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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Pós-view da Final do Oeste - Mavs X Thunder

Mesmo marcado por alguém que não sai do chão, o Nowitzki pula pra trás como bailarina


Deu tudo errado nos nossos planos e não conseguimos postar nosso já tradicional preview antes de começar cada nova série dos playoffs. Mesmo que muitas vezes ele vá ao ar em cima da hora, minutinhos antes do jogo, dessa vez nem isso conseguimos fazer. Thunder e Mavs ficou sem uma apresentação, sem uma introdução. Mas já que nos acostumamos a moldar o espaço-tempo com o League Pass (que permite que você assista ao jogo já começado ou terminado quando quiser, voltar a jogada, pausar, cortar os intervalos), vamos fazer uma viagem temporal: retornaremos ao passado, faremos as perguntas que eram fundamentais para entender a série, e então viajaremos de volta para o futuro (!) para mostrar como essas questões foram respondidas no jogo de ontem à noite.

- Como o Thunder fará para marcar Nowitzki? Quem receberá essa função? Usarão marcação dupla?

Essa eu nunca teria adivinhado. O Thunder usou nada mais, nada menos do que 6 marcadores no Nowitzki: foram Serge Ibaka (na maior parte do tempo), Nick Collison, Kendrick Perkins, Kevin Durant, Thabo Sefolosha e James Harden. O Westbrook também acabou marcando o alemão, mas foi numa troca de marcação desastrada. O Ibaka já tinha mostrado contra o Grizzlies todas as suas especialidades e todas as suas dificuldades, e eu esperava que o Nowitzki fosse mesmo uma dor de cabeça ainda maior. O Ibaka deu muito espaço para o Zach Randolph arremessar e, quando tentou jogar de forma física, cometeu muitas faltas ou foi batido em giros rumo à cesta. Seu grande trunfo é a velocidade, então ele é excelente na ajuda defensiva, cobrindo seus companheiros, ou fechando o pick-and-roll. Contra o Nowitzki, dar espaço para o arremesso é loucura, e o alemão tem muitos recursos girando em direção à cesta. Jogando menos na força bruta, que era o caso do Randolph gordinho, imaginei que o Ibaka teria mais problemas para contê-lo, mas que ele estaria ao menos constantemente na frente do Nowitzki para atrapalhar. O que aconteceu foi que assim que recebeu espaço para arremessar no começo do jogo, Nowitzki converteu seus arremessos e entrou num ritmo. Percebendo que precisaria pular mais para contestar os arremessos bizarros do alemão, que pula para trás como se fosse uma mola, Ibaka começou a sair do chão na defesa - cometendo assim muitas faltas e ficando vulnerável para o Nowitzki bater pra dentro. Quando começou o terceiro período, Ibaka já tinha 4 faltas e foi pro banco. Não deu certo. O Perkins se saiu ainda pior, porque para contestar os arremessos tem que mover toda sua massa corporal feita de concreto e o Nowitzki apenas fingia os arremessos para cortar livremente rumo à cesta. Cagada. Então o Thunder tentou o Durant, que é mais rápido e tem braços mais compridos estilo Dhalsim, mas como ele não tem físico para segurar o jogo de costas para a cesta do alemão, acabou cometendo faltas e teve que abandonar a função. Thabo Sefolosha tentou colocar em prática a defesa ideal contra o Nowitzki, que é estabelecer uma posição sólida bem perto do corpo do alemão e obrigá-lo a colocar a bola no chão. Mas o Nowitzki arremessou facilmente por cima do Sefolosha, que é muitíssimo mais baixo do que todos os outros marcadores, e ainda cavou faltas fazendo algo inédito para ele: combatendo a defesa estabelecida do seu marcador com força, usando as costas sem medo do jogo físico. James Harden tentou a mesma tática e se saiu um pouco melhor, mostrou um físico que eu não imaginava que ele tivesse, mas Nowitzki continuou arremessando por cima de todos esses nanicos. Foi um massacre. Quem se saiu melhor foi o Nick Collison, o homem que lascou com a vida do Zach Randolph no jogo final entre as equipes, mas também cometeu muitas faltas tentando evitar os arremessos de arco gigante do alemão. Ao todo, o Nowitzki cobrou 24 lances livres e converteu todos, recorde da história dos playoffs.

