quarta-feira, 13 de abril de 2011

Pesquisa Bola Presa - Parte 2 (Milagre!)

Quem será que venceu a votação de musa do Universo?



Pois é, muitos duvidaram, alguns acharam que era lenda, mas aqui está a segunda parte da análise da Pesquisa Bola Presa que fizemos antes da temporada começar. O filé mignon da pesquisa já foi publicado, nessa primeira parte, em que analisamos idade, sexo, gostos e preferências dos nossos leitores. O que ficou faltando foram duas coisas: As respostas às sugestões mandadas por vocês para melhorarmos o Bola Presa e a votação de mulher mais linda do mundo.

Começamos com a parte mais chata, respondendo às reclamações/sugestões mais frequentes enviadas pelos leitores que responderam à pesquisa. Depois vamos para a mulherada.


.....


Podcast


Denis: Muita gente pediu para a gente fazer um podcast ou até o vlog com nossa cara lá falando tudo o que escreve. Por um lado a idéia é divertida, discussões em áudio para ouvir no MP3 a caminho da escola ou em vídeo para ver durante o almoço soa como algo diferente e interessante. O porém é que somos bem chatos com a qualidade das coisas que fazemos, sempre penso dez vezes antes de postar alguma coisa ou de abordar algum assunto. Sempre me questiono se está bom o bastante, se vale a pena e essas coisas todas. E não temos conhecimento técnico de como fazer um podcast ou vlog, sem contar que nem somos bons falando como somos escrevendo. Eu não tenho desenvoltura em frente a câmera ou microfone e minha dicção não é das mais claras. Quando eu voltar para o Brasil já prometemos nos juntar para tentar, mas não prometemos publicar depois!


Nada

Denis: Agradecemos a todos que disseram "Nada", "Nada, está perfeito" ou "Nada, vocês vão ignorar a sugestão mesmo". Sabemos que sempre tem uma coisinha ou outra pra mudar mas ficamos felizes quando os outros acham que nosso trabalho é bom do jeito que está.

Danilo: A gente nunca vai achar que está perfeito, mas realmente fazemos o melhor que conseguimos dentro das circunstâncias, então temos que ficar satisfeitos com o resultado - e é legal que tantos leitores também fiquem!


Frequência de textos / Post todos os dias / Dois posts por dia / Quatro posts por dia 

Denis: Dois temas dominaram os pedidos, metade pediam mais textos por dia e a outra metade que os textos fossem menores. Alguns juntaram as duas coisas e pediram que ao invés de um texto grande por dia poderiam ser dois pequenos. Ao mesmo tempo teve gente dizendo coisas como "Apenas não cedam à pressão para diminuir o tamanho do texto" e até recebemos uma vez o depoimento de um adolescente que disse que começou a ler mais e textos maiores depois de se acostumar a ler nossos textos grandes.

Bom, a gente não faz texto grande pra fazer tipo. Simplesmente gostamos de analisar profundamente um assunto e para fazer isso precisamos de muito espaço, queremos abordar muitos lados de um mesmo tema e só dá pra fazer isso com muitos parágrafos. Sem contar as análises táticas e de números que não tem como serem pequenas. Então pela nossa proposta de tentar não ser óbvio e ser sempre profundo, os textos grandes se fazem necessários. Quem não tem saco para ler tudo de uma vez pode ler aos poucos, ou imprimir e ler no banheiro como alguns leitores já nos contaram que fazem! O negócio é que como sua namorada sempre fala (mesmo sendo mentira), pra gente o tamanho não importa, mas sim o conteúdo. E disso quase ninguém reclamou.

E quando queremos focar no conteúdo fica também difícil escrever muitas vezes por dia ou até todo dia. Temos nossa vida, obrigações de trabalho, estudo ou sociais e isso também atrapalha, claro, mas tem dias que eu tenho como postar e simplesmente não consigo porque perco muito tempo fazendo pesquisas. E nada supera a culpa de ter publicado algo de que a gente não gosta, é horrível, então preferimos passar mais dias sem post enquanto retocamos o texto com tudo o que queremos nele. Quatro posts por dia é meio impossível, mas prometemos continuar chatos com a cobrança de qualidade dos nossos próprios textos.


"Mais colaboradores, para que o Bola Presa possa ter opiniões mais diversas e mais informação'"

Danilo: Recebemos constantemente ofertas de gente que quer nos ajudar a escrever, que tem textos para mandar e que gostaria de participar ativamente do Bola Presa. Nós lemos os textos, opinamos, agradecemos a oferta, e sempre damos uma força pra quem quer transformar seus textos num blog próprio.

Mas não nos sentimos à vontade de aceitar colaboradores dentro do nosso blog. Depois de vários anos de irreverência, é fácil imaginar que o Bola Presa surgiu de repente, depois de um porre de suco de maçã, com um de nós dois gritando "vamos fazer um blog de basquete!". Mas não foi o caso, a criação do Bola Presa foi um projeto longo, amplamente debatido durante intermináveis tardes jogando basquete marotamente, discutindo que tipo de abordagem daríamos, o que tínhamos a acrescentar aos blogs do gênero, em qual nicho estaríamos nos metendo (e qual seria o maldito nome). No fundo, é algo só feito possível porque o Denis e eu nos conhecemos há muitos anos e bebemos da opinião um do outro constantemente. Nós sabemos como cada um vai reagir a assuntos relacionados à NBA, compartilhamos de uma mesma visão do que significa o esporte, de como deveriam ser as discussões sobre ele, e de como o jornalismo esportivo deveria ser abordado. É esse histórico que permitiu que nós dois topássemos a maluquice de escrever posts gigantescos mesmo quando todo mundo avisava que ninguém iria ler, que esse não é "o formato de jornalismo da internet". Por um lado, nossa recusa aos colaboradores tem em mente uma língua comum, um imaginário em comum, que rege nossos textos por aqui desde o princípio e que tentamos manter. Mas tem também o lado de que o Bola Presa virou filhinho querido, xodó da família, depois de tantos meses de gestação. Todo ano pedimos um texto para o nosso leitor e amigo Sbub, por exemplo, e admiramos um absurdo o que ele escreve, então não tem a ver com um padrão de qualidade. Tem a ver, sim, com um padrão de visão do esporte e do modo como ele deve ser abordado pelo blog, com o fato do Denis e eu nos conhecermos há muito tempo, e com a ideia de que isso foi criado como um projeto entre amigos - que no fundo já escreviam sobre basquete um para o outro o tempo todo mesmo.


"Deveria haver maior diferenciação entre os textos de vocês dois. Só aparece o nome no final do texto. De repente cada um podia adotar uma cor na fonte... Talvez o vermelho do Rockets ou o amarelo/roxo do Lakers..."

Danilo: Já pensou que lindo um blog com textos gigantescos em que as letrinhas fossem em vermelho ou em roxo? Poderíamos colocar também uns gifs brilhantes e um fundo rosa!

Mas você tem razão, deveria haver no início de cada post o nome e a foto do autor, para não gerar confusões ("mas você disse que não gostava do Derrick Rose", "não, esse foi o Danilo"). O que acontece é que no começo do blog estávamos interessados em que nossos textos fossem lidos como "o Bola Presa", e não como "do Danilo" ou "do Denis". Evitamos exposição pessoal, o nome ficava escondidinho lá no final do post, e apostamos que o blog ganharia uma espécie de personalidade própria. O resultado foi que muitos dos nossos leitores sequer sabiam que escrevíamos em dupla, e muitos outros mantinham a teoria de que éramos a mesma pessoa apenas com pseudônimos diferentes. Nos divertimos muito vendo essas teorias prosperarem no Orkut e portanto nunca fizemos questão de desmentí-las (até que aparecemos nós dois ao mesmo tempo na TV, nos encontros da adidas, nas quadras do Villa-Lobos, coisa que o Superman e o Clark Kent nunca conseguiram fazer, e as teorias pararam de aparecer).

Quando todo mundo já sabia que nós dois formávamos uma dupla, não apenas um sujeito esquizofrênico, levantamos a ideia de avisar quem era o autor no começo de cada texto, e vários leitores ficaram bravos! Nos disseram até que adivinhar quem é o autor de cada post através das primeiras linhas é uma de suas brincadeiras favoritas. Então não tiramos a alegria da criançada, e nem nos importamos tanto assim em estampar a cara em cada post. Pode ser que numa futura mudança de layout separemos melhor, mas por enquanto fica assim mesmo.

Maneirem um pouco nas respostas aos comentários

Denis: Uma vez eu chamei um cara (que entendeu tudo ao contrário do que eu tinha escrito) de "tonto", acharam que eu peguei pesado mas depois fizemos as pazes. É errado mesmo pegar pesado nas respostas, mas às vezes irrita muito quando você perde horas escrevendo um texto cheio de detalhes, informações, opiniões e os comentários são só do tipo "animal esse vídeo" ou com algo que é claramente uma opinião de quem leu o texto pela metade. Aí no calor da raiva pegamos pesado, mas estou me controlando faz um tempo, só leio os comentários quando estou calmo e em paz comigo mesmo.

A frequência que falam do Bulls (ou Lakers, Spurs, Suns, Kings, Sixers...)


Denis: Quase todos os 30 times receberam a sugestão de que deveríamos falar mais deles. Ou seja, ao falar de toda a NBA conseguimos deixar todos os torcedores insatisfeitos.


Abordagem de temas polêmicos como religião / Não abordem temas como política no meio de um texto sobre basquete

Danilo: O Bola Presa já tem quase 4 anos. Durante esse tempo, é inevitável que nós tenhamos mudado como pessoas - ganhamos interesses diferentes, opiniões diferentes, estudamos coisas diferentes. Não somos malucos trancados num quarto assistindo NBA todas as horas do dia, nós seguimos nossas vidas e hoje estamos em lugares muito diferentes do que estávamos quando o Bola Presa foi criado. Isso se reflete claramente nos temas que gostamos de abordar nos nossos posts. Passar 4 anos falando sempre das mesmas coisas seria impossível, é chato e massacrante, então sempre colocamos nossos interesses pessoais e assuntos preferidos dentro daquilo que fazemos. É inevitável, não somos robozinhos. Falar apenas de basquete pode ser enfadonho, mesmo que esse seja um blog essencialmente de basquete.

O que acontece é que nós sempre vimos o esporte como uma janela para o mundo. O que acontece no esporte, em que as pessoas convivem tentando se expressar dentro de regras estabelecidas, é um ótimo modo de analisar o que está em vigor na sociedade, no mundo ao seu redor. Basquete, para a gente, não é um troço alienado, que só acontece dentro de si mesmo, que só faz sentido dentro de si mesmo. Por isso abordamos questões como salário dos jogadores, mentalidade dos torcedores, obediência às regras, papel cultural da globalização da NBA, a postura dos fãs, questões de gênero, etc. Se para nós o basquete está inserido no mundo e portanto reflete o que acontece ao seu redor, e nossos interesses são muitos além do basquete, nada mais óbvio do que juntar uma coisa na outra. O foco é sempre basquete, mas sempre que ele permite abordar outras coisas, aproveitamos. E não acreditamos nessa bobagem de que algumas coisas não podem ser discutidas, é besteira, vamos sempre falar de política e de religião numa boa. Também não acreditamos em imparcialidade, vamos sempre ouvir os lados de uma questão, gostamos de análises mais profundas, mas não vou esconder minha posição política ou religiosa (e nem o time para o qual eu torço, uma das nossas primeiras decisões quanto ao blog) só porque alguém pode ficar ofendido. Sério, muita gente se ofende com nossos posts, do tamanho deles às opiniões colocadas. Não é um problema para a gente, não fazemos o blog pra agradar, senão eu teria me tornado dentista pra deixar minha mãe feliz ao invés de ficar atrás do computador todo nerd. Gostamos de imaginar que o que escrevemos pode tocar algumas pessoas, mas algumas quaisquer, aquilo que chamamos de "senhora gorda", alguém lá fora sem rosto e que precisa do que oferecemos. De jeito nenhum queremos agradar todo mundo. E o formspring foi uma oportunidade legal para isso, temos um carinho enorme por ele. Porque lá nos perguntam sobre tudo, incluindo política e religião, música e videogame, e se perguntaram eu não tenho motivo nenhum para não responder. É só uma opinião, e eu espero que algumas pessoas pensem sobre ela, nada mais.

