quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Preparados para tudo
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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Um time exposto
O calendário do Lakers agora tem uma revanche contra o Kings em Los Angeles e depois duas visitas vindas do Texas, o segundo colocado Dallas Mavericks e depois o Houston Rockets, time que já venceu o Lakers em Los Angeles. Será bom para medir o quanto dessa má fase foi por cansaço e excesso de comida no Natal e o quanto é porque os outros times já sacaram qual é a do Lakers.
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terça-feira, 29 de dezembro de 2009
8 ou 80 - Jogos apertados
Há umas duas semanas o Washington Wizards passou por uma situação bizarra: perdeu 6 jogos seguidos por 4 pontos ou menos, nos dois jogos anteriores tinha vencido um por 4 pontos de diferença e o outro por 2.
Celtics 4-2
Cavs 1-2
Magic 1-2
Hawks 1-1
Heat 3-1
Raptors 1-1
Bucks 2-8
Bobcats 2-4
Bulls 4-3
Pistons 2-1
Knicks 0-4
Wizards 2-6
Pacers 2-2
76ers 4-4
Nets 1-4
Conferência Oeste
Lakers 5-0
Mavericks 5-0
Nuggets 3-1
Blazers 2-1
Suns 3-2
Spurs 1-2
Rockets 2-3
Jazz 3-1
Thunder 1-3
Hornets 3-1
Grizzlies 2-1
Kings 3-2
Clippers 4-1
Warriors 0-2
Wolves 2-4
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Secundário
Na NBA, jogadores secundários costumam ter certa dificuldade em serem notados. Marcar 50 pontos numa partida pode garantir uma entrada fácil no mundo da fama, dinheiro e mulheres, mas jogadores especialistas em outras áreas do jogo podem ter atuações fantásticas completamente invisíveis dos olhos do cidadão comum. Um bom defensor, por exemplo, precisa estar num time em que seu trabalho seja necessário, precisa torcer para a equipe ter um ataque competente de modo que ele possa se focar mais na defesa, e acima de tudo precisa estar num time vencedor. São muitas condições ao mesmo tempo, enquanto um bom jogador ofensivo se destaca muito mais até por quem apenas passeia os olhos pelas estatísticas. Mesmo gordo, fora de forma, preguiçoso, todo mundo sabia quem era Zach Randolph porque ele pontuava aos montes, ainda que se isso significasse a derrota de sua equipe. Agora as coisas com nosso gordinho favorito estão diferentes, ele está jogando como nunca, mas pense como excelentes defensores foram completamente esquecidos enquanto lembramos de Randolph pela eternidade.
Apenas faça um teste mental e tente lembrar de onde estão jogando Trenton Hassel ou Yakhouba Diawara, por exemplo, dois excelentes defensores (não vale colar no Google). O pior é que ambos sofrem em busca de minutos porque seus times precisam de outras coisas que os dois não podem oferecer, ou seja, caíram no lugar errado na hora errada. Uma caralhada de jogadores acaba desaparecendo nesse tipo de situação, até mesmo um punhado de pontuadores mais-ou-menos que seriam ídolos em times vencedores. Com o tempo, a ideia de que um jogador precisa estar na situação certa para ser notado começa a ficar mais clara e percebemos que, no fundo, vale mais a pena ser um jogador completamente secundário num time campeão do que ter um baita papel num time fracassado. Ninguém jamais lembraria do Bruce Bowen se ele defendesse num time fracassado, não importa quantas voadoras ele desse na cabeça de seus adversários. Ninguém jamais se lembraria do Mo Williams se ele fosse o arremessador fominha do Bucks. Mas quando o time vence, quando briga por títulos, esses jogadores secundários tornam-se divindades, seus talentos únicos são consagrados, carneiros são sacrificados em seus nomes.