É claro que o Thunder tentou dobrar a marcação assim que o Nowitzki começou a acertar arremessos, mandando o Wetbrook para a dobra. É sempre uma boa sacada para pará-lo, porque ele passa a bola toda vez que a dobra chega (a não ser que a dobra venha muito tarde, quando ele já se dirigia para a cesta, como aconteceu algumas vezes). Mas existe uma coisa bizarra a respeito do Mavs: eles são um time com pouca variação ofensiva, que não gira a bola, e que se baseia muito em jogadas de isolação - a não ser que a bola saia de dentro do garrafão. Quando o Nowitzki recebe marcação dupla, ele invariavelmente passa a bola para o perímetro e lá a bola gira com maestria para encontrar um arremessador livre. Por que eles não giram a bola constantemente eu nunca saberei, mas bastou o Thunder dobrar para que o Mavs convertesse uma bola de três pontos. Foram cestas de Jason Kidd, de DeShawn Stevenson, de Peja Stojakovic (a década passada manda lembranças), e principalmente do Jason Terry (que inclusive fez a cesta de três que garantiu a vitória, numa dobra no Nowitzki, quando o Thunder apertava no minuto final). Bastaram alguns desses arremessos convertidos para que o Thunder parasse de dobrar, voltando apenas no quarto período quando a água estava batendo na bunda. E a verdade é que muitos arremessos de três pontos nessas circunstâncias não caíram, mas os que caíram decidiram o jogo.

Voltamos então a uma questão que monopolizava os debates táticos na época em que o Duncan dominava o jogo: deve-se dobrar ou não a marcação num ala de força que sabe passar a bola para um time que é bom arremessador de três? Sempre achei que a marcação deveria dobrar no Duncan e forçar os outros jogadores a decidir no perímetro, mas o Suns perdeu muitos jogos para o Spurs porque estava dobrando - e muitos outros por não estar dobrando, também. O Thunder vai passar por essa questão filosófica durante a série, "dobrar ou não dobrar, eis a questão", e essa pode ser a escolha mais decisiva do confronto.

Vale ressaltar também a paciência absurda do Nowitzki quando sofre a marcação dupla. Ele respira, segura a bola mais um pouco, e aí passa para o perímetro. Apenas uma vez, no jogo inteirinho, recebeu a bola de volta para atacar de novo o garrafão, lá no fim do terceiro quarto. Ele passa para fora mesmo sabendo que a bola não voltará, confia inteiramente no time e o Mavs é feito para isso. Mesmo nos contra-ataques, o que o Mavs quer é arremessar do perímetro, e funciona.

- O banco do Dallas Mavericks prometeu desequilibrar a série. Jason Terry chegou a dizer que queria marcar sozinho mais pontos do que todo o banco do Thunder. Como o banco do Thunder vai responder a isso, e como Jason Terry se sairá?

Pois é, o Jason Terry quase fez o que prometeu. Sozinho marcou 24 pontos, com 4 bolas de três pontos, enquanto o banco inteirinho do Thunder somou os mesmos 24 pontos. Jason Terry se aproveitou um absurdo da dobra de marcação no Nowitzki, e soube também usar isso para fingir arremessos contra a defesa do Thunder afoita por cobrir os buracos, batendo para dentro do garrafão com o caminho livre. O Nowitzki teve uma partida absurda, mas a calma do alemão só foi possível porque ele não teve que forçar arremessos, podia colocar a bola no perímetro para o Jason Terry se aproveitar. De certo modo, foi ele quem decidiu o jogo e permitiu a partida do Nowitzki.

Mas o banco do Dallas teve também os 21 pontos do JJ Barea, que também quase fez tantos pontos quanto o banco do Thunder inteiro. E o JJ Barea nem precisou ficar arremessando, ele atacou a cesta numa boa se aproveitando dos espaços criados pelo Nowitzki. Foi quase uma imitação do que o Devin Harris fazia por lá uns anos atrás. Vamos dar uma olhada em uma imagem do jogo, tirada diretamente de um print screen do meu League Pass.