Aumento do número de participantes na Liga de Fantasy


Denis: As duas Ligas de Fantasy do Bola Presa (Um, que eu venci esse ano e Dois) funcionam já perfeitamente sem que eu precise interferir. Todo mundo sabe as regras, cada um ajuda um pouco com as atualizações e assim funciona quase que perfeitamente. Pensando assim daria pra imaginar que é só pegar as regras e abrir 10 ligas, certo?

Mas as duas ligas demoraram um pouco para chegar nesse ponto e durante os primeiros meses ou até todo o primeiro ano eu gosto de ter tudo sobre o meu controle. Gosto desse formato de liga, sempre sonhei em ter uma assim e aproveitei a visibilidade do blog para criá-la, e por ser um xodó eu não quero criar a rodo só para abrigar todo mundo. Aos poucos, com o tempo necessário, vamos abrir novas ligas, com mais participantes e assim esses novos campeonatos vão poder ser divertidos e competitivos como são as duas ligas que existem hoje.

Quem quiser entrar na lista de espera do fantasy é só mandar um email para bolapresa@gmail.com pedindo para ser incluído. Quando abrir uma nova vaga ou uma nova liga, é essa lista que vou consultar.


"Queria que vocês falassem mais de basquete brasileiro"


Denis: Teve uma mensagem ainda mais desesperada que essa, vejam: "Queria que vocês falasem mais do Brasil. O basquete do Brasil morre a cada dia porque todo mundo só quer saber de NBA. Eu me incluo nessa categoria também e hoje eu vejo que estou errado e estou tentando mudar. Vocês devem pensar: ``esse mlk é loko!! esqueceu que o blog é de nba!!´´ Eu sei que a ideia é meio louca mas todos nos como amantes do jogo não podemos deixar ele morrer no Brasil."

Bom, eu amo basquete, assisto basquete nacional, jogo basquete eventualmente e tudo começou assistindo só a NBA. Aliás, conheço muitas histórias assim, gente que pega gosto pelo esporte vendo a liga em que o esporte é mais bonito, a NBA, e depois de pegar gosto pela coisa começa a ver basquete Europeu, brasileiro e por aí vai. Então não concordo que o basquete no Brasil vá morrer porque não tem blogs falando do basquete nacional. Falar da NBA também ajuda a aumentar o número de fãs desse esporte no Brasil.

E não podemos também tentar ser heróis e abraçar o mundo. A gente fala de NBA porque acompanhamos faz tempo e temos conhecimento do assunto, o basquete brasileiro eu acompanho como um torcedor qualquer, não teria muito a acrescentar a ponto de fazer uma diferença. Temos nossas limitações e admitimos que essa é uma delas. E também tem outra coisa, por mais bizarro que soe, é bem mais fácil saber o que acontece na puta que o pariu de Milwaukee do que no clube que fica aí na sua cidade. Na NBA você pode assistir a todos os jogos, tem várias fontes de informação para pesquisar, livros sobre o assunto para ler e todos os números que você quiser para pesquisar. Se eu fosse começar algo no mundo do basquete nacional não seria dando palpite em um blog, mas criando algo que pudesse munir os futuros blogueiros com notícias, números e dados em geral.


Layout


Danilo: Nós resistimos muito a sair do template original que era simplesmente um fundo branco com uma foto de uma bola presa (entre Duncan e Ben Wallace, se não me engano) no canto. Mas, principalmente no começo em que ninguém nos conhecia, a impressão que dava era de amadorismo, parecia que a gente estava fazendo o blog num guardanapo de papel. Então nosso webdesigner oficial, amigo de longa data, correu para o resgate. Tem gente que adora nosso layout, tem gente que odeia, é normal com qualquer site principalmente na hora da mudança, em que ninguém está acostumado ainda. Nós estamos satisfeitos com ele, mas no fundo dos nossos corações sempre dá aquela saudade do fundo guardanapo em que começamos. Talvez agora que não precisamos mais ficar provando que assistimos aos jogos mesmo sem participar de algum fórum babaca na internet, possamos voltar para um look mais minimalista. Aceitamos sugestões.

Textos lidos por mulheres gostosas / Alinne Moraes lendo notícias com um belo decote


Danilo: A Alinne Moraes até mandou abraço pra gente depois de ser atazanada no Twitter pelos nossos leitores, mas nada de falar pessoalmente com a gente, de ler nossos textos, e nem de fazer topless na nossa festa de aniversário, um absurdo. Continuaremos tentando, no entanto. Com certeza uma mulher gostosa lendo nossos posts atrairia todos aqueles que desistem do Bola Presa porque não têm paciência de ler, mas é um truque barato. E, sério, eu tenho muitos amigos que gostam de NBA (ou que passaram a gostar depois de me ver falando tanto a respeito) que simplesmente não leem o Bola Presa. A gente não fica ofendido, realmente sabemos que nossa abordagem não é pra todo mundo, requer dedicação e paciência e é normal que muita gente não possa dar isso ao blog. Tem gente que gosta dos nossos textos mas só lê de vez em quando, não tem tempo pra devorar tudo. Sempre soubemos que era algo com que teríamos que lidar, um preço a se pagar, e acho que é um preço justo. Quem gosta do nosso jeitinho nem sente falta da mulherada lendo os posts pra eles, né? Mas sempre soubemos que nossa abordagem era restritiva, tanto no tamanho dos textos quanto no uso do humor. Só não nos importamos muito com isso. Sempre estivemos dispostos a perder 10 leitores chatos para ganhar um legal, que goste bastante do nosso trabalho. E os números nos surpreendem a cada dia, tem sempre gente nova gostando e ficando por aqui.




Erros de português


Denis: A gente sempre revisa tudo antes de postar, mas eventuais erros sempre vão acontecer. Às vezes porque estamos cansados de ter escrito o post e o erro passa batido, às vezes porque simplesmente não dominamos a língua por completo, acontece. Mas acho que os erros não são tão frequentes assim, são?

Danilo: Engraçado é que pegamos mais erros quando um lê o post do outro, porque depois de escrever o seu próprio post a revisão é complicada, você acaba lendo como acha que escreveu, e não como escreveu de fato, é normal depois de 3 horas na frente das suas próprias palavras. Mas não é sempre que podemos ler os posts um do outro na hora em que eles saem, então sabemos que os erros vão aparecer. Só de não escrever em miguxês, sentimos estar no lucro.


Gostaria de ter notícias resumidas


Danilo: Uma das primeiras coisas que decidimos sobre o Bola Presa foi que a gente não teria que fazer trabalho chato de estagiário, tipo ficar copiando e colando notícia de outras lugares ou ficar traduzindo notinhas gringas. Sabemos que elas são importantes, que nem todo mundo sabe inglês, e que é gostoso quando você pode ler colunas e notícias tudo no mesmo lugar, como é o caso da nossa amada Dime. Mas escolhemos nos focar apenas em escrever textos opinativos e gigantescos, que nos tomam um tempo absurdo, ao invés de usar esse tempo com notícias que podem ser encontradas em qualquer outro lugar. Num mundo ideal o Bola Presa seria um emprego integral e aí no blog seria possível encontrar de tudo, notícias, estatísticas, colunas, infográficos, e é capaz que isso vire realidade num futuro próximo, mas por enquanto não temos tempo sequer pra lidar apenas com os textos opinativos, a vida fora do blog sempre dá um jeito de tomar nosso tempo e nos deixar birutas (e eu sempre acabo deixando o Denis na mão, desculpa!)




Cumprir as promessas que vocês fazem


Denis: O que posso responder? Estamos aqui cumprindo o trato de postar a segunda parte da pesquisa. Demoramos mas uma hora a gente faz!




Voltar ao estilo mais antigo, que era um pouco mais irreverente


Danilo: Isso tem a ver com minha resposta anterior sobre tratarmos de política e religião, por exemplo. Em 4 anos nós mudamos bastante, ganhamos novos interesses e até nossa visão sobre NBA mudou. Nos divertimos cada vez mais com análises lotadas de números ou abordagens filósoficas. Gostávamos do blog mais irreverente, e às vezes há um esforço real em tentar voltar àquilo, mas parece meio artificial. Não somos mais exatamente aquelas pessoas. A irreverência vem, claro, apenas não tem mais aquele foco que tinha antes. E é engraçado notar que quando fazemos posts interamente irreverentes (como os nossos infográficos, por exemplo), muita gente fica indignada. Talvez seja culpa nossa o fato das pessoas esquecerem que o blog tem uma visão bem-humorada das coisas, às vezes fazemos muitos posts sérios e os novos leitores nem sabem qual é nossa postura aqui, mas simplesmente não dá pra evitar, não há muito de escolha nisso. O blog nunca foi sobre humor, apenas não conseguimos deixar o humor fora das coisas. Às vezes ele aparece mais, às vezes menos. Às vezes estamos de TPM, tem isso também.




"o q eh o q eh? clara e salgada"


Denis: ... cabe em um olho e pesa uma tonelada (BROWN, Mano in "Jesus Chorou"). Sabe que uma vez eu li no Orkut uma discussão sobre essa música, "Jesus Chorou", e fiquei impressionado de como as pessoas não sabem interpretar textos. Eram dezenas de pessoas que se dizem fanáticas pelos Racionais e que não conseguiam entender que o começo dessa música (veja a letra aqui) falava simplesmente sobre uma lágrima. É clara, salgada, cabe em um olho e pesa uma tonelada. Os palpites dos outros falavam de coisas absurdas como cocaína! Deve ser frustrante para o Mano Brown ler isso, assim como é pra gente quando entendem tudo errado o que a gente diz e aí aparecem aqui nos chamando de "defensores do Kobe" ou "hater do Derrick Rose".




Resumo diário da rodada


Denis: Já passamos horas e horas discutindo se deveríamos ou não fazer isso. O problema é que não dá pra acompanhar a rodada inteira a ponto de comentar o que de interessante aconteceu em cada jogo, logo deveríamos, em algum momento, simplesmente reproduzir em português o que os sites gringos dizem por aí. Isso também cria uma obrigação, se fazemos em um dia temos que fazer em todos e nem sempre temos o tempo para isso. Um resumo diário também exige que seja algo postado pela manhã, algumas horas depois da rodada, o que deixa o trabalho ainda mais difícil. No fim das contas decidimos que se tentássemos a gente iria ou começar algo bom e perder o ritmo pelas dificuldades citadas ou empurrar com a barriga algo meia-boca e feito às pressas.

Danilo: Vale lembrar que no tempo em que escrevemos para o blog da MTV, o Denis manteve com certa regularidade um resumo da rodada. Mas tomava um tempo absurdo e aí quem ficava defasado era o Bola Presa. Se os resumos fossem feitos no Bola Presa, a defasagem continuaria com relação a outros assuntos. Ou as dificuldades derrubariam a ideia ou sairia mal feito mesmo, um dia pagamos um estagiário anão pra fazer pela gente.




Usaria trocadilhos


Danilo: Não! Nunca! Não podemos nos sujeitar a isso! Faremos posts curtos, notícias curtas traduzidas, botaremos mulheres peladas dançando funk, faremos jabá do CarSystem, criaremos um podcast apenas com mímica, mas trocadilho nunca, ele é o primo pobre do humor!