Alguns jogadores percebem isso. Não estou falando dos mercenários estilo Malone, "sou bom pra caralho mas se eu não ganhar um anel de campeão não vão gostar de mim então vou estragar a brincadeira, desequilibrar a NBA e tentar entrar pra história." Me refiro, sim, aos jogadores bons que percebem que podem ser beneficiados por jogar com jogadores ainda melhores. São jogadores que conseguem colocar seus egos de lado, deixam de canto a vontade de mostrar tudo aquilo que podem fazer, e compreendem que ajudando grandes estrelas ou grandes sistemas acabarão constribuindo para seu próprio rendimento. Um exemplo claro é um dos nossos favoritos aqui no Bola Presa, Ron Artest. No Kings, provou que poderia liderar um time meia-boca, pontuar bastante, jogar de costas para cesta, arremessar do perímetro e defender como ninguém. Sempre forçou arremessos, nunca teve bom senso na hora de arremessar, então seu arsenal ofensivo sempre pareceu bobagem perto de sua defesa espetacular. Nos últimos anos, no entanto, pouco se falou sobre seu talento defensivo, até que ele percebeu que ajudar Kobe Bryant é o melhor modo de ajudar a si mesmo. Alguns jogadores poderiam reclamar de um papel mais limitado, de não poder mostrar todo o poder ofensivo, de abaixar a cabeça e beijar o bumbum de Kobe, dos minutos em quadra, da falta da bola em suas mãos, mas Artest entende a glória que o espera no futuro, quase como a centena de virgens que esperam um terrorista suicida muçulmano. Quietinho, na dele, sem arrumar problemas, sem pedir mais a bola, sem pedir mais espaço na equipe, Artest pode se dedicar à defesa e agora, porque está à vista de todo mundo e tem tudo para ganhar um anel de campeão, seu talento é amplamente reconhecido. Suas chances de levar o prêmio de melhor defensor da temporada nunca foram tão grandes, e olha que com a idade ele nem de longe anda defendendo como nos seus tempos áureos. Mas os torcedores do Lakers vão chupar o dedo mindinho do pé do Artest para sempre caso venha um campeonato, suas técnicas defensivas serão lendárias e um templo será erguido em sua honra. Enquanto isso, aos pouquinhos, mais e mais responsabilidade vai caindo em seu colo. Phil Jackson andou pedindo que Artest seja mais agressivo no ataque, pedindo mais a bola e arremessando mais. Dá pra imaginar que realidade alternativa é essa em que é preciso pedir para o Artest arremessar mais? O que acontece é que fazendo sua função direito, mais e mais espaço vai surgindo para o jogador secundário conforme for surgindo a oportunidade. Pode ser apenas um jogo em que o Kobe está mal e isso já é o bastante para a crítica e o público babarem em cima de uma excelente atuação salvadora de Artest, muito mais fácil do que ter que ficar chutando traseiro todos os jogos para ser percebido em algum time mequetrefe por aí.
Até um jogador pelo qual tenho tanta birra, o Mo Williams, se encaixa nessa história. No Bucks ele era um fominha maluco desesperado por atenção, ignorando ordens técnicas, se recusando a passar a bola para o Michael Redd (então estrela de seu time), arremessando sem critério nenhum. Quando foi para o Cavs, fiquei desesperado com a ideia de um fominha tirando a bola das mãos do LeBron James, mas a verdade é que Mo Williams percebeu rápido que sua vida é muito mais fácil em Cleveland. Se ele obedece direitinho e deixa o LeBron armar as jogadas quando quer, se ele só força arremessos quando o LeBron está no banco ou tendo um dia ruim, ele passa a ser o herói que salvou o dia - sem ter que salvar o time todos os dias. Basta um par de atuações boas quando LeBron está mal, basta se focar nos seus arremessos de fora, basta entender que sua grande chance de figurar entre os grandes está em ser menor do que ele queria ser em Milwaukee.
Curiosamente, Artest e Mo Williams se enfrentaram na rodada de Natal. A gente acabou engasgando de tanto chester (a famosa ave mutante) e passamos uns dias longe do blog, sem comentar a rodada natalina, mas para quem não viu é importante saber que o Cavs chutou o traseiro gordo do Lakers. Artest fez sua parte defensivamente, ao menos aquilo que um mamífero bípede pode fazer quando não está munido de armas de fogo, mas quem realmente deixou sua marca na partida foi o Mo Williams. Acertou suas bolas quando todo mundo esquece que ele está em quadra, não forçou nada e fez muitos pontos fáceis graças à defesa fortíssima do Cavs que voltou a se encontrar. Aliás, muita gente comentou que o Cavs estava fedendo no começo da temporada porque não sabia como encaixar o Shaq direito no ataque. A desculpa foi dada por vários jogadores, incluindo o LeBron, mas é uma baita de uma besteira porque o Shaq mal participa do ataque e a movimentação ofensiva continua aquela merda de sempre. O que o Cavs demorou pra se acostumar foi com o Shaq na defesa, sua presença no garrafão e como isso altera as ajudas defensivas da equipe. O ataque do Cavs é uma vergonha, mas funciona justamente porque todo mundo lá sabe que é secundário, todo mundo sabe seu papel, sabe que está na história por jogar com LeBron James, então ninguém tenta fazer o que não consegue (só o Varejão, mas o bizarro é que ele agora anda conseguindo, está jogando demais no ataque, vai saber de quem ele roubou o talento). A defesa, sim, é que o ganha os jogos para eles e agora que tudo está encaixado novamente, o Cavs volta a figurar entre os favoritos ao título. O Shaq é fundamental nisso porque compreendeu que está velho, quebrado, desdentado e no momento de sua carreira de ajudar outros jogadores mais novos. Ele acha divertido jogar com LeBron, toma umas caipirinhas com o Varejão, não reclama de jogar poucos minutos e nem de ser contratado só pra parar defensivamente outros jogadores específicos (no Suns ele chegou apenas com a função de marcar Duncan, no Cavs sua presença é só para marcar Dwight Howard).
