segunda-feira, 27 de agosto de 2007

O Brasil fede

Nezinho deve ser muito bom de cama


Ainda é cedo, faltam muitos jogos e o Brasil pode muito bem garantir sua vaga nas Olimpíadas. Mas isso não significa que o Brasil, mesmo quando ganha, não feda. Porque fede.

Com tantos talentos na seleção, a reação óbvia é colocar a culpa na comissão técnica e, principalmente, no Lula. A última moda é xingar o Lula, seja no Palácio do Planalto, seja na seleção brasileira de basquete. Mas também pudera: ele é burro, despreparado e coloca seus protegidos em posições privilegiadas. (antes que surjam algumas reclamações, deixemos claro que estamos nos referindo ao Lula que tem 10 dedos nas mãos!) Dois gorilas com um pouco de conhecimento em linguagem de sinais fariam um trabalho mais competente e, definitivamente, mais consistente. No entanto, culpar apenas o técnico é sempre simplista demais. Vamos então dar uma olhada em alguns ítens que explicam, parcialmente, a origem do fedor terrível da seleção brasileira, e problemas mais profundos que a permanência de Lula acabam causando:

- Lula é terrível, claro. Minha mãe também faria um trabalho terrível na seleção, tenho que admitir. Minha mãe não tem culpa de não entender de basquete, o Lula não tem tanta culpa por ser uma anta. O problema maior é justamente quem colocou ele ali no cargo. Lembro-me bem de uma entrevista com Lula logo após o fracasso no Mundial em que lhe foi perguntado se ele ainda seria técnico da seleção. Sua resposta foi que seu maior interesse era o sucesso do time a longo prazo e que ele deixaria o cargo caso lhe fosse pedido e isso favorecesse a seleção. Por mais turrão que o sujeito seja, está disposto a dar lugar a outros em nome do futuro do basquete no Brasil. Mas um outro técnico nunca foi sugerido pelos responsáveis.

- Nenê, assim que voltou à seleção, foi emblemático na necessidade do Brasil contratar um técnico estrangeiro que pudesse trazer algo novo. O pedido passou completamente ignorado pelos responsáveis. O Grego está muito ocupado jogando game boy.

- Com Lula no cargo, a única atitude consistente que podemos esperar é que o Nezinho estará na seleção. Confesso que até gosto do menino, mas colocá-lo numa seleção é uma afronta pessoal ao Deus do Basquete. A única explicação plausível é que Lula e Nezinho tenham algum tipo de caso. Um bem quente, fogoso e duradouro.

- Ainda na hipótese de caso, acredito que Marcelinho se encaixe na mesma história. Deve ser um amante tão bom que merece até lugar no quinteto titular. Tenho certeza que, com qualquer outro técnico tomando conta da seleção, Marcelinho seria motivo de pesadelos e, caso fosse convocado, sentaria bonitinho no banco com apenas alguns minutos por jogo. Sei que muitos podem até discordar e muita gente caiu de amores por ele durante os Jogos Panamericanos. Mas imagine assim: você tem um cachorro que lhe traz o jornal todas as manhãs. Às vezes, sem mais nem menos, esse cachorro vai lá e te dá uma baita duma mordida. Você acorda todas as manhãs sem saber se hoje terá o jornal ou um pedaço da perna arrancado a dentadas. Só um louco manteria esse cachorro em casa. É justamente o caso do Marcelinho: ele causa muito mais prejuízos do que benefícios. Ele nunca dá um arremesso não-forçado. E o engraçado é que, quando o arremesso milagrosamente é bem trabalhado, costuma dar errado. Irch!

- Marcelinho titular também significa, infelizmente, Alex no banco. Com todas as deficiências defensivas e a falta de fibra do Brasil, é um crime punível com cadeira elétrica deixar o Alex tanto tempo fora da partida. Ele é o único jogador do elenco que joga defesa com intensidade o tempo inteiro, nos padrões do que a seleção americana vem fazendo. Aliás, um scout do Detroit Pistons disse esses dias que Alex deveria ter lugar garantido na NBA. A entrevista inteira, em inglês, pode ser lida aqui.

- O Brasil não consegue marcar zona. Não existe apoio ou ajuda na marcação. Parece que os jogadores nunca se viram antes e, acima de tudo, que nunca treinaram juntos. Fico imaginando o que será que a seleção faz nos períodos de treino. Chego a pensar que o único treino efetuado é o de correr como loucos, parar na linha de três e mandar um balaço. Talvez eles também treinem desperdícios de bola, porque estão ficando craques no assunto.

- Após quatro partidas, já deu pra perceber que a seleção só tem apenas uma jogada de ataque programada. Trata-se de um corta luz nos lados do garrafão por onde o Brasil faz uma rotação para que os alas e os armadores possam ir trocando bolas. Não é nada efetivo mas o time faz isso à exaustão e, fora isso, tem jogadas baseadas claramente no improviso ou individualidade.

- Tá todo mundo meio emburrado. Chega a ser engraçado ver qual é o clima na seleção. Acho que todo mundo fica com essa cara de "o Ron Artest me bateu" porque olham para o banco e vêem o Nezinho, um emblema do absurdo pelo qual passa o Brasil. Creio que a maioria dos jogadores deva ter bons técnicos, seja na Europa ou na NBA, e deve ser definitivamente frustrante vir jogar na seleção e ver que a comissão técnica não faz a menor idéia do que está fazendo. O Nenê deve estar repensando sua decisão de voltar, até jogar summer league nos EUA estaria sendo mais proveitoso. Com certeza os times lá têm mais de uma jogada programada no ataque.

Com tantos motivos, fica óbvio que nada disso será modificado a curto prazo. E é por isso que chego a ter medo do sucesso. Talvez vençamos a Argentina na individualidade, talvez garantamos uma vaga Olímpica. Mas aí vamos para Pequim com a mesma comissão técnica, com o mesmo Grego safado, com o mesmo Nezinho pendurado ali no cabide? Vamos apenas para ser humilhados pelas grandes potencias mundiais? Por outro lado, perder pode significar uma faxina geral ou então uma estagnação ainda maior: a morte final do basquete brasileiro.

Maldita seleção que só dá dor de cabeça. Falta muito para voltar a temporada da NBA?

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