"(...) a dinâmica informação/opinião/humor dos posts é meu alimento diário de todas as manhãs. E agradeço imensamente pelas horas e horas passadas na frente do computador rindo, concordando e xingando vocês.
Valeu gurizada!"

Denis: Esse é o espírito da coisa! Queremos informar sem parecer jornal, opinar sem parecer especialista que sabe mais que todo mundo e ter bom humor sem parecer que os posts são feitos só pra dar risada. Ficamos felizes que muitos de vocês entendem essa proposta e já sabem o que esperar da gente. E essa mensagem também me fez pensar em quantas horas da vida de vocês não foram gastas lendo o que a gente escreve! É algo que até assusta se pensamos demais, então obrigado por gastarem todas essas horas com a gente, seja concordando, aprendendo, discordando, xingando ou rindo. Como isso está ficando meloso demais é hora de analisar a última e mais importante pergunta da pesquisa: Quem é a mulher mais linda do mundo?

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O momento mais aguardado da nossa pesquisa era a eleição da musa. Talvez alguns achem que o formato da pergunta, que só dava duas opções ("Alinne Moraes" e "Outra"), tenha influenciado o resultado, mas nós, devotos de Santa Alinne, não acreditamos nisso e celebramos aqui a vitória da nossa amada. A vitória foi esmagadora, não deu pra ninguém, o beiço mais carnudo e delicioso da Terra acabou com a concorrência e é a campeã. Abaixo a lista com as outras que receberam votos e alguns comentários.



Alinne Moraes -183


Anônimas - 53

Muita gente respondeu coisas como "minha mulher", "minha namorada", "A irmã do Andray da Liga de Fantasy", "a mina que eu vi no metrô", "a mãe do Bob", "a mina que eu como na facul" e tantas outras intermináveis variações. Coloquei todas essas no grupo de Anônimas, que simplesmente é um apanhado de garotas que nunca vamos ver a cara para saber se são ou não bonitas. Fica aqui então pelo registro dos nossos leitores apaixonados por uma pornografia caseira.

Megan Fox - 29

Nada contra, eu comia amarradão, mas 29 votos? A primeira entre as mortais? Acho que vocês se impressionaram muito fácil com o Transformers.

Scarlett Johansson - 22

Destaque para o cara que escreveu o seu voto assim: "Scarlett Johansson (tesuda)". Ele disse tudo. Ela é, sinceramente, a única mulher que aceito que pode ser, na opinião de uma mente pouco avançada, mais bonita que a Alinne Moraes. Não concordo mas aceito como resposta válida. Ao ser informada que ficou atrás de Megan Fox, essa foi a reação de Scarlett:

-What?

Jessica Alba - 10

Eu adoro a Jessica Alba, mas não esperava tantos votos! Confesso que ela não é melhor que muita gente que ficou pra trás (Eva Mendes, Zooey Deschanel, Adriana Lima...), mas fico feliz que a skinny little Nancy é tão amada por nossos leitores.

Juju do Pânico e Shakira - 9

Sério? Eu só considero votos para a Shakira se estivessem escrito assim: "Shakira dançando", só.

Angelina Jolie e Eva Mendes - 8

Já passou o tempo da Jolie, mas dá um caldo. Já a Eva Mendes, uau, dou minha alma pra dar uma bitoca naquela pinta na cara dela.

Larissa Riquelme - 6

Isso que dá ter feito a pesquisa só alguns meses depois da Copa do Mundo. Não à toa a Sara Carbonero também recebeu uns votos.

Beyonce, Elisha Cuthbert, Kate Beckinsale, Penelope Cruz e Zooey Deschanel - 5

Beyoncé ganha o mesmo asterisco da Shakira. Elisha Cuthbert (a menor cintura desde Ellen Roche) e Zooey Deschannel são as duas queridinhas do Danilo, parece que esse grupo foi feito para ele. Mas quem merece destaque aqui é Kate Beckinsale, que eu só fui conhecer depois de ver os votos nessa lista e me apaixonei perdidamente. A guria é um espetáculo!

Catharina Zeta-Jones, Fernanda Paes Leme, Giovana Ewbank e Katy Perry - 4

Já passei vergonha quando recebi um e-mail de um leitor cujo o sobrenome era Paes Leme e fiz uma piadinha com a Fernanda. Acabou que era o irmão dela do outro lado, me sinto mal até hoje. Mas é fato, ela é bem firmeza (Danilo intervém: a participação dela, linda, numa campanha de vacinação, o convenceu a enfrentar a agulha). Zeta-Jones teve seu auge nos gloriosos anos 90, mas ficar de fora da lista seria demais. E estão brincando que a Beyoncé e a Penélope Cruz estão na frente da Katy Perry, né? Curioso é que a Katy Perry quase empatou com a Zooey Deschanel, mas se você lembrar que elas são gêmeas, quase a mesma pessoa, dá pra somar 9 pontos para Katy Deschanel.

Adriana Lima, Fernanda Vasconcellos, Jennifer Anniston, Jessica Biel, Luana Piovani, Maria Rita, Maria Sharapova, Paola Oliveira e Yvone Strahovski - 3

Essa parte da lista é perturbadora. Quem em sã consciência coloca a Adriana Lima nesse grupo? Um prêmio aos 3 leitores que votaram na Sra. Jaric e o IP dos leitores que escolheram a Luana Piovani estão devidamente bloqueados para nunca mais acessarem o Bola Presa. Mas de todo esse grupo uma coisa me perturbou mais do que qualquer outra em toda a lista: Maria Rita. Eu gosto dela, acho ela gatinha e tudo, mas como o nome dela sequer passa na sua cabeça quando você está pensando na mulher mais linda do mundo? Só aceito os votos se forem de três cegos que votam com o ouvido.

Ana Hickman, Ana Luiza Castro, Ellen Roche, Fernada Lima, Giselle Itié, Gorete, Grazi Massafera, Halle Berry, Hebe Camargo, Jennifer Connelly, Jennifer Lopez, Julia Paes, Karina Bacchi, Mariana Ximenes, Natalie Portman, Nicole Scherzinger, Salma Hayek e Thaila Ayala - 2

Ah, Ana Luiza Castro, nunca vi alguém abrir tanto a boca para falar, uma tetéia. Mas só consigo pensar ao ver essa lista que tem mais gente achando a Maria Rita a mais bonita do mundo do que gente achando a Mariana Ximenes, a Grazi Massafera, a Fernanda Lima e a Ana Hickman. Em que mundo vivemos? Destaque para a Natalie Portman, que certamente teria mais votos se fosse uma pesquisa pós-Cisne Negro e a Hebe Camargo, mostrando que muito leitor do Bola Presa gosta de uma coroa. (Eu não cogito a hipótese de alguém não ter votado seriamente).

Abbey Clancy, Alessandra Ambrósio, Aletta Ocean, Alexis Texas, Alicia Keys, Alicia Silverstone, Amanda Diva, Amanda Françoso, Babi Rossi, Bar Refaeli, Bárbara (?!), Betânia Formentini, Bianca Jordão, Bruna Ferraz, Carmen Electra, Carol Castro, Carolina Dieckmann, Caroline Wozniacki, Cate Blanchett, Elizabeth Hurley, Emmanuelle Beart, Erin Cummings, Eu, Eva Angelina, Eva Longoria, Fergie, Fernanda Machado, Fernanda Montenegro, Fiorela Mattheis, Flavia Alessandra, Francine Piaia, Gabriela Cilmi, Geisy Arruda, Gianna Michaels, Gio Albertini, Gretchen, Henriqueta Brieba, Ingrid (?), Jeese Jane, Jodie Foster, Jordana, Julia Roberts, Juliana Alves, Juliana Knust, Juliana Paes, Karina Ferrari, Kirsten Dunst, Kistin Kreuk, Liliana Castro, Liu Yifei, Luana Kisner, Luciana Vendramini, Luiza Brunet, Luiza Gottshalk, Luize Altenhofen, Maggie Cheung, Makki, Marcelinho Carioca, Maria Bethânia, Marina Lorena, Marina Mantega, Meagan Good, Miley Cyrus, Milla Jovovich, Molly Quinn, Monica Bellucci, Monica Mattos, Mulher Melão, Nicole Bahls, Norah Jones, Paula Tejando, Priscila Fantin, Rachel Weisz, Regiane Alves, Renta Fan, Roselyn Sanchez, Sabrina Sato, Sara Carbonero, Shirley Manson, Silvia Saint, Sooraya Hadad, Sophia Bush, Susa Boyle, Thais Araújo, Thalma Freitas, Uma Thurman, Vivi Fernandez, Viviane Araújo e Wanessa Martins - 1

Aqui tem de tudo. Atrizes pornôs, Geisy Arruda, mulheres sem sobrenome (Bárbara, Ingrid), "Eu" (voto de uma das três leitoras femininas que responderam a pesquisa e tem boa auto estima), Fernanda Montenegro,  Marcelinho Carioca e uma mulher que eu só saquei quem era quando li o seu nome em voz alta: Paula Tejando. Pelo o que eu pesquisei atualmente ela é ex-namorada do grande Thomaz Turbando.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Filtro Bola Presa - A despedida

Kobe viu uma barata


Amigos internautas, como vocês sabem o Filtro Bola Presa é um resumo de tudo o que de pouco importante acontece na NBA. Destacamos algumas jogadas de efeito em jogos que muita gente não viu, estatísticas que não mudam em nada a sua vida, links interessantes e notícias curiosas que movimentam o submundo da NBA. Durante a temporada regular é uma boa maneira de ficar por dentro das coisas, mas nos playoffs eu acho que é algo desnecessário. No mata-mata o negócio é falar dos jogos que, finalmente, valem alguma coisa! Por isso esse é o último Filtro da temporada. Ele volta (se a greve não for muito longa) em Novembro.

.....
- Mas não fiquem tristes, certamente não vão perder nada de interessante. Coisas boas que acontecem nos Playoffs você sempre fica sabendo. Ou você acha que se alguém der uma de JaValle McGee pra cima do Heat não vai ser notícia em todos os lugares do mundo?



E pior que o McGee não fez só isso, também deu um toco humilhante no Wes Matthews e até o Blake Griffin ele pegou. O dia que esse cara aprender a jogar basquete, ele vai ser incrível!

- Para deixar o Kevin Garnett orgulhoso: segundo uma rádio de Phoenix, o árbitro Ken Mauer gastou todo o seu trash talk no jogo entre Suns e Thunder duas semanas atrás. Quando o novato Zabian Dowdell estava reclamando demais de alguma coisa o juiz virou pro jogador e disse "pare de ser uma putinha" ou, em bom ingrêis, "stop being a little bitch". Dowdell perguntou se o juiz teria coragem de dizer o mesmo pra ele fora da quadra e assim tomou uma bela expulsão no meio da fuça. Juiz pode ofender, Arnaldo? Eu acho que não, isso seria admitir que eles são pessoas e que se irritam, o que obviamente não é verdade.

- Alguém em algum lugar (precisão, você vê por aqui!) me passou um Print Screen muito engraçado que apareceu no UOL durante essa temporada. Mas por algum motivo eu sempre esquecia de postar. Hoje, como é o último Filtro do ano, não poderia deixar passar. Vejam a pérola:



Para quem não consegue ler (é só abrir a foto em outra aba, porém), a legenda diz "Eric Gordon, do Los Angeles Kares, se choca com Blake Griggin, dos Clippers, em jogo válido pela temporada regular da NBA". O que mais dava pra errar nessa legenda?!?! Dizer que aconteceu no meio de um espetáculo de ballet?