O Lakers não soube lidar com uma defesa tão forte, com um Mo Williams secundário e orgulhoso disso, com uma arbitragem que não estava muito afim de marcar faltas no Kobe a cada entrada no garrafão, e com um Shaq que marcou direitinho o pirralho do Bynum. O Lakers continua sendo o grande favorito para o título e o Cavs volta a ser considerado, mas no grande jogo do Natal em que deveríamos ver o confronto dos melhores do planeta em Kobe e LeBron, quem roubou minha atenção foram os jogadores secundários que escolheram ser secundários e, por isso, brilham muito mais. Nada do Artest fedendo em Sacramento tendo que forçar arremessos ou do Mo Williams sendo um fominha no Bucks, os dois agora sabem que são apenas pequenas peças perto de grandes estrelas - e que serão lembradas pela história graças a isso. Quando o Jarryd Bayless diz que quer ser o Mo Williams para o Brandon Roy interpretando o LeBron, então, ele tem muita razão: aceitar ser um jogador secundário costuma ser mais recompensador do que tentar ser uma estrela solitária, e não faltam oportunidades de brilhar. Quando o Brandon Roy marcou 41 pontos contra o Nuggets na noite de Natal para ganhar o jogo numa boa, o Bayless não precisou fazer bulhufas, mas quando o Roy sentou no jogo anterior com dores no ombro, Bayless enfiou 31 pontos na vitória contra o Spurs. É possível ser inconstante, é possível ser mais-ou-menos, basta estar do lado das pessoas certas e aceitar isso. Aceitar, no universo de ego da NBA, é a parte mais difícil, claro. Tracy McGrady, por exemplo, não muito depois da minha análise sobre a oportunidade de ouro que estava recebendo com pouquinhos minutos em Houston, resolveu ir embora pra casa descontente com seu papel na equipe. Dizem que ele usava uma máscara de Allen Iverson enquanto fazia isso, mas não posso confirmar. Só posso afirmar que é preciso cabeça para aceitar um papel secundário, e que é bom ver o sucesso daqueles que topam. Mas sobre o T-Mac e seu futuro, a gente conversa depois. Será que algum time se interessa pela ex-estrela? Será que ele entende, como Shaq, que já é hora de ajudar os jogadores mais novos a terem espaço em quadra? Para seu bem, esperamos que sim.
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
A minha rodada de Natal

Nada de LeBron enfrentando o Kobe. Quero ver o LeBron ser perseguido pelo Mickael Pietrus como na final do Leste do ano passado! O Cavs ficou engasgado com aquela derrota de 4 a 2 em que o LeBron foi embora sem congratular seu adversário e gerou uma baita polêmica.
Tá bom, não vou culpar a NBA por essa. Quem diria, dois meses atrás, que um jogo entre Bucks e Kings poderia ser bom? É mais fácil prever o fim do mundo baseado no calendário de uma civilização extinta.
Se a NBA quer colocar o Wade pra jogar no dia de Natal, não tem um adversário melhor que o Hawks. Ano passado os dois times se pegaram numa série de playoff muito boa de 7 jogos, decidida nos detalhes. O confronto de Wade com Joe Johnson rendeu bons momentos e os dois times são muito bons, não seria um confronto só de nome como é o com o Knicks, seria um bom jogo de basquete mesmo.
