandrinho do que gosto do Anthony Morrow, por exemplo. Por isso nada de patriotada em reconhecer a importância de Tiago Splitter nesse time do Spurs. Há anos que eles estão a procura de um parceiro de garrafão para Tim Duncan, e não só não encontram como veem Duncan envelhecendo e piorando cada vez mais. O Duncan de hoje em dia não tem metade dos recursos ofensivos que tinha até 2005, por exemplo. Até um tempo atrás a vontade era ter um jogador de garrafão que pudesse liberar Duncan para jogar na posição 4, de ala de força, mas hoje isso nem importa tanto. Duncan até rende melhor de pivô mesmo e apenas precisa de outro jogador que pegue rebotes e que o deixe descansar. Com menos minutos em quadra ele tem parecido menos cansado, mais veloz e, portanto, mais decisivo. Splitter tem tido valor duplo: Joga ao lado de Duncan ou na posição dele.

A presença de Splitter também é importante porque, nas palavras de Gregg Popovich, ele tem "uma inteligência para o basquete fora do comum". Ao saber se posicionar no pick-and-roll ele tem feito a vida de Tony Parker bem mais fácil nas infiltrações. Não que o francês não infiltre mesmo no meio de um corredor polonês, mas qualquer ajuda é bem vinda. E se aos poucos Splitter vai pegando pontinhos no ataque, na defesa ele também tem ajudado. Ele é um dos vários responsáveis pelo Spurs tomar 3 pontos a menos, em média, dentro do garrafão em comparação a temporada passada. Parece pouco, mas na média faz bastante diferença e a evolução de Splitter faz diferença nessa conta.

Contando os pontos marcados e feitos a cada 100 posses de bola, resultados parecidos em relação ao ano passado. O ataque marca 4 pontos a menos, a defesa sofre 4 pontos a menos. Como esses números se repetem em muitos times e até nas estatísticas gerais da liga, acho que podemos colocar isso na equação locaute + calendário + falta de training camp. Mas mais importante que os números totais é como o Spurs consegue ou evita esses pontos. Como citei acima, a defesa pode ter eficiência parecida no geral, mas melhorou no garrafão, justamente onde perdeu a série para o Memphis Grizzlies nos playoffs do ano passado.

No ataque alguns números ainda são bem parecidos. O time ainda marca 23% de seus pontos em bolas de 3 pontos, marca altíssima, a 5ª da liga, atrás apenas de atiradores pirados como Magic, Warriors, Nets e Clippers. Os pontos no garrafão ainda são os mesmos 42 por jogo, maior parte deles cortesia de Tony Parker, não tanto dos pivôs. Onde finalmente vemos um número que chama atenção pela mudança é nos pontos de contra-ataque. Ao invés de 15 por jogo como no ano passado, agora são só 11. O time não tem menos jogadores capazes de jogar assim, pelo contrário, mas simplesmente escolheu correr menos e tomar mais conta da bola. Não à toa o time subiu de 8º para 2º no ranking de turnovers por posse de bola, só o Sixers erra menos.

Com tantos chutadores de 3 pontos, como Gary Neal, Danny Green e mesmo Manu Ginóbili, o Popovich não tem muita opção senão usar o que tem e esperar que as bolas caiam. Mas por experiência em vencer o Suns ele sabe que somar bolas de 3 e correria já é suicídio demais, então baixou um pouco o ritmo da equipe e cortou erros. Ele Spurizou um pouco seu Spurs, pra não perder a identidade, acho. Outra coisa que mudou em relação ao ano passado é a distribuição de minutos. Na temporada passada 3 jogadores (Parker, Jefferson e Ginóbili) tinham mais de 30 minutos por jogo, com outros 5 tendo mais de 20. Nesse ano apenas Parker passa dos 30 e são 10 jogadores no total jogando pelo menos 20 minutos por jogo.

Com o time confiando em mais gente e poupando melhor seus jogadores, ao mesmo tempo que joga num ritmo menos alucinado, podemos esperar o Spurs pelo menos mais inteiro e com pernas nos playoffs, algo que pareceu faltar no ano passado. Mas a conclusão que podemos ter mesmo é que no fundo esse é o mesmo time de 2011, com alguns pequenos e pontuais ajustes. Embora isso possa soar desanimador, não é. O Spurs do ano passado teve muito azar. Pegou na pós-temporada um time que sempre o deu problemas, que estava em ótima fase e mesmo assim a série foi disputada. Todos os times venceram seus jogos em casa com exceção do Jogo 1, que o Spurs jogou sem Manu Ginóbili.