- A SportsIllustrated não é uma revista tão boa quanto sua fama pode fazer parecer, mas de vez em quando eles fazem umas coisas bem legais. A melhor dos últimos tempos foi esse perfil do Doug Collins, excelente técnico do Sixers e melhor comentarista de TV que eu já vi na vida. Entre histórias e anedotas contadas, a mais espetacular é aquela em que Collins lembra, de cabeça, jogada a jogada, o que aconteceu nos últimos minutos de uma partida qualquer que havia acontecido 4 meses atrás! O cara é um gênio, uma enciclopédia do basquete ambulante.

- Ótimo texto do TrueHoop abordando a discussão sobre se a NBA deve ou não ter um Hard Cap (um teto salarial que não pode ser ultrapassado de maneira alguma). O texto diz que o tema é encarado como tabu por muita gente (entre dirigentes e jogadores) mas que não deveria, já que, no fundo, não seria muito diferente do que é hoje. É uma ótima leitura sobre as regras atuais e bem interessante para quem gosta dessa parte econômica da NBA. Para os interessados em entender como funciona o sistema salarial da NBA eu fiz dois textos sobre o tema: Entendendo o Salary Cap Parte 1 e ESC Parte 2.

- Nós sabemos que a adidas é nossa parceira e marca mais sensacional da Terra, e que aquela outra empresa que usa o nome da deusa grega da vitória é do mal. Mas os malvados mandaram muito bem ao contratarem a artista plástica Sara Blake para decorar a sua loja em Nova York, veja como a mina desenha demais!

- Uma música que associa mulheres com jogadores da NBA? Tudo em nome da rima!




- Seguindo o exemplo de Ron Artest, outro ícone da NBA contemporânea, Darko Milicic, resolveu fazer um leilão de seu anel de campeão. Na temporada 2003/04 o Darko era o "charuto da vitória humano" do campeão Pistons, só entrava quando o jogo estava ganho para mostrar para o adversário que a partida estava liquidada. Ele sempre se mostrou pouco emocionado com aquele título e agora decidiu que vai se livrar do anel, usando o dinheiro para pagar operações em crianças que tem a Doença de Batten, um transtorno mental raro que ataca crianças e tem um tratamento caro. Além do anel vai também para leilão o cinturão de campeão (tipo de boxe mesmo) que o Rasheed Wallace usava na época de Pistons e que deu de presente para Darko, esse o sérvio admitiu que foi mais difícil de abrir mão, mas que, no espírito de Pelé, o faz pelas criancinhas.

- Darko, além de boa pessoa (ou, uma das minhas expressões favoritas, "pessoa humana"), inspirou o nome de um dos blogs mais criativos sobre NBA na gringolândia, o FreeDarko. Este, infelizmente, anunciou hoje que encerra suas atividades. Se hoje existem blogs diferentes da linha tradicional de cobertura do basquete, o FreeDarko é parte importante dessa conquista. Para a história eles deixam um arquivo cheio de ótimos posts, dois livros espetaculares (um almanaque da NBA e outro sobre a história da liga) e uma loja onde você pode comprar pôsteres com as imagens mais fodas já feitas sobre basquete.


- Vocês viram essa coisa doida que o Marc Gasol fez?



Legal foi o narrador dizendo "Quem ele pensa que é, o Okafor?". Tudo por causa dessa outra maluquice ainda mais impressionante! Assistência sensacional do Chris Paul, diga-se de passagem:




- Uma coletânea com as cinco melhores metáforas criadas pelo Kevin Garnett. Só clicando para entender pérolas como "Doc Rivers é como um bolo de aniversário", "Se eu fosse uma Caesar Salad", "Isso é como um esquilo verde".

- Vocês sabiam que o Jay-Z já montou o melhor elenco de time de rua do mundo? E que esse elenco nunca jogou inteiro junto? A história é maluquinha. Em 2003 o rapper montou um super time com os nova-iorquinos Lamar Odom, Sebastian Telfair, Eddy Curry e Jamal Crawford, além de eventualmente um pirralho LeBron James. A equipe havia sido montada para derrotar um time montado por outro rapper, Fat Joe, que dominava a famosa quadra de Rucker Park em Nova York. A arma secreta  de Jay-Z para essa surreal partida que parece ter saído de um filme da Sessão da Tarde era, acreditem, Shaquille O'Neal, que era uma arma secreta e apareceria de surpresa no meio do jogo.

A partida estava marcada e o clima estava montado quando, numa obra do destino, um apagão tomou conta de Nova York. O jogo, no meio da rua, de noite, foi adiado. Jay-Z, com turnê marcada pela Europa, não conseguiu achar uma nova data e a partida nunca aconteceu. Para mais detalhes dessa história maluca, a primeira aventura do Jay-Z, dono minoritário do Nets, como organizador de um time de basquete pode ser lida nesse post do TrueHoop.

Foto da Semana

Blair falha na hora de tentar morder o aro


Frase da Semana
"LeBron é o melhor em pegar os jogadores por trás" - Hubie Brown fazendo nossa imaginação fértil ir bem longe


- Se tivesse um prêmio de melhor multa do ano, iria para o Paul Pierce: 15.000 dinheiros por atirar um chiclete na torcida do Pacers!



Não sei o que o Pierce tem contra o Pacers, mas há algumas semanas ele já havia roubado a água de um torcedor de Indiana! Será que ainda é raiva dessa época?

- A pergunta que anuncia o episódio do programa "Frontline", da TV Americana PBS, é a mesma que muita gente se faze a cada March Madness: "Se todo mundo está ganhando dinheiro com o negócio bilionário que é o basquete universitário, por que os atletas não podem?". Para ver é só clicar aqui.


8 ou 80 - O cantinho das estatísticas desnecessárias
As estatísticas são colhidas em todo canto da Internet. Algumas em blogs, outras em sites, algumas na marra por conta própria. Mas a grande parte é coletada nas divulgações do Elias Sports Bureau e Basketball-Reference.com

- Essa é para quem gosta da briguinha de MVP: Sabia que o nanico do Derrick Rose tem um rebote ofensivo a mais (80 a 79) e o mesmo número de tocos (50) que o LeBron James? Esse último número, porém, é o maior da carreira do Rose e o menor da carreira do King James.

- Blake Griffin, com 62 double-doubles, é o terceiro colocado na categoria nessa temporada (atrás de Kevin Love e Dwight Howard) e é apenas o segundo jogador desde 1976 a ter mais de 60 double-doubles em seu ano de estréia. O outro foi Shaq, que teve 68 na temporada 92-93.

- Na semana passada o Wizards bateu o Pistons para assegurar uma sequência de 3 vitórias. Foi a primeira vez desde abril de 2008 que o time de Washington venceu 3 partidas seguidas! Esse período de 244 jogos sem as 3 vitórias é a seca mais longa da história da NBA.

- O Big 3 de Miami tem a média somada de 71 pontos por jogo, é a maior média desde o Warriors do Run TMC (Tim Hardaway, Mitch Richmond e Chris Mullin) de 1995 que tinha 72,5. Dos outros grandes trios da história da liga só um tinha mais pontos que o atual do Heat:

Jordan, Pippen e Grant: 65.3
Kobe, Shaq, Rice: 68.1
Bird, McHale, Parish: 71.7
Magic, Kareem, Worthy: 62.2

- Com uma vitória de 99 a 89 sobre o Bobcats, o Cavs conseguiu sua segunda vitória por pelo menos 10 pontos de vantagem na temporada. Caso não tivesse conseguido seria apenas o segundo time na história da NBA (Raptors, 1998) a não conseguir mais de uma vitória por dígitos duplos em uma temporada completa. Curiosamente a outra vitória larga foi contra o Heat de LeBron James.

- Em quem os números votam para melhor defensor do ano? NBA.com responde.

- Carmelo Anthony fez a cesta da vitória sobre o Pacers a 4 segundos do fim e mantém sua reputação de acertar bolas decisivas. Nessa temporada ele já tem 5 arremessos que empataram ou venceram um jogo nos últimos 10 segundos de partida, maior marca da liga. Atrás dele vem Deron Williams, Monta Ellis e Rudy Gay com 4.

- Ty Lawson acertou 10 arremessos de 3 seguidos contra o Wolves, um recorde da história da NBA. Antes a marca era dividida entre Latrell Sprewell e Ben Gordon, com 9.

- Nessa temporada 17 reservas diferentes já marcaram pelo menos 30 pontos em um jogo. Nos últimos 20 anos só em 2006-07 houve um número maior de substitutos marcando tantos pontos, 18. Ainda há três dias para algum Brian Cardinal da vida empatar essa marca.

sábado, 9 de abril de 2011

Um post soft

Quem chama o Gasol de soft ganha esse olhar


Menina adolescente morre de raiva de quem tenta rotulá-la. O rótulo colocado nas pessoas já rendeu tantos perfis de Orkut e status de MSN que daqui a pouco já ultrapassa a falsidade como grande problema da juventude feminina contemporânea. Pois a NBA, esse mundo maduro e com discussões ricas e essenciais para a vida humana, também sofre com esse terrível mal do mundo atual. Jogadores ganham rótulos e se livrar deles é tarefa árdua, às vezes impossível.

O Zach Randolph é um caso raro de sucesso nessa reversão de imagem. Ele era o maior exemplo de como um jogador poderia ser talentoso e mesmo assim um desastre, era fominha, egoísta, forçava arremessos e só defendia se soubesse que poderia ganhar um Big Mac no final. Mas depois de ser motivo de ódio e piada no Blazers, Knicks e Clippers, milagrosamente se achou no Memphis Grizzlies, onde passou a liderar a NBA em rebotes ofensivos, foi para o All-Star Game e nesse ano lidera o time (já há um bom tempo sem Rudy Gay) para sua primeira aparição nos playoffs desde 2005. Não foi fácil, ele precisou de mais de um ou dois meses jogando bem para reverter aquela imagem horrível que tinha, é só com muita disciplina e regularidade que hoje ele é respeitado.

Porém, geralmente não é assim. O exemplo que inspirou esse post é que nas últimas semanas o Amar'e Stoudemire e o Kendrick Perkins voltaram a chamar o Pau Gasol de "soft", o mesmo termo usado em 2008 para explicar porque o Los Angeles Lakers foi derrotado pelo Boston Celtics nas finais daquele ano. O termo em si já é amplo e difícil de explicar, literalmente "soft" pode querer dizer macio, mole ou suave, no mundo basqueteiro é usado para descrever os jogadores que tentam evitar contato físico, que preferem ganchinhos e arremessos ao invés de infiltrações e trombadas. Às vezes caras meio lentos ou desengonçados acabam ganhando o rótulo também porque nunca ganham bolas divididas ou aqueles rebotes mais brigados. Essa questão me inspirou duas perguntas, a primeira é bem simples: O Gasol é mesmo soft?

Atualmente o Pau Gasol é o sexto melhor reboteiro da NBA. Pegar rebotes na NBA não é fácil, além do tempo de bola e da técnica, você precisa usar seu corpo e toda sua força para se posicionar na frente dos gigantes pivôs adversários. Mais difícil que pegar rebotes em geral é pegar os ofensivos, onde, pelo posicionamento de ataque, o jogador geralmente está em desvantagem se comparado ao defensor. Pois o Gasol é o quinto melhor da NBA nesse aspecto. Como o Yao Ming provou por muito tempo, altura não basta para ser um bom reboteiro, então isso não explica os números do Gasol. É preciso muita coisa e entre elas, força. O Gasol também é bem posicionado em tocos, 14º lugar, à frente de especialistas como Josh Smith e Samuel Dalembert, e os tocos são a parte mais física da defesa de um pivô, é quando o cara sobe junto do atacante e seja o que deus quiser. E o que esperamos de um pivô que não seja soft? Tocos, rebotes, rebotes de ataque e... enterradas! E aí é que o bicho pega para o espanhol. Em 78 jogos nessa temporada ele deu 69 enterradas, um número baixo para um jogador que é tão acionado no ataque. Para se ter uma idéia, o líder é o Dwight Howard com 233 enterradas, seguido de Blake Griffin com 203. Entre os 10 que ultrapassaram as 100 enterradas na temporada tem até um jogador que nem joga no garrafão, Andre Iguodala, com 103. E antes de Gasol estão jogadores que não jogam tantos minutos e nem têm tantas chances de arremessar quanto ele, como Josh McRoberts (72), Thaddeus Young (79) e Hakim Warrick (81).

