terça-feira, 23 de setembro de 2008

Análise dos técnicos - Divisão Sudeste

Jeff Van Gundy feliz demais porque vamos analisar a rica Divisão Sudeste


Vamos viajar para o Leste na nossa Semana especial sobre os técnicos. Saímos da divisão mais forte da liga, a Sudoeste, com Spurs, Rockets e Mavs, para uma das mais fracas, a Sudeste, com times de enorme sucesso nos últimos anos, como o Hawks (conhecido também como o Clippers do Leste), o Bobcats, o Wizards bichado e o atual pior time da NBA, o Heat. Sobra o Orlando, que não por acaso é o atual campeão da divisão.


Larry Brown, Charlotte Bobcats

O cara tá na área faz tempo. Pra se ter uma idéia, ele começou sua carreira de técnico profissional no Denver Rockets, franquia que depois foi pra Houston, da ABA, antiga liga concorrente da NBA. Mas ele não está na NBA desde então, no meio do caminho ele foi para a universidade de UCLA, onde foi vice-campeão universitário, depois foi para a NBA, voltou para o basquete universitário, onde foi campeão por Kansas e só então foi em definitivo pra NBA.

No basquete profissa ele já levou o Spurs, Pacers e até o Clippers (sim, o Clippers!) para os playoffs, além de carregar aquele lixo de Sixers de 2001 para a final da NBA, quando perderam para o Lakers. Vocês lembram desse Sixers? Tinha Eric Snow, Aaron McKie, George Lynch, Tyrone Hill, o Raja Bell versão novato-pivete e como talento de verdade só o Mutombo e o Iverson. Se vocês acham o Leste fraco hoje, estão reclamando de barriga cheia, porque naquela época o Sixers que só tinha o Iverson e o lixo do Raptors que só tinha o Carter chegavam muito longe. De qualquer forma, não vamos tirar o mérito do Larry Brown, que até foi eleito o técnico do ano na ocasião.

Depois do Sixers e de suas eternas brigas com o Iverson, ele foi para o Detroit, onde foi campeão em 2004 naquele esquadrão que era uma das defesas mais temidas da NBA. Larry Brown é o único técnico a já ter ganhado a NBA e a NCAA e já foi vice em cada uma das competições. Se bem que se eu tivesse 112 anos de vida e 110 de carreira eu também teria conseguido isso.

Mas depois de seu feito histórico deu tudo errado. Primeiro, no mesmo ano de 2004, ele foi o técnico da histórica (no mau sentido) seleção americana em Atenas. Ele pode dizer orgulhoso para os netos que foi camepão da NBA contra um Lakers de Kobe, Shaq, Payton e Malone, mas alguns meses depois conseguiu perder para Porto Rico comandando um time que tinha Duncan, Iverson, LeBron, Wade e Carmelo.

Depois da derrota do Pistons na final de 2005 para o Spurs (malditos anos ímpares!), o Larry Brown saiu do Pistons para se tornar o técnico mais bem pago da história da NBA. Onde? No Knicks! Onde mais se gasta dinheiro para não se ter resultados? A temporada do Larry Brown por lá foi medíocre, somente 23 vitórias, e no fim da temporada o Isiah Thomas o mandou embora e foi assumir o time. Sábia decisão, Isiah.

Entre seu sucesso universitário, na NBA e depois sua decadência nos últimos anos, duas coisas sempre exisitiram nos times do Larry Brown: defesa e brigas.

Aparentemente ele não é lá muito bom em relacionamentos (uma psicóloga chata já diria que ele não tem inteligência interpessoal) como é com basquete. Ele brigava toda semana com o Iverson. Por causa de treinos, de jogo, de decisões dele na quadra, por causa do cabelo, da unha do pé, do perfume que ele usava. Pareciam marido e mulher, porque até reconciliação e declarações de amor tinha. Foi em uma dessas declarações de amor que o Iverson chamou o Michael Jordan de Michael Jackson. Ui!

Tá bom que o Iverson não é nenhum santo, mas por algum motivo o Larry Brown pega no pé dos armadores. No Knicks a fonte de todas as brigas foi o relacionamento péssimo dele com o Marbury, já no Pistons as coisas deram certo e foi só com o Larry Brown que o Billups jogou tudo o que sabe de basquete. Por causa dessa característica de ser muito exigente com os armadores principais é que já estão achando que o Ray Felton não fica no Bobcats até o fim da temporada. O primeiro indício disso teria sido a escolha do também armador DJ Augustin no draft desse ano.

Mas mesmo se não der certo com o Felton, isso pode se resolver com alguma troca, o mais importante para o Bobcats é se tornar uma potência defensiva. Larry Brown fez um Sixers poderoso na defesa com Ratliff e depois Mutombo, e com o próprio Snow, depois fez a melhor defesa que eu já vi jogar com Rasheed, Ben Wallace e Tayshaun Prince, agora ele tem nas mãos o Okafor e o Gerald Wallace, dois jogadores fortes, bons defensores e especialistas em tocos e roubos de bola. O potencial está aí, é só esperar e ver se o Larry Brown vai ser o que vimos no Sixers e no Pistons ou o que perde as Olimpíadas e passa vergonha no Knicks.


Mike Woodson, Atlanta Hawks

A imprensa dizia com certeza que os jogadores do Atlanta não gostavam dele, que o Josh Smith pensou em sair do time só porque não o mandaram embora e que o Josh Childress foi comer churrasquinho grego original por causa dele. Mas dos dois Joshs, o Smith desmentiu isso, dizendo que adora o técnico e que conversava com ele regularmente mesmo antes de decidir continuar em Atlanta.

No meio de informações tão confusas, não sei direito o que falar sobre o Mike Woodson. Aparentemente todo mundo odeia ele, a imprensa de Atlanta o repudia e não cansa de apontá-lo como um dos culpados por anos e anos de derrotas como se o Atlanta não fosse fracassado antes da chegada de Woodson na temporada 2004-05.

Nessas quatro temporadas o time tem melhorado ano a ano, foram 13 vitórias (irgh!) no seu primeiro ano, depois 26, 30, e no ano passado 37, culminando em uma ida para os playoffs e uma série dura contra o Celtics.

Mas o quanto disso é mérito do Woodson e quanto disso aconteceu devido a evolução do elenco do Hawks? Nesses anos foram adicionados ao time Joe Johnson, Josh Smith, Josh Childress, Marvin Williams, Zaza Pachulia e no ano passado Mike Bibby e Al Horford. O Hawks melhora a cada ano e quanto mais reforços tem, mais vitórias o Woodson consegue. A culpa é então do técnico ou do General Manager do time que não soube montar um bom elenco?

Outro problema grave do Hawks sempre foi a armação do time. Até a chegada do Bibby no meio da temporada passada, o Woodson nunca treinou um time com um bom armador e nem foi ele o culpado pelo time ter draftado o Marvin Williams antes do Deron Williams e do Chris Paul no draft de 2005.

O que acho de verdade é que não dá pra fazer uma análise perfeita do Woodson porque ele só esteve em roubada até agora, só pode falar dele quem acompanha o Hawks regularmente e vê jogos com regularidade, para analisar como ele faz ajustes do time dentro do jogo, como ele trabalha os duelos individuais e coisas assim. Na série contra o Boston ele agiu bem em muitos jogos, mas como eu gosto muito de basquete, não tenho o hábito de assistir muitos jogos do Hawks durante a temporada.