Reparem primeiro na qualidade da imagem, que parece um quadro pintado pelo Monet (é o espírito do pintor, que às vezes invade meu League Pass). Mas depois, vamos dar uma olhada naquele bolo de jogadores na cabeça do garrafão. Parece uma suruba, mas na verdade é o Brandan Haywood ameaçando fazer um corta-luz para o Nowitzki. Só essa ideia já deixa a defesa do Thunder louca, então tanto o marcador do Nowitzki (o Ibaka) quanto o marcador do Haywood (que é o Perkins) precisam impedir a jogada. Mas vejam, é uma defesa inteira comprometida com isso sendo que a bola sequer está naquela parte da quadra. Enquanto isso, o Nate Robinson está marcando o homem com a bola mas defende seu lado direito, que é onde está o Nowitzki, para tentar impedir um passe para o alemão. O JJ Barea, que tem a bola, pode então caminhar de costas em direção à cesta se quiser, porque ninguém está lhe dando bola. O único homem por perto é o James Harden que, como vimos analisando taticamente as jogadas do Grizzlies, nunca - NUNCA - abandona seu homem na zona morta. E foi assim que o JJ Barea marcou 21 pontos sem nunca ser marcado por ninguém. O Nowitzki muda o jogo mesmo quando está só parado, lendo um gibi.

O banco de reservas também se segura sem o alemão, mesmo que seja capengando. As jogadas que o Mavs chama continuam idênticas (em geral é o Shawn Marion que é isolado de costas para a cesta), o que me enlouquece, é muita burrice e tem resultados mequetrefes. Mas os jogadores são bons o bastante para ao menos segurar as pontas. Com 3 minutos para acabar o primeiro quarto, Nowitzki já estava descansando no banco numa boa com a garantia de que o time não iria se demolir.

O banco do Thunder, por sua vez, não tem esse poder ofensivo. Ontem até o Nate Robinson, que mora de castigo no banco, entrou em quadra para correr atrás do Barea e dar uma força no ataque. O único reserva que ajudou pra valer foi o James Harden, que cada vez se mostra um jogador mais completo. Contra o Grizzlies, mostrou que consegue armar o jogo e passar a bola nas infiltrações, o que lascou muitas vezes o plano defensivo da equipe dos ursinhos. Contra o Mavs, ele foi o único jogador capaz de costurar a defesa por zona da equipe de Dallas e finalizar na bandeja ou então acionar os jogadores do Thunder embaixo da cesta. Se o Westbrook conseguisse ter essa frieza do Harden, seria um gênio.

- O Mavericks vai usar sua famosa defesa por zona? Se usar, o Durant não vai matá-los no perímetro? Como diabos vão marcar o Durant?

Essa pra mim foi a maior surpresa do jogo. Não teria adivinhado nunca, teria mesmo que viajar de volta para o futuro. O Mavericks usou bastante sua defesa por zona e com isso deu um espaço considerável para o Durant arremessar toda vez que recebia a bola vindo de um corta-luz. Mas essa defesa por zona tornou impossível para o Westbrook usar sua velocidade e colocar a bola no chão na cabeça do garrafão! A defesa por zona do Mavs exige um post à parte, que teremos muito tempo para fazer nesses playoffs, o que importa por enquanto é que o Westbrook foi obrigado a acalmar o ritmo, costurar a defesa, lidar com mais de um marcador, e ele é um desastre nessas coisas. Quando finalmente encontrava o caminho livre para o aro (em geral no contra-ataque, porque a defesa de transição do Mavs fede), tomava sopapo dos trogloditas do garrafão: Tyson Chandler e Haywood. O Mavs que fez Kobe Bryant não finalizar praticamente nenhuma vez perto do aro apareceu ontem, mandando Durant e Westbrook pro chão, pra linha de lances livres, e forçando erros com vários defensores em cima da bola ao mesmo tempo. Durant cobrou 19 lances livres, Westbrook cobrou 18. Parece algo desastroso para o Mavs, não? Além disso, Durant marcou 40 pontos, acertando arremessos fáceis. Parece uma merda, não? Aí está a genialidade do Mavs, o sinal de que eles assistiram a todos os jogos da série entre Thunder e Grizzlies e fizeram a lição de casa. A defesa por zona foi colocada em prática para deixar o Durant jogar, mas aloprar com o Westbrook. Quem foi o gênio maligno que pensou nisso? Além disso, é melhor deixar os dois na linha de lances livres do que fazendo bandejas. Como o Lakers mostrou, uma hora o time cansa de apanhar, cansa de ter todas as bandejas contestadas, e passa a arremessar só de longe. O Thunder é pior quando fica nos arremessos (venceu o Grizzlies fácil com o Durant cortando mais em direção à cesta) e depende muito do Westbrook não cometer cagadas e controlar o ritmo de jogo (quando ele armou o jogo com calma, passou a bola e não forçou arremessos, o Grizzlies virou farofa no Jogo 7). Com uma defesa para forçar o Westbrook a não poder bater para a cesta, o Mavs só teve que se preocupar em cometer faltas nas penetrações que passavam e ver os arremessos de fora choverem. O Thunder só encontrou uma bola de segurança nas infiltrações ou espaços dentro da zona que procuravam então passar a bola para alguém embaixo da cesta, como Ibaka ou Perkins. Quem mais fez isso foi o Harden, porque o Westbrook não consegue.