Mas aí vem outra pergunta dentro da primeira, como esses jogadores que estão à sua frente conseguem pontuar? Esses três que eu citei só fazem pontos de enterradas, o Gasol em compensação tem um bom arremesso de meia distância, gancho de direita e de esquerda, além de ser capaz de dar uns vinte giros no seu marcador até ficar em uma situação boa para fazer suas cestas. Será que ele marcaria mais pontos se ao invés de fazer isso partisse para enterradas? Provavelmente não, para isso talvez tivesse que treinar menos e passar mais tempo na academia, para ganhar mais corpo. Mas se ganhasse mais força provavelmente ganharia também mais peso, e não valeria a pena perder a sua velocidade, agilidade e até capacidade de acompanhar os contra-ataques, ótimos diferenciais que ele tem em relação a outros pivôs. Então a resposta para a pergunta é que Gasol não é soft, ele não evita contato físico, mas é mais soft do que a maioria dos pivôs da NBA. Então vem a segunda pergunta: e se ele fosse 100% soft, um bichinho de pelúcia, qual seria o problema com isso?

A resposta do Gasol às declarações do Amar'e e do Perkins foi típica de quem já se acostumou com essas coisas ditas pelas outras meninas e hoje em dia já ignora, ele apenas disse que "não presto atenção nisso, é tudo inveja". Acusações de inveja depois de ser rotulado, não é que isso continua parecendo uma discussão sobre meninas adolescentes?

Por incrível que pareça, quem deu a declaração mais interessante sobre o problema de ser soft foi um dos jogadores mais irritantes da atualidade, Andray Blatche. O ala-de-força do Wizards ganhou espaço no time desde a saída de Antawn Jamison no ano passado e com esse tempo de quadra se mostrou um jogador que, segundo a melhor definição que eu já ouvi dele, é aquele raro jogador que pode ter 30 pontos, 15 rebotes e um jogo ruim ao mesmo tempo. Ele simplesmente força arremessos idiotas, é fominha e uma negação defensiva, exatamente o que era o velho Zach Randolph pré-Grizzlies. Mas ele é também um jogador muito técnico, que não é muito fã de contato físico e por isso é chamado de "soft", mas ao invés de negar por completo o rótulo, ele contornou o assunto de um jeito bem interessante:

"Quem me viu crescer dentro da NBA sabe que eu nunca fui um jogador que joga de costas pra cesta empurrando os outros. Eu sou um jogador finesse. Esse é meu estilo e não vou tentar ser quem eu não sou", e completou, "Um jogador finesse vai ser chamado de soft, mas isso não me incomoda, eu não sou soft".

Ok, ele não admitiu ser soft, mas já deu um passo importante ao deixar claro que não vai atrás do contato físico e que seu estilo de jogo é simplesmente diferente. Na mesma entrevista ele questionou a importância de passar horas e horas na academia ganhando músculos, para ele não fazia diferença.

A minha conclusão disso tudo é que a NBA é um mundo absurdamente machista em que ser soft é o equivalente social a admitir ser gay, gostar de Lady Gaga ou que chorou assistindo "Diário de uma paixão". E se você pensar bem, a NBA tem macho até demais, que mulheres você vê envolvidas no jogo além de uma ou duas repórteres e talvez uma assessora de imprensa? Nada, é homem pra todo lado. E mais do que isso, a liga americana, mais do que o basquete em geral, sempre foi um lugar onde o físico importou demais, o que não falta por aí é gente bem mais ou menos sendo draftada só porque é incrivelmente alto, rápido e forte. O clichê basquetebolístico diz que a parte técnica dá para ensinar, mas não se ensina ninguém a ser alto e ter uma envergadura de Itu. É com esse tipo de pensamento que o Stromile Swift é a quarta escolha de um Draft e o Chuck Hayes cai para a 2ª rodada, foi pensando nisso que o Chicago Bulls montou um dos piores times da sua história em volta das jovens promessas Tyson Chandler e Eddy Curry.

O problema é que as pessoas que julgam os resultados, como a torcida, também são em sua maioria machos que esperam ver jogadores altos, fortes e que brigam. O que não falta é gente clamando pela volta do jogo mais físico que reinava na NBA nos anos 90. Não que aquele tipo de jogo não fosse interessante e não que eu prefira muito mais as faltas marcadas cada vez que assopram o Dwyane Wade, mas me parece uma resposta bem "macho man" de torcedores querendo ver "homens sendo homens". Ainda espero pelo meio termo em que percebam que é um esporte de contato mas não um esporte que celebra o mais alto e o mais forte, basquete é também técnica e tática.

No MIT Sloan Sports Conference no mês passado, um encontro para discutir esporte sob aspectos diferentes do que estamos acostumados, o Henry Abbott da ESPN fez uma apresentação bem interessante sobre os problemas que essa preocupação em parecer macho causam para os times da NBA e como eles poderiam vencer mais jogos se superassem isso. Ele fez uma lista de sete situações e explica como a eterna busca dos jogadores mais altos, fortes, rápidos e maus pode ser uma furada:

1- Arremessar como uma vovó

O Rick Barry tem o melhor aproveitamento de lances livres da história da NBA e conseguiu isso com o famosos arremesso de lavadeira, aquele que a gente fazia quando era criança e não tinha força para erguer a bola acima da cabeça. E mesmo sendo tão eficiente, nenhum outro jogador jamais copiou. O próprio Barry tentou fazer outros jogadores usarem sua técnica, em especial Shaquille O'Neal, um cara monstruoso o bastante para ser um dos maiores cestinhas da história da liga mesmo com apenas 53% de aproveitamento no lance livre. Se ele já fez tantos pontos e tem tantos títulos assim, imagina acertando a outra metade?

Mas o Shaq nunca sequer tentou arremessar daquele jeito, apenas disse que foi o conselho mais ridículo que já recebeu na vida. Afinal, como alguém que se impõe pela força e imagem de monstro vai parecer se arremessar como uma vovózinha? Nesse post Abbott lista situações de playoff em que os times do Shaq perderam jogos-chave, por poucos pontos, e em que Shaq errou trocentos lances livres. Melhor perder como um macho do que ganhar como uma avó.

2- Meditação

O Phil Jackson, com toda a sua espiritualidade, sempre incentivou seus jogadores a meditar. Ele acredita nisso como uma ferramenta para reforçar a concentração, tranquilidade e para colocar a cabeça no lugar, não envolve qualquer religião ou coisa do tipo. E fazendo isso (e muito mais, claro) ele é o técnico que mais venceu títulos na história da liga. Por que outros não copiam? Copiam o sistema de triângulos, copiam o jeito que seus times são montados, contratam os seus assistentes técnicos e ex-jogadores, mas não copiam a meditação. Para Abbott é simples medo de parecer tonto na frente de outros machos.

3- Os momentos decisivos

Nesse momento Abbott compara como Kobe Bryant e Chris Paul encaram os minutos finais de um jogo apertado. O primeiro é o ultimate macho: não tem medo, arremessa por cima de quem estiver na sua frente, não hesita. O segundo faz o que faz no resto do jogo, chama jogadas e passa a bola. Nas eternas comparações com Deron Williams, Chris Paul sempre perde no chamado "instinto assassino". Ser um jogador de equipe e fazer o que é pedido pelo técnico nos momentos finais é ser soft.

É então que Abbott mostra uma estatística de quantos pontos cada time da NBA marcou nos momentos decisivos de jogos disputados nos últimos cinco anos. O primeiro colocado é o New Orleans Hornets de Chris Paul, o Lakers está bem no meio da tabela.

4- Altruísmo

Um ótimo ponto do Abbott é analisar os perfis de jogadores jovens a serem draftados. Todos tem características bem masculinas como altura, força, impulsão, além de arremesso, drible e afins. Mas alguém conta o fato do cara não ser egoísta? De ajudar os seus companheiros de time? Isso é raro alguém analisar na hora de se avaliar um jogador. Se sacrificar para fazer o outro ao seu lado parecer melhor é algo submisso, fraco e, para os machistas, feminino.

O exemplo que Abbott dá para mostrar como um jogador não egoísta pode ser essencial é o Sixers de 2001, aquele com Allen Iverson + coadjuvantes que foi para a final da NBA. Para ele (e eu concordo até o fim) times que tem um cara fominha e controlador que quer marcar todos os pontos só funcionam se ele tiver do lado dele 4 outros jogadores dispostos a ajudar esse cara a vencer. Gente que não vai se irritar todas as vezes que o fominha arremessar sobre 4 defensores ao invés de passar a bola para você, livre, embaixo da cesta. Gente que vai defender pelo cara quando ele estiver cansado de tanto driblar e atacar sozinho. Geralmente times assim fracassam, como Iverson fracassou durante boa parte da carreira, mas naquele ano caras como Eric Snow, Aaron McKie, Theo Ratliff (depois trocado por Dikembe Mutombo) e George Lynch deram o sangue para fazer o time dar certo.

A fama e o salário mais alto ficam com Allen Iverson, o macho alfa da equipe, mas esse time seria só mais um do AI a perder na primeira rodada dos playoffs não fossem esses jogadores nada machos.

5- Contato físico

Esse é o mais bizarro e questionável. Um estudo divulgado pelo New York Times mostrou que os times que mais vencem são aqueles que mais se tocam fisicamente! Tapinha na bunda, abraços, apertos de mão especiais, tudo isso. Segundo Abbott, machos não deveriam fazer isso, mas quando fazem se motivam mais e jogam melhor. Eu, nesse caso, discordo, acho que o caminho é o contrário: Quando você começa a ganhar muito tem mais motivos para abraçar, cumprimentar e tudo mais. De qualquer forma, estou citando os argumentos dele, não os meus.

6- Jogadores magrelos

Aqui Abbott comenta como os jogadores muito magros geralmente não conseguem ser escolhas de Draft altas porque os General Managers têm medo de que eles não consigam se adaptar ao jogo físico da NBA. E caras com bom potencial ou carreiras de destaque no basquete universitário como Tayshaun Prince (escolha 23) e Rajon Rondo (escolha 21). Abbott diz que conversou com Prince depois do Draft e o jogador disse que ouviu que vários times o deixaram passar porque acharam que ele é magrelo demais para a NBA, mesmo motivo dado pelo Knicks quando cortaram o Corey Brewer nessa temporada.

E se ser magrelo pode ter um lado ruim (talvez dificuldade em marcar os tipos mais fortes), também pode ajudar na velocidade, agilidade e até em prevenções contra contusões. Uma das estratégias pensadas pelos médicos do Greg Oden é fazer o jogador perder peso para que seus joelhos destruídos tenham um trabalho mais leve.

7- Liderança feminina

Apesar de existir uma técnica na D-League, nas 30 comissões técnicas da NBA não há uma mulher sequer. Elas não entendem de basquete? Não poderiam trazer uma abordagem nova para um time que está perdendo há muito tempo e não acha outra solução? Ou os donos de equipes pensam que seus jogadores não iriam respeitar uma mulher no comando? Existe também a chance de um General Manager ficar com medo de perder o emprego caso dê essa idéia, talvez.