Os masoquistas jornalistas de Atlanta assistem e o odeiam. Os jogadores dizem que não gostam e depois que gostam. Ele nunca treinou um elenco decente. Ou seja, sei lá o que achar desse cara. Mas sério, quem se importa com o Atlanta Hawks?


Eric Spoelstra, Miami Heat

Se é difícil falar do Mike Woodson porque eu tenho o bom senso de não ver jogos do Hawks, com o Spoelstra eu não tenho nem escolha. Ele simplesmente nunca dirigiu um time da NBA, essa será sua temporada de estréia.

O que sabemos dele é que ele nasceu em Portland mas tem origem Holandesa-Irlandesa-Filipina, o que é uma mistura confusa que deveria acabar em uma pessoa de olho puxado, bêbada e drogada.

Mas a história do Spoelstra no Heat é bonita, digna daqueles sistemas de venda de emagrecimento tipo Herbalife, quando você começa como distribuidor e acaba como Presidente Junior da seccional de Itu.

Ele começou no Miami em 95 como coordenador de vídeo do time, não sei o que é isso, mas acho que ele era o cara responsável por ficar editando os jogos do Heat e dos adversários para o técnico usar com os jogadores. Em 97 ele foi promovido a assistente técnico e em 99 virou, além de assistente, olheiro da equipe. Em 2001 ele ganhou mais pontos de experiência ao derrotar um dragão vermelho e virou diretor dos olheiros do time. Anos depois ele começou a ser técnico das equipes do Heat nas Summer Leagues e agora é técnico do time de verdade.

Ufa! Quanta coisa! Serve de exemplo para você que está entrando agora na empresa como ajudante de assistente de estagiário ou como a pessoa responsável pela distribuição do cafezinho na empresa. Um dia vocês podem virar presidentes da companhia, ganhar milhões, casar com uma loira falsa e ter um iate. Eric Spoelstra garante! É só ter força de vontade e dedicar sua vida à uma grande corporação. Um brinde ao capitalismo!

O Pat Riley chamou o Spoelstra de "o próximo grande jovem técnico", seja lá o que isso quer dizer. Mas não dava pra esperar crítica do cara que o contratou, certo?


Stan Van Gundy, Orlando Magic

O Stan Van Gundy também era um "próximo grande jovem técnico" para o Pat Riley, mas teve que ser mandado embora do Heat quando o Pat farejou uma chance de ser campeão. No meio de uma temporada vitoriosa, o Van Gundy saiu dando uma desculpa esfarrapada ("preciso passar mais tempo com a minha família") que poderia ser interpretada como "O chefe pediu pra eu sair de fininho antes que ele me mande embora". Riley então assumiu o time e foi campeão.

O trabalho do Van Gundy no Heat foi ótimo. Ele foi o técnico do time antes do Shaq chegar, na equipe que tinha Eddie Jones, Odom, Brian Grant, Caron Butler e o novato Dwyane Wade. Nenhum deles tinha o nome que tem hoje e foi nesse time que começaram a aparecer para o público. Quer dizer, o Odom tinha nome mas tinha fama de cara talentoso que nunca tinha jogado de acordo com o seu talento, foi nas mãos do Van Gundy que ele fez sua melhor temporada na NBA. Na falta de um armador puro, o Odom era quem organizava o ataque do Miami, distribuindo para as finalizações de Butler e do Wade.

O Orlando do Van Gundy não tem nada a ver com esse Heat, o que mostra que ele sabe se adaptar e não fica impondo um estilo de jogo independente dos jogadores que encontra na frente. O Magic da temporada passada foi o time que mais tentou bolas de 3 na história da NBA! Mais que o Boston do Antoine Walker! Mas mesmo assim o time não era porra louca como esse Celtics, eles jogam com consciência e o Odom da vez é o Turkoglu, que com o Van Gundy fez a melhor temporada da sua carreira.

Também gosto muito da escolha dele de usar o Rashard Lewis na posição 4, mesmo que o Rashard não tenha nascido pra isso, é melhor usar ele por lá do que ficar colocando cara que fede, como o Brian Cook. Ao colocar o Rashard de ala de força ele cria muitos problemas para a defesa adversária, que precisa deslocar um cara grande pra defender as bolas de 3 e eventualmente pode abrir espaços para o Dwight Howard brincar de Superman dentro do garrafão.

Nada mirabolante, ele não é o rei da prancheta, faz simples e faz bem feito.


Eddie Jordan, Washington Wizards

O Eddie Jordan começou sua carreira no Kings, mas depois de uma temporada e meia foi mandado embora. Foi então para o Nets para ser assistente do Byron Scott e lá participou daquela sequência brilhante de títulos do Leste com o Jason Kidd. Depois do segundo vice-campeonato seguido, foi contratado pelo Washington Wizards. Na capital americana ele é, de certa forma, um sucesso. Foram apenas 25 vitórias em seu primeiro ano por lá mas depois são 4 aparições em playoffs e uma passagem para a segunda rodada.

E pra quem ficou confuso com o sistema "Princeton Offense" que o Danilo citou no post anterior, pode ficar confuso de novo. Depois de passar anos como assistente do Byron Scott, o Eddie Jordan usa o mesmo esquema para o seu Washington Wizards, apenas com alguns ajustes.

Ao invés do Jason Kidd ou do Chris Paul, quem arma o jogo é o Arenas, o que muda tudo, já que o Arenas é bem mais fominha que os outros, mas o princípio de movimentação rápida, da busca de espaçamento para arremessar continua lá. Até essa parte dos arremessos é ainda mais acentuada porque o time não tem peças boas no garrafão, o Antawn Jamison acaba contribuindo mais nos arremessos de longa distância do que como o Kenyon Martin fazia no Nets em que o Jordan era assistente.

Um time com quatro bons arremessadores como Arenas, Stevenson, Butler e Jamison é perfeito para a execução da Princeton, sem contar que o Arenas e o Butler também conseguem cumprir bem a função de cortar para cesta para finalizar as bandejas.

Quem quer entender melhor o Princeton é só lembrar do Kings que ficou famosos pela rivalidade com o Lakers, aquele com o Chris Webber, Stojakovic, Bibby e Divac. Eles executavam o Princeton à perfeição e tinham todos os ingredientes necessários para isso, mais do que tem esse Wizards, já que bons passadores no garrafão são importantes para conseguir espaço para arremessos e o Webber era um pouquinho melhor do que o Haywood, que é uma ameaça aos adversários tão grande quanto o Maguila foi uma ameaça ao Holyfield. Muitas vezes o Wizards fica sem espaço e tem que apelar para a individualidade, é o que vemos há 3 anos contra o Cavs nos playoffs, defesa pressionada e o Wizards não consegue tocar a bola como quer.

Apesar do ataque excepcional que o Wizards tem há anos, o problema do time ainda é a defesa. Em cinco anos por lá o técnico poderia ter dado um jeito do time ser menos patético na defesa, também acho que com ele o time ainda dá muitos apagões durante o jogo, com muita afobação. Um técnico que há anos está no time deveria dar um jeito nisso. Mas só por entender a "Princeton Offense" o Eddie Jordan já merece o meu respeito.