Ano passado Nuggets e Mavs fizeram uma série de playoff muito melhor do que o seu resultado indica. Aquele 4 a 1 final não mostra que a arbitragem foi decisiva para que o Mavs não empatasse a série em 2 a 2. Não que o Denver, melhor time, não merecesse a vitória, mas ficou um gostinho esquisito para o time do Mark Cuban.
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Denis
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
O próximo grande chato
O ano está terminando, a temporada da NBA caminha para a metade, mas eu já escolhi quem ganhará o prêmio de novato do ano quando a temporada estiver terminada. Não posso falar disso por aí, pega mal decidir o vencedor de um prêmio tão cedo, não é profissional, não é correto, não é ético e eu vou perder minha licensa internacional de blogueiro que me dá meia entrada nos cinemas. Mantenho então como um segredo, escondido do mundo. Em plena madrugada, quando estou assistindo meu amado Houston Rockets jogar, vou torcendo secretamente para o jogo acabar logo, pra não ir pra prorrogação, pro placar se alargar logo pra eu não ter que assistir o quarto período - tudo para eu poder mudar logo para o jogo do Sacramento Kings.
Da última vez em que isso aconteceu, sequer lembro contra quem o Houston estava jogando, se o time venceu ou se perdeu, só sei que mudei o mais rápido possível para o Kings enfrentando o Wizards porque eu sabia que o meu calouro do ano estaria engolindo com azeite e sal os armadores adversários. Tyreke Evans é um absurdo de tamanho e força, quem diabos seria capaz de segurá-lo no elenco mirrado do Wizards, que não comeu feijão o bastante? Quando passei a acompanhar o jogo, já no segundo tempo, Evans estava literalmente dentro do garrafão em todas as posses de bola, jogando de costas para a cesta, dando tapas no bumbum dos seus marcadores. Quando o anão do Earl Boykins entrou em quadra, não pude deixar de gargalhar: o Tyreke Evans era provavelmente maior do que o Boykins já no segundo em que saiu do útero de sua mãe (por cesariana, esperamos, pelo bem da pobre senhora).
Arenas sofreu dos dois lados da quadra: na defesa tinha que se virar no muque tentando empurrar Evans pra fora do garrafão, enquanto no ataque tinha que lidar com a força de Evans quando tentava infiltrar. Na jogada final, Evans roubou a bola de um Arenas que tentava empatar o jogo e assim garantiu a vitória do Kings. Na coletiva, Tyreke Evans contou sobre sua conversa com Arenas:
"Gilbert me disse depois do jogo que ele espera que eu ganhe o prêmio de Novato do Ano. Mas ele também me disse que espera que eu comece a jogar na posição 2 para que ele não tenha que me marcar nunca mais."
Isso é o que mais assusta com relação ao Tyreke Evans: ele está jogando improvisado em uma posição com a qual não tem grandes experiências. Na universidade, não era ele quem iniciava as jogadas ou organizava o ataque. Sua função sempre foi bater para dentro do garrafão, mas sua excelente visão de jogo sempre garantiu que encontrasse seus companheiros livres com os passes certos. Foi isso que permitiu a fé do Kings de que ele poderia ser o armador principal da equipe quando o escolheram na noite do draft. O time, montado ao redor do Kevin Martin, não precisava de um jogador na posição 2 para roubar minutos de sua estrela. O que eles tanto queriam era alguém para organizar a movimentação ofensiva, jogar na posição 1, capaz de envolver seus companheiros. Evans foi uma decisão ousada, duramente criticada, porque o draft tinha mais armadores puros do que a Mari Alexandre tem de capas de revista masculina na carreira, dava pra escolher uma dúzia e ver se vinha desconto. O engraçado é que todos esses armadores deram certo, todos estão tendo excelentes temporadas, mesmo aqueles que jogam minutos extremamente limitados (como o Ty Lawson ou o Darren Collison). Mas nenhum deles, nem mesmo Brandon Jennings, deu tão certo na brincadeira quanto Tyreke Evans, justo o cara que foi improvisado na posição. Desde que o Kevin Martin se contundiu e o Evans tem carta branca para passar mais tempo com a bola nas mãos e fazer o que quiser (só não pode dançar pelado em cima da mesa do chefe), sua produção tem sido espetacular. Sua média de 20 pontos, 5 rebotes e 5 assistências até agora coloca o rapaz num grupo muito seleto. E não é um seleto "escolhidos para participar do Big Brother" ou "eu gosto de banana com queijo ralado" no Orkut, estamos falando de um seleto de respeito: apenas Oscar Robertson, Michael Jordan e LeBron James são detentores dessas estatísticas durante seus anos de novato. Que tal?