Abbott destaca que na NBA, com seus milhões de assistentes técnicos, muitas vezes um treinador não precisa ser o maior gênio da defesa ou ter uma cartilha com mil variações diferentes de jogadas. Às vezes basta o talento para saber escolher assistentes e ser um bom líder, um bom motivador e ter uma vivência no mundo do basquete. Não é possível que em tantos e tantos anos não tenha uma mulher que não tenha sequer isso.

...
Um ponto que eu queria deixar claro o Abbott também deixa ao fechar sua apresentação. As coisas de hômi macho são importantes num esporte como o basquete, é bom ter jogadores fortes, altos e rápidos no seu time. Mas claramente existe uma supervalorização do que é masculino no esporte (provavelmente pelo ambiente quase que completamente formado por homens) e ridicularização do que parece ameaçar essa masculinidade. Se o discurso que todo jogador, técnico ou manager concorda e repete é o batido "o que importa é vencer", por que não valorizar coisas como essa que dão resultado? O Lakers é tri-campeão do Oeste e bi da NBA com um pivô soft. Se vencer títulos em sequência não é o bastante para provar um ponto, só dá pra acreditar que é preconceito mesmo.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Avaliação anual de pivetes - Draft 2010

Samardo Samuels. Nem precisa de legenda.


Quando a gente começou o blog uns bons anos atrás, não éramos tão chatos como somos hoje. Uma prova disso é que bem de vez em quando a gente até entrava na brincadeira de fazer apostas, palpites e futurologia. Comparar jogadores a gente sempre foi contra e vamos morrer sem fazer isso! Nem em 1º de abril eu faço um post comparando Kobe e LeBron. Mas nos últimos dois anos fizemos posts (Draft 2008, Draft 2009) que analisavam a classe de novatos e arriscávamos, baseado no que vimos no primeiro ano, qual poderia ser o futuro de cada uma dessas crianças nos próximos cinco anos.

Conceitualmente eu hoje não gosto desses posts que fiz. Acho que no fim das contas é um jeito barato, fácil e meio vazio de analisar os novatos. Mas ao mesmo tempo é bem prático, já que são mais de 30 por ano é difícil falar individualmente de cada um deles e a generalização da lista, seguida de alguns comentários específicos, cobre esse espaço na nossa cobertura. Na dúvida entre fazer e não fazer acabei decidindo por manter a tradição e analisar a classe de novatos do Draft 2010 ao mesmo tempo que faço minha magia negra para saber o futuro de cada um. Não é perfeito, mas pelo menos alguma coisa temos que manter todo ano nesse blog. Você se pergunta se deve confiar nessas previsões? Eu não acreditaria, mas você pode tirar as suas conclusões baseado no que dissemos no passado. Uma parte divertida desses posts é analisar o que eu já disse sobre os então novatos que hoje já são até candidatos a MVP.

Mas antes de mais nada vocês precisam saber os critérios. Dividimos as crianças em 8 grupos futurísticos, prevendo o que eles vão ser daqui uns anos. São critérios altamente científicos:

1.Mega Estrelas: São aqueles jogadores que vão jogar bem todo dia, que vão liderar franquias, que vão vender doces, biscoitos, tênis e celulares com seu nome, serão entrevistados pela Angélica e vão participar de vários All-Star Games.
Exemplos: LeBron James, Kobe Bryant, Tim Duncan, Derrick Rose.

2. Estrelas Light: Sem áçucar, a estrela de soja só é uma estrela dependendo do desempenho do time na temporada. O cara só é cotado para participar do All-Star Game se o time está bem. Geralmente esse atleta é mais discreto e não é unanimidade entre os fãs, apesar de serem excelentes.
Exemplos: David West, Pau Gasol, Stephen Jackson, Chris Bosh.

3.Caolho em terra de cego: Caolho em terra de cego é rei, mas ainda é caolho e não pega mulher. Esse tipo de jogador é muito melhor que a maioria da NBA mas ainda não pode se achar tudo isso.
São os jogadores que obviamente tem muito talento mas que nunca vão ser cogitados para liderar um time a uma campanha vitoriosa como uma primeira opção, são aqueles caras que só funcionam sendo a terceira opção do time. Em geral são jogadores que sofrem um certo preconceito porque um dia acharam que eles seriam Estrelas Light, ou sofrem pressão porque são novos e acham que podem virar uma Mega Estrela.
Exemplos: Lamar Odom, Michael Beasley, Jason Terry.

4. Role Player Integral: Cheio de gordura mas sem ser o Zach Randolph, são aqueles caras que têm um papel específico no time e que sempre fazem esse papel muito bem. Eles são os jogadores limitados mas que, o que sabem fazer, fazem com perfeição. Costumam ser o sexto-homem de um bom time.
Exemplos: Shane Battier, Eddie House, James Posey, Arron Afflalo.

5. Role Player Desnatado: Se não tiver integral vai desnatado mesmo. Têm a mesma função dos role players integrais mas são incompetentes demais para serem regulares e confiáveis. É o tipo de jogador que joga bem em casa e mal fora ou bem contra time ruim e mal contra time bom.
Exemplos: Sasha Vujacic, Chris Andersen, Zaza Pachulia, JJ Barea

6. Zé Alguém: São aqueles caras que você sabe que estão na NBA, que participam dos jogos, mas que em um jogo disputado e que vale alguma coisa nunca vão estar em quadra nos momentos finais a não ser que algo bizarro aconteça (muitas contusões, muitos jogadores eliminados por falta, chantagem atômica).
Exemplos: Hilton Armstrong, Ryan Hollins, Charlie Bell, Jason Collins

7. Pedaço de carne desforme e imprestável: É aquele tipo de jogador que entra ano, sai ano e por algum milagre divino o cara continua com contrato. Na prática é só um pedaço de carne desforme e imprestável que nunca entra em quadra, só esquenta banco, entrega gatorade, aplaude e depois da temporada arranja outro time pra fazer a mesma coisa. Eles estão na liga mas não jogam.
Exemplos: Sean Marks, Brian Cardinal, DJ Mbenga


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Uma coisa engraçada é que só para postar essa explicação eu já preciso dar uma editada nos exemplos porque algumas coisas mudam de ano para ano. Colocar o Rajon Rondo na categoria 3 parece estúpido hoje, assim como colocar o Lorenzen Wright como Pedaço de Carne Desforme e Imprestável é cruel depois que o coitado foi assassinado! Só isso já mostra como essas previsões são perigosas, mesmo jogadores já estabelecidos na NBA mudam muito de ano pra ano com treino, novas funções, novos times. Para os novatos tudo acontece com ainda mais intensidade. Então que fique claro, as previsões são baseadas mais no que cada um fez nesse ano, é mais um estudo do passado do que um feeling (tem que falar com o nariz empinado) irracional do que vai acontecer no futuro.

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Essa foi a minha lista do Draft de 2008:





1. Mega Estrelas: Derrick Rose e OJ Mayo
2. Estrelas Light: Brook Lopez, Michael Beasley, Russell Westbrook, DJ Augustin, Greg Oden
3. Caolhos em terra de cego: Kevin Love, Eric Gordon, Jason Thompson, Jerryd Bayless, Rudy Fernandez
4. Role Player integral: Danilo Gallinari, Courtney Lee, George Hill, Nicolas Batum, DeAndre Jordan, Mario Chalmers, Marc Gasol
5. Role Player desnatado: Brandon Rush, Mareese Speights, Roy Hibbert, JaValle McGee, Ryan Anderson, Darrell Arthur, Luc Mbah a Moute, Mike Taylor, Anthony Morrow
6. Zé Alguém: Joe Alexander, Robin Lopez, Anthony Randolph, Donte Greene, Chris Douglas-Roberts, Kyle Weaver
7. PCDI: Kosta Koufos, Goran Dragic
0. Estarão fora da NBA: Alex Ajinca, DJ White, JR Giddens

No ano passado mesmo eu já tinha admitido algumas derrotas: Percebi logo que tinha subestimado o Kevin Love e o Jason Thompson, que vinham jogando bem. Mas bastou mais um ano pra tudo mudar, o Love é ainda mais espetacular do que eu poderia imaginar e o Jason Thompson, nunca entendi bem o motivo, perdeu espaço no Kings. Também tinha percebido que o Goran Dragic era melhor do que as minhas pessimistas primeiras impressões de pirralho inseguro. Não vejo ele ainda com condição de ser titular em nenhum time, mas obviamente o cara é bom. E já no ano passado admiti o erro em pensar que o Danilo Gallinari seria só um arremessador. É bom ler os meus arrependimentos passados para não me darem as broncas que já me deram um ano atrás!

Com o OJ Mayo eu ainda tinha esperanças, mas elas se foram nesse ano. Ele não conseguiu se firmar como armador principal, nem titular e nem reserva, que era o seu plano na offseason. Também não melhorou o seu arremesso e na defesa ficou estagnado. Como resultado perdeu a posição no time justamente para o cara com quem teve uma briga de socos e pontapés, Tony Allen, que revolucionou a defesa de perímetro do Grizzlies. Por pouco não foi trocado do Memphis e se for embora não vai fazer falta. É bom, pode ser titular ou 6º homem por aí, mas não é indispensável.

Nessa classe ainda podemos ficar preocupados com Michael Beasley e Brook Lopez, que entra ano e sai ano continuam com os mesmos defeitos. Se o Beasley não defender e não pensar mais em quadra, e se o Lopez não começar a pegar mais de um rebote a cada 100000 minutos em quadra, fica difícil ser chamado de estrela. Em compensação, mal aê Westbrook, respeito.

Essa análise é um bom exemplo de como a gente tem que ter muita paciência com vários jogadores. Os Blake Griffins desse mundo que já chegam jogando como se fossem veteranos são raros, o normal é ir com calma e é muito difícil adivinhar quem deslancha ou não. Alguns novatos até jogam poucos minutos e a gente, que não assiste treino, fica dando tiro no escuro. Lembro disso porque no começo dessa temporada, quando só Blake Griffin, Landry Fields e John Wall estavam se destacando entre os novatos, muita gente já queria decretar o Draft passado como o pior desde o trágico grupo de 2001. Calma lá, sem ejaculação precoce.

...
Para o Draft 2009 a minha lista foi essa:



1. Mega Estrelas: Tyreke Evans e Brandon Jennings
2. Estrelas Light: Stephen Curry
3. Caolhos em terra de cego: Ty Lawson, Jonny Flynn, Omri Casspi, James Harden
4. Role Player integral: Jordan Hill, DeMar DeRozan, Hasheem Thabeet, Terrence Williams, Chase Budinger, Jonas Jerebko, DeJuan Blair
5. Role Player desnatado: Earl Clark, Jrue Holiday, Tyler Hasnbrough, Rodrigue Beaubois, Wesley Matthews, Marcus Thornton, Darren Collison, Eric Maynor, Jeff Pendegraph
6. Zé Alguém: James Johnson, Jon Brockman
7. PCDI: Gerald Henderson, Austin Daye
0. Estarão fora da NBA: BJ Mullens

Sabe que eu estou até orgulhoso dessa lista? Um ano depois e eu não mudaria lá muita coisa. Quer dizer, mudaria bastante, é verdade, mas nada muito drástico ou absurdo. O interessante dessa lista é que as minhas mudanças são quase que todas para cima. Vários jogadores podem subir um ou dois degraus nessa lista. É o caso de DeJuan Blair, que se estabeleceu como titular no Spurs, DeMar DeRozan, menos cagão, Chase Budinger, bom titular no Rockets desde a saída do Shane Battier, Marcus Thronton, melhor notícia do Kings na temporada. Ainda tem o Darren Collison, certamente mais que só um role player, Tyler Hansbrough, que  renasceu depois da mudança de técnico, Jrue Holiday por muitas vezes é o melhor jogador do Sixers e Wesley Matthews, no fim das contas, realmente vale toda aquela fortuna insana que o Blazers desembolsou para tirá-lo do Jazz.