Ele também tem nome de ex-dono de equipe de Fórmula 1. Isso tem que valer alguma coisa.

domingo, 21 de setembro de 2008

Análise dos técnicos - Divisão Sudoeste

O ex-técnico Jeff Van Gundy afirmou que suas
olheiras são culpa do Bola Presa



Você pediu, você implorou, você esperneou e fez birra. Você ameaçou a gente de morte. Alguns caras nos Estados Unidos até mesmo se negaram a pagar suas dívidas do setor imobiliário, gerando uma crise econômica global. Jeff Van Gundy disse não ter motivos para viver ao ser demitido e não poder mais figurar em nosso post. Então é hora da gente deixar a preguiça de lado e cumprir o que prometemos: uma análise de todos os técnicos da NBA, um por um, pra você se mostrar para os amiguinhos e fingir que entende tudo de basquete. Só não vá pensando que vai conquistar alguma garota assim, até porque conhecer técnicos de basquete não vai te fazer ganhar dinheiro. Mas é o que separa os homens dos meninos, porque conhecer o LeBron James é fácil, aloprar o Kwame Brown é comum, mas saber se o técnico Eddie Jordan é bom ou ruim é coisa para um grupo seleto da população. Uma casta de fracassados que não tem mais nada pra fazer da vida além de absorver basquete e ficar escrevendo num blog por aí.

Resolvemos separar os técnicos por divisão, de modo a apresentar diariamente cinco deles de cada vez. Assim, teremos uma espécie de "semana dos técnicos" e, para celebrar a ocasião (não é sempre que fazemos um post tão exigido pelos leitores sem que tenhamos recebido propina), o técnico do Lakers, o vovô Phil Jackson, está olhando para você na nova foto do nosso template. Esperamos que todos os pentelhos que tanto pediram por essa série de posts estejam felizes e saltitantes e vamos então às análises, antes que bata a preguiça e a gente mude de idéia. Para começar, de forma aleatoriamente arbitrária, elegi a conferência do meu time, o Houston Rockets. Então, hora de fuçar nos técnicos da divisão Sudoeste.


Rick Carlisle, Dallas Mavericks

O técnico Rick Carlisle é famoso por ser um dos maiores estrategistas do basquete. Domina a parte tática do jogo como ninguém, ciente de todas as nuances e possibilidades em quadra. Muitos técnicos admitiram invejar a capacidade de Carlisle de adaptar suas táticas ao que está acontecendo no jogo, alterando o que for necessário para manter a partida sob controle. O único problema é que Carlisle é tão inteligente e versado no jogo da prancheta que acaba tendo problemas em se comunicar com seus jogadores no mundo real. Dá pra imaginar o cara falando por uns 15 minutos, citando nomes de jogadas, números, dados, traçando linhas e mais linhas na prancheta com trezentas variações de ataque e infinitas movimentações ofensivas para, ao terminar, ouvir alguém como o Ben Wallace perguntar: "Peraí, professor, o que você quer é que a gente coloque a bola na cesta, é isso?" É como se o PVC, o comentarista enciclopédia-humana da ESPN Brasil, fosse virar técnico de futebol. Ele ia descrever como o ataque adversário está usando uma variação da linha da Iuguslávia em 64 e os jogadores iriam tirar um cochilo. Um equivalente possível no futebol seria o Luxemburgo, que dizem ter problemas para se comunicar com os seus jogadores apesar (ou por causa) do domínio tático.

Quando estava no Pistons por duas temporadas, o Carlisle chegou a ser o técnico do ano e levou o Pistons a mais de 50 vitórias nas duas vezes, apanhando depois nos playoffs e sendo demitido. Quando foi para o Pacers, logo depois, venceu mais de 60 jogos, acabou em primeiro lugar na Conferência mas perdeu na Final do Leste para o Pistons de Larry Brown. Desde então, contusões acabaram com o elenco do Pacers e, diz a lenda, ninguém mais aguentava o blá-blá-blá do Carlisle, principalmente porque ele não tem muito tato para lidar com sujeitos como Jamaal Tinsley e Ron Artest. Agora ele é o novo e feliz técnico do Dallas Mavericks. Na temporada passada, quando Kidd foi trocado para o time, foi simplesmente tacado no elenco, apenas tapando o buraco deixado na armação. Não houve nenhuma adaptação do esquema tático. Agora, do jeito que Carlisle é biruta e do jeito que Kidd é um dos armadores mais inteligentes da NBA, é muito provável que o armador comande um ataque complexo com quatro mil variações. Se existe alguém no mundo capaz de entender o que o Rick Carlisle está pedindo, esse alguém é Jason Kidd. Para a próxima temporada, veremos se esse casamento dará certo e se Kidd parecerá ter menos de 60 anos. O único problema é que Carlisle costuma focar bastante na defesa e Kidd, bem, Kidd não defende mais nem ponto de vista.


Rick Adelman, Houston Rockets

O técnico do meu Houston sempre foi um dos meus favoritos na NBA. Na época em que Nash e D'Antoni não faziam o Suns correr como débeis mentais, o Sacramento Kings era sem dúvida nenhuma o time mais divertido de se assistir. Tudo porque a filosofia de Adelman é criar um ataque que flua naturalmente em quadra, com liberdade e criatividade. As variações ofensivas são muitas, a improvisação é estimulada e todo mundo acaba arremessando muito em seus times. No entanto, a ênfase não é na velocidade, como no Suns de D'Antoni. Aliás, Adelman não é um grande fã de contra-ataques, preferindo que o time tenha calma para desenvolver suas jogadas ofensivas. Alguns dizem que a tática de Adelman é uma suruba, em que todo mundo faz o que bem entende, mas outros afirmam que ele é bastante rígido com as movimentações ofensivas. Ele não se importa se um jogador incompetente errar 100 arremessos no jogo, desde que em todos eles tenha havido movimentação, fluidez e calma no ataque. Imagina como o Marbury ia ficar se coçando num esquema desses!

Num time de Adelman, todo mundo toca na bola. Os pivôs costumam sair de perto da cesta, ficando bastante na cabeça do garrafão, e aproveitando sua altura para dar passes precisos. Com Brad Miller e Yao Ming, funciona. Se tem uma coisa que o Adelman sabe fazer é usar as qualidades de seus jogadores ao máximo, seja altura, velocidade ou arremessos de fora. Mas o único modo de saber se Adelman sabe mesmo se adaptar ou se é ditatorial demais no ataque seria colocar o Kwame Brown em suas mãos e ver se ele insiste em colocar a bola nas mãos de moça do Kwame.

Por ser um técnico tranquilo, Adelman ficou famoso por saber lidar com jogadores problemáticos, tendo sucesso com Ron Artest e até com o Trail Blazers na época em que eles pareciam um episódio do "Cidade Alerta" da Record. Mas também tem fama de não cobrar muito os jogadores, principalmente na defesa. Recentemente, deu o braço a torcer e resolveu manter no Houston a defesa que havia sido instituída com sucesso pelo Jeff Van Gundy, modificando apenas a estrutura ofensiva. Deu bastante certo, o Houston destruiu na temporada regular mesmo sem Yao Ming, mas eu ainda não entendo o motivo de, nos playoffs, Adelman ter mudado a rotação do time. Ainda arrebento ele na saída.