Essas questões foram então bem respondidas, e está dada a tônica da série. Mas e quando os arremessos de fora do Thunder caírem? E quando o Durant marcar 60 pontos porque tem espaço para jogar? Será que o Westbrook consegue vencer a defesa por zona, acalmar o jogo, levantar a cabeça, e acionar o garrafão? E quem diabos, mantemos a pergunta, vai marcar o Nowitzki pra valer? Haverá dobra ou não? São novas questões que resolveremos no próximo jogo, quinta-feira. E você acompanha a análise aqui, num horário aleatório mas no mesmo bat-canal.

sábado, 20 de novembro de 2010

Quase lá (Quase!)

Essas crianças...

No preview que fizemos do Oklahoma City Thunder alertamos sobre a maldição do técnico do ano. Sempre quem ganha o prêmio é demitido pouco tempo depois. Os fantasmas já começaram a assustar nas primeiras semanas da temporada quando o Thunder, candidato de muita gente a ser Top 3 no Oeste, não parecia empolgar tanto assim. Nos primeiros 9 jogos foram 5 vitórias e 4 derrotas, entre esses jogos alguns resultados bem desanimadores: Ganharam do Detroit Pistons só com uma cesta no último segundo, foram o único time a conseguir perder para o Clippers até agora, tiveram derrotas elásticas para Spurs e Jazz e sofreram mais do que um time de elite deveria para passar pelo Sixers.

A primeira questão que me passou pela cabeça foi se estávamos analisando o real Oklahoma City Thunder, aquele que se classificou em oitavo no ano passado e praticamente não mudou o time para esse ano, ou o Thunder que a gente esperava ver nesse ano. Precisamos separar as nossas expectativas e ver o que é uma piora do time em relação ao time do ano passado e o que é simplesmente coisa da nossa cabeça. Afinal, um dos grandes motivos de demissão de técnicos após o prêmio de melhor do ano é a expectativa de crescimento. Geralmente o vencedor leva o maior número de votos por fazer muito com um time limitado e depois não é capaz de ir além desse limite.

Uma coisa que parece ter atingido o seu limite é o ataque do Thunder. Desde a temporada passada eles são muito limitados na criação das jogadas. As variações são:
1. Isolar o Kevin Durant e deixar ele fazer o que quiser.
2. Deixar o Russell Westbrook segurando a bola até o Durant conseguir espaço para o arremesso
3. Infiltração do Westbrook
4. Alguém fica livre para arremessar depois que o outro time descobre que só precisa marcar dois jogadores

Não que dê exatamente errado. Foi assim que tiveram o 12º melhor ataque da temporada passada e tem o 6º melhor nesse ano, com a dupla Durant/Westbrook sendo a que mais pontua na NBA, à frente de outras potências como Ellis/Curry, Kobe/Gasol e LeBron/Wade. O problema está na previsibilidade e no problema que uma contusão poderia causar. Imagina se o Durant se machuca? Pois bem, ele se machucou e ontem eles pegaram o Celtics fora de casa, parecia uma derrota certa. Até Jeff Green, o terceiro cestinha do time com impressionantes 18 pontos por jogo, está machucado. Mas bizarramente venceram. Foi um jogo estranho: no primeiro tempo eles jogaram pela primeira vez como um time, envolvendo todos os outros jogadores e até executando jogadas. Mas no segundo tempo voltaram ao seu normal e só derrotaram os verdes porque estes fizeram o seu pior jogo no ano, conseguiram perder mesmo com o Thunder não fazendo nenhuma cesta nos últimos 9 minutos de jogo! Foram 9 longos minutos assistindo o Westbrook forçar arremessos que até o JR Smith perceberia que são idiotas. Eram 23 segundos batendo bola no meio da quadra esperando o nada acontecer. Infelizmente esse quarto período estático é mais comum do que o primeiro tempo inspirado e coletivo.