Os que menos melhoraram foram justamente os melhores. Tyreke Evans e Stephen Curry sofreram com contusões, é verdade, além de estarem em times ridículos, mas esperava-se mais deles. Já o Brandon Jennings tem seus altos e baixos, coisa que deveria ter acabado mas que é compreensível em um time em que todo o sistema ofensivo sempre foi meio capenga. De qualquer forma, não acho que fiz nenhuma previsão absurda.

Os maiores erros, de novo, foram menosprezando bons jogadores. Depois de primeiros anos apagados, o Gerald Henderson e o Austin Daye têm mostrado talento. Naquela coisa dolorosa que é ver o Pistons jogar, as únicas coisas que não machucam os olhos são o renascimento do Tracy McGrady, o Rip Hamilton jogando por um novo contrato e a ascenção do Austin Daye. Ele tem um estilo meio Tayshaun Prince que pode render muito no futuro ao lado do Jonas Jerebko, boa promessa que perdeu toda essa temporada contundido.

Os poucos que caíram de nível foram o Terrence Williams, máquina de triple-doubles só na D-League, que não acha espaço no Rockets. Earl Clark, ainda longe do potencial anunciado mesmo com alguns bons momentos no Magic, e Hasheem Thabeet, que tem jeitão de ser um daqueles caras que é encarado promessa por 10 anos. Mas nunca se sabe, né? Tyson Chandler demorou uma eternidade até virar bom jogador, tudo pode acontecer. Também tem o Jonny Flynn, que mal consegue se firmar num time fraco como o Wolves mesmo depois de um primeiro ano com algumas boas atuações. Ele me lembra o TJ Ford, veloz demais e com algumas boas jogadas que dão a impressão de que o cara é um gênio, mas quanto mais você assiste mais percebe como ele está perdido em quadra. Talvez o esquema tático do Wolves não ajude, talvez ele esteja sempre perdido mesmo.

Para ler o post do ano passado quando eu elaborei a lista, clique aqui. 

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E, finalmente, minha lista para o Draft 2010:






1. Mega Estrelas: John Wall, Blake Griffin
2. Estrelas Light: DeMarcus Cousins, Wesley Johnson
3. Caolhos em terra de cego: Greg Monroe, Evan Turner, Derrick Favors, Paul George, Landry Fields, Jordan Crawford, Tiago Splitter
4. Role Player integral: Patrick Patterson, Gordon Hayward, Eric Bledsoe, Ed Davis, Gary Neal
5. Role Player desnatado: Trevor Booker, Samardo Samuels, Ekpe Udoh, Cole Aldrich, Xavier Henry, Al-Farouq Aminu
6. Zé Alguém: Luke Harangrody, James Anderson, Luke Babbitt, Greivis Vásquez, Avery Bradley
7. PCDI: Dexter Pittman
0. Estarão fora da NBA: Daniel Orton


Eu confesso que coloco o Evan Turner nessa posição por um pouco de acaso. Tive sorte ao assistir vários jogos do Sixers em que o Turner teve seus bons momentos; nos ruins, muitos, eu estava vendo outros times. Então sei que ele é capaz de ser melhor do que é embora tenha tido uma temporada broxante. Acredito que com mais confiança ele pode fazer algum estrago na NBA. Mesma coisa com o Wesley Johnson, não foi impecável, mas melhora pouco a pouco e vai ter espaço pra crescer no Wolves.

O Tiago Splitter tem talento para ser mais do que isso, mas não passou muita confiança nesse primeiro ano. Mesmo sem o período de treinos (ele não participou porque estava machucado), eu esperava mais de um cara com tanta experiência internacional. Talvez esse novo Spurs mais veloz e com mais bolas de três também não tenha ajudado.

O Jordan Crawford é um exemplo de como é difícil analisar novatos. A maioria deles a gente só conhece em uma situação, um esquema tático, um técnico, uma rotação. E só com o passar dos anos, com mudanças no time ou trocas, é que vamos conhecendo mais do cara. Com o Jordan Crawford essa troca aconteceu já no primeiro ano e ele saiu do fim do banco do Hawks, quase não entrava, para ser titular no Wizards. Em Washington ao lado de John Wall está sendo o pontuador que era no basquete universitário. Meteu 39 pontos na cachola do Miami Heat e outro dia fez seu primeiro triple-double na carreira. Talvez outros mal ranqueados só estejam escondidos como estava Crawford no Hawks.

Zoamos muito o Samardo Samuels, mas o fato é que ele garantiu seu lugar na NBA. Ter um cara não draftado, desconhecido e de nome engraçado como titular menos de um ano depois de ter a melhor campanha da NBA mostrava a decadência do Cavs pós-LeBron. Mas Samuels, símbolo dessa fase, fez bonito quando teve chance e certamente tem espaço na liga como um bom reserva. Orgulho do novo mascote do Bola Presa!

Não dá pra comentar todas as decisões hoje, qualquer coisa em especial perguntem nos comentários. Mas ano que vem voltarei aqui para apontar para mim mesmo, dar risada das bobagens que disse e me perguntar de novo por que diabos eu me arrisco em prever o futuro.

domingo, 3 de abril de 2011

O melhor é ficar parado

Ron Artest, modelo e atriz

Fiz dois posts falando sobre o que aconteceu um mês depois daquela fase cheia de trocas na NBA. Mas a grande mudança aconteceu mesmo com o time que, graças a Deus (leia-se Alinne Moraes), não fez troca nenhuma. Desde o All-Star Game o Los Angeles Lakers só perdeu um jogo, para o Miami Heat, e venceu os outros 15. Nesse período o time melhorou em todas suas estatísticas: defensivas, ofensivas, rebotes, assistências, tamanho do pênis, level do Farmville, qualquer coisa que possa ser medida.

Aqui a gente não tem lá um histórico muito bom com palpites. Somos bons analisando o que já aconteceu, tentamos ser profundos e sérios na hora de achar a causa das coisas, mas não temos o mesmo talento com futurologia. Por isso mesmo a gente tem que se gabar quando algo finalmente dá certo: Eu tinha dito que o Lakers tinha um elenco certinho, que poderia render muito e que não era hora de fazer mudanças drásticas. O tempo passou e tudo foi voltando ao normal, o time desinteressado e previsível do começo da temporada começou a se motivar e a duas semanas do fim da temporada regular estão a apenas um jogo e meio atrás do San Antonio Spurs (que perdeu 6 seguidas pela primeira vez desde 1997!) pela primeira posição no Oeste. Alguns fatos explicam bem o desinteresse do Lakers no começo do ano: um deles é a série de entrevistas de vários membros de times campeões dizendo que é realmente difícil encontrar motivação para um joguinho sem graça no meio de dezembro sabendo que o que fica para a história é o que acontece a partir de abril. O outro é do Ron Artest, que disse que era muito chato jogar umas partidas contra times fracos que eles sabiam que iam vencer a qualquer hora. Típico do Artest dizer coisas polêmicas e verdadeiras que a maioria dos jogadores compartilha nas idéias mas não na imprensa.

Na NBA a parada do All-Star Game é bem simbólica. Não é exatamente no meio da temporada, é um pouquinho depois, mas para os jogadores e times é o sinal da segunda metade do ano, o momento de dar aquela embalada rumo aos playoffs. Porém, será que essa arrancada continua na pós-temporada? Não é lá que ouvimos todo ano o clichezão de que nos playoffs tudo é diferente? Bom, a NBA.com fez uma rápida pesquisa nos dois últimos anos e achou uma resposta bem aceitável. No ano retrasado a maioria dos times que teve melhor campanha depois da parada do All-Star venceu as suas séries de playoff, mesmo os times que no geral tinham menos vitórias na temporada. No ano passado o número não foi tão significativo, mas as vitórias foram dos times mais experientes: Celtics, Lakers e Spurs. O Boston do ano passado, aliás, é a maior prova da armadilha que é acreditar cegamente no que essa parte da temporada pode indicar. No final da temporada passada eles estavam se arrastando pela quadra, perdendo jogos idiotas em casa e conseguiram ficar atrás do Atlanta Hawks na classificação geral. Em quarto, eram a grande aposta de todo mundo como derrotado para o Miami Heat, quinto, na primeira rodada. O Heat tinha a melhor defesa da segunda metade do campeonato e tinha subido de nono para quinto no Leste nesse período de menos de dois meses. Como vocês bem lembram, em junho era o Celtics, não o Heat, disputando a final da NBA.

A conclusão deles é que times que tem jogadores mais rodados e/ou que jogam juntos há muito tempo tem mais essa capacidade de apertar um botão e começar a jogar com todas suas forças. Times em formação ou mais jovens simplesmente dão o máximo que podem e às vezes podem mais, às vezes menos. Seguindo essa linha de pensamento dá pra pensar que essa queda de produção do Spurs não é motivo para começar a apostar em uma derrota na primeira rodada ou que o Celtics está fadado ao fracasso pós-Perkins (ou pós-Kendrick Abdul-OlajuEwing, como o chamam aqueles que acham que se está dando muita bola para o pivô).

Podemos perceber também que o Lakers, por precaução, exigência do Phil Jackson ou qualquer que seja a inspiração, apertou o botão nessa mudança simbólica do calendário da liga. Passou o All-Star Break, enrolamos muito bem até aqui e é hora de jogar pra valer. Nesse período o Derek Fisher jogou mesmo sentindo contusões, o Kobe Bryant também (embora ele faça isso há uns 5 anos, no mínimo), o Artest começou a se envolver mais nas partidas, o Gasol voltou a render como no começo da temporada e o Andrew Bynum está jogando o melhor basquete da sua vida. Não dá pra achar um jogador que não tenha elevado o nível do seu jogo, parece mágica.

O Artest é o exemplo mais óbvio. Cansei de ver jogos nessa temporada onde a maior contribuição dele era ficar na zona morta esperando a bola para dar um air ball daqueles de pelada. Agora ele corre atrás do cara que deve defender, rouba muitas bolas e no ataque resolveu atacar a cesta. É engraçado demais ver como ele é desengonçado correndo, mas é rápido e de uns tempos pra cá resolveu que está jovem de novo e pode falar gírias iradas (uh tererê!) e enterrar. No jogo contra o Clippers acertou uma à la Shannon Brown na cabeça do Chris Kaman (saiu dando pulinhos depois) e aí se empolgou a ponto de tentar mais duas e errar bisonhamente ambas. Ele faz bobagens, isso está no pacote Artest (e não estou falando de bobagens de comportamento!), mas quando está interessado joga demais. Os números podem dizer que o Tony Allen é o melhor ladrão de bolas dessa temporada, mas ver o Artest em ação é uma coisa de doido, ainda me pergunto como ele pode tocar a bola tantas vezes e incomodar tanto sem fazer falta. Tem mãos fortes e um tempo de bola preciso, dentre esses defensores mais físicos e agressivos é o mais eficiente que eu já vi.

Aqui o vídeo com um resumão do jogo contra o Clippers. Vale ver tudo, tem umas enterradas mais ou menos do Blake Griffin, aquele overrated, as três que eu citei do Artest e mais uma do Shannon Brown que é de ficar tentando na cestinha do quintal depois.



O Andrew Bynum também aparece no vídeo fazendo o que sabe, ser enorme. O Yao Ming pode ser 10 centímetros mais alto, mas não parece tão grande quanto o Bynum. Ele é alto, forte, largo e tem braços de Tayshaun Prince. O time funciona bem com Odom e Gasol no garrafão, mas a defesa fica muito mais forte com Bynum impedindo cestas lá perto. Ele é o grande responsável por uma estatística bem impressionante divulgada pela NBA essa semana. O Lakers é o time que causa o segundo pior aproveitamento dos jogadores de garrafão adversários se contarmos apenas os alas de força e pivôs mais bem ranqueados ofensivamente na NBA. Contra LaMarcus Aldridge, Chris Bosh, Carlos Boozer, Tim Duncan, Blake Griffin, Dwight Howard, Al Jefferson, Brook Lopez, Kevin Love, Zach Randolph, Amare Stoudemire e David West, o Lakers permite que eles acertem apenas 44% de seus arremessos, só o Magic de Dwight Howard é melhor.