Marc Iavaroni, Memphis Grizzlies

De duas uma: ou o Iavaroni é burro ou precisa muito alimentar suas crianças. De outro modo, não vejo porque teria aceitado o cargo de técnico do Grizzlies. Já foi assistente técnico de Pat Riley, passou os últimos anos se divertindo como assistente técnico na correria do Phoenix Suns, mas preferiu agora ser o capitão responsável por um barco naufragado pela metade. Se o cargo não fosse ruim o bastante, ainda aprontaram feio com o coitado, trocando a estrela do time, Pau Gasol, por três feijões mágicos e mais o Kwame Brown, o pesadelo de qualquer técnico. Talvez o Grizzlies esteja apenas montando um reality show apresentado pelo Silvio Santos, entitulado "Como enlouquecer um técnico novato". Se ele não se matar até o fim da próxima temporada, receberá seu prêmio em barras de ouro, que valem bem mais do que dinheiro.

Se o Marc Iavaroni é bom ou ruim? É impossível dizer. Primeiro porque ninguém assistiu jogo nenhum do Grizzlies na temporada passada, nem a gente aqui no Bola Presa, nem os torcedores do time, nem a família dos jogadores. Segundo porque não dá pra julgar a capacidade de alguém tendo que comandar um dos piores elencos de toda a NBA. Contra o Iavaroni, consta a lenda de que, uns anos atrás, ele achava o Jake Tsakalidis o único pivô que seria capaz de rivalizar com Shaquille O'Neal. Como a especialidade do Iavaroni são os homens de garrafão, imagina só o tipo de merda que ele deve falar de armadores, por exemplo.


Byron Scott, New Orleans Hornets

O ganhador do prêmio de técnico do ano na temporada passada é um dos utilizadores na NBA da denominada "Princeton offense", um conjunto complexo e rígido de táticas ofensivas utilizadas durante décadas pela Universidade de Princeton. Trata-se de priorizar a movimentação de bola, com uma infinidade de passes, a maioria dos jogadores atrás da linha de três pontos, até que exista espaço para arremessos livres ou infiltrações por trás dos defensores (sem duplo sentido, por favor). É um ataque lento, que visa a marcar poucos pontos, exige um grande esforço coletivo e é ideal contra adversários mais atléticos. Normalmente, armadores não são muito necessários na "Princeton offense", porque qualquer um pode iniciar a movimentação ofensiva, então basta um armador mediano que esteja disposto a passar a maldita bola. Fica fácil de entender o porquê de Byron Scott ter trocado Marbury pelo Kidd assim que assumiu o Nets, não fica? Com Kidd, aliado à "Princeton offense" e aos famosos recursos motivacionais de Scott, o Nets chutou traseiros e foi campeão do Leste. Agora, no Hornets, quem rege a "Princeton offense" é o Chris Paul, um armador inteligente e disposto a passar a bola a todo custo.

É claro que a implantação da tática é mérito de Byron Scott, e ele é famoso por colocar em seus jogadores uma mentalidade de jamais desistir em momento algum das partidas, fazendo todo mundo acreditar que pode ganhar. Mas como seria seu desempenho sem armadores espetaculares como Kidd e Chris Paul para reger uma das movimentações mais complexas do universo basquetebolístico? E se você quer saber mais sobre a "Princeton offense", pense duas vezes antes de pedir para o Bola Presa fazer um artigo a respeito: é difícil pra burro entender a fundo essa porcaria e também lembramos que toda vez que nos cobram algum post, o mercado financeiro dos Estados Unidos entra em colapso. Cuidado.


Gregg Popovich, San Antonio Spurs

O técnico que todos amam odiar, o técnico que não cansa de ganhar, que faz os nerds das pranchetas terem orgasmos múltiplos e coloca para dormir todo o resto da civilização ocidental contemporânea. Tudo porque Popovich foca seus esforços na defesa enquanto tem fama de ser um dos técnicos mais severos e controladores no ataque (ele é tipo mulher ciumenta). Tente dar um arremesso que Popovich não planejou com antecedência de 48 horas e você será colocado no banco. Para conseguir arremessar uma simples bola, Tony Parker precisa preencher um formulário e autenticar em três vias - seja lá o que isso significar. Mas a verdade é que os jogadores no Spurs apenas obedecem o que está instituído, colocando em prática um ataque maquinal e absurdamente funcional. Duncan estará sempre em posição para seu clássico arremesso usando a tabela, Tony Parker sempre poderá infiltrar e passar a bola para a zona morta e Bruce Bowen sempre estará livre por aquelas bandas, pronto para arremessar de três e ser um bundão. Apenas Ginóbili é inesperado porque ele faz as mesmas coisas de modos extraordinários, com aquelas passadas malucas e destrambelhadas que, segundo o próprio Popovich, matam ele do coração.

Quando falo do Popovich, sempre uso como exemplo sua relação com Tony Parker. O francês tinha uma cota máxima de arremessos que podia dar de trás da linha de 3 pontos (sem brincadeiras!) e, quando começou sua sua carreira no Spurs, era obrigado a passar a bola para fora do garrafão ao invés de fazer as bandejas que hoje lhe são marca registrada. Com o tempo, foi ganhando mais liberdade com o técnico - o que equivaleria a uma mãe dizer que a filha não pode ir para a balada, mas que agora pode passar maquiagem dentro de casa. Para nós, fracassados que perdemos para o Spurs a torto e a direito, sua relação ditatorial com o time, respostas mal humoradas e cara de quem está com uma eterna apendicite nos fazem odiar Gregg Popovich como poucos no mundo. Mas tem mais: "Pop" (como alguém tão mal encarado pode ter um apelido tão fofucho?) era dirigente do Spurs, demitiu injustamente o técnico do time e se auto-proclamou o novo treinador, cargo que exerce desde então. Se ele não fosse um branquelo em um time texano, provavelmente o presidente Bush iria colocar o exército para intervir na questão. E o mais engraçado é que Popovich disse que deve se aposentar assim que acabar o contrato de Tim Duncan, ou seja, provavelmente não quer testar como seriam seus resultados sem um dos melhores jogadores de todos os tempos ao seu lado. Bem, se pudesse escolher, eu também não testaria.

E não adianta me dizer que estou com dor de cotovelo porque sim, estou com dor de cotovelo. O Gregg Popovich ganhou demais na vida, deixa pelo menos um blog na internet dar a entender que o cara é fracassado, tá legal?

sábado, 20 de setembro de 2008

Joelho, joelho meu...

...alguém tem o joelho mais zoado do que eu?


Pela milésima vez consecutiva o principal assunto do blog do Gilbert Arenas é o seu joelho. Lá está ele de novo explicando pra todo mundo que merda aconteceu dessa vez. O problema do momento foi mais uma cirurgia no joelho, bem mais simples do que as anteriores, mas que o deixará fora de combate por pelo menos um mês de temporada, mas podem ser até dois.

Para quem estava morando em Marte, em coma ou só começou a acompanhar NBA agora porque os textos do Bola Presa são tudibom, vale lembrar que o Arenas jogou apenas 13 jogos na temporada passada por causa do mesmo joelho e que na temporada anterior tinha perdido o fim da temporada regular e os playoffs por causa do mesmo joelho. Em português claro: ele tá bichado. Um bichado rico, que assinou um contrato de 111 milhões para os próximos 6 anos.