Foi essa estatística que colocou Tyreke Evans no mapa. Antes disso, ninguém parecia muito interessado em ver jogos do Kings mesmo com o time sendo a maior surpresa da temporada até agora, e meu apreço pelo time - e pelo novato - se mantinha mais escondido do que vício em cocaína. Agora todo mundo quer espiar, e com razão. Não apenas o Kings é um dos times mais divertidos de se acompanhar, tem também o bônus de ver o futuro ganhador do prêmio de calouro do ano chutando traseiros. Não é sempre que podemos ver armadores tão dominantes fisicamente, afinal eles não dão em árvore. Acompanhar a temporada de novato do LeBron, em que ele jogava de armador principal, por exemplo, foi uma coisa pra contar pros netinhos. O Brandon Jennings é fodão, a gente já babou ovo por ele o suficiente aqui no blog, mas seu estilo de jogo é completamente diferente. Na verdade, é quase como se o Evans e o Jennings fossem opostos perfeitos, se fosse história em quadrinhos eles seriam arqui-inimigos. Enquanto o Jennings é um magrelo que domina na habilidade e na velocidade (e num arremesso de três pontos que nem a mãe dele sabia que ele tinha), o Evans domina na força e na simplicidade (em geral batendo pra dentro pra disfarçar o arremesso meia-boca). Já critiquei o Jennings por exagerar nas firulinhas, embora seu jogo seja visualmente maravilhoso, cheio de personalidade e criatividade. O Evans, por sua vez, não força o jogo, não faz nada além do necessário. Em matéria de armar as jogadas, é o cúmulo da simplicidade, típico de quem recebeu um trabalho novo e não tem vontade nenhuma de fazer merda com aquilo que não sabe. Diz a lenda que Tyreke Evans desligou a TV quando viu uma matéria comparando ele com Jordan e LeBron, ele não quer que as coisas subam à cabeça, leva tudo muito a sério e não há espaço em seu jogo para o desnecessário. Ele é o Duncan dos armadores, mas com algum grau de expressão facial (só algum). O resultado é um rapaz que se nega a perder mesmo num time que deveria feder, um elenco que responde acreditando em vitórias impossíveis, e um técnico que confia em seu armador a ponto de experimentar qualquer coisa durante um jogo - seja deixando a bola nas mãos de Evans o tempo todo, seja colocando ele para jogar dentro do garrafão para dar um cacete (e pesadelos) no Gilbert Arenas.
O Jennings pode ter um punhado de jogos com 55 pontos, pode levar o Bucks pros playoffs e tirar o papel de estrela da equipe das mãos do Michael Redd. Mas ainda fico com Tyreke Evans, que aliás tem possibilidades bem similares: terminar a temporada com uma média histórica, levar o Kings para os playoffs e tirar o papel de estrela da equipe das mãos do Kevin Martin. Mas o Evans está aí improvisado, dominando uma das posições mais difíceis da NBA, e fazendo isso com uma seriedade única entre os novatos. Eu perdi a chance de me divertir com o Duncan por muitos anos porque achava o cara muito chato, talvez essa seja minha redenção, acompanhando a carreira do Evans desde o comecinho. Que ele seja chato, que ele seja eficiente, que ele seja burocrático, que ele faça arremessos usando a tabela, vou aproveitar cada segundo de jogo do novato. Quando eu começar a esboçar um bocejo, terei pelo menos a certeza de que o Kings é divertido pra burro de assistir - divertido como apenas os times inteligentes e subestimados podem ser. O Kevin Martin, como eu já comentei, já é um dos meus jogadores favoritos da NBA, com aquela forma de arremessar que parece que ele teve um derrame antes de entrar em quadra, mas agora fico torcendo secretamente pra ele não voltar tão cedo às quadras. Assim como o Houston, que cozinhou o Tracy McGrady por quanto tempo conseguiu para não complicar a química do time, aposto que o Kings não tem nenhuma pressa para que sua estrela volte. É isso que aprendemos com esse Kings: draftar um armador improvisado, mesmo num draft recheado de armadores puros, pode dar certo se a escolha é feita com base em talento. E também aprendemos que construir um time em volta de um armador com cara de jogador secundário como o Kevin Martin não dá muito certo, mas isso é assunto para a gente conversar depois (será que o Hawks, que montou um time em volta do Joe Johnson, confirma ou refuta essa teoria?). São as lições de um time que deveria estar fedendo, que deveria ter feito a escolha errada no draft, mas que deu certo e tem tudo pra ter o calouro do ano. Eu já escolhi o ganhador do prêmio, alguém já quer apostar?