Se você pensar bem e com calma, lembrará que aquele time era sim muito bom. Apenas teve azar e alguns defeitos expostos naquela série. Mas ao invés do time entrar no desespero e querer tacar tudo para o alto, atacaram na medida do possível esses problemas. O ritmo é mais lento, o time erra menos, chuta duas bolas de 3 a menos por jogo (embora a porcentagem de pontos vindos desse tipo de chute seja a mesma, como vimos) e Tiago Splitter tem sido trabalhado para melhorar a defesa de garrafão. Somente na hora do vamos ver, de novo, saberemos se foi o bastante. Mas fizeram o possível e são o time em melhor forma na NBA no momento. Quer dizer, não que isso importe para eles, segundo o Richard Jefferson: "Em San Antonio sequências de vitórias não significam nada. Popovich ainda quer que a gente melhore e vai estar muito bravo a cada pedido de tempo".

Resumo da Rodada
Bulls vence sem Rose, Chris Paul decide no último quarto

Pela segunda vez na semana tivemos um confronto entre Chicago Bulls e Boston Celtics. Derrick Rose, que diziam que poderia voltar ontem, acabou não jogando por ainda sentir dores nas costas, mas não foi problema. O Bulls se vingou da derrota do último confronto e agora tem 7 vitórias e só 2 derrotas nos jogos que Rose não atuou na temporada.

Assim como na última partida do Bulls, muito do ataque passou pelas mãos do Luol Deng, que tem se mostrado simplesmente bom em tudo. Como disse o técnico Tom Thibodeau essa semana, Deng faz qualquer coisa que pedirem pra ele: defesa, rebotes, pontos, assistências, qualquer posição, qualquer estilo. É a prostituta que pedimos aos céus. Ontem ele fez 23 pontos (com 3 bolas de 3 pontos) e 10 assistências. Outro que foi muito bem foi Carlos Boozer, com 25 pontos em 11/15 arremessos. Confesso que fazia algum tempo que eu não via o Boozer tão à vontade e confiante atacando a cesta, mesmo marcado pelo Kevin Garnett ele não teve medo e se contentou com seu arremesso de meia distância, bom de ver e importante demais para o time.

O estranho desse jogo foi a discrepância entre os quartos. O Celtics perdeu o jogo por 9 pontos, mas venceu o 1º e 3º quarto por 24-18 e 24-16, respectivamente. Se não tivesse tomado uma surra nos outros, tinha levado esse jogo pra casa.

Um jogo muito esperado em New Jersey: O Nets vinha de 7 derrotas seguidas e enfrentava o Pacers, que tinha 5 derrotas seguidas. Já dá pra sentir o gostinho de playoff no ar, né? No fim das contas deu Pacers, que venceu do seu jeitinho todo especial. Jogo amarrado, acertou apenas 39% de seus arremessos (29% no 2º tempo), mas saiu com a vitória. Devem muito ao Danny Granger, que voltou de contusão e fez 32 pontos, sem ele dava pra imaginar um dia de Orlando Magic para o Pacers. Alguma coisa esse time precisa fazer para ajeitar esse ataque, não vão jogar contra o Nets todas as noites. Do lado perdedor, os destaques de sempre: 29 pontos para Deron Williams, 24 pontos, 10 rebotes e 3 tocos para Kris Humphries. O pobre ex-Kardashian poderia ser uma sensação da liga se jogasse em um time um pouco mais relevante.

O jogo foi tão feinho que até momento de basquete amador teve:



O último jogo da curtinha rodada de quinta-feira foi entre o Los Angeles Clippers e o Portland Trail Blazers. Esse não foi muito mais bonito que o jogo do Nets, mas pelo menos bem emocionante. O Blazers, jogando em casa seu 3º jogo de um back-to-back-to-back, começou inspirado e mesmo sem o machucado LaMarcus Aldridge chegou a abrir 18 pontos de vantagem. Até enterrada do zé ninguém Elliot Williams na cara do Kenyon Martin tava rolando.