É difícil até fazer um paralelo com o mundo real pra dar uma noção do negócio arriscado e caro que o Wizards fez. Mas é como se os Estados Unidos gastassem 700 bilhões de dólares para acertar as contas da atual crise financeira e não conseguissem resolver nada com isso. O Wizards fez todo o investimento para ter seu líder em quadra para os próximos seis anos e o que tudo indica é que ele sempre será uma contusão em potencial, assistir a jogos do Wizards será a chance de ver o Arenas marcando 50 pontos ou de ver ele saindo em cadeira de rodas à la Paul Pierce, mas sem a parte de voltar pulando para a quadra.

Não tem como falar de jogador estragado e não lembrar do Grant Hill. O atual coadjuvante do Suns foi bi-campeão universitário jogando por Duke, foi a terceira escolha do draft de 94 e a primeira parte da sua carreira foi de tirar o fôlego, ele foi o "novo Jordan" da sua época. Época que o Jordan ainda jogava, o que deixa a impressão de que até o Elgin Baylor já foi chamado décadas antes do MJ começar a jogar.

Para ilustrar o impacto do Grant Hill na NBA, basta ver os números do seu segundo (segundo!) ano na liga: 20,2 pontos, 9,8 rebotes e 7 assistências. Que tal? Se o LeBron impressiona hoje porque dá 6 assistências e 7 rebotes mesmo sendo ala, o Grant Hill jogava na mesma posição e fazia números ainda maiores, fazia menos pontos, mas não porque não tinha a capacidade pra isso, em seu último ano saudável ele teve média de 25 pontos. Nesse ano, inclusive, ele e Stackhouse, então seu parceiro no Detroit Pistons, eram a dupla que mais fazia pontos na NBA, mais do que os pontos combinados da dupla do Lakers Kobe e Shaq, que viriam a ser campeões no fim da temporada.

Acontece que o Pistons, mesmo com essa dupla de sucesso, não conseguia vencer nada, então mandaram o Grant Hill pro Orlando em troca de Chuck Atkins e o então desconhecido Ben Wallace e mandaram o Stackhouse para o Wizards em troca do Rip Hamilton, começando a montar o time que conhecemos hoje. Mas se as trocas foram boas para o Pistons, não foram para o Grant Hill. No seu primeiro ano em Orlando ele jogou apenas 4 partidas, no ano seguinte 14, depois 29, aí não jogou nenhuma partida em 2003-04, animou muita gente jogando 67 das 82 partidas possíveis na temporada seguinte e por fim jogou 21 jogos em seu último ano, antes de sair para o Phoenix Suns. Desastre médico que nem o House resolveria.

A parceria dos sonhos entre Grant Hill e Tracy McGrady foi vista em ação só uma meia dúzia de vezes e a história do "novo Jordan" já tinha virado piada, o Grant Hill era o Jordan sem tornozelos. O Orlando tinha mandado o Ben Wallace e gastado uma fortuna em um jogador que tinha nome, talento mas que nunca jogou. História que deve arrepiar qualquer torcedor do Wizards.

Falando de novo no Orlando, podemos ligar a história do Arenas com a de outra estrela do Magic, Penny Hardaway.

O Penny teve até uma carreira longa, mas perdeu duas temporadas praticamente inteiras por problemas de joelho e depois da primeira contusão, no final de 97, nunca mais foi o mesmo jogador fora de série do início de carreira. Ele não dependia exclusivamente do seu físico para jogar e mesmo quando já não era uma superestrela, em seus tempos de Phoenix Suns, volta e meia flertava com uns triple-doubles e aparecia nas jogadas da semana com algum passe mágico para fazer a gente falar "imagina se não estivesse bichado!"

O Penny Hardaway, junto com o Grant Hill, eram símbolos de uma nova geração na NBA. A era de Jordan, Barkley, Malone e Olajuwon estava em seu auge, começando a decadência, quando os dois apareceram para renovar a liga. E se dizem que exisitiu uma crise de talento depois da aposentadoria do Jordan, pode ter certeza de que o fato de Hill e Penny não jogarem tudo o que podiam tem muito a ver com isso, os dois tinham tudo pra levar pelo menos um troféu de MVP pra casa cada um. O próprio Gilbert Arenas, em uma entrevista, disse que um dos seus modelo no basquete foi o Penny Hardaway.

Não temos falta de talento hoje na NBA, tem muita gente boa, mas não quer dizer que o Arenas não faça falta. Tem gente que até acha que o Arenas não é tão bom assim e que o Wizards joga melhor sem ele ou diz que o Arenas é fominha, porém eu acho que o Wizards joga mais em equipe sem ele, mas não que é um time melhor. Sem o Arenas eles nunca vão passar da primeira rodada dos playoffs, com ele em quadra o time tem pelo menos chance, porque ninguém lá é tão decisivo quanto o Agent Zero.

E ele é fominha sim, isso é verdade, mas um fominha mais estilo Kobe do que estilo Marbury, se formos comparar com alguém, porque ele consegue levar seu time pra vitória, nunca foi um fominha que estragasse os companheiros à sua volta.

Mas a verdade é que essas contusões incomodam, ainda mais porque essas discussões existem e se ele não consegue jogar meia dúzia de partidas seguidas para conseguir provar que alguém está certo e o outro está errado, nunca vamos ter respostas.

A discussão "o quanto o Arenas é bom?" está virando algo do tipo "Kobe ou Jordan?" porque as duas não tem como ser provadas então tem sempre mané perguntando isso e outros manés dispostos a escrever sobre o asssunto. Então me proponho aqui a não falar mais sobre o jogo do Arenas até que ele volte finalmente a jogar de verdade!

Se existem outros talentos como o Arenas hoje em dia, não existe ninguém mais engraçado e falastrão do que ele. Nunca alguém que vai enfrentar o Celtics vai dizer na internet, pra todo mundo ler, que o trio do time dele é superior. Nem Kobe e nem LeBron, com todo o talento deles, é capaz de prometer que vai fazer 50 pontos em um jogo por vingança. O Arenas foge do lugar comum, é engraçado, provoca, diz o que pensa e isso vai fazer falta se ele só continuar a falar do seu joelho no blog.


Pra quem ainda está de fraldas e não conhece o Grant Hill e o Penny Hardaway, aqui tem um vídeo sobre os dois. É só tirar o som, porque ouvir Cher é pior do que três cirurgias no joelho sem anestesia.



quinta-feira, 18 de setembro de 2008

As férias de Josh Howard

Josh Howard sabe: ali dentro bate um coração


O tédio é o maior inimigo do homem. Se não fosse por ele, ninguém teria criado a pólvora, invadido a Hungria ou tentado chegar na Lua apenas para ver que ela não era feita de queijo. Inventamos todos os tipos de coisas para não morrer de tédio, incluindo uma cruel temporada de 82 jogos na NBA - que, apesar das lesões causadas pelo excesso, até parece coisa de criança perto dos 162 jogos por temporada na MLB, a liga de baseball. Entediados que somos, precisamos arrumar alguma coisa para nos entreter nesse curto período em que o mundo fica completamente sem basquete. É comum, faz parte da natureza do homem procurar alguma coisa para fazer. Para o azar do ala do Mavericks, Josh Howard.