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terça-feira, 22 de dezembro de 2009
A derrota do ano

Quarto Quarto
Pessoal, o Quarto Quarto, nosso blog no Portal da MTV, ficou um tempo sem atualização porque eles mudaram a senha de acesso e ficamos sem poder postar. Algumas reclamações depois tudo voltou ao normal e estou postando lá todos os dias um resumão da rodada, com poucas linhas sobre todos os jogos. Lá você pode ver os desfechos dos jogos que eu desisti de ver em prol de Bulls e Kings. (O jogo do Pacers acabou nas mãos tortas do TJ Ford, foi terrível!)
Não é nada ambicioso mas espero que seja divertido pra quem lê e útil pra quem não acompanhou os jogos. O endereço do Quarto Quarto é www.mtv.com.br/quartoquarto
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Zach Randolph versão 2004
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domingo, 20 de dezembro de 2009
Liberdade ainda que tardia
Quando Tracy McGrady chegou ao Houston Rockets, era sua primeira chance de ser a estrela de um time de verdade. Isso porque, no caso do Magic, chamar aquela joça de "time" era ser bastante bonzinho - o único outro jogador de verdade era o Grant Hill, que não chegou a jogar por contusão. Em Houston as coisas mudaram bastante: T-Mac era o grande reforço que tornaria Yao Ming campeão, mas as contusões lascaram os dois. O time, que agora é um time de verdade, segura as pontas sozinho a ponto de nem pensar mais em McGrady. Em Orlando era ele quem segurava um time que não existia, em Houston o time é tão bom que não precisa dele.
Em nenhum desses dois extremos T-Mac poderia dar certo. Quando foi cestinha da NBA seus esforços eram inúteis e foi, como todo grande jogador em time medíocre, tratado como perdedor, nos moldes de Kevin Garnett. Quando jogou em um time coletivo, não conseguia produzir sem reter a bola e diminuir o ritmo da equipe, decidiu passar a bola e foi tratado como amarelão, assumiu toda a responsabilidade pelo time nos playoffs e aí o elenco lhe deixou na mão nos momentos cruciais. Nunca houve um momento de equilíbrio, uma situação em que ele precisasse do time tanto quanto o time precisasse dele.
O técnico Rick Adelman sempre sonhou com um tipo bastante específico de basquete: coletivo, em que todos participem do ataque, criativo, com total liberdade para os jogadores, e baseado na constante movimentação de cada uma das peças da equipe. Na teoria é lindo, cheio de borboletas e pôr-do-sol e fadinhas coloridas, mas na prática exige uma caralhada de jogadores inteligentes que entendam perfeitamente a filosofia por trás dessa brincadeira. O Kings regido por Adelman, quando finalmente pegou o jeito, era uma maravilha de ver. Não ganhou bulhufas, tinha problemas claros, mas funcionava tão bem basicamente pela inteligência de três jogadores:
Vlad Divac, Chris Webber e Mike Bibby. Os dois primeiros figuram entre os melhores passadores de todos os tempos dentre jogadores de garrafão. O terceiro estava sempre disposto a dar o passe certo, sem frescuras - motivo pelo qual foi amado-idolatrado-salve-salve quando chegou à equipe no lugar do firulento Jason Williams, que curte a ideia de passar bolas enquanto equilibra pratos no nariz. Quando mais Rick Adelman teria outra oportunidade de encontrar jogadores tão eficazes, inteligentes e capazes de colocar sua filosofia ofensiva em prática?