Mas aí começou o 4º período e o espírito amarelão que havia desaparecido na vitória de quarta-feira sobre o Warriors voltou à tona. O ataque foi um lixo no último período, tomaram de 22-11 o quarto final e perderam o jogo por 74-71. Em todo o último período apenas Wes Matthews (7 pontos) e Jamal Crawford (4 pontos) marcaram para o Blazers, foram 4 arremessos acertados e dois lances-livres. Na última posse de bola o Wes Matthews sofreu a falta, acertou o 1º lance-livre, errou o 2º, pegou o próprio rebote e teve a chance de empatar, mas o arremesso forçado não entrou.

Eu avisei nesse post que o Chris Paul era decisivo, lembram? Ontem ele não jogou nada por 3 períodos, estava zeradíssimo, aí chegou no último quarto e fez todos os seus 13 pontos e conseguiu 2 de seus 4 roubos. De algum jeito, sei lá como, ele sempre acorda quando o jogo importa. É o anti-Blazers.

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Fotos da Rodada
Especial: Qual seu estilo de técnico favorito?

"Eu grito vocês fingem que obedecem" de Vinny Del Negro?

"Vou parecer magoado para vocês correrem por mim" de Doc Rivers?

"O pai bravo" de Tom Thibodeau?

ou o "Carmen Miranda" de Avery Johnson?
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Em nome do pai, do filho e de Kenyon Martin, amém. 

Tem hora e lugar pra dança contemporânea, Asik

Tudo sem querer

Luol Deng faz tudo e ainda beija a bola. Sem frescura.

"Ele é nosso e vocês não podem tê-lo de volta"
Com a foto do Scalabrine.
Atrás do banco do Celtics.
Usando um terno.
Benny The Bull é o MVP dos mascotes.

Quase tudo pronto para o All-Star Weekend

Shaq e Barkley já brigaram antes

A Linsanity venceu mais uma. Nesse ano a NBA resolveu mudar as regras do desafio dos novatos. Ao invés de simplesmente colocar os novatos jogando contra os segundo-anistas (sophomores, no termo americano) eles resolveram juntar os dois grupos no mesmo pote e fazer uma pelada entre eles, tudo misturado. Para separar os times pegaram os dois comentaristas mais engraçados e famosos da TNT dos EUA, Shaquille O'Neal e Charles Barkley. Posso dizer que isso, no Brasil, seria o equivalente do Neto e o Denílson escolherem times baseados em revelações da Copa São Paulo e do último Brasileirão? É mais ou menos isso.

Só que a lista para os jogadores que poderiam ser escolhidos saiu há mais ou menos uma semana. E vocês sabem que há uma semana atrás Jeremy Lin era só um japa que dormia no sofá do Landry Fields, hoje ele é a maior sensação do basquete mundial. A NBA, marketeira que é, pouco se importou com o fato de Lin ter jogado só meia dúzia de jogos, tratou de mudar as regras e botar ele no mix. O povo quer vê-lo, ninguém vai reclamar, mas não é das decisões mais justas. Para dar número certo o Norris Cole se deu bem e acabou ganhando um convite também.

Hoje, na TV, aconteceu o Draft. O jeito legal de tirar o par ou ímpar para escolher o pessoal na pelada. Shaq venceu e, claro, escolheu Blake Griffin. Charles Barkley respondeu com Kyrie Irving e aos poucos os times foram sendo montados. O resultado final é esse:

TEAM SHAQ
Blake Griffin – Los Angeles Clippers (Sophomore)
Jeremy Lin – New York Knicks (Sophomore)
Ricky Rubio – Minnesota Timberwolves (Rookie)
Greg Monroe – Detroit Pistons (Sophomore)
Markieff Morris – Phoenix Suns (Rookie)
Kemba Walker – Charlotte Bobcats (Rookie)
Landry Fields – New York Knicks (Sophomore)
Norris Cole – Miami Heat (Sophomore)
Brandon Knight – Detroit Pistons (Rookie)
Tristan Thompson – Cleveland Cavaliers (Rookie)

TEAM CHUCK
Kyrie Irving – Cleveland Cavaliers (Rookie)
DeMarcus Cousins – Sacramento Kings (Sophomore)
Paul George – Indiana Pacers (Sophomore)
Derrick Williams – Minnesota Timberwolves (Rookie)
MarShon Brooks – New Jersey Nets (Rookie)
John Wall – Washington Wizards (Sophomore)
Gordon Hayward – Utah Jazz (Sophomore)
Tiago Splitter – San Antonio Spurs (Sophomore)
Kawhi Leonard – San Antonio Spurs (Rookie)
Evan Turner – Philadelphia 76ers (Sophomore)

Se fosse um jogo de verdade, o time do Shaq estaria na frente simplesmente porque tem bons armadores ao mesmo tempo que um garrafão imparável: Griffin e Monroe no mesmo time é desleal. Mas como é um jogo de zoeira, com ninguém jogando sério, qualquer tentativa de previsão ou leitura de jogo é uma grande e desnecessária bobagem.