Trata-se da união de duas coisas: a primeira é o tédio, a segunda é uma cultura que idolatra celebridades com a mesma paixão que idolatra saber da vida pessoal de todo mundo. Acho que as duas coisas estão interligadas, aliás: por que você iria querer saber quem é a nova mulher do seu vizinho se você não estivesse entediado? E se o vizinho for famoso, o interesse é ainda maior. Por isso, toda e qualquer atitude polêmica de um jogador famoso da NBA vai parar imediatamente na mídia e o mundo se delicia julgando o sujeito.

A lista de incidentes com o Josh Howard fora de quadra com ampla cobertura da mídia nos últimos tempos foi bastante ampla, por exemplo. Pelo jeito, ele também anda um pouco entediado. Pra começar, admitiu numa rádio que fumava maconha assim que a temporada acabava, assim como vários outros jogadores da NBA. Depois, deu uma festança de aniversário para si mesmo no meio da série de playoff contra o Hornets. Após a eliminação, foi preso por dirigir em alta velocidade no meio de um racha, ação pela qual terá que ir a julgamento. Em seguida, perguntado sobre sua influência sobre as crianças durante um evento de caridade, botou os repórteres para correr. E para finalizar, dia desses foi filmado num evento de caridade durante o hino nacional dos Estados Unidos, dizendo que não iria cantar aquela merda porque ele é negro.

Uma rápida passeada pela internet nos leva a uma multidão de pessoas querendo a cabeça de Josh Howard, criticando o Dallas Mavericks por não tê-lo trocado enquanto era tempo, afirmando que ele não deveria mais jogar basquete, que é um sujeito terrível. Peraí, então se o Manoel da padaria fumar um baseadinho durante as férias, ele passa a ser imediatamente um péssimo padeiro? Que porcaria de lógica deturpada é essa? Até mesmo para uma coisa completamente idiota e reprovável, tipo tirar rachas por aí, isso tornaria o Manoel menos adequado para sua função na padaria?

Nós idolatramos tanto os esportistas de elite que não somos capazes de aceitar que tenham falhas, que sejam humanos, que cutuquem o nariz, que já tenham sido fãs de Sandy & Júnior ou se divirtam com o deslife de lingeries do Superpop. Se o cara faz merda, então ele faz merda, o que isso tem a ver com basquete? Nas férias, o executivo ou dirigente vai pra onde quer, faz o que bem entender e fala o que bem entender. O jogador não pode por qual motivo? Por que o ambiente de trabalho se extende para todo o resto da vida do jogador e ele não pode nunca estar de folga? Pra mim, é tão ridículo quanto ator de novela da Globo apanhando na rua por aí, que é uma coisa que costuma acontecer bastante. Eu até entendo, se eu visse um ator da Globo eu também iria querer bater por eles não terem um pingo de talento, mas eles federem no trabalho não tem nada a ver com a vida civil deles. Não iria querer ninguém me perseguindo no supermercado porque fiz alguma merda no meu emprego, são coisas separadas que não podem se confundir.

No caso do Josh Howard, não apenas misturam sua vida profissional com a pessoal como também julgam suas ações de um modo totalmente conservador e ridículo. Ele não quer cantar o hino nacional, acha que não faz parte do seu país por ser negro e os Estados Unidos tratarem os negros como lixo. É uma escolha dele, oras. Já estou de saco cheio de gente levando patriotismo a sério, é tão ridículo quanto torcedor do Palmeiras não falar com torcedor do Corinthians, é apenas uma convenção, uma linha imaginária. Há uma dificuldade muito grande em lidar com o outro sem exigir que tenha nossas convicções e nosso ponto de vista. Mas no caso dos esportistas, é pior. Quando não são como a gente deseja, reflexos de nossos ideais (ou dos ideais da maioria), achamos que eles "não merecem estar lá". Afinal, eles são famosos, ganham milhões de dólares por ano, dormem com supermodelos e não trabalham num escritório. São honras muito grandes que só deveriam ser alcançadas por seres superiores que não fumem maconha e que cantem o hino dos Estados Unidos com a mão no peito. Ridículo.

Engraçado é que a única voz sensata que se levantou sobre o incidente do Josh Howard não cantar o hino foi justamente do Ron Artest, o jogador mais criticado em quadra pelas coisas que faz na vida pessoal. Ele não passou a mão na cabeça do Josh Howard e nem defendeu o patriotismo, apenas disse que é uma questão de educação, que as escolas deveriam falar mais sobre o preconceito. Que ele entende o que é não se sentir inserido no próprio país mas que, aos poucos, percebe que nem todas as pessoas são ruins, estão apenas divididas pela ignorância e precisam de alguém que possa unir a todos.

Eu concordo bastante com o Artest. Racismo e preconceito é questão de educação. Mas acrescento: patriotismo também. Afinal, o que é o patriotismo senão um preconceito? Trata-se apenas de ter uma opinião pronta sobre valores, indivíduos e regiões sem ter pensado neles antes. Amar ou odiar qualquer coisa incondicionalmente significa que você está se atendo a uma idéia preconceituosa ao invés de pensar melhor sobre as coisas.

No fundo, quando julgamos as ações do Artest, do Josh Howard, do Rasheed Wallace, estamos lidando com preconceitos porque não podemos imaginar como é ser de uma cultura diferente, com uma mentalidade diferente, ver-se tão rapidamente cercado por fama, dinheiro, mulheres e gente vigiando seu traseiro gordo onde quer que você vá. Lembro de uma entrevista com o Jamaal Tinsley em que, após se envolver em um punhado de incidentes com trocas de tiros, ele disse que era algo normal e que acontecia com todo mundo, só o critivavam porque ele é famoso. Diabos, dá pra imaginar uma cultura em que dar uns pipocos por aí é completamente natural? Não dá, mas existe. E temos que aprender a aceitar isso.

Da próxima vez em que o Tinsley atirar para cima em uma boate, tente pensar em que tipo de cultura ele nasceu, que tipo de educação teve, qual o ambiente em que vive. E depois se pergunte: que diabos isso tem a ver com a profissão dele, que é jogar basquete? O que o cu tem a ver com as calças? O Rasheed Wallace tem uma frase genial sobre isso. Intrigado sobre a personalidade de Sheed, que estava feliz e sorridente enquanto assinava centenas de autógrafos para crianças, um repórter perguntou para onde tinham ido as tradicionais reclamações, caretas e a expressão carrancuda presentes nos jogos. "Aquilo é meu trabalho, e você também não iria querer que te atrapalhassem no seu serviço. Mas aquilo fica nas quadras, não tem nenhuma relação com a vida aqui fora." Se mais gente pensasse como ele, Josh Howard poderia ser um completo idiota, igualzinho a bilhões de outros completos idiotas pelo mundo. E sem aparecer nas manchetes, sem ser cobrado pela influência que tem nas crianças. Oras, as crianças são as mais entediadas de todas e por isso ficam jogando Pokémon sem dar a menor importância para a vida do Manoel da padaria - e para a vida de Josh Howard, não importa quantas decisões geniais ou equivocadas ele consiga arranjar.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Streetball para quê?

"Legal esse negócio que você faz com a bola, Alston.
Mas e basquete, você não joga?"



