sábado, 14 de junho de 2008

Um mundo difícil para Kobe Bryant

E você pensava que ser o Kobe era só fama, mulheres e acusações de estupro...


Se você pensa que o mundo é um lugar cruel com você, que vai dormir de madrugada assistindo NBA, acorda cedo, estuda, trabalha, encara o ciúmes da namorada por causa daqueles recados de Orkut, ou então fica assistindo Naruto porque não tem namorada, pense o seguinte: pelo menos você não é Kobe Bryant.

"Tá maluco?", você pergunta. "Cê tá dizendo que minha vidinha de merda é menos cruel do que a daquele sujeito que vive de basquete, é considerado por muitos o melhor do planeta, tá na Final da NBA e come uma mulé mó boa?" É, mais ou menos isso. Mas é que no caso do Kobe, ele nunca pode acertar. Nada que ele faça jamais será certo. É como uma gordinha que, se usa roupa justa, evidencia as banhas; se usa roupa larga, parece um botijão de gás. E se o mundo é cruel com as garotas gordinhas, é ainda mais cruel com o armador do Los Angeles Lakers.

Não vou nem entrar no mérito de ele ser um dos jogadores da NBA mais apaixonados por basquete, mais dedicados ao esporte e mais competitivos do planeta, o que o torna obviamente uma pessoa difícil de compreender, aceitar e conviver. Vou deixar isso para outro dia e me ater a outro Kobe, o das quadras, não o de fora delas.

Ao fim da temporada passada, o Lakers fedia. Era um time estupidamente limitado, carente de peças essenciais, tão jovem que cheirava a talco de neném. Kobe levou o time para os playoffs mas foi merecidamente eliminado porque não tinha elenco. Qual a reação da crítica e do público? Deram na orelha de Kobe Bryant. Na temporada regular, foi duramente criticado por ser individualista demais ("não sabe jogar com seus companheiros", disseram). Nos playoffs, teve várias partidas em que exerceu o papel de facilitador, envolvendo seus companheiros com a consciência de que não poderia ganhar uma série de 7 jogos sozinho. Foi então criticado por não ter assumido a responsalidade, não ser agressivo, não colocar o jogo no bolso.

Puto da vida, Kobe reclamou do elenco, da diretoria, exigiu uma troca, mas nada foi feito. O time evoluiu naturalmente, sob a tutela de Phil Jackson, e todos os jogadores - sem exceção - voltaram mais aptos a contribuir em quadra. O time começou a ganhar e Kobe ficou exposto como um chorão que tinha um elenco de apoio melhor do que se imaginava. Destaque: o elenco tinha Kwame Brown, Turiaf, Radmanovic. Timaço!

A cada vitória de uma equipe magicamente coesa e consciente em quadra, talhada na unha pelo técnico Zen, Phil Jackson, Kobe via aumentarem suas chances de ser MVP, com elogios de que, enfim, aprendera a jogar em equipe. Ninguém cogitou que, enfim, ele tinha uma equipe? Lakers no topo da tabela, Bynum se contunde, Gasol chega. A equipe mantém a consistência, termina em primeiro do Oeste mais disputado de todos os tempos e isso porque Gasol chegou com o barco andando, desculpa utilizada milhões de vezes, aliás, para explicar o fracasso de Kidd no Mavs.

Então, nos playoffs, o Lakers chuta um punhado de traseiros, ganha o Oeste e vai para a Final da NBA como favorito ao título. Kobe tem o troféu de MVP brilhando em casa, possivelmente feliz por, enfim, ter recebido um pouco do reconhecimento que o melhor jogador do planeta deveria ganhar. Mas ele é Kobe Bryant, senhoras e senhores, e não pode fazer nada certo. O prêmio de MVP quase lhe escapou das mãos porque, disseram, o time do Lakers era "bom demais" e Kobe não necessariamente levava tudo nas costas. O mesmo time, crianças, de que todos ríamos um ano atrás, com um espanhol a mais.

Contra o Celtics, finalmente lembramos que o elenco tinha Turiaf, Radmanovic, um Bynum contundido, um Ariza voltando de contusão, um Sasha que virou peça fundamental na falta de outro mamífero bípede nas redondezas. As derrotas acontecem, são naturais. Kobe ganha um jogo sozinho e então perde um jogo 4 decisivo em que jogou como facilitador e viu seu time inteiro se recusar a atacar a cesta no quarto período, lhe entregando a bola para que ele decida essa porcaria e deixe suas fraldas molhadas em paz. Kobe facilitador, não assume a responsalidade! Kobe como única arma ofensiva, sem passar a bola, não envolve os companheiros no ataque, fominha safado! Com Kobe, não há acerto.

As glórias e os fracassos do Lakers, por toda uma década, recaírão em suas costas. Não olharemos para o Lakers com dó quando Jordan Farmar estiver armando o jogo, quando Sasha "The Machine" for o homem que deve parar Ray Allen numa jogada crucial, e não lembraremos que a única adição naquele time medíocre da temporada passada foi, durante muito tempo, Derek Fisher. Para o rapaz que se atreve a acreditar que pode ser melhor que Michael Jordan, entregamos nossas críticas e exilamos o coitado, tipo o Brasil fez com o João Kléber - e no fundo todo mundo ficava papeando animado sobre o Teste de Fidelidade do dia anterior. No fundo, a gente gosta de ver o Kobe jogar. Mas quando a série acabar e o Celtics tiver mais um anel de campeão pra coleção, a culpa será inteira do Kobe. Por passar demais, por passar de menos, por ter um elenco muito ruim, por ter um elenco bom demais. Nós nunca deixaremos Kobe acertar, até ser tarde demais.

6 comentários:

bahia disse...

concordo contigo, mas é o ônus do líderné?
já diria o saudoso Tio Ben, grandes poderes trazem grandes responsabilidades...

rafael disse...

poiseh... perfeito o texto

Anônimo disse...

E vou dizer mais. Não tenho tanta certeza se o Lakers venceria o campeonato mesmo se Bynum estivesse jogando. Hoje, vendo a diferença entre o Celtics e o Lakers ainda acho difícil dizer que o Lakers seria campeão com Bynum, Kobe, Fisher, Gasol e Odom. Pior é que ainda vão dizer falar. "Antes ele dizia que não tinha um cara pra dividir o Piano. e agora? qual é desculpa?". Isso é clao, se já não estiverem dizendo.

Heverton Elias

Ronin disse...

Boa. Excessivas ou não, cobranças sempre existirão no esporte, ainda mais quando os "cobrados" são os bam-bam-bans. Se o sujeito tem condições de resolver a parada sozinho de vez em quando, rola um costume do público. Torcedor espera verdadeiros super-homens. Vejamos o próprio Curintia e seu goleiro Felipe, que ano passado pegou muito e por ter falhado em jogos capitais, foi detonado.
Esporte é emoção...deixamos a razão pro Oswald de Souza e curtamos (uia) Kobe e outros caras. Um adendo sobra a eterna comparação Jordan/Kobe... O MJ resolvia sim, mas ele tinha caras experientes ao seu lado. Enfim.
Xupa, Kobe.
Dá-lhe, Garnett.

Abraço.

Renzo disse...

Concordo totalmente com o post.
Só friso uma coisa: depois dessa final, não me venham mais com essa baboseira de comparar Kobe com Jordan.

binho disse...

vocês são uns merdeticos.....

vocês nem virão Jordan jogar !

quem vive de passado é MUSEU !