Também foram definidos os competidores dos campeonatos de 3 pontos e de enterrada.

Torneio de 3 pontos
James Jones (atual campeão) - Miami Heat
Mario Chalmers - Miami Heat
Ryan Anderson - Orlando Magic
Anthony Morrow - New Jersey Nets
Joe Johnson - Atlanta Hawks
Kevin Love - Minnesota Timberwolves

O critério aqui me parece claro. Chamaram o atual campeão, alguns especialistas em bom momento e mais o Joe Johnson e o Kevin Love só pra ter alguém que um torcedor comum saiba quem é. Nós somos bitolados, mas você culparia um fã casual de não conhecer Morrow ou Anderson?

Campeonato de Enterradas
Chase Budinger - Houston Rockets



Budinger não parece nem jogador de basquete, tem cara de roqueiro frustrado misturado com jogador ruim de futebol americano, não sei explicar. Mas é fato que ele pula demais. Vai ser legal ver o que ele inventa na hora. Boa escolha embora Terrence Williams, também do Rockets, seja mais impressionante nas enterradas.

Derrick Williams - Minnesota Timberwolves



Confesso que suas enterradas mais legais na temporada são mais por causa dos passes do Ricky Rubio do que pela plasticidade da finalização. Mas vamos ver, pensava isso do JaValle McGee no ano passado e ele surpreendeu.

Iman Shumpert - New York Knicks



O queridinho da torcida de Nova York pré-Lin consegue sair muito do chão. Muito mesmo, sua capacidade atlética é fora do comum. Só que nos jogos ele não é de enterrar na cara das pessoas, não sabemos da sua criatividade. Mas se ele entrar na quadra ao lado de Lin, já ganhou. Estão dizendo que nesse ano não terá final, todos darão 3 enterradas e o voto popular decide.

Paul George - Indiana Pacers



Meu favorito. Ele tem tamanho, força, impulsão, sempre enterra com muita violência e com plasticidade. Outro dia num resumo da rodada até brinquei que seu estilo de enterrada lembrava o do Dominique Wilkins. Já botei ele no bolão.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Resumo da Rodada
Spurs não para de vencer, Thunder empaca no final

Estou começando a ficar com dó do Toronto Raptors. Poucos times tem jogado com tanto esforço quanto eles (nível compatível a empolgação dos narradores locais) e isso em um momento onde eles tinham todos os motivos para estarem de cabeça baixa. Já perderam seu melhor jogador, Andrea Bargnani, contundido. Estão sem Jerryd Bayless, que estava em bom momento, e no jogo contra o New York Lins viram Linas Kleiza, que também estava melhorando bastante, torcer o pé. É uma contusão atrás da outra, sempre acompanhada de derrota apertada. Depois de perder para Knicks e Lakers na última bola, ontem perderam para o San Antonio Spurs também no finalzinho. Créditos para Jose Calderon, Amir Johnson e DeMar DeRozan (27 pontos, cestinha do time), que foram ótimos na noite de ontem. E curioso que uma das razões para a melhora do Raptors é sua defesa, que vive bom momento, mas ontem mesmo tomando uma porrada de pontos conseguiram se manter no jogo. Impressionante.

Não deu porque o Spurs é o time mais quente da NBA no momento. São 9 vitórias seguidas, 5 delas fora de casa. Manu Ginóbili está de volta, novamente é importante 6º homem e o time está bem entrosado e achou sua rotação. Todo mundo joga um pouco, no maior estilo Europeu também usado pelo Sixers, e todos marcam seus pontos. A exceção é, ironia, o europeu do time. Tony Parker tem mais tempo de quadra e total liberdade para arremessar mais que os outros. Ontem fez 34 pontos e deu 14 assistências. Quem está bem também é Tiago Splitter, que marcou 8 de seus 13 pontos no 4º período. Mesmo que não seja titular e que não receba tantos passes no ataque, dá pra perceber a importância do brazuca porque ele sempre está na quadra nos momentos críticos do jogo. Greg Popovich teve muita paciência na adaptação demorada de Splitter e tem dado resultado. De pouco em pouco e o Spurs já está em 2º no Oeste!