Um tempo atrás, me perguntaram se eu achava que o streetball era prejudicial para o basquete por acabar com os fundamentos da garotada que assiste e pratica. Bem, não existe resposta simples para essa questão. O único modo seria abordar esse tema em um post assim que o Bola Presa tivesse um tempinho. Notícias fresquinhas: Arenas ainda machucado, Gallinari com dor nas costas? Ê, mês difícil. Então, post sobre streetball, aí vamos nós.

Vale mencionar que, quando me deparei pela primeira vez com o tal basquete de rua, uns anos atrás, fiquei imediatamente fascinado. Sou apaixonado pelo conceito de todo e qualquer esporte, que cria uma linguagem comum entre seus praticantes através de suas regras. Dois praticantes de basquete ou futebol sempre se entenderão, em qualquer lugar do mundo, ainda que não falem a mesma língua. Falarão através do esporte, mostrarão as diferenças culturais no modo que o praticam, mas na essência estarão compartilhando da mesma prática e do mesmo interesse. O único problema é que, para que isso aconteça, o esporte precisa sofrer uma série de delimitações e restrições. Ao se estabelecer a regra do impedimento, poda-se um pouco da liberdade do futebol mas cria-se um conjunto de regras que devem ser seguidas por todos os praticantes. É justo, cria uniformidade.

No entanto, quanto mais regras são estabelecidas, menor a margem possível para a expressão do indivíduo, menor a possibilidade de ser criativo. Não adianta acordar com a genial idéia de segurar a bola de futebol com as duas mãos e correr em direção ao gol para demonstrar sua criatividade e visão de mundo, qualquer juiz do planeta vai apitar na tua orelha e te avisar que não pode tocar com a mão na bola. E se você estiver jogando sem juiz, apenas entre amigos, todos eles vão rir da tua cara, a não ser alguns, que vão te bater mesmo. E se você estiver jogando sozinho e fizer isso, agora entenderá porque não tem amigos. Ser criativo no esporte, então, é encontrar aquele pequeno espaço entre a liberdade e o permitido pelas regras, tipo petecar a bola com a cabeça, o famoso drible da foca. Mas basta perguntar ao Kerlon e ele te dirá que a competitividade no esporte cria praticamente uma regra escondida, a de que a criatividade tem que conseguir vencer também as porradas que dão em quem atreve a se expressar. Hoje em dia, muita gente tem vergonha de dar um drible novo, mas ninguém tem vergonha de descer o cacete. É uma regra silenciosa, velada.

Quando conheci o streetball, uma matemática inconsciente se formou na minha cabeça. Se esse basquete de rua tem menos regras, consequentemente tem mais liberdade, mais criatividade e maior espaço para a expressão pessoal. Parecia bacana, uma abordagem diferente, um passo mais longe do esporte, mas um passo mais perto da arte. Ninguém quer saber se você andou com a bola, se carregou, se deu dois dribles, se petecou a bola com os pés, o que importa é ser criativo e criar um espetáculo. Na minha primeira impressão, parecia uma prática de resistência contra as regras, as delimitações e o padrão, uma versão esportiva do jazz. Uma ferramente dos excluídos contra a repressão, dos guetos contra o domínio sóbrio e carrancudo da NBA do comissário David Stern.

Comecei a assistir o maior grupo de streetball dos Estados Unidos, conhecido como And 1, rodar o país dando espetáculos e recrutando candidatos para fazer parte do time, tudo num modelo bizarro de reality show que, estranhamente, não tem cenas de sexo. Eu vibrava com os lances, acompanhava a vida dos jogadores, torcia para os meus favoritos. Até que minha visão romântica da coisa foi sendo aniquilada por uma quantidade absurda de imbecis, excesso de competitividade e um tal de Rafer Alston.

Explico. A intenção da And 1 é, claro, criar um espetáculo com jogadores que se expressam livremente através de um jogo de basquete com o mínimo de regras possíveis. Mas apenas a demonstração de habilidades e criatividade não era suficiente, tornava-se necessário enfrentar outros times e ganhar de todos, para mostrar a superioridade da marca. Para isso, um técnico foi escolhido para traçar estratégias, gritar com um louco e dar ordens para os jogadores. Quando um jogador estava dando espetáculo mas não estava ajudando o time a vencer, ganhava esporros, puxões de orelha e ia sentar no banco. Se a vitória é tão importante para eles a ponto de renunciar aos jogadores criativos, então qual o sentido do streetball? Joguem o basquete convencional e joguem para vencer, sem dribles malucos e passes cheios de enfeite. Mas a sede de vitórias só aumentou com o tempo, principalmente porque a lenda do And 1, Skip to my Lou, acabou indo jogar na NBA. No começo, fez muita merda no Bucks, ele andava e carregava a bola o tempo todo, mas depois se acertou no Miami Heat como um bom arremessador, teve atuações sólidas e responsáveis no Raptors e então foi atormentar minha vida no Rockets como armador titular, usando o nome real de Rafer Alston. Desde então, todo jogador da And 1 não quer apenas vencer - quer também provar que pode jogar na NBA, que pode dar certo no basquete convencional. Para cada drible maluco há sempre um técnico berrando que aquilo vai comprometer a vitória, seguido pelo jogador que driblou desculpando-se para a câmera ao fim do jogo: "Eu consigo fazer isso com a bola, sei driblar assim, mas também sei jogar sério. Posso jogar contra os caras da NBA de igual para igual." Claaaro que pode. Conhece aquela do português?

Fui assistir ao jogo do And 1 contra um selecionado brasileiro no Ibirapuera e essa vontade de vencer ficou mais do que óbvia. Ao tomar um drible constrangedor, o armador-sensação nanico e branquelo The Professor agarrou o brasileiro pela cintura, parando o jogo. Quando o placar começou a apertar, começaram a apelar para faltas duras, apertando na defesa e disparando cotoveladas. Ao fim, uma das estrelas do And 1 brigou feio com um brasileiro e teve que ser contido. Ah, os prazeres de ver o esporte unindo culturas, realidades distintas e fazendo com que uma queira beber o sangue da outra em nome da vitória.

Se eu me preocupo com a influência da And 1 no aprendizado dos fundamentos do basquete pela garotada? Se a And 1 está colocando o foco nos dribles ao invés de no posicionamento, defesa, arremessos, passes, rebotes e todo o resto? Não, não me preocupo, não me importo, tô cagando e andando. Mas eu me preocupo demais com o espírito competitivo que a And 1 injeta nas veias da pirralhada. Pessoalmente, joguei basquete apenas um punhado de vezes em quadras abertas em parques por aí. O basquete praticado é, em geral, o streetball. São adolescentes executando dribles malucos, passes de costas, e depois dando cotoveladas e socos no queixo para vencer a todo custo uma partida de brincadeirinha. Não compreendo. Se não há risadas, diversão e expressão no streetball, para que ele serve? Por que não estão jogando o basquete tradicional, competitivo, e tendo chances de jogar em clubes de verdade onde poderão ver muito sangue e ouvir muitos técnicos berrando com eles? Aliás, sendo que jogo de graça apenas para me divertir, qual seria o sentido de jogar contra adversários que me dão um soco na nuca para impedir que eu faça uma bandeja livre? Se você quer tanto a bola, pega a bola, toma, é melhor eu ir ver o filme do Pelé.