O Houston Rockets parecia uma boa ideia (o Yao Ming é um excelente passador, e não é porque eu tenho fetiche por chineses gigantes não), mas o time era lento, tinha dificuldades em correr, segurava demais a bola e faltavam arremessadores. Tanto Yao quanto T-Mac sofreram bastante tentando abraçar as ideias de Adelman, porque quando faziam a bola rodar, eram criticados por não serem agressivos. Por um bilhão de vezes, Yao chamou uma marcação dupla no garrafão e passou a bola para fora, onde ela girava de encontro a um arremessador livre. Não é exatamente o que se espera de uma estrela de seu calibre passar um jogo tendo arremessado apenas um par de vezes. Eu nunca aceitei muito bem como o Yao era mal aproveitado no esquema, mas era um caso em que a postura do técnico sempre falou mais alto do que os jogadores que deveriam obedecê-la. Não interessava se havia um chinês gigante e um dos maiores cestinhas de todos os tempos na NBA, a postura ofensiva do Rick Adelman já chegou montada e não era maleável. O time que se adaptasse a ela.
É por isso que, justamente nas contusões de Yao e T-Mac, o sistema ofensivo floresceu. O resto do time, inteligente mas com menos talento, pressão ou potencial, parecia perfeito para o Rick Adelman. A escolha do Houston por trazer Trevor Ariza foi tratada com dúvida, "será que ele é jogador para ser estrela, para ser cestinha, para jogar sozinho, liderar um time?". Ninguém entendeu que a comissão técnica procurava justamente isso, um jogador que não fosse estrela, que não pudesse jogar sozinho, que não tivesse pretenções de liderar uma equipe. Esperava-se mais um jogador secundário e inteligente, e isso todo mundo que assistiu ao entendimento relâmpago do Trevor Ariza com relação ao sistema de triângulos do Lakers sabia que o Houston tinha conseguido.
Não há estrelas, não há líderes, não há jogadores que possam dominar o jogo sozinhos. Finalmente a presença de Rick Adelman é maior do que aquilo que está em quadra, é quase como se fosse ele a jogar ali todas as noites. Nunca um elenco entendeu tão bem sua filosofia nem executou tão bem seu plano ofensivo. É o elenco mais inteligente em que o técnico colocou suas mãos, a rotação é definida, todo mundo compreende seu papel e faz diretinho sem reclamar. Pode não dar certo sempre, mas mesmo as derrotas saem sempre como planejado. Durante as últimas temporadas, Rick Adelman passava todos os jogos chamando as jogadas ofensivas em voz alta no banco de reservas, decidindo o que o time deveria fazer em cada posse de bola, e quando parava de fazê-lo - deixando o time tomar as próprias decisões - a coisa descambava para a pourra-louquisse (algo tipo o Knicks de hoje em dia) e ele voltava a chamar as jogadas. Nessa temporada, a câmera durante as partidas insiste em mostrar um Adelman em silêncio, coçando a cabeça, cutucando a barba, apertando o nariz. É a imagem mais clara de que seu plano deu certo. E a constatação óbvia de que ter McGrady de volta lhe dá mais arrepios de medo do que ter que ver a Playboy da Fernanda Young.
Foi por isso que o T-Mac saudável recebeu a postura do "vamos fingir que ele não está aí para ver se desaparece", algo que o Pacers fez com o Jamaal Tinsley e que todos os seres humanos fazem com novela da Record. Mas no caso do Tinsley, o time arrancou até seu nome dos armários da equipe, a gente fica imaginando ele chegando para o jogo e não ter sequer onde se trocar, ao ponto de se esconder num cantinho da parede e ficar cantando músicas de ninar. Com o T-Mac a coisa foi bem mais sutil, falou-se sobre o medo de sua condição física, de ritmo de jogo, pavor de que ele voltasse a desmanchar o joelho - tudo bastante infudado porque ele passou as férias inteiras treinando com os melhores e competindo com jogadores de peso da NBA. Mas tudo também bastante justificável, tendo em vista que voltas apressadas por parte do T-Mac tiveram resultados catastróficos. Então usaram isso como uma desculpa sincera e mantiveram McGrady longe das quadras o máximo de tempo possível, ao ponto da paciência torrar e do T-Mac aparecer para jogar, vestido com o uniforme, mesmo sem a liberação da equipe. Talvez o Rick Adelman quisesse sumir com a placa do T-Mac do vestiário do Rockets, mas preferiram uma abordagem mais diplomática. O problema é que, cedo ou tarde, não daria para manter a postura. Uma hora ele teria que entrar em quadra.