Não esqueçamos de algumas culpas individuais também: James Harden, terceira escolha no Draft do ano passado, teve um ano de novato bem discreto mas eficiente, já nesse ano, ao invés de melhorar, despencou de qualidade. Não tem acertado as suas bolas de longe e é inseguro e afobado nas infiltrações. Não é o desafogo ofensivo do banco de reservas que o técnico Scott Brooks esperava e ontem, na primeira vez que foi titular na carreira, teve uma atuação horrível.

O grande trunfo deles para conseguir ter um ataque tão bom mesmo com um sistema tão pobre tem sido os lances livres. Eles cobram 31 lances livres por jogo, lideram a NBA nesse aspecto e, o mais surpreendente, lideram também em aproveitamento de lances livres, com 87,6%! Sério, eu nunca vi um time acertar tanto na minha vida! O recorde da história da NBA é 83% pelo Celtics de 1989-90. Ontem foi esse o segredo para bater o Celtics, cobraram 32 lances livres, acertaram 27 e só daí tiraram seus pontos na segunda metade do terceiro quarto e no decisivo último período. O time inteiro é agressivo e procura o contato, coloca os adversários em problemas de falta logo e todo mundo, do armador ao pivô, tem bom aproveitamento. A velha teoria do "faça faltas, não dê bandejas de graça e faça eles merecerem os pontos no lance livre" que tanto treinador e comentarista por aí prega não funciona direito contra o Thunder.

Uma grata surpresa no ataque do Thunder tem sido o Air Congo, o ala de força Serge Ibaka. Ele foi draftado há dois anos, passou uma temporada na Europa por ser ainda muito cru para a NBA e no ano passado entrou para a NBA. Rendia bem nos poucos minutos que atuava mas ainda era fim de banco, se destacou na série de playoff contra o Lakers e nesse ano ganhou uma chance de ouro quando seus dois concorrentes por minutos, Jeff Green e Nick Collison, se machucaram. Como titular tem tido médias de 13 pontos, 8,5 rebotes e 2,7 tocos por jogo! A média geral dele de tocos, contando os jogos como reserva, é de 2,4, o que o coloca em sétimo lugar em toda a NBA, na frente de caras como Emeka Okafor e Tim Duncan.

Antes de entrar na NBA comparavam o Ibaka com o lendário Shawn Kemp. A comparação era, acima de tudo, pelas enterradas. E abaixo está um ótimo exemplo.



Essa impulsão e abertura de pernas não lembra muito a famosa "Lister Blister", a primeira enterrada do insano vídeo abaixo do Kemp? (Ela é, diga-se de passagem, a minha enterrada favorita em todos os tempos)



Mas mesmo com as enterradas sendo a parte mais empolgante do seu jogo, Ibaka ganhou seus minutos em quadra com seus tocos e seus arremessos de meia distância. O pivô Nenad Krstic só é titular porque dá essa opção de arremesso, mesmo sendo inútil no resto do jogo, imagina como foi a grata surpresa de todos ao ver que esse cara que todo mundo só via como uma máquina de enterrar desenvolveu um toque suave para arremessos também. São impressionantes 67% de aproveitamento em bolas longas de 2, muito acima dos 39% do ano passado. Ele ainda acerta 57% dos arremessos curtos e 73% (contra 61% do ano passado) das finalizações no aro. É o jogador perfeito para sobrar livre e arremessar depois dos ataques de Westbrook e Durant, ontem o Celtics pagou um preço caro por deixá-lo arremessar quando bem entendesse.

Dá pra dizer com alguma certeza que a presença do Ibaka no time titular e a calma do time em decidir jogos mesmo quando estão jogando mal é a razão para eles estarem com 8 vitórias e 4 derrotas. Estranho e impressionante um time tão jovem ter essa qualidade de vencer mesmo quando não está jogando o seu melhor basquete.