Por isso, entendo cada vez menos a existência do streetball. Nos Estados Unidos, inclusive, ele acaba criando um ciclo completamente deturpado. Ao invés de ser um esporte praticado por quem quer se expressar mais livremente ou por quem não conseguiu jogar na NBA ou em outras ligas profissionais, ele acaba seduzindo adolescentes que querem ou precisam de uma graninha e não acham que valha a pena ir jogar de graça por uma universidade. O problema é que são as universidades que revelam os talentos para a NBA, então quando um jovem prefere ganhar um dinheirinho para jogar streetball na TV ao invés de ir pra faculdade, ele está consequentemente recusando uma chance de jogar na NBA (além de perder a chance, claro, de ter um diploma universitário, que serve ao menos para render cela especial caso você seja preso). Mas jogar na NBA ainda é o sonho de qualquer jogador de basquete, seja pelas oportunidades, seja pelo dinheiro, e então aqueles que negaram ir para a universidade acabam tentando convencer o resto do mundo, numa quadra de streetball, que conseguem jogar sério e poderiam estar praticando basquete de verdade. Tudo em vão. O Rafer Alston, único a sair do mundo do streetball rumo às quadras da NBA, fez faculdade normalmente. E apesar de ser uma grande lenda no basquete de rua, fede generosamente no basquete tradicional (mesmo que alguns não concordem comigo, provavelmente por não serem torcedores do Houston como esse sofredor que vos escreve).

Teoricamente, acho o streetball uma iniciativa válida e divertida, mas apenas se alguém estiver se divertindo através dela. Em geral, quando vejo alguém se desfazendo das regras do basquete, costumo perguntar o motivo. "Por que você prefere jogar basquete de rua?" É uma escolha, claro, mas é em geral uma escolha incoerente. As regras viram farofa mas a competição, a vontade de vencer, a agressão, os egos, os técnicos, a obrigação, tudo está lá. Para quê tirar as regras, então, se o resto do pacote não fica nem um pouco mais divertido? No fim das contas, o streetball não é jazz, não é resistência - é apenas uma idéia que, deturpada, tenta arranjar em vão desculpas para existir. E que enquanto isso vende uns pares de tênis que, aliás, me causaram uma tendinite no joelho. Não recomendo.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Foi bom enquanto durou

"Salve os canguruuuuus e os coalas tambéeeeem"


... mas acabaram as Paraolimpíadas de Pequim. Quer dizer, ainda tem maratona, futebol de cego e outras coisas, mas nenhuma envolve uma bola laranja, então para o Bola Presa as Paraolimpíadas acabaram.

Depois de derrotar os EUA em uma semi-final histórica, o Canadá foi para a final contra a Austrália como favorito. A seu favor, uma campanha inédita, o melhor jogador do mundo e uma vitória estimulante nas semi-finais. Além disso, o time dos alces e dos guardas florestais estava com a liderança do jogo até a metade do terceiro período, mas então tudo desmoronou.

Se a semi-final tinha sido uma tardia revanche sobre os EUA, na mesma situação da semi-final do Mundial de 2002, dessa vez foi o Canadá que sofreu com a revanche, já que em Atenas o Canadá tinha sido campeão paraolímpico justamente sobre a Austrália. E dessa vez não tem depoimento do Patrick Anderson no seu blog para contar sobre o jogo, ele ainda deve estar com a cabeça bem quente.

O craque do Canadá foi o reboteiro do jogo, com 12, e também o cestinha, com 22 pontos, mas perdeu 6 dos 12 lances livres que cobrou e não conseguiu segurar o ímpeto ofensivo da Austrália no segundo tempo. O placar da segunda etapa foi de 44 a 28 para a Austrália, uma atuação impecável! Pode-se dizer que no geral o Canadá é um time mais forte, um time que venceria a Austrália em uma melhor de 7 jogos, por exemplo, mas não dá pra dizer que o time não merecia o ouro, jogar o seu melhor basquete da competição justamente contra o melhor time e no jogo mais decisivo é coisa de herói olímpico que merece estátua em praça pública na Austrália, do lado da estátua do Patrick Rafter e do Steve Irwin, o caçador de crocodilos.

Na disputa do bronze, mostrando que aquela semi-final histórica deixou o braço de todo mundo bem cansado, os EUA perderam para a Grã-Bretanha e ficaram sem medalha.

O nosso amado Brasil também terminou sua participação hoje, com uma vitória bem tranquila sobre a África do Sul. Confesso que até dormi assistindo o segundo tempo do jogo de tão tranquilo que o jogo estava. No primeiro tempo, o Brasil dominou completamente o garrafão e pegava rebotes ofensivos com a mesma facilidade que o Dado Dolabella pega celebridades B. O José Marcos Silva, o popular Pipoca, e novamente o Leandro Mirando, hoje sem trocadilhos, dominaram a partida para o Brasil e no fim do jogo até entrou o nosso banco de reservas pra ficar brincando de basquete um pouco, pra fazer o tempo passar.

No fim das contas foi um ótimo campeonato. O Brasil manteve sua posição em relação ao Mundial mas teve atuações melhores, incluindo o histórico jogo contra a Austrália, quando quase vencemos a equipe que veio a ser medalha de ouro. Além do Brasil, o torneio teve bons jogos, principalmente a semi-final entre Canadá e EUA, além de um fato curioso para você contar para os netos quando ficarem sem assunto na mesa de jantar, o jogo entre EUA e Irã.

O jogo na verdade não aconteceu. Seria válido pelas quartas-de-final, já que os EUA foram 2° colocados do grupo do Brasil e o Irã conseguiu um excelente 3° lugar no grupo do Canadá. Porém, os iranianos resolveram abandonar os jogos com a desculpa de que tinham sido avisados muito em cima da hora de uma mudança de horário do jogo. O horário realmente foi modificado devido a transmissões da TV (iria passar ao vivo no Irã, inclusive) mas tudo foi avisado com 24 horas de antecedência, como todos os times sabiam que poderia ocorrer durante a competição.

O que estão dizendo é que na verdade os iranianos desistiram porque se perdessem para os americanos eles iriam cruzar com Israel, confronto que o Irã não queria de jeito nenhum devido aos confrontos políticos dos dois países, o Irã nem reconhece Israel como um país legítimo. Nas olimpíadas desse ano um nadador iraniano se recusou a nadar os 100m peito porque tinha um israelense na mesma prova! Ele alegou que estava doente, mas convenceu tanto quanto o Ginóbili cavando falta. Em Atenas já tinha acontecido algo parecido, naquela ocasião foi pior porque o iraniano que abandonou os jogos foi um judoca que era favoritíssimo ao título, mas pelo menos ele teve as bolas de dizer que foi por motivos políticos.



O que levamos das Paraolimpíadas, crianças?

Aprendemos sobre o esporte, conhecemos o assistente técnico da Seleção, o Sileno, que foi muito legal e essencial para toda nossa cobertura, conhecemos o lendário Doinha, descobrimos quem é o Patrick Anderson, acompanhamos um jogo histórico e por fim até conflito político teve. Faltou só ganhar dinheiro por ter feito isso.



Agradecemos aos que acompanharam os Jogos Paraolímpicos por aqui, e agradecemos a paciência daqueles que só gostam de NBA e não estão nem aí para qualquer outra competição. A partir de amanhã, voltamos com o que o Bola Presa sabe, a NBA, com suas enterradas, correntes de ouro, caras malas, cheerleaders, Eddy Curry e até um time chamado Thunder (irgh!).