O Spurs encostou ainda mais no líder Oklahoma City Thunder, que ontem perdeu para o Houston Rockets. É possível um jogo bem apertado e decidido nas bolas finais ser ruim? É, esse foi, e nem compensou com emoção, os minutos finais foram vergonhosos mesmo. Nos últimos 2:30 de jogo, o Rockets precisava de 4 pontos para virar, e foi o que fez. Primeiro com uma cesta de Kyle Lowry, que pegou um estranho rebote ofensivo depois que um arremesso de meia distância de Samuel Dalembert (!!) deu airball. Bolas que não batem no aro ferram com qualquer pivô e Lowry deu sorte. Depois Kevin Martin, que se recuperou de seu primeiro jogo zerado em 6 anos com 32 na noite de ontem, conseguiu cavar uma falta estúpida do Kendrick Perkins para virar o jogo nos lances-livres. Até o que deu certo foi feio.

Mas e o Thunder, não atacou nesse tempo todo? Sim. E bastante. Primeiro Russell Westbrook tomou um belo toco de Dalembert, depois James Harden forçou um arremesso de 3 pontos, Kevin Durant, nesse período todo, tentou um arremesso de 3 pontos e mais 2 de meia distância e uma bandeja. Nada caiu. Na maioria das vezes o Thunder se dá bem em finais de jogos porque eles tem jogadas fáceis. Ao contrário de times como o Sixers ou o Wolves, que precisam construir jogadas, eles podem simplesmente apelar para a individualidade. E ontem isso nem parecia uma má ideia, afinal James Harden era marcado por Kevin Martin, que não é nenhum monstro defensivo e Kevin Durant, um dos jogadores ofensivos mais completos da NBA, estava encarando a marcação do novato-com-espinha-na-cara Chandler Parsons. O pivete jogou bem (14 pontos, 7 rebotes), mas em teoria deveria ter sido um massacre de Durant.

Após o jogo choveram críticas no Twitter de jornalistas gringos sobre o ataque do Thunder, inexistente na opinião deles, nos minutos finais de jogo. Concordo e discordo. Concordo que ontem em especial foi bem ruim, mas não que o problema sejam as isolações, mas sim as decisões que cada jogador tomou individualmente nesse caso. Está certo deixar Durant se virar contra um novato, mas aí o ala do Thunder precisa fazer sua parte e criar um arremesso decente, não forçar uma bola lá do quinto dos infernos. Ter uma ou outra jogada desenhada ou ensaiada não iria atrapalhar, é até obrigação, mas não vejo como um desastre também. Tem dado bem certo até agora, acho.

O Boston Celtics continua sua temporada de altos e baixos. Em alguns momentos ainda são a melhor defesa da NBA, aí de repente tomam uma renca de pontos de contra-ataque do Pistons e perdem para um dos piores times da NBA em casa. Vai entender. Ontem nem Paul Pierce (3/11 arremessos, 10 pontos) ou Ray Allen (1/5 arremessos, 10 pontos) conseguiram se achar no jogo, sobrou para Rajon Rondo fazer o máximo de pontos da sua carreira, 35, para pelo menos deixar o time na disputa. Mas algumas bolas de 3 de Ben Gordon no último período decidiram. E Greg Monroe foi até discreto com 22 pontos em 11/14 arremessos e 9 rebotes. Pelo Celtics estar sem o Garnett, machucado, achei que era dia pra ele meter uns 30.

Depois daquela semana de recordes desastrosos, o Orlando Magic aos poucos vai engrenando de novo. Difícil apostar se o time está bem mesmo ou só se despedindo com carinho de Dwight Howard, mas é fato que conseguiram ontem sua 3ª vitória seguida, esta sobre o forte Philadelphia 76ers. Em dias que o Magic roda bem a bola e acerta 15/25 bolas de 3 pontos fica difícil segurá-los para qualquer defesa. Ryan Anderson foi o cestinha com 27 pontos e espetacular aproveitamento de 7/10 em bolas de 3 pontos. Foi o jeito dele comemorar o fato de que estará disputando o torneio de 3 pontos no All-Star Weekend desse ano. Junto dele estarão o atual campeão James Jones além de Mario Chalmers, Anthony Morrow, Kevin Love e Joe Johnson.