Quando o Trevor Ariza foi pentelhado o jogo inteiro pelo DeMar DeRozan e deu uma cotovelada no ar (louvada seja sua falta de mira), acabou suspenso pela NBA. Além de umas piadinhas na equipe chamando-o de boxeador frustrado e da própria compreensão do Ariza de que ele perdeu a paciência e foi só isso ("me suspende, pronto, e depois deixa eu jogar"), a suspensão lascou a rotação da equipe e deixou bem claro aquele Tracy McGrady quietinho sentado no cantinho do banco, no maior estilo gordinho descoordenado que fica sentado encolhido esperando alguém escolher ele pra jogar na Educação Física. Não havia qualquer desculpa que pudesse impedí-lo de jogar e então, contra o Detroit Pistons, T-Mac entrou em quadra.
Shane Battier foi para o banco depois de uns minutos de jogo e McGrady entrou em seu lugar. Jogou por 7 minutos, até o final do primeiro quarto, e depois não voltou mais, com a desculpa de que não tem ritmo de jogo e não valhe a pena comprometer o ritmo da equipe por isso. Já foram três jogos e o que ocorre é sempre igual, esses minutinhos poucos e controlados. A torcida foi à loucura quando ele finalmente entrou em quadra, teve orgasmos múltiplos quando ele converteu sua primeira cesta, mas lá no fundo todo mundo vê a verdade, um T-Mac com dificuldades para correr, que não sabe para onde deveria passar a bola e que não defende nem ponto de vista. Nessa altura das coisas, não há muito que McGrady possa acrescentar que o time já não faça bem - pontuar, encontrar companheiros livres, arremessar do perímetro - e, ao contrário, sua saída debilita o time defensivamente, já que Ariza e Battier são excelentes defensores. Contra o Nuggets chegou a ser ridículo: assim que T-Mac entrou em quadra o Carmelo Anthony começou a devorar o Houston vivo com azeite e sal. Para que ele entrou em quadra, então? Por mais triste que seja, ele não é mais necessário.
O bonitinho dessa história é o discurso de Tracy McGrady, de que ele não tem nada a provar a ninguém: já foi All-Star sete vezes, cestinha da NBA por duas, frequentou os playoffs com constância. Tá bom que nunca passou da primeira rodada, nunca ganhou nada, mas deixou seu nome na história como um dos grandes de seu tempo. O que T-Mac diz querer é provar coisas para ele, provar que ainda pode jogar, que venceu suas contusões, que pode se encaixar. Seu discurso nunca soube encontrar um equilíbrio, em horas colocava todo o peso nas suas costas, em outras responsabilizava seus companheiros. Agora ele sabe que é desnecessário e no discurso só quer entrar em quadra e mostrar que pode jogar. Sem ser líder, sem responsabilidades, sem ganhar um título. Até porque essa postura é a mais capaz de lhe levar a um título. Nem ele nem nós, torcedores, podemos esperar grandes coisas: uns minutos aqui, outros minutos ali, umas bolas no último segundo, dar uma força no ataque em momentos específicos do jogo. Ou seja, tornar-se mais um jogador secundário e inteligente nas mãos de Rick Adelman. Se ele compreender que é apenas um grão de areia nas mãos do todo-poderoso técnico, jogará pouco e conquistará muito.
Será uma pena ver seu talento mal aproveitado, e muito possivelmente ele procurará outro lugar em que possa ter a bola nas mãos na temporada que vem, quando seu contrato finalmente termina. Mas se o seu discurso for real, o Houston será uma oportunidade fantástica de lhe tirar o peso nas costas, o caráter de estrela que sempre lhe podou o estilo de jogo, a fama de amarelão, as contusões que sempre lhe cobraram por um corpo que se esforça demais. É a chance que T-Mac tem de ser livre - tudo que ele tem que fazer é se deixar escravizar por Rick Adelman. A torcida de Houston vibra quando McGrady entra em quadra, resquício dos velhos tempos, mas a real felicidade está em vê-lo funcionando num papel limitado. Aplaudamos Tracy McGrady por tudo que ele fez, mas sejamos abertos àquilo que ele quer e pode fazer agora: vencer jogos, liberto das pressões que colocou em si mesmo. O engraçado é que trata-se do mesmo futuro que aguarda Yao Ming, desnecessário, pressionado, contundido. Que os dois, então, pequenos perto de Rick Adelman, possam ser livres.
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Danilo
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sábado, 19 de dezembro de 2009
Zach Randolph não brinca em serviço
Me sinto obrigado a postar esse vídeo aqui no Bola Presa. É o resumo do jogo de ontem entre Pacers e Grizzlies, que teve a vitória do Memphis por 107 a 94.
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Denis
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sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Profundidade a prova
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Denis
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