O problema do Thunder que não é herança do ano passado é a defesa. Na temporada passada foram a 9ª mais eficiente da NBA, mas depois desses primeiros 12 jogos são a 6ª pior! Eu cheguei a achar que o ataque muito precipitado e mal armado pudesse proporcionar muitas chances de contra-ataque, mas não é isso, eles são um dos melhores times da NBA em evitar pontos assim. Em compensação são o 5º pior time em ceder pontos dentro do garrafão. A presença de Serge Ibaka no lugar de Jeff Green ajudou a melhorar essa situação, mas ainda é muito confortável para os adversários atacar Nenad Krstic, sem contar que Ibaka às vezes é meio Marcus Camby, imperssiona nos tocos mas nem sempre se posiciona no lugar certo e sua afobação por conseguir o próximo bloqueio às vezes só atrapalha.

O Thunder é o terceiro time que mais toma pontos em cestas de dois pontos e o quinto que menos toma cestas de três. Essa disparidade tem duas razões: Westbrook e Thabo Sefolosha, os melhores defensores da equipe, jogam no perímetro. E depois porque quando se tem espaço no garrafão o natural é até tentar menos cestas de três e ganhar os pontos lá dentro, é contra o Thunder que os times menos tentam arremessos de longe, 14 tentativas de bolas de 3 por jogo. Não coloco Durant na lista dos bons defensores do time porque acho que ele não tem feito um bom trabalho nesse ano, tem um número que mostra como o time defende melhor sem o KD e de como mesmo assim ele é indispensável: Com ele em quadra o Thunder toma 18 pontos a mais a cada 100 posses de bola se comparado com as outras formações que tem o Durant no banco. Em compensação quando ele joga o time faz 27 pontos a mais no ataque. É uma senhora compensação.

Um dos jogadores que fazia a diferença no ano passado no setor defensivo e que fez falta até agora foi o Nick Collison. Ele faz, pelo menos na minha opinião, junto com Anderson Varejão e Glen Davis, a trinca de melhores cavadores de falta de ataque da NBA. Eles estão sempre no lugar certo na hora certa para tomar a trombada, em um time que sofre com tantas infiltrações ele é essencial. Sem contar que tem o QI defensivo que o Ibaka ainda está longe de encontrar.

Para o Oklahoma City Thunder se tornar a potência do Oeste que a gente sonhava antes da temporada começar, algumas coisas tem que mudar. A primeira é a defesa, que não pode ser tão fraca, isso é o ponto central. E a segunda é o próprio elenco. O Jeff Green é um jogador versátil e muito bom, mas completamente dispensável nesse time. Ele é bom demais para ser um reserva com poucos minutos, sua presença como ala de força só atrai mais ataque ao garrafão e mina os minutos do promissor Ibaka. Na posição três já tem Durant. Deveriam aproveitar que o Green é muito bom e simplesmente trocá-lo. Eles podem muito bem usar esse ótimo talento como isca para buscar mais arremessadores de três e uma presença defensiva no garrafão, talvez até um cara com mais experiência.

O Nuggets está cada vez mais próximo de trocar o Carmelo Anthony, mas o Melo quer ir para Nova York e uma troca direta com eles não vai acontecer, eles estão apenas procurando um terceiro time para fechar a conta. Como o Denver quer um cara para repôr Melo, que tal Jeff Green? Jovem, talentoso, pode fazer 20 pontos por jogo numa boa. Aí era só caçar algum jogador de garrafão no Nuggets e/ou no Knicks para fortalecer a defesa do Thunder. É só uma idéia no ar, mas o Thunder pode estar a um bom defensor de garrafão da elite em que a gente imaginava que eles já estavam.

.....
Curiosidade tola: Lembram que o Dikembe Mutombo, o congolês mais famoso da história da NBA, tinha um nome gigantesco? Era Dikembe Mutombo Mpolondo Mukamba Jean-Jacques Wamutombo. O seu compatriota Ibaka não fica muito longe, seu nome completo é Sergeballu LaMu Sayonga Loom Walahas Jonas Hugo Ibaka. Transborda de tanta força nominal! Arrasa lá, Hugão!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Filtro Bola Presa - Um resumo semanal

Vai ter festa hoje, fedelho?

O último Filtro Bola Presa da temporada! Foi uma experiência legal, divertida e provavelmente volta quando acabar os playoffs ou na próxima temporada regular. Com os playoffs bombando e a temporada se resolvendo, não vejo porque gastar um dia por semana com posts sobre coisas menores, curiosidades. Aliás fica até difícil encontrar essas histórias, todos os olhos estarão para os grandes jogos que irão decidir a atual temporada.