Lembra que o Ricky Rubio disse que o Wolves deveria ser mais agressivo no início dos jogos? Não foram. Perderam o primeiro quarto e o primeiro tempo para o lixo do Charlotte Bobcats. Por sorte o Charlotte Bobcats é um lixo (já disse isso?) e deu pra virar. Nikola Pekovic jogou bem de novo, assim como sempre joga Kevin Love, mas a defesa do time caiu muito desde a saída de Darko Milicic e o time tem sentido o baque. Em compensação lembra que eu disse ontem que o Blazers tinha recorde de 1 vitória e 9 derrotas em jogos decididos por 5 pontos ou menos? E que aí questionei o Jamal Crawford? Ontem derrotaram o Warriors por 2 pontinhos e os últimos 5 pontos do time foram do Crawford. Em tempos de Jeremy Lin é bom ver pelo menos alguma coisa voltando a fazer sentido.

E por falar em Jeremy Lin, ontem ele resolveu mostrar que não é só de marcar pontos. A maior sensação da NBA deu 13 assistências na fácil vitória sobre o Sacramento Kings. Dessas 13, 4 foram em ponte-aérea, uma delas é uma das jogadas mais bonitas dos últimos tempos. Tanta gente odeia o Mike D'Antoni, mas ele cria umas coisas lindas no ataque. Amar'e Stoudemire recebe a bola, solta a bola para Jeremy Lin, como se fossem fazer um pick-and-roll, mas do outro lado da quadra Tyson Chandler está fazendo um bloqueio para a infiltração de Landry Fields, que recebe o passe. Simplesmente perfeito.



O Troféu Maria da Penha do dia é uma difícil decisão. Indiana Pacers ou Denver Nuggets? O Pacers perdeu do Cavs de apenas 11 pontos, mas isso porque se recuperaram no final, chegaram a apanhar de 20 de diferença no meio do 3º período e deram apenas 9 assistências o jogo todo! E foi contra o Cavs! Na temporada passada inteira em apenas 6 ocasiões um time falhou em dar pelo menos 10 assistências em uma partida, nesse ano é a 4ª vez que isso acontece, segunda do Indiana Pacers (Heat e Nets são os outros). Por outro lado o Nuggets precisou vencer o último período por 11 pontos para se dar ao luxo de dizer que perdeu só de 18 de diferença para o Dallas Mavericks. A ESPN brazuca sempre dá azar nos jogos que passa de quarta-feira. Teria sido até melhor ter transmitido o "Jogo-que-ninguém-assistiu-da-rodada", um clássico Bucks e Hornets, que foi decidido no final quando Ersan Ilyasova errou uma bandeja não muito difícil que poderia ter empatado o jogo. Vitória do Hornets com double-double do mexicano Gustavo Ayon, 12 pontos e 12 rebotes. 

Em New Jersey o Nets teve a chance de derrotar o Grizzlies, mas dos 26 pontos de Deron Williams, nenhum aconteceu no último período. Em compensação Marreese Speights mostrou a que veio e jogou alguma coisa. Quer dizer, jogou pra caralho: 20 pontos, 18 rebotes (6 ofensivos) e foi decisivo no 4º período. Jogada da partida: Tony Allen abraça e beija Deron Williams após acertar um tapa na cara dele.



Estamos terminando. Em Phoenix o Suns chegou a abrir mais de 10 pontos sobre o Atlanta Hawks, mas é o Suns, 10 pontos de vantagem pra eles é como se fossem só 3 para um time comum. O Hawks respondeu com um gazilhão de jogadas boas do Josh Smith, incluindo até aquelas bolas de 3 e arremessos longos de 2 que eu abomino. Bom para o meu fantasy que ele acertou e acabou o jogo com 30 pontos, 17 rebotes, 7 assistências e 4 roubos. E me oferecem cada merda em troca dele que vocês não acreditam. O Suns ainda reagiu no final e Channing Frye teve um arremesso sem marcação para empatar o jogo no final, mas errou por muito. Para fechar teve a vitória do Lob Angeles Clippers sobre o Washington Wizards. Não vou gastar caracteres descrevendo ponte-aérea, vocês podem ver tudo no Top 10 da Rodada.




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Fotos da Rodada

Kirk Hinrich nunca será respeitado com esses óculos

Eles não parecem se divertir com isso

É o co-fundador do YouTube assistindo o Warriors, mas pra gente é só alguém querendo parecer o Jeremy Lin

60% dos estupros são feitos por uma pessoa conhecida da vítima

Sou da Paz

Por que difícil segurar bola?