Também é bom lembrar que do jeito que ele domina o Tyson Chandler sempre que pega o Dallas Mavericks, e como a maioria dos outros concorrentes ao título não aposta em pivôs fortes, ele pode ser o grande trunfo do Lakers na pós-temporada. Talvez Kendrick Abdul atrapalhe os planos, mas só ele. O Bynum nem precisa marcar 25 pontos para causar impacto no jogo, o negócio dele é ser a bola de confiança no começo do jogo, manter o Lakers na frente, ser a referência quando os reservas entram para jogar, impedir cestas bobas na defesa e sempre deixar os pivôs preocupados e sem ir ajudar na defesa quando Odom, Gasol e Kobe estão fazendo seu trabalho ofensivo.

Embora não sejam sempre perfeitos, Gasol e Kobe levaram o time nas costas com regularidade em boa parte dos jogos e continuam jogando bem. Surpreendentemente Lamar Odom foi regular também nessa temporada, ele que sempre foi o mais de lua do elenco, mas agora estão todos esses jogando bem e mais os dois que citei. É sempre raro e especial quando todos os jogadores de um bom time estão em um momento bom técnica e fisicamente. O Lakers é o melhor time dessa segunda metade da temporada, melhor que o Nuggets até, embora isso seja tarefa para poucos atualmente; se mantiver o ritmo, entra nos playoffs com a etiqueta de grande favorito, posição que tinha antes da temporada começar e que perdeu aos poucos naquela fase em que uma renca de gente implorou para que mandassem Bynum por Carmelo Anthony. Acho que essa boa fase é um sinal que mesmo se algo impedir um título, não havia motivo forte o bastante para motivar um desmanche.

E não dá pra deixar isso de fora de um post do Lakers:

sábado, 2 de abril de 2011

Uma ausência improvável

"Quem faz essa defesa funcionar levanta a mão!"

Que o Celtics ia se lascar com a troca do Perkins, meio que todo mundo sabia. Era até bastante óbvio. Mesmo os mais esperançosos e fãs mais fanáticos sabiam que o time iria passar por maus bocados até se acostumar com a mudança do elenco e até ter todos os jogadores saudáveis. O que ninguém esperava, no entanto, é que a troca fizesse o Celtics se embananar todo na parte ofensiva, não na parte defensiva. Nada na NBA acontece como a gente espera, mesmo quando acertamos que uma equipe vai feder acabamos errando o modo como isso acontece. Ué, o Perkins não era o pilar defensivo da equipe e um zero à esquerda no ataque?

Antes da troca, o Celtics tinha uma campanha absurdamente impecável: eram 41 vitórias e apenas 14 derrotas. Depois da troca, os números são bem menos bacanudos: 11 vitórias e 9 derrotas. Mas é preciso lembrar que a campanha fantástica antes da troca tem pouquíssimo a ver com o Perkins, que jogou apenas 12 partidas pelo Celtics nessa temporada graças a uma séria lesão - e venceu oito delas. Isso quer dizer que sem o Perkins, o Celtics venceu antes da troca 29 jogos e perdeu 10, aproveitamento muito maior do que está tendo agora. Já é o bastante para compreender que a atual fase capenga da equipe de Boston não pode ser explicada simplesmente com a saída do Perkins, o buraco é bem mais embaixo - e passa principalmente pela parte ofensiva.

No famoso post sobre novas estatísticas que o Denis publicou uns tempos atrás (famoso pra mim, que cito ele o tempo inteiro), podemos ver que o impacto do Kendrick Perkins em quadra se concentra em algo muito específico: ele é um dos melhores na NBA em impedir pontos bem próximos ao aro, forçando um péssimo aproveitamento aos adversários e comete poucas faltas enquanto isso. Há também aquilo que os números não mostram: o Perkins sabe quando pegar pesado, não permite cestas fáceis, e não tem receio de descer o braço e mandar alguém para a linha de lances livres quando necessário. Ele é uma parede de tijolos,  tem os sentimentos de um matador de aluguel, é muito obediente taticamente e nunca, nunca, nunca erra uma rotação defensiva. Como o Denis indicou em seu post sobre o novo Thunder, essas qualidades do Perkins que não aparecem nos números são capazes de transformar uma equipe e estão tornando os jogadores ao seu redor, como o Serge Ibaka, muito mais eficientes defensivamente.

Mas o Celtics não depende de um jogador só. É, sem dúvida, uma das melhores defesas coletivas da NBA. Trata-se de um andróide fantástico: a cabeça é do Tom Thibodeau, o gênio que acabou de transformar o Bulls na melhor defesa da liga, e o coração é do Kevin Garnett, que bebe o sangue de criancinhas vietnamitas e palita os dentes com os ossos dos adversários. Com a base dos dois, todo o resto do elenco se aplica, obedece e mantém o esquema funcionando, mesmo quando alguns jogadores frágeis defensivamente estão em quadra (Glen Davis, estou olhando pra você). Essa coletividade na defesa e poder do esquema tático são os responsáveis por manter os números defensivos do Celtics idênticos antes e depois da troca do Perkins. Nos números, nada mudou. O Perkins levou suas qualidades e aquilo que aprendeu com o Garnett para o Thunder, mas no Celtics os outros jogadores podem manter o esquema funcionando sem ele. Mas o ponto é: a que custo?

Sem Jermaine O'Neal e Shaquille O'Neal (que não, não são irmãos), o tamanho do Celtics cai muito. Quando Glen Davis ou Nenad Kristic estão em quadra, o time perde em tamanho e em poder defensivo, porque o forte dos dois é o ataque. Então a defesa se mantém na base do comprometimento e do esforço. Kevin Garnett sempre insistiu que o Celtics não precisa perder um segundo sequer se preocupando com movimentações ofensivas, que eles são bons o bastante para improvisar qualquer merda e que os pontos surgem com facilidade quando a defesa faz sua parte (aliás, esse discurso pode ser considerado o fundador indireto do novo Miami Heat, mas isso é outro história). Então, para o ataque funcionar, o Celtics precisa manter a defesa funcionando de modo impecável mesmo com jogadores menores, mais leves, mais lentos, mais mongolóides, o que for. Kevin Garnett precisa aumentar os esforços no garrafão e na cobertura, Paul Pierce precisa apertar as coisas no perímetro. Se os números defensivos estão idênticos, é porque o esforço está dando certo e a defesa se mantém nos moldes de antes. Mas como resultado, Garnett e Pierce em especial se desgastam muito mais durante os jogos, os adversários atacam mais a cesta, é preciso colapsar a defesa para o garrafão e depois correr pra cobrir o perímetro, e todo mundo se cansa pra burro com esse tipo de coisa. Antes, o Perkins intimidava muita gente como apenas tijolos conseguiriam, agora não tem mais isso. No ataque, por isso, o Celtics anda jogando bem mais devagar - e até os contra-ataques ficam prejudicados pela falta de pulmão e pela mudança na defesa, que é quem inicia o contra-ataque. Em matéria de eficiência a defesa é a mesma, mas em matéria de posicionamento, confiança, esforço, rebotes e contra-ataques, o Celtics é uma equipe bastante diferente.

Todos os números ofensivos da equipe caíram, e alguns outros fatores ajudam nessa queda. O Celtics é um asilo de velhinhos, então é normal que mais esforço na defesa signifique que a bateria da equipe acaba mais rápido, mas também tem o fato do Rajon Rondo estar jogando lesionado (com questões no tornozelo e uma lesão mais preocupante na sola do pé), e da falta de pivôs significar menos rebotes de ataque e defesa adversária mais focada nos arremessadores. Garnett, Pierce, Ray Allen e Rajon Rondo estão estatisticamente bem piores no ataque, e o banco de reservas é ainda pior. Jeff Green veio para a equipe para defender alas de força mais baixos, mas anda sendo pouco usado graças ao problema de altura que assola a equipe e à sua dificuldade atual no ataque. Carlos Arroyo sabe chamar as jogadas, é bom moço, mas quem viu ele jogando no Heat sabe que ele não acerta arremessos nem quando está completamente sozinho em casa, com bolinhas de papel. Delonte West está voltando agora sem ritmo e nunca foi grande pontuador, Troy Murphy está lesionado e fora de forma. Glen Davis, que sempre foi uma força ofensiva vindo do banco, volta e meia tem que estar entre os titulares - e mesmo com os reservas anda sofrendo com a falta de altura da equipe e jogando cada vez mais longe do garrafão, pouco acionado, forçando arremessos idiotas.

Quer saber de uma coisa? A troca do Perkins foi uma cagada, mexeu com a defesa do Celtics, mas não é nada que Garnett não consiga arrumar no grito. O cansaço da equipe, que está morrendo com a língua pra fora, vai melhorar muito quando Jermaine O'Neal ganhar ritmo e o Shaquille O'Neal voltar às quadras já na semana que vem. Mesmo numa fase tão ruim, perdendo até pro Hawks que nem é um time de verdade ontem, a equipe consegue ainda assim ganhar do Spurs um dia antes. Então não é nada tão sério assim. Mas há uma cagada ainda pior, mais destrutiva e que ao meu ver não tem como arrumar a tempo: a troca do Nate Robinson.

O Nate "the Great" foi para o Thunder na troca do Perkins, e ninguém se preocupou em reclamar da ida do anão - era muito mais importante ficar indignado com a troca do pivô. A maioria das pessoas nem percebeu sua ausência. Mas era o Nate quem mantinha o banco do Celtics ofensivamente no jogo, era ele quem fazia o Glen Davis funcionar com os reservas no pick-and-roll, eram suas bolas de três que mantinham a diferença no placar que os titulares conquistavam. Os números mostram claramente que a defesa do Celtics ainda é a mesma, entre as cinco melhores da NBA, mas o ataque é uma porcaria e o ataque dos reservas é uma atrocidade, um atentado à vida, à moral e aos bons costumes. A ida do Kendrick Perkins deixou os velhinhos magoados e cansados, mas isso se arruma. A ida do Nate Robinson deixou o banco uma merda, o ataque mais estático, e não tem ninguém nesse elenco com suas características para brilhar nos playoffs. Jermaine e Shaq vão voltar às quadras, mas não tenho dúvidas de que o impacto que eles terão no ataque será minúsculo - e nem de longe o necessário para que a equipe tenha sucesso nos playoffs. Ninguém imaginaria isso, mas o Celtics sente mais falta é do jogador mais improvável e que nunca recebeu o devido valor quando atuou pela equipe.

Eu acredito no Garnett para manter a defesa funcionando e sei que o orgulho ferido do Celtics é o bastante para vencer jogos na cabeçada e na sangria, e só por isso não dá pra descartar o Celtics de levar um título esse ano. Mas depois de ver esse ataque sofrendo e o Glen Davis fazendo bobagem sem seu amigo anãozinho no controle, não consigo imaginar o Celtics sendo campeão do Leste - todo pulmão tem um limite, e esse elenco sequer conseguiu jogar tempo o bastante junto para poder ter um ataque que não seja apenas jogadas de isolação para gente velha e cansada. Onde estão as bolas de três, gente nova atacando a cesta, os contra-ataques abudando da correria, essenciais numa equipe sem jogadas de meia-quadra programadas? Desculpa, Perkins, ainda te acho um cara batuta, mas o Celtics sente falta mesmo é de seu amiguinho menor e mais desmiolado. Nate Robinson, o Boston precisa de você.