Então bora acabar com esse Filtro, tem muito vídeo bom e estatísticas patéticas pra gente mostrar!

- O Charlotte Bobcats foi nomeado inspirado no animal bobcat, que é um lince, animal típico do norte dos EUA e, logo, da Carolina do Norte, estado onde fica Charlotte. O nome faz sentido, portanto, mas o que pouca gente sabe é que o antigo dono do time, Bob Johnson, deu o nome também pensando em si mesmo! Ele queria um time que também chamasse Bob! O quanto isso é patético e narcisista?

Pensando nisso a revista Dime propôs que o time mudasse de nome. Bob Johnson, afinal, deu adeus ao time e hoje seu principal dono é Michael Jordan. Que nome inspirado no Jordan, Charlotte e/ou no estado da Carolina do Norte seria melhor para o time de Charlotte? São 229 comentários no post deles e todos merecem ser lidos, mas eu escolhi o meu Top 10 entre os nomes sugeridos por lá.

Top 10 - Os melhores nomes para o Charlotte Bobcats

10- Charlotte Kwames (Por que não homenagear a primeira grande decisão do Jordan como um executivo do basquete?)
9- Charlotte Jordanettes ( Já que o dono é mais importante que o time... )
8- Charlotte Fuel ( É a cidade da NASCAR, uma referência a carros faria sucesso na cidade)
7- Charlotte Smoke ( A cidade é famosa por suas empresas de cigarro e dá pra falar que as esperanças da equipe viraram fumaça)
6- Carolina Flight ( Essa idéia é muito boa! Ao invés de pegar o nome da cidade, pega-se o estado, como fazem Utah e Minnesota. E Flight é uma referência ao Jordan e aos irmãos Wright, que fizeram seu primeiro voo de avião na Carolina do Norte)
5- Charlotte Crowns ( A cidade é conhecida como "Crown Town", a cidade da coroa. E o Jordan é o rei, faz muito sentido!)
4- Charlotte SpaceJammers ( Melhor do que Charlotte Monstarz)
3- Charlotte lolcats (Simplesmente genial! Daria o melhor mascote da história. Não sabe o que é o lolcat? Ah, vá passar mais horas na internet ao invés de trabalhar!)
2- Charlotte Air (Air Jordan, com esse logo. Simples e o melhor)
1- Charlotte Hornets (Ótimo! Vamos organizar tudo direito. O Charlotte é o Hornets, o New Orleans pega seu nome "Jazz" de volta de Utah e eles podem virar o Utah White Power)


- O Zach Randolph já disse que quer assinar uma extensão de contrato com o Grizzlies. Faz sentido, afinal foi lá que ele aprendeu a jogar basquete. Mas ele não mudou tanto assim quanto a gente imaginava! Quando ele assinou seu contrato zilionário com o Blazers, anos e anos atrás, disse que queria X milhões de dólares (não lembro exatamente o valor) e quando estava tudo pronto, o Pau Gasol acertou um contrato maior com o Grizzlies. Randolph disse então que queria ganhar mais porque era melhor que o Gasol. Dá pra ser mais idiota?

E agora ele diz que quer pegar o contrato de 3 anos que o Gasol assinou com o Lakers para se basear em seu novo contrato com o Grizz. Qual é a obsessão do gordinho com o Pau Gasol?! Ele realmente acha que é melhor? Ou só acha que precisa de mais dinheiro para comprar Donuts?

- História de amor no Wolves! Darko Milicic e Al Jefferson estão se dando muito bem e trocaram elogios na última semana. Os dois concordam que ajuda muito o Darko ser canhoto e o Al Jefferson destro, assim cada um fica mais confortável de um lado do garrafão e não brigam pelo mesmo lado. O Al Jefferson também disse estar feliz por voltar a ser um ala de força e deixar o Darko como pivô. Segundo o Al "Ele é o braço esquerdo do Al Jefferson, e eu sou o braço direito dele". Então eles se beijaram na boca.

- Primeiro o LeBron disse que queria gravar um filme e que por isso provavelmente não iria jogar o Mundial da Turquia em Agosto. Depois foi a vez de Bosh e Wade deixarem suas presenças em aberto porque não sabem se já terão assinado contrato. Agora é a vez do Carmelo Anthony dizer que não sabe se vai porque ele vai se casar na offseason (olha a tchutchuca!). Ainda tem o Kobe, que disse que vai mas que tem tudo pra não ir com a quantidade de contusões que tem sofrido. Tô sentindo cheiro de Time B...