Um momento digno da beleza desses uniformes

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Resumo da Rodada
Lin e Wallace na noite dos não draftados, Blazers passa vergonha

Tudo se encaminhava para que a Linsanity se acalmasse um pouco. Jeremy Lin (27 pontos, 11 assistências) não estava jogando mal na na noite de ontem contra o Raptors, mas parecia, finalmente, um jogador comum. Isso quer dizer que errou muitos arremessos, tomou decisões erradas e como todo pirralho armador em começo de carreira, cometeu muitos turnovers (8) durante o jogo. Ao mesmo tempo ele não foi bem na defesa sobre Jose Calderón ou mesmo Leandrinho, como o próprio Lin admitiu após o jogo: "Fiz um trabalho horrível marcando os dois". Mas quando o momento é mágico, é mágico.

Faltando 1:30 para o fim do jogo, Iman Shumpert, excelente defensor, roubou a bola de Calderón e foi para a enterrada, cortando a vantagem do Raptors para 3 pontos. No ataque seguinte Jeremy Lin, mesmo com todos os erros, bateu pra dentro, sofreu a falta e fez a cesta. Jogo empatado. Aí Tyson Chandler, sim, o pivô gigante, fez uma defesa fora de série em cima do Leandrinho, acompanhando ele como se fosse jogador de perímetro, forçando o brazuca a um arremesso desastrado de 3 pontos que não caiu. Com a chance de finalmente passar na frente nos segundos finais, Shumpert arremessou de novo, mas errou. Sorte dele e do Knicks que Chandler pegou mais um rebote de ataque (o 3º dele, 11º do Knicks no jogo) e deu a bola para Jeremy Lin. Aí o resto é história.



Parabéns à TV canadense que escolheu muito bem a câmera para deixar o arremesso ainda mais foda. Acertar um chute da vitória desse tipo já é algo especial, fazer com todo mundo olhando no meio dessa loucura que está sendo o momento de Lin, eleito jogador da semana no Leste, é surreal. Não dá pra cansar de dizer que há pouco mais de uma semana só um punhado de pessoas conhecia Jeremy Lin e nenhuma, digo com certeza, NENHUMA, apostava que ele fosse fazer metade do que tem feito. E o quanto é legal ter escrito tudo isso sobre o Knicks sem nem sequer citar Carmelo Anthony, Amar'e Stoudemire ou Baron Davis? Desses só Stoudemire jogou ontem, foi meio mal no começo, mas engrenou depois e se aproveitou de alguns bons passes de Lin. Essa dupla dá caldo! Com Carmelo é que ainda teremos que esperar e ver.

Como vocês já devem ter enjoado de ouvir, Jeremy Lin não foi draftado. Ele tentou no ano passado, mas passou as 60 escolhas sem ser chamado ao palco. Ele não é o primeiro undrafted a brilhar na NBA, e ontem um deles, Ben Wallace, se tornou o jogador não-draftado com mais partidas jogadas na história da liga: 1.054, superando o recorde de Avery Johnson. Foi em um jogo justamente contra o ex-time de Johnson, o Spurs, e pra comemorar Big Ben foi muito bem. Entrou no lugar de Greg Monroe, que estava sendo anulado por Tim Duncan e contribuiu com excelente defesa em TD, 9 pontos, 5 rebotes, 2 assistências e, preparem-se, uma bola de 3 pontos! A sétima da sua carreira. Pior que nem foi tão no desespero assim, ainda faltavam 4 segundos de posse de bola, ele poderia ter infiltrado, passado a bola, sei lá o que se passou naquela cabeça.



Para segurar a reação fulminante do Pistons, Greg Popovich apelou. Começou a brincar de Hack-a-Ben, fazendo faltas intencionais em Ben Wallace para que ele cobrasse lances-livres. Big Ben se saiu até que bem, acertando 4/8, mas certamente deu uma esfriada no time. O Pistons chegou perto de vencer, mas no final o Spurs se salvou com boa defesa de perímetro sobre Rodney Stuckey e duas bandejas de Tony Parker. Sabem como é, né? Ele bate pra dentro, não sai do chão e não há ser humano no mundo que seja capaz de pará-lo. Irritantemente eficiente.

Você sabe que a crise está feia quando toma 124 pontos do Washington Wizards. Em casa. O Portland Trail Blazers chegou a ter 11 vitórias e só 1 derrota em casa em determinado momento da temporada, agora perdeu 3 seguidas em seus domínios e despenca na tabela do Oeste. Tomar tantos pontos do Wizards, incluindo 33 de Nick Young, é uma vergonha para um time que tem pelo menos 3 especialistas em defesa como Nicolas Batum (que foi bem no ataque com 33 pontos e essa enterrada), Gerald Wallace e Wesley Matthews. Mas espera aí que a coisa piora: Segundo Marcus Camby o time foi derrotado porque perdeu a cabeça depois que LaMarcus Aldridge saiu machucado no 1º quarto e não voltou mais. Funhé. Uma curiosidade numérica sobre o Blazers. Em saldo de pontos eles são o 5º melhor time da NBA! Estão tão mal na tabela porque estão com só 1 vitória e 9 derrotas em jogos decididos por 5 pontos ou menos. Cadê o Jamal Crawford decidindo os jogos?

Jogo feio ontem no Staples Center. O Lakers pareceu preguiçoso durante todo o tempo e o Hawks pareceu apenas ruim mesmo. Andrew Bynum (15 pontos) no primeiro tempo e Pau Gasol (20 pontos, 15 rebotes) no segundo ganharam o jogo para o time da casa, que teve Kobe Bryant com apenas 10 pontos, seu mínimo desde dezembro de 2010. Não precisaram dele e isso diz muito sobre a fase do Hawks.

A história do Lakers no jogo aconteceu antes da partida, quando o outrora conhecido como Ron Artest fez as pazes com o técnico Mike Brown. Nem sabia que eles estavam brigados? Explicamos. Após o jogo contra o Knicks, ex-Artest disse que o seu técnico era um "cara de estatísticas, que antes de ser técnico era analista de vídeo ou algo do tipo" e que ele não jogava nos minutos finais dos jogos só por causa desses benditos números, mas que quando ganhava a chance, como contra o Celtics, ele defendia bem e o time ganhava. "Ele estava preocupado com eu errar arremessos ou lances-livres no fim dos jogos, mas eu não poderia me importar menos com isso. Eu vou conseguir parar qualquer adversário no fim dos jogos. Vou vencer". Os números que preocupam Mike Brown são os seguintes: 16% (!) de aproveitamento em bolas de 3 na temporada (9/55) e 50% de lances-livres. Compreensível, não é? O técnico respondeu dizendo que ele não é um cara de estatísticas, "Se eu me baseasse em estatísticas ele não entraria em quadra". Touché.

Em Chicago o Bulls resolveu brincar de não defender o Sacramento Kings. Fugindo de qualquer sinal do estilo de jogo de seu técnico Tom Thiboudeau, o time da casa jogou e deixou jogar. Tyreke Evans (27), DeMarcus Cousins (28) e Marcus Thornton (23) passaram dos 20 pontos e deram canseira, mas nunca controlaram o jogo e perderam no finalzinho. Luol Deng impressionou comandando boa parte do ataque e terminando com 11 assistências, nada mal para quem era apenas um arremessador anos atrás. O outro líder de conferência também ganhou, o Thunder dominou o jogo inteiro e encerrou a sequência de back-to-back-to-back com a segunda derrota seguida do Utah Jazz.

Pela primeira vez desde 2006 o ala Kevin Martin saiu zerado de um jogo. Bem ele que tinha média de mais de 25 pontos contra o adversário de ontem, o Memphis Grizzlies. Saíram com uma derrota, claro. Como disse o pessoal da NBA.com hoje, o Heat não está apenas vencendo, está "despachando os adversários com uma precisão metódica típica de quem está em uma missão". Que poeta eles contrataram para escrever resuminho de jogo? Mas pior que é verdade. O Heat tem entrado nos jogos focado e querendo resolver tudo logo, ontem abriram 29 pontos de diferença no primeiro tempo e não deram chance. Isso porque o Pacers, em casa, deveria ser um desafio considerável.

O último jogo da noite é uma vitória do Denver Nuggets, milagre. Para sorte deles enfrentaram o pobre Phoenix Suns, que estava sem Steve Nash. É como enfrentar uma dupla de tênis que está sem um jogador, não tem como perder. Foi a primeira vitória do Nuggets em casa depois de uma sequência de 5 derrotas seguidas. Destaque para o garrafão: Como titular, o novato Kenneth Faried anotou 13 pontos e 9 rebotes, vindo do banco Chris Andersen fez 16 pontos e 7 rebotes.


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