- Sessão de enterradas agora!
Primeiro enterradas inesperadas: Alguém sabia que o Donte Greene e o Jon Brockman eram capazes de dar essas enterradas? Pois é, esse é um treino comum e rotineiro entre dois jogadores ruins da NBA. Esse é o nível do jogo.



Agora enterradas fracassadas! Fizeram um Top 70 com as melhores enterradas erradas em campeonatos de enterrada. É o mundo do "poderia ser" em sua essência.



E para terminar, um campeonato de enterradas bizarro! De um lado o Air Up There, o homem do 720, o melhor em enterradas no planeta. Do outro Brittney Griner, uma guria de 20 anos, 2,03m e que enterra com muita facilidade. Ver aquela enterrada difícil e comemorada da Lisa Leslie depois de ver essa garota chega a dar vergonha.



Vintage Bola Presa - Toda semana um post reciclado

O post reciclado dessa semana é o nosso melhor post em todos os tempos. Ele se chama "Como aproveitar os playoffs" e é consenso entre todos nossos leitores que é o texto mais engraçado e divertido que já escrevemos. Ele trata de como burlar sua escola, trabalho e faculdade para conseguir assistir a tudo nos playoffs. Também dá uma dica de como lidar com sua namorada para que ela não venha com aquelas idéias de ir assistir a um espetáculo de dança contemporânea no dia do jogo 7 entre Magic e Cavs. É um texto que vale a pena ser lido na semana em que começam os playoffs!

Leia o post inteiro nesse link e comente aqui ou lá, sei lá, a gente lê tudo!

8 ou 80 - A melhor coleção de estatísticas idiotas
- Na vitória de ontem sobre o Pistons, o Raptors acertou mais de 60% dos seus arremessos. Foi a terceira vez desde fevereiro que o time de Toronto consegue essa marca. Por incrível que pareça, o Raptors só tinha tido 3 jogos com pelo menos 60% de aproveitamento nos últimos 14 anos!

- Marcus Camby incorporou o Nowitzki que mora dentro dele e acabou com o Thunder na noite de ontem. Fez 30 pontos, pegou 13 rebotes e acertou 12 dos 16 arremessos que tentou. O último jogador do Blazers a conseguir pelo menos 30 pontos, 13 rebotes e 60% de aproveitamento em um jogo foi o Clyde Drexler em 1988.

- Com a vitória sobre o Lakers no último sábado, o Blazers se tornou, ao lado do Spurs, os únicos times a terem recordes positivos contra o Lakers na era Phil Jackson. São 20 vitórias e 18 derrotas desde que o Zen Master foi para LA.

- Com o triple-double feito no último sábado, Jason Kidd se tornou apenas o terceiro jogador a conseguir esse feito depois dos 37 anos de idade na temporada regular. Os outros foram Karl Malone (com 40 anos) e Elvin Hayes (com 38). John Stockton é o único a ter conseguido em um jogo de playoff, quando fez um triple-double aos 39 anos de idade em 2001.

- Jamal Crawford tem 1.425 pontos marcados na temporada, é o máximo marcado por um jogador vindo do banco de reservas desde a temporada 1990-91 por Ricky Pierce.

- O Spurs conseguiu, pela 13º temporada seguida, acabar a temporada com mais vitórias do que derrotas fora de casa. É um novo recorde da NBA, superando a marca do Lakers, que conseguiu por 12 temporadas entre as temporadas 1979-80 e 1990-91.

- O duelo entre Knicks e Magic na semana passada foi apenas o segundo jogo da história da NBA em que os dois times acertaram pelo menos 15 bolas de 3. O Magic acertou 15 e o Knicks 16. O outro jogo foi há 3 anos entre o Houston Rockets (15) e Golden State Warriors (16).

- Na vitória do Thunder sobre o Suns na semana passada o novato Serge Ibaka foi o herói da noite a fazer um arremesso no último minuto com a diferença entre os times em apenas um ponto. Foi apenas o segundo arremesso tentado por Ibaka nessa situação em toda a temporada, o primeiro ele havia perdido. Kevin Durant, estrela do time, tem apenas 5 acertos em 25 tentativas nessa situação de jogo decidido por 1 ponto e com menos de 1 minuto no relógio.